As Surpreendentes Origens do Natal: Uma Mistura de Tradições Pagãs e Cristãs

Enquanto cristãos ao redor do mundo se reúnem a cada 25 de dezembro para celebrar o nascimento de Jesus, o Messias, é natural refletir sobre as raízes dessa festa tão querida. Para muitos, o Natal é um tempo de alegria, família e fé, mas a história por trás de sua data e tradições é uma mistura fascinante de costumes pagãos, decisões históricas e simbolismo teológico. Compreender essas origens não apenas aprofunda nossa apreciação pelo Natal, mas também abre oportunidades para compartilhar seu significado mais profundo com os outros.

A celebração do Natal em 25 de dezembro não era originalmente uma tradição cristã. Na verdade, a data está intimamente ligada a vários festivais pagãos que antecedem o Cristianismo. Os antigos romanos celebravam a Saturnália em meados de dezembro, um festival em honra a Saturno, o deus da agricultura. A Saturnália era marcada por banquetes, troca de presentes e festividades — práticas que espelham os costumes modernos do Natal. Da mesma forma, o Dies Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol Invicto) era observado em 25 de dezembro para celebrar o deus-sol Sol Invictus, marcando o retorno dos dias mais longos após o solstício de inverno.

No norte da Europa, o Yule era um festival de meio de inverno entre as tribos nórdicas e germânicas. Tradições como acender troncos de Yule, decorar com plantas perenes e realizar banquetes celebravam o renascimento do sol. Muitas dessas práticas — como o uso de decorações verdes e reuniões festivas — foram incorporadas às celebrações de Natal à medida que o Cristianismo se espalhava.

A escolha do dia 25 de dezembro para o Natal provavelmente foi influenciada por esses festivais pagãos pré-cristãos. Os primeiros cristãos buscaram reformular essas tradições populares dentro de um contexto cristão. Ao alinhar a celebração do nascimento de Jesus com os costumes pagãos existentes, eles visavam facilitar a conversão dos pagãos ao Cristianismo. Essa estratégia ajudou a espalhar a fé enquanto dava novos significados, centrados em Cristo, às práticas culturais de longa data.

O reconhecimento formal do dia 25 de dezembro como data do nascimento de Jesus ocorreu em 336 d.C., durante o reinado do imperador romano Constantino, o primeiro imperador supostamente cristão. Isso marcou a primeira celebração registrada do Natal nessa data no Império Romano. Embora algumas comunidades cristãs continuassem a observar o nascimento de Jesus em outras datas, como 6 de janeiro (Epifania), a observância de 25 de dezembro gradualmente se tornou o padrão na Igreja Ocidental. Com o tempo, o Natal incorporou muitas tradições culturais, misturando-as com a teologia cristã para criar a festa que conhecemos hoje.

Quando olhamos para a Bíblia em busca de respostas sobre o nascimento de Jesus, torna-se claro que o dia 25 de dezembro é improvável como data real. Os Evangelhos de Mateus e Lucas, os relatos principais do nascimento de Jesus, não especificam uma data ou estação. No entanto, eles fornecem pistas que sugerem um período diferente.

Em Lucas 2:8, lemos:

“E havia pastores que estavam no campo, cuidando de seus rebanhos durante a noite.”

Esse detalhe aponta para a época de nascimento dos cordeiros em Israel antigo, que ocorre na primavera, por volta de março ou abril. Durante esse período, os pastores ficavam com seus rebanhos nos campos abertos durante a noite para cuidar dos cordeiros recém-nascidos. Essa prática seria impraticável durante os meses quentes do verão (junho a agosto) ou os frios e chuvosos do inverno (dezembro a fevereiro), quando as ovelhas eram geralmente abrigadas.

Essa pista sazonal, combinada com outras evidências históricas e astronômicas, leva muitos estudiosos a propor que Jesus provavelmente nasceu na primavera. Por exemplo, a Estrela de Belém, mencionada em Mateus 2, foi associada por alguns astrônomos a eventos celestes que ocorreram por volta de 7-6 a.C., reforçando um período fora do inverno, embora outros estudos apontem para 4-3 a.C.

Por que celebrar em 25 de dezembro? A escolha de 25 de dezembro para celebrar o nascimento de Jesus, apesar de sua improbabilidade como data real, carrega significados simbólicos e estratégicos significativos. Ao alinhar o feriado com a Saturnália, Dies Natalis Solis Invicti e outras celebrações do solstício de inverno, os primeiros cristãos enfatizaram Jesus como a “Luz do Mundo”, conquistando as trevas do pecado. Essa associação ressoou com os temas desses festivais preexistentes, tornando a transição para o Cristianismo mais suave para os convertidos.

Além disso, a adoção gradual de 25 de dezembro permitiu que a Igreja unificasse as comunidades cristãs em torno de uma celebração comum. À medida que o Cristianismo se espalhava pelo Império Romano e além, essa data compartilhada ajudava a padronizar práticas e aprofundar o senso de fé coletiva.

Embora o Jesus histórico provavelmente tenha nascido na primavera, celebrar Seu nascimento em 25 de dezembro oferece oportunidades únicas para os cristãos hoje. Essa data, repleta de significados cristãos e culturais, fornece uma plataforma para compartilhar a mensagem do amor de Deus e a história da salvação com um mundo que, de outra forma, poderia não estar ciente de suas raízes espirituais.

Por exemplo, o simbolismo da luz durante o período mais escuro do ano ressoa profundamente com a experiência humana. Enquanto as famílias acendem velas, decoram árvores e trocam presentes, os cristãos podem usar esses momentos para refletir sobre o maior presente de todos — Jesus, o Messias, cuja vinda trouxe esperança e redenção à humanidade.

O Natal é uma estação linda, cheia de oportunidades para refletir sobre o amor de Deus e compartilhar a mensagem do evangelho. Embora o dia 25 de dezembro seja improvável como a data real do nascimento de Jesus, seu significado como um momento para celebrar Sua vinda permanece inalterado. Reconhecer as origens pagãs e o contexto histórico do feriado enriquece nossa compreensão e abre portas para conversas significativas sobre a fé. Ao celebrar esta estação, que ela seja um lembrete da verdadeira Luz que veio ao mundo — não limitada por datas ou tradições, mas brilhando em cada coração que O recebe. Ao entender o passado, podemos abraçar o presente com propósito, aproveitando ao máximo cada oportunidade para compartilhar a esperança e a alegria de Jesus, o Messias.

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Vítima ou Protagonista?

A Armadilha da  vitimização e o Poder da Responsabilidade Pessoal

Em Isaías 46:10, lemos que D-us anuncia o fim desde o princípio: “Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam…” Este versículo nos lembra uma verdade profunda: as lutas e triunfos da vida estão entrelaçados na história humana desde o início, mostrando que nada é verdadeiramente novo sob o sol. A narrativa da Bíblia, começando com Gênesis, revela tanto as forças quanto as fraquezas da humanidade—entre elas, a tendência tão comum de transferir a culpa.

Adão e Eva, quando confrontados com sua desobediência, apontaram dedos. Adão disse: “Foi a mulher que me deste.” Eva respondeu: “A serpente me enganou.” Nenhum dos dois assumiu a responsabilidade por suas ações. Este padrão, infelizmente, foi passado para a próxima geração. Seu filho, Caim, perpetuou esse traço ao se recusar a assumir a responsabilidade por suas próprias falhas quando sua oferta foi rejeitada. Essa tendência de culpar os outros é tão antiga quanto a humanidade e ela continua viva em nossos dias. Em vez de olhar para dentro e buscar soluções, muitos continuam a olhar para fora em busca de culpados. No entanto, a pergunta que molda nossa trajetória não é “Por que eu?”—mas sim “E agora, o que posso fazer?”

Uma das histórias mais marcantes sobre os perigos da mentalidade de vítima é a de Caim e Abel. Em Gênesis, ambos os irmãos oferecem sacrifícios a D-us. Abel oferece o melhor do que tem, com sinceridade e humildade, e sua oferta é aceita. Caim, por outro lado, oferece algo de maneira negligente e sem dedicação, e sua oferta é rejeitada. Em vez de refletir sobre como poderia melhorar, Caim arde de raiva e inveja, sentindo-se injustiçado. D-us fala diretamente com ele, dando-lhe a oportunidade de mudar:

“Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo” (Gênesis 4:7).

Esse foi o momento de escolha de Caim: ele poderia assumir a responsabilidade por suas ações e se esforçar para melhorar, ou poderia deixar o ressentimento consumi-lo. Tragicamente, Caim escolheu a segunda opção. Incapaz de enfrentar suas próprias falhas, ele direcionou sua raiva para Abel, matando seu irmão em um ato de violência sem sentido. A queda de Caim não foi causada pelo sucesso de Abel; foi causada pela recusa de Caim em assumir a responsabilidade. Essa história antiga serve como um alerta claro sobre o poder destrutivo da mentalidade de vítima. Ela nos cega para o crescimento pessoal, alimenta o ressentimento e nos rouba o poder de mudar. 

Esse traço humano, fruto de nossa natureza caída, é frequentemente explorado por políticos para dividir e manipular. Valendo-se de sentimentos de vitimização, fomentam conflitos e perpetuam a ideia de que certos grupos são os únicos responsáveis pelos problemas de outros, enfraquecendo o senso de responsabilidade individual e ameaçando a coesão social. Embora a mentalidade de vítima ofereça conforto momentâneo, a longo prazo, ela paralisa o progresso pessoal e coletivo. Líderes oportunistas utilizam essa mentalidade para consolidar poder, desviando o foco de soluções reais e reforçando ciclos de vitimização que servem apenas aos seus interesses, dificultando a construção de uma sociedade mais justa e unida.

Aqui estão os principais motivos pelos quais a mentalidade de vítima é tão perigosa:

1. Ela Tira o Seu Poder

Quando você culpa os outros por suas dificuldades, entrega seu poder de mudar as circunstâncias. Se tudo é culpa de outra pessoa, o que você pode fazer? Nada. A responsabilidade pessoal devolve seu poder de agir, melhorar e superar.

2. Ela Gera Ressentimento

A mentalidade de vítima vê o sucesso com desconfiança, alimentando a inveja em vez da ambição. Esse ressentimento leva a um ciclo destrutivo em que as pessoas destroem os outros em vez de construir algo por si mesmas.

3. Ela Nega Possibilidades

A história está cheia de exemplos de pessoas que superaram enormes dificuldades para alcançar a grandeza. A mentalidade de vítima nega essas possibilidades, prendendo as pessoas às suas circunstâncias.

4. Ela Divide Comunidades

Sociedades prosperam por meio da cooperação e do progresso coletivo. No entanto, a mentalidade de vítima mina essa harmonia ao colocar grupos em conflito, fomentando divisões e concentrando-se na culpa em vez de buscar soluções. Essa dinâmica se agrava quando a vitimização é instrumentalizada politicamente, transformando diferenças em armas, alimentando ressentimentos e desviando a atenção do que realmente importa: unir esforços para construir um futuro melhor para todos.

Em qualquer comunidades, existem dois tipos de pessoas: construtores e acusadores.

• Construtores assumem a responsabilidade por suas ações e veem os obstáculos como oportunidades. Eles enfrentam desafios de frente e perguntam: “O que posso fazer para melhorar isso?”

• Acusadores enxergam o mundo como injusto e se concentram no que os outros fizeram de errado. Eles veem o sucesso com desconfiança e gastam sua energia destruindo em vez de construir.

A diferença entre esses dois grupos não está nas circunstâncias; está na mentalidade. Temos uma obrigação moral de reconhecer nossa responsabilidade pessoal, o que não significa ignorar os desafios reais. Muitas pessoas enfrentam dificuldades além de seu controle—pobreza, doenças, barreiras sistêmicas. No entanto, a responsabilidade pessoal significa recusar-se a permitir que essas lutas definam você. Você não pode controlar onde começa na vida, mas pode controlar para onde vai. Você não pode evitar completamente o fracasso, mas pode escolher aprender com ele. Você não pode garantir o sucesso, mas pode tomar medidas para torná-lo mais provável. A responsabilidade não é apenas uma virtude pessoal; é uma obrigação moral. Quando indivíduos assumem a responsabilidade por suas ações, não apenas melhoram suas próprias vidas, mas também contribuem para o bem-estar de suas famílias, comunidades e da sociedade como um todo.

A vida não é justa, e as circunstâncias que te envolvem podem não ser as ideais. Mas, como a história de Caim e Abel nos lembra, a escolha de assumir a responsabilidade é sempre sua. Você pode ceder ao ressentimento e à culpa ou pode agir e crescer. A mentalidade de vítima é uma armadilha—ela nos cega para as possibilidades, alimenta o ressentimento e divide comunidades.

A responsabilidade, por outro lado, é um caminho para o crescimento. Ela lhe dá o poder de moldar seu futuro e inspira os outros a fazerem o mesmo. O sucesso não é um pecado; é um farol de esperança. É um lembrete do que é possível quando escolhemos a responsabilidade em vez do ressentimento.

Então, pergunte a si mesmo:

• Você é um construtor ou um acusador?

• Você assumirá a responsabilidade ou permitirá que o “pecado esteja à porta”?

A escolha é sua—e é a decisão mais importante que você tomará.

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Confiança que Transforma

Um Chamado à Obediência Motivada pelo Amor

“Sou Teu servo; dá-me entendimento para que eu conheça os Teus testemunhos” (Salmos 119:125).

Este versículo revela uma verdade profunda sobre a fé e a obediência: a tensão entre nosso desejo natural de entender e o chamado divino para confiar. Como seres humanos, ansiamos por respostas, clareza e garantias fundamentadas na lógica. No entanto, a vida de fé frequentemente nos convida a abrir mão dessa necessidade e abraçar uma motivação que transcende o entendimento—uma obediência motivada pelo amor.

Pense nisso: quando D-us pede algo de você, qual é a sua primeira reação? Você busca entender o “porquê” ou escolhe confiar e obedecer? Essa pergunta pode causar desconforto, mas tem como objetivo nos desafiar e inspirar crescimento. O chamado de D-us à obediência não é uma demanda arbitrária de submissão ou fé cega; é um convite para aprofundar sua confiança n’Ele. É um pedido para permitir que o amor e a reverência—não apenas a lógica—moldem sua resposta, mesmo quando Seus mandamentos parecem misteriosos ou difíceis de compreender.

O Salmo 119 nos apresenta três palavras hebraicas profundamente conectadas que revelam a riqueza dos mandamentos Divinos: mandamentos (mitzvot), testemunhos (edot) e estatutos (chukim). Essa perspectiva nos ajuda a enxergar a obediência em sua totalidade multifacetada. A vontade de D-us toca todas as partes de nosso ser: Seus mandamentos apelam à razão, Seus testemunhos à memória e à gratidão, e Seus estatutos à confiança e à fé. Juntos, eles nos lembram que a obediência é tanto racional quanto relacional, exigindo o envolvimento de nossas mentes, corações e almas.

Confiar Sem Todas as Respostas – A cultura moderna frequentemente nos ensina a exigir explicações e confiar em nosso próprio raciocínio antes de agir. Mas a obediência bíblica desafia essa abordagem, invertendo o paradigma. Pense em Noé: D-us ordenou que ele construísse uma arca em preparação para um dilúvio—um evento que, na época, parecia completamente improvável. Ainda assim, Noé obedeceu “tudo o que D-us lhe havia ordenado” (Gênesis 6:22). Sua obediência não era fruto de compreender o plano, mas de confiar no Planejador. Agora, pense em Pedro em Lucas 5:4–7. Após uma noite inteira de pesca sem sucesso, Jesus lhe pediu que lançasse as redes mais uma vez. A lógica e a experiência diziam a Pedro que isso era inútil. Ainda assim, ele de forma contra intuitiva respondeu: “Por causa da Tua palavra, lançarei as redes.” O resultado? Uma pesca milagrosa e abundante, além de todas as expectativas.

Essas histórias não falam de obediência cega, mas de uma fé ancorada no caráter comprovado de D-us. O chamado para obedecer sem todas as respostas nos desafia a focar menos no “porquê” e mais no “Quem”. Elas nos ensinam que confiar em D-us não requer entender tudo—requer confiar n’Ele com tudo.

A vida nem sempre é preto no branco, na sua maioria é cinza. Decisões éticas podem se tornar nebulosas e emocionalmente desafiadoras. Por exemplo, considere este cenário moralmente complexo: durante a Segunda Guerra Mundial, se soldados nazistas batessem à sua porta e perguntassem se você estava escondendo judeus—e você estivesse—o que seria obedecer a D-us? Dizer a verdade e possivelmente condenar vidas inocentes, ou mentir para protegê-las? A realidade infeliz de viver em um mundo caído é que a obediência nem sempre é simples. Questões sobre verdade, justiça e amor podem se enredar de maneiras que desafiam respostas fáceis. Devo dizer a verdade se isso colocará alguém em perigo? Devo perdoar quando tudo em mim clama por justiça? Em momentos como esses, Salmos 119:125 oferece uma âncora. O salmista não busca entendimento para questionar a autoridade de D-us, mas para discernir como obedecê-Lo corretamente. Este é o coração de um servo: não dúvida, mas um desejo por clareza. A palavra hebraica para “entendimento” aqui é bîn, que significa discernimento—a habilidade de distinguir entre opções e determinar o curso de ação mais sábio. O salmista também busca conhecimento (yādaʿ), que é a aplicação prática da sabedoria em relacionamentos e decisões do dia a dia. Na sua própria vida, onde você precisa desse tipo de discernimento? Quais situações desafiam sua compreensão sobre o que significa obedecer? Seja navegando por dilemas éticos, perdoando alguém que te feriu profundamente, ou entrando em um futuro incerto, esses momentos testam não apenas nossa fé, mas nossa disposição de confiar na orientação Divina.

