Marta e Maria em seu contexto.

Antes de qualquer interpretação bíblica precisamos entender o seu contexto geográfico, linguístico, cultural e espiritual, só assim estaremos aptos em adaptar a passagem ao nossos dias e consequentemente as nossas vidas.

Primeiramente, é do interesse do leitor notar que o texto que temos em mãos passou por varias transformações que se forem ignoradas poderão resultar numa interpretação equivocada.  Ressalto algumas dessas considerações:

1- Contexto histórico: Antes de Mateus, Marcos e Lucas seus livros a maior parte das histórias originais estavam separadas por tópicos, essa é a conclusão que o linguista e pesquisador Robert L. Lindsey [1917-1995] chegou após anos de dedicação ao estudos dos evangelhos sinópticos. Esse pequeno relato de Marta e Maria fazia parte de um texto bem maior, com ao passar dos anos ficou disperso entre os 3 evangelhos. Lindsey usando técnicas linguisticas e temáticas põe o texto de Marta e Maria dentro do seu context original encontrados em  Lucas 10:38-42, Mateus 6:25-34 = (Lucas 12:22-31) Lucas 12:16-20 e Lucas 16:19:31.

Lucas 10:38-42

38 E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;

39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

40 Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.

41 E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa (preocupada) e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;

42 E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

Mateus 6:25-34

25 Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos (preocupado) quanto à vossa vida (alma), pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida (alma) mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?

26 Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

27 E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados (preocupação), acrescentar um côvado à sua estatura?

28 E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;

29 E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.

30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?

31 Não andeis, pois, inquietos (preocupados), dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?

32 Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;

33 Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

34 Não vos inquieteis (preocupados), pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Lucas 12:16-20 e  Lucas 16:19-31

2- Contexto Cultural: Os rabinos do primeiro século viajavam de cidade em cidade ensinando a Lei de Moises (Torá e os livros proféticos), essas viagens poderiam durar alguns dias ou até meses. Jesus, um rabino típico do primeiro século ensinava de povoado em povoado e se hospedava na casas dos seus seguidores/discípulos contando com a bondade e hospitalidade dos mesmos, a lei de Moises proibia o recebimento de dinheiro ou pagamento pelo ensino da escrituras (Torá e os profetas). Os ensinamentos eram esporádicos e propositalmente relacionados com atividades do dia a dia dos seus ouvintes. 

3- Método de ensino: A forma mais usada e eficaz de ensino no primeiro século era o uso de parabolas em pares, razão desse uso se acha na Torá, Deuteronômio 19:15 “Uma só testemunha contra alguém não se levantará por qualquer iniqüidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o fato.” Se tornou pratica de ensinar alguma ideia divina com uso de 2 parabolas para enfatizar a ideia. Assim como no caso de José do Egito, ele teve 2 sonhos paralelos para confirma a sua veracidade. 

4- Problemas na tradução: Consideremos que os sinópticos originais foram escritos em Hebraico e não Grego, como comumente aceito pela maioria. Existem evidencias irrefutáveis que comprovam o caso.Vou explorar esse tema em outra postagem.

5- Visão Grego/Romana vs Visão Hebraica. Na nossa cultura altamente influenciada pela lógica e visão grego/romana temos a tendencia de ler o texto bíblico com nossos óculos culturais grego/romano. A visão grego/romana sustenta a ideia do dualismo, onde tudo que é espiritual é bom e tudo que é material é mau. Se escolho A, automaticamente excluo B.

Se quiser saber mais, leio meu artigo https://raizeshebraicas.com/2013/10/12/mente-hebraica-x-grego-romana-integra/  

Considerando esses aspectos essenciais para uma interpretação saudável, vamos lá: 

V 38 E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;  

Apesar de o texto em Lucas não mencionar o local preciso, sabemos que isso ocorreu em Betânia de acordo com João 12:1. 

Ao viajar de povoado a povoado Jesus fazia paradas para repousar durante a noite que normalmente durava alguns dias. As viagens no oriente medio eram cheias de perigos, assaltantes, feras do campo e também era muito cansativa. As temperaturas poderiam chegar aos 45-50 graus durante o verão e abaixo de zero no inverno, o que adicionava ao desconforto de uma viajem a pé. 

V 39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

Aqui existe uma omissão ou má tradução que muda nosso entendimento da passagem, a palavra “a qual” deveriam ser traduzida por “também”, que quer dizer que tanto Marta como Maria estavam sentadas aos pés de Jesus para aprender.

“Sentar-se aos pés” é simplesmente uma expressão que quer dizer “aprender do mestre” Paulo em atos 22:3 usa essa expressão para identificar seu mestre “Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de Deus, como todos vós hoje sois.”

Isso é uma reminiscência do ditado judaico no m. ʻAbot 1: 4: “Que a tua casa seja uma casa de reunião para os Sábios (rabinos/metres) e sente-se no meio do pó dos seus pés e beba as suas palavras com sede”.

V-40: Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. 

Maria está se esquivando de suas responsabilidades de ajudar a irmã? Na cultura de Jesus, deveres domésticos eram considerado parte da responsabilidade somente das mulheres. Aprender a Torá (escrituras) era desaprovado. Tenho certeza de que os discípulos de Jesus esperariam que Ele ficasse do lado de Marta aqui e dissesse algo como: “Maria, sua irmã tem muito para fazer. Por que você não se levanta e a ajuda? Seria ótimo”. Mas ele surpreende todos com sua resposta.

Por que Jesus diz coisas tão absurdas? Porque Ele está ensinando. Ele está deixando uma impressão indelével e memorável na mente de Seus discípulos. Seus seguidores foram educados para considerar as responsabilidades de alguém para com a família como preeminentes. Jesus exalta a escolha de Maria mas não repreende Marta pela escolha que fez, afinal todos temos chamados distintos.

V-41 E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;

Em Lucas 10:5-6 Jesus prescreve hospitalidade para discípulos viajantes.  “E em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.”

Parece contraditório que Jesus não recebesse bem a diaconia (diakonia = serviço em Grego) de Marta. Em João 12:2 Marta é exaltada pelo serviço prestado “Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.”

Em João 12:26 Jesus ensina a importância do serviço aos outros e ao Senhor,  “Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará.” 

Toda sua vida se resumia ao serviço aos outros, Ele com frequência se mostrava como um servo. Vemos isso em Lucas 22:27 “Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve.”

Lendo esses textos acima fica difícil de acreditar que Jesus por algum momento diminuiu os esforços de Marta. O serviço de Marta não é avaliado negativamente em nenhum outro texto Lucas. Essa história poderia realmente ser sobre zelo exagerado Martha? 

V-42 E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. 

Jesus responde a Marta: “Maria escolheu Grego – agatha (boa parte)”. Esta palavra não precisa ser traduzida como “melhor ou excelente”. Pode significar simplesmente “bem”. Jesus está dizendo que Maria escolheu o “bem” e não vai tirar Maria de sua atividade para voltar ao povoado para ajudar Marta. Neste momento, Jesus só confirma a validade da escolha de Maria.

Vale a pena notar que era culturalmente reprovável uma mulher “sentar aos pés do rabino” e aprender direto de um rabino. Normalmente o rabino ensinava ao esposo e o mesmo ensinava a mulher. Como Jesus quebrou muitas barreiras culturais, essa oportunidade de aprender diretamente do rabino foi imperdível para Maria que com essa ação quebrou muitas barreiras culturais. 

Para o Judeu do primeiro século o fato de Jesus ter dito “Maria escolheu a boa parte” não exclui o bom trabalho de Marta, não existe tensão na sua afirmação. Visão Hebraica. Entretanto nossa visão Grego/Romana não deixar espaço para a tensão, a mentalidade Grego/Romana eleva a dualidade, exemplo preto ou branco, material ou espiritual etc.. Já a mente Hebraica vive muito bem com o holismo, pode não ser preto ou branco mas sim cinza, não é nem material nem espiritual mas sim um conjunto dos dois e ambos podem ser bons ou ruins dependendo de como se aplica. 

Jesus reconhece o trabalho valioso de Marta e a escolha de Maria, sem excluir ninguém. Esse episódio não foi isolado, provavelmente Jesus ficou por alguns dias na casa de Marta e Maria. Possivelmente Maria teve a oportunidade de servir assim com Marta.

Portanto Jesus afirmou a posição, chamado, missão de Marta assim como também afirmou a posição, chamado e missão de Maria. Reconhecendo que as pessoas são diferentes, tem personalidades diferentes e chamados distintos mas todos são uteis em sua capacidade no reino. Imagine se todos fossem chamados ao ministério de ensinar, ninguém ao ministério de servir? Seria impossível de alcançar algo concreto.

Contexto do Livro:

O Evangelho de Lucas foi escrito pelo Dr. Lucas, um gentio e o único autor bíblico que não é judeu. Embora ele não fosse um apóstolo original, Lucas era um associado próximo do Apóstolo Paulo, então o Evangelho de Lucas e o Livro de Atos que ele também escreveu, sempre foram considerados “apostólicos” pela Igreja; “Apostólico” significa “dos Apóstolos” – o fato de que uma obra foi escrita por um apóstolo ou (como no caso dos Evangelhos de Marcos, Lucas e Atos) por alguém muito próximo tanto no tempo quanto no relacionamento com um apóstolo, autenticado o trabalho e foi importante em sua colocação final como escritura sagrada.

Lucas era um homem erudito – um médico – e ele era um historiador e escritor – então, podemos esperar que a escrita de Lucas seja cheia de significado e se mantenha unida e não simplesmente seja uma cadeia ou coleção de declarações desconexas. O publico de Lucas foram os gregos, incluindo judeus e gentios helenizados, que esperavam e apreciavam esse tipo de pensamento e escrita sistemáticas. Eles não estavam interessados ​​em ler versos isolados ou passagens curtas; seu lema não era “apenas me dê os fatos. Eles gostavam de ler e considerar obras inteiras para ver como as proposições e a história se mantinham juntas e para captar mensagens e temas gerais.

 

Teologia da substituição Parte 2

Teologia da substituição Parte 2

Como discutido na postagem anterior: Teologia da substituição Parte 1 – https://raizeshebraicas.com/2022/01/29/teologia-da-substituicao-parte-1/
     A teologia da substituição erra em vários pontos, primeiro por apresentar uma narrativa incompleta, depois por deturpar o caráter de D-us. A aliança feita com Abraão foi unilateral, imutável e irrevogável.
Como eram feitas as alianças na antiguidade?
     Numa era onde não existia escrita, nem papel, desenvolveu-se rituais para firmar pactos e alianças de paz, casamento, compra e venda de propriedades etc… Como acreditava-se em vários “deuses” que eram os sustentadores da ordem natural do universo e tinham o poder sobre a morte e vida tudo era feito em nome desses “deuses”. Se duas partes A e B tinham interesse em fazer um pacto ambos traziam alguns dos melhores animais do seu rebanho, os partiam ao meio e arrumavam de forma que as duas metades fizessem um corredor. Então o pactuante A passava ao meio das carcassas e recitava a parte de sua obrigação no contrato, depois o pactuante B fazia a mesma coisa, ao terminar cada um oferecia suas carcassas num altar ao seu deus.
     Esse ritual significava que se tanto parte A ou B não cumprisse sua parte do contrato ele estaria dando a autoridade a outra parte de cortá-lo ao meio como foi feito com os animais.
Tendo dito isso, vamos ver como aconteceu o pacto entre D-us e Abraão:
Gen 15:
1- D-us instrui Abraão o que deve fazer.
v9 E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho.
v10 E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu

2- A parte de D-us no contrato.
V13 Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos.
V14 Mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza.

3- A parte de Abraão no contrato, estranhamente ele é posto para dormir por D-us e não recita sua parte da aliança.
v12 E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele.

Indicando que esse pacto seria unilateral, D-us cumpriria sua parte da aliança mas Abraão seria incapaz de cumprir, sabendo disso o pôs para dormir.
Encontramos mais detalhes dessa aliança em Gen 17:7 E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti.

A palavra chave aqui é “perpétua” em hebraico Olam (עוֹלָם), com significado em português: posteridade, para sempre, sempre, eterno, eternamente, perpétuo, existência contínua, perpétua, futuro indefinido ou interminável, eternidade. No grego, aiōn (αἰών): para sempre, uma era ininterrupta, perpetuidade do tempo e eternidade. Exemplo Hebreus 13:8 “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente (αἰών).”

Portanto a aliança feita com Abraão é definitivamente imutável, irrevogável e eterna independente das tendencias e influencias eclesiásticas, método de interpretação humano e triunfalismo gentílico. Lembrando que Paulo nos adverte em Rom 11:25
“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.”

Sim, a maior parte dos judeus rejeitaram o messias mas a aliança eterna e unilateral de D-us continua sendo valida. O evangelho só chegou a nós porque uma minoria dos judeus como os discípulos e os apóstolos foram fiéis ao Senhor e passaram a mensagem para frente chegando até nós, os gentios.

Paulo ainda nos alerta:
Rom 11:
v1 – Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum;
v2 – Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu.
v11 – Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação (ciúmes).

E finalmente a exortação mais pungente:

Rom 11:18
“Não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.”

Finalmente gostaria de lembrar que o apóstolo Paulo (seu nome grego), Saulo (seu nome hebraico) At 13:9 era um rabino e mesmo depois do encontro com o Senhor Jesus no caminho damasco, continuo a guardar o sábado (At 13:14), circuncidou a Timóteo (At 16:3) sua bíblia era o Tanak (velho testamento). Ele manteve sua identidade judaica, observava a Torá e em suas próprias palavras podemos ver que a “teologia da substituição” é uma dicotomia errônea.

A Sfalsin

Mulher virtuosa quem a achará?

Mulher virtuosa quem a achará?

Provérbios 31:10-31

O último poema do livro bíblico de Provérbios fala a respeito da mulher “virtuosa”. O poema foi originalmente escrito em hebraico e consiste em 22 versos, cada verso começando com a primeira letra do alfabeto (aleph) até a última letra do mesmo (tav), assim listando 22 virtudes de uma mulher sábia num acróstico inteligente em forma quiástica, diferentemente do português o poema em hebraico tenta harmonizar as ideias e não as palavras. Infelizmente quando esse lindo poema foi traduzido para português perdeu essa linda estrutura, que na sua forma quiástica aponta para uma mensagem central.
Mas antes de tudo, o que é um quiasmo? O quiasmo consiste de uma estrutura onde o primeiro elemento corresponde ao último elemento da poesia, o segundo corresponde ao penúltimo, o terceiro corresponde ao antepenúltimo, etc.. até chegar ao centro onde não ha mais correspondência e a mensagem central da poesia é encontrada.
Exemplo:

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O Texto apresentado na sua forma original no quiasmo:

Texto 2

Minha interpretação da ideia de cada versículo:

Definicao

Quero frisar que a palavra hebraica traduzida como “virtuosa” no v. 10 é hay’il (חַיִל ). A conotação dessa palavra em português está ligada a pureza, simplicidade ou moralidade, diferentemente do hebraico que tem vários significados relacionados ao poder, força, poder; capaz, valente, virtuoso, valor; exército, forças, riquezas, substância. O significado básico deste substantivo é “força”, da qual pode ser derivado” exército” e “riqueza“. Hay’il é usado 244 vezes na Bíblia. Portanto, a melhor tradução concisa dessa mulher seria, “a mulher cheia de fibra”.
Note que a ação no lar tem um alcance na sua comunidade local, não só de forma econômica mas também social, ela ajuda aos de casa e também aos de fora, ela ajuda a seu marido em diversos aspectos da vida familiar e pública. “Seu marido é conhecido nas portas”, isso quer dizer que ele se tornou um dos magistrados da cidade expedindo justiça ao povo, isso só foi possível com a ajuda dela. Penso que a mensagem central desse texto seja o comprometimento de um casal em querer o bem comum, sabendo que ambos ganham quando o amor existe entre eles, não só a família mas assim como toda a sociedade. Quando esse comprometimento não ocorre a família é a primeira vítima mas a sociedade em geral.
Infelizmente basta olhar ao nosso redor para ver uma triste realidade de casais separados, famílias destroçadas e filhos sem rumo. Esse poema apesar de seus quase 3.000 anos é tão relevante para nossos dias, devemos prestar atenção e aprendemos com ele.

