Confiança que Transforma

Um Chamado à Obediência Motivada pelo Amor

“Sou Teu servo; dá-me entendimento para que eu conheça os Teus testemunhos” (Salmos 119:125).

Este versículo revela uma verdade profunda sobre a fé e a obediência: a tensão entre nosso desejo natural de entender e o chamado divino para confiar. Como seres humanos, ansiamos por respostas, clareza e garantias fundamentadas na lógica. No entanto, a vida de fé frequentemente nos convida a abrir mão dessa necessidade e abraçar uma motivação que transcende o entendimento—uma obediência motivada pelo amor.

Pense nisso: quando D-us pede algo de você, qual é a sua primeira reação? Você busca entender o “porquê” ou escolhe confiar e obedecer? Essa pergunta pode causar desconforto, mas tem como objetivo nos desafiar e inspirar crescimento. O chamado de D-us à obediência não é uma demanda arbitrária de submissão ou fé cega; é um convite para aprofundar sua confiança n’Ele. É um pedido para permitir que o amor e a reverência—não apenas a lógica—moldem sua resposta, mesmo quando Seus mandamentos parecem misteriosos ou difíceis de compreender.

O Salmo 119 nos apresenta três palavras hebraicas profundamente conectadas que revelam a riqueza dos mandamentos Divinos: mandamentos (mitzvot), testemunhos (edot) e estatutos (chukim). Essa perspectiva nos ajuda a enxergar a obediência em sua totalidade multifacetada. A vontade de D-us toca todas as partes de nosso ser: Seus mandamentos apelam à razão, Seus testemunhos à memória e à gratidão, e Seus estatutos à confiança e à fé. Juntos, eles nos lembram que a obediência é tanto racional quanto relacional, exigindo o envolvimento de nossas mentes, corações e almas.

Confiar Sem Todas as Respostas – A cultura moderna frequentemente nos ensina a exigir explicações e confiar em nosso próprio raciocínio antes de agir. Mas a obediência bíblica desafia essa abordagem, invertendo o paradigma. Pense em Noé: D-us ordenou que ele construísse uma arca em preparação para um dilúvio—um evento que, na época, parecia completamente improvável. Ainda assim, Noé obedeceu “tudo o que D-us lhe havia ordenado” (Gênesis 6:22). Sua obediência não era fruto de compreender o plano, mas de confiar no Planejador. Agora, pense em Pedro em Lucas 5:4–7. Após uma noite inteira de pesca sem sucesso, Jesus lhe pediu que lançasse as redes mais uma vez. A lógica e a experiência diziam a Pedro que isso era inútil. Ainda assim, ele de forma contra intuitiva respondeu: “Por causa da Tua palavra, lançarei as redes.” O resultado? Uma pesca milagrosa e abundante, além de todas as expectativas.

Essas histórias não falam de obediência cega, mas de uma fé ancorada no caráter comprovado de D-us. O chamado para obedecer sem todas as respostas nos desafia a focar menos no “porquê” e mais no “Quem”. Elas nos ensinam que confiar em D-us não requer entender tudo—requer confiar n’Ele com tudo.

A vida nem sempre é preto no branco, na sua maioria é cinza. Decisões éticas podem se tornar nebulosas e emocionalmente desafiadoras. Por exemplo, considere este cenário moralmente complexo: durante a Segunda Guerra Mundial, se soldados nazistas batessem à sua porta e perguntassem se você estava escondendo judeus—e você estivesse—o que seria obedecer a D-us? Dizer a verdade e possivelmente condenar vidas inocentes, ou mentir para protegê-las? A realidade infeliz de viver em um mundo caído é que a obediência nem sempre é simples. Questões sobre verdade, justiça e amor podem se enredar de maneiras que desafiam respostas fáceis. Devo dizer a verdade se isso colocará alguém em perigo? Devo perdoar quando tudo em mim clama por justiça? Em momentos como esses, Salmos 119:125 oferece uma âncora. O salmista não busca entendimento para questionar a autoridade de D-us, mas para discernir como obedecê-Lo corretamente. Este é o coração de um servo: não dúvida, mas um desejo por clareza. A palavra hebraica para “entendimento” aqui é bîn, que significa discernimento—a habilidade de distinguir entre opções e determinar o curso de ação mais sábio. O salmista também busca conhecimento (yādaʿ), que é a aplicação prática da sabedoria em relacionamentos e decisões do dia a dia. Na sua própria vida, onde você precisa desse tipo de discernimento? Quais situações desafiam sua compreensão sobre o que significa obedecer? Seja navegando por dilemas éticos, perdoando alguém que te feriu profundamente, ou entrando em um futuro incerto, esses momentos testam não apenas nossa fé, mas nossa disposição de confiar na orientação Divina.

