Feliz Ano Novo

Gostaria de desejar a todos um feliz ano novo, mas um verdadeiro ano novo, não como se fosse uma manta mágica de desejos que caísse sobre nós sem qualquer relação com a nossa vida prática.

Gostaria que nesse ano novo:

Os pais fossem mais presentes na vidas dos seus filhos,

As pessoas corressem menos e dessem mais tempo ao seu próximo e aos relacionamentos.

As famílias vivessem em equilíbrio e paz interna.

As pessoas fossem valorizadas pelo que são e não pelo que tem.

Os líderes religiosos falassem menos de amor e amassem mais seu próximo.

Que os pastores erguessem menos paredes e mais vidas, falassem menos sobre o dizimo e mais sobre o amor.

Que as pessoas fossem menos a igreja e visitassem mais aos necessitados ao seu redor.

A saúde das pessoas não fossem tratada como comodidade e meio de enriquecimento rápido.

Que as pessoas aprendessem que vidas não são descartáveis e sim as possessões materiais.

O pequeno agricultor ganhasse um preço justo pelos seus produtos e os atravessadores parassem de ganhar fortunas exorbitantes pela exploração dos mesmos.

Que nenhum pai ou mãe tivesse que chorar a morte prematura de um filho(a) perdido para a violência urbana.

Que não haja outra crise econômica causada pela ganância dos investidores do mercado financeiro.

Que os EUA parassem de invadir países atrás do petróleo usando o pretexto que estão espalhando a liberdade e democracia.

Que os novos milionários olhassem para os milhares que não tem nada ao seu redor antes de comprarem sua primeira Ferrari.

Que houvesse menos apelo sexual na mídia e mais promoção dos valores da família.

Que os jornais falassem a verdade sem partidarismo.

Que houvesse menos ostentação dos ricos e mais consideração aos valores humanos.

Que a “comissão dos direitos humanos” lutasse pelos direitos da vítima também.

Que o conhecimento fosse democratizado

Que D-us use uma medida maior de sua graça quando considerar minhas falhas.

Que as pessoas acreditem que pode haver um mundo melhor, um mundo onde minhas decisões por menor que sejam tem um profundo poder de mudar o mundo ao meu redor,

Se nada disso acontecer infelizmente não será um ano novo, mas uma repetição tediosa do ano que acaba de passar com todas as suas mazelas.

Autor: Adivalter Sfalsin

Tenha um bom ano.

Já percebeu que os judeus tradicionalmente não desejam uns aos outros “feliz ano novo”?

Ao invéz dizem a frase hebraica “shanah tovath”, que apesar da tradução equivocada que aparece em quase todos os cartões de felicitações não tem nenhuma ligação com a expressão “feliz ano novo.”

Shanah Tovah transmite a esperança de um bom ano, ao invéz de um “feliz ano” e  a razão para essa distinção tem grande significado.

Em janeiro passado, a revista “Atlantic Monthly” trouxe um fascinante artigo intitulado “Há mais razões na vida do que simplesmente ser feliz. ”O autor, Emily Esfahani Smith, aponta como pesquisadores estão começando a adverter contra a busca simplesmente da felicidade. Eles descobriram que uma vida com propósito é melhor do que uma vida feliz em muitos aspectos. Os psicólogos descobriram que aqueles que esperam sempre “receber da vida” estão buscando “uma vida feliz” enquanto aqueles que estão dispostos a “dar na vida” estão buscando uma vida com propósito.

“A felicidade” sem propósito é caracterizada por uma vida superficial e relativa onde as coisas vão bem, necessidades e desejos são facilmente satisfeitos, difícildades ou tribulações são evitadas. As pessoas felizes obtem alegria em receber, enquanto as pessoas com propósito obtem alegria em dar aos outros, escreve o autor.

Kathleen Vohs, autora de um novo estudo a ser publicado este ano na revista “The Journal of Positive Psychology” diz: “Pessoas que buscam a felicidade obtem alegria ao receber benefícios de outras pessoas, enquanto as pessoas que buscam um propósito obtem alegria em compartilhar com outros”. Em outras palavras, a vida com propósito transcede o eu, enquanto a felicidade é concentrada na satisfação do eu.

Segundo o pesquisador Roy Baumeister, “O que diferência os seres humanos dos animais não é a busca da felicidade, isso ocorre na ordem natural do mundo animal, mas a busca do propósito é exclusivo aos seres humanos.”

Muito antes desses estudos, os judeus de alguma forma intuitiva entenderam isso. Felicidade é algo bom mas propósito é ainda melhor.

Desejar “um feliz ano novo” é reinforçar uma cultura hedonista cujo objetivo maior é o de “satisfazer o ego”, buscar “um bom ano” porém é reconhecer a superioridade do propósito sobre a alegria momentânea.

A palavra “bom” tem um significado especial na Torá, a primeira vez que encontramos essa palavra ela é associada simultanemente a cada dia da criação, Adonai vê a sua obra e proclama “isso é bom”, mas quando Adonai terminou todo o seu trabalho, Ele observou e disse: “e eis que tudo é muito bom”.

O que isso quer dizer? De que forma o mundo era bom? Certamente não era em nenhum sentido moral o que estava sendo mencionado, os comentaristas oferecem uma visão profunda, a palavra “boa-bom” indica que cada parte da criação cumpriu o propósito de D-us, foi bom porque era o que Ele tinha destinado a ser.

Esse é o significado mais profundo da palavra “bom”, quando ele é aplicado, atingimos nosso objetivo maior; nossa vida é boa quando vivemos a medida que fomos destinados a ser.

Podemos dizer que há muitas pessoas que levam uma vida boa apesar de passarem por muitas aflições e enfrentarem muitas dificuldades e experiências infelizes. Na verdade,  grandes indivíduos que escolheram vidas de sacrifício ao invés do prazer momentâneo deixaram um legado de inspiração e realização que nunca poderia ter sido realizado se estivessem preocupados com sua satisfação pessoal.

Shanah Tovah – “um bom ano”, na perspectiva espiritual é muito mais abençoado do que um simples “um ano feliz”.

Propósito Leva à Felicidade

Shanah Tovah provavelmente não enfatiza a felicidade, no entanto é a maneira mais correta de alcançar a felicidade em última análise, outra poderosa idéia descoberta por psicólogos contemporâneos é que a felicidade na maioria das vezes é o subproduto de uma vida com propósito. É justamente quando não buscamos a mesma e estamos dispostos a buscar ideais mais nobres como objetivo de vida que a encontramos inesperadamente, aterrissando numa vida completa e repleta de felicidade verdadeira.

Você pode pensar que a aquisição cada vez mais de dinheiro faria as pessoas mais felizes mas há milhões de pessoas dispostas a testemunhar suas experiências pessoais que simplesmente não é assim. Mas se o acumulo de dinheiro não satisfaz nossa sede de propósito, o que então? Os cientistas sociais chegaram a uma conclusão importante, ter dinheiro não conduz automaticamente à felicidade, mas compartilha-lo quase sempre alcança esse objetivo!

Propósito é o nosso objetivo final, em nossa busca de uma vida “boa”; então Shanah Tovah, você pode ter um ano repleto de significado e propósito e a felicidade inevitavelmente irá te seguir.

Shanah tovah a todos.

Parcialmente traduzido por: Adivalter Sfalsin

Texto original:

http://www.aish.com/jw/s/Jews-Dont-Say-Happy-New-Year.html?s=feat

Erros Teológicos Devido a Erros na Tradução Parte 2

Abolir ou cumprir a Lei?
 
Um dos versículos com interpretação equivocada que já testemunhei é o de Mateus 5:17. “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.”  – Nova versão internacional

Há aqueles que defendem que Jesus ao cumprir toda a lei mosaica (o Pentateuco ou Torá) Ele nos livrou do peso da lei e por isso não precisamos nos preocuparmos em obedece-la. Será que tal interpretação é valida? E o que dizer dos 10 mandamentos, que estão incluídos na lei?

Gostaria de propor uma análise na raíze do texto: Antes de tudo temos que considerar que evidências mostram que os evangelhos foram primeiramente escritos em Hebraico e depois traduzidos para o Grego, apesar de não termos os originais em Hebraicos hoje. Se tiver interesse nesse assunto indico a leitura do livro em Inglês (http://www.jerusalemperspective.com/products-page/ebooks/jesus-rabbi-and-lord/) Jesus Rabbi and Lord.

As três palavras fundamentais para entendermos essa declaração de Jesus são: Lei, abolir e cumprir.

LEI – diferente da conotação em português que é de algo obrigatório, pesado e punitivo, a palavra no hebraico (yarah) significa: instrução, retidão, vida, direção e ensino. A imagem é de uma flecha que é atirada em linha reta e acerta o alvo, sendo o alvo a vontade do Senhor. Então a “lei” nos ensina a andar corretamente a fim de obedecermos ao Senhor que amamos. O Salmista exclama no salmo 119:97 ”Oh! Como eu amo a tua lei! Nela medito o dia inteiro.” Como ele pode amar a lei? Eu detesto a lei, ela me obriga a fazer coisas que não desejo. Mas se entendermos o contexto em que o salmista se expressa é fácil de compreender.

ABOLIR – no grego = Karalyõ – “interpretar incorretamente”. No hebraico = batel– abolir, cancelar e destruir. Portanto a pessoa cancela, destrói e abole quando se equivoca na interpretação do texto.

CUMPRIR – no grego = Pleroõ – se refere a interpretar a passagem corretamente. No hebraico = Kiyem – re-afirmar, apoiar, guardar, observar, celebrar. Tanto BATEL quanto KIYEM estão geralmente associadas ao contexto de interpretação das escrituras.

Como alguém pode observar a lei (as instruções) do Senhor se não compreender o que a lei requer dele(a)? Se houver algum equivoco na interpretação das escrituras, provavelmente não conseguira cumprir o mandamento do Senhor como e Seu intuito, ou em outras palavras – acertar o alvo, então a pessoa pode abolir “interpretar incorretamente” – cancelando o mandamento. Em contrapartida quando se compreende corretamente a intenção do Senhor em determinado mandamento então a pessoa consegue cumprir o mandamento ou Lei (Torá). Acerta o alvo!

Então o que Jesus está realmente dizendo é: “Não pensem que vim dar uma interpretação incorreta dos preceitos/ensinamentos ou dos Profetas; não vim para dar interpretação incorreta, mas sim para interpretar corretamente, re-afirmar, apoiar, guardar, observar e celebrar a Lei (Torá).”

Meu desejo é que através do estudo minucioso das escrituras no seu contexto cultural, lingüístico e espiritual possamos viver vidas frutíferas e maduras em reverencia ao Senhor.

