Honra na Adversidade

O Salmo 23 é uma das passagens mais amadas da Bíblia. Davi, o pastor que se tornou rei, descreve poeticamente o cuidado divino de uma maneira profundamente relacional—usando a imagem de um pastor cuidando de seu rebanho. O salmo começa com D-us suprindo todas as necessidades, guiando Seu povo a pastos verdejantes e águas tranquilas, restaurando suas almas e conduzindo-os pelo caminho certo. Então, entramos no “vale da sombra da morte”—um lugar escuro e assustador—onde Davi nos lembra que não caminhamos sozinhos.

De repente, chegamos ao versículo 5: “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos.” Espere—o quê? Um banquete? Bem na frente dos inimigos? Esse é um detalhe inesperado. Imagine estar cercado de perigos e, ainda assim, D-us prepara a mesa, arruma os talheres e te convida para comer como um convidado de honra. O que isso significa e como se aplica às nossas vidas hoje?

O Contexto Cultural e Histórico do Salmo 23

Para entender o peso desse versículo, precisamos calçar as sandálias de um israelita da antiguidade e compreender o mundo antigo. A hospitalidade não era apenas um gesto gentil; era um dever sagrado. O anfitrião era responsável pelo bem-estar de seu convidado, mesmo que isso significasse risco pessoal. Se você fosse convidado para a casa de alguém, estava sob sua proteção. Mesmo que houvesse inimigos do lado de fora, enquanto você estivesse à mesa do anfitrião, eles não poderiam te tocar. Era assim que a hospitalidade funcionava no Antigo Oriente Próximo. Davi, que escreveu esse salmo, conhecia bem a sensação de ter inimigos. Seja o rei Saul perseguindo-o ou nações rivais, como os filisteus, buscando sua destruição, Davi sabia o que era estar cercado. Ainda assim, ele pinta um quadro divino preparando uma mesa—um sinal de abundância, honra e segurança—mesmo com a oposição por perto.

A Mesa do Pastor

Antes de deixar as ovelhas pastarem, os pastores inspecionavam a terra, removendo perigos como plantas venenosas e predadores como cobras. A “mesa” nesse contexto representa a terra preparada para o pasto, destacando o papel divino em abrir caminho para Seu povo em situações perigosas. D-us não apenas nos guia para a batalha; Ele nos alimenta e sustenta mesmo quando o inimigo está por perto. No mundo antigo, compartilhar uma refeição tinha um significado profundo. Em alguns casos, inimigos se reconciliavam ao comer juntos—selando tratados de paz à mesa. Mais frequentemente, reis realizavam banquetes suntuosos para celebrar vitórias, às vezes diante dos inimigos derrotados. A mesa divina na presença dos nossos inimigos não é apenas sobre sobrevivência—é sobre triunfo. É uma declaração de que estamos sob Seu favor divino, não importa quem se levante contra nós. D-us não apenas nos faz passar pelos desafios—Ele nos abençoa no meio deles.

O Que Isso Significa Para Nós Hoje?

O que significa, então, “D-us preparar uma mesa para você na presença dos seus inimigos?”

  1. Paz no Caos – A vida é cheia de batalhas—algumas externas, como pessoas difíceis ou circunstâncias injustas, e outras internas, como ansiedade e medo. D-us nem sempre remove os inimigos imediatamente, mas Ele nos provê no meio da tempestade. Enquanto o mundo espera que entremos em pânico, D-us nos convida a sentar, comer e confiar Nele.
  2. Ele nos Honra – O mundo pode não reconhecer seu valor, mas D-us reconhece. Estar à mesa dEle é um sinal de favor divino. Não se trata de arrogância, mas de entender sua identidade em Cristo. Você não é uma vítima—você é filho do Rei.
  3. A Vitória é Certa – A presença de inimigos não significa derrota. Na verdade, sua presença torna o banquete ainda mais poderoso. Ele não apenas provê para você em segredo—Mas faz isso abertamente, demonstrando Sua fidelidade ao mundo que observa.

O versículo continua: “Unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda.” Essa imagem remete aos pastores, que aplicavam óleo nas ovelhas para protegê-las de insetos, curar feridas e prevenir machucados. Da mesma forma, a unção divina simboliza Seu cuidado, cura e provisão em nossas vidas. “O meu cálice transborda”, a palavra hebraica רְוָיָה (revayah), que significa “beber profundamente” ou “estar saturado”, aponta para uma satisfação em nível da alma, encontrada somente em Deus. A frase כּוֹסִי רְוָיָה (Kosi revayah)—”minha taça transborda”—nos lembra que as bênçãos de Deus são abundantes, excedendo nossas necessidades e transbordando para todas as áreas da vida. Essa taça transbordante é uma metáfora da graça infinita de Deus, assegurando-nos que Seu cuidado não deixa espaço para falta ou medo. Vamos beber profundamente de Sua provisão, permitindo que Sua alegria e paz nos encham e transbordem para os outros.

Você Vai Sentar-se à Mesa?

Aqui está o desafio: Ele preparou a mesa, mas você vai sentar-se? É fácil ficar preso aos nossos medos, focando tanto nos inimigos que perdemos o banquete. Imagine alguém preparando uma refeição incrível e você se recusar a comer porque está preocupado com quem está olhando. Seria ridículo, não é? Mas fazemos isso o tempo todo! Em vez de confiar na provisão divina, deixamos o medo nos impedir de desfrutar do que Ele nos deu.

Você confia que D-us é seu protetor? Você acredita que Ele está te abençoando mesmo no meio da oposição? O verso 5 não diz: “Você remove meus inimigos antes de preparar a mesa.” Não, a mesa é preparada enquanto eles ainda estão lá. Isso significa que suas circunstâncias não precisam ser perfeitas para você experimentar a abundância divino.

Conclusão: Confie no Bom Pastor

Confie no bom pastor, o verso 5 é uma declaração ousada da provisão, proteção e vitória divina. Ele não está apenas te ajudando a passar pela vida, mas está te abençoando abundantemente no processo. Mesmo cercado por problemas, Ele te convida para a mesa—para descansar, ser alimentado e confiar em Sua bondade. Então, da próxima vez que se sentir sobrecarregado pelos desafios, lembre-se deste versículo. Imagine D-us preparando uma mesa para você, enchendo seu cálice até transbordar e te ungindo com Seu amor. Seus inimigos podem observar, mas não podem te tocar. O Bom Pastor cuida de você.