A verdadeira obediência não é transacional—é relacional. Não se trata de seguir regras por medo de punição, mas de responder ao amor Divino com amor em retorno. O exemplo supremo disso é Yeshua (Jesus) no Jardim do Getsêmani. Ao enfrentar a realidade excruciante da cruz, Ele orou: “Meu Pai, se possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como Eu quero, mas sim como Tu queres” (Mateus 26:39). Sua obediência não foi meramente um dever; foi um ato de amor profundo—pelo Pai e por nós. Esse tipo de obediência tem um custo. Pode custar seu conforto, sua certeza ou até mesmo seu orgulho. Mas também oferece algo inestimável: uma intimidade mais profunda com D-us. Quando obedecemos motivados pelo amor, nos aproximamos mais do coração d’Ele. Começamos a ver que Seus mandamentos não são fardos, mas bênçãos, projetados para nos levar à plenitude da vida.

Onde D-us está te chamando a confiar e obedecer, mesmo quando isso não faz sentido? Talvez Ele esteja pedindo que você dê um passo de fé em uma nova direção, que perdoe alguém que te feriu, ou que abandone o desejo de controle. Seja qual for o chamado, não se trata de submissão cega, mas de alinhar seu coração com o d’Ele. O caminho da obediência motivada pelo amor não é fácil, mas é transformador. Noé, Pedro e Yeshua (Jesus) enfrentaram momentos em que a obediência exigiu que renunciassem à compreensão e confiassem inteiramente na sabedoria Divina. Sua confiança levou a resultados muito maiores do que poderiam imaginar: salvação, abundância e redenção.

Você dará o próximo passo em fé—não porque entende tudo, mas porque confia plenamente n’Aquele que te chama? O coração de um servo não pulsa com a necessidade de saber tudo, mas com o desejo de amar e honrar o Mestre. Que esse seja o ritmo da sua vida.

Adivalter Sfalsin

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Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 9: “Grão de Mostarda”

A metáfora do grão de mostarda é uma das mais conhecidas e, talvez, uma das mais mal compreendidas parábolas ensinadas por Yeshua. Em Mateus 17:20, Ele afirma: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará. Nada vos será impossível.” Para muitos, a interpretação imediata foca no tamanho diminuto da semente de mostarda. No entanto, uma análise mais profunda revela que Yeshua não estava se referindo apenas ao tamanho, mas à qualidade da fé que os discípulos deveriam possuir. As parábolas do Reino em Mateus 13, Marcos 4 e Lucas 13 situam essa metáfora no contexto de algo pequeno que se torna grandioso, representando o Reino dos Céus. Vamos explorar as características do grão de mostarda e como essas características desafiam Seus seguidores em sua caminhada espiritual.

Uma Fé Resistente 

A primeira característica notável do grão de mostarda é sua resistência. Essa semente é conhecida por sua durabilidade; mesmo se pisada ou queimada, ela não se quebra. Isso nos ensina que nossa fé deve ser resiliente. Em nossa jornada espiritual, enfrentamos adversidades, dúvidas e tribulações. Yeshua nos chama a ter uma fé que resista a essas provações, uma fé que permaneça inabalável mesmo diante das maiores dificuldades. A resistência do grão de mostarda também nos lembra que a fé não é medida por momentos de euforia espiritual, mas pela firmeza nos momentos de prova. Quando os ventos contrários sopram, quando o desânimo bate à porta, é essa fé resistente que nos mantém firmes no caminho.

Um Crescimento Rápido e Vigoroso

Outra lição que podemos aprender com o grão de mostarda é seu rápido crescimento e sua força. Quando plantada, essa pequena semente se transforma em uma grande árvore em um curto período de tempo. Yeshua está nos ensinando que nossa fé deve crescer de maneira constante e robusta. Uma fé dinâmica e em contínuo desenvolvimento é essencial para um seguidor de Yeshua. Não devemos nos contentar com uma fé estagnada, inerte ou limitada, mas buscar constantemente o crescimento espiritual. Isso significa aprofundar nosso relacionamento com D-us, expandindo nossa compreensão e vivência dos ensinamentos do Senhor. Não se trata de uma fé que cresce apenas em conhecimento teórico, mas em experiência viva com D-us. Uma fé que nos leva a confiar mais, a servir mais e a amar mais. Assim como o grão de mostarda se espalha e influencia seu ambiente, nossa fé deve impactar o mundo ao nosso redor.