A verdadeira obediência não é transacional—é relacional. Não se trata de seguir regras por medo de punição, mas de responder ao amor Divino com amor em retorno. O exemplo supremo disso é Yeshua (Jesus) no Jardim do Getsêmani. Ao enfrentar a realidade excruciante da cruz, Ele orou: “Meu Pai, se possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como Eu quero, mas sim como Tu queres” (Mateus 26:39). Sua obediência não foi meramente um dever; foi um ato de amor profundo—pelo Pai e por nós. Esse tipo de obediência tem um custo. Pode custar seu conforto, sua certeza ou até mesmo seu orgulho. Mas também oferece algo inestimável: uma intimidade mais profunda com D-us. Quando obedecemos motivados pelo amor, nos aproximamos mais do coração d’Ele. Começamos a ver que Seus mandamentos não são fardos, mas bênçãos, projetados para nos levar à plenitude da vida.

Onde D-us está te chamando a confiar e obedecer, mesmo quando isso não faz sentido? Talvez Ele esteja pedindo que você dê um passo de fé em uma nova direção, que perdoe alguém que te feriu, ou que abandone o desejo de controle. Seja qual for o chamado, não se trata de submissão cega, mas de alinhar seu coração com o d’Ele. O caminho da obediência motivada pelo amor não é fácil, mas é transformador. Noé, Pedro e Yeshua (Jesus) enfrentaram momentos em que a obediência exigiu que renunciassem à compreensão e confiassem inteiramente na sabedoria Divina. Sua confiança levou a resultados muito maiores do que poderiam imaginar: salvação, abundância e redenção.

Você dará o próximo passo em fé—não porque entende tudo, mas porque confia plenamente n’Aquele que te chama? O coração de um servo não pulsa com a necessidade de saber tudo, mas com o desejo de amar e honrar o Mestre. Que esse seja o ritmo da sua vida.

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Silêncio Divino

Propósito na Dor e Redenção na Vida

O silêncio Divino é uma experiência profundamente desafiadora para quem busca viver pela fé. Ele nos coloca diante de nossas fragilidades, desconstrói expectativas humanas e nos força a encontrar significado em meio ao caos. As histórias bíblicas nos mostram como esse silêncio pode, paradoxalmente, estar repleto de propósito. As trajetórias de personagens como José e Abraão ilustram que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, há uma providência divina que transcende a compreensão humana.

A vida de José é emblemática nesse sentido. Vendido como escravo pelos próprios irmãos, ele enfrentou traição, prisão injusta e anos de adversidade. Durante cerca de 13 anos, parecia que O Senhor estava ausente. José tinha apenas 17 anos quando foi vendido como escravo e passou mais de uma década enfrentando dificuldades antes de ser exaltado aos 30 anos como governador do Egito. Durante esse período, não houve visões, vozes ou sinais de que algo mudaria. Contudo, no auge de sua história, José foi exaltado à posição de segundo no comando do Egito. Ele se tornou o instrumento divino para salvar uma nação e sua própria família de uma fome devastadora.

O silêncio Divino também é evidente na história de Abraão. A Bíblia sugere um intervalo de cerca de 13 anos entre Gênesis 16 e 17, durante os quais D-us permaneceu em silêncio. Abraão, já avançado em idade, vivia a tensão entre a promessa divina de que seria pai de uma grande nação e a realidade de sua esterilidade. Esses 13 anos de espera foram uma prova de fé e paciência, moldando Abraão para que ele pudesse cumprir seu papel no plano divino.

Quando José reencontra seus irmãos e revela sua identidade, ele diz: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas O Senhor o transformou em bem” (Gênesis 50:20). Essa declaração é profunda porque reconhece a dualidade da maldade humana e da soberania divina. O sofrimento que José enfrentou não foi ignorado ou minimizado, mas foi redimido por D-us para um propósito maior.

Essas narrativas oferecem lições importantes: a dor e as dificuldades não são sinais da ausência de D-us, mas oportunidades para Ele agir de maneira surpreendente. Em nossa caminhada, muitas vezes questionamos o propósito de experiências difíceis. Dores, perdas e injustiças parecem contradizer a ideia de um D-us amoroso e justo. Mas a história de José mostra que D-us pode usar até mesmo as piores intenções humanas para trazer algo bom, moldando circunstâncias aparentemente irreparáveis em momentos de redenção.

A reflexão do livro de Eclesiastes (Kohelet) reforça essa visão ao declarar: “Futilidade absoluta! Tudo é fútil!” (Eclesiastes 1:2). À primeira vista, essa afirmação soa como um pessimismo extremo. No entanto, ela nos convida a olhar para a vida com realismo. É um apelo para abandonarmos ilusões e enxergarmos a existência em sua complexidade: imperfeita, imprevisível e, muitas vezes, dolorosa. Essa honestidade brutal não é para nos desanimar, mas para nos despertar. O que parece sem sentido à primeira vista pode ser redimido quando compreendemos o propósito maior de D-us.

Assim como José, somos chamados a olhar além das aparências e encontrar significado, mesmo em meio ao sofrimento. Ele não apenas suportou as adversidades, mas escolheu perdoar e confiar na soberania de D-us. Essa escolha é um ato de fé e resiliência. Ele poderia ter se amargurado ou buscado vingança, mas optou por enxergar sua vida como parte de um plano divino maior. Essa perspectiva é desafiadora, mas também libertadora. Nos momentos mais sombrios, ela nos lembra que O Senhor está presente, operando em silêncio para transformar o mal em bem.

Na sociedade contemporânea, essa lição é mais relevante do que nunca. Vivemos em um mundo obcecado por narrativas perfeitas e felicidades instantâneas. As redes sociais projetam vidas idealizadas, criando uma pressão irreal de sucesso e plenitude. Essa busca incessante por felicidade e perfeição frequentemente nos desconecta da realidade, tornando as dificuldades ainda mais difíceis de enfrentar. É nesse contexto que a mensagem de Kohelet e a história de José nos desafiam a abraçar a verdade da vida – com suas dores, contradições e belezas – sem filtros ou ilusões.

A grande questão é: como reagimos ao sofrimento e às adversidades? Enquanto a cultura moderna nos incentiva a fugir do desconforto, a fé nos convida a enfrentá-lo com propósito. O silêncio Divino, longe de ser uma ausência, é uma oportunidade para crescermos em resiliência e confiança. Abraão, José e tantos outros personagens bíblicos nos mostram que os momentos de silêncio são frequentemente prelúdios de grandes reviravoltas.

Kohelet reconhece a aparente futilidade da vida, mas aponta para algo maior: o agir de D-us em meio ao caos. Essa realidade pode ser desconfortável, mas também é cheia de esperança. Mesmo quando tudo parece absurdo, é nesse contexto que D-us opera, trazendo propósito ao que antes parecia sem sentido.

A história de José, em particular, nos convida a refletir sobre nossa própria jornada. Como podemos buscar redenção em meio à dor? Como podemos ser agentes de transformação, mesmo enfrentando injustiças e desafios? A resposta está na confiança em D-us e na disposição de agir com propósito. Não somos chamados a viver uma vida perfeita, mas a buscar significado e redenção em cada experiência.

A lição final é clara: tire os óculos rosados, aceite a realidade da vida e confie que O Senhor está moldando um propósito maior. Mesmo nos momentos de silêncio, Ele está presente, trabalhando para redimir nossas tragédias e transformar nossas dores em vitórias. Assim como José, somos chamados a perseverar, perdoar e acreditar que, em todas as coisas, O Senhor está agindo para o bem daqueles que o amam.

A vida é complexa, imperfeita e cheia de desafios, mas também é o cenário onde O Senhor opera milagres e redenções. Quando abraçamos essa realidade, encontramos coragem, propósito e esperança para continuar. Afinal, o silêncio Divino não é o fim da história – é o prelúdio para algo extraordinário.

Adivalter Sfalsin

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Imagem e Semelhança

O reflexo da glória: Explorando Tzelem e Demut

No capítulo de abertura de Gênesis, encontramos uma declaração profunda e fundamental: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.” As palavras hebraicas צֶלֶם (tzelem) e דְּמוּת (demut), traduzidas como “imagem” e “semelhança”, são a chave para entender a essência do que significa ser humano. Esses termos, ricos em significado, oferecem uma visão poderosa sobre o papel único da humanidade na criação e sua conexão íntima com o divino. Mas o que realmente significam essas palavras, e como moldam nossa compreensão de quem somos e de nossa missão?

A palavra tzelem carrega a ideia de representação, algo que reflete ou aponta para uma realidade maior. Nos contextos antigos, tzelem era frequentemente usada para descrever estátuas ou ídolos—representações físicas que simbolizavam a presença ou autoridade de uma divindade. Porém, quando aplicada à humanidade, tzelem transcende esse simbolismo externo para transmitir uma verdade mais profunda: os seres humanos não são meros adornos na criação, mas reflexos vivos da presença e autoridade de D-us. Veja, por exemplo, Gênesis 5:3, onde o filho de Adão, Sete, é descrito como sendo “à sua imagem e semelhança” (tzelem). Assim como Sete herdou características—físicas, emocionais e pessoais—de Adão, a humanidade reflete D-us. No entanto, essa semelhança não se refere à aparência física, pois D-us é espírito (João 4:24). Em vez disso, fala de qualidades compartilhadas, como criatividade, raciocínio, capacidade moral e relacional. Em outras partes das Escrituras, tzelem aparece em contextos mais concretos. Por exemplo, Números 33:52 fala sobre destruir imagens esculpidas (tzelem), referindo-se a ídolos que representavam D-uses pagãos. Essa contraposição é significativa: enquanto os ídolos são objetos inanimados e estáticos, a humanidade, como tzelem de D-us, é um reflexo vivo e dinâmico de Sua presença, encarregada de incorporar Sua autoridade e cuidado sobre a criação. Até mesmo o Salmo 39:6 enriquece o conceito, comparando a vida humana a uma sombra (tzelem). Sombras são passageiras, mas reais, e apontam para uma fonte. De forma semelhante, nossa existência—por mais breve que seja—reflete a realidade eterna da natureza e do propósito de D-us.

Compreendendo Demut – “Semelhança” Se tzelem enfatiza a representação externa, demut foca na similaridade interna. Destaca as qualidades espirituais, morais e intelectuais que a humanidade compartilha com o criador. Enquanto tzelem aponta para o papel humano como representante divino na terra, demut revela a essência do que significa ser humano: a capacidade de refletir a natureza de D-us em amor, raciocínio, criatividade e escolhas éticas. Essa ideia é reiterada em Gênesis 5:1, que nos lembra que a humanidade foi criada “à semelhança de D-us” (demut). Mais uma vez, essa semelhança não é física, mas reflete nossa habilidade de amar, raciocinar e tomar decisões morais. Essa capacidade compartilhada nos diferencia do restante da criação, dotando-nos de um papel e responsabilidade únicos.

Isaías 40:18 usa demut para perguntar: “A quem, pois, comparareis a D-us? Ou com que imagem (demut) O confrontareis?” Aqui, demut sublinha a incomparabilidade de D-us. Embora compartilhemos certos atributos com Ele, Sua natureza permanece infinitamente maior do que podemos compreender. Um uso marcante de demut aparece na visão de Ezequiel sobre o trono de D-us (Ezequiel 1:26–28). O profeta descreve “a semelhança (demut) de um homem” sobre o trono—simbolizando a glória de D-us em uma forma que a humanidade pode perceber. Isso demonstra que demut implica semelhança sem equivalência, assim como a humanidade reflete D-us sem ser idêntica a Ele.

A Harmonia entre Tzelem e Demut. Quando Gênesis 1:26 combina tzelem e demut, apresenta uma visão holística do propósito humano. Juntos, esses termos revelam que somos tanto reflexos da presença de D-us quanto portadores de Suas características. Tzelem enfatiza nosso papel como representantes de D-us na terra, enquanto demut destaca as qualidades espirituais e morais que nos capacitam a cumprir esse papel. Para ilustrar, pense em uma moeda: a imagem gravada na moeda (tzelem) representa a autoridade de quem a emitiu, enquanto o valor da moeda (demut) reflete a essência e o significado atribuídos a essa autoridade. Da mesma forma, carregamos o selo de D-us externamente por meio de nossa função na criação e internamente pelas qualidades que nos tornam humanos.

O que isso implica para nossa vida? O fato de sermos criados à imagem (tzelem) e semelhança (demut) de D-us traz implicações profundas para nossas vidas:

1. Um Chamado ao Cuidado

A humanidade foi encarregada de dominar a terra (Gênesis 1:26–28). Essa responsabilidade não se trata de exploração, mas de cuidado—zelar pela criação como representantes de D-us, refletindo Seu amor, sabedoria e cuidado.

2. A Base dos Relacionamentos

Ser à imagem de D-us significa ser relacional, assim como D-us existe em relacionamento eterno na Trindade. Nossa capacidade de nos conectar—com D-us, com os outros e com o mundo—reflete Sua natureza relacional.

3. Uma Responsabilidade Moral

Como portadores da semelhança de D-us, somos chamados a refletir Sua santidade e justiça. Levítico 19:2 declara: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso D-us, sou santo.” Viver em alinhamento com o caráter de D-us é tanto um privilégio quanto uma responsabilidade moral.

O Novo Testamento amplifica essa verdade ao apontar para Jesus Cristo como o cumprimento perfeito da imagem de D-us. 2 Coríntios 4:4 afirma: “A luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de D-us.” Da mesma forma, Hebreus 1:3 descreve o Filho como “o resplendor da glória de D-us e a expressão exata do Seu ser.” Em Cristo, vemos o exemplo supremo do que significa ser à imagem e semelhança de D-us. As palavras tzelem e demut nos lembram de que a humanidade não é um acidente da criação, mas um reflexo deliberado do Criador. Somos testemunhos vivos e transmissores da glória de D-us, encarregados não apenas de representá-Lo externamente, mas de incorporar Seu caráter internamente.

Vivendo o Reflexo Divino. Enquanto vivemos nosso dia a dia, devemos considerar a beleza e o peso desse chamado. Cada ação que tomamos e cada decisão que fazemos reflete a imagem e semelhança de D-us. Para muitas pessoas que talvez nunca abram uma Bíblia, a única “Bíblia” que elas conhecerão será observar como vivemos nossas vidas. Essa realidade eleva nosso chamado, apresentando um desafio e um privilégio: sermos verdadeiros representantes do Reino de D-us na terra. Carregar o tzelem e demut de D-us não é apenas um privilégio—é uma responsabilidade de viver de forma que honre Àquele cuja imagem carregamos. Que nossas vidas sejam reflexos dignos desse selo divino, trazendo glória ao Criador em tudo que fazemos e iluminando o caminho para que outros também vejam e se aproximem de D-us.

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Ferramentas Divinas

As Promessas de D-us Versus as Falsificações do Adversário

A história de Jacó na Bíblia não é apenas um relato histórico; é uma reflexão profunda sobre a natureza das promessas Divinas e as ferramentas que Ele dá ao Seu povo para trazer Sua presença ao mundo. Fundamentadas na aliança com Abraão, as promessas feitas a Jacó vão além de bênçãos pessoais—são instrumentos para cumprir o propósito divino, moldar a história e abençoar todas as nações. No entanto, em um contraste marcante, o adversário oferece uma versão falsa dessas bênçãos, seduzindo a humanidade a buscar objetivos vazios que carecem da essência dos dons de D-us: Sua presença e fidelidade.

As Promessas Divinas a Jacó

Em Gênesis, D-us se encontra com Jacó e lhe faz uma série de promessas que formam a base de sua identidade e missão. Essas promessas, muitas vezes vistas apenas como bênçãos, são melhor compreendidas como ferramentas confiadas a Jacó para um propósito maior. Primeiramente, Jacó recebe a promessa da terra de Canaã, uma herança física que simboliza estabilidade e provisão. Essa terra não é apenas um lugar para habitar, mas um espaço para o reino de D-us criar raízes, dessa terra que vem o nosso messias—um lembrete tangível da fidelidade Divina. Além disso, Jacó recebe a promessa de prosperidade, refletindo as bênçãos materiais, que capacitam Seu povo a administrar recursos para a glória d’Ele. Mais intimamente, Jacó recebe a promessa de descendentes tão numerosos quanto o pó da terra. Essa promessa fala da alegria da família e da continuidade da aliança Divina através das gerações. É por meio desses descendentes que as bênçãos dos céus se espalharão, impactando todas as nações e cumprindo a promessa de que a linhagem de Jacó seria uma fonte de bênçãos para o mundo inteiro. No entanto, no coração dessas promessas está algo ainda mais profundo: a presença Divina inabalável. “Eu estou com você”, D-us assegura a Jacó, “e o guardarei onde quer que você vá” (Gênesis 28:15). Essa promessa de companhia é a base de tudo, lembrando Jacó de que a fidelidade Dele sustenta todos os aspectos de sua vida. Mais tarde, D-us renova essa aliança com Jacó, reafirmando Seu compromisso e demonstrando que Suas promessas não são passageiras, mas duradouras.