Agora, você vai se sentar e comer, ou vai continuar em pé, paralisado pelo medo? O banquete está pronto—puxe uma cadeira e sente-se.

Adivalter Sfalsin

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Além do Vale

O Salmo 23 apresenta uma visão rica e confortante do Senhor como o Pastor, destacando Seu cuidado, provisão e orientação. Esta exploração mergulha nas camadas profundas do Salmo 23, explorando suas raízes hebraicas, contexto cultural e histórico, e sua relevância duradoura em nossas lutas contemporâneas.

Vamos revisar os versículos 1 a 3 do Salmo 23. No versículo de abertura, o salmista declara: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Essa afirmação enfatiza a fidelidade divina em atender às nossas necessidades, especialmente durante os tempos difíceis. Tudo pode faltar, o que nunca nos faltará será a Sua presença. O versículo 2 continua: “Ele me faz repousar em pastos verdejantes; leva-me para junto das águas de descanso.” Aqui, a imagem dos “pastos verdejantes” não se refere apenas a campos luxuriantes, mas à provisão divina constante e suficiente, mesmo em paisagens áridas. As “águas de descanso” simbolizam repouso e paz, conduzindo-nos a um estado de confiança e renovação. O versículo 3 expande o cuidado do Senhor, destacando Sua restauração e orientação: “Ele restaura a minha alma; guia-me pelos caminhos da justiça por amor do seu nome.” A restauração divina é profunda, abrangendo nosso ser físico, emocional e espiritual, trazendo-nos de volta à harmonia com Seu propósito. Os “caminhos da justiça” representam Sua integridade e verdade. Tudo isso acontece “por amor do seu nome”, apontando para o objetivo final de glorificar Seu caráter santo e fiel.

Agora, vamos mergulhar mais fundo no versículo 4, com descobertas do texto hebraico:

1. “Vale da sombra da morte” (גיא צלמות – gei tzalmavet): Literalmente como “vale da sombra da morte”, mas “צלמות” (tzalmavet) também pode significar escuridão profunda ou grande angústia. O “vale” representa metaforicamente um lugar de profunda e escura dificuldade ou perigo. As crenças do Antigo Oriente Médio: O conceito de caminhar por um vale escuro é simbólico dos momentos mais desafiadores da vida. Essa literatura também refletia temas de escuridão e luz, perigo e libertação, que ressoam neste salmo. Observe que esta não é uma visão dualista filosófica grega do bem versus o mal, mas uma realidade da vida que todos enfrentamos, bons momentos e desafios na vida.

2. “Não temerei mal algum” (לא אירא רע – lo ira ra): O verbo hebraico אירא (ira) significa “temerei”. O uso de לא (lo), que significa “não”, junto com רע (ra), que significa “mal” ou “dano”, enfatiza uma forte declaração de confiança e coragem diante do perigo.

3. “Pois tu estás comigo” (כי אתה עמדי – ki atah imadi): A preposição כי (ki) significa “porque”, indicando a razão da confiança do salmista. אתה (atah) significa “tu” (referindo-se a D-us), e עמדי (imadi) significa “comigo”, enfatizando a presença divina como um fato pessoal e reconfortante. Observe que a única razão para não temer é a presença divina. Sua presença faz toda a diferença, não há garantia de que não haverá vales em nossas vidas, a garantia é Sua presença.

4. “Teu cajado e tua vara” (שבטך ומשענתך – shevetekha u’mishantekha): A vara (שבט – shevet) e o cajado (משענת – mishenet) são ferramentas usadas pelos pastores para guiar e proteger suas ovelhas. A vara é usada principalmente para proteção, não para punição como muitos podem acreditar. Ela é tipicamente um instrumento mais curto, mais grosso e possivelmente mais rígido em comparação com o cajado. Pode ser usada para afastar predadores ou ameaças às ovelhas, garantindo sua segurança. O cajado, que é frequentemente mais longo e possui um gancho ou curva em uma extremidade, é usado para guiar e apoiar as ovelhas. Ajuda na gestão do rebanho, especialmente na direção das ovelhas por caminhos seguros ou no resgate delas de lugares difíceis.

5. “Eles me confortam” (המה ינחמוני – hemah yenachamuni): ינחמוני (yenachamuni) da raiz נחם (nacham) significa “eles me confortam”. Isso sugere segurança e uma sensação de segurança proporcionada pelas ferramentas divinas (metaforicamente, Seu poder e orientação). Dessa palavra deriva o nome de Noé, que significa “descansar” ou “ser confortado”. O nome é apropriadamente dado com uma esperança ou declaração profética anexada a ele, como explicado em Gênesis 5:29: “E chamou o seu nome Noé, dizendo: ‘Este nos confortará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, proveniente da terra que o Senhor amaldiçoou.’”

A imagem do pastor está profundamente enraizada no psiquê do Antigo Oriente Médio, refletindo o papel de um líder tanto como protetor quanto guia. Esta dualidade é crucial para entender como as audiências antigas perceberiam a mensagem do Salmo 23, com as ferramentas do pastor—vara e cajado—não apenas proporcionando conforto, mas também comandando autoridade e oferecendo direção.

Hoje, nossos desafios podem não ser físicos, ainda assim, são incrivelmente assustadores. Dificuldades financeiras, crises de saúde, tensões relacionais e inquietações sociais são os vales invisíveis que navegamos. Nestes tempos desafiadores, o Salmo 23:4 ressoa com uma verdade atemporal: nunca estamos sós. O mesmo D-us que guiou pastores antigos através de vales tangíveis e metafóricos continua a ser nosso guia e protetor firme. Nos “vales” metafóricos da vida moderna, o Salmo 23 oferece a garantia da companhia inabalável divina. Este trecho nos estimula a confiar não apenas em nosso próprio entendimento, mas na sólida promessa de orientação e proteção divina. Ele nos chama a fomentar um espírito comunitário, fortalecido pela fé, onde os medos são aliviados pela afirmação coletiva da onipresença divina. Refletir sobre esta escritura nos ensina que nossos momentos mais difíceis são oportunidades para nos conectarmos profundamente com a presença de nosso Pastor. A vara e o cajado simbolizam mais do que meras ferramentas pastorais; são instrumentos de Sua proteção e orientação inabaláveis—recursos que proporcionam conforto e nos capacitam a atravessar a escuridão com coragem. Somos chamados a nos apegar firmemente aos ensinamentos do Salmo 23, absorvendo sua sabedoria histórica e aplicando suas verdades em nossas vidas. Cercados pela presença reconfortante de nosso Pastor, não há espaço para o medo. Cada desafio que enfrentamos é uma oportunidade para uma conexão espiritual mais profunda com o Divino. Embarque nesta aventura!