Pureza e Genuinidade da Fé

A terceira e mais surpreendente característica do grão de mostarda é sua pureza. É a única semente no mundo que não é híbrida; ela não se mistura com outras sementes. Esse aspecto destaca a necessidade de termos uma fé genuína e íntegra. Yeshua nos chama a manter nossa fé sem contaminação, sem ser misturada com doutrinas errôneas ou práticas inconsistentes com os ensinamentos bíblicos. Nossa fé deve ser autêntica, refletindo total confiança em D-us e uma adesão fiel aos Seus mandamentos. Num mundo onde tantas influências tentam nos afastar do verdadeiro evangelho, é essencial que cultivemos uma fé pura. Isso significa examinar constantemente nossas crenças, alinhar nossa vida à Palavra de D-us e evitar os modismos espirituais que nos afastam da simplicidade do evangelho.

O Desafio Prático da Fé

Compreender o que Yeshua realmente quis dizer ao comparar nossa fé a um grão de mostarda nos coloca diante de um grande desafio:

  1. Cultivar uma fé resiliente – Precisamos reforçar constantemente nossa confiança em D-us e Sua palavra, mesmo quando enfrentamos provas intensas.
  2. Buscar um crescimento contínuo – Nossa vida espiritual deve ser marcada por progresso e fortalecimento. Isso significa nos aproximarmos de D-us por meio da oração, do estudo da Bíblia e da comunhão com outros seguidores de Yeshua. Uma fé que cresce não apenas transforma nossa vida, mas também impacta aqueles ao nosso redor.
  3. Manter a pureza da fé – Em um mundo repleto de diferentes ideologias e crenças, preservar a integridade da nossa fé é essencial. Devemos estar atentos às influências que permitimos em nossas vidas, garantindo que nossa fé permaneça verdadeira e inabalável.

A metáfora do grão de mostarda é um chamado para uma fé de qualidade excepcional. Yeshua nos desafia a desenvolver uma fé resistente, em crescimento e pura. Esses aspectos são fundamentais para uma vida vibrante e eficaz no Reino de D-us. Ao aceitar esse desafio, nos tornamos mais próximos do que D-us deseja que sejamos e mais capazes de realizar Sua vontade em nossa vida, trazendo o Reino dos Céus para a Terra. Que possamos, a cada dia, buscar essa fé que, embora pequena em seu início, se transforma em algo grandioso e poderoso, capaz de mover montanhas.

Adivalter Sfalsin

A metáfora do camelo passando pelo buraco da agulha nos ensina sobre a importância da humildade e da renúncia ao excesso de apego material para alcançarmos a vida espiritual plena. Devemos seguir o exemplo do camelo, desapegar-nos do supérfluo e nos curvar diante da grandiosidade divina, lembrando que a verdadeira riqueza está na humildade e na obediência a D-us, não nas posses materiais.

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 8: “Camelo pelo fundo de uma agulha”

A metáfora do camelo passando pelo buraco da agulha nos ensina sobre a importância da humildade e da renúncia ao excesso de apego material para alcançarmos a vida espiritual plena. Devemos seguir o exemplo do camelo, desapegar-nos do supérfluo e nos curvar diante da grandiosidade divina, lembrando que a verdadeira riqueza está na humildade e na obediência a D-us, não nas posses materiais.
“Camelo pelo fundo de uma agulha”

As palavras de Jesus em Mateus 19:23-24:

“Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de D-us.” Muitas vezes são interpretadas de forma literal constatando o tamanho enorme de um camelo e o pequeno furo de uma agulha, concluindo que é impossível o camelo representado pelo rico entrar no reino do céus. No entanto, essa interpretação superficial ignora o contexto cultural e histórico rico em que essa frase foi dita, levando a uma compreensão distorcida da mensagem de Jesus. A mensagem na verdade aborda o tema da humildade e submissão a D-us.

