Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 2

Continuação

Principais diferenças entre mente Grego-Romana e Hebraica.

GR – A vida é analisada em categorias precisas.

H – Toda a vida se mistura em todos aspectos.

GR – Uma divisão clara entre o natural e o supernatural

H – O supernatural afeta toda a vida.

GR – Lógica linear.

H – Lógica em bloco e ciclica.

GR – Individualismo

H – Importância em ser parte do grupo

GR – Igualdade das pessoas

H -Valor vem de um lugar em hierarquias

GR – A concorrência é boa

H – A competição é mal (melhor cooperação)

GR – Universo é centrado no homem

H – Universo é centrado em D-us-tribo-família

GR –  Valor da pessoa com base em dinheiro-bens materiais-poder

H – Valor derivado das relações familiares

GR – Vida biológica é sagrada

H – A vida social extremamente importante

GR – Aleatoriedade + causa & efeito determinam o que acontece na vida

H – D-us causa tudo em seu universo

GR – Homem domina natureza através da compreensão e aplicação das leis da ciência

H – D-us domina tudo, portanto, relacionamento com Ele determina o resultado dos acontecimentos.

GR – Poder é obtido por meio dos negócios, da política e influências.

H – Poder social é resultado de padrões pré-ordenados por D-us.

GR – Tudo o que existe é o material

H – O universo está repleto de seres espirituais poderosos

GR – O Tempo é linear e dividido em segmentos precisos. Cada evento é um novo acontecimento.

H – O Tempo é cíclico. Eventos similares constantemente reaparecer, (O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Ecl 1:9)

GR – A História grava fatos objetivos e cronológicos.

H – A história é uma tentativa de preservar verdades significativas de forma significativa e memorável, não necessariamente fatos são  objetivos.

GR – Orientação para o futuro próximo.

H – Orientação para as lições da história.

GR – A mudança é progresso = bom.

H – A mudança é ruim = destruição das tradições.

GR – Universo evoluiu pelo acaso.

H – Universo criado por D-us.

GR – Universo é dominado e controlado pela ciência e tecnologia

H – D-us deu ao homem domínio sobre sua criação mas haverá  Prestação de contas a D-us.

GR – Bens materiais = medida de realização pessoal.

H – Bens materiais = bênção de D-us para ser compartilhado com outros.

GR – A fé cega

H – A fé é baseada no conhecimento – experiência pessoal e em grupo

GR – Tempo como pontos em uma linha reta, inicio-meio-fim (“neste momento no tempo …”

H – Tempo determinado pelo conteúdo (“No dia em que o Senhor fez …”)

Autor: Brian Knowles

Tradução: Adivalter Sfalsin

Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito.

Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito.
(Provérbios 16:02).

Como regra, as pessoas não fazem nada que acreditam ser errado. Aqueles que fazem o mal de alguma forma está convencido de que o que fazem é certo. Justificam-se com racionalizações engenhosas.

Se nossa mente é tão suscetível ao engano e no iludimos a respeito do que é errado é certo, o que podemos fazer para prevenir esse comportamento impróprio? Salomão fornece a resposta: Compartilhe com o SENHOR as tuas obras e planos, e teus pensamentos serão estabelecidos.
Provérbios 16:3
A distorção é maior quando a motivação é: “O que eu quero” Se deixarmos de lado o grande “EU”, e incluir: “O que Deus quer” a possibilidade de distorção encolhe dramaticamente.
Embora não ainda haja uma distorção no último caso, não se pode dizer que a distorção está completamente ausente. Algumas pessoas têm idéias estranhas sobre o que Deus quer.
No entanto, se tentarmos conhecer a vontade do Senhor antes de qualquer decisão haverá uma possibilidade menor de errar. Uma boa sugestão é consultarmos pessoas piedosas, sabias e tementes ao Senhor, outra é buscar conhecer o caráter do Senhor nas escrituras. Cuidado com os que dizem, o “Senhor me disse” o “Senhor me revelou” “estou sentindo da parte de Deus”. Esses sinais podem ser verdadeiros mas infelizmente o uso abusivo desses termos banalizou o verdadeiro temor ao Senhor. Apesar de não ser infalível, há pelo menos uma chance de escapar das distorções de racionalização que são dominantes quando se procura satisfazer principalmente a si mesmo.