Autor: A Sfalsin

Teologia da substituição Parte 1

Teologia da substituição Parte 1

     Mas o que realmente é a teologia da substituição? Basicamente é a crença que a igreja substituiu Israel com respeito as promessas e propósitos de D-us. Uma definição mais abrangente pode ser expandida da seguinte forma:
1- Há a possibilidade de judeus individualmente serem salvos aceitando Jesus como Senhor e salvador de suas vidas, mas D-us rejeitou o povo judeu como instrumento dos seus propósitos porque eles como povo rejeitaram ao messias, Jesus.
2- Ao rejeitar a Jesus, o povo judeu transgrediu as alianças que D-us fez com os patriarcas, assim D-us anulou-as.
3- A igreja substituiu Israel como o povo da aliança e propósitos, assim passando a ser o “novo Israel de D-us”
4- As promessas dadas a Israel no passado agora com a “nova aliança” são dadas a igreja.
5- O estado moderno de Israel não tem relevância especial aos acontecimentos recentes. Israel é um país como qualquer outro.

     O impacto da teologia da substituição é sutil, basta abrir a bíblia e olhar no índice onde se divide a bíblia em 2 partes, “velho” e novo testamento. O que a princípio parece inocente ao nossos olhos está carregado de um sentimento antisemita de centenas de anos de má vizinhança entre gentios e judeus. Porque velho e novo testamento? Inconscientemente assumimos que o velho já está ultrapassado portanto o novo testamento é melhor ou até mesmo superior.
     A teologia da substituição tem como raiz o orgulho de pensar que “nós” somos melhores do que “eles”, infelizmente vemos essa teologia aplicada não só em relação aos judeus mas entre as próprias denominações, onde certos grupos empossam a verdade exclusivamente e excluem os que pensam de forma diversa. Sendo assim o problema não está na teologia da substituição, mas sim no coração humano.
     Muitos teólogos que aderiram a essa teologia influenciaram grandes multidões, entre eles destaco Dr Robert Reymond um estimado teólogo dos Estados Unidos, que no seu artigo “Sword and Trowel” (A Espada e a espátula) escreve:
“todas as promessas da terra de D-us para Israel no Antigo Testamento devem ser vistas como sombras, tipologia e profecia, em contraste com a realidade, substância e cumprimento de que o Novo Testamento atesta…” e “nós cristãos, como membros do reino messiânico de Cristo, somos os verdadeiros herdeiros das promessas da terra das escrituras sagradas aqui e agora, e que também se cumprirá no futuro celestial…”
     Provavelmente você já ouviu essa mesma ideia sendo pregada dos púlpitos com diferentes nuances, eu particularmente cresci na igreja ouvindo que “nós éramos o novo Israel de D-us”. O que muitas vezes me deixou inquieto e me fez questionar tal afirmação e caráter de D-us.
     Naturalmente para chegar a essa conclusão tudo vai depender de como você lê a bíblia, sua perspectiva é hebraica ou helenística? Exploro esse tópico com mais detalhes nesse artigo: https://raizeshebraicas.com/2021/05/23/uma-questao-de-perspectiva/
Se você estiver lendo com uma perspectiva helenística provavelmente a narrativa se desenrola desta forma: D-us criou o universo, o homem pecou desobedecendo seu mandamento, então Ele no seu imenso amor ao invés de julgar o homem pelo pecado providencia o redentor Jesus, e todos os que invocarem esse nome será salvo e habitará no céu. Tem algo de errado com essa descrição? No mínimo está incompleta porque ignora a eleição de Israel como povo escolhido para abençoar as nações de todo o mundo.
     Visão hebraica: D-us criou o universo, o homem pecou desobedecendo seu mandamento, então Ele faz várias alianças com o homem através de Noé, Abraão e através dessas alianças Ele abençoa não só a Noé e Abraão mas através de seus descendentes todos os povos gentios são abençoados (Gen 12:2-3) dentro dessa provisão ele manda o redentor da linhagem de Abraão, Jesus; e todos que entrarem nessa aliança (relacionamento) continuará nesse relacionamento com Jesus no mundo por vir. Julgo que essa visão é mais completa e faz jus a bíblia do gênesis ao apocalipse.
     O problema principal da perspectiva helenística é que ignora a história de Israel como povo escolhido para trazer o salvador, Jesus. Ela vê essa história somente como uma sombra do que estava por vir, o messias, e quando o messias foi revelado essa sombra já não tem muita importância, foi cumprida e pode ser descartada. Ela se concentra num D-us universal com atributos abstratos dos filósofos platônicos como: Soberano, perfeito, onipotente, onipresente, primeira causa, fundamento do ser e as vezes até inatingível. Em constraste, D-us se revela ao homen como um D-us particular, pessoal e presente nos conflitos humanos. Esse D-us elege uma família especifica, faz dessa família um povo, se envolve em seus conflitos internos, cuida, interage, está presente todos os dias, se entristece com as más escolhas que fazem e até antecipa seus planos futuros para Abraão Gen 19:23-25 e Moisés Êxodo 32:9-10
     Essa ideia é revelada em toda a bíblia, no “velho” testamento (Tanak):
1- “Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para ser vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus” Números 15:41 , Êxodo 29:46, Levítico 11:45, Levítico 22:33,
2- “Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão.” Deuteronômio 32:39
3- “E ele lhes disse: Eu sou hebreu, e temo ao Senhor, o D-us do céu, que fez o mar e a terra seca.” Jonas 1:9
4- “Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há D-us; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças;” Isaías 45:5
5- “Portanto o santificarás, porquanto oferece o pão do teu Deus; santo será para ti, pois eu, o Senhor que vos santifica, sou santo.” Levítico 21:8
6- “Porque eu sou o Senhor teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as suas ondas. O Senhor dos Exércitos é o seu nome.” Isaías 51:15
7- “O Senhor guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios.” Salmos 146:9
     E no novo testamento:
1- “E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?” Marcos 12:26
2 – Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; Mateus 10:6
3 – Luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel. Lucas 2:32
4 – Bendito o Senhor Deus de Israel, Porque visitou e remiu o seu povo, Lucas 1:68
5 – E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Marcos 12:29
6 – E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. Romanos 11:26
7 – Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Efésios 2:12

     Diferentemente do D-us universal dos filósofos gregos que influenciaram os “pais da igreja” como Clemente de Alexandria (c. 150-200 d.C), Basílio “o Grande” (c. 330-379 d.C.), Justino Mártir (100-165 d.C.) e Agostinho (354-430 d.C), a visão bíblica é de um D-us particular que começa sua missão de resgate através da eleição de uma familia especifica e dá a eles mandamentos específicos para terem uma relacionamento íntimo com ele.
     A teologia da substituição erra em vários pontos, primeiro por apresentar uma narrativa incompleta, depois por deturpar o caráter de D-us. A aliança feita com Abraão foi unilateral, imutável e irrevogável, ao pôr Abraão para dormir durante a consumação da aliança (Gên 15) D-us mostrou que essa aliança seria unilateral, onde Ele manteria sua palavra da parte do contrato porque naturalmente Abraão falharia assim como sua descendência.
Conforme a teologia da substituição, porque Israel não guardou a aliança rejeitando o messias então D-us elegeu um outro povo, os gentios, para ser seu “novo” povo escolhido.
Bom, se D-us faz uma aliança unilateral e depois volta atrás, como poderia estar certo da garantia da vida eterna?

No próximo artigo vamos um pouco mais profundo no assunto.

A Sfalsin

MEIA REFORMA DE LUTERO

MEIA REFORMA DE LUTERO

Há 495 anos atrás enquanto a Europa afundava-se em seus anos negros com cultos aos mortos promovido pela festa do Halloween, Lutero se destacava como uma luz na escuridão ao pregar publicamente suas 95 teses, na porta da Catedral de Wittenberg (Alemanha). Seu apelo era por uma mudança nas práticas da Igreja Católica, e acesso as sagradas escrituras na língua do povo comum.

Ao desafiar os costumes da igreja católica e do império ele possibilitou que o povo tivesse acesso à Bíblia em sua própria língua. A principal doutrina de Lutero era contra o pagamento de penitências e indulgências aos lideres religiosos, ao descobrir lendo em Habacuque e Romanos que a salvação é pela graça somente, não por obras, houve uma profunda mudança em sua vida.

Essa ação deu origem ao que conhecemos hoje como o movimento “protestante” que sem dúvida mudou o curso da história eclesiástica, motivo de comemoração para os cristãos protestantes ou evangélicos. Infelizmente Lutero não “reformou” o suficiente e doutrinas católicas que ainda permanecem enraizadas na igreja protestante, entre algumas, tristemente destaco a “teologia da substituição” que basicamente afirma: “por causa do pecado de Israel em rejeitar Jesus, D-us rejeitou o povo judeu e elegeu um novo povo, a igreja, “o novo Israel de D-us”.

Lutero, mantenedor dessa doutrina, tentou se aproximar das comunidades judaicas ao perceber que os judeus não iriam se converter, ele se empenhou em persegui-los. No fim de sua vida ele incentivou a matança e desprezo de todos judeus que não se convertesse ao chamado “cristianismo” de Lutero. Em 1543 ele escreveu um livro chamado “Os Judeus e suas mentiras” onde ele acusa os mesmos pelo crime de ter matado o messias e por isso mereciam todo o desprezo de D-us e seus seguidores. Triste realidade!!!

Trecho do livro – Os Judeus e suas mentiras, de Martinho Lutero: “A Alemanha deve ficar livre de judeus, aos quais após serem expulsos, devem ser despojados de todo dinheiro e jóias, prata e ouro, e que fossem incendiadas suas sinagogas e escolas, suas casas derrubadas e destruídas (…), postos sob um telheiro ou estábulo como os ciganos (…), na miséria e no cativeiro assim que estes vermes venenosos se lamentassem de nós e se queixassem incessantemente a Deus”. – “Sobre os judeus e suas mentiras” de Martinho Lutero.

Espero que tenhamos um apreço pela iniciativa de Lutero mas ao mesmo tempo reconheçamos que na reforma de Lutero ainda ficaram muitos erros teológicos que precisam ser corrigidos se quisermos viver as escrituras em sua plenitude.

A Sfalsin

Feliz Ano Novo 2023

 

Feliz Ano Novo

Gostaria de desejar a todos um feliz ano novo, mas um verdadeiro ano novo, não como se fosse uma manta mágica de desejos que caísse sobre nós sem qualquer relação com a nossa vida prática e ações.

Gostaria que nesse ano novo:

Os pais fossem mais presentes na vidas dos seus filhos,

As pessoas corressem menos e dessem mais tempo ao seu próximo e aos relacionamentos.

As famílias vivessem em equilíbrio e paz interna.

As pessoas fossem valorizadas pelo que são e não pelo que tem.

Os líderes religiosos falassem menos de amor e amassem mais seu próximo.

Que os lideres religiosos erguessem menos paredes e mais vidas, falassem menos sobre dinheiro e mais sobre servi ao próximo.

Que as pessoas fossem menos aos templos e visitassem mais aos necessitados ao seu redor.

A saúde das pessoas não fossem tratada como comodidade ou politizada e fosse meio de enriquecimento rápido.

Que nenhum pai ou mãe tivesse que chorar a morte prematura de um filho(a).

Que as pessoas aprendessem que vidas não são descartáveis e sim as possessões materiais.

O pequeno agricultor ganhasse um preço justo pelos seus produtos e os atravessadores parassem de ganhar fortunas exorbitantes pela exploração dos mesmos.

Que não haja outra crise econômica causada pela ganância dos investidores do mercado financeiro.

Que os EUA parassem de invadir países atrás do petróleo usando o pretexto que estão espalhando a liberdade e democracia.

Que os novos milionários olhassem para os milhares que não tem nada ao seu redor antes de comprarem sua primeira Ferrari.

Que houvesse menos apelo sexual na mídia e mais promoção dos valores da família.

Que os meios de comunicação falassem a verdade sem partidarismo.

Que houvesse menos ostentação dos ricos e mais consideração aos valores humanos.

Que aprendêssemos admirar e a valorizar as pessoas que tem experiência e sabedoria e não as pessoas com títulos acadêmicos, esses muitas vezes são acumuladores de informação mas desprovidos de qualquer sabedoria.

Que a “comissão dos direitos humanos” lutasse pelos direitos da vítima e não do delinquente.

Que o conhecimento fosse democratizado e não comercializado.

Que considerássemos as falhas do próximo da mesma forma que queremos ser considerados.

Que escolhamos vida acima da morte, salvar o inocente e indefeso quando esse mesmo não tem voz.

Que o Senhor use uma medida maior de sua graça quando considerar minhas falhas.

Que a pessoa honesta e reta seja honrada e a desonesta e mentirosa seria seja envergonhada.

Que tenhamos a capacidade de olhar o mundo ao nosso redor através dos olhos com uma consciência de que há um D-us maior do que nós, e não olhássemos o mundo com os olhos sem a consciência. 

Que as pessoas acreditem que pode haver um mundo melhor, um mundo onde minhas decisões por menor que sejam tem um profundo poder de mudar o mundo ao meu redor.

Se nada disso acontecer, infelizmente não será um ano novo, mas uma repetição tediosa do ano que acaba de passar com todas as suas mazelas.
Autor: A. De Assis

O que significa a palavra “benção”

O que significa a palavra “benção”?