As Falsificações do Adversário

Enquanto D-us oferece essas promessas como ferramentas para cumprir Seus propósitos, o adversário apresenta versões distorcidas que seduzem a humanidade para buscas egoístas. As ofertas do adversário imitam a estrutura das bênçãos Divinas, mas são desprovidas de essência do mesmo, deixando apenas vazio e destruição. Uma das distorções mais gritantes é a substituição da família e descendência pela mercantilização do sexo. No mundo de hoje, o sexo é amplamente acessível, promovido como fonte de gratificação pessoal, e não como um ato de amor e compromisso dentro do vínculo sagrado da família. O adversário atrai as pessoas para relacionamentos casuais, pornografia e promiscuidade, prometendo liberdade e prazer, mas entregando vazio, relacionamentos quebrados e degradação moral da sociedade. Aquilo que D-us projetou como um alicerce para construir famílias e sociedades inteiras continuando Sua aliança foi reduzido a uma transação momentânea. A facilidade com que o sexo é acessado hoje, por meio de plataformas digitais e permissividade cultural, corroeu seu propósito mais profundo. Em vez de fomentar intimidade, confiança e legado, tornou-se uma ferramenta de exploração e desconexão. Essa decadência moral não apenas fragmentou indivíduos e famílias, mas também enfraqueceu o tecido social como um todo. Da mesma forma, o adversário distorce a prosperidade. Em vez de encorajar o bom uso dos recursos e a generosidade, ele tenta as pessoas a usar a riqueza apenas para a gratificação pessoal. O dinheiro se torna um ídolo, acumulado ou gasto de forma egoísta, em vez de ser um recurso para abençoar outros e avançar o reino de D-us. Até mesmo a promessa de influência e propósito é deturpada. D-us chama Seu povo para ser uma bênção a todas as nações, usando sua influência para trazer Sua presença ao mundo. Em contraste, o adversário oferece poder como um meio de ganho pessoal, levando ao orgulho, à corrupção e, finalmente, à autodestruição.

O Que Falta nas Falsificações?

A diferença essencial entre as promessas Divinas e as falsificações do adversário é clara: a presença e a fidelidade de D-us estão completamente ausentes nas últimas. A presença de D-us é o núcleo de Suas promessas a Jacó. Não são a terra, os descendentes ou a prosperidade que definem a bênção de Jacó, mas a garantia de Sua presença, guiando-o e protegendo-o. Sem a presença Divina, as ofertas do adversário, por mais atraentes que possam parecer, são vazias. Além disso, a aliança representa Sua fidelidade imutável. Enquanto o adversário promete prazer passageiro, riqueza ou poder, o Senhor oferece um relacionamento enraizado na lealdade e na restauração. Sua aliança com Jacó, renovada e reafirmada, é um testemunho de Seu compromisso duradouro com Seu povo—uma fidelidade que nenhuma falsificação pode replicar.

Escolhendo a Verdadeira Bênção

A história de Jacó nos lembra que as promessas do Senhor não se tratam apenas de receber bênçãos, mas de ser equipado para trazer Sua presença ao mundo. A terra, os descendentes e a prosperidade confiados a Jacó não eram apenas para seu benefício pessoal—eram ferramentas para cumprir uma missão Divina. Em contraste, as ofertas do adversário, embora sedutoras, são distrações que nos afastam do propósito Divino. Elas se concentram na gratificação imediata, cortando-nos da alegria e realização mais profundas encontradas na presença de D-us. O resultado é frustração e um vazio abismal. À medida que navegamos em nossas próprias vidas, devemos perguntar: Estamos escolhendo as promessas Divinas, usando-as como ferramentas para cumprir Sua missão, ou estamos caindo nas falsificações do adversário, buscando ganhos vazios à custa de nosso relacionamento com Ele?

O que guia suas decisões hoje—devoção e propósito, ou gratificação momentânea? A resposta revela mais do que suas prioridades; ela reflete o estado de seu relacionamento com D-us. Você buscará Sua presença e abraçará Suas promessas duradouras, ou se contentará com as ofertas vazias do adversário? A escolha é sua—e moldará não apenas sua vida, mas também seu legado eterno.

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Do Pó ao Pó

A Fragilidade Humana

Em Gênesis 2:7, encontramos uma das verdades mais profundas e humilhantes sobre a existência humana: “Então o SENHOR D-us formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida, e o homem se tornou um ser vivente.” O uso deliberado da palavra עָפָר (ʿāfār) em hebraico—não é incidental. O pó é frágil, impermanente e facilmente disperso pelo vento. Ao escolher esta palavra, o texto bíblico destaca a fragilidade inerente da humanidade, nossa dependência de D-us e a humildade de nossas origens. Mas há outra camada de significado neste versículo. O nome Adão—o primeiro homem/humanidade—deriva da palavra hebraica אֲדָמָה (adamah), que significa “terra” ou “solo”. Essa dualidade é rica em simbolismo teológico. Enquanto “pó” enfatiza a fragilidade, “terra” sugere potencial, estabilidade e conexão com a criação. Juntos, esses termos criam uma imagem da humanidade como humilde e significativa ao mesmo tempo, frágil, mas dotada de um propósito divino e grande potencial.

O contraste deliberado entre e terra revela muito sobre a natureza humana. O pó, sendo a menor e mais insignificante parte da terra, transmite fragilidade e transitoriedade. Ele é facilmente levado pelo vento, carecendo de forma e permanência por si só. Essa escolha de imagem é intencional, servindo como um lembrete de que, sem o sopro de vida de D-us, somos apenas partículas dispersas. Ao mesmo tempo, a conexão com a adamah—a terra—nos ancora na ordem criada. A terra é fértil, capaz de produzir vida quando devidamente cultivada. Assim como a terra tem o potencial de dar frutos, a humanidade também tem a capacidade de crescer e cumprir seu propósito quando está conectada ao Criador. A interação entre essas duas imagens nos desafia a manter ambas as verdades em equilíbrio. Somos frágeis e dependentes de D-us, mas também somos escolhidos e moldados por Ele, com um papel único em Sua criação.

Apesar da ênfase bíblica em nossa fragilidade, a humanidade frequentemente se inclina para a arrogância. Muitos colocam sua confiança em realizações, riqueza ou status social, como se essas coisas pudessem garantir permanência. No entanto, as Escrituras nos lembram repetidamente da tolice de tal orgulho. O salmista escreve em Salmos 103:14: “Pois ele conhece a nossa estrutura e lembra-se de que somos pó.” D-us não se impressiona com nossos títulos, posses ou conquistas. Para Ele, nossa verdadeira natureza é clara—somos tão frágeis quanto o pó do qual fomos formados. Nosso poder, por maior que pareça, é efêmero e insignificante diante da eternidade. Essa fragilidade é reforçada em Gênesis 3:19, onde D-us declara: “Pois você é pó e ao pó voltará.” Este versículo não apenas destaca nossa mortalidade, mas também confronta a arrogância daqueles que confiam em sua própria força. Não importa o quanto realizemos em vida, não podemos escapar de nosso destino compartilhado. A morte reduz toda a humanidade—ricos e pobres, poderosos e fracos—ao mesmo pó.

Enquanto o pó nos lembra de nossa fragilidade, a conexão com a adamah—a terra—oferece um vislumbre de esperança. A terra, embora humilde, é a fonte de vida. É onde as sementes são plantadas e o crescimento começa. Assim como a terra depende da chuva e do cultivo para dar frutos, a humanidade depende de D-us para cumprir seu propósito. Essa conexão também revela uma profunda verdade teológica: fomos feitos para ser mordomos da criação. Mais tarde, em Gênesis 2:15, lemos que Adão foi colocado no Jardim do Éden para “cultivá-lo e guardá-lo”. O papel da humanidade, portanto, não é dominar a criação com arrogância, mas cuidar dela com humildade, reconhecendo que nós mesmos fazemos parte dela. Ainda assim, mesmo neste papel, somos lembrados de nossas limitações. Assim como a terra não pode produzir vida sozinha, nós também não podemos. Assim como o solo precisa de luz solar, água e nutrientes para florescer, precisamos da orientação e sustento de D-us para cumprir nosso propósito. Sem Seu sopro—o toque divino que nos anima—permanecemos pó sem vida.

O uso deliberado do pó em Gênesis 2:7 não é apenas poético, mas profundamente instrutivo. É um chamado à humildade, nos instando a reconhecer nossa fragilidade e dependência de D-us. A arrogância não tem lugar na vida de quem entende suas origens. As Escrituras nos lembram constantemente que nosso valor não vem de nossas conquistas, mas do fato de que somos moldados pelo próprio Criador. A humildade começa com o reconhecimento de que, como o pó, somos pequenos e transitórios. Mas não para por aí. A humildade também nos convida a abraçar a verdade de que, apesar de nossa fragilidade, somos amados e escolhidos por D-us. Essa dupla perspectiva nos liberta da busca fútil pelo orgulho mundano e nos permite viver com gratidão e propósito. A verdadeira humildade também nos chama a tratar os outros com dignidade e respeito. A conexão entre Adão e a terra não é exclusiva de uma pessoa, mas universal. Toda a humanidade compartilha a mesma origem e destino: “Todos vêm do pó, e ao pó todos voltarão” (Eclesiastes 3:20). Reconhecer essa verdade nos obriga a ver os outros não como competidores, mas como iguais, todos feitos à imagem de D-us. Por fim, a humildade aponta para a esperança. Embora o pó simbolize fragilidade e mortalidade, ele também aponta para a ressurreição. Em Isaías 26:19, recebemos uma visão de esperança: “Os teus mortos viverão; os seus corpos ressuscitarão. Despertem e cantem de alegria, vocês que habitam no pó!” Mesmo do pó da morte, D-us promete renovação. Esta é a expressão máxima de Seu poder e amor—trazer vida do nada.

O Novo Testamento expande esses temas de fragilidade e esperança, oferecendo uma compreensão mais profunda de nossa redenção. Em 1 Coríntios 15:47-49, Paulo contrasta o homem terreno e o homem celestial: “O primeiro homem, formado do pó da terra, era terreno; o segundo homem, vindo do céu, é celestial. Assim como tivemos a imagem do homem terreno, teremos também a imagem do homem celestial.” Aqui, Saulo nos aponta para a esperança encontrada no Messias Yeshua (Jesus). Embora sejamos do pó, não estamos presos a ele. Por meio do Messias, somos transformados e recebemos a promessa de uma herança celestial. Em 2 Coríntios 4:7, Saulo reflete: “Mas temos este tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de D-us, e não de nós.” A imagem de vasos de barro frágil ecoa o pó de nossa criação, enfatizando nossa dependência do poder de D-us. Contudo, dentro dessa fragilidade, carregamos o tesouro do evangelho—a promessa de vida eterna e restauração por meio do Messias.

Ao refletirmos sobre a imagem deliberada do pó e da terra, devemos nos perguntar: Estamos vivendo como se nossas vidas dependessem de nossa própria força, ou estamos fundamentados na verdade de nossa dependência de D-us? Quando tudo for retirado, e estivermos diante do Criador, o que restará de nossas vidas? Seremos dispersos como o pó ao vento ou encontraremos nossa esperança e propósito no único que nos moldou da terra e nos redimiu por meio de Seu Filho?

Adivalter Sfalsin

O Silêncio Divino: Refletindo Sobre Nossas Orações

Por Que D-us Não Responde nossas Orações: Barreiras a Serem Quebradas para uma Conexão Mais Profunda

Muitos de nós passamos por momentos em que nossas orações parecem não ser respondidas, o que nos leva a questionar se D-us realmente está ouvindo ou se algo está bloqueando nossa comunicação. A Bíblia sugere que atitudes e ações específicas podem criar barreiras que nos impedem de experimentar o poder completo da oração. Ao explorar esses possíveis obstáculos, podemos entender melhor como abrir o caminho para um relacionamento mais profundo e uma vida de oração mais rica.

No centro de uma oração eficaz está a fé. Hebreus 11:6 nos lembra que “sem fé é impossível agradar a D-us.” A verdadeira fé vai além de uma resposta emocional; é um compromisso profundo em confiar em Sua existência e no poder para agir em nossas vidas. Essa crença não é apenas um exercício intelectual ou fruto de pensamento positivo; é uma confiança firme, baseada nas promessas divinas e nas experiências históricas de Seu povo, especialmente em Sua aliança com Israel. A experiência dos israelitas, como vista em Deuteronômio 1:45, ilustra que abrigar dúvidas ou descrenças pode criar uma barreira, impedindo D-us de responder às orações. Portanto, aproximar-se do Altíssimo exige uma crença firme em Suas promessas e uma confiança inabalável em Sua disposição de ouvir e responder. Em hebraico, o conceito de fé é capturado principalmente pela palavra אֱמוּנָה (emunah), que transmite muito mais do que uma simples crença. Em vez de significar apenas um consentimento mental, emunah incorpora confiança, firmeza e lealdade comprometida. Esta palavra tem sua raiz em אָמַן (aman), que significa “apoiar” ou “tornar firme,” enfatizando um sentido de confiabilidade, estabilidade e fidelidade. A fé, nesse sentido, não é passiva, mas envolve confiança ativa, lealdade e dedicação. O pensamento hebraico visualiza a fé como uma fundação firme ou um caminho seguro, algo que se pode “caminhar” ou “se apoiar”. Essa perspectiva ressalta que a fé não é apenas intelectual, mas também relacional e prática. Emunah exige participação ativa; é demonstrada por meio de nossas ações, escolhas e compromisso de viver alinhado aos caminhos de D-us. Assim, a verdadeira fé molda nossas vidas, enraizando-nos em uma confiança que é confiável e orientadora, aproximando-nos do Criador.

O pecado também pode se tornar um obstáculo. Isaías 59:1-2 explica que o pecado nos separa do Senhor, obscurecendo nossa linha de comunicação. Quando escolhemos conscientemente ações que contradizem Seus ensinamentos, nossas orações podem se tornar abafadas. Salmos 66:18 reforça essa verdade: “Se eu tivesse guardado iniquidade no meu coração, o Senhor não teria me ouvido.” Através do arrependimento genuíno e de um afastamento sincero do pecado, limpamos o caminho. O arrependimento não é simplesmente um pedido de desculpas; é um compromisso sincero de mudança. Ao abandonar o pecado, removemos obstáculos que podem comprometer nossa conexão espiritual, permitindo que nossas orações sejam ouvidas. Um espírito de obediência é igualmente essencial. D-us valoriza a obediência, e quando desconsideramos Sua orientação, corremos o risco de bloquear nossa comunicação. Provérbios 1:24-28 destaca que, quando ignoramos os chamados de D-us, Ele pode não responder aos nossos clamores em tempos de necessidade. A obediência não é apenas uma demonstração de respeito, mas uma maneira de nos abrirmos à Sua sabedoria. Tiago 1:22 nos aconselha a sermos “praticantes da palavra, e não apenas ouvintes.” Quando alinhamos nossas ações com Sua vontade, convidamos as respostas divinas às nossas orações, fortalecendo nosso vínculo espiritual.

Além disso, nossas ações em relação aos outros, especialmente aqueles em necessidade, têm um impacto profundo em nossa vida espiritual. Provérbios 21:13 diz: “Quem fecha os ouvidos ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido.” A compaixão e a generosidade são expressões fundamentais de nossa fé, lembrando-nos de que o nosso tratamento para com os outros reflete diretamente nosso relacionamento espiritual. Quando abrimos nossos corações e mãos para aqueles ao nosso redor, cultivamos um espírito de bondade que é honrado, o que aprofunda nossa vida espiritual e fortalece nossa conexão na oração. Nossos relacionamentos, especialmente dentro do casamento, influenciam nossa vida espiritual. A qualidade de nosso relacionamento conjugal pode refletir e afetar nossa relação com o divino. Em 1 Pedro 3:7, os maridos são instruídos a honrar suas esposas para que suas orações não sejam impedidas. Esse princípio se aplica a todos os relacionamentos, lembrando-nos de que o amor e o respeito estão no cerne de uma vida espiritual saudável. Efésios 5:25-28 enfatiza a importância do amor altruísta, ressaltando que um casamento respeitoso reflete o amor divino e fortalece o vínculo espiritual. Ao cultivar harmonia e compaixão em nossos relacionamentos, criamos uma atmosfera onde nossas orações têm mais ressonância.

A autenticidade e as motivações são componentes vitais para uma oração eficaz. D-us valoriza sinceridade e humildade, rejeitando demonstrações vazias de fé. Isaías 1:15 revela a resposta divina à adoração insincera: “Quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos.” A hipocrisia, onde as ações não condizem com as crenças, enfraquece nossa conexão espiritual. Jesus aborda isso em Mateus 6:5, lembrando-nos de que a verdadeira oração não é sobre exibição pública, mas sobre honestidade de coração. Da mesma forma, nossas motivações na oração devem refletir um desejo genuíno de alinhamento com a vontade de D-us, e não a busca por ganhos pessoais. Tiago 4:3 adverte: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.” Quando nossas intenções são egoístas, perdemos o verdadeiro propósito da comunhão com o Altíssimo. 1 João 5:14 nos assegura que, ao orarmos conforme Sua vontade, podemos nos aproximar com confiança. Um coração focado em glorificar a D-us e servir aos outros traz profundidade às nossas orações, fortalecendo nossa espiritualidade e conexão com o sagrado.

Além de evitar essas barreiras, a Bíblia enfatiza que uma vida de retidão amplifica o poder da oração. Tiago 5:16 escreve: “A oração do justo é poderosa e eficaz,” destacando que uma vida reta fortalece nossas orações. Embora sejamos considerados justos por meio de Cristo, Tiago aponta para uma justiça prática — um compromisso diário de viver segundo os padrões de D-us. O profeta Elias exemplificou isso quando suas orações sinceras foram respondidas com fogo divino, mostrando o impacto de uma vida dedicada. Viver uma vida justa, livre de compromissos e alinhada com os valores espirituais, permite que nossas orações tenham peso e influência. Salmos 34:15 afirma: “Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor.” Ao nos comprometermos com uma vida reta, criamos uma linha de comunicação ininterrupta com o divino, onde nossas orações podem trazer mudanças reais.