Adivalter Sfalsin

Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 1

Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 1
A Bíblia no original é, humanamente falando, um produto da mente hebraica. A primeira manifestação original do que hoje chamamos de “Igreja” foi também uma expressão da mente hebraica. Em algum ponto na história eclesiástica, alguém abandonou o projeto inicial dentro do contexto hebraico comum aos dias de Jesus e o substituiu por um não-hebraico, precisamente Grego/Romano. Como resultado, o que foi construído desde então tornou-se uma caricatura do que se pretendia. Em muitos aspectos tornou-se antagônica aos milênios de historia, cultura e tradição oral herdada por gerações anteriores.
Vamos analisar algumas das diferenças fundamentais na mentalidade dos hebreus dos tempos bíblicos em contraste com a forma helenística (grego-romana) de pensar que deu surgimento a maior parte da teologia cristã.
William Barrett, explica diferenças fundamentais entre a mente Hebraica e Helenística: Fazer x Saber. Diz Barrett, “A distinção … é decorrente da diferença entre o fazer e o saber, a Hebraica está preocupada com a prática do comportamento correto que é de suma relevância, em contraste, a Helenística se preocupa com o conhecimento, o saber tem relevância sobre o fazer. Sendo assim a Hebraica exalta as virtudes morais como uma substância superior para uma vida significativa, e a Helenística exalta as virtudes intelectuais, o contraste é entre a prática e a teoria, entre o homem moral e o homem teórico-intelectual.
Isso talvez ajude a explicar o por que para muitas igrejas cristãs seu foco está nas questões ortodoxas doutrinaria, o número de denominações cristãs que existe é uma prova concreta disso. Todas crêem nos mesmos princípios básicos mas divergem e se separam ao ponto de não terem comunhão pelas mínimas diferenças doutrinarias, mostrando que a “doutrina correta” e mais importante do que comunhão com um irmão de uma persuasão diferente da sua.
No judaísmo bíblico, é justamente o oposto. Como Dennis Prager escreveu: “… a crença em D-us e o agir eticamente deve ser indissociáveis, indispensável… D-us exige um comportamento correto mais do que qualquer outra coisa, incluindo liturgia a crença correta.”
Foram cristãos gentios influenciados pela filosofia grega que intelectualizaram e sistematizaram a doutrina cristã. O pior de tudo e que eles mudaram essa doutrina de forma radical. Os hebreus dos dias de Jesus e logo a seguir a era apostólica da Igreja não tinham teologia formal ou sistematizada. A “igreja primitiva” não tinha hierarquia arraigada ou magistério por meio do qual toda a doutrina tinha de ser filtrada e aprovada.
O que os apóstolos ensinavam sobre um determinado assunto era aprendido diretamente de Jesus, aprendido com as tradições orais e experiências coletivas do povo judeu. Eles determinavam Halakha (como andar) diretamente das interpretações dos mestres em suas comunidades. A medida que as circunstâncias mudavam eles recorriam a interpretação da Torá (Pentateuco) e determinavam a ação a ser tomada (Halakha) (cf. Mateus 18:18). Atos 15 fornece um relato de como, no mínimo, um ensinamento sobre requisitos para crentes gentios foi formado por volta de 50 DC. Observe a natureza participativa da discussão, todos os membros da Igreja participaram (Atos 15:4,12,22), e não apenas uma elite estava envolvida nas decisões.
Em círculos cristãos tradicionais muitas vezes é mais importante acreditar e abraçar “a coisa certa ou doutrina correta”, do que viver da maneira certa. Alguns são obcecados com credos, declarações doutrinais, teologia sistemática e ortodoxia contra a heresia, esse modo de pensar é 100% helenístico.
Para muitos de nós, ocidentais, a mentalidade hebraica é tão estranha e impossível de compreender que ao estudar as escrituras hebraicas rapidamente pulamos de volta para a zona de conforto do molde helenístico. Naturalmente ao tentarmos interpretar o texto hebraico com nossa ótica ocidental (helenística) de interpretação consequentemente será no mínimo distorcida. Note que a maior parte do velho testamento foi escrito em hebraico e há fortes indícios de que os evangelhos foram originalmente escritos em hebraico e depois traduzidos para grego, de qualquer forma todos os livros do novo testamento foram escritos por judeus, portanto foram escritos por pessoas que pensavam de forma hebraica apesar de terem usado outra língua (grego).
Por exemplo, em termos de tempos “proféticos” aqui novamente mostra-se o conceito helenístico de tempo – Inicio-meio-fim – pontos numa trajetória linear. Queremos saber a ordem sequencial quando D-us vai agir, criamos um cronograma pré-ordenado dos acontecimentos e queremos eliminar os eventos do nosso “calendário profético” a medida que eles vão acontecendo. Essa mentalidade é alienígena para a mente hebraica, para ela, não interessa a seqüência exata dos acontecimentos, o que interessa é que D-us vai agir, a leitura do tempo é cíclica e não linear.
Na teologia ocidental, às vezes abandona-se a interpretação literal das Escrituras em favor de interpretações alegóricas. Isso também é tipicamente grego-romano. Interpretação alegórica abre portas para uma infinidade de exposições “criativas” que deixam o estudante das Escrituras confuso e desorientado.
Autor: Brian Knowles
Tradução: A S A