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Pastor guiando as ovelhas

Andando nos Caminhos da Justiça

O Salmo 23 é um dos trechos mais amados das Escrituras, pintando uma bela imagem de D-us como nosso Pastor. O versículo 3 destaca-se como um testemunho do poder restaurador de D-us, de Sua orientação e de Seu propósito em nossas vidas: “Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do Seu nome.” Para compreender plenamente a profundidade desse versículo, precisamos observar sua conexão com os versículos anteriores, explorar a riqueza da linguagem hebraica e descobrir as lições atemporais que ele oferece para nossas vidas hoje.

Em reflexões anteriores sobre o Salmo 23:1, (link abaixo) exploramos como o salmo começa com uma declaração poderosa: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Para aqueles que perderam os artigos anteriores, analisamos como esse versículo afirma a suficiência de D-us como a fonte última de provisão. Ele como nosso Pastor, que não nos falta em tempos difíceis, nos sustentando fielmente.

O versículo 2 (link abaixo) continua: “Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente às águas tranquilas.” À primeira vista, “verdes pastos” pode trazer à mente imagens de campos exuberantes e verdejantes, mas o entendimento hebraico antigo oferece uma perspectiva diferente. Nas paisagens secas e áridas de Israel, “verdes pastos” referem-se a pequenos tufos de grama que surgiam após o orvalho ou a chuva. Os pastores conduziam suas ovelhas a essas áreas esparsas, mas vitais, para o sustento. Essa imagem destaca nossa dependência de D-us para prover em meio aos desertos da vida. Sua provisão pode não ser abundante, mas é sempre suficiente.

Com esse pano de fundo, o versículo 3 amplia o tema do cuidado de D-us, revelando como Ele nos restaura e direciona nossos passos.

“Refrigera a minha alma”

A frase “Yeshovev nafshi” (ישובב נפשי) é profunda em seu significado. O verbo yeshovev, significa “retornar” ou “restaurar”. Ele evoca uma imagem de algo sendo trazido de volta ao seu estado original, um senso de renovação e reavivamento. Nesse contexto, a restauração Divina abrange todas as dimensões do nosso ser: física, emocional e espiritual. Não se trata apenas de refrescar uma alma cansada, mas de nos realinhar com Seu propósito—como um pastor que recupera uma ovelha perdida. Essa ideia de restauração está profundamente ligada ao conceito bíblico de teshuvah (תשובה), ou arrependimento. Quando nos desviamos, o trabalho restaurador Dele nos traz de volta ao Seu rebanho, curando nossas feridas e colocando-nos no caminho certo novamente. Assim como o cuidado de um pastor renova a força de suas ovelhas, a restauração Divina nos capacita a andar fielmente com Ele.

“Guia-me pelas veredas da justiça”

A frase “Yancheni b’ma’aglei tzedek” (ינחני במעגלי צדק) revela a intencionalidade da orientação. O verbo yancheni(“Ele me guia”) significa “guiar” ou “direcionar”. Na forma Hifil, enfatiza o aspecto da causatividade: Ele ativamente nos faz andar por esses caminhos. A palavra ma’aglei (מעגלי), traduzida como “veredas”,  denota círculos ou ciclos. Essa imagem evoca as trilhas bem percorridas que os pastores criam enquanto conduzem seus rebanhos. Essas veredas não são apenas literais; representam o ritmo e a consistência dos caminhos Divino. Assim como as trilhas de um pastor levam de volta a lugares seguros, os caminhos Divinos oferecem estabilidade, confiabilidade e um senso de ser continuamente conduzido de volta à Sua verdade e provisão.

O termo tzedek (צדק), traduzido como “justiça”, carrega um significado profundo no pensamento hebraico. Enraizado na raiz tri-consonantal צ-ד-ק (tzadi-dalet-kuf), ele incorpora justiça, equidade, integridade moral e retidão segundo os padrões Divinos. Esses caminhos de justiça não são arbitrários; eles estão perfeitamente alinhados com a justiça e a verdade divina. Andar por essas veredas significa viver em harmonia com a Sua vontade, refletir Seu caráter em nossas ações e abraçar uma vida de integridade e equidade.

“Por amor do Seu nome”

A frase “Lema’an sh’mo” (למען שמו) une o versículo com um propósito divino. A preposição lema’an (“para que” ou “pelo amor de”) destaca que a restauração e orientação Divina que servem a um objetivo maior. Embora Seu cuidado nos abençoe, seu último propósito é exaltar o Seu nome—Sua reputação, caráter e glória. No pensamento hebraico, um nome (שם, shem) representa a essência e a identidade de uma pessoa. Suas ações refletem Sua natureza imutável como um Pastor fiel, justo e amoroso. Ao nos restaurar e nos guiar, Ele demonstra ao mundo que é Santo, Digno de confiança e bom.

Uma Lição para Hoje

O Salmo 23:3 é um lembrete atemporal do cuidado Dele aquele que o seguem. Em um mundo cheio de ruído, pecados, decadência moral e distrações, este versículo nos chama a depender Dele para uma restauração. A verdadeira renovação não é algo que alcançamos por conta própria ou por determinação pessoal, mas sim o trabalho Dele em nós, reorientando nossas vidas para o Seu propósito. As “veredas da justiça” nos desafiam a confiar em Sua orientação, mesmo quando a jornada parece incerta. Assim como os pastores antigos conduziam suas ovelhas por trilhas bem percorridas, Seus caminhos são coerentes e verdadeiros. Andar por esses caminhos requer humildade e rendição, ele traz paz, justiça e propósito. Finalmente, viver “por amor do Seu nome” eleva nossas vidas a um chamado mais alto, que significa refletir o caráter Dele em todos os aspectos de nossas vidas diárias. Seja demonstrando bondade em situações difíceis, defendendo a justiça ou simplesmente sendo uma fonte de encorajamento para aqueles ao nosso redor, Ele é honrado quando incorporamos Seu amor e justiça de maneiras práticas e tangíveis. Em um mundo egoísta, desesperado por justiça, amor e esperança, somos chamados a incorporar Seu caráter e testemunhar Sua fidelidade.