Ao abordar essas barreiras, abrimos o caminho para uma vida de oração mais eficaz e gratificante. A retidão prática é mais do que crença; é um compromisso de se alinhar com a vontade divina, promovendo uma conexão ininterrupta. Quando eliminamos a descrença, o pecado persistente, a desobediência, o descaso, a desonra, a hipocrisia e as motivações egoístas, cultivamos um coração sincero que convida a presença de D-us. Uma vida de fé autêntica, arrependimento diário e desejo de viver de acordo com os padrões divinos traz poder transformador às nossas orações.

Adivalter Sfalsin

Por onde andas

Por onde andas? Um Convite para a presença do Divino

E chamou o Senhor D-us a Adão, e disse-lhe: Onde estás? (Gênesis 3:9)

“וַיִּקְרָא יְהוָה אֱלֹהִים אֶל־הָאָדָם וַיֹּאמֶר לוֹ אַיֶּכָּה

Quando D-us chamou Adão no Jardim do Éden, perguntando “Onde estás?”, Ele não estava simplesmente fazendo uma pergunta sobre localização. Muitos de nós talvez nos perguntemos: “Por que D-us, que sabe de todas as coisas, perguntaria onde Adão estava?” Mas essa pergunta, profunda e cheia de significado, vai além da geografia. É uma questão de relacionamento e presença, uma que ressoa ao longo da Bíblia e ecoa em nossas vidas até hoje. A pergunta de D-us para Adão—Ayeka – אַיֶּכָּה? ou “Onde estás?”—revela Seu desejo de caminhar em comunhão conosco, de estar em um relacionamento de confiança e companheirismo.

Esse tema de “andar com D-us” é uma narrativa fundamental em toda a Bíblia, abordando uma vida marcada pela proximidade espiritual, obediência e confiança. Desde o Jardim do Éden até as jornadas dos profetas, andar com D-us é um modo de viver, um convite para alinhar nossos passos com o Divino e compartilhar de Sua presença.

Um Convite para Caminhar Juntos, em Gênesis, encontramos o primeiro exemplo de D-us caminhando entre a humanidade no Jardim do Éden. Após Adão e Eva comerem do fruto da Árvore do Conhecimento, eles se escondem ao ouvir “o som do Senhor D-us que passeava no jardim” (Gênesis 3:8). D-us então chama: “Onde estás?” Mas esta não é uma pergunta comum referente a localização geográfica. Em hebraico, duas palavras podem ser usadas para “onde”: eifo, que é um pedido direto de localização, e ayeka, uma questão mais íntima sobre presença e estado de ser. A escolha de D-us pelo termo ayeka implica um anseio por proximidade relacional, como se Ele estivesse perguntando: “Por que você está se escondendo de Mim? Por que você não está mais ao Meu lado? Esse é a hora de andarmos juntos”.

Esse momento profundo revela o desejo de D-us por comunhão. O Jardim foi criado para que D-us e a humanidade pudessem caminhar juntos. Contudo, por causa do pecado, Adão e Eva se esconderam, criando uma distância de D-us que é sentida profundamente ao fazer a pergunta. O “Onde estás?” de D-us não é uma expressão de ira, mas uma dor divina pelo relacionamento rompido. Ele estava convidando-os a caminhar ao Seu lado, mas, em vez disso, eles escolheram a separação.

Caminhar como Companheirismo Mútuo. A palavra hebraica halach, que significa “caminhar”, pode ser conjugada em diferentes formas, cada uma com significados sutis. Na forma hitpaell’hithalekh—ela sugere uma ação mútua ou reflexiva, indicando que caminhar é algo a ser feito juntos. Quando a Bíblia fala de D-us “caminhando” no jardim, ela está convidando Adão e Eva a uma jornada compartilhada. D-us não estava apenas passeando; Ele estava estendendo um convite para um companheirismo, uma caminhada de presença mútua. Mas a desobediência deles interrompeu essa companhia, deixando D-us sozinho enquanto Adão e Eva se escondiam com vergonha e medo.

O conceito de andar com D-us continua nas histórias de Enoque e Noé. Em Gênesis 5:24, lemos: “Enoque andou com D-us; e já não era, porque D-us o tomou para si.” O relacionamento de Enoque com D-us era tão íntimo que ele foi unido a D-us, transcendendo o reino terreno. Noé, por sua vez, “andou com D-us” (Gênesis 6:9), e sua vida tornou-se um exemplo de companheirismo justo com D-us. Sua fé e confiança em D-us o ajudaram a resistir à corrupção ao seu redor, levando-o a cumprir o comando de D-us para construir a arca. Para Enoque e Noé, andar com D-us era mais do que um ato físico; era uma postura interior de obediência e rendição. Eles nos mostram como uma caminhada fiel com D-us pode transformar nossas vidas, mesmo em um mundo marcado pela ruptura.

A Promessa de Companheirismo. Em Levítico 26:12, D-us estende outro convite para o companheirismo, dizendo: “E andarei entre vós e serei vosso D-us, e vós sereis o meu povo.” Esta promessa reflete o coração do desejo de D-us por um relacionamento com Seu povo—uma oportunidade renovada para a humanidade “andar” com Ele. A linguagem aqui relembra a caminhada no Éden, sugerindo que, se o povo de Israel seguisse Seus mandamentos, eles poderiam experimentar novamente Sua presença. Rashi, um comentador medieval proeminente, aponta para uma midrash que interpreta esta promessa como D-us dizendo: “Andarei convosco no Jardim.” É uma visão de redenção onde D-us caminha lado a lado com Seu povo, um relacionamento restaurado onde humanidade e D-us podem desfrutar da presença um do outro.

Um Chamado Profético: “Onde Estás?” Ao longo da Bíblia, os profetas chamam Israel a retornar a D-us, ecoando a pergunta divina, “Onde estás?” Em Isaías 52:11-12, o profeta exorta o povo a “saírem do meio das nações,” para andarem com D-us mais uma vez. O profeta Miquéias encapsula o desejo de D-us por Seu povo em Miquéias 6:8, dizendo: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu D-us?” Andar com D-us é um chamado à humildade, justiça e misericórdia. Ele encoraja ao povo que vivam alinhados com Seus valores, caminhando de maneira que crie uma vida de integridade, justiça e compaixão. É um convite profético para retornar ao companheirismo para o qual fomos criados, uma jornada harmoniosa de presença com D-us.

Caminhando Juntos na Nova Aliança. No Novo Testamento, vemos esse chamado ao companheirismo cumprido na pessoa de Yeshua (Jesus). Ele convida Seus seguidores, dizendo: “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês” (João 15:4). Conhecido como “Emanuel,” que significa “D-us conosco,” Ele representa o ápice do desejo de D-us de caminhar intimamente com a humanidade. Saulo ecoa essa promessa em 2 Coríntios 6:16, dizendo: “Habitarei neles e andarei entre eles; serei o seu D-us, e eles serão o meu povo.” Por meio do Messias, o convite de D-us para andar com Ele torna-se acessível a todos.

Andar com D-us é mais do que uma metáfora; é uma jornada transformadora de confiança, obediência e presença. Existem várias formas que podemos implementar em nossas vidas para “andar com D-us”. Priorize momentos de oração e reflexão. Separe um tempo todos os dias para convidar D-us ao seu coração—não apenas para pedir, mas para ouvir e abrir sua alma à Sua presença. Através de uma oração silenciosa e reflexiva, permitimos que D-us fale conosco, transformando o cotidiano em encontros sagrados. Imersão nas Escrituras também é um modo poderoso de convidar D-us a caminhar ao nosso lado. A Palavra de D-us nos guia, conforta e fortalece. Ao nos engajarmos diariamente com a Bíblia, ainda que sejam apenas alguns versículos, convidamos a sabedoria de D-us para nossas vidas, alinhando nossas ações com Seus ensinamentos. Caminhar com D-us significa também incorporar Seu amor, misericórdia e compaixão. Busque ativamente maneiras de demonstrar bondade, perdoar aqueles que o ofenderam e servir aos necessitados. Cada ato de amor e misericórdia nos aproxima de D-us, que é amor em essência, e nos ajuda a harmonizar nosso coração com o dEle. Caminhar humildemente com D-us, como Miquéias exorta, exige deixar o orgulho de lado e render-se à Sua orientação. Reconhecer nossa necessidade por Ele e confiar em Seu caminho, mesmo quando não está claro, nos aproxima de Seu lado. A humildade abre caminho para uma vida onde Ele nos conduz com força e sabedoria. A comunidade e o companheirismo também desempenham papéis essenciais nessa jornada. Andar com D-us não é um caminho solitário. Através da igreja, grupos de estudo ou comunidades de fé, encontramos apoio e experimentamos a presença de D-us mais plenamente. Juntos, incentivamos e fortalecemos uns aos outros, aprendendo e crescendo em Seu companheirismo. Quando erramos ou nos afastamos, podemos sentir vontade de nos esconder, assim como Adão e Eva. Mas a pergunta de D-us, “Onde estás?” não é uma condenação; é um convite para retornar. Buscar o perdão e deixar para trás os erros passados nos aproxima de D-us. O arrependimento nos permite seguir em frente em uma renovada companhia com Ele. Finalmente, cultivar a gratidão nos mantém conscientes da presença de D-us em nossas vidas. Ao tornar um hábito agradecer por pequenas bênçãos ao longo do dia, permanecemos sintonizados com Sua presença, que nos aproxima ainda mais Dele.

Esta jornada de andar com D-us é feita de escolhas diárias, de pequenos passos rumo a uma vida em sintonia com Sua presença. Hoje, D-us ainda pergunta: “Onde estás?” É uma pergunta de amor, um convite divino para sair do esconderijo e caminhar com Ele em uma jornada compartilhada de propósito, paz e amizade. Imagine a paz, o propósito e a força que vêm de viver em harmonia com Aquele que o criou. Imagine a alegria de saber que cada passo que você dá é guiado por um amor que nunca o abandona, uma presença que perdura. A mão de D-us está estendida, esperando que você a segure. Andar com Ele não é reservado para os justos ou perfeitos; é para cada um de nós, em todas as nossas imperfeições. 

Dê esse primeiro passo hoje, abrace a jornada e permita que Ele caminhe ao seu lado em cada passo do caminho.

Adivalter Sfalsin

Halloween

HALLOWEEN e suas origens

Por que estudar o Halloween, uma festa aparentemente americana e distante da nossa realidade?

Apesar de muitos no Brasil ainda a considerarem apenas uma curiosidade estrangeira, essa celebração tem ganhado espaço em nosso cotidiano — nas escolas, nas aulas de inglês, na televisão e até em festas de clubes.

Mas o que realmente está por trás dessa data e de onde vem todo o seu simbolismo?

O que é o Halloween? Celebrado na noite de 31 de outubro, o Halloween é marcado por fantasias, fogueiras e a famosa brincadeira “doce ou travessura”. Crianças se vestem de monstros, bruxas e fantasmas, batendo de porta em porta em busca de doces. Hoje, porém, o Halloween é muito mais que uma diversão infantil: tornou-se uma das datas mais lucrativas do comércio americano.

Estima-se que 60% das fantasias vendidas sejam para adultos e que uma em cada quatro pessoas entre 18 e 40 anos vista algum tipo de fantasia. Para os que se declaram psíquicos, bruxos, clarividentes e visionários, este é o dia mais agitado do ano. As editoras que publicam livros sobre astrologia e ocultismo registram grande aumento nas vendas. Em cidades como Salém, Massachusetts, sede da bruxaria norte-americana, celebra-se o Festival da Assombração, que movimenta o turismo e estende a temporada de verão.

As origens e o simbolismo: A palavra Halloween vem da expressão inglesa All Hallows’ Eve, que significa “véspera do Dia de Todos os Santos”. Hallow quer dizer “santo” e e’en é a forma abreviada de evening, “noite”. Literalmente, “Noite de Todos os Santos”.

Mas o significado vai além da tradução. O 31 de outubro era uma das datas mais importantes do calendário celta, conhecida como Samhain, o festival que marcava o início do inverno e o fim das colheitas.

Era um dos quatro grandes festivais do ano celta, chamados de “dias de meio trimestre”:

1. 2 de fevereiro – Dia da Marmota (Imbolc): dedicado à deusa pagã Brígida, símbolo da cura.

2. 1º de maio – Beltane: tempo de plantar, quando os druidas realizavam ritos mágicos para favorecer o crescimento das plantações.

3. Agosto – Lughnasadh: festa da colheita em honra ao deus-sol Lugh.

4. 31 de outubro – Samhain: marcava o início do inverno, o tempo de morte e renascimento da terra.

Durante o Samhain, os druidas acreditavam que o mundo dos vivos e o dos mortos se cruzavam. O “Senhor da Morte”, Samhain, voltaria com os espíritos que haviam morrido naquele ano para tentar possuir os vivos. Por isso, apagavam-se as luzes das casas, acendiam-se grandes fogueiras nos montes e vestiam-se roupas de peles para afastar os espíritos.

As fogueiras eram vistas como meios de adivinhar o futuro através da fumaça e das formas do fogo.

Com o passar dos séculos, a Igreja Católica tentou cristianizar a data. O Dia de Todos os Santos, antes celebrado em maio, foi transferido para 1º de novembro pelo Papa Gregório III no século IX. Assim, o antigo Samhain foi sobreposto pelo All Hallows’ Eve.

Posteriormente, o Papa Gregório IV tornou universal a data e, logo depois, instituiu-se o Dia de Finados (2 de novembro), reforçando o sincretismo entre o culto aos mortos pagão e o culto cristão aos santos e fiéis falecidos.

A estratégia era clara: adaptar os rituais pagãos para dentro da estrutura cristã — algo que também ocorreu no Brasil com os santos católicos e os deuses africanos durante o período da escravidão.

Elementos e símbolos do Halloween:

1. Os Druidas

Sacerdotes das tribos celtas da antiga França, Inglaterra e Irlanda, os druidas eram os intérpretes dos deuses e realizavam rituais em florestas e cavernas. Adoravam múltiplas divindades e realizavam sacrifícios — inclusive humanos — buscando prever o futuro. Consideravam sagrados a lua, o carvalho, o gato e a meia-noite.

Foram perseguidos e quase exterminados pelos romanos, mas continuaram ativos na Irlanda até o século IV.

2. Bruxas e fantasmas

Os antigos druidas acreditavam que, na noite de 31 de outubro, bruxas, fadas e espíritos saíam para atormentar os vivos. Essa crença atravessou os séculos e permanece viva na cultura popular, refletida nas fantasias e histórias de terror.

3. Lua cheia, gatos e morcegos

A lua cheia era vista como o momento ideal para rituais. O gato, tido como animal sagrado, era visto como reencarnação de espíritos humanos ou “espírito familiar” das bruxas.

O morcego, por ser noturno e silencioso, foi associado à feitiçaria e ao demônio, especialmente durante a Idade Média.

4. Cabeças de abóbora (Jack-o’-Lanterns)

A tradição vem da lenda irlandesa de Jack, um homem condenado a vagar eternamente com uma brasa dentro de um nabo oco. Ao chegar aos EUA, o nabo foi substituído pela abóbora, mais abundante e fácil de esculpir. O rosto assustador simbolizava uma alma condenada e tornou-se o principal ícone do Halloween.

5. “Travessuras ou doces” (Trick or Treat)

Na cultura celta, acreditava-se que deixar comida na porta apaziguava os espíritos. Com o tempo, mendigos pediam comida em troca de orações pelos mortos — origem da tradição moderna de pedir doces.

Há também registros de homens que conduziam procissões pedindo oferendas aos agricultores, ameaçando amaldiçoar as colheitas — uma forma primitiva de chantagem espiritual.

6. Máscaras e fantasias

As máscaras eram usadas para confundir ou afastar os espíritos malignos. Em diversas culturas, também serviam para comunicação com o mundo espiritual ou proteção contra desastres. Em tempos modernos, tornaram-se parte da diversão, mas sua origem era ritualística.

7. Fogueiras

A palavra inglesa bonfire vem de bone fire (“fogo de ossos”). Os druidas queimavam animais e até pessoas em sacrifícios, acreditando que a fumaça revelava presságios.

Mais tarde, durante a Inquisição e a Reforma, fogueiras foram usadas para torturar e executar pessoas acusadas de bruxaria.

8. As cores laranja e preta

O laranja representa o fogo e a colheita; o preto, a escuridão e a morte. Essas cores simbolizam a passagem entre a vida e a morte. Nas antigas missas pelos mortos, usavam-se velas alaranjadas e panos pretos sobre os caixões.

9. Feitiçaria e perseguição

Ao longo dos séculos, milhares foram torturados e mortos sob acusações de feitiçaria. A Inquisição Católica, a Reforma Protestante e os julgamentos de Salém (1692) são lembrados como períodos de histeria coletiva.

Mulheres idosas, parteiras, moças bonitas ou pessoas com deficiências foram injustamente condenadas.

Na Alemanha e França, cidades inteiras ficaram sem mulheres após execuções em massa. Estima-se que mais de 30 mil pessoas foram mortas entre os séculos XV e XVII.

O Halloween hoje: O Halloween carrega aspectos negativos além de sua herança pagã e da ênfase em trevas, medo e morte. Em alguns lugares, a celebração é marcada por vandalismo e práticas de mau gosto.

Nos Estados Unidos, as orações públicas foram banidas das escolas, mas o Halloween continua sendo celebrado abertamente. Há registros de abrigos que suspendem a adoção de gatos pretos nesse período, temendo uso em rituais.

No Brasil e em outros países, cresce o número de pessoas que se autodenominam bruxos e praticam rituais ocultos. Seria tudo apenas uma brincadeira? Ou ainda existe influência espiritual por trás de símbolos aparentemente inofensivos?

O que a Bíblia ensina: A Bíblia é clara em relação às práticas ocultas. Diversos textos — Deuteronômio 18:9-14, Isaías 8:19, Levítico 19 e 20, Gálatas 5:19-21, Romanos 12:2, Efésios 6:12, Apocalipse 21:8; 22:15 — condenam a feitiçaria, a consulta aos mortos e toda prática espiritual contrária à vontade de Deus.