Antes de qualquer interpretação bíblica, precisamos entender o seu contexto histórico, geográfico, linguístico, cultural e espiritual. Só assim estaremos aptos a adaptar o texto aos nossos dias e, consequentemente, às nossas vidas.
Assim como muitas outras palavras usadas no vocabulário de quem frequenta a igreja, a palavra “bênção” se tornou parte desse vocabulário sem uma definição exata ou significativa. Muitas vezes, infelizmente, é usada de forma aleatória e esporádica, levando à perda do seu real significado.
A melhor forma de entender uma palavra é voltar à sua raiz e descobrir o que originou seu significado. Desse modo, proponho explorar a palavra “bênção”.
Uma das formas de determinar o significado de uma palavra é examinar onde ela aparece pela primeira vez, o que nos indica seu sentido original. A palavra “bênção” em hebraico é “barak” (בָּרַךְ), e aparece no versículo de Gênesis 24:11:
“E fez ajoelhar (“barak” בָּרַךְ) os camelos fora da cidade, junto a um poço de água, pela tarde, ao tempo que as moças saíam a tirar água.”
Essa mesma palavra aparece novamente em várias outras partes da Bíblia, mas é traduzida distintamente. Exemplos:

  1. “Bendize, (“barak” בָּרַךְ) ó minha alma, ao SENHOR! SENHOR Deus meu, tu és magnificentíssimo; estás vestido de glória e de majestade.” (Salmos 104:1)
  2. “O Senhor te abençoe (“barak” בָּרַךְ) e te guarde.” (Números 6:24)

Aparentemente, as palavras “ajoelhar”, “bendizer” e “abençoar” não têm muito a ver uma com a outra, a menos que olhemos para seu sentido original. O hebraico, diferentemente do grego, é uma língua de ação (verbos) e coisas; ele descreve um conceito originado de uma ação. Nesse caso, a palavra “barak” se origina do ato do camelo se ajoelhar perante o seu mestre para que a carga, mantimentos, presentes etc. possam ser carregados/descarregados. Naturalmente, o camelo abaixa sua parte dianteira, mas mantém a cabeça erguida, fixada no mestre, indicando submissão e respeito.
Assim, a mesma palavra é usada pelos tradutores da Bíblia em Salmos 104:1 e Números 6:24. O entendimento é que quando “bendizemos” ao SENHOR, estamos na verdade nos curvando perante Ele em reconhecimento e adoração pela Sua grandeza.
O que não é claramente compreensível é que, em Números 6:24, na bênção sacerdotal, diz: “O SENHOR te abençoe (“barak” בָּרַךְ) e te guarde”. O sacerdote está pedindo ao Rei de todo o universo para se prostrar perante mim e me abençoar? Isso é quase impossível de conceber, mas é o que a palavra parece indicar. D-us, ao nos abençoar, está de certa forma ouvindo o nosso pedido, e quem somos nós para que Ele se importe conosco? Ao se importar conosco, o Rei supremo de todo o universo está se diminuindo, “humilhando-se” perante nossa prece. Foi assim que Jesus fez com os seus discípulos ao lavar seus pés. Nenhum outro deus faria isso pelo homem; geralmente, os outros deuses exigem que você faça algo primeiro para depois lhe ajudar, nunca se “abençoando/ajoelhando” perante você. É uma espécie de troca. Só o D-us da Bíblia é tão grande que é capaz de se importar com o homem e ouvir sua oração.
No Salmos 104:1: “Bendize, (“barak” בָּרַךְ) ó minha alma, ao SENHOR! SENHOR D-us meu, tu és magnificentíssimo; estás vestido de glória e de majestade.” O salmista claramente bendiz ao SENHOR pelas maravilhas e bênçãos recebidas Dele. É comum vermos pessoas orarem, especialmente antes das refeições, dessa forma: “Senhor, abençoe a comida…” Essa frase não faz sentido, apesar de sua boa intenção e sinceridade. A comida já é a bênção dada pelo SENHOR como forma de provisão e amor por nós. Ele não pode abençoar algo que já está abençoado. A maneira correta de orar seria: “Senhor, abençoamos o Teu nome pela comida…” em reconhecimento à bênção dada e Sua soberania, uma forma de gratidão.
Na próxima vez que desejar que alguém seja abençoado ou pedir uma bênção para a sua vida, lembre-se de que você estará pedindo algo extraordinário que nenhum outro deus faria: se inclinar e responder à sua prece.

Adivalter Sfalsin

Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 1

Mente Hebraica x Grego/Romana Parte 1

INTRODUÇÃO:

A Bíblia no original é, humanamente falando, um produto da mente hebraica. A primeira manifestação original do que hoje chamamos de “Igreja” foi também uma expressão da mente hebraica. Em algum ponto na história eclesiástica, alguém abandonou o projeto inicial dentro do contexto hebraico que era comum aos dias de Jesus e o substituiu por um não-hebraico, precisamente Grego/Romano. Como resultado, o que foi construído desde então tornou-se uma caricatura do que se pretendia. Em muitos aspectos tornou-se antagônica aos milênios de história, cultura e tradição oral herdada por gerações anteriores.
Vamos analisar algumas das diferenças fundamentais na mentalidade dos hebreus dos tempos bíblicos em contraste com a forma helenística (grego-romana) de pensar que deu surgimento a maior parte da teologia cristã.
O escritor William Barrett, explica diferenças fundamentais entre a mente Hebraica e Helenística: Fazer x Saber. Ele diz, “A distinção … é decorrente da diferença entre o fazer e o saber, a Hebraica está preocupada com a prática do comportamento correto que é de suma relevância, em contraste, a Helenística se preocupa com o conhecimento, o saber tem mais relevância sobre o fazer. Sendo assim a Hebraica exalta as virtudes morais como uma substância superior para uma vida significativa, e a Helenística exalta as virtudes intelectuais, o contraste é entre a prática e a teoria, entre o homem moral e o homem teórico-intelectual.
Isso talvez ajude a explicar o por que para muitas igrejas cristãs seu foco está nas questões ortodoxas doutrinaria e credos, o número de denominações cristãs que existem é uma prova concreta disso. Todas crêem nos mesmos princípios básicos mas divergem e se separam ao ponto de não terem comunhão pelas mínimas diferenças doutrinarias, mostrando que a “doutrina correta” e mais importante do que comunhão com um irmão de uma persuasão diferente da sua.
No judaísmo bíblico, ocorre justamente o oposto. Como Dennis Prager escreveu: “… a crença em D-us e o agir eticamente deve ser indissociáveis, indispensável… D-us exige um comportamento correto mais do que qualquer outra coisa, incluindo liturgia a crença correta.”
Foram gentios, que aceitaram Yeshua, que influenciados pela filosofia grega que intelectualizaram e sistematizaram a doutrina cristã. O pior de tudo e que eles mudaram essa doutrina de forma radical. Os hebreus dos dias de Jesus e logo a seguir a era apostólica da Igreja não tinham teologia formal ou sistematizada. A “igreja primitiva” não tinha hierarquia arraigada ou magistério por meio do qual toda a doutrina tinha de ser filtrada e aprovada.
O que os apóstolos, todos na sua maioria judeus, ensinavam sobre um determinado assunto que foi aprendido diretamente da Torá, do Tanak e de Jesus, foi aprendido com as tradições orais e experiências coletivas do povo judeu. Eles determinavam Halakha (como andar) diretamente das interpretações dos mestres em suas comunidades. A medida que as circunstâncias mudavam eles recorriam a interpretação da Torá (Pentateuco) e determinavam a ação a ser tomada (Halakha) (cf. Mateus 18:18).
Em Atos 15 fornece um relato de como, no mínimo, um ensinamento sobre requisitos para crentes gentios foi formado por volta de 50 DC. Observe a natureza participativa da discussão, todos os membros da comunidade participaram (Atos 15:4,12,22), e não apenas uma elite estava envolvida nas decisões.
Atualmente em círculos cristãos tradicionais muitas vezes é mais importante acreditar e abraçar “a coisa certa ou doutrina correta”, do que viver da maneira certa. Alguns são obcecados com credos, declarações doutrinais, teologia sistemática e ortodoxia contra uma possível heresia, esse modo de pensar é 100% helenístico.
Para muitos de nós, ocidentais, a mentalidade hebraica é tão estranha e impossível de compreender que ao estudar as escrituras hebraicas rapidamente pulamos de volta para a zona de conforto do molde helenístico. Naturalmente ao tentarmos interpretar o texto hebraico com nossa ótica ocidental (helenística) consequentemente será no mínimo distorcida. Note que a maior parte do Pentateuco (velho testamento) foi escrito em hebraico e há fortes indícios de que os evangelhos foram originalmente escritos em hebraico e depois traduzidos para grego, de qualquer forma quase todos os livros do novo testamento foram escritos por judeus, portanto foram escritos por pessoas que pensavam de forma hebraica apesar de terem usado outra língua (grego) para se comunicar e diferentes situações.
Por exemplo, em termos de tempos “proféticos” aqui novamente mostra-se o conceito helenístico de tempo – Inicio-meio-fim – pontos numa trajetória linear. Queremos saber a ordem sequencial quando D-us vai agir, criamos um cronograma pré-ordenado dos acontecimentos e queremos eliminar os eventos do nosso “calendário profético” a medida que eles vão acontecendo. Essa mentalidade é alienígena para a mente hebraica, para ela, não interessa a seqüência exata dos acontecimentos, o que interessa é que D-us vai agir, a leitura do tempo é cíclica e não linear.
Na teologia ocidental, às vezes abandona-se a interpretação literal das Escrituras em favor de interpretações alegóricas. Isso também é tipicamente grego-romano. Interpretação alegórica abre portas para uma infinidade de exposições “criativas” que deixam o estudante das Escrituras confuso e desorientado.
Autor: Brian Knowles
Tradução: A Sfalsin

Qual o propósito da vida?

Qual o propósito da vida?

É indiscutível que todos nós em algum momento de nossas vidas vamos fazer essa pergunta crucial para entender se a vida vale mesmo a pena. Enquanto a bíblia não responde diretamente a essa pergunta, certamente responde de forma indireta.

Deuteronômio 20:1-8 nos relata um episódio de preparação para a guerra, antes de sair os líderes os oficiais deveriam se dirigir às tropas a véspera da batalha e dizer a quatro tipos de pessoas que voltem para casa e não lutem. Abaixo o texto:

1 Quando saíres à peleja contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo maior em número do que tu, deles não terás temor; pois o SENHOR teu Deus, que te tirou da terra do Egito, está contigo.
2 E será que, quando vos achegardes à peleja, o sacerdote se adiantará, e falará ao povo,
3 E dir-lhe-á: Ouvi, ó Israel, hoje vos achegais à peleja contra os vossos inimigos; não se amoleça o vosso coração: não temais nem tremais, nem vos aterrorizeis diante deles,
4 Pois o Senhor vosso Deus é o que vai convosco, a pelejar contra os vossos inimigos, para salvar-vos.
5 Então os oficiais falarão ao povo, dizendo: Qual é o homem que edificou casa nova e ainda não a consagrou? Vá, e torne-se à sua casa para que porventura não morra na peleja e algum outro a consagre (text no hebraico significa – inaugurar).
6 E qual é o homem que plantou uma vinha e ainda não a desfrutou? Vá, e torne-se à sua casa, para que porventura não morra na peleja e algum outro a desfrute.
7 E qual é o homem que está desposado com alguma mulher e ainda não a recebeu? Vá, e torne-se à sua casa, para que porventura não morra na peleja e algum outro homem a receba.
8 E continuarão os oficiais a falar ao povo, dizendo: Qual é o homem medroso e de coração tímido? Vá, e torne-se à sua casa, para que o coração de seus irmãos não se derreta como o seu coração.

Quem são essas pessoas?
Tipo 1.
Versículo 5: Quem construiu para si uma nova casa mas ainda não viveu nela.
Tipo 2.
Versículo 6: Quem plantou uma vinha e ainda não a desfrutou.
Tipo 3.
Versículo 7: Quem está noivo, prestes a casar-se.
Tipo 4.
Versículo 8: Quem é medroso e de coração tímido.

Ao compararmos os 4 tipos fica bem claro que o último é bem diferente de todos os outros. Ele vai para casa para o bem da comunidade. Ele é o covarde e tem medo, a covardia é contagiosa e porque não queremos que os outros soldados fiquem assustados e sejam contagiados então mandá-lo para casa é melhor para o bem comum. Mas ao observamos os outros três, existe um imperativo privado, o motivo pelo qual eles deveriam ir para casa não tem nada a ver com os interesses da comunidade, tem a ver com os interesses próprios. Então devemos colocá-los na mesma categoria – motivo privado.

A pessoa que construiu uma casa para si e ainda não morou deve ir para casa, por quê? Porque seria uma tragédia se ele morresse na guerra e não tivesse a chance de desfrutá-la. O mesmo aplica-se ao noivo e ao que plantou a vinha, mas todos esses motivos são pessoais. Como podemos justificar ou entender a ideia da comunidade dispensar um soldado da batalha baseado na necessidade individual e particular?

Conforme o relato da passagem o soldado que plantou uma vinha, mas não teve a chance de provar os frutos, devemos deixá-lo ir para casa desfrutar os frutos de sua vinha. Mas por quê?
A justificativa é: “para que ele não morra em batalha” e outra pessoa tome, assuma sua vinha e desfrute do seus frutos.

De alguma forma, se você alcançar um desses objetivos e provar os frutos desse sucesso, poderá sentir que não há problema em morrer depois, portanto a ordenança de enviar o soldado que está prestes a realizar seu sonho para casa. Porque quando você está tão perto de ter alcançado algo tão significativo isso te ajuda a transcender a morte, seria realmente uma tragédia morrer e não ter alcançado seus objetivos tão eminentes.

Para a maioria de nós essa decisão de mandar alguém para casa para desfrutar do seus sonhos e projetos não faz o menor sentido. Se ele morrer, para ele não importa quem vai tomar conta da sua vinha, morar na sua casa ou casar-se com sua noiva. Afinal ele não saberá quem está seu lugar, para o morto isso não tem a menor importância. Mas, a bíblia parece tomar um outro rumo e tem uma ideia diferente da nossa. Me parece que está sutilmente indicando que há algo pior do que a própria morte, afinal todos vamos morrer um dia. Esse “algo pior” é morrer sem alcançar um objetivo final após anos de empenho e dedicação, isso seria uma terrível tragédia. Vemos isso claramente quando um jovem ou criança morre, porque havia tanto para conquistar, tantas alegrias que poderiam ser vividas, tantos relacionamentos que poderiam ser cultivados.
Existe uma dimensão maior do que a morte e transcendente dentro de nós. Para sabermos se vale a pena viver temos que paradoxalmente perguntar: Há algo pelo qual eu estou disposto a morrer? Se a resposta for sim, isso quer dizer que você encontra seu propósito de vida fora de você mesmo, a sua vida é representada por algo que está disposto a morrer, seja o que for; D-us, país, amor, familia, crença vemos que há algo transcendente que é maior do que você mesmo e vem fora de você. Portanto, mesmo que não morra por isso, está vivendo em função disso, tenho algo que me motiva a viver.
Agora quais são os motivos pelo qual deveríamos viver? Esse texto sugere 3 razões convincentes, 3 marcos emblemáticos:

1- Construir uma casa,
2- Plantar uma vinha,
3- Casar-se

Mas de onde o texto obtém essas três ideias? São ideias aleatórias? Qual sua origem? Sugiro voltarmos ao evento da própria criação humana. Logo no início em Genesis 1:27 “ E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

Primeiro D-us, o grande criador, cria o mundo, o universo, e esse universo torna-se a casa para a humanidade. D-us constrói uma casa.
A segunda coisa que Ele faz é plantar um jardim maravilhoso.
Em terceiro lugar, Ele coloca o homem no jardim onde junto com Ele, dessa forma D-us pode relacionar-se com o homem. Ambos no jardim compartilham uma relação pessoal nesse lugar maravilhoso.
Deus fez três coisas, na mesma ordem de Gênesis a Bíblia descreve aqui em Deuteronômio:
1- Constrói uma casa – o próprio universo.
2- Planta um jardim – este maravilhoso.
3- E coloca o ser que Ele ama naquele jardim para se relacionar com ele.

Como somos feitos na imagem e semelhança de D-us fazemos o mesmo sem mesmo notar,
D-us criou coisas porque eram significativas para Ele, nós as fazemos porque são significativas para nós.
Uma vez que você tem uma casa abre-se outras possibilidade, agora você também pode ter um jardim. O jardim é um lugar especial; uma casa é utilitária porque você tem necessidade de um abrigo para lhe protejer do sol e da chuva, mas um jardim é distinto, é maravilhoso, é estético, é lindo, é sua área de lazer.
O jardim também abre outras possibilidades, agora que voce tem a casa e o jardim então você pode dividi-lo com alguém especial, alguém que você ama e quer dar o melhor do fruto do seu trabalho.

D-us fez exatamente isso com o homem quando o convidou para visitar o jardim todos os dias no final da tarde (Gen 3:8) para compartilhar dos frutos maravilhosos do jardim; fazemos o mesmo quando nos casamos queremos compartilhar a generosidade de nossas vidas com um cônjuge, com nossa família.

Quando faço isso alcanço o terceiro marco da vida que me dá razão suprema para viver. Conforme o texto de Deuteronômio 20 parece que cada um desses marcos é o suficiente para dar razão para viver, mas verdadeiramente marcos 1 e 2 são uma progressão ao terceiro e maior marco: relacionamentos.