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 2 – “”Se a vossa justiça não exceder as dos escribas e fariseus” Mateus 5:20

Entendendo as Palavras Difíceis de Jesus – Parte 2

“Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus…” (Mateus 5:20)

Publicado por Adivalter Sfalsin

Baseado no livro Understanding the Difficult Words of Jesus – David Bivin

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.”

(Mateus 5:20)

Essa afirmação de Jesus pode parecer desconcertante, especialmente à primeira leitura. Os escribas e fariseus eram vistos como os mais zelosos cumpridores da Lei. Se nem eles seriam aceitos no reino dos céus, que esperança teriam os demais?

Será que Jesus está exigindo uma religiosidade ainda mais rigorosa? Mais regras? Mais perfeição moral?

Essa é uma interpretação comum, mas levanta sérias tensões com outros ensinamentos fundamentais do Novo Testamento, que afirmam que a salvação é pela graça, e não por mérito (Efésios 2:8-9).

Como, então, devemos entender essa declaração?

A resposta está na compreensão do significado original da palavra “justiça” e na expressão “reino dos céus”.

No hebraico bíblico, o termo tsedakah significava, de forma ampla, retidão, salvação e o agir fiel de Deus. Era um conceito associado não apenas à conduta humana, mas à própria intervenção salvadora de Deus em favor do seu povo.

Contudo, nos dias de Jesus, o significado de tsedakah passou a incluir também um sentido mais específico e prático: caridade ou generosidade para com os pobres. Entre os fariseus, três práticas eram vistas como pilares da vida piedosa: oração, jejum e generosidade. Dentre essas, a generosidade tornou-se, em muitos círculos, a mais importante — pois era considerada uma expressão tangível do relacionamento com Deus.

Assim, quando Jesus diz que nossa “justiça” deve exceder a dos escribas e fariseus, ele está utilizando um jogo de palavras que sua audiência entendia perfeitamente.

Em Mateus 5:20, Jesus parece usar os dois sentidos da palavra tsedakah de forma intencional:

“Porque vos digo que, se a vossa tsedakah (generosidade) não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus (tsedakah como salvação).”

Em outras palavras, Jesus está dizendo: Se vocês confiarem apenas na generosidade visível, na religiosidade exterior, como forma de obter aceitação diante de Deus, jamais entrarão no reino. A verdadeira justiça não nasce da performance, mas da confiança na salvação que vem do próprio Senhor.

Essa justiça que “excede” é aquela que vem da fé — e não das obras — como bem enfatizou o apóstolo Paulo:

“Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus.”