Que este versículo o inspire a confiar Nele para restauração, a seguir Sua orientação e a viver uma vida que honra Seu santo nome.

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Pastos Verdejantes?

Pastos Verdejantes?

“Ele me faz repousar em pastos verdes; Ele me guia junto às águas tranquilas.” (Salmos 23:2)

Você já imaginou campos verdejantes e riachos brilhantes ao ler essas palavras? Se você é como a maioria, provavelmente visualiza colinas cobertas por uma vegetação exuberante — perfeitas, serenas, abundantes. É uma imagem confortante, frequentemente reforçada por inúmeros sermões e representações artísticas. Mas será que realmente entendemos este salmo em seu contexto original? Será que foi isso que Davi quis dizer ao escrever essas palavras atemporais? Vamos nos aprofundar e explorar o significado de D-us como nosso pastor e como essa verdade pode desafiar e transformar a maneira como vivemos.

Na época de Davi, ser pastor não era a cena idílica que muitas vezes imaginamos. Longe das paisagens férteis que concebemos, o pastoreio acontecia principalmente no deserto de forma desafiadora, ou midbar em hebraico. Este não era o terreno cultivável ou exuberante que associamos ao termo “pastos verdes”, mas sim um terreno árido e acidentado. As encostas do deserto, onde os pastores guiavam seus rebanhos, eram secas, rochosas e com vegetação escassa. Esse ambiente era inóspito para a agricultura, e os pastores vagavam pelas colinas desoladas com seus rebanhos, lidando com recursos limitados em condições adversas. Os “pastos verdes” mencionados não eram vastos campos de grama abundante. Em vez disso, referiam-se a pequenos tufos de capim que cresciam esparsamente no deserto. Esses tufos surgiam devido à baixa precipitação pluvial anual da região, à umidade das brisas mediterrâneas noturnas e à condensação que se acumulava perto das rochas durante a noite. Na manhã fresca, esses tufos ficavam verdes e forneciam sustento para as ovelhas. No entanto, ao meio-dia, sob o calor escaldante do sol do deserto, grande parte dessa grama secava e murchava, deixando novamente o cenário árido.

A tarefa do pastor nesse ambiente requeria planejamento e um conhecimento profundo do terreno, essenciais para o sucesso do rebanho. Esse exercício diário de caminhar com as ovelhas criava trilhas de pastagem nas encostas — algumas delas datando dos tempos de Abraão —, que mostram como os pastores maximizavam os escassos recursos disponíveis. O pastor guiava o rebanho cuidadosamente em círculos ao redor das colinas, levando-o às áreas onde esses pequenos tufos cresciam. Era um processo lento e deliberado, garantindo que as ovelhas tivessem alimento suficiente para o momento, mas nunca em excesso.

Quando lemos “Ele me faz repousar em pastos verdes”, nossa mente ocidental frequentemente imagina abundância e permanência. Mas a realidade descrita por Davi era bem diferente. Esse contexto muda drasticamente nossa perspectiva. Em vez de imaginar uma vida de provisão abundante e sem esforço, vemos uma imagem de confiança, dependência e orientação diária. Os “pastos verdes” do Salmo não se referem a ter tudo de uma vez, mas a receber o suficiente para o momento presente.

Este entendimento desafia nossa visão sobre a provisão de D-us em nossas vidas. A cultura frequentemente valoriza o excesso e a segurança — ter o suficiente não apenas para hoje, mas para muitos anos à frente. Associamos sucesso a abundância e conforto e, às vezes, esperamos o mesmo de nosso relacionamento com D-us. Mas o deserto ensina uma lição diferente: a dependência do Pastor para a provisão diária.

O papel do pastor no deserto não era levar as ovelhas a um lugar onde pudessem se fartar e se acomodar. Em vez disso, as ovelhas seguiam o pastor passo a passo, confiando que ele as guiaria ao suficiente. A vida com D-us reflete essa relação. Ele não nos promete uma vida de abundância infinita, mas nos chama a confiar n’Ele para aquilo de que precisamos hoje. Como o maior Rabino de todos os tempos disse: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:34). Quantas vezes caímos nessa armadilha, nos preocupando com o futuro em vez de confiar em D-us para o presente? A imagem dos pastos verdes nos desafia a viver pela fé, concentrando-nos no hoje e confiando que D-us proverá o amanhã.

Essa lição é ao mesmo tempo humilhante e libertadora. Ela nos lembra que a vida com D-us não é de autossuficiência ou acumular recursos, mas de confiar no Pastor para nos guiar, mesmo em estações áridas e difíceis. A imagem apresentada pelo salmista nos convida a abandonar a ansiedade e abraçar uma fé que depende de D-us momento a momento. Essa perspectiva pode transformar a maneira como enfrentamos os desafios da vida. Estamos esperando que D-us nos coloque em uma situação de conforto e abundância sem fim? Ou estamos dispostos a segui-Lo pelo deserto, confiando que Ele proverá o suficiente para o dia de hoje — mesmo que isso não se pareça com abundância aos nossos olhos?

O Salmo 23 é mais do que um poema reconfortante; é um chamado à fé e à confiança. Quando entendemos o contexto original de “pastos verdes”, vemos que este salmo trata da dependência diária de D-us, e não de luxo ou facilidade. A imagem do deserto nos lembra que a vida com D-us envolve caminhar passo a passo, confiando n’Ele em cada momento, aprendendo a depender de Sua provisão em vez de nossos próprios planos.

Da próxima vez que você ler, “Ele me faz repousar em pastos verdes”, lembre-se: não se trata de abundância, mas de provisão para cada momento presente. Que todos nós possamos aprender a seguir nosso Pastor com confiança, confiando que Ele nos conduzirá exatamente ao que precisamos, passo a passo, dia após dia.

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Nada me Faltará

O Que Salmo 23 Realmente Promete?