Essas três coisas são realmente nobres nelas mesmas, por meio das quais nós, seres humanos, encontramos razão para estarmos vivos que é um tipo de mecanismo para “enganar” a morte. Construindo, plantando e acima de tudo, relacionando-se. De todos os relacionamentos que temos o mais significativo é com o nosso Criador que nos completa, foi para isso que Ele nos criou. Ele construiu uma casa – o universo, plantou um jardim – a terra, e nos colocou aqui para termos uma relação direta com ele. É impossível ser um “ser humano” completo sem a presença de D-us, somos 100% humanos quando nos relacionamos com o Divino.

Esse artigo é baseado num video recente que assisti do Rabbi David Fohrman onde ele faz uma exposição desse texto em Deuteronômio.

 

Autor: A Sfalsin

Qual é a diferença entre a palavra verdade e mentira no hebraico?

O hebraico é único entre todos os idiomas, pois suas letras são vivas e repletas de significado. Cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico não apenas representa um som, mas também carrega um significado espiritual profundo e um valor numérico específico, conhecido como gematria. Essa característica transforma a Bíblia Hebraica em uma espécie de código sagrado, repleto de camadas de significado que se revelam àqueles que se dedicam a estudá-la com diligência e reverência.

O alfabeto hebraico começa com a letra א (Alef) e termina com a letra ת (Tav), formando um ciclo que simboliza a totalidade e a perfeição divina. Cada letra é como uma janela para o mistério da criação, refletindo conceitos espirituais e cósmicos que vão além do simples entendimento humano. Por exemplo, a letra א (Alef), a primeira do alfabeto, representa a unidade de Deus, o início de todas as coisas e a conexão entre o céu e a terra. Já a letra ת (Tav), a última, simboliza a conclusão, o selo divino e a realização dos propósitos de Deus.

Estudar o hebraico é como mergulhar em uma fonte de água viva, onde cada palavra e letra revela camadas de significado que enriquecem nossa compreensão espiritual. A língua hebraica não é apenas um meio de comunicação, mas uma ferramenta para se conectar com o divino e explorar os mistérios da criação. Por exemplo, a palavra “verdade” em hebraico, אמת (Emet), é composta por três letras: א (Alef), מ (Mem) e ת (Tav). Essas letras não são escolhidas ao acaso: Alef é a primeira letra do alfabeto, Mem é a letra do meio e Tav é a última. Juntas, elas simbolizam que a verdade abrange tudo, do início ao fim, e está presente em todos os aspectos da existência.

Além disso, a palavra Emet (אמת) é frequentemente associada à estabilidade e à confiabilidade, pois suas letras têm bases firmes e equilibradas na escrita hebraica. Curiosamente, quando a última letra, Tav, é removida, a palavra se torna מת (Met), que significa “morte”. Isso sugere que, sem a verdade, a vida perde seu significado e propósito.

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Verdade x Mentira 1

Figura 1

Quando contamos as letras do Alef (א) até o meio do alfabeto hebraico, chegamos ao Mem (מ), que é a 13ª letra. Da mesma forma, quando contamos as letras a partir do fim, do Tav (ת), até o meio do alfabeto, o Mem também ocupa a 13ª posição, considerando as letras “sofits” ou finais. Essa simetria não é mera coincidência, mas reflete a profundidade e o equilíbrio intrínsecos ao alfabeto hebraico, que muitas vezes carrega significados espirituais e simbólicos.

A própria construção da palavra “verdade” em hebraico, Emet (אמת), reflete sua essência. Na gematria (sistema de atribuição de valores numéricos às letras hebraicas), o Alef vale 1, o Mem vale 40, e o Tav vale 400. Juntos, esses valores somam 441, mas o mais interessante é a proporção que eles representam: o Alef (1) simboliza o início, o Mem (40) representa o meio, e o Tav (400) indica o fim. Essa estrutura sugere que a verdade é completa, abrangendo todos os aspectos da existência, desde o princípio até o fim. A verdade é constante, equilibrada e se fortalece à medida que é afirmada.

Além disso, ao observar a escrita da palavra Emet (אמת), notamos que cada uma de suas letras tem dois pontos de contato com a linha de escrita. Isso sugere que a verdade está firmemente ancorada em algo sólido e estável, como se estivesse enraizada em uma base inabalável. Essa característica gráfica reforça a ideia de que a verdade é confiável e duradoura, ao contrário da mentira, que é instável e passageira. Veja a figura 1 para uma ilustração detalhada.

Verdade x Mentira 2

Figura 2

Por outro lado, a palavra “mentira” em hebraico é Sheker (שקר), composta por três letras: Shin (ש), Kof (ק) e Resh (ר). Na gematria, o Shin vale 300, o Kof vale 100, e o Resh vale 200. Esses valores refletem uma desproporção: a mentira começa com grandes promessas (300), mas rapidamente se torna instável (100) e tenta se equilibrar (200) entre os extremos. Essa instabilidade numérica simboliza a natureza enganosa e inconsistente da mentira.

Outro aspecto fascinante da palavra Sheker é sua estrutura gráfica. Diferente de Emet, as letras de Sheker têm apenas um ponto de contato com a linha de escrita, como se estivessem “apoiadas em uma perna só”. Isso ilustra a fragilidade da mentira, que não tem uma base sólida para se sustentar. Como diz o ditado popular, “a mentira tem perna curta”, ou seja, mais cedo ou mais tarde, ela é descoberta e desmorona. Essa analogia visual reforça a ideia de que a mentira é incapaz de se manter firme por muito tempo, enquanto a verdade permanece inabalável.

Essas observações sobre as palavras Emet e Sheker não são apenas curiosidades linguísticas, mas lições profundas sobre a natureza da verdade e da mentira. A verdade é completa, equilibrada e estável, enquanto a mentira é desproporcional, instável e frágil. Diante desses contrastes, somos convidados a refletir sobre nossas escolhas: optar pela verdade é escolher algo que permanece, enquanto a mentira, por mais sedutora que pareça, está fadada ao fracasso.

Sabendo dessas verdades, qual será a tua escolha? A verdade, que é firme e duradoura, ou a mentira, que é passageira e enganosa? A decisão é tua, mas lembra-te: a verdade sempre prevalece.

Autor: Adivalter  Sfalsin

Honrando suas promesas.

Honrando suas Promessas

Há um momento no relato bíblico do livro de Êxodo que nunca deixa de me emocionar. Na última e mais devastadora das Dez Pragas, a morte do primogênito em cada família egípcia, o que finalmente quebrou a resistência do faraó. À meia-noite, o faraó decide deixar os hebreus partirem para a liberdade. Eles correm para sair o mais rápido possível, talvez temendo uma mudança súbita de decisão do faraó, nem sequer tendo tempo para assar o pão para a viagem. Por isso, até hoje, os judeus comemoram o êxodo comendo matzá (pão sem fermento ou pão ázimo) durante a semana da Páscoa. Os egípcios deram a eles presentes de ouro, prata e tecidos, talvez por desejo de vê-los fora do Egito ou por culpa pela maneira como haviam tratado o povo hebreu. Esses mesmos presentes seriam utilizados para fazer a Arca do Tabernáculo no deserto. Sobre a promessa de Moisés, lemos:

“E Moisés levou consigo os ossos de José, porquanto este havia solenemente ajuramentado os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará; fazei, pois, subir daqui os meus ossos convosco.”
Êxodo 13:19

Eu amo essa cena. Todos ao redor de Moisés estão preocupados em encher suas bagagens com os presentes do Egito, enquanto Moisés está ocupado cumprindo sua promessa a José. Ele demonstra sua grandeza nesse momento, optando por manter uma promessa em vez de se enriquecer.

Precisamos entender a excepcionalidade de Moisés naquele momento, porque um dia você estará em uma encruzilhada na vida quando terá que escolher entre o ganho pessoal ou manter uma promessa. Pode haver momentos em que a única maneira de alcançar o desejo do seu coração e realizar seus sonhos exigirá quebrar uma promessa feita a alguém, possivelmente uma promessa feita a si mesmo. O que você fará nesse momento? Vai manter a promessa ou quebrá-la em busca de sua promoção pessoal? Manter a promessa será um sinal de sua força interior e de sua maturidade humana.

Há sinais muito preocupantes em nossa sociedade quando assumimos que um candidato político que faz promessas generosas durante a campanha rapidamente se esquece delas ou lhes dá pouca prioridade ao ganhar uma eleição. Da mesma forma, quando um cônjuge é infiel, esquecendo do compromisso assumido no dia do casamento. Quantos casamentos seriam salvos se ambos mantivessem suas promessas? O que acontece com o nível de confiança mútua de toda a sociedade quando uma corporação gigante declara que seus lucros caíram e, como resultado, deixa de honrar suas promessas de segurança no trabalho, seguro de saúde ou benefícios de pensão? E aquele pedaço de papel que você carrega na carteira, que chamamos de dinheiro, o que faz ele realmente valer algo? A única coisa que o torna mais valioso do que um pedaço de papel é o fato de confiarmos que o governo honrará o valor que a nota traz. Um caos terrível aconteceria se deixássemos de acreditar na capacidade do governo de manter sua promessa de pagar o valor estampado na nota.

Manter uma promessa é mais do que apenas manter sua própria integridade. É mais do que fazer o que você disse que faria. É um sinal de que você reconhece a imagem de Deus em outra pessoa. Quando você leva sua obrigação a sério, está zelando não só pelo bem-estar da pessoa, mas também pela integridade do seu caráter e honrando seu Criador. Quando o salmista tenta definir uma pessoa boa, uma pessoa com integridade, ele faz a pergunta retórica:

“Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração. Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita nenhum opróbrio contra o seu próximo; a cujos olhos o réprobo é desprezado, mas honra os que temem ao Senhor; aquele que jura com dano seu, e contudo não muda.”
Salmos 15:1-4

Do livro: “Superando Decepções da Vida”
Autor: Harold Kushner
Páginas: 99-103
Tradução: A. Sfalsin

Honrando suas Promessas

Há um momento no relato bíblico do livro de Êxodo que nunca deixa de me emocionar. Na última e mais devastadora das Dez Pragas, a morte do primogênito em cada família egípcia, o que finalmente quebrou a resistência do faraó. À meia-noite, o faraó decide deixar os hebreus partirem para a liberdade. Eles correm para sair o mais rápido possível, talvez temendo uma mudança súbita de decisão do faraó, nem sequer tendo tempo para assar o pão para a viagem. Por isso, até hoje, os judeus comemoram o êxodo comendo matzá (pão sem fermento ou pão ázimo) durante a semana da Páscoa. Os egípcios deram a eles presentes de ouro, prata e tecidos, talvez por desejo de vê-los fora do Egito ou por culpa pela maneira como haviam tratado o povo hebreu. Esses mesmos presentes seriam utilizados para fazer a Arca do Tabernáculo no deserto. Sobre a promessa de Moisés, lemos:

“E Moisés levou consigo os ossos de José, porquanto este havia solenemente ajuramentado os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará; fazei, pois, subir daqui os meus ossos convosco.”
Êxodo 13:19

Eu amo essa cena. Todos ao redor de Moisés estão preocupados em encher suas bagagens com os presentes do Egito, enquanto Moisés está ocupado cumprindo sua promessa a José. Ele demonstra sua grandeza nesse momento, optando por manter uma promessa em vez de se enriquecer.

Precisamos entender a excepcionalidade de Moisés naquele momento, porque um dia você estará em uma encruzilhada na vida quando terá que escolher entre o ganho pessoal ou manter uma promessa. Pode haver momentos em que a única maneira de alcançar o desejo do seu coração e realizar seus sonhos exigirá quebrar uma promessa feita a alguém, possivelmente uma promessa feita a si mesmo. O que você fará nesse momento? Vai manter a promessa ou quebrá-la em busca de sua promoção pessoal? Manter a promessa será um sinal de sua força interior e de sua maturidade humana.

Há sinais muito preocupantes em nossa sociedade quando assumimos que um candidato político que faz promessas generosas durante a campanha rapidamente se esquece delas ou lhes dá pouca prioridade ao ganhar uma eleição. Da mesma forma, quando um cônjuge é infiel, esquecendo do compromisso assumido no dia do casamento. Quantos casamentos seriam salvos se ambos mantivessem suas promessas? O que acontece com o nível de confiança mútua de toda a sociedade quando uma corporação gigante declara que seus lucros caíram e, como resultado, deixa de honrar suas promessas de segurança no trabalho, seguro de saúde ou benefícios de pensão? E aquele pedaço de papel que você carrega na carteira, que chamamos de dinheiro, o que faz ele realmente valer algo? A única coisa que o torna mais valioso do que um pedaço de papel é o fato de confiarmos que o governo honrará o valor que a nota traz. Um caos terrível aconteceria se deixássemos de acreditar na capacidade do governo de manter sua promessa de pagar o valor estampado na nota.

Manter uma promessa é mais do que apenas manter sua própria integridade. É mais do que fazer o que você disse que faria. É um sinal de que você reconhece a imagem de Deus em outra pessoa. Quando você leva sua obrigação a sério, está zelando não só pelo bem-estar da pessoa, mas também pela integridade do seu caráter e honrando seu Criador. Quando o salmista tenta definir uma pessoa boa, uma pessoa com integridade, ele faz a pergunta retórica:

“Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração. Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita nenhum opróbrio contra o seu próximo; a cujos olhos o réprobo é desprezado, mas honra os que temem ao Senhor; aquele que jura com dano seu, e contudo não muda.”
Salmos 15:1-4

Do livro: “Superando Decepções da Vida”
Autor: Harold Kushner
Páginas: 99-103
Tradução: A. Sfalsin

Uma questão de perspectiva.

 

 

Uma questão de perspectiva.

Na Bíblia duas civilizações se colidem em suas perspectivas e narrativas da experiência humana e em relação ao divino. Na narrativa dos gregos/romanos a máxima é a exaltação da expressão da beleza, do encanto, da admiração, o prazer por meios dos cinco sentidos e o dualismo. Em contraste, na narrativa dos hebreus a máxima é experimentar D-us através das experiencias diárias e o holismo.
Outro aspecto importante é entender que os hebreus estudavam para reverenciar ao divino, os gregos estudavam construir e acumular conhecimento. É nesse contexto cultural do primeiro e segundo século que surge os escritores do novo testamento na sua maioria esmagadora eram judeus e alguns gentios convertidos ao judaísmo. Isso quer dizer que eles podem até ter escrito em grego, mas pensavam em hebraico e lançavam não dos escrituras sagradas Tanak (Bíblia judaica) como base para expandir seus escritos e registrar os feitos do Messias.

Sem dúvida essas duas civilizações influenciam nossa cosmovisão, desejo explorar um aspecto que influi nossa perspectiva quando lemos a bíblia. Frequentemente somos ensinados que os atributos de D-us são qualidades atribuídas ao seu caráter divino e é de suma importância para qualquer cristão entendê-los. Normalmente esses atributos são divididos em 2 categorias;
1- Os atributos incomunicáveis de D-us: Onipresença, Onipotência, Onisciência, Soberania, Infinitude, Imutabilidade, Unidade, Eternidade, Asseidade etc…
2- Os atributos comunicáveis de D-us: Amor, Bondade, Misericórdia, Sabedoria, Justiça, Santidade, Veracidade, Liberdade, Paz etc…

Tipicamente com pouca variação esses atributos são ensinados na teologia sistemática cristã. Minha pergunta é: Essa é a maneira que o homem analisa, define, vê e sistematiza D-us, mas como será que D-us se revela ao homem?
É importante notar que há uma grande diferença entre a perspectiva grego/romana e hebraica. O grego está preocupado com a atribuição de valores, beleza e qualidades por isso que esses atributos são todos adjetivos. Ao contrário do grego o hebraico está preocupado com as ações, os verbos, o que se faz.
Por exemplo:
1- O grego define um dia agradável dessa forma: Que dia lindo, esplendido de sol quente!
2 – Já o hebraico, assim: Que dia de sol que sinto e que queima minha pele.