O apóstolo Paulo lembra que “nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os poderes das trevas deste mundo” (Ef 6:12).

Existe algo de errado em participar de uma festa aparentemente inocente, com crianças pedindo doces e pessoas fantasiadas?

O Halloween pode parecer apenas uma diversão, mas carrega séculos de simbolismo espiritual ligado à morte, à feitiçaria e ao culto aos mortos. Cabe a cada um discernir o que celebra e o que alimenta em sua cultura e em seu espírito.

Todo símbolo tem um significado, e todo significado tem um propósito.

Tire suas próprias conclusões.

Adivalter Sfalsin

Bibliografia

BURNS, E. M. Western Civilizations, Their History and Their Culture. W. W. Norton & Co. Inc., New York, 1968.

ANKERBERG, J.; WELDON, J. The Facts on Halloween: What Christians Need to Know. Harvest House, Oregon, 1996.

PHILLIPS, P.; ROBIE, J. H. Halloween and Satanism. Starburst, 1987.

HURT, R. The History of Halloween and the Word of God. Manuscrito não publicado.

MARGADONNA, S. Halloween.

Entre o Temporal e a Eternidade:

Entre o Temporal e a Eternidade: O Significado do “Tempo Profético Perfeito” em Isaías


Como um ser infinito, existindo fora do tempo e do espaço, pode transmitir verdades eternas a seres finitos e temporais? A resposta pode estar no hebraico bíblico, especialmente através de um conceito conhecido como o “tempo profético perfeito”. Esse fenômeno gramatical, único ao hebraico, serve para preencher a lacuna entre verdades eternas e nossas experiências mortais efêmeras. Em Isaías 43:1, encontramos uma poderosa declaração do Senhor: “Não temas, pois eu te redimi; chamei-te pelo teu nome; tu és meu.” Este versículo encapsula a profunda relação entre D-us e Seu povo, oferecendo conforto e segurança em meio ao medo e à incerteza. Uma exploração mais profunda da frase e de sua estrutura verbal “eu te redimi” revela sua importância como um tempo “profético perfeito”, ilustrando como D-us percebe o tempo e a realidade de Suas promessas. Se entendermos esse aspecto da gramática do hebraico bíblico, ganharemos uma visão da natureza atemporal das declarações de D-us e da profundidade de Seu compromisso com Sua criação.

O conceito de tempos verbais em hebraico difere significativamente do português. Enquanto usamos seis tempos primários—presente do indicativo, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito—o hebraico apresenta um sistema mais intrincado que permite expressões únicas de tempo. O sistema verbal hebraico pode ser categorizado em dois aspectos principais: perfeito e imperfeito. O aspecto perfeito refere-se, em geral, a ações completadas, enquanto o imperfeito descreve ações em andamento ou incompletas.

O “tempo profético perfeito” introduz uma camada adicional a esse entendimento. Esse fenômeno permite que eventos futuros sejam articulados como se já tivessem sido completados, refletindo uma certeza e uma segurança divina que transcendem as limitações temporais. Em Isaías 43:1, a frase “eu te redimi” utiliza esse tempo “profético perfeito”. Embora pareça estar no passado, transmite uma ação futura que D-us expressa com absoluta certeza. Esse uso enfatiza que a redenção não é apenas uma esperança distante, mas uma realidade assegurada por D-us. Essa compreensão nos convida a refletir sobre a natureza das promessas de D-us. Quando D-us declara: “Eu te redimi”, Ele afirma uma realidade presente fundamentada em Sua perspectiva eterna, reformulando nossa compreensão do tempo e reforçando que as promessas de D-us transcendem nossas experiências mortais.

Para ilustrar esse conceito, considere Isaías 9:6, que afirma: “Porque um menino nos nasceu.” Aqui, o verbo “nasceu” é articulado no tempo perfeito, sugerindo um evento futuro descrito com tal certeza que parece imediato. Essa escolha linguística demonstra como D-us comunica Suas promessas, apresentando-as como inevitáveis e reais, mesmo antes de ocorrerem. Nesse contexto, o “tempo profético perfeito” tranquiliza o povo de Israel, assegurando que, apesar de suas lutas e medos, a promessa de um Messias é certa. O tempo perfeito em “nasceu” sublinha a certeza da profecia, indicando que, na visão de D-us, a realidade futura do nascimento do Messias é tão concreta quanto os eventos passados.

A importância dessa perspectiva é profunda. Quando Isaías pronunciou essas palavras, cerca de 700 anos antes da vida do Messias, ele se dirigia a uma nação em tumulto, enfrentando opressão e incerteza. Ao enquadrar a chegada do Messias de uma maneira que afirma sua certeza, D-us oferece esperança e uma visão para um futuro melhor. O “tempo profético perfeito” enfatiza que, da perspectiva de D-us, o futuro já está entrelaçado com o presente, infundindo esperança e confiança em Suas promessas. Outro exemplo do “tempo profético perfeito” pode ser encontrado em Isaías 53, que fala do servo sofredor. Em versos como Isaías 53:5, “Mas Ele foi ferido por nossas transgressões”, a linguagem transmite uma certeza em relação ao sofrimento e à obra redentora do Messias. Embora esses eventos ainda não tivessem ocorrido no momento da proclamação de Isaías, eles são apresentados de uma forma que destaca sua certeza, evidenciando a soberania de D-us sobre a história.

O “tempo profético perfeito” também é evidente nas promessas de D-us ao longo das Escrituras Hebraicas. Por exemplo, em Gênesis 12:2-3, D-us promete a Abraão que ele será uma grande nação e que todas as famílias da terra serão abençoadas através dele. Embora essas promessas tenham sido feitas muito antes de sua realização, elas transmitem o compromisso de D-us em trazê-las à realidade. Isso reforça a ideia de que o tempo de D-us muitas vezes difere do nosso, mas Suas promessas permanecem firmes.

Examinar o “tempo profético perfeito” revela que esse recurso linguístico não é apenas uma curiosidade gramatical; ele serve como uma estrutura teológica que informa nossa compreensão da natureza de D-us e Sua relação com a humanidade. A capacidade de transmitir eventos futuros com tal certeza desafia nossa percepção do tempo e nos encoraja a confiar no caráter de D-us. Esse conceito de tempo é enriquecido pela compreensão de D-us como um ser eterno que existe fora de nossas limitações temporais. Enquanto nós experimentamos o tempo de maneira linear, D-us vê toda a história simultaneamente. Essa perspectiva permite que Ele faça promessas com total confiança, conhecendo os resultados antes que eles se desenrolem.

Em Isaías 43:1, D-us assegura a Israel que, apesar de suas lutas, a redenção deles é certa. Esta declaração eleva e fortalece a fé deles, permitindo que vejam além das circunstâncias imediatas para a maior realidade do plano de D-us. O “tempo profético perfeito” enfatiza que, da perspectiva de D-us, o futuro já está entrelaçado com o presente.

Concluindo, a afirmação “Eu te redimi” em Isaías 43:1 serve como um profundo lembrete da relação íntima de D-us com Seu povo e de Seu compromisso inabalável com sua redenção. Ao empregar o “tempo profético perfeito”, D-us transmite uma mensagem atemporal que assegura, aos que creem Nele, a sua redenção como uma realidade presente enraizada na promessa divina. Essa compreensão não apenas aprofunda nossa apreciação do texto bíblico, mas também transforma nossa visão sobre nossas vidas e nossa relação com o Senhor. Abraçar essa verdade nos convida a viver na certeza de nossa identidade eterna como o povo redimido de D-us, promovendo uma fé transformadora que permeia todos os aspectos de nossas vidas. O “tempo profético perfeito” serve como um lembrete de que, enquanto navegamos pelos desafios de nossa existência finita, podemos nos apegar às promessas de D-us, confiantes de que Ele está fazendo todas as coisas para o nosso bem e Sua glória. Em última análise, essa compreensão nos convida a uma relação mais profunda com D-us, encorajando-nos a confiar em Sua natureza eterna e em Sua fidelidade ao longo da história.

Adivalter Sfalsin

Sem trilha sonora

A Vida Não Tem Trilha Sonora

Momentos que Definem Nossa Jornada

Você já desejou que a vida tivesse uma trilha sonora? Imagine se, como nos filmes, nossas vidas fossem acompanhadas por uma música que sinalizasse nossos momentos climáticos — os momentos que mais importam. Violinos tocariam durante encontros românticos, tambores anunciariam desafios à frente, e melodias suaves de piano marcariam momentos de reflexão tranquila. Se a vida tivesse esse tipo de trilha sonora, talvez reconhecêssemos os momentos mais significativos enquanto eles acontecem, em vez de perceber sua importância apenas depois.

Alguém que admiro certa vez compartilhou este pensamento: “O problema da vida é que ela não vem com uma trilha sonora.” Ao contrário de um filme, onde a música guia nossas emoções e ajuda a entender os momentos-chave, a vida real não tem esse luxo. Nós navegamos por nossos dias sem saber se uma simples conversa, uma pequena decisão ou um evento aparentemente insignificante será um ponto de virada em nossa história.

Vejamos, por exemplo, a história de José na bíblia. Se você perguntasse a ele quando jovem, ele poderia pensar que sua vida se resumisse os sonhos que teve, o favor de seu pai ou seu papel dentro da família. No entanto, esses não foram os momentos que, em última análise, definiram seu legado. O momento decisivo de José ocorreu em uma terra estrangeira, muito tempo depois de ter sido traído por seus irmãos e vendido como escravo. Anos de dificuldades, falsas acusações e prisão o levaram a um ponto crucial onde ele interpretou os sonhos do faraó e ascendeu ao poder no Egito.

Naquele momento, ele teve uma escolha: usar sua nova autoridade para ganho pessoal ou salvar inúmeras vidas. Sem qualquer pista musical, José escolheu a compaixão, a sabedoria e o perdão. Ele não apenas armazenou grãos para os anos de fome, mas também mais tarde reconciliou-se com seus irmãos distantes. Não houve trilha sonora triunfante para destacar sua resiliência, nem música crescendo para sinalizar a importância de suas decisões. No entanto, esses momentos de força silenciosa e graça tornaram-se a base de sua história e a salvação de sua família.

Da mesma forma, pense na rainha Ester, que enfrentou um momento decisivo em sua vida sem qualquer sinal musical para guiá-la. Ester era uma jovem judia que se tornou rainha da Pérsia, e poderia ter vivido sua vida em conforto e anonimato no palácio. No entanto, quando seu povo estava ameaçado de destruição, ela foi chamada a fazer uma escolha: arriscar sua própria vida para falar com o rei e tentar salvar sua nação, ou permanecer em silêncio e preservar sua segurança pessoal. Com uma simples decisão de se apresentar diante do rei, Ester mudou o destino de milhares de vidas.

Naquele momento, não havia tambores rufando para destacar sua coragem, nem violinos tocando para enfatizar a importância de seu ato. Ela estava sozinha, com apenas sua fé e determinação, enfrentando um risco imenso. Mas foi essa decisão, feita no silêncio, que trouxe salvação para seu povo e transformou Ester em uma figura de heroísmo e fé para todas as gerações.

Se a vida tivesse uma trilha sonora, talvez houvesse música dramática tocando quando José se encontrava diante do faraó, ou quando Ester decidiu entrar na presença do rei sem ser convidada. Mas na vida real, muitas vezes há silêncio, e só percebemos depois o quão cruciais foram esses momentos. Isso é verdade para muitos de nós. Vivemos nossas rotinas, sem saber que pequenos atos de sabedoria, paciência ou coragem podem ser aqueles que nos definem.

Nos filmes, a música nos guia, nos diz quando prestar atenção, quando nos prepararmos para um clímax e quando deixar nossos corações se emocionarem. A vida, no entanto, exige um tipo diferente de percepção. Devemos ouvir atentamente e estar abertos à possibilidade de que cada momento, cada interação, tem o potencial de mudar nossas vidas. Se pudéssemos ver nossas vidas como uma série de cenas conectadas, talvez reconhecêssemos aqueles momentos em que demos um passo à frente, mostramos fé ou agimos com integridade, mesmo quando parecia que ninguém estava prestando atenção.

O desafio, então, é viver como se tivéssemos uma trilha sonora — uma que não podemos ouvir, mas que ainda assim podemos sentir. Procurar os momentos que parecem ordinários, mas carregam o peso da eternidade. Prestar atenção, estar presente e agir com intenção. Porque às vezes, as partes mais significativas de nossas vidas não vêm com uma trilha musical — elas acontecem silenciosamente, mas seus ecos são sentidos por gerações.

Como dizia o profeta Zacarias: “Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esses se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel; esses são os sete olhos do Senhor, que percorrem por toda a terra.” (Zacarias 4:10). Esta mensagem é um lembrete de que até mesmo pequenos começos são significativos e não devem ser subestimados. Quando D-us encorajou o povo a não se desanimar com o modesto início da reconstrução do templo, Ele estava ensinando que cada passo, por menor que seja, faz parte de um plano maior.

Em nossas vidas, aprender diariamente com o Senhor nos ajuda a ver o valor dos pequenos começos. Mesmo quando nossas ações parecem insignificantes, D-us está nos guiando, construindo algo maior do que podemos enxergar no momento. Assim como a paciência de José na prisão e a coragem de Ester ao arriscar sua vida diante do rei resultaram em grandes desfechos, nossos pequenos atos de fé, integridade e coragem não passam despercebidos; eles são como tijolos de uma construção, parte de um plano divino.

Ao confiar em D-us, encontramos força para enxergar além das limitações do presente, acreditando que cada ato, por mais simples que seja, faz parte de um propósito maior. Embora a vida não tenha uma trilha sonora que nos guie por cada passo, podemos aprender a viver no ritmo divino, encontrando harmonia ao seguir a vontade de D-us, especialmente nos momentos decisivos. Quando nos aproximamos Dele, permitimos que Suas mãos conduzam nossa jornada, transformando-a em uma bela sinfonia de fé, esperança e redenção

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Duas Árvores, Dois Destinos

Da Árvore da Morte à Árvore da vida: A Reversão Divina

O conceito de árvores desempenha um papel significativo na história bíblica, simbolizando tanto a queda quanto a redenção da humanidade. Do Jardim do Éden à cruz no Calvário, as árvores representam momentos decisivos onde escolhas foram feitas, levando a consequências que ecoam ao longo do tempo. Esta reflexão explora o profundo simbolismo e os paralelos entre essas duas “árvores” centrais — a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e a Árvore da Cruz — mostrando como D-us usou os próprios elementos do pecado e da morte para trazer salvação e vida.

No Jardim do Éden, D-us colocou a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. A queda da humanidade começou quando Adão e Eva desobedeceram a D-us ao comerem do seu fruto. Talvez não era o fruto em si que era inerentemente errado, mas o ato de desobediência que levou à morte espiritual e à separação de D-us. Este evento marcou a entrada do pecado no mundo — uma “transgressão” que desde então tem sido a raiz de todo pecado, frequentemente referida como “a grande transgressão”. Através dessa primeira árvore, a humanidade foi introduzida ao conhecimento do bem e do mal, mas ao custo de sua comunhão com D-us e o início de seu exílio do Paraíso.

Milhares de anos depois, outra árvore aparece no palco da humanidade — a Cruz. Essa não era uma árvore viva e florescente, mas um pedaço de madeira morto, transformado em um instrumento de tortura e execução. No entanto, tornou-se o símbolo supremo da redenção. Através dessa “árvore morta”, D-us trouxe vida. Assim como o pecado de Adão através da primeira árvore trouxe morte a todos, a obediência do Messias através da segunda árvore traz vida a todos que acreditam.

O apóstolo Paulo enfatiza esse contraste: por meio da desobediência de um homem, o pecado e a morte se espalharam para todos, mas pela obediência de outro, a justificação e a vida se tornaram disponíveis para todos. O Messias desfaz o que foi feito no Éden. Todos nós fomos ligados àquela árvore do pecado no Éden, herdando sua maldição, mas ao nos unirmos à árvore da Cruz, a maldição começa a ser desfeita. Esta é a reversão cósmica da queda — o Éden desfeito.

Em um belo ato de simetria, o Messias escolheu participar de um “cálice”, simbolizando fruto esmagado, durante a última ceia. Em contraste com Adão, que comeu o fruto que trouxe a morte, o messias bebeu o cálice do fruto esmagado do sofrimento, escolhendo voluntariamente suportar a cruz. Este ato desfez a desobediência do Éden, oferecendo um caminho para a redenção e a vida eterna.

Um aspecto profundo da crucificação é como o Messias tomou sobre Si a maldição destinada à humanidade. A Torá declara: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro” (Deuteronômio 21:23), uma lei que apontava para a vergonha e a maldição associadas a tal morte. O apóstolo Paulo, refletindo sobre isso, escreveu: “Messias nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, porque está escrito: ‘maldito todo aquele que for pendurado num madeiro'” (Gálatas 3:13). Ao ir voluntariamente para a cruz, o Messias tomou sobre Si a maldição que era nossa, quebrando o poder do pecado e oferecendo um novo começo.

A serpente, que levou a humanidade ao pecado no Éden, também aparece de forma simbólica durante a jornada dos israelitas no deserto. D-us instruiu Moisés a fazer uma serpente de bronze e levantá-la em um poste. Aqueles que olhassem para ela seriam curados das mordidas de serpente. Aqui, o objeto que representava a morte tornou-se uma fonte de cura. Isso prefigura a crucificação do Messias, onde Ele foi levantado, e por Suas feridas, a humanidade é curada.