(Romanos 10:3)

Outro elemento fundamental para compreender essa passagem é o que Jesus quer dizer por “reino dos céus”. Em Mateus, essa expressão é usada para designar o movimento iniciado por Jesus, composto por seus discípulos e seguidores — aqueles que vivem sob o reinado de Deus aqui e agora.

Entrar no “reino dos céus”, portanto, não significa simplesmente “ir para o céu” após a morte, mas tornar-se parte do povo que vive sob os princípios e a autoridade do Messias.

Dessa forma, podemos parafrasear Mateus 5:20 da seguinte forma:

“Se a sua generosidade, se o seu modo de viver, não for mais profundo do que o exibido pelos fariseus — se não estiver fundamentado na confiança na salvação de Deus — vocês não poderão fazer parte do meu reino e experimentar a verdadeira justiça do Senhor.”

Jesus não está pedindo mais religiosidade. Ele está convidando para um tipo completamente diferente de justiça: aquela que nasce da graça, se expressa na fé, e se manifesta em uma vida transformada.

A justiça dos fariseus era visível, admirada, meticulosa — mas também era muitas vezes vazia de misericórdia e confiança real em Deus. Eles praticavam a tsedakah da generosidade, mas ignoravam a tsedakah que vem de Deus.

A verdadeira justiça, segundo Jesus, é fruto de um coração rendido, humilde, que sabe que não pode se salvar, mas que é movido a amar e servir porque foi alcançado pela misericórdia divina.

Essa mensagem continua relevante. Ainda hoje, é fácil cair na tentação de pensar que podemos “compensar” nossas falhas com boas obras, ou que merecemos o favor de Deus por sermos “bons cristãos”.

Mas o evangelho nos lembra: não somos salvos porque fazemos o bem. Fazemos o bem porque fomos salvos. A graça de Deus é o ponto de partida, e não a recompensa final.

A justiça que excede é aquela que nasce do encontro com Jesus, que nos transforma de dentro para fora, e nos convida a confiar menos em nós mesmos e mais na bondade de Deus.

Quando Jesus diz que nossa justiça deve exceder a dos fariseus, Ele não está propondo uma nova escada para o céu. Está nos chamando para descer do nosso orgulho, abandonar as aparências e confiar na justiça que só Ele pode nos dar.

Essa é a justiça que nos faz parte do reino. Essa é a justiça que salva. Essa é a justiça que transforma.

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Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 1 – Ligar e Desligar Mateus 16:19

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 1

Ligar e desligar

Mateus 16:19 – (leia todo o texto para entender o contexto desse versículo)

E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

Os verbos traduzidos como ligar e desligar no original são amarrar e desamarrar que aparecem com mais de um significado no velho testamento, por exemplo:

Em Juízes 15:12 E disseram-lhe: “Descemos para te amarrar e te entregar nas mãos dos filisteus. “

Em Gênesis 49:11 “Ele amarrará o seu jumentinho à vide, e o filho da sua jumenta à cepa mais excelente; ele lavará a sua roupa no vinho, e a sua capa em sangue de uvas.”

Em Números 30:2 “E ordenou aos homens mais poderosos, que estavam no seu exército, que atassem a Sadraque, Mesaque e Abednego, para lançá-los na fornalha de fogo ardente.”

Em Daniel 3:20 “Quando um homem fizer voto ao Senhor, ou fizer juramento, ligando a sua alma com obrigação, não violará a sua palavra: segundo tudo o que saiu da sua boca, fará.”

Em 2 Reis 17:4 “Porém o rei da Assíria achou em Oséias conspiração; porque enviara mensageiros a Só, rei do Egito, e não pagava tributos ao rei da Assíria cada ano, como dantes; então o rei da Assíria o encerrou e aprisionou na casa do cárcere.” Quer dizer: Emprisionar.