Quando criança, ouvir o Salmo 23 preenchia meu coração de esperança. “O Senhor é meu pastor, nada me faltará” era uma frase que eu repetia com a convicção de que meu futuro seria pleno e próspero. Imaginava uma vida adulta onde todas as necessidades seriam atendidas, sem espaço para falta ou sofrimento. No entanto, crescer em uma família humilde foi um choque para essa crença infantil. Eu via amigos com brinquedos caros, roupas novas e as oportunidades que pareciam fora do meu alcance. “O que estava errado?” eu me perguntava. Será que haviam me ensinado errado? Será que não era digno das bênçãos de D-us? A busca por essas respostas me levou a refletir profundamente sobre a verdadeira mensagem desse Salmo. Vamos explorar juntos o que “nada me faltará” realmente significa, baseando-nos na sabedoria do texto original em hebraico. Você, assim como eu, sabe muito bem que muitas coisas faltam, e às vezes em grande medida. Então, por que o Salmo afirma: “nada me faltará”? Seria uma Promessa Mal Interpretada? 

Em muitos contextos religiosos modernos, especialmente nos movimentos carismáticos e de prosperidade material, Salmos 23:1 é frequentemente usado para afirmar que quem crê em D-us jamais enfrentará falta. Essas interpretações sugerem que, ao seguirmos a D-us com fé, Ele proverá saúde, riquezas e conforto material.

Essa visão, embora popular, pode ser perigosa. Ela coloca um peso desnecessário sobre os ombros do crente, sugerindo que a falta de bênçãos materiais indica falta de fé ou uma vida espiritual inadequada. Mas será que foi isso que Davi quis dizer ao escrever este Salmo?

O Texto Original em Hebraico – No hebraico, o versículo é escrito assim:

יְהוָהרֹעִילֹאאֶחְסָר

YHWH (Adonai) – “O Senhor”

Ro’i – “é meu pastor”

Lo – “não”

Echsar – “estarei em falta”

Ao observarmos cada palavra, fica evidente que a palavra “nada” não aparece no texto original. O que Davi realmente está dizendo é que ele não estará em falta, no sentido de que D-us suprirá suas necessidades mais essenciais. Não se trata de uma promessa de abundância material ou ausência de dificuldades, mas de confiança na provisão divina.

Para entender melhor, precisamos nos colocar no lugar de Davi. Antes de ser rei, ele era pastor. Ele cuidava das ovelhas, guiando-as para pastos verdes, protegendo-as de predadores e garantindo que não passassem fome ou sede. Ao chamar D-us de “meu pastor”, Davi estava reconhecendo sua total dependência d’Ele, assim como uma ovelha depende de seu pastor para sobreviver. Isso não significa que a ovelha nunca enfrentará desafios – haverá terrenos difíceis e dias de escassez –, mas significa que ela pode confiar que o pastor estará presente, guiando-a e protegendo-a.

Muitas vezes, quando pensamos em “faltar”, imaginamos necessidades materiais: dinheiro, comida, roupas ou saúde. No entanto, o Salmo 23 também fala às necessidades mais profundas do coração humano, aquelas que não podem ser supridas por coisas. Quantos de nós já enfrentamos momentos de solidão, quando parecia que ninguém estava por perto para nos ouvir? Ou o desprezo de pessoas que julgávamos importantes? Quem nunca lidou com a depressão, sentindo-se perdido e sem direção? Ou com a rejeição, que dói mais do que a falta de qualquer bem material? E que dizer da inimizade, quando enfrentamos conflitos que parecem impossíveis de resolver? Davi, ao escrever o Salmo 23, sabia que essas necessidades emocionais e espirituais são tão reais quanto as materiais. E ele nos lembra que o Senhor é o pastor que supre todas essas carências. Ele está conosco na solidão, oferecendo companhia. Ele nos acolhe quando somos rejeitados. Ele traz paz em meio à inimizade e renova nossas forças quando estamos deprimidos. É a presença d’Ele que nos sustenta, não importa a necessidade.

O Salmo 23 menciona um dos momentos mais sombrios que um ser humano pode enfrentar: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo.” Aqui, Davi reafirma que a presença de D-us é suficiente para dissipar o medo, mesmo diante das circunstâncias mais aterrorizantes. Note que Davi não diz que D-us removerá o vale ou as dificuldades. O segredo para não temer o mal está, exclusivamente, na presença do Senhor. Ele não fala de riquezas, de livramento instantâneo ou de conforto material; fala de D-us caminhando ao lado dele. Esse versículo é uma lembrança poderosa de que o que nos dá força não é a ausência de problemas, mas a certeza de que D-us está conosco.

Então, o que significa “nada me faltará”? Significa que D-us suprirá o que é mais essencial: Sua própria presença. Ele nos dará força, sabedoria e paz para enfrentar as dificuldades. Ele nos levará a “pastos verdejantes” e “águas tranquilas”, que representam momentos de descanso e renovo em meio às lutas. Não significa que nunca sentiremos solidão, rejeição ou tristeza, mas que, mesmo nesses momentos, D-us estará conosco, suprindo o que mais importa: Sua presença transformadora.

O Salmo 23 nos convida a redefinir o que significa “faltar” e “abundância”. Não se trata de possuir todas as coisas materiais, mas de confiar que D-us está presente em todas as circunstâncias, suprindo o que realmente importa – tanto as necessidades visíveis quanto aquelas que só o nosso coração conhece. Ao revisitar esse Salmo com um entendimento mais profundo, percebo que ele não é uma promessa de riqueza, mas uma promessa de relacionamento. Ele nos convida a descansar na certeza de que D-us não nos abandonará, mesmo quando enfrentamos dificuldades, sejam elas financeiras, emocionais ou espirituais.

Se você, como eu, já se perguntou por que algo parecia estar faltando, lembre-se: o mais importante é a presença do Pastor. D-us não promete uma vida sem desafios, mas promete estar ao nosso lado, guiando-nos, fortalecendo-nos e nos dando paz. Isso, mais do que qualquer coisa material, é o que significa não faltar nada. Enquanto enfrentamos os “vales” da vida, lembre-se: o Pastor nunca falta. Na solidão, Ele é a companhia. Na rejeição, Ele é o acolhimento. Na tristeza, Ele é a alegria renovada. E, com Ele ao nosso lado, não precisamos temer. Essa é a verdadeira essência de “Nada me faltará”.

Adivalter Sfalsin

Se você gostou desta reflexão sobre o Salmo 23, recomendo que leia também o artigo “Lança o Teu Cuidado Sobre o Senhor – Salmos 55:22”. Ele oferece uma visão encorajadora sobre como entregar nossas preocupações a Deus e confiar plenamente n’Ele. Vale a pena conferir!

Livre-arbítrio ou Determinismo?