Autor: Adivalter Sfalsin

Erros Teológicos Devido a Erros na Tradução Parte 1

 
Dar sem perspicácia
            Somos ocasionalmente procurados por alguém pedindo ajuda financeira ou material. O pedido pode vir de algum vizinho, um membro próximo da família, ou até de uma pessoa totalmente estranha. Normalmente cedemos a esse pedido, outras vezes não. Mas, sempre que recusarmos a um pedido – não importando as nossas razões – invariavelmente nos sentimos desconfortáveis. O pedido pode ser irracional, ou mesmo impossível, mesmo assim sempre sentimos uma certa auto-condenação por não ceder ao mesmo. Afinal a bíblia não ensina, “dá àquele que te pede“? Mateus 5:42.
Esta passagem parece mostrar que somos obrigados a ceder a todos os pedidos materiais feitos. Será que isso realmente é a vontade de Deus? O texto grego de Mateus 5:42 na tradução portuguesa forçam-nos a chegar a esta conclusão, consequentemente, sempre que falhamos a responder positivamente a um pedido por ajuda, ou partilhar nossos bens materiais, ficamos com o sentimento de que agimos de uma maneira inferior a tudo que Deus fez por nós.
Uma tradução errada na primeira parte de Mateus 5:42 é a causa de toda a nossa confusão. Este verso normalmente é traduzido:
“Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes”. Esta citação vem da poesia hebraica. Uma das características mais importantes da poesia hebraica é o paralelismo – expressando o mesmo pensamento duas vezes, mas cada vez com palavras diferentes. A poesia não é rítmica apresentando rima ao final dos versos, mas sim sempre repetindo e duplicando a mesma idéia.  A segunda parte de Mateus 5:42 repete a idéia da primeira parte. O verbo “pedir“, portanto, da primeira frase do verbo, seria paralelo ao significado do verbo “emprestar“ na segunda parte do verso. Será que “pedir“ pode significar “emprestar“ em hebraico? Sim, o  “pedir“ em hebraico é diferentei do grego ou português, com três significados:
1) “fazer uma pergunta“
2) “fazer um pedido“
3) “Pedir emprestado“
Por isso, “pedir“ em hebraico às vezes pode significar “emprestar“ Porque existem duas palavras para “emprestar“? Porque na verdade há uma diferença sutil entre a palavra hebraica “pedir“ no sentido de “emprestar“ e a própria palavra “emprestar“. Em hebraico há uma distinção entre emprestar um objeto como um livro que deve ser devolvido ao proprietário, e emprestar no sentido de emprestar dinheiro ou farinha, que devem ser devolvidos de forma idêntica ao material emprestado. Na verdade não devolvemos a mesma farinha, mas o mesmo montante. Falando poeticamente em paralelismo, Jesus usa a primeira palavra no sentido de “emprestar“ na primeira parte do verso, e a segunda palavra na segunda parte do verso.
Mateus 5:42 de fato é uma ilustração que se segue em Mateus 5:39a. “Não tentes se vingar” do seu vizinho que tem lhe feito mal. Uma outra maneira de se vingar de um vizinho brigão seria lhe recusar um empréstimo. Jesus declara isso de uma maneira poética tipicamente hebraica. “Pedir“ na primeira parte do versículo é paralelo a “emprestar“ na segunda parte do versículo, e o significado é o mesmo. Em lindo hebraico Jesus diz: Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.” Em português o sentido é duplo e enganoso, mas em hebraico é elegante e perfeitamente claro. Assim que traduzimos este versículo de volta ao hebraico, ele já não mais fornece alguma justificativa para dar sem discernimento espiritual ou sabedoria. Essa passagem não está se referindo a “dar“, mas sim sobre como reagir em relação a um vizinho hostil. Certamente a generosidade é ensinada na bíblia, como por exemplo ajudar os pobres, necessitados e velhos. No entanto não estamos sendo mandados a dar as nossas propriedades a todos que pedem. Nós somos mandados a sermos bons administradores daquilo que Deus nos tem confiado (Compare, por exemplo a parábola dos talentos em Mateus 25:14-30). Não devemos expor irracionalmente nossas propriedades, nem dar sem que Deus dirija nossa dádiva.
 
Extraído do livro: Understanding the difficult words of Jesus, Autor: David Bivin.
 
Tradução: Adivalter Sfalsin

Onde a Igreja primitiva errou.

     “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. Tito 1:9

Nessa carta ao jovem pastor Timóteo, Paulo escreve: Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido,” (porque conheces bem aqueles que te ensinaram, no grego) 2 Tim 3:14. Apesar de Timóteo ter dito um pai grego, sua mãe, Eunice, era judia devota (confira Atos 16:1 e 2 Tim 1:5) como a mãe se encarregava de ensinar as escrituras sagradas no ambiente doméstico, Timóteo foi exposto as escrituras e cultura hebraica desde sua infância, parte importante de sua herança. Mais tarde em sua vida adulta Timóteo é exortado por Paulo a não deixar sua herança e ensina-la as gerações futuras sem dilui-la ou corrompe-la. “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros,” 2 Tim 2:2.
Um estudo cuidadoso dos últimos 19 séculos vai revelar como a igreja abandonou sua herança hebraica e se distanciou consideravelmente do povo e cultura semítica apesar de ter nascida dentro da mesma. A igreja deu pouco importância a exortação de Paulo a Timóteo em preservar e continuar ensinar suas origens hebraicas. Ao invés disso a medida que o tempo passou a igreja adaptou-se e absorveu a filosofia grega com seu crescimento e conquista dos povos no mediterrâneo. Ralph Stob, um filósofo cristão escreve: “O elemento espiritual grego teve grande influência na igreja nos primeiros 3 séculos de sua história, heresias começaram a penetrar, a igreja se tornou vulnerável a tais heresias porque tinha cortado suas raízes com a fonte que lhe deu vida no seu início. Quando o cristianismo cortou suas raízes com o povo hebreu, tornou-se distorcido. Até o dia de hoje colhemos frutos dessa distorção, com freqüência ficamos confusos quando tentamos entender um livro hebraico com uma perspectiva e cultura grego-romana, esse processo criou uma “esquizofrenia espiritual” “
Esse estudo, com a finalidade de discussão, trata de 3 áreas em que a igreja de hoje necessita de correção, redireção e retorno as raízes hebraicas, são elas:
1 – Unidade dinâmica x dualismo
2 – Espiritual x mundano
3 – Individualismo x coletividade
Essas áreas serão abordadas com o intuito de entender as implicações bíblicas afim de viver uma vida cristã saudável dentro e fora das comunidades cristãs.

1 – Unidade dinâmica x dualismo.
Devemos enxergar o mundo como uma unidade dinâmica. Ao crescer num mundo ocidental é praticamente impossível não ser influenciado pelo formato grego-romano de analise e raciocínio, temos grande admiração por Platão e outros filósofos gregos. O grande impacto de tais não só influenciou o passado antigo mas continua influenciando nosso presente, devemos a Platão e seus discípulos um grande legado no que se refere a razão, as faculdades da mente, verdade, sabedoria e beleza mas infelizmente essa forma de pensamento tem uma perspectiva dualística do mundo, o que afetou a igreja primitiva de forma negativa.
O platonismo basicamente diz que há dois mundos, um visível ou material e outro invisível, espiritual. O visível é uma extensão do invisível, por causa das imperfeições no mundo material, fonte do mal, ele é inferior ao espiritual que é perfeito. Essa visão afirma que o a “alma” tem origem no domínio celestial de onde ela caiu no mundo material. Embora os seres humanos tem relação com os dois mundos, eles almejam serem liberados do mundo material de seus corpos físicos, para voltarem a ser novamente “almas” retornando para o mundo celestial e divino. Platão comparou o corpo humano a uma prisão da alma, a alma imortal, pura foi encarnada num corpo imperfeito, a salvação acontece quando a “alma” escapa na morte do corpo e volta para o mundo invisível das “almas” no mundo espiritual.
A influência de Platão teve grande difusão durante os primeiros anos da história da igreja primitiva, fato esse inegável. De acordo com Werger Jaeger, (The Greek Ideas of Immortality, Harvard Theological reviwe pg 146) “um ponto mais importante na história da doutrina do cristianismo é que o pai da teologia cristã foi Orígenes (Alexandria, Egito c 185, teólogo) foi um teólogo e filósofo platônico na escola de Alexandria. Ele inseriu na doutrina cristã o drama cósmico da alma.
Ao contrário da visão grega o povo hebreu via o mundo como sendo bom, embora caído e necessitado de remissão, foi criado por D-us que tinha as melhores intenções ao criar os seres humanos, então ao invés de estar fugindo do mundo, deveríamos experimentar comunhão e amor com nosso criador. Conforme o pensamento hebreu o ser humano é uma unidade dinâmica de alma-corpo chamado para servir a seu criador apaixonadamente dentro do mundo material.

I – Gozar a vida ou não gozar?
O dualismo de Platão trouxe de forma sutil o ascetismo ou asceticismo – é uma filosofia de vida na qual são refreados os prazeres mundanos. Esse estilo de vida presente em muitas igrejas ainda hoje está em forte contraste com o estilo de vida do povo hebreu das escrituras. O gozar da vida é rejeitado em favor da mortificação das “coisas da carne”, o desejo físico e prazer são considerados satisfações indignas que só resultam no aprisionamento da alma com as coisas materiais.

          Então para evitar tal aprisionamento uma pessoa tem que se restringir e negar tudo que lhe dá prazer porque pode atrapalhar  a vida “espiritual”. Razão pela qual foram criados os mosteiros anos mais tarde, onde o indivíduo, nega-se a si mesmo, passa horas em silêncio e isolado do mundo, ali ele poderia dominar a “carne” e crescer espiritualmente.

          O apóstolo Paulo em colossenses 2:21 (Não toques, não proves, não manuseies?) combatia tal atitude dentro da igreja que tinha sido influênciada por tal filosofia. Infelizmente ela continuou enraizada na igreja, na época da reforma protestante o erudito Erasmus escreveu: “o cristianismo dos seus dias tinha que ser definido não por – Ame seu próximo como a si mesmo. Mas – abstenha-se de queijo e manteiga e coma lentilhas” Até mesmo o grande Jhon Wesley carregava em sua teologia um pouco de ascetismo, ele escreve: “tenha cuidado em desejar qualquer coisa que não seja D-us. Não admita nenhum desejo pela comida ou outro tipo de prazer…”
As escrituras de forma geral reflete uma realidade totalmente diferente do ascetismo, embora o prazer físico não ser a razão porque vivemos, devemos receber e afirmar o mesmo com gratidão ao criador. A bíblia nos adverte a não nos tornamos escravos dos prazeres e das possessões materiais (I Tim 6:9-10) “Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína.Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” Mas a solução bíblica para o desejo das coisas materiais não é a negação de tais, mas sim um coração humilde que reconhece que tudo que temos e somos vem do Senhor. São dadivas!
As escrituras hebraicas são bastante “mundanas”, Gênesis 1:28 dá a diretriz ao ser humano; estabeleça a raça humana na terra e não fuja dela. Confira: “Assim diz o Senhor, teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo;” Isa 44:24. O Senhor está interessado em todos os aspectos da vida humana, tendo nos dado tantos prazeres para desfrutarmos, assim revelando seu amor por nós. Eclesiastes 2:24 diz: “ Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus.” Até mesmo um amigo de Davi de 88 anos de idade bem próximo de sua morte mostra sua preocupação em estar hábil para gozar a vida comendo, bebendo e cantando (2 Sam 19:32-37).
Dentro dessa riqueza cultural e tradição, Jesus confirma a criação e a ordem material no seu tempo aqui na terra. Nos evangelhos lemos de camponeses, pescadores, flores, pássaros, casamentos, comida, bebida, celebração etc… o Senhor do universo não é só o invisível mas também tangível e terreno. Ele não chamou homens e mulheres para escapar desse mundo mas sim para agir dentro dele de forma responsável e grata pelas benções materiais que o Senhor criador derramou sobre eles. Como Paulo disse; “Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso;” 1 Cor 3:21. Com freqüência muitos cristão estão tão preocupados com as coisas “espirituais” que se esquecem de aproveitar as dadivas do Senhor e serem gratos a Ele pelas mesmas.
          Uma demonstração clássica desse dualismo é quando alguém em sua comunidade precisa de algo tangível na sua vida material; exemplo, uma visita, uma ajuda financeira, uma oportunidade de emprego etc… muitos na comunidade se oferecem a ajudar com uma oração ou com uma promessa de compromisso de oração diária por esse/aquele problema. Então o que se originou no “mundo material” será resolvido no “mundo espiritual”, aqui vemos a confusão que o dualismo causa. Tiago diz “Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” Tiago 2:18. Se está no teu poder de fazer algo concreto por aquela pessoa e você não o faz sua oração não vale de nada. Afinal o Senhor não tem mãos, pernas e boca, Ele usa seus servos, você! Para ir, agir e falar por Ele. Claro que se você estiver disposto.
“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e nào lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.” Tiago 2:14-17.