Essa palavra ao chegar nos tempos de Yeshua (Jesus) havia adquirido mais um sentido, o de amarrar ou permitir, similarmente desamarrar ou proibir. Na literatura rabínica na maior parte dos textos o sentido é de permitir ou proibir. Rabinos e sábios na época de Yeshua (Jesus) eram constantemente solicitados para interpretar os mandamentos divinos em suas comunidades, com perguntas como “tal ação é permitida dentro da lei divina”? ou “tal ação pode me tornar ritualmente impuro? Etc… A bíblia proíbe o trabalho no sábado mas não define o que é trabalho, por esse motivo os sábios e rabinos eram chamados para interpretar o que constituía trabalho, desta forma “permitiam ou proibiam” (ligavam ou desligavam) algumas atividades.

Os tradutores gregos de Mateus 16:19 usaram as palavras “dein” e “luein” que significam amarrar e desamarrar embora o texto no seu contexto lingüístico significa permitir e proibir. Após essa consideração podemos concluir que Jesus estava dando a Pedro autoridade para tomar decisões em relação a vida da igreja, ele conferiu a Pedro o símbolo de autoridade “chaves do reino do céus”, “reino do céus” aqui é sinônimo da palavra D-us. Em suma o que Pedro proibisse  D-us proibiria e o que Pedro permitisse D-us permitiria em relação a regulamentação da vida da igreja.

O movimento que Yeshua (Jesus) criou, fenômeno chamado “os seguidores do caminho” era um novo capítulo na história judaica, novas situações iriam ocorrer onde esse movimento teria que tomar decisões únicas. Situações que a bíblia (Velho Testamento – Tanak) não havia instruções em como agir e até mesmo os sábios de Israel não saberiam o que fazer. Decisões teriam que ser tomadas e soluções teriam que ser encontradas e mais preocupante ainda o Mestre não estaria com eles fisicamente para ajudar em tais decisões, a responsabilidade seria de Pedro e de outros lideres desse novo movimento, contudo a afirmação de Yeshua (Jesus) dá legitimidade e afirma a autoridade de Pedro e dos lideres não deixando espaço para o medo em tomar decisões erradas. Autoridade foi dada para que ligassem (permitissem) ou desligassem (proibissem) com o aval do Senhor.

Os apóstolos assim como os sábios e rabinos eram solicitados para interpretarem as escrituras (velho testamento – Tanak) e principalmente a Torá (5 livros de Moisés), resolver disputas internas e encontrar respostas em tempos de crise. As vezes eram confrontados com pequenos problemas e reclamações como por exemplo em atos 6:1-6 onde houve murmuração dos gregos contra os hebreus na distribuição diária da comida as viúvas.

“Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano.” Atos 6:1

As viúvas dos gregos estavam sendo desprezadas em relação em relação as viúvas dos judeus. Noutras ocasiões os problemas eram mais sérios algumas controvérsias com potencial para dividir a comunidade de forma irreparável. Uma dessas controvérsias é descrito em Atos 15 – a questão era se os judeus em suas sinagogas deveriam aceitar os gentios que tinham aceitado Yeshua (Jesus) como Senhor de suas vidas sem a exigência da circuncisão descrito na lei de Moisés (Torá). A decisão alcançada é um clássico exemplo de como a liderança desse novo movimento exercer sua autoridade de ligar (permitir) e desligar (proibir). Os discípulos e anciões se reuniram para discutir o problema, depois de muito debate Pedro se levanta e fala em Atos 15:1-11:

“1 Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se não vos circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos.

2 Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos, sobre aquela questão.

3 E eles, sendo acompanhados pela igreja, passavam pela Fenícia e por Samaria, contando a conversão dos gentios; e davam grande alegria a todos os irmãos.

4 E, quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos, e lhes anunciaram quão grandes coisas Deus tinha feito com eles.

5 Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés.

6 Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto.

7 E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem.

8 E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós;

9 E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé.

10 Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?

11 Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também.” Atos 15:1-11

Depois Tiago em Atos 15:13-21.