Todo final de ano traz consigo um certo clima de renovação: alguns fazem promessas, traçam metas ousadas e apostam em rituais que, de alguma forma, acreditamos que possam influenciar nosso futuro. Vestir branco na virada, participar de uma vigília longa de oração, abrir o champanhe à meia-noite — todos esses são gestos simbólicos que representam o desejo de controlar ou moldar o que virá. Por outro lado, quando olhamos para o ano que passou, é comum nos depararmos com eventos que escaparam completamente ao nosso planejamento. “Foi o destino” ou “foi a vontade de D-us”, dizemos, quando algo dá errado ou foge ao nosso controle.

Mas afinal, somos donos do nosso próprio nariz ou estamos condenados a cumprir um roteiro já escrito? Esse é o cerne do dilema entre livre-arbítrio e determinismo, uma das “pegadinhas” filosóficas mais antigas e que, até hoje, provoca debates acalorados. De um lado, acreditamos em nossa autonomia para escolher caminhos, mas, de outro, não resistimos a lançar olhares de culpa ou de alívio ao destino ou mesmo a uma vontade divina soberana. 

1. A Visão Grega de Livre-Arbítrio e Destino

A civilização grega antiga produziu alguns dos mais brilhantes filósofos de todos os tempos. Em muitas de suas tragédias, por exemplo, vemos personagens tentando escapar de profecias que, ironicamente, se cumprem justamente por conta das ações tomadas para evitá-las. Esse conflito aparece, por exemplo, na famosa história de Édipo, rei de Tebas, cujo destino de matar o pai e casar-se com a própria mãe foi selado por um oráculo. Embora ele tentasse fugir de seu trágico fado, cada passo o conduzia precisamente a esse desfecho.

Já na filosofia, pensadores como Sócrates, Platão e Aristóteles refletiram sobre a possibilidade de o ser humano agir de maneira consciente e racional. Para Platão, o conhecimento do Bem era fundamental para agir corretamente; já Aristóteles, ao tratar da virtude, enfatizava a importância de cultivarmos hábitos positivos por meio de nossas escolhas. Na prática, havia uma tensão evidente entre a ideia do destino (freqüentemente ligado à vontade dos deuses gregos ou às Moiras, entidades que teciam o fio da vida de cada pessoa) e a noção de virtude humana, que pressupõe a possibilidade de escolha moral.

Em síntese, a tradição grega se debateu entre o fatalismo — a crença de que tudo já está determinado por forças além de nosso controle — e a responsabilidade moral, que exige a existência de alguma forma de livre-arbítrio. Para muitos gregos, o homem não era inteiramente livre: deveria submeter-se à ordem cósmica, representada pelos deuses e pela fortuna (Tique). No entanto, a capacidade de raciocinar e de buscar a virtude permitia algum grau de autonomia. Esse contraste ainda ecoa nos tempos modernos, quando, por exemplo, atribuímos sucesso ou fracasso a uma “força maior”, mesmo acreditando na importância de fazermos boas escolhas.

2. A Perspectiva Hebraica Bíblica

Diferentemente das reflexões majoritariamente filosóficas dos gregos, a abordagem hebraica bíblica parte da concepção de que D-us é soberano e governa o mundo de acordo com Sua vontade. A Bíblia Hebraica (ou Antigo Testamento), porém, não deixa de reconhecer a autonomia humana. O grande exemplo disso está em Deuteronômio 30:19, quando D-us diz ao povo de Israel: “Coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida”. Esse texto evidencia que o ser humano tem a possibilidade real de escolher, e tal escolha traz consequências para a vida.

Ao mesmo tempo, encontramos passagens que atribuem a D-us o controle absoluto sobre os acontecimentos. Em Isaías 46:9-10, por exemplo, D-us afirma: “Meu propósito se cumprirá, e farei tudo o que me agrada”, indicando que nada escapa ao Seu plano. Há também textos em que D-us “endurece o coração” de determinadas figuras, como o Faraó no livro do Êxodo. Esses casos sugerem um grau de determinismo divino, como se o Divino orquestrasse situações específicas para cumprir Seus desígnios.

A tensão entre a soberania divina e a responsabilidade humana transparece em histórias como a de José, vendido pelos irmãos. Em Gênesis 50:20, José diz: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas D-us o tornou em bem”. Isto é, os irmãos agiram por inveja e crueldade (exercendo, portanto, um livre-arbítrio que se inclinou para o mal), mas D-us transformou essa ação maldosa em algo positivo para salvar muitas vidas. A conclusão que se tira desse episódio é que, mesmo quando o ser humano usa sua liberdade para o mal, D-us pode intervir, fazendo com que Seu plano maior se cumpra. Nesse caso, vemos simultaneamente um ato humano livre e uma ação divina determinista.

Portanto, a tradição hebraica bíblica não resolve a tensão de modo puramente lógico. Em vez disso, apresenta-a como um paradoxo: D-us é completamente soberano, porém o homem é inteiramente responsável por seus atos. Em última análise, o propósito divino prevalece, ainda que cada pessoa seja convocada a fazer escolhas morais, com todas as implicações que isso acarreta.

3. Reflexão Sobre as Duas Abordagens

Quando compararmos a perspectiva grega e a hebraica bíblica, percebemos pontos de convergência e divergência. Ambas reconhecem que existem forças ou princípios que transcendem a vontade humana — seja na forma de deuses, destino ou da soberania de um D-us único. Também reconhecem que o ser humano tem um papel ativo em sua jornada. A diferença principal é que, enquanto os gregos muitas vezes viam a relação entre destino e liberdade como um embate entre o poder dos deuses e a virtude humana, o pensamento hebraico bíblico aponta para uma convivência paradoxal, mas real, entre a soberania de Divina e a responsabilidade humana.

No nosso dia a dia, essa tensão se manifesta com frequência. Por exemplo, ao iniciarmos um novo ano — digamos, 2025 — somos tomados pela sensação de que tudo pode mudar se nos empenharmos: novo emprego, dietas bem-sucedidas, relacionamentos saudáveis. Entretanto, ao olharmos para trás, para um 2024 cheio de dificuldades, às vezes atribuímos os fracassos a um destino implacável ou a uma “vontade superior” que não entendemos. Essa dualidade gera questionamentos: se temos livre-arbítrio, por que oramos para que D-us conceda sucesso? Se o destino é inexorável, por que nos esforçamos?