II – Casar ou não casar?
Outro aspecto em que o dualismo afetou a igreja foi na vida familiar. Como dito antes a filosofia grega via o corpo como inferior ao espirito, estavam constantemente em atrito, o corpo era repugnante, corruptível e fonte de pecado. Com o crescimento da igreja e absorção dos gentios chegou ao ponto onde a igreja tinha mais adeptos de origem gentílica do que hebraica, com pouco tempo dessa transformação demográfica a liderança foi assumida por gentios, então todo o conceito de vida familiar e casamento começou a ser moldado dentro da filosofia grega. O casamento começou a ser visto com uma certa desconfiança e um mal necessário, era uma forma inferior de vida porque era a manifestação do consentimento dos desejos carnais. Por falta de entendimento o casamento passou a ser uma relação questionável ao invés de um presente do Senhor para ser desfrutado. Gen 1:31.
A bíblia afirma claramente a instituição do casamento como sendo, santa, honrosa e imaculada. 1 Tim 4:3-4, Heb 13:4. Ela nunca tratou o corpo humano e suas funções de forma vergonhosa e obscena, o livro Cânticos dos cânticos celebra a sexualidade e o amor humano de forma arrojada. O povo hebreu vivia um vida física repleta de prazeres mas não de forma hedonista, o povo hebreu diferente dos povos do mediterrâneo não ensinavam o celibato como forma superior de vida.
As páginas da história da igreja revelam como a comunidade cristã gentílica torceu o conceito judaico do casamento, vejamos alguns exemplos através dos séculos:
1- Padre e freiras que faziam de castidade eram vistos como pessoas mais próximas de D-us porque eles negavam os prazeres desse mundo de tentações. Alguns desses evitam até mesmo tomar banho com medo de se verem nus e assim pecarem. Alguns mais radicais pregaram que o casamento era uma forma de vida poluída e que um pessoa não poderia ser salva se vivesse esse tipo de relacionamento.
2 –  Jerónimo de Estridão (c. 347 – 30 de setembro de 420) escreveu “Aquele que ama sua esposa de forma fogosamente é um adultero” (My beloved is Mine: Judaism and Marriage) pg 176.
3 – Agostinho de Hipona (13 de novembro de 354 – 28 de agosto, 430) escreveu “Os patriarcas do povo hebreu teriam preferido fazer a vontade de D-us do que multiplicar e crescer…. eles devem ter tido relações sexuais com relutância só para fazer o mandamento de D-us de multiplicar.
4 -Tomás de Aquino 1274, escreveu “cada ato carnal feito é um vicio da natureza que gravita em direção ao homicídio”.
5 – Martinho Lutero 1546, escreveu “…o celibato é o remédio para o desejo carnal… a cura para os desejos sexuais reprimidos que atormenta a vida de cada ser humano”, “não importa o louvor que é dado ao casamento, eu não vou conceber que não seja um pecado”.
6 – Em tempos modernos o Papa Pius XII escreveu “censuro severamente aqueles que apesar dos ensinamentos da igreja, dão preferência ao casamento acima do principio da virgindade” Afirmações como essas mostram que o princípio do celibato ainda é bastante reverenciado entre alguns cristãos.
A igreja católica até os dias de hoje prega a perpétua virgindade de Maria, nessa visão dualista do mundo onde o corpo humano é associado com o pecado, Maria nunca poderia ter tido relações sexuais or conceber filhos. Portanto os filhos que ela teve que bíblia menciona em Mat 13:55-56 eram filhos de um casamento anterior de José. Resumindo a igreja ao abandonar as raízes hebraicas que a sustentavam se expôs a ensinamentos estranhos que ao passar dos séculos se infiltraram em sua doutrina e distorceram sua identidade. Portanto há uma urgente chamada ao regresso as suas raízes.

 
Baseado do Livro “Our Father Abraham” de Marvim R Wilson. Chapter 10.
(Encorajo aos que entendem inglês a ler esse livro) 
Tradução livre: Adivalter Sfalsin
 

Lógica em bloco, Mente Hebraica x Grego-Romana

Lógica em bloco
Mente Hebraica x Grego-Romana

Com referência ao artigo “Mente Hebraica x Grego-Romana (integra)” https://raizeshebraicas.com/2013/10/12/mente-hebraica-x-grego-romana-integra/ esse artigo expande um pouco mais o aspecto: “lógica em bloco”

A mente Grego-Romana que influenciou de forma significativa todos os aspectos da vida ocidental deste a religião até a construção civil, como regra argumenta problemas começando com uma premissa. A premissa em lógica é um conjunto de uma ou mais de uma sentença declarativa que é acompanhada de uma outra frase declarativa que é a conclusão. A verdade da conclusão é uma conseqüência lógica das premissas que a antecederam. Toda premissa, pode ser verdadeira ou falsa, bem como a conclusão, não aceitando jamais a ambiguidade. Portanto, as frases que apresentam uma premissa são referidas como verdadeiras ou falsas válidas ou inválidas, portanto, devem ser portadoras da verdade. Portanto resultado é preto ou branco, não há espaço para ambiguidade ou área cinza.
Em contraste a mente Hebraica também faz uso da lógica em bloco, cada assunto é expressado em unidades individuais mas esses blocos não necessariamente se encaixam logicamente or harmoniosamente com outros aspectos da vida especialmente quando se trata da perspectiva do homem em relação a verdade e a perspectiva divina. Esse forma de pensamento cria a tendência para o paradoxo, antinomia ou aparente contradição, o bloco se mantém em constante tensão, frequentemente nos parece irracional e cria-se a polaridade, o resultado tornando-se cinza em vez de preto e branco, resultando em ambiguidade.
Essa tensão é particularmente rejeitada pela mente ocidental cujo padrão de pensamentos foram influenciados pela lógica Grego-Romana. Quando abrimos as escrituras hebraicas somos convidados a mergulhar no mundo oriental do oriente médio, precisamos passar por uma “conversão” intelectual a fim de fazer algum sentido dos textos, de outra forma inevitavelmente equívocos de interpretação irão ocorrer e consequentemente erros no comportamento.
Vamos observar alguns exemplos de lógica em bloco na perspectiva hebraica:
Êxodo 8:15, 7:3 diz que Faraó endureceu o coração mas também diz que o Senhor endureceu o coração de Faraó.
Isa 45:7, Hab 3:2 os profetas dizem que o Senhor é misericordioso e se ira.
João 1:29, 36, Apoc 5:5 se referem a Jesus como “cordeiro de D-us” e “leão da tribo de Judá”.
Judas 1:13, Apoc 19:20 se referem ao inferno como “negrura das trevas” e “logo de fogo ardente”
Em relação a salvação o Senhor Jesus disse: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”João 6:37 e “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” João 6:44.
Em Mateus 10:39, “Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á.
Em 2 Coríntios 12:10, “Porque quando estou fraco então sou forte”
Em Lucas 14:11, “Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado”
Em Romanos  9:13 “Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú” como referencia ao texto original em Malaquias 1:3 “E odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto” muitos mais outros exemplos podem ser achados tanto no “velho” como no novo testamento.
Algumas considerações da lógica me bloco podem levar ao leitor a ter a impressão que a soberania de D-us e a responsabilidade humana são incompatíveis. Para a mente hebraica entretanto tal violação não ocorre pois eles veem suas escolhas sendo uma forma de cumprimento da “vontade” divina. Nos trechos bíblicos que tratam da “predestinação-eleição” e “livre arbítrio” não podemos desconsiderar que D-us é soberano e ao mesmo tempo homem é senhor (soberano) do seu “destino” porque D-us nunca o forcará a servi-lo.
Samuel Sandmel em seu livro “Judaism and Christian beginnings” pagina 226, ele diz:
“A visão de que o destino de cada ser humano é destinado por D-us é superficialmente similar a visão grega de “sorte”. Conforme definição grega, sorte é uma forca sega que dita o que acontece aos homens assim como aos deuses gregos e que não pode ser alterada. De forma similar a predestinação condena ou salva alguém, a diferença é que essa força é chamada D-us.
A visão hebraica, talvez podemos chamar de providencia, nunca conclui que o futuro é inalterado porque esse visão contraria a omnipotência e misericórdia de D-us, nem tira a responsabilidade do livre arbítrio do homem.
Como o Rabbi Akiba disse: (Tudo dependente da providência de D-us ao mesmo tempo o homem tem livre arbítrio). O Destino do homem é proposto por D-us mas pode ser alterado, a oração é uma forma de alteração”
A mente hebraica é capaz de administrar bem essa tensão dinâmica e paradoxal sem ter que dar uma resposta exata, preto ou branco. A ambiguidade é bem-vinda.
Atenta para a obra de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto? Eclesiastes 7:13

 
Baseado do Livro “Our Father Abraham” de Marvim R Wilson. pg 150.
(Encorajo aos que entendem inglês a ler esse livro) 
Tradução livre
: Adivalter Sfalsin

Mente Hebraica x Grego-Romana (integra)

 
Mente Hebraica x Grego-Romana
 
Parte 1 
 

A Bíblia no original é, humanamente falando, um produto da mente hebraica. A primeira manifestação original do que hoje chamamos de “Igreja” foi também uma expressão da mente hebraica. Em algum ponto na história eclesiástica, alguém abandonou o projeto inicial dentro do contexto hebraico comum aos dias de Jesus e o substituiu por um não-hebraico, precisamente Grego/Romano. Como resultado, o que foi construído desde então tornou-se uma caricatura do que se pretendia. Em muitos aspectos tornou-se antagônica aos milênios de historia, cultura e tradição oral herdada por gerações anteriores. Vamos analisar algumas das diferenças fundamentais na mentalidade dos hebreus dos tempos bíblicos em contraste com a forma helenística (grego-romana) de pensar que deu surgimento a maior parte da teologia cristã. William Barrett, explica diferenças fundamentais entre a mente Hebraica e Helenística: Fazer x Saber. Diz Barrett, “A distinção … é decorrente da diferença entre o fazer e o saber, a Hebraica está preocupada com a prática do comportamento correto que é de suma relevância, em contraste, a Helenística se preocupa com o conhecimento, o saber tem relevância sobre o fazer. Sendo assim a Hebraica exalta as virtudes morais como uma substância superior para uma vida significativa, e a Helenística  exalta as virtudes intelectuais, o contraste é entre a prática e a teoria, entre o homem moral e o homem teórico-intelectual. Isso talvez ajude a explicar o por que para muitas igrejas cristãs seu foco está nas questões ortodoxas doutrinaria, o número de denominações cristãs que existe é uma prova concreta disso. Todas crêem nos mesmos princípios básicos mas divergem e se separam ao ponto de não terem comunhão pelas mínimas diferenças doutrinarias, mostrando que a “doutrina correta” e mais importante do que comunhão com um irmão de uma persuasão diferente da sua. No judaísmo bíblico, é justamente o oposto. Como Dennis Prager escreveu: “… a crença em D-us e o agir eticamente deve ser indissociáveis, indispensável… D-us exige um comportamento correto mais do que qualquer outra coisa, incluindo liturgia  a crença correta.” Foram cristãos gentios influenciados pela filosofia grega que intelectualizaram e sistematizaram a doutrina cristã. O pior de tudo e que eles mudaram essa doutrina de forma radical. Os hebreus dos dias de Jesus e logo a seguir a era apostólica da Igreja não tinham teologia formal ou sistematizada. A “igreja primitiva” não tinha hierarquia arraigada ou magistério por meio do qual toda a doutrina tinha de ser filtrada e aprovada. O que os apóstolos ensinavam sobre um determinado assunto era aprendido diretamente de Jesus, aprendido com as tradições orais e experiências coletivas do povo judeu. Eles determinavam Halakha (como andar) diretamente das interpretações dos mestres em suas comunidades. A medida que as circunstâncias mudavam eles recorriam a interpretação da Torá (Pentateuco) e determinavam a ação a ser tomada (Halakha) (cf. Mateus 18:18). Atos 15 fornece um relato de como, no mínimo, um ensinamento sobre requisitos para crentes gentios foi formado por volta de 50 DC. Observe a natureza participativa da discussão, todos os membros da Igreja participaram (Atos 15:4,12,22), e não apenas uma elite estava envolvida nas decisões. Em círculos cristãos tradicionais muitas vezes é mais importante acreditar e abraçar “a coisa certa ou doutrina correta”, do que viver da maneira certa. Alguns são obcecados com credos, declarações doutrinais, teologia sistemática e ortodoxia contra a heresia, esse modo de pensar é 100% helenístico. Para muitos de nós, ocidentais, a mentalidade hebraica é tão estranha e impossível de compreender que ao estudar as escrituras hebraicas rapidamente pulamos de volta para a zona de conforto do molde helenístico. Naturalmente ao tentarmos interpretar o texto hebraico com nossa ótica ocidental (helenística) de interpretação consequentemente será no mínimo distorcida. Note que a maior parte do velho testamento foi escrito em hebraico e há fortes indícios de que os evangelhos foram originalmente escritos em hebraico e depois traduzidos para grego, de qualquer forma todos os livros do novo testamento foram escritos por judeus, portanto foram escritos por pessoas que pensavam de forma hebraica apesar de terem usado outra língua (grego).   Por exemplo, em termos de tempos “proféticos” aqui novamente mostra-se o conceito helenístico de tempo – Inicio-meio-fim – pontos numa trajetória linear. Queremos saber a ordem sequencial quando D-us vai agir, criamos um cronograma pré-ordenado dos acontecimentos e queremos eliminar os eventos do nosso “calendário profético” a medida que eles vão acontecendo. Essa mentalidade é alienígena para a mente hebraica, para ela, não interessa a seqüência exata dos acontecimentos, o que interessa é que D-us vai agir, a leitura do tempo é cíclica e não linear. 