“E, havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos, ouvi-me:
Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome.
E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito:
Depois disto voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, levantá-lo-ei das suas ruínas, e tornarei a edificá-lo.
Para que o restante dos homens busque ao Senhor, e todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, diz o Senhor, que faz todas estas coisas,
Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras.
Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus.
Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da fornicação, do que é sufocado e do sangue.
Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue, e cada sábado é lido nas sinagogas.”
Atos 15:13-21

Nessa situação a decisão de Pedro foi essencial e crucial levando em consideração que Yeshua (Jesus) deu a ele autoridade que afetaria o destino da comunidade daqueles que criam Nele. Pedro então permitiu (ligou) que os gentios entrassem na comunidade dos que criam em Yeshua (Jesus), uma sinagoga sem a necessidade de fazer a circuncisão.

Ele deliberou (permitiu) que o mandamento da circuncisão que era muito pesado para os gentios cumprirem v10 fosse abolido, sendo esse mandamento exclusivo para judeus dentro dos ensinamentos (Torah) de Moises. No v19 Pedro permitiu a entrada dos gentios sem o requerimento da circuncisão:
“Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus”.

Mas no v20 Tiago proibiu (amarrou):
“Mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue”
Gentios deveriam se distanciarem de cultos pagãos que envolviam prostitutas sacerdotisas em seus rituais, se absterem de comer carnes de animais que o sangue não tinha sido removido conforme descreve Lev 7:26
(carne sufocada) “E nenhum sangue comereis em qualquer das vossas habitações, quer de aves quer de gado.”

Da idolatria. “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.” Êxodo 20:4

Depois da exposição de Pedro (permissão) e Tiago (proibição) o restante da liderança confirmou a decisão e depois toda a comunidade.

Tradução: A Sfalsin

Retirado do livro

Understanding the difficult words of Jesus

Autor: David Bivin

Entendendo as palavras difíceis de Jesus INTRODUÇÃO

Entendendo as palavras difíceis de Jesus

INTRODUÇÃO

Os evangelhos estão repletos de erros na tradução em Português, isso faz alguma diferença para o leitor? Considerando esses erros na tradução aqui e ali, eles dificultariam nosso entendimento da mensagem de Jesus? Existem passagens nos evangelhos que foram tão mal traduzidas que potencialmente podem causar dano a nossa compreensão e conseqüentemente a nossa vida espiritual.

Infelizmente a resposta para essas perguntas é positiva. Na verdade se a “igreja primitiva” tivesse entendido as palavras de Jesus no seu contexto hebraico, a maior parte das controvérsias teológicas nunca teriam acontecido.

Minha tentativa com essa serie é estudar os textos inseridos em seu contexto cultural, lingüístico e histórico. Evidentemente é uma tarefa de proporções gigantescas dado o enorme abismo cultural que existe entre nossa cultura e a dos hebreus no tempo do segundo templo. Mas vale a pena tentar, qualquer sugestão sadia é bem vinda.

Considerando as frases idiomáticas – qualquer língua carrega essas frases que revelam sua própria identidade cultural, quando essas frases são traduzidas palavra por palavra para uma outra língua ocorre então uma deficiência no sentido e compreensão das palavras. Nos evangelhos podemos ver inúmeras frases idiomáticas que estamos tão acostumados a ouvir que não damos conta de sua existência. Alguns exemplos de frases idiomáticas na bíblia.

Genesis: 6:8 Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR. Ou simplesmente o Senhor amava Noé.

Genesis 4:1 E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim.

E Lucas 1:34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? Ou Simplesmente: ter relações sexuais.

Lucas 16:23 E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. Ou Simplesmente: olhou.

Lucas 23:42 E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. Ou Simplesmente: interceda junto ao Pai por mim, não faz sentido Jesus só se lembrar que encontrou com ele na cruz mas sim interceder por ele.

Genesis 30:22 E lembrou-se Deus de Raquel; e Deus a ouviu, e abriu a sua madre. Ou Simplesmente: o Senhor agiu em favor dela, não faz sentido o Senhor se lembrar porque ele não pode esquecer de nada, ele é onisciente.

Mateus 6:22

A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Ou Simplesmente: se você for generoso.

Tradução: A Sfalsin

Tirado do livro

Understanding the difficult words of Jesus

Autor: David Bivin