Na tradição hebraica, a oferta pelo pecado ou transgressão é chamada “chatat”, que também significa “pecado ou transgressão”. Este duplo significado destaca uma verdade profunda: aquilo que é chamado pecado torna-se o próprio meio para tirar o pecado. O mesmo jogo de palavras aplica-se à oferta pela culpa, “asham”, que significa tanto “culpa” quanto “a oferta pela culpa”. De forma semelhante, o Messias tornou-se “pecado” e “culpa” em nosso lugar, embora Ele fosse sem pecado, para tirar nossos pecados e culpas. (*A1)

As conexões entre a queda no Éden e a redenção na cruz são profundas e numerosas:

  • Desobediência no Éden vs. Obediência no Calvário: No Éden, Adão e Eva escolheram a desobediência ao comerem o fruto. Na véspera de Sua crucificação, o Messias escolheu a obediência ao beber o cálice do sofrimento, mesmo podendo ter evitado.
  • A Nudez do Éden vs. A Nudez na Cruz: Adão e Eva, ao perceberem seu pecado, sentiram vergonha e buscaram cobrir sua nudez. O Messias, embora inocente, foi despido na cruz, carregando a vergonha da humanidade. Nesse ato, Ele ofereceu uma cobertura para nossos pecados. Embora esse aspecto de nudez seja pouco mencionado devido às sensibilidades culturais, é importante lembrar que a crucificação era projetada para ser uma forma de execução extremamente humilhante, expondo o condenado à vergonha pública e infligindo o máximo de sofrimento possível, desencorajando outros a desobedecer à autoridade de Roma.
  • A Árvore do Conhecimento vs. A Árvore da Cruz: A primeira árvore trouxe o conhecimento do bem e do mal, levando à morte espiritual. A cruz, como uma “árvore”, tornou-se o lugar onde o bem supremo (o amor e o sacrifício de D-us) triunfou sobre o mal supremo (o pecado e a morte).
  • A Decepção da Serpente vs. O Papel da Serpente na Redenção: A serpente enganou Adão e Eva, levando-os à árvore. Na história da redenção, a “serpente” (representando o pecado e forças malignas) teve um papel em trazer o Messias à cruz. No entanto, D-us foi soberano sobre tudo, usando o que era destinado para o mal para trazer o maior bem.

A Reversão Cósmica: A história da redenção é uma reversão cósmica da queda. No Éden, D-us colocou a humanidade em um jardim de vida, cercado por árvores que proporcionavam sustento. Após a queda, a humanidade foi amaldiçoada, e a morte reinou. Quando o Messias foi crucificado, Ele foi colocado em uma árvore morta, cercado por outras 2 cruzes, simbolizando a morte. Mas esse ato reverteu a maldição da morte, transformando a “árvore da morte” em uma “árvore da vida” para todos que creem.

  • Da Glória à Coroa de Espinhos: No Éden, a humanidade foi coroada com glória e honra. Na cruz, o Messias foi coroado com espinhos, um símbolo da maldição. Ele assumiu a maldição para restaurar a glória que foi perdida.
  • Do Jardim da Vida ao Jardim da Morte: D-us colocou o homem no Jardim do Éden, um lugar de vida. A humanidade então colocou D-us em um “túmulo no jardim”, um lugar de morte. No entanto, através de Sua ressurreição, aquele túmulo tornou-se a porta para a vida eterna.
  • Da Árvore Viva à Árvore Morta: A queda veio por meio de uma árvore viva, exuberante e cheia de vida. A redenção veio através de uma árvore morta, seca e sem vida, a cruz. Mas assim como D-us pode trazer vida da morte, a cruz tornou-se uma nova Árvore da vida, oferecendo salvação eterna a todos que a abraçam.

Por fim, a história do plano redentor de D-us está cheia de simbolismo, mostrando como Ele pode pegar o que foi destinado para o mal e transformá-lo em bem. A cruz, mais do que qualquer outro símbolo, encarna essa verdade. Ela representa a intersecção do bem e do mal — mal no sentido de que foi o local da execução injusta do Messias, e bem no sentido de que foi o ato supremo de amor, levando à salvação. Através da cruz, D-us transformou a Árvore da Morte em uma nova Árvore da vida, restaurando o que foi perdido no Éden e oferecendo à humanidade um caminho de volta ao paraíso.

A cruz não é apenas um evento; é um poder contínuo para transformar vidas. Como Paulo declarou: “Fui crucificado com o Messias; já não sou eu quem vive, mas o Messias vive em mim.” Quanto mais nos alinhamos com essa árvore, mais seu poder traz vida e liberdade do pecado. A Cruz, em essência, é uma árvore de vida, trazendo restauração, perdão e a promessa de um novo começo. No Éden, a humanidade foi exilada do Paraíso, mas através da Cruz, somos convidados de volta. As bênçãos do Paraíso — plenitude, paz e comunhão eterna com D-us — estão novamente disponíveis, não apenas em um sentido espiritual, mas eventualmente na restauração de toda a criação. A árvore que outrora marcou a separação da humanidade de D-us tornou-se agora o portal para a reunião, levando não apenas a um jardim de vida na Terra, mas ao Paraíso eterno no Céu.

Assim, a cruz é mais que um símbolo; é a revelação máxima do amor e do poder de D-us para fazer novas todas as coisas. É uma árvore que transforma luto em alegria, culpa em inocência e morte em vida. É um convite para que todos venham e partilhem de seu poder de cura, perdão e transformação. Não há tristeza, pecado ou escuridão que o poder dessa árvore não possa superar. O Messias nos chama a ir à Cruz, a experimentar Seu amor e o milagre de sermos feitos novos, redimidos e trazidos de volta aos braços de D-us.

Adivalter Sfalsin

Leia também https://raizeshebraicas.com/2024/10/06/pecadinho-ou-pecadao/

(*A1) Referências bíblicas de alguns tipos de pecado:

Chatat (Oferta pelo Pecado)

  • Levítico 4:1-35 – Este capítulo fornece instruções abrangentes sobre a oferta pelo pecado, exigida quando alguém comete um pecado não intencional. Inclui vários cenários, desde os pecados do sumo sacerdote até os de toda a comunidade, líderes ou membros individuais.
  • Levítico 5:1-13 – Detalhes adicionais são fornecidos sobre situações que requerem uma oferta pelo pecado, como deixar de testemunhar ou tocar em algo impuro.
  • Números 15:22-29 – Esses versículos descrevem ofertas pelo pecado para pecados não intencionais cometidos por indivíduos ou por toda a comunidade.

Asham (Oferta pela Culpa)

  • Levítico 5:14-19 – Instruções sobre a oferta pela culpa para ofensas que envolvem o uso indevido de coisas sagradas e para atos de engano contra D-us ou outros.
  • Levítico 6:1-7 – Diretrizes para ofertas pela culpa quando alguém prejudicou outra pessoa, como por meio de roubo ou engano.
  • Levítico 7:1-7 – Mais detalhes sobre a oferta pela culpa e seus procedimentos sacrificiais.

Messias como Oferta pelo Pecado e pela Culpa

  • Isaías 53:5-6, 10 – A profecia sobre o Servo Sofredor afirma que Ele foi “transpassado por nossas transgressões” e “moído por nossas iniquidades”. O versículo 10 menciona explicitamente que Sua vida foi feita como uma “oferta pela culpa” (asham).
  • 2 Coríntios 5:21 – “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de D-us.” Este versículo reflete a ideia de que o Messias assumiu o pecado, cumprindo o papel da oferta pelo pecado.
  • Hebreus 9:26-28 – Descreve como o sacrifício do Messias foi uma oferta única, removendo o pecado por meio de Seu auto-sacrifício.

Pecadinho ou Pecadão?

Explorando as 5 Palavras Mais Comuns para Pecado na Bíblia Hebraica

Se você passou muitos anos em uma igreja protestante, como eu, provavelmente já ouviu a frase: “Não existe pecadinho ou pecadão, todos são iguais.” No entanto, ao mergulharmos no texto hebraico do Antigo Testamento (Tanakh), vemos que a realidade é mais complexa. A língua hebraica utiliza diversas palavras para descrever diferentes formas de pecado, cada uma com seu significado específico e suas implicações. Cada termo carrega nuances que nos ajudam a entender melhor como o pecado é visto nas Escrituras e os diferentes tipos de impacto que ele pode ter. Convido você a explorar comigo as cinco palavras hebraicas mais utilizadas para descrever o pecado no Tanakh e a compreender mais profundamente a maneira como ele é retratado na Bíblia.

1. רָע (Ra) – Mal, Maldade

A palavra mais utilizada para descrever o pecado no Tanakh é Ra, aparecendo mais de 600 vezes. Este termo amplo refere-se ao mal em geral, englobando tanto a maldade moral quanto o impacto destrutivo das ações pecaminosas. Ra não se limita apenas ao pecado individual; ele também reflete a corrupção do coração e da sociedade como um todo. Em muitos casos, Ra é usado para descrever o mal absoluto e a inclinação humana para ações que se afastam da bondade de D-us.

O uso de Ra é particularmente notável em Gênesis 6:5, onde descreve a maldade generalizada da humanidade antes do Dilúvio: “O Senhor viu que a maldade (Ra) do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração.” Aqui, o termo mostra a corrupção profunda que contaminou todas as esferas da vida humana. O impacto do mal descrito por Ra não é apenas espiritual, mas também físico e social, levando à destruição e ao juízo divino.

Este termo nos lembra que o pecado, em sua forma mais abrangente, é uma força destrutiva que afeta não apenas o indivíduo, mas toda a criação. O mal corrompe as relações humanas, destrói a justiça e a retidão, e desvia as pessoas do propósito divino para suas vidas.

2. חֵטְא (Chet) – Errar o Alvo

A segunda palavra mais comum para descrever pecado no Tanakh é Chet, que aparece cerca de 297 vezes. Chet carrega a ideia de “errar o alvo”, como quando um arqueiro erra seu tiro. Este conceito de pecado enfatiza a falha em alcançar o padrão moral que D-us estabeleceu. Chet abrange tanto pecados cometidos de forma não intencional quanto aqueles que resultam de fraqueza ou ignorância. Embora a intenção por trás do pecado seja relevante, o ato de errar o alvo é, em si, suficiente para desviar a pessoa do caminho de retidão.

Um exemplo de Chet aparece em Levítico 4:2, que descreve o pecado não intencional: “Quando uma pessoa pecar sem intenção, fazendo qualquer das coisas que o Senhor proíbe.” Mesmo que o pecado tenha sido cometido de forma acidental, ele ainda exige arrependimento e expiação. Chet nos ensina que não basta simplesmente evitar pecados intencionais; também devemos estar atentos aos nossos erros e falhas cotidianas, buscando continuamente corrigir nossos caminhos.

Na vida prática, Chet pode se manifestar em momentos em que agimos sem plena consciência das consequências de nossas ações. Embora esses pecados possam parecer menos graves, eles ainda distorcem nosso relacionamento com D-us e com os outros. O importante é reconhecer quando erramos o alvo e nos esforçar para realinhar nossas vidas com os propósitos divinos.

3. עָוֹן (Avon) – Iniquidade, Culpa

Avon, com cerca de 233 ocorrências, refere-se à iniquidade e à culpa resultante de ações deliberadas. Este termo carrega uma gravidade maior que Chet, pois implica intencionalidade. Avon é frequentemente usado para descrever uma corrupção moral profunda, na qual a pessoa sabe que está errada, mas persiste em seu comportamento. O pecado de Avon não apenas resulta em culpa pessoal, mas também pode afetar gerações futuras, pois a iniquidade dos pais pode ser transmitida aos filhos, conforme ensinado em Êxodo 20:5.

Em Isaías 53:5, Avon é usado para descrever a culpa que o Messias levaria sobre si: “Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniquidades (Avon).” Aqui, vemos o peso de Avon como algo que exige uma solução divina, pois o ser humano, em sua falha moral, não consegue se libertar sozinho dessa culpa. A transgressão é profunda, e o arrependimento e o perdão de D-us são necessários para restaurar a alma.

Diferente de Chet, que pode ser uma falha não intencional, Avon é um pecado consciente, e suas consequências são mais graves. As escolhas morais que fazemos têm um impacto duradouro, tanto sobre nós quanto sobre os outros, e o pecado deliberado nos afasta de D-us de uma maneira que exige um esforço profundo de arrependimento.

4. רֶשַׁע (Resha) – Maldade, Injustiça

Com cerca de 263 ocorrências, Resha é uma palavra hebraica que descreve um nível elevado de maldade e injustiça. Resha muitas vezes se refere a ações que envolvem violência, opressão ou injustiça social. Enquanto Avon é mais focado na iniquidade pessoal e na culpa, Resha enfatiza o impacto social e coletivo do pecado, especialmente quando se trata de tratar os outros de forma injusta.

Em Provérbios 15:9, lemos: “O Senhor detesta o caminho do ímpio (Resha), mas ama quem busca a justiça.” Resha revela que o pecado não é apenas uma questão pessoal entre o indivíduo e D-us, mas também envolve a maneira como tratamos os outros. Injustiças sociais, opressão dos vulneráveis e a prática de maldade contra o próximo são todos aspectos de Resha. Este termo ressalta que D-us se importa profundamente com a justiça e a equidade na sociedade.

5. עָוֶל (Avel) – Injustiça, Transgressão

Finalmente, temos Avel, que aparece cerca de 53 vezes e está intimamente relacionado a Resha, embora com um foco maior na injustiça legal e social. Avel é muitas vezes usado para descrever situações em que líderes ou juízes pervertem a justiça, cometendo transgressões que prejudicam os inocentes ou favorecem os poderosos. O conceito de Avel nos lembra que o pecado não é apenas uma questão individual, mas pode se manifestar no sistema judicial e nas estruturas sociais.

Levítico 19:15 adverte: “Não cometam injustiça (Avel) no julgamento; nem favoreçam os pobres nem procurem agradar os grandes, mas julguem o próximo com justiça.” Avel destaca que D-us exige justiça e imparcialidade em todas as esferas da vida, e que a corrupção do sistema judicial é um pecado grave aos Seus olhos.

Este estudo das cinco palavras hebraicas mais comuns para pecado no Tanakh revela que o pecado não é uma questão simples de “certo ou errado.” Cada termo traz uma nova dimensão à nossa compreensão do pecado e suas consequências. Ra fala da maldade geral que destrói a bondade; Chet nos lembra de nossas falhas e de como podemos errar o alvo de D-us; Avon mostra a profundidade da culpa moral; Resha destaca a maldade e injustiça sociais; e Avel alerta para as consequências devastadoras da corrupção no sistema judicial.

Essas palavras nos ajudam a perceber que nem todo pecado é igual, e suas consequências variam. O pecado pode ter impactos profundos não apenas em nosso relacionamento com D-us, mas também em nossa vida comunitária e social. Ao compreender essas diferenças, podemos nos empenhar para viver de forma justa e reta, buscando sempre a retidão e o arrependimento quando falharmos.

Adivalter Sfalsin

O que a imoralidade sexual tem a ver com a idolatria?

Idolatria e Imoralidade: Um Laço Indissolúvel

A relação entre imoralidade sexual e idolatria é um tema que permeia profundamente a Bíblia, oferecendo uma visão de como ambos os pecados não apenas estão moralmente interligados, mas também têm uma origem comum. As narrativas do Bezerro de Ouro e de Baal Peor, na Torá, ilustram vividamente a perigosa conexão entre essas duas formas de traição. Embora possam parecer distintos — com a idolatria focada no âmbito espiritual e a imoralidade sexual nas relações humanas — ambos compartilham paralelos profundos que revelam a erosão dos compromissos sagrados. Ao examinarmos essas histórias, podemos ver que o mau uso da intimidade, seja com D-us ou com outra pessoa, traz consequências devastadoras.

Tanto na história de Baal Peor quanto no incidente do Bezerro de Ouro, os israelitas cometem atos de idolatria e imoralidade sexual, e os dois pecados acontecem de forma paralela, reforçando um ao outro. No caso de Baal Peor, a transgressão de Israel começa com a promiscuidade com as filhas de Moabe: “Israel se envolveu com as filhas de Moabe” (Números 25:1). A conduta sexual desencaminha os israelitas a sacrificarem aos deuses moabitas, Baal Peor, levando-os à idolatria: “Elas convidaram o povo para os sacrifícios aos seus deuses, e o povo comeu e se prostrou diante dos seus deuses” (Números 25:2). O pecado é desencadeado pela indulgência física, que rapidamente se transforma em traição espiritual. Por outro lado, no incidente do Bezerro de Ouro, a sequência é inversa. A idolatria — a construção e adoração do bezerro — vem primeiro, conforme descrito em Êxodo 32:6: “Levantaram-se no dia seguinte, ofereceram holocaustos e trouxeram ofertas pacíficas.” Esse ato de idolatria logo leva à imoralidade sexual: “O povo sentou-se para comer e beber, e levantou-se para se divertir” (Êxodo 32:6). A palavra “divertir” (hebraico: לִצְחַק, litzachek) carrega uma conotação de imoralidade sexual, como se vê em seu uso na história de José e a esposa de Potifar (Gênesis 39:17). Embora a ordem dos eventos seja diferente, os dois pecados estão interligados em ambos os casos, ilustrando como uma forma de traição inevitavelmente leva à outra.