Na teologia ocidental, às vezes abandona-se a interpretação literal das Escrituras em favor de interpretações alegóricas. Isso também é tipicamente grego-romano. Interpretação alegórica abre portas para uma infinidade de exposições “criativas”  que deixam o estudante das Escrituras confuso e desorientado.
 
Parte 2
 

Principais diferenças entre mente Grego-Romana e Hebraica.   GR – A vida é analisada em categorias precisas. H – Toda a vida se mistura em todos aspectos.   GR – Uma divisão clara entre o natural e o supernatural H – O supernatural afeta toda a vida.

 
 

GR – Lógica em bloco com uma única solução como resultado final .

H – Lógica em bloco com varias soluções como resultado final dependendo da  perspectiva.  
 
 

GR – Leitura do tempo  linear. H – Leitura do tempo em forma ciclica.

 
 

GR – Orientação para o futuro próximo.

H – Orientação para as lições da história.
 
 

GR – O Tempo é linear e dividido em segmentos precisos. Cada evento é um novo acontecimento.

H – O Tempo é cíclico. Eventos similares constantemente reaparecer, (O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Ecl 1:9)
 
GR – Individualismo

H – Importância em ser parte do grupo   GR – Igualdade das pessoas H -Valor vem de um lugar em hierarquias   GR – A concorrência é boa H – A competição é mal (melhor cooperação)   GR – Universo é centrado no homem H – Universo é centrado em D-us-tribo-família   GR –  Valor da pessoa com base em dinheiro-bens materiais-poder H – Valor derivado das relações familiares   GR – Vida biológica é sagrada H – A vida social extremamente importante   GR – Aleatoriedade + causa & efeito determinam o que acontece na vida H – D-us causa tudo em seu universo   GR – Homem domina natureza através da compreensão e aplicação das leis da ciência H – D-us domina tudo, portanto, relacionamento com Ele determina o resultado dos acontecimentos.   GR – Poder é obtido por meio dos negócios, da política e influências. H – Poder social é resultado de padrões pré-ordenados por D-us.   GR – Tudo o que existe é o material H – O universo está repleto de seres espirituais poderosos GR – A História grava fatos objetivos e cronológicos.  H – A história é uma tentativa de preservar verdades significativas de forma significativa e memorável, não necessariamente fatos são  objetivos. GR – A mudança é progresso = bom. H – A mudança é ruim = destruição das tradições.   GR – Universo evoluiu pelo acaso. H – Universo criado por D-us.   GR – Universo é dominado e controlado pela ciência e tecnologia H – D-us deu ao homem domínio sobre sua criação mas haverá  Prestação de contas a D-us.   GR – Bens materiais = medida de realização pessoal. H – Bens materiais = bênção de D-us para ser compartilhado com outros.   GR – A fé cega H – A fé é baseada no conhecimento – experiência pessoal e em grupo   GR – Tempo como pontos em uma linha reta, inicio-meio-fim (“neste momento no tempo …” H – Tempo determinado pelo conteúdo (“No dia em que o Senhor fez …”)   Parte 3

 
Ao abordarmos as escrituras Hebraicas com nossa mente Grego-Romana que é altamente científica sem a devida  consideração podemos produzir distorções exegéticas grotescas. Ao tentar entender a cultura hebraica dos dias bíblicos assim como aqueles que viviam nesse tempo vamos experimentar um choque cultural devido a diferença cultural e visão do mundo, seus padrões de pensamento eram bastante distinta do nosso, seus valores e percepções eram radicalmente diferente. A Bíblia foi escrita em uma era pré-científica. A língua hebraica em si é bastante diferente do nosso em muitos aspectos infelizmente muito foi perdido na tradução.
       Quando estudamos as Escrituras, ou quando consideramos a natureza do início do Novo Testamento na comunidade messiânica, temos de levar em conta as diferenças entre o pensamento hebraico e helenístico. Intelectualmente, nós somos gregos, não hebreus. Nós aplicamos raciocínio baseado nas teorias de Aristóteles e Sócrates em quase tudo que analisamos, mesmo não tenho consciência, devido ao método de ensino que fomos submetidos toda a nossa vida através da cultura em que vivemos. É extremamente difícil se desvincular  desses padrões e entrar na mente hebraica. Temos uma certa insistência  em analisar tudo em padrões logicamente consistentes, em sistematizá-los, em organizá-los, teologias cuidadosamente fundamentadas. Não conseguimos conviver com inconsistência ou contradição confortavelmente. A Divindade tem que ser bem definida e estruturada rejeitamos a idéia hebraica de que D-us é simplesmente inefável, e que o Seu livro não se encaixa em nossa sistematização. Como Abraham Heschel escreveu: “Ao tentar sistematizar a Bíblia, que é cheia de vida, drama e tensão, a uma série de princípios seria como tentar reduzir uma pessoa viva a um diagrama” – Livro – D-us em Busca do Homem por Abraham Heschel, p. 20.
      A mente ocidental, quando procura compreender as Escrituras ou o que significa ser um “cristão”, cria seus próprios dilemas exegéticos e teológicos. (“Se D-us é todo-poderoso, poderia ele criar uma pedra tão pesada que não conseguiria levantar?” Ou “Se D-us é amor, então por que ele permite que o mal aconteça …?”) Incansavelmente tentamos organizar tudo em blocos gerenciáveis e estruturas intelectuais, queremos que todas as perguntas sejam respondidas, todos os problemas sejam resolvidos, e todas as contradições resolvidas.
Em nossa busca incessante de transformar as Escrituras em um livro sistematizado de respostas teológicas sobre D-us, acabamos distorcendo seu conteúdo. Procuramos entender o incompreensível, D-us; tentamos transformar o abstrato em concreto. Mas, “Para a mente judaica, o entendimento de D-us não é alcançado referindo-se dentro do modo grego de qualidades intemporais de um ser supremo, ou idéias de bondade e perfeição mas sim experimentando Seu cuidado no nosso dia-a-dia, Sua atenção aos pormenores de nossa vida de forma dinâmica. Não ha muita importância em falar de sua bondade mas a ênfase é posta em Sua compaixão para com o homem individualmente.”(Heschel, p. 21). Em outras palavras, D-us não é “conhecido” no abstrato, mas em situações específicas em que Ele afirma-se como D-us sobre a vida de cada um. D-us é o que Ele se revelou, não o que teorizamos a Seu respeito. Vemos Sua interação com o povo de Israel por milhares de anos baseado em experiências tangíveis na vida de indivíduos.
     
      Se quisermos entender a Bíblia, e o que significa ser um seguidor de Yeshua ha Mashiach (Jesus, o Messias), então teremos que entende-la Hebraicamente, não Helenisticamente. Isso vai exigir uma mudança de paradigma filosófico e intelectual de nossa parte, isso vai significar abordar as escrituras a partir de um ângulo totalmente diferente.
Heschel também escreve: “Os gregos aprendiam a fim de compreender. Os hebreus aprendiam a fim de reverenciar. O homem moderno aprende a fim de usar” (ibid., p. 34).
 
Parte 4
 
 Queremos uma religião de utilidade. Queremos técnicas que podem ser aplicadas conforme cada situação que experimentamos. Nós vemos muito “técnica orientadas” na igreja hoje em dia, como: 3 passos para crescer espiritualmente, 10 mais de ter um bom relacionamento, etc…
 Queremos técnicas para a compreensão, sistematização e estruturação do “calendário profético” para que possamos saber “o que vai acontecer a seguir”. Algumas pessoas querem saber para que elas possam ter algo para comercializar a outros cristãos que também querem saber. Estes são os que procuram ganhar com a “piedade” ou religião (cf. I Timóteo 6:5). Buscamos  “técnicas cristãs” de cura interior, cura exterior,  prosperidade financeira, ou para receber poder espiritual. Esta maneira de pensar é alheia a mente hebraica.
Em nossa cultura, temos comercializado tudo, incluindo o cristianismo. Infelizmente não pregamos o Evangelho, curamos os enfermos, expulsamos os demônios e fazemos discípulos – muitos aplicam boa partes dos seus esforços vendendo parafernália “cristã” folhetos e bugigangas. Fazemos música, não para adorar a Deus, mas para vender CDs. Evangelistas são escolhidos para pregar porque “sabem atrair multidões”, o poder ministerial foi comercializado e politizado, tanto quanto a de políticos regulares. Editoras cristãs publicar livros de celebridades cristãos – não porque eles são bem escritos, ou porque dizem algo importante, mas porque eles vão vender e fazer dinheiro.
Nos dias em que o movimento de Jesus  era conhecido como a “seita dos nazarenos” (Atos 24:5,14), ser um “cristão” estava relacionado diretamente com sua proximidade com Deus e com o próximo (Mateus 22:36-38; João 13:34-35). Nos séculos posteriores entretanto demos menos importância aos relacionamentos e ao mesmo tempo intelectualizamos e politizamos a fé. Essas influências deletérias mudaram radicalmente a natureza da Igreja. O espírito anti-judaísmo e mais tarde o anti-semitismo destruiu a personalidade original da igreja em muitos aspectos. Isso explica por que é tão difícil para muitos entender a Bíblia como um todo, velho e novo Testamento em harmonia.
Surpreendentemente no meio cristão sabe-se muito pouco sobre os 4 primeiros séculos da historia da igreja, que era predominantemente composta de Judeus que continuavam a guardar o sábado e ir as sinagogas assim como Jesus o fez toda a sua vida. Nos seminários dá-se muita ênfase a historia da igreja depois do quarto século, período em que boa parte da sua essência fora corrompida por vários fatores históricos e culturais, um deles em destaque foi a “cristianização” do império romano por Constantino em 321 por intermédio do Édito de Constantino que determinou oficialmente o domingo como dia de “santo”, dia do deus sol (padroeiro de Constantino) venerado por povos pagãos desde o Egito antigo.
Para realmente entender o que significa ser um seguidor de Yeshua, (Jesus) deve-se voltar às raízes hebraicas de seu movimento, e dos documentos que agora se referem como “O Novo Testamento”.
 
FIM
 
Autor: Brian Knowles
Tradução: Adivalter Sfalsin

Honrando suas promesas.

Honrando suas promesas.

Há um momento no relato bíblico no livro de Êxodo que nunca deixa de me mover. Na última e mais devastadora das Dez Pragas; a morte do primogênito em cada família egípcia, o que finalmente quebrou a resistência de faraó. A meia noite faraó decide deixar os hebreus partirem para a liberdade, eles correm em preparo para sair o mais rápido possível, talvez temendo uma mudança súbita de faraó, nem sequer tem tempo para assar o pão para a viagem. É por isso que até os dias de hoje os judeus comemoram o êxodo comendo matzá (pão sem fermento ou pão ázimo), durante a semana da Páscoa. Os egípcios deram a eles presentes de ouro, prata e tecidos, talvez por vontade de vê-los fora do Egito ou por culpa pela maneira como eles haviam tratado o povo hebreu, esses mesmo presentes que seriam utilizadas para fazer a Arca do Tabernáculo no deserto. Sobre a promessa de Moisés lemos: E Moisés levou consigo os ossos de José, porquanto havia este solenemente ajuramentado os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará; fazei, pois, subir daqui os meus ossos convosco. 

Êxodo 13:19

Eu amo essa cena. Todos ao redor de Moisés estão preocupados em encher suas bagagens com os presentes do Egito e Moisés está ocupado mantendo sua promessa a José. Ele mostra a sua grandeza neste momento, optando por manter uma promessa, em vez de se enriquecer.

Precisamos entender a excepcionalidade de Moisés naquele momento, porque um dia você vai estar em uma encruzilhada na vida quando você vai ter que escolher entre o ganho pessoal ou manter uma promessa. Pode haver momentos em que a única maneira de alcançar o desejo do seu coração e fazer seus sonhos se tornarem realidade exigirá a quebra de uma promessa feita a alguém, possivelmente uma promessa feita a si mesmo. O que você vai fazer nesse momento? Você vai manter a promessa ou quebrá-la na busca de sua promoção pessoal? Manter a promessa vai ser um sinal de sua força interior e de sua humanidade madura.