A resposta, se é que existe, está na natureza desse conflito: o livre-arbítrio nos concede responsabilidade por nossas escolhas; o determinismo (ou a soberania divina) nos lembra de que há elementos fora de nosso controle e que, em última instância, o fluxo dos acontecimentos pode ser conduzido por uma força maior. Dependendo de nossa crença pessoal, podemos enfatizar mais um lado do que o outro. No entanto, a vivência humana é, em geral, marcada por uma oscilação constante entre a confiança no nosso poder de decisão e a humildade de reconhecer a existência de algo maior que nós.

Diante dessas reflexões, podemos perceber que o dilema entre livre-arbítrio e determinismo não tem uma solução puramente lógica. Na tradição grega, convivemos com a ideia de um destino traçado pelos deuses, mas ainda há espaço para a virtude humana. Na perspectiva hebraica bíblica, a soberania de Divina convive com a responsabilidade humana de escolher entre o bem e o mal. Em ambos os casos, há um convite para a ação consciente e uma advertência de que nem tudo está sob nosso controle.

O ponto crucial é que esse paradoxo não precisa ser motivo de angústia sem saída. Ao contrário, ele pode nos estimular a refletir profundamente sobre o valor de cada escolha que fazemos. O que realmente importa é como lidamos com a liberdade que possuímos e como aceitamos — ou não — os reveses que escapam à nossa vontade. Seja qual for a nossa postura, o chamado é para reconhecer que nossas decisões têm impacto moral e espiritual, e que há um poder maior que transcende a nossa compreensão.

Por isso, ao iniciarmos um novo ciclo, podemos tanto fazer planos e nos esforçarmos para cumpri-los quanto reconhecer que fatores externos (ou mesmo a intervenção divina) podem alterar o rumo que traçamos. É nessa dança entre o fazer humano e o mistério divino que a vida acontece. E, como diz uma das passagens mais marcantes das Escrituras hebraicas, nosso desafio é escolher a vida — isto é, optar pelo bem, assumir responsabilidades e buscar o melhor para nós e para os outros.

D-us é soberano mas o homem é responsável pelas suas ações e, quando o livre-arbítrio é usado para o mal e D-us intervém para o bem, chamamos isso de justiça. Pois a soberania Divina se manifesta. Quem não quer que a justiça seja feita?

Adivalter Sfalsin

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Hanukkah e Jesus

Uma Festa de Dedicação e Fé

Você sabia que Jesus (Yeshua) participou de um festival que comemora um dos momentos mais importantes da história judaica? Esse festival é chamado de Hanukkah, ou Festa da Dedicação, e é mencionado brevemente no Evangelho de João. Vamos explorar a história, a conexão com Jesus (Yeshua) e as lições atemporais que essa celebração traz para nós hoje.

O Contexto Histórico de Hanukkah, ou a Festa da Dedicação, tem suas raízes nos eventos do século II a.C. Ela celebra a rededicação do Templo de Jerusalém após sua profanação pelo rei selêucida Antíoco Epifânio IV. Antíoco transformou o Templo judeu em um santuário para deuses gregos, sacrificando porcos no altar e proibindo práticas judaicas como a circuncisão, a observância do sábado e o estudo da Torá. Em resposta, um pequeno grupo de guerreiros judeus, liderados pelos Macabeus, iniciou uma revolta corajosa. Contra todas as probabilidades, eles derrotaram o exército grego muito maior, retomaram o Templo e o purificaram. Essa vitória não foi apenas militar, mas também ideológica. Os Macabeus resistiram aos ideais gregos de perfeição física, simbolizados pelos atletas nus nas Olimpíadas, e ao desprezo grego pelas práticas religiosas judaicas. Hanukkah comemora essa vitória pela alma e identidade do povo judeu.

No Novo Testamento, vemos Jesus presente durante esse festival. Em João 10:22-23, lemos:“Celebrava-se em Jerusalém a Festa da Dedicação. Era inverno, e Jesus (Yeshua) estava no templo, no Pórtico de Salomão.” Essa menção breve carrega um significado profundo, conectando Jesus à rica herança judaica de fé, resistência e rededicação.

Uma Jornada de Fé. Embora o Evangelho não descreva se Jesus (Yeshua) participou de rituais específicos, Sua presença em Jerusalém durante Hanukkah é reveladora. Por que Ele faria uma jornada de 4 a 6 dias de Nazaré até Jerusalém se esse evento não tivesse grande importância? Viajar naquela época não era fácil nem barato:

1. A Distância: De Nazaré a Jerusalém são cerca de 113 a 129 quilômetros pelas rotas antigas, o que exigia 4 a 6 dias de caminhada.

2. O Custo: Viajantes levavam provisões básicas, mas comida extra ou hospedagem em estalagens custavam caro. Uma noite em uma hospedaria simples podia custar alguns denários, o equivalente ao salário diário de um trabalhador.

3. Os Riscos:

• Ladrões frequentemente atacavam viajantes em áreas remotas, como ilustrado na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37).

• Animais Selvagens, como lobos, eram um perigo, especialmente à noite.

• Soldados Romanos e Cobradores de Impostos podiam assediar os viajantes por subornos ou impor taxas adicionais.

Diante desses desafios, a presença de Jesus (Yeshua) no Templo durante Hanukkah sublinha sua importância. Seria altamente improvável que Ele fizesse tal jornada sem se envolver com os temas de dedicação, resistência e rededicação que a festa celebra.

Por Que Muitos Cristãos Não Sabem Disso? Muitos cristãos desconhecem a importância de Hanukkah ou a conexão de Jesus (Yeshua) com essa celebração porque ela é mencionada apenas brevemente no Evangelho de João. Além disso, a identidade judia de Jesus muitas vezes é minimizada em contextos religiosos. Mas compreender Sua participação em Hanukkah enriquece nossa perspectiva sobre Sua vida e ministério. Isso nos mostra um Salvador que não apenas compreendia a importância da história judaica, mas também vivia dentro de seus ritmos e valores.

Ontem e Hoje. Hanukkah não é apenas sobre uma vitória militar—é uma celebração de resiliência espiritual. A batalha dos Macabeus foi tanto contra a ideologia grega quanto contra os soldados gregos. Os gregos celebravam a perfeição física, exemplificada nas Olimpíadas, onde atletas competiam nus para exibir seus corpos. Eles viam práticas judaicas, como a circuncisão, como uma “desecração” do corpo humano.