O fundo da agulha que Jesus estava se referindo era aos portões das cidades. Nos tempos antigos, esses portões tinham duas grandes portas me uma das portas havia um buraco chamado “buraco da agulha”, destinada apenas à passagem de pedestres quando os portões grandes estavam fechados. Fazer um camelo passar pelo buraco da agulha exigiria que o animal deixasse sua carga e dobrasse suas patas e pescoço, uma tarefa árdua que muitas vezes deixava arranhões. 

O ensinamento de Jesus não era impossível para os ricos entrarem no reino de céus, mas sim um lembrete de que todos, ricos ou pobres, precisariam largar seus fardos, dobrar seus pescoços em obediência, ajoelhar-se diante de D-us e reconhecê-Lo como o caminho para a salvação. A entrada para o reino de D-us é estreita e requer humildade e obediência para se submeter à vontade Divina. Assim, é importante compreender que a riqueza ou a pobreza não são os fatores determinantes para a salvação, mas sim a disposição de cada indivíduo em seguir os ensinamentos de D-us.

A metáfora do camelo passando pelo buraco da agulha nos convida a uma profunda reflexão sobre a importância da humildade e da renúncia ao apego às coisas materiais no caminho da salvação. Ao dizer que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus, Jesus nos mostra que a verdadeira riqueza está na simplicidade e na entrega a D-us, não nas posses materiais.

Assim como o camelo precisa se despojar de sua carga e se curvar humildemente para passar pelo estreito buraco da agulha, somos chamados a nos desapegar de nossas próprias “cargas” – seja o orgulho, a ganância, a vaidade ou qualquer forma de apego excessivo aos bens materiais – e nos submeter com humildade e obediência à vontade divina.

É importante lembrar que não se trata de abandonar completamente os bens materiais, mas de colocá-los em seu devido lugar, compreendendo que são recursos a serem usados com sabedoria em serviço aos outros e para a glória de D-us. A humildade nos convida a reconhecer que somos simples instrumentos nas mãos de D-us, e a renúncia ao excesso de apego material nos liberta para uma vida mais plena de significado e propósito.

Portanto, ao refletir sobre a lição do camelo e do buraco da agulha, somos desafiados a cultivar a humildade, a simplicidade e a generosidade em nosso caminho espiritual, para que possamos estar mais abertos à graça divina e ao verdadeiro tesouro que está no Reino dos céus. É ao nos desapegarmos do que é efêmero e nos voltarmos para o que é eterno que nos aproximamos da plenitude da vida espiritual e da comunhão com D-us. Que possamos seguir o exemplo do camelo, despojando-nos do supérfluo e nos curvando com sinceridade diante da grandiosidade divina.

A entrada para o reino de D-us não está aberta aos soberbos e aos que se prendem às riquezas terrenas, mas sim àqueles que, como o camelo que se submete ao desconforto e à renúncia, estão dispostos a seguir o caminho da humildade e da entrega total à vontade Divina. Portanto, lembremo-nos sempre de que a verdadeira riqueza está na humildade de coração e na obediência a D-us, não nas posses materiais que eventualmente nos separam Dele.

Autor: Adivalter Sfalsin

Marta e Maria em seu contexto.

Antes de qualquer interpretação bíblica precisamos entender o seu contexto geográfico, linguístico, cultural e espiritual, só assim estaremos aptos em adaptar a passagem ao nossos dias e consequentemente as nossas vidas.

Primeiramente, é do interesse do leitor notar que o texto que temos em mãos passou por varias transformações que se forem ignoradas poderão resultar numa interpretação equivocada.  Ressalto algumas dessas considerações:

1- Contexto histórico: Antes de Mateus, Marcos e Lucas seus livros a maior parte das histórias originais estavam separadas por tópicos, essa é a conclusão que o linguista e pesquisador Robert L. Lindsey [1917-1995] chegou após anos de dedicação ao estudos dos evangelhos sinópticos. Esse pequeno relato de Marta e Maria fazia parte de um texto bem maior, com ao passar dos anos ficou disperso entre os 3 evangelhos. Lindsey usando técnicas linguisticas e temáticas põe o texto de Marta e Maria dentro do seu context original encontrados em  Lucas 10:38-42, Mateus 6:25-34 = (Lucas 12:22-31) Lucas 12:16-20 e Lucas 16:19:31.

Lucas 10:38-42

38 E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;

39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

40 Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.