Há sinais muito preocupantes em nossa sociedade quando muitas vezes assumimos que um candidato político que faz promessas generosas enquanto faz campanha política, rapidamente se esquece ou da pouca prioridade as mesmas ao ganhar uma eleição. Da mesma forma quando um cônjuge é atraído, esquecendo do seu compromisso assumido no dia do casamento, quantos casamentos seriam salvos se ambos mantivessem suas promessas? O que acontece com o nível de confiança mútua de toda a sociedade quando uma corporação gigante declara que seus lucros caíram e como resultado, eles deixarão de honrar suas promessas de segurança do trabalho, seguro de saúde, ou benefícios de pensão? E aquele pedaço de papel em que você carrega na carteira, que chamamos de dinheiro, o que faz ele realmente valer algo? A única coisa que faz com que seja mais valioso do que um pedaço de papel é o fato de confiarmos no governo em honrar o valor que a nota traz. Caos terrível iria acontecer se nós deixássemos de acreditar na capacidade do governo de  manter sua promessa de pagar o valor estampado na nota.

Manter uma promessa é mais do que apenas manter a sua própria integridade. É mais do que fazer o que você disse que faria. É um sinal de que você reconhece a imagem de D’us em outra pessoa, quando você leva sua obrigação a sério você esta zelando não só pelo bem estar da pessoa mas também pela integridade do teu caráter e honrando ao seu criador. Quando o salmista tenta definir uma pessoa boa, uma pessoa com integridade, ele faz a pergunta retórica:

“SENHOR, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração. Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita nenhum opróbrio contra o seu próximo; A cujos olhos o réprobo é desprezado; mas honra os que temem ao SENHOR; aquele que jura com dano seu, e contudo não muda.” Salmos 15:1-4

Do livro: Superando decepções da vida

Autor: Harold Kushner

Páginas: páginas de 99-103

Tradução: A Sfalsin

O altivo de coração, Provérbios 16:5-6

Abominação é ao SENHOR todo o altivo de coração; não ficará impune mesmo de mãos postas.

 

Provérbios 16:5-6

 

O orgulho não permite enxergar os próprios erros. Esses menos erros, as vezes enormes, nos vedam a sua confissão, para encobri-los ou justificá-los o orgulho é impelido a novos erros e até mesmo ao crime.

Pela soberba que o ofusca, o “altivo de coração” move-se dentro de um circulo de que ele é o centro. Mas, ainda que “de mãos postas”, ou seja que procure apoiar-se em amigos que o defendem ou cúmplices, ainda que se acoberte com os privilégios de classe ou poder, que temporariamente manipula, não ficará sem castigo. “Não seguiras a multidão para fazeres o mal” Ex 23:2 O apoio da maioria não justifica o erro.

Autor: E. Percy Ellis

Tradução: Adivalter Sfalsin

DIA 1 DE JANEIRO PARA O JUDAÍSMO.

O QUE SIGNIFICA O DIA 1 DE JANEIRO PARA O JUDAÍSMO?

A origem do 1º de janeiro como começo do ano remonta a 46 a.C., quando o imperador romano Júlio César estabeleceu essa data como o marco inaugural do calendário. A escolha está ligada ao deus romano Jano (Janus), associado a portões e passagens, que possuía duas faces: uma voltada para o passado e outra para o futuro. César considerou que o mês em homenagem a Jano, “Ianuarius” (janeiro), seria uma “porta” apropriada para o início de um novo ano. Para celebrar, ele ordenou um violento confronto contra as forças revolucionárias judaicas na Galileia, em 1º de janeiro. Segundo relatos, o sangue correu pelas ruas.

Com a expansão do cristianismo, muitas festividades pagãs foram incorporadas ao novo calendário ou abolidas. No início da Idade Média, grande parte da Europa cristã passou a considerar o 25 de março (Dia da Anunciação, segundo a tradição católica) como o começo de um novo ano. Porém, quando Guilherme, o Conquistador (também conhecido como “Guilherme da Normandia”), foi coroado rei da Inglaterra em 25 de dezembro de 1066, ele decretou o retorno do início do ano para 1º de janeiro, à moda dos pagãos romanos. O objetivo era alinhar as celebrações do nascimento de Jesus (25 de dezembro) com sua própria coroação, bem como a da circuncisão de Jesus (1º de janeiro) para abrir o ano. Mais tarde, essa mudança foi rejeitada, e a Inglaterra voltou a comemorar o Ano Novo em 25 de março, seguindo o restante do mundo cristão.

Em 1582, o Papa Gregório XIII (Ugo Boncompagni, 1502-1585) reformou o calendário juliano, dando origem ao calendário gregoriano. O cálculo juliano de 365,25 dias (com um dia bissexto a cada quatro anos) continha uma pequena imprecisão (o ano solar real tem cerca de 365,2422 dias), o que fazia o calendário juliano acumular cerca de um dia de atraso a cada século. Para corrigir isso — e restaurar o equinócio vernal à data que ele ocorria no Concílio de Niceia (325 d.C.) — o Papa Gregório XIII adiantou o calendário em dez dias.

O 1º de janeiro, no entanto, também foi palco de episódios de perseguição contra os judeus. Em 1577, o próprio Papa Gregório XIII determinou, sob pena de morte, que todos os judeus romanos fossem obrigados a ouvir sermões de conversão após as orações das sextas-feiras. Em 1578, decretou que os judeus pagassem uma “taxa de apoio” para a manutenção de uma “Casa de Conversão”, destinada a convertê-los ao cristianismo. Em 1581, ordenou que suas tropas confiscassem toda a literatura sagrada da comunidade judaica de Roma, resultando em milhares de mortes.

Durante a Idade Média e o período pós-medieval, o dia 1º de janeiro — considerado pela cristandade como o dia da circuncisão de Jesus — foi marcado, em diversas regiões, por atos anti-judaicos, como a queima de sinagogas, livros judaicos, torturas públicas e homicídios.

Em Israel, o termo para as comemorações de Ano Novo na noite de 31 de dezembro é “Sylvester (Silvestre)”. Esse nome vem de São Silvestre, um papa que governou durante o Concílio de Niceia (325 d.C.) e que convenceu o imperador Constantino a proibir judeus de viver em Jerusalém, além de apoiar legislações agressivamente antijudaicas. Cada “santo” no catolicismo tem um dia especial de comemoração, e 31 de dezembro é o dia de São Silvestre — o que faz coincidir a virada do ano com a celebração desse papa.

Por esses e outros motivos, grande parte da comunidade judaica em Israel não vê 1º de janeiro como uma data de festa, mas como um momento que lembra a perseguição histórica contra o povo judeu. Ao mesmo tempo, muitos celebram o fato de o povo judeu hoje viver em Jerusalém, resistindo a todas as tentativas de expulsão ao longo dos séculos.

Ainda assim, para bilhões de pessoas que seguem o calendário gregoriano, 1º de janeiro é um dia de comemorações, festas e celebrações. Que seja um período de luz e paz para todos!

Feliz Ano Novo para quem segue o calendário gregoriano!

Adivalter Sfalsin

Oração para 2013

Oh Senhor! não podemos meramente suplicar que o Senhor acabe com as guerras;

porque o Senhor criou o mundo de forma em que o próprio homem é capaz de viver em a paz.

Oh Senhor! não podemos meramente suplicar que o Senhor acabe com a fome;

porque o Senhor criou o mundo com recursos naturais para alimentar todos os habitantes do planeta, se somente usássemos de forma sabia.

Oh Senhor! não podemos meramente suplicar que o Senhor acabe com a discriminação;

porque o Senhor nos deu olhos para ver o bem em todos os homens, se somente usássemos corretamente.

Oh Senhor! não podemos meramente suplicar que o Senhor acabe com o desespero;

porque o Senhor nos deu poder e recursos para acabar com as favelas e dar esperança ao desesperado, se somente usássemos o nosso poder de forma justa.

Oh Senhor! não podemos meramente suplicar que o Senhor acabe com as doenças;

porque o Senhor nos deu mentes brilhantes que podem pesquisar por curas e tratamentos, se somente usássemos nossa mente de forma mais construtiva.

Portanto nós suplicamos, Oh Senhor! Nos dê forças, vontade própria e determinação para fazermos invés de só orar, para sermos invés de só desejamos.

Autor: Jack Riemer

Tradução: Adivalter Sfalsin

Visão de Spurgeon em relação aos Judeus e Israel

CHARLES SPURGEON ACREDITAVA NO REGRESSO E RESTAURAÇÃO DOS JUDEUS À TERRA DE ISRAEL

Um dos maiores pregadores evangélicos de sempre, o cognominado “príncipe dos pregadores” – Charles Haddon Spurgeon (1834 – 1892) considerado também um dosmaiores pregadores ingleses de sempre, já antecipava o retorno dos judeus à sua Terra e o seu controle político sobre a mesma. Isto pode parecer básico e elementar para nós que fazemos parte da geração que viu Israel “nascer num só dia”, mas para alguém que viveu num tempo – século 19 – em que tal ideia seria considerada absurda e ridícula, foi certamente necessário muito estudo e reflexão nas Sagradas Escrituras proféticas para chegar a tal conclusão. Sem dúvida que tudo aquilo que ele creu e ensinou foi fruto da revelação divina, para que muitos pudessem à sua semelhança ansiar pelo cumprimento dos grande sinais que precederiam o regresso do Messias ao Seu povo eleito. Mais ainda, passariam a aguardar ansiosamente o primeiro grande sinal a cumprir num futuro não muito longínquo: o regresso dos judeus à sua Terra e o estabelecimento do moderno estado de Israel.

QUEM FOI CHARLES SPURGEON

Charles Haddon Spurgeon foi um famosíssimo pregador baptista inglês (1834-1892), que iniciou o seu ministério pastoral aos 20 anos na New Park Street Church, em Londres, tendo a Igreja mudado para Exeter Hall devido ao rápido crescimento, e mais tarde para o Surrey Music Hall. O contínuo crescimento da congregação – cerca de 10 mil pessoas vinham regularmente escutar os seus sermões – levou-os em 1861 a mudarem permanentemente para o recém construído Metropolitan Tabernacle. Durante 40 anos Spurgeon foi pastor nesta Igreja, tornando-se assim num dos maiores pregadores de sempre. Calcula-se que durante a sua vida Spurgeon pregou a cerca de 10 milhões de pessoas, sendo os seus sermões escritos, publicados e distribuídos pelo mundo inteiro. Este cognominado “príncipe dos pregadores” dedicou também muito do seu tempo a escrever devocionais, comentários bíblicos, e obras teológicas, estando muitos desses livros ainda disponíveis e em circulação nos dias de hoje.

MULTIDÕES ACORRIAM PARA OUVIR SPURGEON PREGAR
Sendo muito mais do que um pregador, Spurgeon punha em prática aquilo que ensinava, tendo fundado escolas dominicais, igrejas, um orfanato, e um colégio pastoral. O pregador baptista editou ainda uma revista muito estimada na época. A profundidade, conhecimento bíblico e poderosa oratória de Spurgeon cativava e empolgava os ouvintes da época, mas ainda hoje ele é considerado como um dos maiores pensadores e escritores cristãos de sempre. As suas obras devocionais e teológicas continuam a alimentar ainda hoje a fé e o conhecimento de inúmeros cristãos pelo mundo fora.

SPURGEON E O REGRESSO DOS JUDEUS À TERRA DE ISRAEL
Algumas das afirmações de Spurgeon sobre esta matéria levam-nos certamente a uma ainda maior admiração por este homem que Deus usou como um grande profeta para o seu tempo.
Eis algumas das suas afirmações registadas dos seus sermões e dos seus escritos:
“É também certo que os judeus, como um povo, ainda possuirão Jesus de Nazaré, o Filho de David, como seu Rei, e que retornarão à sua própria terra, e ‘edificarão nos velhos lugares desolados, restaurarão as antigas desolações, e repararão as velhas cidades, as desolações de muitas gerações.”