Essa inversão na ordem dos pecados nos trás uma percepção profunda — idolatria levando à promiscuidade no Bezerro de Ouro e promiscuidade levando à idolatria em Baal Peor — não é meramente um recurso narrativo. Em vez disso, aponta para uma verdade mais profunda: idolatria e imoralidade sexual são, fundamentalmente, expressões de um mesmo problema subjacente. Independentemente de qual precede o outro, ambos refletem uma rejeição de relações sagradas e de aliança. A inversão deliberada da sequência na Torá ensina que essas transgressões não são isoladas; pelo contrário, alimentam-se mutuamente, revelando um ciclo de degradação espiritual e moral. No cerne dessa conexão está o mau uso da intimidade, seja em um relacionamento com D-us ou entre seres humanos. A atividade sexual, em seu contexto apropriado, é uma ferramenta poderosa para construir intimidade, confiança e amor dentro de uma relação comprometida. No entanto, quando é usada apenas para prazer físico, dissociada do contexto relacional e espiritual, ela se torna um ato superficial e egoísta. Da mesma forma, a idolatria distorce o ato sagrado de adoração. A adoração deve fomentar um relacionamento profundo e significativo com D-us, mas a idolatria a reduz a uma prática transacional, com o objetivo de manipular o divino para ganho pessoal. Em ambos os casos, seja na promiscuidade sexual ou na idolatria, a essência da transgressão é o egoísmo. O adúltero ou a pessoa promíscua busca apenas gratificação imediata, ignorando o significado mais profundo da intimidade. Da mesma forma, o idólatra não está interessado em um relacionamento genuíno com D-us, mas em usar o ritual como um meio de controlar o divino. Ambas as formas de imoralidade representam uma traição dos relacionamentos que deveriam ser honrados — a intimidade sexual entre parceiros e a intimidade espiritual com D-us.

A conexão entre imoralidade sexual e idolatria torna-se ainda mais clara quando consideramos o impacto que ambos têm nos relacionamentos sagrados. Após o Bezerro de Ouro e Baal Peor, a comunidade sofre consequências devastadoras. A ira de D-us é provocada, e o povo experimenta severas punições, incluindo uma praga que ceifa milhares de vidas. Após o incidente do Bezerro de Ouro, “cerca de três mil pessoas caíram naquele dia” (Êxodo 32:28), enquanto em Baal Peor, “vinte e quatro mil morreram na praga” (Números 25:9). Contudo, não são apenas as consequências externas que importam; é a destruição interna da confiança, lealdade e amor que define essas transgressões. A imoralidade sexual destrói a confiança e a santidade que deveriam existir entre os parceiros, reduzindo o relacionamento a um momento passageiro de satisfação física. Da mesma forma, a idolatria rompe a aliança entre D-us e Seu povo, substituindo-a por rituais vazios, desprovidos de conexão real. Ambos os atos são traições, e ambos levam à erosão da intimidade que sustenta esses relacionamentos.

O ato zeloso de Finéias, a conexão entre idolatria e imoralidade sexual é mais claramente demonstrada na resposta violenta de Finéias ao pecado de Baal Peor. A praga que devastava o acampamento israelita só termina quando Finéias pega uma lança e mata um casal envolvido em conduta sexual imprópria. “Finéias… levantou-se do meio da congregação, pegou uma lança na mão, seguiu o homem israelita até a tenda e os atravessou” (Números 25:7-8). Notavelmente, ele não mata um adorador de ídolos, mas um casal cuja promiscuidade simboliza a traição mais ampla da comunidade a D-us. Por que interromper um ato de imoralidade sexual encerraria uma praga causada pela idolatria? Porque, como o texto sugere, idolatria e imoralidade sexual são duas faces da mesma moeda. Ambas representam uma traição aos compromissos sagrados, e, ao abordar uma, Finéias resolve ambas. D-us recompensa Finéias com a “aliança de paz”, reconhecendo que, ao interromper esse ato público de traição, Finéias preservou o potencial de restauração da intimidade — tanto no relacionamento entre D-us e Israel quanto nos relacionamentos pessoais do povo: “Eis que lhe dou a minha aliança de paz” (Números 25:12). A aliança de paz é justamente aquilo que havia sido destruído tanto pela imoralidade sexual quanto pela idolatria: a paz que surge de um relacionamento profundo, comprometido e amoroso.

A justaposição desses dois pecados — imoralidade sexual e idolatria — na Torá nos ensina uma lição profunda sobre a natureza dos relacionamentos sagrados. Seja em nossa vida espiritual ou em nossos relacionamentos humanos, a intimidade deve ser tratada com reverência e cuidado. Quando abusamos das ferramentas da intimidade, seja através de conduta sexual inadequada ou de atos superficiais de adoração, traímos a essência desses relacionamentos e empobrecemos os laços que deveriam nos elevar. Os paralelos entre Baal Peor e o Bezerro de Ouro nos lembram que violações da moralidade sexual e da fidelidade espiritual estão intimamente conectadas. Uma forma de traição frequentemente leva à outra, e quando a intimidade é mal utilizada, todo o tecido do relacionamento — seja com D-us ou com outra pessoa — se desfaz. Devemos, portanto, ser vigilantes na preservação da santidade dessas ferramentas, usando-as para fortalecer, em vez de enfraquecer, os laços sagrados que compartilhamos com D-us e com o próximo.

Este texto é baseado em uma explicação dada por Immanuel Shalev. Adaptado e escrito por 

Adivalter Sfalsin.

Leitura recomendada: Para aprofundar-se no tema da idolatria e sua relevância do Éden até os dias atuais, convidamos você a ler o artigo “Idolatria: do Éden ao Presente”.

O Coração do Dízimo: Gratidão, Generosidade e Justiça

Dízimo e Prioridades em Deuteronômio 26:11-12: Uma Reflexão sobre os Mandamentos de D-us.


Deuteronômio 26:11-12 aborda um princípio essencial de gratidão, generosidade e cuidado comunitário. Nesses versículos, D-us ordena ao Seu povo que compartilhe as bênçãos que receberam com os outros, especialmente com os necessitados. O ato de dizimar não é apenas um dever religioso; é um reflexo da justiça de D-us e do Seu cuidado com os vulneráveis na sociedade. Vamos analisar os principais componentes dessas instruções e suas implicações para os dias de hoje.

O versículo 11 começa com um chamado à alegria: “E te alegrarás por todo o bem que o Senhor, teu D-us, te deu, a ti e à tua casa, tu, o levita e o estrangeiro que está no meio de ti.” O coração do dízimo é a gratidão. Ele nos lembra que tudo o que possuímos vem, em última análise, de D-us. Ao reconhecer isso, somos chamados não apenas a ser gratos, mas a compartilhar essas bênçãos com os outros, garantindo que ninguém seja excluído da alegria da comunidade.

O versículo 12 foca no dízimo do terceiro ano, frequentemente chamado de “Ano do Dízimo”. Nesse ano específico, os israelitas eram instruídos a reunir o aumento (um décimo da sua renda) e distribuí-lo a quatro grupos principais: os levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas. Essas eram pessoas que não possuíam herança própria (como os levitas) ou que eram particularmente vulneráveis (estrangeiros, órfãos e viúvas). O objetivo era garantir que tivessem o suficiente para comer e viver bem em suas cidades.

As Três Prioridades do Dízimo
O contexto mais amplo do dízimo bíblico revela três prioridades principais para a distribuição do dízimo:

  1. Aos Pobres e Vulneráveis – O foco principal está em cuidar dos membros da comunidade que estão em necessidade. Isso inclui os pobres, os órfãos e as viúvas. Esses indivíduos muitas vezes não têm meios de sustento, e é responsabilidade dos fiéis garantir que suas necessidades sejam atendidas.
  2. Aos Levitas – Os levitas, como servos de tempo integral do Senhor, não possuíam terras nem produziam sua própria renda. Eles dependiam dos dízimos para seu sustento. No contexto moderno, isso corresponde ao apoio àqueles que dedicam suas vidas ao serviço espiritual e à liderança na comunidade.
  3. Ao Depósito Comum (O Templo) – O templo era o centro de adoração e sacrifícios do povo. Os dízimos eram dados para manter a logística do templo, garantindo que ele pudesse funcionar e fornecer um lugar de adoração para a nação. Hoje, isso pode ser entendido como o apoio às necessidades físicas de um local de culto ou reunião da comunidade, como a manutenção de edifícios ou programas.

É fundamental compreender que o ensinamento sobre o dízimo vai além da simples doação de 10% da renda. Essa porcentagem é apenas o ponto de partida que D-us estabelece para Seu povo. O verdadeiro objetivo do dízimo é nos formar como indivíduos generosos e compassivos em todos os aspectos da vida. D-us não deseja que cumpramos uma obrigação, mas que cultivemos um estilo de vida de generosidade que ultrapasse valores fixos.

D-us entende que, por natureza, temos a tendência de nos concentrar na acumulação de riquezas materiais, acreditando que isso nos proporcionará felicidade. Contudo, a mensagem bíblica desafia esse instinto. Ao compartilhar com os outros—especialmente com os pobres, os vulneráveis e aqueles que servem à comunidade—alinhamos nossos corações à vontade de D-us e encontramos a verdadeira alegria de uma vida abençoada. Infelizmente, muitos líderes religiosos manipulam essa fraqueza humana, distorcendo o mandamento de D-us ao ensinar que felicidade se encontra na posse de bens materiais, e que ser abençoado significa possuir o melhor que o mundo pode oferecer. Essa interpretação é uma corrupção dos princípios bíblicos.

Não devemos esquecer que quanto mais D-us abençoa uma pessoa, maior é a responsabilidade de ser generosa; a obrigação social de quem recebe mais é significativamente maior do que a de quem tem menos. Essa verdade muitas vezes passa despercebida por aqueles que veem os bens materiais apenas como um meio de satisfação pessoal, guiados por seus próprios egos e desejos.

D-us nos lembra que a verdadeira felicidade e realização não vêm da acumulação, mas do ato de compartilhar o que temos. Ao ordenar o dízimo e direcioná-lo aos necessitados, D-us está formando Seu povo para resistir ao materialismo e adotar uma postura de altruísmo.

Esse princípio é ecoado nos ensinamentos de Jesus no Novo Testamento. Como afirma o Evangelho de Mateus:
“O Rei dirá aos justos: ‘Venham, vocês que são abençoados por meu Pai, e recebam o Reino que lhes foi preparado desde o princípio. Eu estava com fome, sede, era estrangeiro, estava nu, doente e preso, e vocês cuidaram de mim.’ Os justos perguntarão: ‘Quando fizemos isso?’ O Rei responderá: ‘Sempre que fizeram isso a um dos menores destes, vocês o fizeram a mim.'”

Esse ensinamento enfatiza que o verdadeiro serviço a D-us se reflete em como tratamos os mais vulneráveis entre nós. Quando damos aos necessitados, estamos dando ao próprio D-us.

Em muitas comunidades modernas, essas prioridades mudaram. Muitas vezes, o foco está primeiro na manutenção das operações, seguido do pagamento de despesas administrativas ou de liderança. Somente se sobrar dinheiro é que ele pode ser usado para os pobres ou necessitados. Isso é o oposto do modelo bíblico.

Como mencionado na reflexão sobre esses versículos, muitas pessoas hoje encontram dificuldade em receber ajuda de sua comunidade. Muitas vezes são rejeitadas ou ignoradas ao buscar assistência. Isso está longe do coração do que D-us pretendia para Seu povo. Os pobres e vulneráveis deveriam ser uma prioridade, e não uma reflexão tardia.

Deuteronômio 26:13 nos dá um lembrete sério: aqueles que receberam muito são responsáveis pelo que fazem com isso. O dízimo é descrito como uma “porção sagrada” que pertence a D-us. Não distribuí-lo de acordo com Seus mandamentos não apenas negligencia os necessitados, mas também reflete uma falha em honrar as bênçãos de D-us.

A mensagem aqui é simples: quando falhamos em cuidar dos vulneráveis em nossa comunidade, estamos agindo de forma hipócrita. Proclamamos gratidão pelas bênçãos de D-us, mas falhamos em estender essa bênção aos outros. A verdadeira gratidão se manifesta em ação – compartilhando com os menos afortunados.

O sistema de dízimos não se trata de limitar a generosidade a um valor ou porcentagem fixa. É um ponto de partida, uma ferramenta para moldar nosso caráter em pessoas generosas e compassivas. Somos chamados a ser generosos não apenas no contexto do dízimo, mas em todas as nossas interações e encontros. Seja em nossas comunidades, locais de trabalho ou vidas pessoais, o princípio permanece o mesmo: para sermos verdadeiramente abençoados e viver uma vida plena, devemos aprender a dar aos outros.

Deuteronômio 26:11-12 nos desafia a repensar as prioridades de doação e generosidade dentro de nossas comunidades de fé. Os mandamentos de D-us são claros: os pobres, os vulneráveis e aqueles que O servem devem ser cuidados em primeiro lugar. Ao fazer isso, honramos as bênçãos que recebemos e criamos uma comunidade onde ninguém fica desamparado.

Ao refletirmos sobre esses versículos, devemos examinar nossas próprias vidas e as práticas de nossas comunidades. Estamos realmente vivendo o mandamento de cuidar dos pobres e vulneráveis entre nós? Estamos usando os recursos de D-us de maneira que reflita Seu coração de justiça e compaixão? E estamos permitindo que as instruções de D-us sobre o dízimo nos transformem em pessoas generosas, além dos 10%? Estas são as perguntas que todo crente e comunidade deve fazer ao buscar viver fielmente os mandamentos de D-us.

Adivalter Sfalsin

Você é Livre de Verdade?

Você é Livre de Verdade?

A liberdade é um conceito amplamente discutido e interpretado ao longo dos séculos, especialmente em contextos religiosos, filosóficos e sociais. A narrativa bíblica da libertação dos hebreus no Egito é um dos textos mais antigos que aborda a questão do livre-arbítrio, propondo reflexões profundas sobre o que significa, de fato, ser livre. Em Êxodo 8:1, o Senhor ordena a Moisés: “Vai a Faraó e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.” Esse versículo, aparentemente simples, levanta questões complexas sobre a natureza da liberdade. Afinal, se D-us deseja que o povo saia do Egito para servi-Lo, onde está o livre-arbítrio?

A narrativa sugere que, embora os hebreus fossem libertos da servidão a Faraó, eles seriam, de certa forma, chamados para servir a outro Senhor, D-us. À primeira vista, isso pode parecer contraditório à ideia de liberdade plena. No entanto, a essência da questão reside no tipo de serviço e nas consequências que esse serviço traz. O povo tinha uma escolha: continuar servindo a Faraó, o símbolo do cativeiro e da opressão, ou seguir Moisés ao deserto, onde serviriam ao Senhor. O que está em jogo não é a ausência de servitude, mas sim a escolha de a quem servir. Como nos revela essa narrativa, a verdadeira liberdade não se encontra na rejeição de toda autoridade, mas na escolha do tipo de autoridade a qual nos submetemos.

A liberdade, aqui, não é a ausência de servidão, mas a capacidade de escolher a quem servir. E, nesse contexto, não servir a ninguém não é uma opção, não existe campo neutro. O indivíduo pode servir a Faraó, representando os seus próprios desejos, pecados, inclinações e limitações, ou pode servir a D-us, que oferece uma relação transformadora, mas ao mesmo tempo também desafiadora.

O Egito, nessa narrativa, funciona como uma metáfora para a escravidão espiritual. Embora o cativeiro seja opressor, ele é familiar e oferece uma falsa sensação de segurança. O deserto, por outro lado, representa a liberdade de um mestre tirano, mas uma liberdade ao mestre amoroso é cheia de incertezas, porque não conhecemos o futuro que Ele reservou. Ir para o deserto é optar pelo desconhecido, pelo risco, pela fé no que está por vir. No entanto, essa jornada também implica em um compromisso: servir a D-us, que nos chama para uma relação de entrega e dedicação.

A palavra hebraica utilizada no versículo, “ʿāḇaḏ” (עָבַד), significa trabalhar ou servir voluntariamente. Isso sugere que o serviço ao Senhor não é uma escravidão forçada, mas um convite a uma relação voluntária e transformadora. A ideia de servir, no contexto bíblico, é muito mais próxima de uma entrega consciente e dedicada, semelhante à dos levitas, que dedicavam suas vidas ao serviço de D-us.

Portanto, a narrativa propõe que a escolha é simples: servir a Faraó, ou seja, continuar preso aos próprios desejos e limitações, ou servir a D-us, o que implica em uma liberdade que transcende o plano terreno e que se constrói sobre a fé. A liberdade de escolha existe, mas a natureza humana implica que, de uma forma ou de outra, estaremos sempre sob alguma autoridade, seja a dos nossos desejos ou a de algo maior que nós mesmos.

Há, entretanto, uma grande diferença entre os dois tipos de serviço. Faraó, que aqui representa os pecados e as limitações humanas, oferece uma servidão que escraviza e aprisiona. D-us, por outro lado, quando aceita a nossa entrega, nos adota como filhos. O apóstolo Paulo, em sua carta aos Efésios, capítulo 1, versículo 5, diz: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.” Essa adoção não pode ser revogada, um aspecto interessante da prática romana, que Paulo utiliza como analogia. Enquanto um pai poderia desertar um filho de sangue, a adoção era irrevogável. Uma vez filho, sempre filho.

Portanto, a liberdade verdadeira está em escolher o Senhor que nos oferece uma relação de amor e compromisso eterno. Mesmo que a liberdade plena, no sentido de não servir a ninguém, seja impossível, a escolha de a quem servir define nossa condição espiritual e nossa vida. Servir a D-us é entrar em uma relação de adoção, onde o Senhor nos chama de filhos e nos garante uma liberdade que, ainda que dentro de uma servitude voluntária, é uma liberdade plena de propósito e significado. A verdadeira liberdade é estar livre de todo desejo que nos aprisiona. 

Adivalter Sfalsin

Idolatria: Do Éden ao Presente

Desde a infância, sempre me perguntei por que adultos se prostram diante de estátuas e símbolos, fazendo pedidos para suas necessidades mais diversas, desde curas até aspirações de ascensão social. De onde surgiu essa prática? Qual é o atrativo dos ídolos? Qual é o poder que eles possuem? E, principalmente, qual é a nossa relação com eles? A idolatria vai além de uma mera curiosidade histórica e possui profundas implicações para nossa compreensão da natureza humana e da espiritualidade. Ao examiná-la sob uma perspectiva bíblica, descobrimos suas origens, os perigos inerentes e os contrastes entre a adoração politeísta e monoteísta.