41 E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa (preocupada) e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;

42 E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

Mateus 6:25-34

25 Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos (preocupado) quanto à vossa vida (alma), pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida (alma) mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?

26 Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

27 E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados (preocupação), acrescentar um côvado à sua estatura?

28 E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;

29 E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.

30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?

31 Não andeis, pois, inquietos (preocupados), dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?

32 Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;

33 Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

34 Não vos inquieteis (preocupados), pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Lucas 12:16-20 e  Lucas 16:19-31

2- Contexto Cultural: Os rabinos do primeiro século viajavam de cidade em cidade ensinando a Lei de Moises (Torá e os livros proféticos), essas viagens poderiam durar alguns dias ou até meses. Jesus, um rabino típico do primeiro século ensinava de povoado em povoado e se hospedava na casas dos seus seguidores/discípulos contando com a bondade e hospitalidade dos mesmos, a lei de Moises proibia o recebimento de dinheiro ou pagamento pelo ensino da escrituras (Torá e os profetas). Os ensinamentos eram esporádicos e propositalmente relacionados com atividades do dia a dia dos seus ouvintes. 

3- Método de ensino: A forma mais usada e eficaz de ensino no primeiro século era o uso de parabolas em pares, razão desse uso se acha na Torá, Deuteronômio 19:15 “Uma só testemunha contra alguém não se levantará por qualquer iniqüidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o fato.” Se tornou pratica de ensinar alguma ideia divina com uso de 2 parabolas para enfatizar a ideia. Assim como no caso de José do Egito, ele teve 2 sonhos paralelos para confirma a sua veracidade. 

4- Problemas na tradução: Consideremos que os sinópticos originais foram escritos em Hebraico e não Grego, como comumente aceito pela maioria. Existem evidencias irrefutáveis que comprovam o caso.Vou explorar esse tema em outra postagem.

5- Visão Grego/Romana vs Visão Hebraica. Na nossa cultura altamente influenciada pela lógica e visão grego/romana temos a tendencia de ler o texto bíblico com nossos óculos culturais grego/romano. A visão grego/romana sustenta a ideia do dualismo, onde tudo que é espiritual é bom e tudo que é material é mau. Se escolho A, automaticamente excluo B.

Se quiser saber mais, leio meu artigo https://raizeshebraicas.com/2013/10/12/mente-hebraica-x-grego-romana-integra/  

Considerando esses aspectos essenciais para uma interpretação saudável, vamos lá: 

V 38 E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;  

Apesar de o texto em Lucas não mencionar o local preciso, sabemos que isso ocorreu em Betânia de acordo com João 12:1. 

Ao viajar de povoado a povoado Jesus fazia paradas para repousar durante a noite que normalmente durava alguns dias. As viagens no oriente medio eram cheias de perigos, assaltantes, feras do campo e também era muito cansativa. As temperaturas poderiam chegar aos 45-50 graus durante o verão e abaixo de zero no inverno, o que adicionava ao desconforto de uma viajem a pé. 

V 39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

Aqui existe uma omissão ou má tradução que muda nosso entendimento da passagem, a palavra “a qual” deveriam ser traduzida por “também”, que quer dizer que tanto Marta como Maria estavam sentadas aos pés de Jesus para aprender.

“Sentar-se aos pés” é simplesmente uma expressão que quer dizer “aprender do mestre” Paulo em atos 22:3 usa essa expressão para identificar seu mestre “Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de Deus, como todos vós hoje sois.”

Isso é uma reminiscência do ditado judaico no m. ʻAbot 1: 4: “Que a tua casa seja uma casa de reunião para os Sábios (rabinos/metres) e sente-se no meio do pó dos seus pés e beba as suas palavras com sede”.

V-40: Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. 

Maria está se esquivando de suas responsabilidades de ajudar a irmã? Na cultura de Jesus, deveres domésticos eram considerado parte da responsabilidade somente das mulheres. Aprender a Torá (escrituras) era desaprovado. Tenho certeza de que os discípulos de Jesus esperariam que Ele ficasse do lado de Marta aqui e dissesse algo como: “Maria, sua irmã tem muito para fazer. Por que você não se levanta e a ajuda? Seria ótimo”. Mas ele surpreende todos com sua resposta.