SPURGEON EM PREGAÇÃO
No dia 16 de Junho de 1864, numa reunião especial na Igreja na qual foi pastor , o famoso Tabernáculo Metropolitano, e numa época em que pregava sistematicamente a uma audiência de mais de 10 mil pessoas, sem qualquer espécie de amplificação sonora (inexistente na época), Spurgeon pregou sobre “A restauração e conversão dos judeus”. No seu sermão ele proclamou várias afirmações importantes sobre o futuro do povo judeu. Primeiramente, ele acreditava que os judeus iriam regressar física e literalmente para habitar e ter controle político sobre a sua antiga terra. Ele afirmou o seguinte, nas suas próprias palavras:
“Haverá novamente um governo nativo; haverá novamente a forma de um corpo político; um estado será incorporado, e um rei irá reinar. Israel ficou agora alienada da sua própria terra. Seus filhos, ainda que nunca possam esquecer o sagrado pó da Palestina, morrem mesmo assim a uma desesperadora distância das suas sagradas orlas. Mas tal não será para sempre, pois que os seus filhos voltarão a regozijar-se nela: a sua terra chamar-se-à Beulá, pois assim como um jovem casa com uma virgem assim os seus filhos com ela se casarão. ‘Colocar-vos-ei na vossa própria terra,’ – é a promessa de Deus para eles…Eles haverão de ter uma prosperidade nacional que os tornará famosos; sim, tão gloriosos serão eles que o Egipto, Tiro, a Grécia e Roma esquecerão todos as suas glórias à luz do maior esplendor do trono de David…Assim sou bem claro e simples, o sentido literal e o significado desta passagem (Ezequiel 37:1-10) – um significado que não deve ser espiritualizado – tem de ser evidente de que tanto as duas como as dez tribos de Israel terão de ser trazidas à sua própria terra, e então um rei as governará.”

SPURGEON SOBRE A CONVERSÃO DOS JUDEUS
Spurgeon também acreditava que a conversão dos judeus viria através da pregação cristã por intermédio da Igreja e de outras organizações missionárias que Deus iria levantar para essa tarefa.
“Todas estas promessas implicam certamente que o povo de Israel deverá se converter a Deus, e que esta conversão será permanente, pois que o tabernáculo de Deus estará com eles, o Altíssimo terá de forma especial o Seu santuário no meio deles para sempre; assim, quaisquer nações que apostatarem e se voltarem para o Senhor naqueles dias, a nação de Israel nunca, pois que estará efectiva e permanentemente convertida, os corações dos pais se voltarão com os corações dos filhos para o Senhor seu Deus, e eles serão o povo de Deus, um mundo sem fim. Ansiamos então por estas duas coisas. Não vou fazer teorias sobre qual das duas virá primeiro, se eles serão primeiramente restaurados e convertidos depois, ou se convertidos primeiro e então restaurados. Eles serão restaurados e serão convertidos também. Que o Senhor envie estas bênçãos na Sua própria ordem, e nós ficaremos bem contentes com qualquer uma das formas que vier. Tomamos isto como nossa alegria e conforto, que tal irá acontecer, e que tanto no trono espiritual como no temporal o Rei Messias se sentará, e reinará gloriosamente entre o Seu povo.”
Na sua obra “The Church of Christ” (A Igreja de Cristo), Spurgeon afirma com convictamente:
“A hora está chegando, em que as tribos subirão ao seu próprio país. Quando a Judeia, por tanto tempo um deserto uivante, voltar a florescer como uma rosa; quando, se se o próprio templo não for restaurado, for mesmo assim erguido no monte Sião algum edifício cristão, quando os cânticos dos louvores solenes forem escutados como ecos dos velhos Salmos de David cantados no Tabernáculo…eu penso que não damos demasiada importância à restauração dos judeus. Não pensamos demasiado nesse assunto. Mas, certamente, se há alguma coisa prometida na Bíblia é isto mesmo. Eu imagino que não se pode ler a Bíblia sem que se veja claramente que há uma real restauração dos Filhos de Israel…porque quando os judeus forem restaurados, a plenitude dos gentios se completará; e mal eles retornem, Jesus descerá então gloriosamente sobre o Monte Sião com os Seus antigos e os prósperos dias do milénio raiarão então; conheceremos então todo o homem como irmão e amigo; Cristo reinará com um domínio universal.”

SPURGEON E A VINDA DO MESSIAS
Spurgeon via o lugar de Israel no Reino de Deus como um cumprimento claro das profecias:
“Se lermos correctamente as Escrituras, os judeus têm muito a ver com a história deste mundo: eles serão ajuntados; o Messias virá, o Messias que eles estão buscando – o mesmo Messias que veio uma vez voltará de novo – Ele virá da mesma forma que eles esperavam que Ele viesse da primeira vez. Eles pensavam então que Ele viria como um príncipe para reinar sobre eles, e assim será quando Ele voltar. Ele virá para ser o Rei dos judeus, e para reinar gloriosamente sobre o Seu povo; porque quando Ele voltar judeus e gentios terão privilégios iguais, embora vá haver alguma distinção conferida a essa família real da qual Jesus veio; porque Ele sentar-se-à no trono do Seu pai David, e a Ele se juntarão todas as nações.” (in The Leafless tree”)

RESUMINDO… Podemos então resumir as convicções do “príncipe dos pregadores” sobre a restauração de Israel na sua própria terra nestes pontos:
1. Israel como nação virá a ter fé em Cristo;
2. Israel terá uma identidade nacional e geo-política;
3. O sistema político será uma monarquia, “um rei irá reinar”;
4. Israel estará na Terra Prometida;
5. As fronteiras corresponderão às promessas feitas a Abraão e David;
6. Israel terá um lugar especial entre as nações no Reino milenar;
7. Contudo, Israel permanece espiritualmente parte da Igreja;
8. Haverá uma prosperidade nacional que causará a admiração do mundo;
9. As profecias do Velho Testamento não devem ser tratadas de forma não literal.

Pessoalmente, ao fazer esta pesquisa sobre as convicções deste grande pregador baptista, fui extremamente abençoado e motivado a dar graças a Deus por ter levantado no meio do Seu povo homens desta estatura espiritual e de tão profundo conhecimento e revelação bíblicos!
Shalom!

Fonte: http://shalom-israel-shalom.blogspot.pt/2012/12/charles-spurgeon-acreditava-no-regresso.html

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 3 “..não vim abolir a lei, mas cumprir” Mat 5:17

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 3 “..não vim abolir a lei, mas cumprir” Mat 5:17

Passei boa parte da minha vida ativamente participando de 2 denominações protestantes (Batista e Presbiteriana). Por ter um interesse peculiar nas sagradas escrituras alguns ANOS atrás me dediquei a estudar a raiz de minha fé, ou seja a língua hebraica. Certamente o Senhor criador é um D-us pessoal e por isso iniciou seu plano de salvação com um indivíduo que se tornou uma nação e abençoou todos os membros da raça humana com o advento da vida do Messias, salvador do povo judeu e dos gentios.

Descobri então que ao estudar a bíblia eu era fortemente influenciado por 2 milênios de tradição cristã e interpretações humanas dos “pais da igreja” fazendo com que meu raciocínio fosse exclusivamente Grego/Romano e tivesse uma perspectiva 100% Helenística da bíblia. Hoje ao aproximar-me da bíblia com uma perspectiva crescentemente  hebraica vejo que muitas das interpretações e doutrinas equivocadas ensinadas no mundo cristão protestante hoje é devido há anos de desentendimento entre a igreja e a sinagoga, muitos desses com conseqüências trágicas e até sangrentas. É de suma importância para uma interpretação saudável levar em conta que as culturas são diferentes, as formas de pensar, ver o mundo e D-us podem estar tão distante quanto o leste do oeste entre as culturas diversas. Por exemplo os Gregos estudavam afim de compreender, nos, os ocidentais, estudamos afim de  aplicarmos o conhecimento em coisas práticas, os hebreus estudavam afim de reverenciar. Reverência, temor e admiração vem por meio do estudo das escrituras que levam o indivíduo a obediência, então o estudo é a expressão maior de louvor que uma pessoa pode oferecer ao Senhor.

Ao lermos a bíblia é vital entendermos que seus escritores eram Judeus, raciocinavam em hebraico e transmitiram sua mensagem dentro desse contexto mesmo que para alguns deles como Paulo ao escrever suas cartas usava o grego como instrumento mas a linha de raciocínio era hebraica. Jesus e Paulo pertenciam a escola de pensamento dos fariseus cuja interpretação das escrituras era aceita pela maiorias dos seus contemporâneos e sem dúvida influenciou os autores dos evangelhos assim como Paulo.

É comumente afirmado entre cristãos protestantes o seguinte:

1- Uma nova aliança foi feita e a antiga já não tem significância, e não é a continuação da revelação da primeira aliança.

2 – Judaísmo é uma religião da lei e o cristianismo a religião da graça.

3 – Judaísmo ensina a ira do Senhor e o cristianismo ensina o amor do Senhor.

4 – Judaísmo a religião de um povo exclusivo, cristianismo a religião internacional.

5 – Judaísmo ensina que justiça é alcançada por meio de obras e cristianismo por meio da fé.

Resumindo, ensina-se que o D-us do velho testamento é para ser temido por sua ira e o do novo testamento como o D-us do amor. Parecem até dois D-uses distintos. Naturalmente algumas dessas afirmações não são explicitamente proclamadas nos púlpitos mas implicitamente é o que afirmam.

Na minha busca para entender essas diferenças descobri que tais não existem, o Judaísmo nunca foi uma religião baseada nas obras e sim na graça de D-us. Afinal, o que o povo judeu fez para merecer ser resgatado do Egito? Certamente que ao lermos o velho testamento nos confrontamos com passagens difíceis, por exemplo onde D-us instrui o povo a exterminar seus inimigos, incluindo mulheres, crianças e idosos.. são passagens extremamente difíceis de compreender mas não podemos descartar dezenas de outros livros e passagens só porque a nossa compreensão de algumas passagens são desafiadoras.

Jesus ao “pregar o evangelho” se referia diretamente ao velho testamento principalmente aos 5 primeiros livros que é chamado de Torá, ou Pentateuco  (livros de Moises). O livro que Jesus mais cita é Deuteronômio atestando a autenticidade e autoridade do mesmo, citando-o três vezes ao repelir as tentações de Satanás. (Mateus 4:1-11; Deuteronômio 6:13,16, 8:3). Também, Jesus respondeu à pergunta quanto a qual era o maior e o primeiro mandamento por citar Deuteronômio 6:5. (Marcos 12:30).

Paulo também cita Deuteronômio 30:12-14; 32:35, 36 (em Romanos 10:6-8 e Hebreus 10:30).

Hoje seriamos capazes de testificar o amor de D-us a alguém usando velho testamento? Certamente Jesus, Paulo e os apóstolos usados pelo espirito santo converteram multidões usando esse método.

Um dos versículos com interpretação equivocada que já testemunhei e o de Mateus 5:17. “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.”  – Nova versão internacional

Há aqueles que defendem que Jesus ao cumprir toda a lei mosaica (o Pentateuco ou Torá) Ele nos livrou do peso da lei e por isso não precisamos nos preocuparmos em obedece-la. Será que tal interpretação é valida? E o que dizer dos 10 mandamentos, que estão incluídos na lei?

Gostaria de propor uma análise na raíze do texto: Antes de tudo temos que considerar que evidências mostram que os evangelhos foram primeiramente escritos em Hebraico e depois traduzidos para o Grego, apesar de não termos os originais em Hebraicos hoje. Se tiver interesse nesse assunto indico a leitura do livro em Inglês (http://www.jerusalemperspective.com/products-page/ebooks/jesus-rabbi-and-lord/) Jesus Rabbi and Lord.

As três palavras fundamentais para entendermos essa declaração de Jesus são: Lei, abolir e cumprir.

LEI – diferente da conotação em português que é de algo obrigatório, pesado e punitivo, a palavra no hebraico (yarah) significa: instrução, retidão, vida, direção e ensino. A imagem é de uma flecha que é atirada em linha reta e acerta o alvo, sendo o alvo a vontade do Senhor. Então a “lei” nos ensina a andar corretamente a fim de obedecermos ao Senhor que amamos. O Salmista exclama no salmo 119:97  “Oh! Como eu amo a tua lei! Nela medito o dia inteiro.” Como ele pode amar a lei? Eu detesto a lei, ela me obriga a fazer coisas que não desejo. Mas se entendermos o contexto em que o salmista se expressa é fácil de compreender.