A idolatria pode ser rastreada desde o início da história humana. No Jardim do Éden, Adão e Eva viviam em um estado de provisão divina e em perfeita relação com D-us. Todas as suas necessidades eram atendidas pelo Criador, e eles desfrutavam de perfeita harmonia com Ele. Contudo, o desejo de autonomia os levou a buscar controle sobre seu próprio destino ao comerem do fruto da árvore do conhecimento, desobedecendo à proibição expressa de D-us:

“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:17).

Esse ato refletiu um desejo profundo de controlar o próprio destino e obter um conhecimento que era reservado a D-us — a prerrogativa de determinar o que era bom ou mau. Essa busca por controle encapsula a essência da idolatria: o desejo de influenciar aspectos da vida que estão além do controle humano.

Ao longo da história, diferentes povos adoraram múltiplos deuses. Um soldado, por exemplo, poderia buscar proteção em batalha de uma divindade da guerra, enquanto um agricultor poderia rezar por uma colheita bem sucedida. Mas, em praticamente todas as culturas, um tipo de deus era comum: o deus da fertilidade. Os egípcios, nórdicos, etruscos, maias e cananeus — todos eles tinham divindades da fertilidade, pois a fertilidade era crucial para a sobrevivência e prosperidade. O mundo antigo era cheio de medos e incertezas, desde colheitas ruins que poderiam levar à fome até as altas taxas de mortalidade infantil. A adoração de ídolos oferecia uma forma de enfrentar esses medos, prometendo controle sobre a fertilidade e o sustento. Nos sistemas politeístas, a adoração girava em torno de apaziguar vários deuses para obter favores específicos. Essas relações eram transacionais, movidas pelo medo e interesse próprio. A atração pelo controle sobre aspectos incontroláveis da vida foi central para a adoração de ídolos. Os adoradores buscavam benefícios desses deuses, não por amor ou gratidão, mas para alcançar resultados específicos.

Em contraste, o monoteísmo, conforme ensinado na Bíblia, enfatiza um relacionamento pessoal com um D-us que é a fonte de toda a vida e bênçãos. Esse D-us não exige adoração transacional, mas deseja um relacionamento genuíno, assim como era no Jardim do Éden. O monoteísmo ensina que tudo vem de uma única fonte divina, e a adoração deve ser uma expressão de gratidão, em vez de um meio de manipular ou controlar.

A Bíblia condena a idolatria por várias razões: Ela viola o Primeiro Mandamento ao colocar outros deuses antes de Adonai.

“Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3).

E o Segundo Mandamento ao fazer e adorar imagens esculpidas.

“Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu D-us, sou D-us zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êxodo 20:4-5).

A adoração de ídolos muitas vezes leva a um significativo declínio moral e espiritual, associando-a a práticas corruptoras, como o sacrifício de crianças e a imoralidade sexual.

“Porque até os seus filhos e as suas filhas queimaram no fogo aos seus deuses. Tudo o que eu vos ordeno, observareis; nada lhe acrescentareis nem diminuireis” (Deuteronômio 12:31).

“E queimaram a seus filhos e as suas filhas no fogo, e usaram de adivinhações e de prognósticos; e venderam-se para fazer o que era mau aos olhos do Senhor, para o provocarem à ira” (2 Reis 17:17).

Na antiguidade, a adoração aos ídolos estava estritamente ligada à prática sexual em público e, muitas vezes, em grupo, um atrativo para manter o engajamento humano. Muitos templos tinham sacerdotes e sacerdotisas cuja função primária era seduzir novos adeptos com sua sensualidade exagerada. Na verdade, a adoração aos ídolos revela a essência caída da alma: sede por controle, insegurança e materialismo. O Salmo 115 descreve os ídolos como sendo feitos de prata e ouro, moldados pelas mãos dos homens. Embora possuam forma humana — com boca, olhos, ouvidos, nariz, mãos e pés — eles são incapazes de falar, ver, ouvir, cheirar, tocar ou andar. Esses objetos criados não têm vida própria, sendo totalmente impotentes. E o texto faz uma observação ainda mais incisiva: aqueles que adoram ídolos acabam se tornando como eles. Esses indivíduos perdem a sensibilidade espiritual, tornando-se espiritualmente cegos e surdos, incapazes de discernir a verdade.

“Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não veem. Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. Semelhantes a eles se tornem os que os fazem, e todos os que neles confiam” (Salmo 115:4-8).

Essas práticas refletem uma degradação moral mais ampla que acompanha a adoração de deuses falsos. O adultério espiritual na idolatria significa uma traição do relacionamento com D-us, levando a uma bússola moral corrompida e a uma saída da retidão.

Engajar-se na idolatria pode resultar em uma profunda separação de D-us. A Bíblia adverte que a idolatria leva à cegueira espiritual e ao endurecimento do coração, dificultando a compreensão genuína e o relacionamento com o divino:

“Sim, endureceram o coração como diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas que nos precederam. Por isso, veio a grande ira do Senhor dos Exércitos” (Zacarias 7:12).

“Todos os artífices de imagens de escultura são vaidade, e as suas coisas mais desejáveis são de nenhum préstimo; e as suas próprias testemunhas nada veem, nem sabem, para que eles sejam confundidos” (Isaías 44:9-20).

Essa separação sublinha as sérias consequências de se afastar da verdadeira fonte de orientação e apoio espiritual.

Além disso, a Bíblia também descreve a idolatria como levando a consequências severas, incluindo julgamento e destruição divinos. Relatos históricos ilustram como a idolatria resultou na queda de nações e comunidades, demonstrando o poder destrutivo da desobediência aos mandamentos de D-us.

“Não farás aliança alguma com eles, nem com os seus deuses” (Êxodo 23:32).

“Porque fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; assim a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria” (Deuteronômio 7:4).

“E não andastes após outros deuses para os servirdes e para os adorardes, nem me provocastes à ira com as obras de vossas mãos para vosso próprio mal. Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos: Visto que não escutastes as minhas palavras” (Jeremias 25:6-7).

Essas consequências se manifestam tanto no plano espiritual quanto no material. A confiança nos ídolos frequentemente leva a uma segurança ilusória e mal direcionada. A Bíblia ensina que os ídolos são impotentes e incapazes de oferecer a verdadeira ajuda ou salvação que as pessoas buscam.

“Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Habacuque 2:18-19).

“Os ídolos não podem andar, têm de ser levados nos ombros, porque não andam; não tenhais receio deles, pois não podem fazer mal, nem tampouco têm poder de fazer bem” (Jeremias 10:5).

A dependência desses objetos ou divindades impotentes pode resultar em profunda decepção e uma falsa sensação de segurança, pois eles não podem cumprir suas promessas ou oferecer verdadeiro apoio espiritual ou material. Além disso, a idolatria pode ter impactos sociais mais amplos, levando à corrupção moral e espiritual generalizada. A Bíblia alerta que a idolatria pode se espalhar pelas sociedades, corroendo valores religiosos e éticos e contaminando a verdadeira adoração.

“Não farás aliança alguma com eles, nem com os seus deuses. Na tua terra não habitarão, para que te não façam pecar contra mim; se servires aos seus deuses, certamente isso será um laço para ti” (Êxodo 23:33).

“30 E fez Acabe, filho de Onri, o que era mau aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes dele. E sucedeu que (como se fora pouco andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate) ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi e serviu a Baal, e o adorou.” (1 Reis 16:30-31).

Essa corrupção mina a integridade comunitária e a base moral compartilhada, essenciais para uma sociedade saudável.

Os princípios contra a idolatria permanecem relevantes hoje. A verdadeira adoração envolve reconhecer o controle absoluto de D-us e expressar gratidão, em vez de tentar manipular práticas espirituais para ganho pessoal. Rituais e sacrifícios devem ser expressões de amor e relacionamento, não ferramentas para alcançar objetivos pessoais. Evitar a idolatria significa rejeitar tentativas de controlar ou influenciar aspectos da vida além do nosso controle e nos encoraja a construir um relacionamento genuíno com D-us, a fonte de todas as bênçãos e a autoridade máxima em nossas vidas.

A idolatria não é apenas uma prática antiga, mas um reflexo das tendências humanas contínuas de buscar controle sobre aspectos da vida que permanecem além do nosso alcance. Os ensinamentos bíblicos sobre a idolatria oferecem um poderoso lembrete de seus perigos espirituais, morais e sociais. Compreender a diferença entre politeísmo e monoteísmo ajuda a iluminar por que adorar múltiplas divindades ou objetos físicos pode levar a profundas consequências, incluindo degradação moral e separação espiritual do único D-us verdadeiro. Ao prestar atenção a esses avisos, indivíduos e comunidades podem cultivar uma vida espiritual mais sincera e significativa, apreciando a importância de manter uma devoção pura e indivisa a D-us, evitando as armadilhas da confiança mal colocada em ídolos e da corrupção moral.

Adivalter Sfalsin

A Bênção de D-us: Compreendendo a Distinção entre Bārak e ʾĀšar

Bendito és Tu, Senhor; ensina-me os teus estatutos.** (Salmo 119:12 NASB)

Em hebraico, existem duas palavras que são traduzidas como “bendito”: ʾāšār e bārûk. A primeira, ʾāšār, é utilizada em versículos como o Salmo 1:1 e se aplica aos seres humanos. A segunda, bārûk, aparece no versículo acima e é direcionada a D-us. Embora a diferença entre essas duas palavras não seja clara em português, compreender essa distinção é fundamental para entender seu uso nas escrituras.

Existem dois verbos hebraicos que significam “abençoar”: bārak e ʾāšar. Mas qual é a diferença entre eles? O verbo bārak é utilizado quando D-us abençoa alguém, expressando um ato de generosidade divina que não depende de mérito humano. Por outro lado, o verbo ʾāšar nunca é usado por D-us, pois é associado a um estado de desejo humano. Quando alguém abençoa a D-us, o verbo é sempre bārak, nunca ʾāšar. Uma razão para essa distinção é que ʾāšar está ligado ao desejo humano de alcançar uma condição invejável: “digno de ser invejado é o homem que confia no Senhor”. D-us, por sua natureza, não almeja o que é humano e, portanto, nunca usa ʾāšar para abençoar.

Além disso, a iniciativa de usar bārak sempre vem de D-us, que concede Suas bênçãos independentemente de qualquer ação humana. Já ʾāšar requer uma ação positiva do homem para que se torne “bendito”. Bārak é mais uma bênção, enquanto ʾāšar é uma congratulação. No grego, bārak é traduzido como *eulogētos*, e ʾāšar como *makarios*. 

Para ser considerado “bendito” (ʾāšrê), o homem precisa realizar ações positivas e seguir os caminhos de D-us. Por exemplo, um homem bendito é aquele que confia em D-us sem duvidar, conforme indicado nos seguintes versículos:

– “Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.” (Salmos 34:8)

– “Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.” (Salmos 40:4)

– “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.” (Salmos 84:5)

– “O que atenta prudentemente para o assunto achará o bem, e o que confia no Senhor será bem-aventurado.” (Provérbios 16:20)

Outro exemplo de uma pessoa “bendita” é aquela que segue a autoridade das revelações de D-us, seja através de sua Torá, seus mandamentos ou suas palavras, conforme mencionado em versículos como:

– “Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na Torá do Senhor.” (Salmos 119:1)

Ajudar os pobres também é um ato que leva a ser considerado bendito:

– “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o SENHOR o livrará no dia do mal.” (Salmo 41:1)

– “O que despreza ao seu próximo peca, mas o que se compadece dos humildes é bem-aventurado.” (Provérbios 14:21)

Por outro lado, o Salmo 1 destaca a ideia de que “bendito é o homem que não faz” certas coisas, como se associar aos ímpios:

– “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.” (Salmos 1:1)

O salmo termina afirmando que os ímpios serão isolados no final, pois não estarão presentes no julgamento e perecerão.

De acordo com Harrison, a tradução para o grego usa *eulogētos* para bārak e *makarios* para ʾāšar. Todas as Bem-aventuranças começam com *makarios*, lembrando-nos de que essas não são dádivas divinas, mas algo que se conquista com esforço humano. Contudo, aqui a ideia central é mostrar nossa gratidão a D-us. Essa é a verdadeira resposta que podemos oferecer: nosso louvor. É crucial lembrar que D-us nunca chama o homem de “bendito” com o termo ʾašrê, pois Suas bênçãos são uma graça imerecida, que não depende de nosso esforço. Em resposta, devolvemos a D-us o que Ele nos oferece, louvando-O com a mesma palavra. Você e eu podemos encontrar felicidade (ʾašrê) por meio de nossos esforços, mas tudo isso depende, no fim das contas, da benevolência de D-us. Por isso, cantamos: “Bendito és Tu.”

Este texto é baseado em um artigo que li do Ph.D. Skip Moen, publicado em 17 de julho de 2024.

Adivalter Sfalsin

Dois Homens, Um Caminho e Dois Destinos: Uma Viagem entre Altruísmo e Egoísmo

O artigo de hoje é baseado na análise do rabino David Fohrman sobre os paralelos entre os textos de Gênesis 22 e Números 22. As histórias de Balaão e Abraão na Bíblia oferecem paralelos notáveis que destacam diferenças significativas em seus papéis e destinos. Embora ambos os personagens sejam apresentados em momentos críticos, suas abordagens às instruções divinas e suas motivações revelam lições profundas sobre caráter e obediência. Este artigo explora essas diferenças e as lições que podemos extrair para nossas vidas.

Abraão e Balaão são descritos levantando-se cedo e preparando seus jumentos para cumprir missões que envolvem instruções divinas. Em Gênesis, Abraão “levantou-se cedo pela manhã e selou seu jumento” (Gênesis 22:3) para realizar o sacrifício de seu filho Isaac, enquanto, em Números, Balaão “levantou-se cedo pela manhã e selou sua jumenta” (Números 22:21) para amaldiçoar os israelitas. Ambos são acompanhados por dois jovens em suas jornadas, um detalhe que acentua a semelhança entre as duas histórias.

Apesar dessas semelhanças, os destinos dos dois personagens divergem drasticamente. A missão de Abraão é interrompida por um anjo que o testa em sua fé e obediência. O teste culmina na confirmação de sua lealdade a D-us, demonstrada pela disposição de sacrificar seu filho. A intervenção do anjo, nesse caso, serve para validar a fé inabalável de Abraão.

Por outro lado, Balaão também enfrenta uma intervenção divina quando um anjo aparece para impedir que ele amaldiçoe os israelitas. No entanto, essa intervenção destaca a resistência de Balaão em compreender e aceitar plenamente a vontade de D-us. Embora Balaão seja um profeta, suas ações revelam uma tentativa de manipular os comandos divinos para atender a seus próprios interesses, o que contrasta com a atitude de Abraão.

A obediência de Abraão a D-us é um exemplo de verdadeira submissão. Ele segue as instruções divinas sem questionar, mesmo quando isso implica um grande sacrifício pessoal. Abraão demonstra uma compreensão clara da vontade de D-us e age de acordo com ela, sem permitir que seus próprios desejos influenciem suas ações.

Em contraste, Balaão tenta manipular as instruções divinas. Embora afirme seguir a vontade de D-us, ele busca reinterpretar e ajustar as palavras divinas para satisfazer seus próprios interesses. Quando D-us lhe diz inicialmente para não ir com os mensageiros de Balaque, Balaão volta a perguntar, na esperança de obter permissão para agir conforme seus próprios desejos. Sua relutância em aceitar a vontade divina revela uma falta de humildade e uma tendência ao autoengano.

Abraão não é influenciado pelo ganho material. Sua principal preocupação é cumprir a vontade de D-us, sem buscar recompensas pessoais. Sua vida é marcada pelo altruísmo e pelo desejo de justiça, guiado por um senso de missão divina.

Balaão, por outro lado, demonstra um forte desejo de riqueza e reconhecimento. Ele expressa interesse por uma casa cheia de ouro e prata, revelando que suas verdadeiras motivações são guiadas pelo desejo de ganho pessoal. Esse foco em riquezas demonstra uma falha moral significativa e ofusca sua capacidade de agir de acordo com a vontade divina.

Lições dos Sábios: A Mishnah*, no tratado Avot 5:19, faz uma comparação entre Abraão e Balaão com base em suas características morais e espirituais. Os discípulos de Abraão são definidos por humildade e integridade, enquanto os discípulos de Balaão são marcados por arrogância e autoengano. O maior erro de Balaão é mentir para si mesmo sobre o verdadeiro significado das instruções divinas. Para ver e seguir a vontade de D-us claramente, é necessário retirar o ego da equação e agir com sinceridade.

A comparação entre Abraão e Balaão, oferece lições valiosas sobre caráter e obediência. Abraão é um exemplo de humildade, altruísmo e verdadeira obediência a D-us, enquanto Balaão representa arrogância, autoengano e a tendência de manipular comandos divinos para ganho pessoal. Ao refletirmos sobre essas histórias, somos incentivados a cultivar qualidades de humildade e integridade, buscando uma compreensão clara e honesta da vontade de D-us em nossas vidas. Essas lições são atemporais e oferecem um guia moral para enfrentar os desafios da vida com retidão e fé. Perguntamo-nos, então: que tipo de discípulo você deseja ser?

Adivalter Sfalsin

* A Mishnah é um dos textos centrais da lei e tradição judaica. É uma compilação de leis orais, tradições e ensinamentos que foram transmitidos de geração em geração e eventualmente escritos por volta do ano 200 d.C.