Enquanto o grego está preocupado com a qualidade do sol, “lindo, esplendido” o hebraico está preocupado com a ação do sol, “sinto, queima”

Mas o que D-us diz a respeito dele mesmo na bíblia? Vamos analisar a perspectiva de D-us ao se revelar ao homem, não esquecendo que essa perspectiva é hebraica.

1- “Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para ser vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus” Números 15:41 , Êxodo 29:46, Levítico 11:45, Levítico 22:33, Verbo = Tirar, Fazer

2- “Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão.” Deuteronômio 32:39 Verbo = Matar, fazer viver

3- “E ele lhes disse: Eu sou hebreu, e temo ao Senhor, o D-us do céu, que fez o mar e a terra seca.” Jonas 1:9 Verbo = Fazer

4- “Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há D-us; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças;” Isaías 45:5

5- “Portanto o santificarás, porquanto oferece o pão do teu Deus; santo será para ti, pois eu, o Senhor que vos santifica, sou santo.” Levítico 21:8 Verbo = “santificar” = Separar para um propósito

6- “Porque eu sou o Senhor teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as suas ondas. O Senhor dos Exércitos é o seu nome.” Isaías 51:15 Verbo = Agitar

7- “E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?” Marcos 12:26 Verbo = Falar

8- “O Senhor guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios.” Salmos 146:9 Verbo = Guarda (cuidar)

Como podemos observar acima D-us se revela em ações e algumas vezes em atributos que levam a ações. Como devemos nos relacionar com esse D-us? Ao atribuímos adjetivos a D-us constrói-se uma distância entre você e Ele, porque não podemos imitar Seus atributos, especialmente a perfeição.
E porque Ele se revela em ações? Eu suspeito que é mais fácil se relacionar ou imitar suas ações do que seus atributos, ao imitá-lo me torno semelhante a Ele e isso me aproxima.

Quando ele diz:
Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus.” Levítico 20:7
Ou
“Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” 1 Pedro 1:16

Muitos de prontidão não conseguem se relacionar com esses versículos, primeiro porque a santidade é sinônimo de perfeição, que não é verdade; segundo, porque é um adjetivo, e adjetivos não são fáceis de imitar.
Na verdade a origem da palavra “santo” no hebraico não é um adjetivo mas sim um verbo קָדַשׁ qâdash = que quer dizer separar-se para um propósito específico, aqui está toda a diferença! Agora posso me relacionar melhor com o criador, Ele está me pedindo para fazer algo, um verbo, essa ação eu posso compartilhar com Ele e me tornar mais “igual” a Ele. Santificação?
Com certeza não posso tirar o povo do Egito nem abrir o mais vermelho, mas posso fazer justiça ao órfão e à viúva, amar ao estrangeiro, dando-lhe pão e roupa. Posso incorporar no meu dia a dia os valores morais ensinados na Torah, que são vitais para uma sociedade equilibrada, posso honrar meu pai e minha mãe, posso ser honesto nos meus negócios, ser fiel a minha esposa(o), praticar a justiça, amar a bondade, ser humilde, não fazer fofoca etc… Isso é o que ele pede de nós, não a perfeição.
Se entendermos isso, nossa familia, comunidade e sociedade se beneficiará muito com a presença de D-us agindo através de nossas ações.

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?”
Miquéias 6:8

O que D-us faz:
“Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa” Deuteronômio 10:18

O que eu posso fazer:
“A religião pura e imaculada para com D-us e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” Tiago 1:27

Nosso desafio é entender essas diferenças, tentar entender o texto dentro do seu contexto histórico e cultural e depois aplicar em nossa vida, não impor ao texto nossa cosmovisão que é fortemente influenciada pela perspectiva grega.

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 6 “Morada no Céu”

Morada no Céu

“Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.” (João 14:2)

Este versículo me intrigou por muitos anos. Será que existem casas no céu onde todos iremos morar quando partirmos deste mundo material para o mundo espiritual? Como seria uma casa no mundo espiritual? Sempre achei um pouco confusa a ideia de conciliar a noção de “casa”, algo material, com o céu, algo espiritual. Meus questionamentos não eram infundados, e acredito que encontrei uma resposta mais coerente ao me aprofundar na raiz do versículo.

Para começar, a Bíblia foi escrita, em sua grande maioria, por judeus, sejam profetas, discípulos ou apóstolos. Embora partes do Novo Testamento tenham sido escritas em grego, foram escritas por judeus com uma cosmovisão hebraica, em contraste com o mundo greco-romano. Como já discuti esse assunto em outro artigo intitulado “Mente Hebraica x Greco-Romana” (https://raizeshebraicas.com/2013/10/12/mente-hebraica-x-grego-romana-integra/), não vou entrar em detalhes aqui. Apenas salientarei que a mentalidade hebraica é holística e a greco-romana é dualista. Na visão greco-romana, este mundo material é mal, caído e inferior; portanto, deve-se olhar para o mundo espiritual, que é perfeito e superior. Interpretar este versículo dentro dessa ótica nos conforta ao saber que temos uma mansão celestial esperando por nós quando morrermos, certo? Não tão rápido! Será que era isso mesmo que Yeshua estava dizendo nesse versículo e nesse capítulo?

Façamos uma análise desse versículo:

1. A palavra “casa” no grego é οἰκίᾳ (pronúncia – oikia), que vem do hebraico בָּתֵּימוֹ (pronúncia – bottermo), plural possessivo da palavra בַּיִת (bayit). Descreve uma habitação, mas também pode significar família ou lar.

2. A palavra “moradas” no grego é μοναὶ (pronúncia monē), que também indica habitação com uma pequena diferença. Esta é física, mas pode ser também relacional. A palavra mais próxima em hebraico é מִשְׁכָן (pronúncia miškān), que traduzimos como tabernáculo, e a palavra שָׁכַן (Sakan), habitar.

Os deuses na antiguidade eram territoriais e habitavam em templos ou casas; cada civilização tinha um ou mais deuses alinhados ao seu território e etnia. Com Israel não era diferente. Se você quisesse “visitar” o seu deus, precisava ir a Jerusalém. Na verdade, existe um mandamento para subir a Jerusalém três vezes ao ano, revelando a importância de visitar a “casa de Deus”. Em Êxodo 25:8, lemos: “E me farão um santuário (miškān), e habitarei (שָׁכַן) no meio deles.” Essa palavra “morada”, no grego μοναὶ (pronúncia monē), aparece somente duas vezes no Novo Testamento: aqui em João 14:2 e no versículo 23:“Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada (monē).” (João 14:23) Vemos claramente no versículo 23 que Yeshua se refere a um relacionamento e não a uma morada física. Devemos entender que Deus não precisa de uma habitação física para morar, afinal, Ele é o dono do universo. A função do tabernáculo era permitir que Ele tivesse uma relação próxima com o Seu povo. Relacionamento é a chave para entender a intenção de Deus ao mandar o povo judeu construir uma habitação para Ele. No Novo Testamento, esse objetivo continua o mesmo: relacionamento.

Da mesma forma que Deus habitou no tabernáculo no meio de Israel no deserto, Yeshua veio habitar no nosso meio (João 1:14): “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” Novamente, aqui se refere primordialmente ao relacionamento entre Deus e a humanidade, através da habitação física. Yeshua não apenas habitou em um corpo humano (casa, residência), mas relacionou-se conosco.

Enquanto as palavras “casa” e “morada” se referem a habitação e residência, nosso melhor entendimento das palavras do Mestre é relacionamento. Se lermos todo o capítulo de João 14, concluiremos que a ênfase é a relação com Deus e a observância dos mandamentos – Torá, que é a prova de que temos uma relação com o Criador. Não se trata de uma habitação futura em um mundo celestial e perfeito; a habitação não é geográfica, mas relacional. Ter um imóvel no céu não é tão importante quanto ter uma relação próxima com o Rei.

Observamos também que o movimento é sempre do alto, celestial, para o plano terreno. Deus sempre envia algo ou alguém para se relacionar conosco, desde o Jardim do Éden: “…Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia…” (Gênesis 3:8). Depois, vemos no fechamento triunfal em Apocalipse esse mesmo movimento, céu-terra: “E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu…” (Apocalipse 21:2). Esta frase idiomática parece indicar que nosso futuro será aqui, numa terra renovada, e a última visão de João em Apocalipse 21:1-3 é a nova Jerusalém descendo sobre a terra, e Deus finalmente habitando entre aqueles que O amam.

Portanto, não é minha intenção decepcionar aqueles que esperam morrer e ter uma habitação celestial, mas gostaria de estimular você a reavaliar o que crê e buscar entender as Escrituras em seu contexto histórico e cultural. Grandes surpresas agradáveis o esperam. Este segundo entendimento (terra-céu) é baseado num mundo dualístico que nasceu com os filósofos da Grécia antiga e não dentro da perspectiva bíblica hebraica. Só lembrando, Yeshua era judeu e não grego.

Autor: A. Sfalsin

Mulher virtuosa quem a achará?

Mulher virtuosa quem a achará?

Provérbios 31:10-31

 

O último poema do livro bíblico de Provérbios fala a respeito da mulher “virtuosa”. O poema foi originalmente escrito em hebraico e consiste em 22 versos, cada verso começando com a primeira letra do alfabeto (aleph) até a última letra do mesmo (tav), assim listando 22 virtudes de uma mulher sábia num acróstico inteligente em forma quiástica, diferentemente do português o poema em hebraico tenta harmonizar as ideias e não as palavras. Infelizmente quando esse lindo poema foi traduzido para português perdeu essa linda estrutura, que na sua forma quiástica aponta para uma mensagem central.
Mas antes de tudo, o que é um quiasmo? O quiasmo consiste de uma estrutura onde o primeiro elemento corresponde ao último elemento da poesia, o segundo corresponde ao penúltimo, o terceiro corresponde ao antepenúltimo, etc.. até chegar ao centro onde não ha mais correspondência e a mensagem central da poesia é encontrada.
Exemplo:

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O Texto apresentado na sua forma original no quiasmo:

Texto 2

 

Minha interpretação da ideia de cada versículo:

Definicao

Quero frisar que a palavra hebraica traduzida como “virtuosa” no v. 10 é hay’il (חַיִל ). A conotação dessa palavra em português está ligada a pureza, simplicidade ou moralidade, diferentemente do hebraico que tem vários significados relacionados ao poder, força, poder; capaz, valente, virtuoso, valor; exército, forças, riquezas, substância. O significado básico deste substantivo é “força”, da qual pode ser derivado” exército” e “riqueza“. Hay’il é usado 244 vezes na Bíblia. Portanto, a melhor tradução concisa dessa mulher seria, “a mulher cheia de fibra”.
Note que a ação no lar tem um alcance na sua comunidade local, não só de forma econômica mas também social, ela ajuda aos de casa e também aos de fora, ela ajuda a seu marido em diversos aspectos da vida familiar e pública. “Seu marido é conhecido nas portas”, isso quer dizer que ele se tornou um dos magistrados da cidade expedindo justiça ao povo, isso só foi possível com a ajuda dela. Penso que a mensagem central desse texto seja o comprometimento de um casal em querer o bem comum, sabendo que ambos ganham quando o amor existe entre eles, não só a família mas assim como toda a sociedade. Quando esse comprometimento não ocorre a família é a primeira vítima mas a sociedade em geral.
Infelizmente basta olhar ao nosso redor para ver uma triste realidade de casais separados, famílias destroçadas e filhos sem rumo. Esse poema apesar de seus quase 3.000 anos é tão relevante para nossos dias, devemos prestar atenção e aprendermos com ele.