Por que Jesus diz coisas tão absurdas? Porque Ele está ensinando. Ele está deixando uma impressão indelével e memorável na mente de Seus discípulos. Seus seguidores foram educados para considerar as responsabilidades de alguém para com a família como preeminentes. Jesus exalta a escolha de Maria mas não repreende Marta pela escolha que fez, afinal todos temos chamados distintos.

V-41 E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;

Em Lucas 10:5-6 Jesus prescreve hospitalidade para discípulos viajantes.  “E em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.”

Parece contraditório que Jesus não recebesse bem a diaconia (diakonia = serviço em Grego) de Marta. Em João 12:2 Marta é exaltada pelo serviço prestado “Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.”

Em João 12:26 Jesus ensina a importância do serviço aos outros e ao Senhor,  “Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará.” 

Toda sua vida se resumia ao serviço aos outros, Ele com frequência se mostrava como um servo. Vemos isso em Lucas 22:27 “Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve.”

Lendo esses textos acima fica difícil de acreditar que Jesus por algum momento diminuiu os esforços de Marta. O serviço de Marta não é avaliado negativamente em nenhum outro texto Lucas. Essa história poderia realmente ser sobre zelo exagerado Martha? 

V-42 E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. 

Jesus responde a Marta: “Maria escolheu Grego – agatha (boa parte)”. Esta palavra não precisa ser traduzida como “melhor ou excelente”. Pode significar simplesmente “bem”. Jesus está dizendo que Maria escolheu o “bem” e não vai tirar Maria de sua atividade para voltar ao povoado para ajudar Marta. Neste momento, Jesus só confirma a validade da escolha de Maria.

Vale a pena notar que era culturalmente reprovável uma mulher “sentar aos pés do rabino” e aprender direto de um rabino. Normalmente o rabino ensinava ao esposo e o mesmo ensinava a mulher. Como Jesus quebrou muitas barreiras culturais, essa oportunidade de aprender diretamente do rabino foi imperdível para Maria que com essa ação quebrou muitas barreiras culturais. 

Para o Judeu do primeiro século o fato de Jesus ter dito “Maria escolheu a boa parte” não exclui o bom trabalho de Marta, não existe tensão na sua afirmação. Visão Hebraica. Entretanto nossa visão Grego/Romana não deixar espaço para a tensão, a mentalidade Grego/Romana eleva a dualidade, exemplo preto ou branco, material ou espiritual etc.. Já a mente Hebraica vive muito bem com o holismo, pode não ser preto ou branco mas sim cinza, não é nem material nem espiritual mas sim um conjunto dos dois e ambos podem ser bons ou ruins dependendo de como se aplica. 

Jesus reconhece o trabalho valioso de Marta e a escolha de Maria, sem excluir ninguém. Esse episódio não foi isolado, provavelmente Jesus ficou por alguns dias na casa de Marta e Maria. Possivelmente Maria teve a oportunidade de servir assim com Marta.

Portanto Jesus afirmou a posição, chamado, missão de Marta assim como também afirmou a posição, chamado e missão de Maria. Reconhecendo que as pessoas são diferentes, tem personalidades diferentes e chamados distintos mas todos são uteis em sua capacidade no reino. Imagine se todos fossem chamados ao ministério de ensinar, ninguém ao ministério de servir? Seria impossível de alcançar algo concreto.

Contexto do Livro:

O Evangelho de Lucas foi escrito pelo Dr. Lucas, um gentio e o único autor bíblico que não é judeu. Embora ele não fosse um apóstolo original, Lucas era um associado próximo do Apóstolo Paulo, então o Evangelho de Lucas e o Livro de Atos que ele também escreveu, sempre foram considerados “apostólicos” pela Igreja; “Apostólico” significa “dos Apóstolos” – o fato de que uma obra foi escrita por um apóstolo ou (como no caso dos Evangelhos de Marcos, Lucas e Atos) por alguém muito próximo tanto no tempo quanto no relacionamento com um apóstolo, autenticado o trabalho e foi importante em sua colocação final como escritura sagrada.

Lucas era um homem erudito – um médico – e ele era um historiador e escritor – então, podemos esperar que a escrita de Lucas seja cheia de significado e se mantenha unida e não simplesmente seja uma cadeia ou coleção de declarações desconexas. O publico de Lucas foram os gregos, incluindo judeus e gentios helenizados, que esperavam e apreciavam esse tipo de pensamento e escrita sistemáticas. Eles não estavam interessados ​​em ler versos isolados ou passagens curtas; seu lema não era “apenas me dê os fatos. Eles gostavam de ler e considerar obras inteiras para ver como as proposições e a história se mantinham juntas e para captar mensagens e temas gerais.