ABOLIR – no grego = Karalyõ – “interpretar incorretamente”. No hebraico = batel – abolir, cancelar e destruir. Portanto a pessoa cancela, destrói e abole quando se equivoca na interpretação do texto.

CUMPRIR – no grego = Pleroõ – se refere a interpretar a passagem corretamente. No hebraico = Kiyem – re-afirmar, apoiar, guardar, observar, celebrar. Tanto BATEL quanto KIYEM estão geralmente associadas ao contexto de interpretação das escrituras.

Como alguém pode observar a lei (as instruções) do Senhor se não compreender o que a lei requer dele(a)? Se houver algum equivoco na interpretação das escrituras, provavelmente não conseguira cumprir o mandamento do Senhor como e Seu intuito, ou em outras palavras – acertar o alvo, então a pessoa pode abolir “interpretar incorretamente” – cancelando o mandamento. Em contrapartida quando se compreende corretamente a intenção do Senhor em determinado mandamento então a pessoa consegue cumprir o mandamento ou Lei (Torá). Acerta o alvo!

Então o que Jesus está realmente dizendo é: “Não pensem que vim dar uma interpretação incorreta dos preceitos/ensinamentos ou dos Profetas; não vim para dar interpretação incorreta, mas sim para interpretar corretamente, re-afirmar, apoiar, guardar, observar e celebrar a Lei (Torá).”

Meu desejo é que através do estudo minucioso das escrituras no seu contexto cultural, lingüístico e espiritual possamos viver vidas frutíferas e maduras em reverencia ao Senhor.

A.S.A.

Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 4

Continuação
 Queremos uma religião de utilidade. Queremos técnicas que podem ser aplicadas conforme cada situação que experimentamos. Nós vemos muito “técnica orientadas” na igreja hoje em dia, como: 3 passos para crescer espiritualmente, 10 mais de ter um bom relacionamento, etc…
 Queremos técnicas para a compreensão, sistematização e estruturação do “calendário profético” para que possamos saber “o que vai acontecer a seguir”. Algumas pessoas querem saber para que elas possam ter algo para comercializar a outros cristãos que também querem saber. Estes são os que procuram ganhar com a “piedade” ou religião (cf. I Timóteo 6:5). Buscamos  “técnicas cristãs” de cura interior, cura exterior,  prosperidade financeira, ou para receber poder espiritual. Esta maneira de pensar é alheia a mente hebraica.
Em nossa cultura, temos comercializado tudo, incluindo o cristianismo. Infelizmente não pregamos o Evangelho, curamos os enfermos, expulsamos os demônios e fazemos discípulos – muitos aplicam boa partes dos seus esforços vendendo parafernália “cristã” folhetos e bugigangas. Fazemos música, não para adorar a Deus, mas para vender CDs. Evangelistas são escolhidos para pregar porque “sabem atrair multidões”, o poder ministerial foi comercializado e politizado, tanto quanto a de políticos regulares. Editoras cristãs publicar livros de celebridades cristãos – não porque eles são bem escritos, ou porque dizem algo importante, mas porque eles vão vender e fazer dinheiro.
Nos dias em que o movimento de Jesus  era conhecido como a “seita dos nazarenos” (Atos 24:5,14), ser um “cristão” estava relacionado diretamente com sua proximidade com Deus e com o próximo (Mateus 22:36-38; João 13:34-35). Nos séculos posteriores entretanto demos menos importância aos relacionamentos e ao mesmo tempo intelectualizamos e politizamos a fé. Essas influências deletérias mudaram radicalmente a natureza da Igreja. O espírito anti-judaísmo e mais tarde o anti-semitismo destruiu a personalidade original da igreja em muitos aspectos. Isso explica por que é tão difícil para muitos entender a Bíblia como um todo, velho e novo Testamento em harmonia.
Surpreendentemente no meio cristão sabe-se muito pouco sobre os 4 primeiros séculos da historia da igreja, que era predominantemente composta de Judeus que continuavam a guardar o sábado e ir as sinagogas assim como Jesus o fez toda a sua vida. Nos seminários dá-se muita ênfase a historia da igreja depois do quarto século, período em que boa parte da sua essência fora corrompida por vários fatores históricos e culturais, um deles em destaque foi a “cristianização” do império romano por Constantino em 321 por intermédio do Édito de Constantino que determinou oficialmente o domingo como dia de “santo”, dia do deus sol (padroeiro de Constantino) venerado por povos pagãos desde o Egito antigo.
Para realmente entender o que significa ser um seguidor de Yeshua, (Jesus) deve-se voltar às raízes hebraicas de seu movimento, e dos documentos que agora se referem como “O Novo Testamento”.
FIM
Autor: Brian Knowles
Tradução: A S A

Lança o teu cuidado sobre o SENHOR, Salmos 55:22

Lança o teu cuidado sobre o SENHOR, e ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado Salmos 55:22

“Lança teu fardo sobre Adonai”

Imagine que você está dirigirindo um carro ao longo de uma estrada e de repente percebe que os freios foram removidas do pedal de freio e as rodas foram desconectadas do volante. Em pânico, você aperta o pedal até o fundo e tenta virar o volante freneticamente sem nenhum sucesso com o carro totalmente fora de controle, a sua melhor chance seria  abrir a porta e saltar. No entanto, sem perceber que na verdade você perdeu o controle você ainda tentar mantê-lo na estrada e a cada minuto que passa sua vida está em perigo se não sair do mesmo.

Embora tais acontecimentos dramáticos felizmente não ocorrem todos os dias, devemos perceber que realmente não temos controle sobre muitas coisas em nossa vida. Tentar exercer controle onde não é possível só piora a situação, pois assim como no exemplo acima, a solução é entregar nossos anseios e dores a Adonai e descansar Nele. Qualquer outra alternativa será inútil.

Muitas pessoas tomam uma decisão que pesam ser apropriada e acompanham a mesma com uma oração para o sucesso, outros consideram a oração apenas como último recurso. Adonai ouve a oração de todos, independentemente das circunstâncias em que é dita. Independentemente da tua atitude, decisão-oração ou oração como último recurso, precisamos aprender que há muitas situações totalmente fora do nosso controle e o importante é ter a atitude correta em relação a mesma.

Podemos não gostar de enfrentar a realidade, mas negá-la é perigoso.

Autor: Abraham Twerski

Tradução: A S Assis

Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 3

Continuação
Ao abordarmos as escrituras Hebraicas com nossa mente Grego-Romana que é altamente científica sem a devida  consideração podemos produzir distorções exegéticas grotescas. Ao tentar entender a cultura hebraica dos dias bíblicos assim como aqueles que viviam nesse tempo vamos experimentar um choque cultural devido a diferença cultural e visão do mundo, seus padrões de pensamento eram bastante distinta do nosso, seus valores e percepções eram radicalmente diferente. A Bíblia foi escrita em uma era pré-científica. A língua hebraica em si é bastante diferente do nosso em muitos aspectos infelizmente muito foi perdido na tradução.
       Quando estudamos as Escrituras, ou quando consideramos a natureza do início do Novo Testamento na comunidade messiânica, temos de levar em conta as diferenças entre o pensamento hebraico e helenístico. Intelectualmente, nós somos gregos, não hebreus. Nós aplicamos raciocínio baseado nas teorias de Aristóteles e Sócrates em quase tudo que analisamos, mesmo não tenho consciência, devido ao método de ensino que fomos submetidos toda a nossa vida através da cultura em que vivemos. É extremamente difícil se desvincular  desses padrões e entrar na mente hebraica. Temos uma certa insistência  em analisar tudo em padrões logicamente consistentes, em sistematizá-los, em organizá-los, teologias cuidadosamente fundamentadas. Não conseguimos conviver com inconsistência ou contradição confortavelmente. A Divindade tem que ser bem definida e estruturada rejeitamos a idéia hebraica de que D-us é simplesmente inefável, e que o Seu livro não se encaixa em nossa sistematização. Como Abraham Heschel escreveu: “Ao tentar sistematizar a Bíblia, que é cheia de vida, drama e tensão, a uma série de princípios seria como tentar reduzir uma pessoa viva a um diagrama” – Livro – D-us em Busca do Homem por Abraham Heschel, p. 20.
      A mente ocidental, quando procura compreender as Escrituras ou o que significa ser um “cristão”, cria seus próprios dilemas exegéticos e teológicos. (“Se D-us é todo-poderoso, poderia ele criar uma pedra tão pesada que não conseguiria levantar?” Ou “Se D-us é amor, então por que ele permite que o mal aconteça …?”) Incansavelmente tentamos organizar tudo em blocos gerenciáveis e estruturas intelectuais, queremos que todas as perguntas sejam respondidas, todos os problemas sejam resolvidos, e todas as contradições resolvidas.
Em nossa busca incessante de transformar as Escrituras em um livro sistematizado de respostas teológicas sobre D-us, acabamos distorcendo seu conteúdo. Procuramos entender o incompreensível, D-us; tentamos transformar o abstrato em concreto. Mas, “Para a mente judaica, o entendimento de D-us não é alcançado referindo-se dentro do modo grego de qualidades intemporais de um ser supremo, ou idéias de bondade e perfeição mas sim experimentando Seu cuidado no nosso dia-a-dia, Sua atenção aos pormenores de nossa vida de forma dinâmica. Não ha muita importância em falar de sua bondade mas a ênfase é posta em Sua compaixão para com o homem individualmente.”(Heschel, p. 21). Em outras palavras, D-us não é “conhecido” no abstrato, mas em situações específicas em que Ele afirma-se como D-us sobre a vida de cada um. D-us é o que Ele se revelou, não o que teorizamos a Seu respeito. Vemos Sua interação com o povo de Israel por milhares de anos baseado em experiências tangíveis na vida de indivíduos.
      Se quisermos entender a Bíblia, e o que significa ser um seguidor de Yeshua ha Mashiach (Jesus, o Messias), então teremos que entende-la Hebraicamente, não Helenisticamente. Isso vai exigir uma mudança de paradigma filosófico e intelectual de nossa parte, isso vai significar abordar as escrituras a partir de um ângulo totalmente diferente.
Heschel também escreve: “Os gregos aprendiam a fim de compreender. Os hebreus aprendiam a fim de reverenciar. O homem moderno aprende a fim de usar” (ibid., p. 34).
 Autor: Brian Knowles
Tradução: A S A

Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 2

Continuação

Principais diferenças entre mente Grego-Romana e Hebraica.

GR – A vida é analisada em categorias precisas.

H – Toda a vida se mistura em todos aspectos.

GR – Uma divisão clara entre o natural e o supernatural

H – O supernatural afeta toda a vida.

GR – Lógica linear.

H – Lógica em bloco e ciclica.

GR – Individualismo

H – Importância em ser parte do grupo

GR – Igualdade das pessoas

H -Valor vem de um lugar em hierarquias

GR – A concorrência é boa

H – A competição é mal (melhor cooperação)

GR – Universo é centrado no homem

H – Universo é centrado em D-us-tribo-família

GR –  Valor da pessoa com base em dinheiro-bens materiais-poder

H – Valor derivado das relações familiares

GR – Vida biológica é sagrada

H – A vida social extremamente importante

GR – Aleatoriedade + causa & efeito determinam o que acontece na vida

H – D-us causa tudo em seu universo

GR – Homem domina natureza através da compreensão e aplicação das leis da ciência

H – D-us domina tudo, portanto, relacionamento com Ele determina o resultado dos acontecimentos.

GR – Poder é obtido por meio dos negócios, da política e influências.

H – Poder social é resultado de padrões pré-ordenados por D-us.

GR – Tudo o que existe é o material

H – O universo está repleto de seres espirituais poderosos

GR – O Tempo é linear e dividido em segmentos precisos. Cada evento é um novo acontecimento.

H – O Tempo é cíclico. Eventos similares constantemente reaparecer, (O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Ecl 1:9)

GR – A História grava fatos objetivos e cronológicos.

H – A história é uma tentativa de preservar verdades significativas de forma significativa e memorável, não necessariamente fatos são  objetivos.

GR – Orientação para o futuro próximo.

H – Orientação para as lições da história.

GR – A mudança é progresso = bom.

H – A mudança é ruim = destruição das tradições.