Autor: A Sfalsin

Reflexão diária

Antecipei o cair da noite, e clamei; esperei na tua palavra….
Salmos 119:147
Clamo a ti; salva-me, e guardarei os teus testemunhos…
Salmos 119:146
Clamei de todo o meu coração; escuta-me, Senhor, e guardarei os teus estatutos.…
Salmos 119:145
A justiça dos teus testemunhos é eterna; dá-me compreensão, e viverei…
Salmos 119:144
Aflição e angústia se apoderam de mim;
contudo os teus mandamentos são o meu prazer…
Salmos 119:143
A tua justiça é uma justiça eterna, e a tua Torá é a verdade.…
Salmos 119:142
Pequeno sou e desprezado, porém não me esqueço dos teus mandamentos…
Salmos 119:141
A tua palavra é muito pura; portanto, o teu servo a ama…
Salmos 119:140
A tua palavra é muito pura; portanto, o teu servo a ama…
Salmos 119:140
Os teus testemunhos tu os designou com retidão e com extrema fidelidade…
Salmos 119:138
Justo és, ó Senhor, e retos são os teus juízos…
Salmos 119:137
Rios de águas correm dos meus olhos, porque não guardam a tua Torá…
Salmos 119:136
Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo, e ensina-me os teus estatutos…
Salmos 119:135
Dirige meus passos pela tua palavra,
E que nenhuma iniquidade tenha domínio sobre mim…
Salmos 119:133
Maravilhosos são os teus testemunhos; portanto, a minha alma os guarda…
Salmos 119:130
Maravilhosos são os teus testemunhos; portanto, a minha alma os guarda…
Salmos 119:129
Por isso amo os teus mandamentos mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino…
Salmos 119:127
Sou teu servo; dá-me inteligência, para entender os teus testemunhos.
Salmos 119:25
Lida com o teu servo segundo a tua benignidade, e ensina-me os teus estatutos.
Salmos 119:24
O meu corpo se arrepiou com temor de ti,
e temi os teus juízos…
Salmos 119:120
Sustenta-me, me dê a vitória, e continuamente observarei os teus estatutos…
Salmos 119:117
Sustenta-me conforme a tua palavra, para que viva, e não me deixes envergonhado da minha esperança…
Salmos 119:116
Apartai-vos de mim, malfeitores, pois guardarei os mandamentos do meu Deus…
Salmos 119:115
Tu és o meu refúgio e o meu escudo; espero na tua palavra…
Salmos 119:114
Odeio os pensamentos vãos, mas amo a tua Torá…
Salmos 119:113
Inclinei o meu coração a guardar os teus estatutos, para sempre, até ao fim…
Salmos 119:112
Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre, pois são o gozo do meu coração.…
Salmos 119:111
Jurei, e o cumprirei, que guardarei os teus justos juízos…
Salmos 119:106
Jurei, e o cumprirei, que guardarei os teus justos juízos…
Salmos 119:106
Estou aflitíssimo; vivifica-me, ó Senhor, segundo a tua palavra.…
Salmos 119:107
Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho…
Salmos 119:105
Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho.…
Salmos 119:104
Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca…
Salmos 119:103
Desviei os meus pés de todo caminho mau, para guardar a tua palavra…
Salmos 119:101
Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio do que os meus inimigos; pois estão sempre ao meu redor…
Salmos 119:98
Oh! quanto amo a tua Torá! É a minha meditação em todo o dia.…
Salmos 119:97
Jamais me esquecerei dos teus mandamentos, pois é por meio deles que preservas a minha vida…
Salmos 119:93
Se a tua Torá não fosse o meu prazer, o sofrimento já me teria destruído…
Salmos 119:92
A tua fidelidade dura de geração em geração;
tu firmaste a terra, e ela permanece firme.…
Salmos 119:90
Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu…
Salmos 119:89
Estou quase desfalecido, aguardando a tua salvação, mas na tua palavra coloquei a minha esperança…
Salmos 119:81
Seja meu coração irrepreensível quanto aos teus estatutos,
Para que eu não me envergonhe…
Salmos 119:80
Seja meu coração irrepreensível quanto aos teus estatutos,
Para que eu não me envergonhe…
Salmos 119:80
Venham sobre mim as tuas misericórdias, para que viva, pois a tua Torá é a minha delícia.
Salmos 119:77
As tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me entendimento para entender os teus mandamentos…
Salmos 119:73
Melhor é para mim a tua Torá que saiu da tua boca do que milhares de ouro ou prata.…
Salmos 119:72
Tu és bom e fazes bem; ensina-me os teus estatutos…
Salmos 119:68
22 As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;
23 Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. Lamentações 3:22-23
Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?…
Salmos 116:12
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu…
Eclesiastes 3:1
Ensina-me bom juízo e conhecimento, pois creio nos teus mandamentos…
Salmos 119:66
A terra, ó Senhor, está cheia da tua benignidade; ensina-me os teus estatutos…
Salmos 119:64
À meia-noite me levanto para dar-te graças pelas tuas justas ordenanças…
Salmos 119:62
Refleti em meus caminhos e voltei os meus passos para os teus testemunhos…
Salmos 119:59
De todo o coração suplico a tua graça; tem misericórdia de mim, conforme a tua promessa…
Salmos 119:58
O Senhor é a minha porção; eu disse que observaria as tuas palavras…
Salmos 119:57
Eis que tenho desejado os teus preceitos; vivifica-me na tua justiça…
Salmos 119:40
Confirma a tua palavra ao teu servo, que é dedicado ao teu temor..
Salmos 119:38
Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.
Salmos 119:37
Faze-me andar na vereda dos teus mandamentos, porque nela tenho prazer.
Salmos 119:35
8 Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos.
Salmos 19:8
Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.
Lamentações 3:26
Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal;
Deuteronômio 30:15
A justiça é posta de lado,
e o direito é afastado.
A verdade anda tropeçando no tribunal,
e a honestidade não consegue chegar até lá.
A verdade desapareceu,
e os que procuram ser honestos são perseguidos.
Isaías 59:14-15
Tens visto um homem precipitado no falar? Maior esperança há para um tolo do que para ele.
Provérbios 29:20
Quando os ímpios se multiplicam, multiplicam-se as transgressões, mas os justos verão a sua queda
Provérbios 29:16
…te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência
Deuteronômio 30:19
Quando os justos se alegram,
grande é a honra;
mas quando os homens perversos sobem ao poder,
os homens (de bem) são perseguidos
Provérbios 28:12
Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme
Provérbios 29:2
Como fonte contaminada ou nascente poluída,
assim é o justo que fraqueja diante do ímpio.
Provérbios 25:26
Não entres pela vereda dos ímpios, nem andes no caminho dos maus. Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho da violência.
Provérbios 4:14 17
O rei que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína.
Provérbios 29:4 (NIV)
Não convém ao tolo a fala excelente; quanto menos ao príncipe, o lábio mentiroso.
Provérbios 17:7
Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu deleite.
Provérbios 12:22
Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme
Provérbios 29:2
Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Salmos 19:1
Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal;
que fazem das trevas luz, e da luz trevas;
e fazem do amargo doce, e do doce amargo!
Isaías 5:20
Quando os perversos sobem ao poder, o povo se esconde;
mas quando eles perecem, os justos florescem!
Provérbios 28:28
Não é bom favorecer os ímpios
para privar da justiça o justo.
Provérbios 18:5
Vindo o ímpio, vem também o desprezo, e com a ignomínia a vergonha.
Provérbios 18:3
O governante sem discernimento aumenta as opressões, mas os que odeiam o ganho desonesto prolongarão o seu governo.
Provérbios 28:16
Ensina-me, ó Senhor, o caminho dos teus estatutos, e guardá-lo-ei até o fim.
Salmos 119:33
Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro.
Salmos 121:1
Escolhi o caminho da verdade; propus-me seguir os teus juízos.
Salmos 119:30
Também os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros..
Salmos 119:24
A minha alma está quebrantada de desejar os teus juízos em todo o tempo..
Salmos 119:20
Porque toda a carne é como a erva,e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor. Mas a palavra do Senhor permanece para sempre.
1 Pedro 1:24-25
Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos.
Salmos 119:19
Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei.
Salmos 119:18
Faze bem ao teu servo, para que viva e observe a tua palavra.
Salmos 119:17
Recrear-me-ei nos teus estatutos; não me esquecerei da tua palavra.
Salmos 119:16
Meditarei nos teus preceitos, e terei respeito aos teus caminhos.
Salmos 119:15
Com os meus lábios declarei todos os juízos da tua boca.
Salmos 119:13
Bendito és tu, ó Senhor; ensina-me os teus estatutos.
Salmos 119:12
Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.
Salmos 119:11
Com todo o meu coração te busquei; não me deixes desviar dos teus mandamentos.
Salmos 119:10
Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra…
Salmos 119:9
Louvar-te-ei com retidão de coração quando tiver aprendido os teus justos juízos…
Salmos 119:7
Quem dera que os meus caminhos fossem dirigidos a observar os teus mandamentos. Então não ficaria confundido, atentando eu para todos os teus mandamentos.…
Salmos 119:5-6
Vivifica-me, ó Senhor, por amor do teu nome; por amor da tua justiça…
Salmos 143:11a
Quem dera que os meus caminhos fossem dirigidos a observar os teus mandamentos…
Salmos 119:5
Feliz o que guardam os seus testemunhos, e que o buscam com todo o coração…
Salmos 119:2
Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na lei do Senhor…
Salmos 119:1
Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.
Salmos 118:29
A destra do Senhor se exalta; a destra do Senhor faz proezas…
Salmos 118:16
Nas tendas dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do Senhor faz proezas…
Salmos 118:15
O Senhor é a minha força e o meu cântico; e se fez a minha salvação.…
Salmos 118:14
É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem…
Salmos 118:8
O Senhor está comigo entre aqueles que me ajudam;…
Salmos 118:7
O Senhor está comigo; não temerei o que me pode fazer o homem…
Salmos 118:6
Invoquei o Senhor na angústia; o Senhor me ouviu, e me tirou para um lugar largo…
Salmos 118:5
Volta, minha alma, para o teu repouso, pois o Senhor te fez bem…
Salmos 116:7
O Senhor guarda aos símplices; fui abatido, mas ele me livrou…
Salmos 116:6
Piedoso é o Senhor e justo; o nosso Deus tem misericórdia…
Salmos 116:5
Amo ao SENHOR, porque inclinou a mim os seus ouvidos; portanto, o invocarei enquanto viver…
Salmos 116:2
Amo ao SENHOR, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica…
Salmos 116:1
Os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens…
Salmos 115:16
O Senhor abençoará os que temem ao Senhor, tanto pequenos como grandes…
Salmos 115:13
Vós, os que temeis ao Senhor, confiai no Senhor; ele é o seu auxílio e o seu escudo…
Salmos 115:11
Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou…
Salmos 115:3
Porque dirão os gentios:
Onde está o seu Deus?…
Salmos 115:2
Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória…
Salmos 115:1
Treme, terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó.…
Salmos 114:7
Levanta o pobre do pó e da cinzas levanta o necessitado…
Salmos 113:7
Quem é como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas?
Salmos 113:5
Exaltado está o Senhor acima de todas as nações, e a sua glória sobre os céus.
Salmos 113:4
Desde o nascimento do sol até ao ocaso, seja louvado o nome do Senhor.
Salmos 113:3
Seja bendito o nome do Senhor, desde agora para sempre…
Salmos 113:2
O justo…não temerá maus rumores; o seu coração está firme, confiando no Senhor.
Salmos 112:7
Aos justos nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo.
Salmos 112:4
…Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR, que em seus mandamentos tem grande prazer…
Salmos 112:1
O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.
Provérbios 1:7
O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos…
Salmos 111:10
A sua obra tem glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre…
Salmos 111:3
Grandes são as obras do Senhor, procuradas por todos os que nelas tomam prazer…
Salmos 111:2
Louvarei grandemente ao Senhor com a minha boca; louvá-lo-ei entre a multidão.
Salmos 109:30
Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa.…
Provérbios 17:13
Louvar-te-ei entre os povos, Senhor, e a ti cantarei louvores entre as nações.
Porque a tua benignidade se estende até aos céus, e a tua verdade chega até às mais altas nuvens.
Salmos 108:3-4
Ele converte os rios em um deserto, e as fontes em terra sedenta;
A terra frutífera em estéril, pela maldade dos que nela habitam.
Salmos 107:33,34
E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.…
Apocalipse 21:4
Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei
Isaías 12:2a
Ouvi, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se multiplicarão os anos da tua vida. Provérbios 4:10
E buscar-me-eis,
e me achareis, quando me buscardes
com todo o
vosso coração.
Jeremias 29:13
Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento…
Provérbios 3:5
Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.
Isaias 41:10
…Porque te restaurarei
a saúde,
e te curarei
as tuas feridas,
diz o Senhor
Jeremias 30:17
Louvai ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre…
Salmos 107:1
Bendito seja o Senhor Deus de Israel, de eternidade em eternidade, e todo o povo diga: Amém.
Louvai ao Senhor…
Salmos 106:48
Bem-aventurados os que guardam o juízo, o que pratica justiça em todos os tempos…
Salmos 106:3
Eu te amarei, ó SENHOR, fortaleza minha.
O Senhor é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio…
Salmos 18:1-2
Mas agora,
ó Senhor, tu és nosso Pai;
nós o barro
e tu o nosso oleiro;
e todos nós
a obra das tuas mãos…
Isaías 64:8
Louvai ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre.…
Salmos 106:1
Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente…
Salmos 105:4
Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu tiver existência.…
Salmos 104:33
Ele se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma cortina.…
Salmos 104:2
Bendize, ó minha alma, ao SENHOR! SENHOR Deus meu, tu és magnificentíssimo; estás vestido de glória e de majestade…
Salmos 104:1
…A misericórdia do Senhor é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que guardam a sua aliança, e sobre os que se lembram dos seus mandamentos para os cumprir.…
Salmos 103:17-18
…A misericórdia do Senhor é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos;…
Salmos 103:17
Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo assim floresce.
Passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não será mais conhecido.…
Salmos 103:15-16
Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo assim floresce…
Salmos 103:15
Assim como um pai tem carinho terno pelos seus filhos, assim também o Senhor tem se por queles que o temem…
Salmos 103:13
Assim como está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.… 
Salmos 103:12
Pois assim como o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem…
Salmos 103:11
Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade…
Salmos 103:8
Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades…
Salmos 103:3
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios…
Salmos 103:2
Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome…
Salmos 103:1
…Tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim…
Salmos 102:27
Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos…
Salmos 102:25
SENHOR, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor…
Salmos 102:1
O que fala mentiras não estará firme perante os meus olhos…
Salmos 101:7b
O que usa de engano não ficará dentro da minha casa;…
Salmos 101:7a
…O que anda num caminho reto, esse me servirá.…
Salmos 101:6b
Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo;…
Salmos 101:6a
Aquele que murmura do seu próximo às escondidas,
eu o destruirei;…
Salmos 101:5
Não porei coisa má diante dos meus olhos…
Salmos 101:3
Portar-me-ei com inteligência no caminho reto.
Salmos 101:2
…Louvai-o, e bendizei o seu nome.
Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração.…
Salmos 100:4-3
Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos;…
Salmos 100:2
Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto…
Salmos 100:2
O Senhor reina, tremam os povos; ele está entronizado sobre os querubins, estremeça a terra. .
Salmos 99:1
O Senhor, porque vem a julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e o povo com eqüidade.
Salmos 98:9
Os rios batam as palmas; regozijem-se também as montanhas…
Salmos 98:8
Brame o mar e a sua plenitude; o mundo, e os que nele habitam…
Salmos 98:7
Com trombetas e som de cornetas, exultai perante a face do Senhor, do Rei.…
Salmos 98:6
Cantai louvores ao Senhor com a harpa; com a harpa e a voz do canto.…
Salmos 98:5
Exultai no Senhor toda a terra; exclamai e alegrai-vos de prazer, e cantai louvores…
Salmos 98:4
Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque fez maravilhas;…
Salmos 98:1
A luz semeia-se para o justo, e a alegria para os retos de coração.…
Salmos 97:11
Ele guarda as almas dos seus santos; ele os livra das mãos dos ímpios.…
Salmos 97:10b
Vós, que amais ao Senhor, odiai o mal.…
Salmos 97:10
Os céus anunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua glória…
Salmos 97:6
Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e juízo são a base do seu trono…
Salmos 97:2
O SENHOR reina; regozije-se a terra; alegrem-se as muitas ilhas… Salmos 97:1
Alegre-se o campo com tudo o que há nele; então se regozijarão todas as árvores do bosque…
Salmos 96:12
Adorai ao Senhor na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra…
Salmos 96:9
Dai ao Senhor, ó famílias dos povos, dai ao Senhor glória e força.…
Salmos 96:7
Glória e majestade estão ante a sua face…
Salmos 96:6
Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas…
Salmos 96:3
Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia…
Salmos 96:2
Seu é o mar, e ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca… Salmos 95:5
Mas o Senhor é a minha defesa; e o meu Deus é a rocha do meu refúgio.…
Salmos 94:22
Quando eu disse: O meu pé vacila; a tua benignidade, Senhor, me susteve.…
Salmos 94:18
O SENHOR reina; está vestido de majestade.…
Salmos 93:1
Para anunciar que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha e nele não há injustiça… Salmos 92:15
Quão grandes são, Senhor, as tuas obras! Mui profundos são os teus pensamentos…
Salmos 92:5
Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios…
Salmos 90:12
Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, mesmo de eternidade a eternidade, tu és Deus… Salmos 90:2
Teus são os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste.
Salmos 89:
11
A tua benignidade será edificada para sempre;…
Salmos 89:2a
Com a minha boca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração.…
Salmos 89:1b
As benignidades do SENHOR cantarei perpetuamente…
Salmos 89:1
Senhor, tenho clamado a ti, e de madrugada te esperará a minha oração.…
Salmos 88:13
Chegue a minha oração perante a tua face, inclina os teus ouvidos ao meu clamor;…
Salmos 88:2
SENHOR Deus da minha salvação,…
Salmos 88:1
Teus são os céus, e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste.…
Salmos 89:11
O seu fundamento está nos montes santos…
Salmos 87:1
Volta-te para mim, e tem misericórdia de mim; dá a tua fortaleza ao teu servo, e salva ao filho da tua serva.…
Salmos 86:16
Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor, e grande em benignidade e em verdade…
Salmos 86:15
Louvar-te-ei, Senhor Deus meu, com todo o meu coração, e glorificarei o teu nome para sempre…
Salmos 86:12
Une o meu coração ao temor do teu nome…
Salmos 86:11b
Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade;…
Salmos 86:11a
Porque tu és grande e fazes maravilhas; só tu és Deus…
Salmos 86:10
Entre os deuses não há semelhante a ti, Senhor, nem há obras como as tuas…
Salmos 86:8
Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam.
Senhor dos Exércitos, bem-aventurado o homem que em ti põe a sua confiança.…
Salmos 84:12
o Senhor dará graça e glória; não retirará bem algum aos que andam na retidão…
Salmos 84:11b
Porque o Senhor Deus é um sol e escudo;…
Salmos 84:11a
Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios…
Salmos 84:10b
Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil.…
Salmos 84:10
Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanadose…
Salmos 84:5
Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente…
Salmos 84:4
Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares,… Salmos 84:3
O meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo…
Salmos 84:2b
A minha alma está desejosa, e desfalece pelos átrios do Senhor;…
Salmos 84:2a
Quão amável é o teu tabernáculo, SENHOR dos Exércitos!…
Salmos 84:1
O Senhor é bom, ele serve de fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele…
Naum 1:7
Assim nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente; de geração em geração cantaremos os teus louvores…
Salmos 79:13
Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, e se multiplicarão os anos da tua vida…
Provérbios 4:10
Escutai a minha Torá, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.…
Salmos 78:1
Pus a minha confiança no Senhor DEUS, para anunciar todas as tuas obras.…
Salmos 73:28b
Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus;…
Salmos 73:28
25 Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti.…
Salmos 73:25
A minha língua falará da tua justiça todo o dia;…
Salmos 71:24
Ó Deus, quem é semelhante a ti?…
Salmos 71:19
Ensinaste-me, ó Deus, desde a minha mocidade; e até aqui tenho anunciado as tuas maravilhas.…
Salmos 71:17
A minha boca manifestará a tua justiça e a tua salvação todo o dia…
Salmos 71:15

 

 

 

 

 

 

 

Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico…

“Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico…”
Lucas 18:23

Ficou muito triste,  porque era muito rico.