 

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 10: “Ide, e dizei àquela raposa…”

“Naquele mesmo dia, chegaram uns fariseus, dizendo-lhe: ‘Sai e retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te.’ E respondeu-lhes: ‘Ide, e dizei àquela raposa: Eis que eu expulso demônios e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado.'” (Lucas 13:31-32)

Nessa passagem bíblica, Yeshua (Jesus) está sendo advertido pelos fariseus sobre a perseguição que Herodes Antipas havia lançado contra Ele. Então, Yeshua (Jesus) responde: “Ide, e dizei àquela raposa.” Mas o que Yeshua quis dizer com “dizei àquela raposa”?

Lembro-me dos meus anos de menino, quando me contavam histórias em que a raposa era apresentada como um animal sagaz, inteligente e astuto. Talvez essa seja a imagem que temos ao ler essa passagem bíblica. No entanto, vamos tentar colocá-la em seu contexto original no mundo hebraico/grego.

Conforme os estudos de David Bivin, “a metáfora ‘raposa’ provou ter um significado dúbio para falantes de línguas europeias. Muitos especialistas do Novo Testamento seguiram o sentido claro e amplamente conhecido da palavra grega sem primeiro fazer uma pergunta importante: ‘Como a palavra ‘raposa’ era usada pelos judeus?’ A resposta revela uma diferença no uso do hebraico e do grego, e deve servir como um lembrete de que sempre se deve interpretar as metáforas dentro do ambiente cultural adequado.”

No grego, a palavra raposa é “alōpēx”, associada à esperteza e ligeireza em ataques noturnos a outros animais, além de seu oportunismo em roubar presas já mortas por animais mais fortes. Portanto, os gregos associavam essas características a pessoas oportunistas, inteligentes e astutas.

Entretanto, a palavra raposa no hebraico é “שׁוּעָל” (shū’āl), que tem um significado muito mais amplo. Vejamos o uso mais abrangente nos escritos dessa época:

  1. Como astúcia: Na Midrash R. Eleazar ben R. Shim’on [final do segundo século d.C.], disse: “Os egípcios eram astutos e é por isso que as Escrituras os comparam a raposas.” (Cântico dos Cânticos 2:15).
  2. Como ardilosa: No comentário babilônico do Talmud (Berachot 61b), o Rabi Akiva contou uma parábola:
    “Uma raposa estava caminhando ao longo de um rio e viu peixes correndo para lá e para cá. Ela disse: ‘Do que vocês estão fugindo?’
    Disseram-lhe: ‘As redes que os humanos espalham para nós.’ Ela disse: ‘Por que vocês não vêm para a terra firme? Vamos viver juntos, como meus ancestrais viveram com seus ancestrais.’ Disseram-lhe: ‘És tu aquele de quem se diz que és o mais sábio dos animais? Você não é sábio, mas tolo! Se, em nosso ambiente de vida, temos motivos para ter medo, quanto mais no ambiente de nossa morte!’”
  3. Como pretensão: No hebraico, o significado mais abrangente é extraído do contraste que os judeus faziam entre o leão e a raposa. Um homem com poder e maior excelência intelectual era comparado ao leão, enquanto um homem com menor excelência era associado à raposa. Aqueles que tinham a pretensão de ser algo que não eram, eram associados às raposas. O leão tem uma juba grande e pomposa; a raposa, por sua vez, é um animal esquelético, mas com um pelo grande e pomposo, aparentando ser grande e importante, mas sem consistência alguma.
  4. Com conotação moral: O Rabino Mathia ben Harash disse: “Seja a cauda dos leões, e não a cabeça das raposas.” (Mishná Pirkei Avot 4:15). Isso propõe a ideia de que é melhor ser alguém de baixa posição, mas com uma vida moral e espiritual correta, do que estar entre aqueles de posições superiores e poderosos, mas vivendo uma vida degradada e corrompida.

Resumindo, o grego associa a raposa com astúcia e esperteza, enquanto o hebraico é mais abrangente, adicionando pretensão e conotação moral. O texto, ao ser traduzido para nossa língua, perdeu parte vital de seu significado, incluindo a verdadeira dinâmica da repreensão de Yeshua (Jesus), implicitamente dando um falso significado positivo à sua resposta, exatamente o inverso da intenção do Mestre.