GR – Universo evoluiu pelo acaso.

H – Universo criado por D-us.

GR – Universo é dominado e controlado pela ciência e tecnologia

H – D-us deu ao homem domínio sobre sua criação mas haverá  Prestação de contas a D-us.

GR – Bens materiais = medida de realização pessoal.

H – Bens materiais = bênção de D-us para ser compartilhado com outros.

GR – A fé cega

H – A fé é baseada no conhecimento – experiência pessoal e em grupo

GR – Tempo como pontos em uma linha reta, inicio-meio-fim (“neste momento no tempo …”

H – Tempo determinado pelo conteúdo (“No dia em que o Senhor fez …”)

Autor: Brian Knowles

Tradução: Adivalter Sfalsin

Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito.

Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito.
(Provérbios 16:02).

Como regra, as pessoas não fazem nada que acreditam ser errado. Aqueles que fazem o mal de alguma forma está convencido de que o que fazem é certo. Justificam-se com racionalizações engenhosas.

Se nossa mente é tão suscetível ao engano e no iludimos a respeito do que é errado é certo, o que podemos fazer para prevenir esse comportamento impróprio? Salomão fornece a resposta: Compartilhe com o SENHOR as tuas obras e planos, e teus pensamentos serão estabelecidos.
Provérbios 16:3
A distorção é maior quando a motivação é: “O que eu quero” Se deixarmos de lado o grande “EU”, e incluir: “O que Deus quer” a possibilidade de distorção encolhe dramaticamente.
Embora não ainda haja uma distorção no último caso, não se pode dizer que a distorção está completamente ausente. Algumas pessoas têm idéias estranhas sobre o que Deus quer.
No entanto, se tentarmos conhecer a vontade do Senhor antes de qualquer decisão haverá uma possibilidade menor de errar. Uma boa sugestão é consultarmos pessoas piedosas, sabias e tementes ao Senhor, outra é buscar conhecer o caráter do Senhor nas escrituras. Cuidado com os que dizem, o “Senhor me disse” o “Senhor me revelou” “estou sentindo da parte de Deus”. Esses sinais podem ser verdadeiros mas infelizmente o uso abusivo desses termos banalizou o verdadeiro temor ao Senhor. Apesar de não ser infalível, há pelo menos uma chance de escapar das distorções de racionalização que são dominantes quando se procura satisfazer principalmente a si mesmo.

Adivalter Sfalsin

Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 1

Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 1
A Bíblia no original é, humanamente falando, um produto da mente hebraica. A primeira manifestação original do que hoje chamamos de “Igreja” foi também uma expressão da mente hebraica. Em algum ponto na história eclesiástica, alguém abandonou o projeto inicial dentro do contexto hebraico comum aos dias de Jesus e o substituiu por um não-hebraico, precisamente Grego/Romano. Como resultado, o que foi construído desde então tornou-se uma caricatura do que se pretendia. Em muitos aspectos tornou-se antagônica aos milênios de historia, cultura e tradição oral herdada por gerações anteriores.
Vamos analisar algumas das diferenças fundamentais na mentalidade dos hebreus dos tempos bíblicos em contraste com a forma helenística (grego-romana) de pensar que deu surgimento a maior parte da teologia cristã.
William Barrett, explica diferenças fundamentais entre a mente Hebraica e Helenística: Fazer x Saber. Diz Barrett, “A distinção … é decorrente da diferença entre o fazer e o saber, a Hebraica está preocupada com a prática do comportamento correto que é de suma relevância, em contraste, a Helenística se preocupa com o conhecimento, o saber tem relevância sobre o fazer. Sendo assim a Hebraica exalta as virtudes morais como uma substância superior para uma vida significativa, e a Helenística exalta as virtudes intelectuais, o contraste é entre a prática e a teoria, entre o homem moral e o homem teórico-intelectual.
Isso talvez ajude a explicar o por que para muitas igrejas cristãs seu foco está nas questões ortodoxas doutrinaria, o número de denominações cristãs que existe é uma prova concreta disso. Todas crêem nos mesmos princípios básicos mas divergem e se separam ao ponto de não terem comunhão pelas mínimas diferenças doutrinarias, mostrando que a “doutrina correta” e mais importante do que comunhão com um irmão de uma persuasão diferente da sua.
No judaísmo bíblico, é justamente o oposto. Como Dennis Prager escreveu: “… a crença em D-us e o agir eticamente deve ser indissociáveis, indispensável… D-us exige um comportamento correto mais do que qualquer outra coisa, incluindo liturgia a crença correta.”
Foram cristãos gentios influenciados pela filosofia grega que intelectualizaram e sistematizaram a doutrina cristã. O pior de tudo e que eles mudaram essa doutrina de forma radical. Os hebreus dos dias de Jesus e logo a seguir a era apostólica da Igreja não tinham teologia formal ou sistematizada. A “igreja primitiva” não tinha hierarquia arraigada ou magistério por meio do qual toda a doutrina tinha de ser filtrada e aprovada.
O que os apóstolos ensinavam sobre um determinado assunto era aprendido diretamente de Jesus, aprendido com as tradições orais e experiências coletivas do povo judeu. Eles determinavam Halakha (como andar) diretamente das interpretações dos mestres em suas comunidades. A medida que as circunstâncias mudavam eles recorriam a interpretação da Torá (Pentateuco) e determinavam a ação a ser tomada (Halakha) (cf. Mateus 18:18). Atos 15 fornece um relato de como, no mínimo, um ensinamento sobre requisitos para crentes gentios foi formado por volta de 50 DC. Observe a natureza participativa da discussão, todos os membros da Igreja participaram (Atos 15:4,12,22), e não apenas uma elite estava envolvida nas decisões.
Em círculos cristãos tradicionais muitas vezes é mais importante acreditar e abraçar “a coisa certa ou doutrina correta”, do que viver da maneira certa. Alguns são obcecados com credos, declarações doutrinais, teologia sistemática e ortodoxia contra a heresia, esse modo de pensar é 100% helenístico.
Para muitos de nós, ocidentais, a mentalidade hebraica é tão estranha e impossível de compreender que ao estudar as escrituras hebraicas rapidamente pulamos de volta para a zona de conforto do molde helenístico. Naturalmente ao tentarmos interpretar o texto hebraico com nossa ótica ocidental (helenística) de interpretação consequentemente será no mínimo distorcida. Note que a maior parte do velho testamento foi escrito em hebraico e há fortes indícios de que os evangelhos foram originalmente escritos em hebraico e depois traduzidos para grego, de qualquer forma todos os livros do novo testamento foram escritos por judeus, portanto foram escritos por pessoas que pensavam de forma hebraica apesar de terem usado outra língua (grego).
Por exemplo, em termos de tempos “proféticos” aqui novamente mostra-se o conceito helenístico de tempo – Inicio-meio-fim – pontos numa trajetória linear. Queremos saber a ordem sequencial quando D-us vai agir, criamos um cronograma pré-ordenado dos acontecimentos e queremos eliminar os eventos do nosso “calendário profético” a medida que eles vão acontecendo. Essa mentalidade é alienígena para a mente hebraica, para ela, não interessa a seqüência exata dos acontecimentos, o que interessa é que D-us vai agir, a leitura do tempo é cíclica e não linear.
Na teologia ocidental, às vezes abandona-se a interpretação literal das Escrituras em favor de interpretações alegóricas. Isso também é tipicamente grego-romano. Interpretação alegórica abre portas para uma infinidade de exposições “criativas” que deixam o estudante das Escrituras confuso e desorientado.
Autor: Brian Knowles
Tradução: A S A

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 2 – “”Se a vossa justiça não exceder as dos escribas e fariseus” Mateus 5:20

Entendendo as Palavras Difíceis de Jesus – Parte 2

“Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus…” (Mateus 5:20)

Publicado por Adivalter Sfalsin

Baseado no livro Understanding the Difficult Words of Jesus – David Bivin

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.”

(Mateus 5:20)

Essa afirmação de Jesus pode parecer desconcertante, especialmente à primeira leitura. Os escribas e fariseus eram vistos como os mais zelosos cumpridores da Lei. Se nem eles seriam aceitos no reino dos céus, que esperança teriam os demais?

Será que Jesus está exigindo uma religiosidade ainda mais rigorosa? Mais regras? Mais perfeição moral?

Essa é uma interpretação comum, mas levanta sérias tensões com outros ensinamentos fundamentais do Novo Testamento, que afirmam que a salvação é pela graça, e não por mérito (Efésios 2:8-9).

Como, então, devemos entender essa declaração?

A resposta está na compreensão do significado original da palavra “justiça” e na expressão “reino dos céus”.

No hebraico bíblico, o termo tsedakah significava, de forma ampla, retidão, salvação e o agir fiel de Deus. Era um conceito associado não apenas à conduta humana, mas à própria intervenção salvadora de Deus em favor do seu povo.

Contudo, nos dias de Jesus, o significado de tsedakah passou a incluir também um sentido mais específico e prático: caridade ou generosidade para com os pobres. Entre os fariseus, três práticas eram vistas como pilares da vida piedosa: oração, jejum e generosidade. Dentre essas, a generosidade tornou-se, em muitos círculos, a mais importante — pois era considerada uma expressão tangível do relacionamento com Deus.

Assim, quando Jesus diz que nossa “justiça” deve exceder a dos escribas e fariseus, ele está utilizando um jogo de palavras que sua audiência entendia perfeitamente.

Em Mateus 5:20, Jesus parece usar os dois sentidos da palavra tsedakah de forma intencional:

“Porque vos digo que, se a vossa tsedakah (generosidade) não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus (tsedakah como salvação).”

Em outras palavras, Jesus está dizendo: Se vocês confiarem apenas na generosidade visível, na religiosidade exterior, como forma de obter aceitação diante de Deus, jamais entrarão no reino. A verdadeira justiça não nasce da performance, mas da confiança na salvação que vem do próprio Senhor.

Essa justiça que “excede” é aquela que vem da fé — e não das obras — como bem enfatizou o apóstolo Paulo:

“Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus.”

(Romanos 10:3)

Outro elemento fundamental para compreender essa passagem é o que Jesus quer dizer por “reino dos céus”. Em Mateus, essa expressão é usada para designar o movimento iniciado por Jesus, composto por seus discípulos e seguidores — aqueles que vivem sob o reinado de Deus aqui e agora.

Entrar no “reino dos céus”, portanto, não significa simplesmente “ir para o céu” após a morte, mas tornar-se parte do povo que vive sob os princípios e a autoridade do Messias.

Dessa forma, podemos parafrasear Mateus 5:20 da seguinte forma:

“Se a sua generosidade, se o seu modo de viver, não for mais profundo do que o exibido pelos fariseus — se não estiver fundamentado na confiança na salvação de Deus — vocês não poderão fazer parte do meu reino e experimentar a verdadeira justiça do Senhor.”

Jesus não está pedindo mais religiosidade. Ele está convidando para um tipo completamente diferente de justiça: aquela que nasce da graça, se expressa na fé, e se manifesta em uma vida transformada.

A justiça dos fariseus era visível, admirada, meticulosa — mas também era muitas vezes vazia de misericórdia e confiança real em Deus. Eles praticavam a tsedakah da generosidade, mas ignoravam a tsedakah que vem de Deus.

A verdadeira justiça, segundo Jesus, é fruto de um coração rendido, humilde, que sabe que não pode se salvar, mas que é movido a amar e servir porque foi alcançado pela misericórdia divina.

Essa mensagem continua relevante. Ainda hoje, é fácil cair na tentação de pensar que podemos “compensar” nossas falhas com boas obras, ou que merecemos o favor de Deus por sermos “bons cristãos”.

Mas o evangelho nos lembra: não somos salvos porque fazemos o bem. Fazemos o bem porque fomos salvos. A graça de Deus é o ponto de partida, e não a recompensa final.

A justiça que excede é aquela que nasce do encontro com Jesus, que nos transforma de dentro para fora, e nos convida a confiar menos em nós mesmos e mais na bondade de Deus.

Quando Jesus diz que nossa justiça deve exceder a dos fariseus, Ele não está propondo uma nova escada para o céu. Está nos chamando para descer do nosso orgulho, abandonar as aparências e confiar na justiça que só Ele pode nos dar.

Essa é a justiça que nos faz parte do reino. Essa é a justiça que salva. Essa é a justiça que transforma.

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