Nessa passagem encontrada em Lucas 18:18-27 existem tantos conceitos profundos que um pequeno artigo não é possível ampliar todas a suas dimensões, mas quero me concentrar em um aspecto que creio que será enriquecedor para nossa vida.
O texto:
E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?
Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.
Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.
E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.
E quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me.
Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico.
E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!
Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
E os que ouviram isto disseram: Logo quem pode salvar-se?
Mas ele respondeu: As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus. Lucas 18:18-27

Um certo príncipe se aproxima de Yeshua após ouvir seu discurso e se mostra interessando na vida eterna ou mundo por vir[1], então Yeshua lhe responde, não há ninguém bom senão D-us e recomenda que guarde os mandamentos encontrados na Torá.
1- Não adulterarás,
Não adulterarás. Êxodo 20:14
2- Não matarás,
Não matarás. Êxodo 20:13
3- Não furtarás,
Não furtarás. Êxodo 20:15
4- Não dirás falso testemunho,
Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Êxodo 20:16
5- Honra a teu pai e a tua mãe.
Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Êxodo 20:12

O Principe responde que isso já tinha feito desde sua infância and Yeshua acrescenta algo inesperado, “vende tudo que tem, parta com os pobre e terás um tesouro “no mundo por vir” [1].
Ouvindo isso o príncipe “ficou muito triste”. Quero explorar esse conceito “ficou muito triste”. Porque? Que tipo de tristeza? Qual o conceito de Yeshua de tristeza no primeiro século.
Vamos começar com o conceito grego que sem dúvida alguma influencia nosso entendimento e nossa cosmovisão. No grego a palavra “muito triste” é perilypos = Vem da raiz da palavra Lype = dor. No conceito grego o oposto de hype (dor) é Hedoné (prazer), de onde tiramos a palavra hedonismo [2]. Na pensamento grego a vida oscila entre prazer e dor num ciclo infindável até a passagem para o mundo superior espiritual, ideias influenciadas por Platão. O contraste é entre Lype x Hedoné. Dor e prazer, tristezas e felicidades.
Já no conceito hebraico o contraste é entre Lype x Chará. A palavra “chará” se traduz como alegria, também serve como raiz da nossa palavra “caris” – caridade ou graça. Nesse conceito o oposto da dor é a alegria. Abaixo um gráfico com as diferenças.

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No grego, Lype (dor) tanto a dor física como, a fome, a sede, o frio, o calor; como a dor da alma, a morte, o infortúnio, o aborrecimento, o insulto e o ultraje devem ser evitados a todo o custo, a busca pelo prazer torna-se o propósito da vida. O prazer ou felicidade vem em primeiro lugar, segundo um bom estado mental mas isso é transitório porque parte de fora para dentro, é estimulado e dependente de coisas exteriores, é afetado pelo que se tem (TER). A felicidade vem da experiência do bem, diferente do mal! Quando cessar a motivação exterior a “felicidade” e o “prazer” cessam. A língua inglesa encapsula essa ideia perfeitamente na palavra “happiness”, você precisa de algo “to happen” (acontecer) para ser feliz. Não é por acaso que muitos buscam a tal felicidade, happiness. O problema é que a busca pela felicidade se torna o objetivo infinito da vida sem nunca ser alcançada, a máxima da vida se torna a busca do prazer e conforto e evitar o dor a todo o custo. Quantos de nós já não oramos pedindo a D-us para nos livrar de algo que nos incomoda? Talvez, deveríamos orar pedindo que, apesar das lutas, Ele nos dê alegria para enfrentar os desafios.

Diferentemente do grego o hebraico entende que a dor (Lype) faz parte da experiência humana, mas reconhece que a dor pode e deve levar o indivíduo a alegria. Como pode ser isso? Parece contra-intuitivo. Os escritores do novo testamento eram na sua maioria judeus, alguns escreveram em grego mas com o conceito hebraicos tirados direto da Tanak [3] a alegria sempre foi ensinada como o oposto da dor e tristeza, a alegria é o propósito da vida, é algo interior; um prazer profundo. É uma profunda certeza e confiança que preenche o coração (sentimentos/mente), se torna uma condição, um estado de alma devido a estar bem com D-us, é independente das circunstâncias porque a sua fonte é um D-us eterno, transcendente, e que conhece nossas necessidades melhor do que nós mesmos, é baseada no SER, não no ter. A alegria de ter uma experiência de D-us, independente do bem ou do mal, vem Dele. Portanto a alegria vem primeiro e como resultado, porque você tem Chará (alegria com fonte espiritual), você reflete secundariamente no material e no seu exterior.
Portanto, sorria! Naturalmente não é fácil sorrir quando passamos por provas e tribulações mas devemos entender que independente das circunstâncias difíceis ELE prometeu estar conosco até mesmo quando atravessamos o vale da sombra da morte Salmos 23:4, a única razão que sobrevivemos o vale é porque o SENHOR está conosco, não são os amigos, a família, os colegas por mais bem intencionados que eles sejam. Enfim, nossa alegria vem diretamente do Senhor, “portanto não vos entristeçais; porque a alegria do Senhor é a vossa força.” Neemias 8:10
No caso do príncipe na nossa história ele se entristeceu porque seu propósito de vida estava vinculado com o “prazer e felicidade” das coisas materiais, mostrado na segunda parte da verso “porque era muito rico”, baseou sua vida na transitoriedade dos bens materiais. Yeshua aponta para o erro, e tentou corrigí-lo apontando para o fato de que ele precisava de primeiro alegria (chará) no centro de sua vida e por consequência sua vida seria cheia de propósito e se tornaria apto para participar do “mundo por vir” Olam haba (עולם הבא).
Note que a alegria não é uma recomendação de Yeshua, na Tanak é ensinado como um dos mandamentos a serem cumpridos. Deuteronômio 16:15,

“Sete dias celebrarás a festa ao Senhor teu Deus, no lugar que o Senhor escolher; porque o Senhor teu Deus te há de abençoar em toda a tua colheita, e em todo o trabalho das tuas mãos; por isso certamente te alegrarás.” Deuteronômio 16:15

independente das circunstâncias. O texto não diz: “quando você estiver se sentindo bem, se alegre no Senhor”.

“Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho.” Salmos 4:7.

Portanto devemos nos esforçar para cumprir todos os mandamentos do Senhor, inclusive alegrarmo-nos diariamente independente de nossas lutas.

Autor: A Sfalsin

Existe um abismo de diferença entro o pensamento grego e hebraico que muitas vezes atrapalham nosso entendimento, visto que nossa forma de pensar tende para o grego devido a forma que nos foi ensinado. Se você se interessa por essas diferenças sugiro que leia minha outra postagem Mente Hebraica x Grego-Romana https://raizeshebraicas.com/2013/10/12/mente-hebraica-x-grego-romana-integra/

[1] “Mundo por vir” é um conceito em hebraico que é chamado de Olam haba (עולם הבא), que nesse texto é traduzido como “vida eterna”.
[2] Conforme Platão “O hedonismo psicológico ou motivacional afirma que apenas o prazer ou a dor nos motivam.”
[3] O Tanakh é composto por 24 livros que se agrupam em três conjuntos: “Lei, Profetas e Escritos”.
Torá, (Lei): – Os 5 primeiros livros da bíblia ao “Pentateuco ou a Lei Mosaica”; NEVIIM – oito livros (Profetas), KETUVIM – onze livros (Escritos): Composto pelos livros poéticos e trechos de alguns livros proféticos. Portanto TANAK é um acrônimo das 3 primeiras letras das divisões tradicionais no texto massorético.

Passagens com o de “chará”: Mat 2:10, Mat 13:20, Mat 13:44, Mat 25:21, Mat 28:8, Mar 4:16, Luc 4:16, Luc 1:14, Luc 2:10, Luc 8:13, Luc 10:17, Luc 15:7, Luc 24:41, João 3:29, João 15:11, João 16:20, João 17:13, Atos 8:8, Atos 12:14, Atos 13:52, Atos 15:3, Rom 14:17, Rom 15:13, 2 Cor 1:24, 2 Cor 2:3, 2 Cor 7:4, 2 Cor 8:2, Gal 5:22, Fil 1:4, Fil 2:2, Fil 4:1, Col 1:11, 1 Tes 1:6, 1 Tes 2:19, 1 Tes 3:9, 2 Tim 1:4, Filemom 1:7, Heb 10:34, Heb12:2, Heb 13:7, Tiago 1:2, Tiago 4:9, 1 Pedro 1:8, 1 João 1:4, 2 João 1:12, 3 João 1:4.

Como o hebraico é muito mais rico em definições, a palavra grega “chará” tem 6 correspondentes na Tanak [3].
1- גִּיל gîl – Alegria – Joel 1:16
2- מָשׂוֹשׂ māsôs – Alegria – Lam 5:15
3- רִנָּה rinnāh – Cantoria – Isa 55:12
4- שְׂחֹק sᵉchōq – Riso – Salmos 126:2
5- שִׂמְחָה simchah – Alegria/felicidade – I Crônicas 29:22, Salmos 21:6, Jonas 4:6
6- שָׂשׂוֹן sāsôn – Alegria – Jeremias 16:9

Textos na Tanak [3]: 2 Crônicas 29:22, Ester 8:17, Ester 9:17, Ester 10:3, Salmos 21:6, Salmos 126:2, Proverbios 14:13, Proverbios 29:6, Isaías 39:2, Isaías 55:12, Isaías 66:10, Jeremias 15:16, Jeremias 16:9, Jeremias 25:10, Lamentações 5:15, Joel 1:5, Jonas 4:6, Zacarias 8:19

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 10: “Ide, e dizei àquela raposa…”

“Naquele mesmo dia, chegaram uns fariseus, dizendo-lhe: ‘Sai e retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te.’ E respondeu-lhes: ‘Ide, e dizei àquela raposa: Eis que eu expulso demônios e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado.'” (Lucas 13:31-32)

Nessa passagem bíblica, Yeshua (Jesus) está sendo advertido pelos fariseus sobre a perseguição que Herodes Antipas havia lançado contra Ele. Então, Yeshua (Jesus) responde: “Ide, e dizei àquela raposa.” Mas o que Yeshua quis dizer com “dizei àquela raposa”?

Lembro-me dos meus anos de menino, quando me contavam histórias em que a raposa era apresentada como um animal sagaz, inteligente e astuto. Talvez essa seja a imagem que temos ao ler essa passagem bíblica. No entanto, vamos tentar colocá-la em seu contexto original no mundo hebraico/grego.

Conforme os estudos de David Bivin, “a metáfora ‘raposa’ provou ter um significado dúbio para falantes de línguas europeias. Muitos especialistas do Novo Testamento seguiram o sentido claro e amplamente conhecido da palavra grega sem primeiro fazer uma pergunta importante: ‘Como a palavra ‘raposa’ era usada pelos judeus?’ A resposta revela uma diferença no uso do hebraico e do grego, e deve servir como um lembrete de que sempre se deve interpretar as metáforas dentro do ambiente cultural adequado.”

No grego, a palavra raposa é “alōpēx”, associada à esperteza e ligeireza em ataques noturnos a outros animais, além de seu oportunismo em roubar presas já mortas por animais mais fortes. Portanto, os gregos associavam essas características a pessoas oportunistas, inteligentes e astutas.

Entretanto, a palavra raposa no hebraico é “שׁוּעָל” (shū’āl), que tem um significado muito mais amplo. Vejamos o uso mais abrangente nos escritos dessa época:

  1. Como astúcia: Na Midrash R. Eleazar ben R. Shim’on [final do segundo século d.C.], disse: “Os egípcios eram astutos e é por isso que as Escrituras os comparam a raposas.” (Cântico dos Cânticos 2:15).
  2. Como ardilosa: No comentário babilônico do Talmud (Berachot 61b), o Rabi Akiva contou uma parábola:
    “Uma raposa estava caminhando ao longo de um rio e viu peixes correndo para lá e para cá. Ela disse: ‘Do que vocês estão fugindo?’
    Disseram-lhe: ‘As redes que os humanos espalham para nós.’ Ela disse: ‘Por que vocês não vêm para a terra firme? Vamos viver juntos, como meus ancestrais viveram com seus ancestrais.’ Disseram-lhe: ‘És tu aquele de quem se diz que és o mais sábio dos animais? Você não é sábio, mas tolo! Se, em nosso ambiente de vida, temos motivos para ter medo, quanto mais no ambiente de nossa morte!’”
  3. Como pretensão: No hebraico, o significado mais abrangente é extraído do contraste que os judeus faziam entre o leão e a raposa. Um homem com poder e maior excelência intelectual era comparado ao leão, enquanto um homem com menor excelência era associado à raposa. Aqueles que tinham a pretensão de ser algo que não eram, eram associados às raposas. O leão tem uma juba grande e pomposa; a raposa, por sua vez, é um animal esquelético, mas com um pelo grande e pomposo, aparentando ser grande e importante, mas sem consistência alguma.
  4. Com conotação moral: O Rabino Mathia ben Harash disse: “Seja a cauda dos leões, e não a cabeça das raposas.” (Mishná Pirkei Avot 4:15). Isso propõe a ideia de que é melhor ser alguém de baixa posição, mas com uma vida moral e espiritual correta, do que estar entre aqueles de posições superiores e poderosos, mas vivendo uma vida degradada e corrompida.

Resumindo, o grego associa a raposa com astúcia e esperteza, enquanto o hebraico é mais abrangente, adicionando pretensão e conotação moral. O texto, ao ser traduzido para nossa língua, perdeu parte vital de seu significado, incluindo a verdadeira dinâmica da repreensão de Yeshua (Jesus), implicitamente dando um falso significado positivo à sua resposta, exatamente o inverso da intenção do Mestre.

Yeshua (Jesus) chamou Herodes de raposa depois que alguns fariseus relataram que Herodes queria matá-lo. A resposta de Jesus desafiou os planos de Herodes: “Diga a Herodes que primeiro tenho que trabalhar.” Mostrando aqui que Ele tinha o poder, e não Herodes; “dizei àquela raposa…”

Herodes se considerava um leão poderoso, mas Yeshua (Jesus) o rotulou de raposa, dando a entender que Herodes não era genuíno, verdadeiro e legítimo. Ele o comparou a uma raposa que, apesar de ardilosa, está moralmente corrompida, é pomposa e, acima de tudo, pretensiosa, sendo, na verdade, uma fraude.

Para entendermos as palavras de Yeshua (Jesus), devemos compreender quem era Herodes Antipas. Ele era filho de Herodes, o Grande, com Malthace (Samaritana), e neto de Antípatro, do povo idumeu ou edomita, descendentes diretos de Esaú, filho de Isaac e Rebeca, irmão gêmeo de Jacó. Antípatro se converteu ao judaísmo, e Herodes e seu filho Herodes Antipas se autointitulavam reis dos judeus por causa da herança de seus antepassados até Esaú, aquele que vendeu a primogenitura para seu irmão Jacó, mas nunca aceitou ter perdido. Na verdade, o trono de Davi tinha sido prometido por Deus para a linhagem de Jacó. Herodes Antipas se tornou um usurpador do trono, e o povo judeu não o aceitava como líder, muito menos como rei.