Yeshua (Jesus) chamou Herodes de raposa depois que alguns fariseus relataram que Herodes queria matá-lo. A resposta de Jesus desafiou os planos de Herodes: “Diga a Herodes que primeiro tenho que trabalhar.” Mostrando aqui que Ele tinha o poder, e não Herodes; “dizei àquela raposa…”

Herodes se considerava um leão poderoso, mas Yeshua (Jesus) o rotulou de raposa, dando a entender que Herodes não era genuíno, verdadeiro e legítimo. Ele o comparou a uma raposa que, apesar de ardilosa, está moralmente corrompida, é pomposa e, acima de tudo, pretensiosa, sendo, na verdade, uma fraude.

Para entendermos as palavras de Yeshua (Jesus), devemos compreender quem era Herodes Antipas. Ele era filho de Herodes, o Grande, com Malthace (Samaritana), e neto de Antípatro, do povo idumeu ou edomita, descendentes diretos de Esaú, filho de Isaac e Rebeca, irmão gêmeo de Jacó. Antípatro se converteu ao judaísmo, e Herodes e seu filho Herodes Antipas se autointitulavam reis dos judeus por causa da herança de seus antepassados até Esaú, aquele que vendeu a primogenitura para seu irmão Jacó, mas nunca aceitou ter perdido. Na verdade, o trono de Davi tinha sido prometido por Deus para a linhagem de Jacó. Herodes Antipas se tornou um usurpador do trono, e o povo judeu não o aceitava como líder, muito menos como rei.

Yeshua, ao chamá-lo de raposa, estava se referindo a vários aspectos do poder usurpado e do caráter de Antipas. Antes de tudo, ele era ilegítimo e inapto para o cargo que ocupava. Como a imagem do rei era associada ao leão, ao rotulá-lo de raposa, Yeshua estava insinuando que Herodes era um pomposo pretensioso que só tinha poder por usurpação, um impostor. Assim como a raposa é pomposa, cheia de pelo no exterior, mas, na verdade, é um animal esquelético.

Yeshua (Jesus), o legítimo sucessor ao trono pela linhagem de Davi (Lucas 1:32), mostra sua autoridade ao responder e desafiar os planos de Antipas: “Diga a Herodes que primeiro tenho que trabalhar.” Jesus não estava insinuando que Herodes era astuto; ao contrário, Ele estava comentando sobre a inaptidão ou incapacidade de Herodes em cumprir sua ameaça. Todo o poder que ele tinha, só o tinha porque Deus havia permitido. Jesus questiona a linhagem, a estatura moral e a liderança do tetrarca, colocando-o “em seu lugar”. Isso se encaixa exatamente no quarto uso rabínico de “raposa” – conotação moral.

Vemos aqui a importância de entender o texto dentro de seu contexto cultural, histórico e linguístico. Caso contrário, corremos o risco de entender a passagem bíblica de forma errada, onde o texto, sem seu contexto, se torna um pretexto.

Autor:
Adivalter Sfalsin

[1a] David N. Bivin é um estudioso bíblico israelense-americano, membro da Escola de Pesquisa Sinótica de Jerusalém. Seu papel na Escola de Jerusalém envolve a publicação do jornal Jerusalem Perspective (Online) e a organização de seminários. Bivin é membro da Escola de Pesquisa Sinótica de Jerusalém, um grupo formado por acadêmicos judeus e cristãos dedicado a melhor compreender os Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas).

[1b] Retirado do artigo: That Small-fry Herod Antipas, or When a Fox Is Not a Fox, no site http://www.jerusalemperspective.com

[2] A Mishná, (em hebraico משנה, “repetição”, do verbo שנה, ”shanah, “estudar e revisar”) é uma das principais obras do judaísmo rabínico, e a primeira grande redação na forma escrita da tradição oral judaica, chamada a Torá Oral.

[3] Antípatro era um Idumeu, que prosperou na corte dos últimos soberanos hasmoneus, passou a governar a Judeia após a ocupação romana e foi o pai de Herodes, o Grande. Foi posto por Pompeu como procurador da Palestina em 67 a.C.

[4] Edom, em hebraico, quer dizer “vermelho” porque Esaú tinha a cor avermelhada.