O que é que o Senhor espera de ti?

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” Miquéias 6:8

O profeta Miquéias (Mikhâ, forma abreviada de Mikayahu em hebraico מִיכָיָ֫הוּ, ‘quem é como Deus?’) profetizou por volta de 742 a 687 AC, cerca de 55 anos, durante os reinados de três reis de Judá: Jotão, Acaz e Ezequias. Nasceu em Moresete cerca de 40 km ao sudoeste de Jerusalém, nas terras baixas de Judá, perto de Gate, na terra dos filisteus. Foi contemporâneo de Isaías. Escreveu para os habitantes de reino de Judá, a fim de adverti-los de que o juízo divino era iminente por haverem rejeitado a D-us e aos seus mandamentos (a Toráh – os 5 livros de Moisés). Livro de Miquéias é o sexto livro de 12 dos profetas menores do Tanak – conhecido pelos cristãos como Velho Testamento.
Miquéias advert aos reinados do norte (Israel cuja capital era Samaria) e do sul (Judá cuja capital era Jerusalém) contra a corrupção do povo e esquecimento dos mandamentos da Toráh. Estavam indo ao contrário aos mandamentos do Senhor, consequentemente houve um total colapso moral na sociedade, os juízes vendiam sentenças em favor dos ricos, os pobres eram explorados, falsos profetas barganhavam profecias de prosperidade, no comércio cidadãos alteravam as balanças e a qualidade dos produtos para obterem um lucro maior, seus filhos (muitos deles recém nascidos) eram oferecidos queimados em sacrifício à deuses pagãos (hoje se sacrifica inocentes no altar da conveniência), lideres religiosos e políticos se enriqueciam com a venda proibida de propriedades, uma vez que as propriedades só eram permitidas de passar de mãos através das famílias.
É nesse contexto que Miquéias escreveu seu famoso versículo: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” Depois da advertência da destruição total de Jerusalém e Samaria pelos assírios e babilônios o Senhor oferece uma oportunidade para o povo voltar a Ele e andar em seu caminho, evitando assim total calamidade.

O caminho é simples e demonstra o desejo do Senhor que o povo se aproxime dele, em três passos graduais mas íntegros e complementares.
1 – praticar a justiça
2 – amar a benignidade
3 – andar humildemente

Esses passos fazem parte de uma progressão com a finalidade de se aproximar do Senhor gradativamente.
Primeiro passo – Justiça – em hebraico Tzedakah (צְדָקָה), normalmente traduzido para o português como caridade ou justiça. Na verdade a idéia é de compartilhar o que temos com outras pessoas, e não é algo especial ou extraordinário, é algo que devo fazer no meu dia a dia, a coisa honesta e justa a fazer. Tzadakah é uma obrigação que o Senhor espera de todos aqueles que o seguem. Geralmente pratica-se com seu exterior.

Segundo passo – benignidade – em hebraico Hesed (חֶסֶד) a palavra benignidade não tem muito peso no nosso vocabulário cotidiano, além de bondade. A idéia no hebraico é a seguinte; enquanto o Tzedakah – justiça, se refere a contribuição monetária ao seu proximo em necessidade, Hesed vai um pouco mais além, o compartilhar não se restringe a contribuição monetária mas o compartilhamento do seu tempo, habilidade e conhecimento, um envolvimento pessoal com o beneficiário de sua justiça. Seu envolvimento com a pessoa não há limites, ajuda não é restringida ao pobre, mas a ajuda pode ser oferecida também ao rico independente da classe social. Assim sua característica essencial não é o dinheiro, mas o serviço pessoal. Hesed se torna mais excelente do que Tzedakah. Geralmente pratica-se com seu exterior e interior.

Terceiro passo – Andar em humildade – em hebraico Sāna (צָנַע) humildade, na progressão do verso andar humildemente se torna uma consequência dos 2 primeiros passos. Ao reconhecer que tudo o que você tem, tudo o que você é vem do Senhor (dependência) o compartilhamento dos seus bens materiais (ter) e do seu tempo (Ser) torna-se natural e a humildade é o produto final dessa relação que gradualmente se torna pessoal com o Eterno. Em vez de nos orgulharmos do que oferecemos a Deus, reconhecemos humildemente que nenhum sacrifício pessoal pode substituir um coração comprometido com a justiça e o amor. Pratica-se com todo a tua força toda sua alma eu todo o seu coração, expressando o exterior, interior e entendimento, como prescrito em Deuteronômio 6:5 “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças”.

Como os falsos profetas contemporâneos de Miquéias hoje em dia existem falsos profetas pregando um “evangelho” de prosperidade pessoal que ignora totalmente a justiça que D-us requer de cada um de nós, se torna falso uma vez que o indivíduo e seus desejos se tornam o alvo das “benções” de um deus que precisa do seu recurso material para lhe abençoar. A idea é tão absurda, assim como se eu pudesse oferecer ao mar um copo d’agua. Não há nada que podemos acrescentar a D-us, ele é dono de tudo que existe, não há nada que possamos acrescentar a salvação, ela é dada de graça assim como foi para com Israel quando ainda era escravo no Egito. Mas uma coisa podemos fazer; andar em humildade e se aproximar de D-us cumprindo seus mandamentos (Toráh – Deuteronômio 30:11-15), assim como Israel depois de ser salvo do Egito, andou perante D-us no deserto crescendo diariamente mesmo com queixas, limitações, decepções, erros e acertos. Esse é o caminho que commumente chamamos de “santificação” ou seja separado para o Senhor para um propósito.

O Salmista Davi escreveu nos Salmo 51:17
”Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Esse deve ser nosso alvo, andar humildemente com um coração contrito praticando a justiça – Tzedakah e o benignidade Hesed.

Deuteronômio 30:11-15
“Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de ti. Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires. Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal;”

Autor: A Sfalsin

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