Yeshua, ao chamá-lo de raposa, estava se referindo a vários aspectos do poder usurpado e do caráter de Antipas. Antes de tudo, ele era ilegítimo e inapto para o cargo que ocupava. Como a imagem do rei era associada ao leão, ao rotulá-lo de raposa, Yeshua estava insinuando que Herodes era um pomposo pretensioso que só tinha poder por usurpação, um impostor. Assim como a raposa é pomposa, cheia de pelo no exterior, mas, na verdade, é um animal esquelético.

Yeshua (Jesus), o legítimo sucessor ao trono pela linhagem de Davi (Lucas 1:32), mostra sua autoridade ao responder e desafiar os planos de Antipas: “Diga a Herodes que primeiro tenho que trabalhar.” Jesus não estava insinuando que Herodes era astuto; ao contrário, Ele estava comentando sobre a inaptidão ou incapacidade de Herodes em cumprir sua ameaça. Todo o poder que ele tinha, só o tinha porque Deus havia permitido. Jesus questiona a linhagem, a estatura moral e a liderança do tetrarca, colocando-o “em seu lugar”. Isso se encaixa exatamente no quarto uso rabínico de “raposa” – conotação moral.

Vemos aqui a importância de entender o texto dentro de seu contexto cultural, histórico e linguístico. Caso contrário, corremos o risco de entender a passagem bíblica de forma errada, onde o texto, sem seu contexto, se torna um pretexto.

Autor:
Adivalter Sfalsin

[1a] David N. Bivin é um estudioso bíblico israelense-americano, membro da Escola de Pesquisa Sinótica de Jerusalém. Seu papel na Escola de Jerusalém envolve a publicação do jornal Jerusalem Perspective (Online) e a organização de seminários. Bivin é membro da Escola de Pesquisa Sinótica de Jerusalém, um grupo formado por acadêmicos judeus e cristãos dedicado a melhor compreender os Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas).

[1b] Retirado do artigo: That Small-fry Herod Antipas, or When a Fox Is Not a Fox, no site http://www.jerusalemperspective.com

[2] A Mishná, (em hebraico משנה, “repetição”, do verbo שנה, ”shanah, “estudar e revisar”) é uma das principais obras do judaísmo rabínico, e a primeira grande redação na forma escrita da tradição oral judaica, chamada a Torá Oral.

[3] Antípatro era um Idumeu, que prosperou na corte dos últimos soberanos hasmoneus, passou a governar a Judeia após a ocupação romana e foi o pai de Herodes, o Grande. Foi posto por Pompeu como procurador da Palestina em 67 a.C.

[4] Edom, em hebraico, quer dizer “vermelho” porque Esaú tinha a cor avermelhada.

O que o Senhor espera de ti? Parte 1

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” Miquéias 6:8

O profeta Miquéias (Mikhâ, forma abreviada de Mikayahu em hebraico מִיכָיָ֫הוּ, ‘quem é como Deus?’) profetizou por volta de 742 a 687 AC, cerca de 55 anos, durante os reinados de três reis de Judá: Jotão, Acaz e Ezequias. Nasceu em Moresete cerca de 40 km ao sudoeste de Jerusalém, nas terras baixas de Judá, perto de Gate, na terra dos filisteus. Foi contemporâneo de Isaías. Escreveu para os habitantes de reino de Judá, a fim de adverti-los de que o juízo divino era iminente por haverem rejeitado a D-us e aos seus mandamentos (a Toráh – os 5 livros de Moisés). Livro de Miquéias é o sexto livro de 12 dos profetas menores do Tanak – conhecido pelos cristãos como Velho Testamento.
Miquéias advert aos reinados do norte (Israel cuja capital era Samaria) e do sul (Judá cuja capital era Jerusalém) contra a corrupção do povo e esquecimento dos mandamentos da Toráh. Estavam indo ao contrário aos mandamentos do Senhor, consequentemente houve um total colapso moral na sociedade, os juízes vendiam sentenças em favor dos ricos, os pobres eram explorados, falsos profetas barganhavam profecias de prosperidade, no comércio cidadãos alteravam as balanças e a qualidade dos produtos para obterem um lucro maior, seus filhos (muitos deles recém nascidos) eram oferecidos queimados em sacrifício à deuses pagãos (hoje se sacrifica inocentes no altar da conveniência), lideres religiosos e políticos se enriqueciam com a venda proibida de propriedades, uma vez que as propriedades só eram permitidas de passar de mãos através das famílias.
É nesse contexto que Miquéias escreveu seu famoso versículo: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” Depois da advertência da destruição total de Jerusalém e Samaria pelos assírios e babilônios o Senhor oferece uma oportunidade para o povo voltar a Ele e andar em seu caminho, evitando assim total calamidade.

O caminho é simples e demonstra o desejo do Senhor que o povo se aproxime dele, em três passos graduais mas íntegros e complementares.
1 – praticar a justiça
2 – amar a benignidade
3 – andar humildemente

Esses passos fazem parte de uma progressão com a finalidade de se aproximar do Senhor gradativamente.
Primeiro passo – Justiça – em hebraico Tzedakah (צְדָקָה), normalmente traduzido para o português como caridade ou justiça. Na verdade a idéia é de compartilhar o que temos com outras pessoas, e não é algo especial ou extraordinário, é algo que devo fazer no meu dia a dia, a coisa honesta e justa a fazer. Tzadakah é uma obrigação que o Senhor espera de todos aqueles que o seguem. Geralmente pratica-se com seu exterior.

Segundo passo – benignidade – em hebraico Hesed (חֶסֶד) a palavra benignidade não tem muito peso no nosso vocabulário cotidiano, além de bondade. A idéia no hebraico é a seguinte; enquanto o Tzedakah – justiça, se refere a contribuição monetária ao seu proximo em necessidade, Hesed vai um pouco mais além, o compartilhar não se restringe a contribuição monetária mas o compartilhamento do seu tempo, habilidade e conhecimento, um envolvimento pessoal com o beneficiário de sua justiça. Seu envolvimento com a pessoa não há limites, ajuda não é restringida ao pobre, mas a ajuda pode ser oferecida também ao rico independente da classe social. Assim sua característica essencial não é o dinheiro, mas o serviço pessoal. Hesed se torna mais excelente do que Tzedakah. Geralmente pratica-se com seu exterior e interior.

Terceiro passo – Andar em humildade – em hebraico Sāna (צָנַע) humildade, na progressão do verso andar humildemente se torna uma consequência dos 2 primeiros passos. Ao reconhecer que tudo o que você tem, tudo o que você é vem do Senhor (dependência) o compartilhamento dos seus bens materiais (ter) e do seu tempo (Ser) torna-se natural e a humildade é o produto final dessa relação que gradualmente se torna pessoal com o Eterno. Em vez de nos orgulharmos do que oferecemos a Deus, reconhecemos humildemente que nenhum sacrifício pessoal pode substituir um coração comprometido com a justiça e o amor. Pratica-se com todo a tua força toda sua alma eu todo o seu coração, expressando o exterior, interior e entendimento, como prescrito em Deuteronômio 6:5 “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças”.

Como os falsos profetas contemporâneos de Miquéias hoje em dia existem falsos profetas pregando um “evangelho” de prosperidade pessoal que ignora totalmente a justiça que D-us requer de cada um de nós, se torna falso uma vez que o indivíduo e seus desejos se tornam o alvo das “benções” de um deus que precisa do seu recurso material para lhe abençoar. A idea é tão absurda, assim como se eu pudesse oferecer ao mar um copo d’agua. Não há nada que podemos acrescentar a D-us, ele é dono de tudo que existe, não há nada que possamos acrescentar a salvação, ela é dada de graça assim como foi para com Israel quando ainda era escravo no Egito. Mas uma coisa podemos fazer; andar em humildade e se aproximar de D-us cumprindo seus mandamentos (Toráh – Deuteronômio 30:11-15), assim como Israel depois de ser salvo do Egito, andou perante D-us no deserto crescendo diariamente mesmo com queixas, limitações, decepções, erros e acertos. Esse é o caminho que commumente chamamos de “santificação” ou seja separado para o Senhor para um propósito.

O Salmista Davi escreveu nos Salmo 51:17
”Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Esse deve ser nosso alvo, andar humildemente com um coração contrito praticando a justiça – Tzedakah e o benignidade Hesed.

Deuteronômio 30:11-15
“Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de ti. Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires. Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal;”

Autor: A Sfalsin

Continue lendo parte 2:

Feliz Ano Novo

Gostaria de desejar a todos um feliz ano novo, mas um verdadeiro ano novo, não como se fosse uma manta mágica de desejos que caísse sobre nós sem qualquer relação com a nossa vida prática.

Gostaria que nesse ano novo:

Os pais fossem mais presentes na vidas dos seus filhos,

As pessoas corressem menos e dessem mais tempo ao seu próximo e aos relacionamentos.

As famílias vivessem em equilíbrio e paz interna.

As pessoas fossem valorizadas pelo que são e não pelo que tem.

Os líderes religiosos falassem menos de amor e amassem mais seu próximo.

Que os lideres religiosos erguessem menos paredes e mais vidas, falassem menos sobre dinheiro e mais sobre o amor.

Que as pessoas fossem menos aos templos e visitassem mais aos necessitados ao seu redor.

A saúde das pessoas não fossem tratada como comodidade e meio de enriquecimento rápido e a saúde não fosse politizada.

Que as pessoas aprendessem que vidas não são descartáveis e sim as possessões materiais.

O pequeno agricultor ganhasse um preço justo pelos seus produtos e os atravessadores parassem de ganhar fortunas exorbitantes pela exploração dos mesmos.

Que nenhum pai ou mãe tivesse que chorar a morte prematura de um filho(a) perdido para a violência urbana.

Que não haja outra crise econômica causada pela ganância dos investidores do mercado financeiro.

Que os EUA parassem de invadir países atrás do petróleo usando o pretexto que estão espalhando a liberdade e democracia.

Que os novos milionários olhassem para os milhares que não tem nada ao seu redor antes de comprarem sua primeira Ferrari.

Que houvesse menos apelo sexual na mídia e mais promoção dos valores da família.

Que os jornais falassem a verdade sem partidarismo.

Que houvesse menos ostentação dos ricos e mais consideração aos valores humanos.

Que aprendêssemos admirar e a valorizar as pessoas que tem experiência na vida e (sabedoria) e não as pessoas com títulos acadêmicos, muitas vezes acumuladores de informação mas desprovidos de qualquer sabedoria.

Que a “comissão dos direitos humanos” lutasse pelos direitos da vítima também e não do delinquente. 

Que o conhecimento fosse democratizado e não comercializado.

Que consideremos as falhas do próximo da mesmo forma que queremos ser considerados.

Que escolhamos vida acima da morte, salvar o inocente e indefeso quando esse mesmo não tem voz.  

Que D-us use uma medida maior de sua graça quando considerar minhas falhas.

Que as pessoas acreditem que pode haver um mundo melhor, um mundo onde minhas decisões por menor que sejam tem um profundo poder de mudar o mundo ao meu redor,

Se nada disso acontecer infelizmente não será um ano novo, mas uma repetição tediosa do ano que acaba de passar com todas as suas mazelas.

Autor: A. De Assis

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 5 “Pobres de espírito” Mateus 5

“Pobres de espírito” – O Sermão da Montanha é um discurso de Jesus encontrado no livro de Mateus nos capítulos 5-7 e em Lucas de forma fragmentada. Nesse discurso Ele aborda vários aspectos para que alcancemos uma vida justa e reta perante D’us, são lições não só de cunho moral mas também de conduta prática orientando aqueles que desejam andar conforme o “Reino de D’us”, onde devemos exibir um conjunto desses valores distintos.
Ao lermos o sermão da montanha, surge uma pergunta: Será que realmente entendemos tudo que está exposto nele? Minha primeira impressão é que não entendemos tudo claramente pela simples razão do texto original ter sido escrito em Hebraico (surpresa para muitos), depois ter sido traduzido para o Grego passando pelo Latin e finalmente chegando ao Português. Qualquer texto traduzido sofre mutações devido as diferenças nas estruturas da construção das línguas e principalmente quando se trata de frases idiomáticas.
Quero evidenciar, entre muitas frases idiomáticas no sermão da montanha essa que se refere aos “Pobres de espírito” em Mateus 5:3 (Versão Almeida Revista e Atualizada)

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;”

Essa frase idiomática, “Pobres de espírito” só pode ser entendida corretamente dentro do seu contexto original. Jesus quando ensinava lançava mão dos ensinamentos da Torá, os livros proféticos e os livros poéticos conhecido pelos judeus como Tanak, erradamente chamado de velho testamento pelos cristãos. Seus ouvintes tinham em mente todo o Tanak, portanto qualquer frase ou palavra proferida invocava a passagem bíblica em suas mentes.

O que significa ser “pobre de espírito”?
Quando Jesus usa este termo ele está fazendo uma alusão a uma série de passagens na Tanak.

Algumas delas;

1- “Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o Senhor; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.” Isaías 66:2

2- “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” Isaías 57:15

3- “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Salmos 51:17

4- “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.” Salmos 34:18.

Vemos que o assunto aqui é o arrependimento, fator indispensável para quem deseja entrar no “reino do céus”. Ser “pobre de espírito” significa alguém que se arrependeu de seus pecados, que se voltou a D’us, que ama sua palavra e que guarda seus mandamentos.
Ele fala de forma poética, maneira típica de ensinar verdades absolutas por ser fácil de memorização. O paralelismo é uma caraterística do hebraico com prosas e poesias, o que temos aqui nas bem-aventuranças é apenas um desenvolvimento pluralista progressivo. Jesus está essencialmente construindo sobre um pensamento e reforçando a mesma idéia com diferentes nuanças nas bem-aventuranças.

O que significa o termo “reino do céus”?
Para o judeu do primeiro século especialmente um rabino o “reino de D’us” se referia ao agora e não algo no futuro.
Vale a pena notar que os judeus usavam o termo “reino dos céus” e não o termo helenístico “reino de D’us”. Eles tinham aversão em usar a palavra “D’us” por respeito aos mandamentos para não tomar o nome de D’us em vão Êxodo 20:7 – parte dos 10 mandamentos. Mas como o texto foi traduzido do hebraico para o grego, que não tem esse cuidado, usar o termo “reino de D’us” não tinha nenhum peso, lembrando que os gregos usavam a palavra “deus” de forma cotidiana, eles tinham um deus para tudo, deus do sol, das lua, das estrelas, das mar, da terra, da fertilidade etc…

Concluindo “reino do céus” é “agora” no momento presente, se refere aquelas pessoas sobre as quais Deus está governando, aos “pobre de espírito” (arrependidos).
Portanto, bem-aventurados (felizes) são aqueles que se arrependem de seus pecados, que se voltam para D’us, amam sua palavra, guardam seus mandamentos porque essas são as pessoas sobre as quais Deus está governando (agora) e que estão demonstrando Seu domínio em suas vidas, (“reino do céus”).

Etimologia:

1- “Bem-aventurados” no grego = Makarios, no hebraico = Asher (abençoado, feliz, felizardo) não existe palavra em Português apropriada para expressar Asher. Alguns exemplos Salmos 114:15
2- Versículos de 3-12 são conhecidos como as beatitudes porque foi traduzido da versão latina conhecida como Vulgata (410 ad) de Jerônimo. Jerônimo traduziu a palavra Makarios do grego para o latin = beatus dando assim origem a palavra em português “beatitudes”.
3- “Reino do céus” no hebraico = malkhut ha-Shammayim