Os gregos foram além, proibindo pilares fundamentais da vida judaica:

• A observância do sábado, que marcava o tempo como sagrado.

• A celebração do início dos meses e festivais, as luas novas.

• O estudo e a preservação da Torá, que sustentavam a identidade judaica.

Alguns judeus abraçaram a cultura grega sem questionar, enquanto outros sucumbiram à pressão. Os Macabeus resistiram, não apenas contra inimigos externos, mas também contra judeus que haviam abandonado sua fé. A guerra pelo Templo era, na verdade, uma guerra pela alma e identidade do povo judeu. Essa mensagem ressoa profundamente nos dias de hoje. Assim como os gregos tentaram substituir os valores judaicos pelos seus, a cultura moderna muitas vezes pressiona os cristãos a abandonar as verdades bíblicas. Pense nos desafios que enfrentamos:

• Sustentar o casamento bíblico é rotulado como intolerante.

• Defender a unicidade dos papéis masculinos e femininos é considerado preconceituoso.

• Defender valores familiares e morais é descartado como ultrapassado.

Até mesmo alguns cristãos adotam essas visões liberais, assim como alguns judeus da era dos Macabeus abraçaram o helenismo. Mas Hanukkah nos lembra que permanecer firme na fé vale o custo.

Um Chamado à Verdade e Identidade. A batalha de Hanukkah não foi apenas sobre recuperar um edifício; foi sobre recuperar a identidade e a verdade. Os Macabeus recusaram-se a se curvar à cultura dominante, e sua vitória preservou a fé judaica para as gerações futuras. Como cristãos, enfrentamos batalhas semelhantes. A pressão cultural para nos conformarmos a novas definições de moralidade, identidade e verdade é imensa. Mas, assim como os Macabeus recusaram-se a comprometer sua fé, somos chamados a defender as verdades bíblicas com coragem e convicção.

Um Convite à Dedicação. Hanukkah não é apenas um feriado judaico—é um lembrete poderoso da importância de permanecer firme na fé. Para Jesus (Yeshua), essa festa era um momento para lembrar a dedicação do Templo e a fidelidade daqueles que vieram antes Dele. Para nós, é um chamado para rededicar nossas vidas à verdade de D-us, não importa o custo. Em um mundo que muitas vezes celebra a perfeição física e o relativismo moral, Hanukkah nos convida a valorizar o eterno acima do temporal. Ele nos lembra que as batalhas pela fé, identidade e verdade não são novas—e que a vitória vem para aqueles que permanecem firmes.

Ao acendermos nossas próprias “lâmpadas simbólicas”, que possamos lembrar a perseverança dos Macabeus, a fidelidade de Yeshua e o chamado eterno para sermos uma luz na escuridão.

Adivalter Sfalsin

As Surpreendentes Origens do Natal: Uma Mistura de Tradições Pagãs e Cristãs

Enquanto cristãos ao redor do mundo se reúnem a cada 25 de dezembro para celebrar o nascimento de Jesus, o Messias, é natural refletir sobre as raízes dessa festa tão querida. Para muitos, o Natal é um tempo de alegria, família e fé, mas a história por trás de sua data e tradições é uma mistura fascinante de costumes pagãos, decisões históricas e simbolismo teológico. Compreender essas origens não apenas aprofunda nossa apreciação pelo Natal, mas também abre oportunidades para compartilhar seu significado mais profundo com os outros.

A celebração do Natal em 25 de dezembro não era originalmente uma tradição cristã. Na verdade, a data está intimamente ligada a vários festivais pagãos que antecedem o Cristianismo. Os antigos romanos celebravam a Saturnália em meados de dezembro, um festival em honra a Saturno, o deus da agricultura. A Saturnália era marcada por banquetes, troca de presentes e festividades — práticas que espelham os costumes modernos do Natal. Da mesma forma, o Dies Natalis Solis Invicti (Nascimento do Sol Invicto) era observado em 25 de dezembro para celebrar o deus-sol Sol Invictus, marcando o retorno dos dias mais longos após o solstício de inverno.

No norte da Europa, o Yule era um festival de meio de inverno entre as tribos nórdicas e germânicas. Tradições como acender troncos de Yule, decorar com plantas perenes e realizar banquetes celebravam o renascimento do sol. Muitas dessas práticas — como o uso de decorações verdes e reuniões festivas — foram incorporadas às celebrações de Natal à medida que o Cristianismo se espalhava.

A escolha do dia 25 de dezembro para o Natal provavelmente foi influenciada por esses festivais pagãos pré-cristãos. Os primeiros cristãos buscaram reformular essas tradições populares dentro de um contexto cristão. Ao alinhar a celebração do nascimento de Jesus com os costumes pagãos existentes, eles visavam facilitar a conversão dos pagãos ao Cristianismo. Essa estratégia ajudou a espalhar a fé enquanto dava novos significados, centrados em Cristo, às práticas culturais de longa data.

O reconhecimento formal do dia 25 de dezembro como data do nascimento de Jesus ocorreu em 336 d.C., durante o reinado do imperador romano Constantino, o primeiro imperador supostamente cristão. Isso marcou a primeira celebração registrada do Natal nessa data no Império Romano. Embora algumas comunidades cristãs continuassem a observar o nascimento de Jesus em outras datas, como 6 de janeiro (Epifania), a observância de 25 de dezembro gradualmente se tornou o padrão na Igreja Ocidental. Com o tempo, o Natal incorporou muitas tradições culturais, misturando-as com a teologia cristã para criar a festa que conhecemos hoje.

Quando olhamos para a Bíblia em busca de respostas sobre o nascimento de Jesus, torna-se claro que o dia 25 de dezembro é improvável como data real. Os Evangelhos de Mateus e Lucas, os relatos principais do nascimento de Jesus, não especificam uma data ou estação. No entanto, eles fornecem pistas que sugerem um período diferente.

Em Lucas 2:8, lemos:

“E havia pastores que estavam no campo, cuidando de seus rebanhos durante a noite.”

Esse detalhe aponta para a época de nascimento dos cordeiros em Israel antigo, que ocorre na primavera, por volta de março ou abril. Durante esse período, os pastores ficavam com seus rebanhos nos campos abertos durante a noite para cuidar dos cordeiros recém-nascidos. Essa prática seria impraticável durante os meses quentes do verão (junho a agosto) ou os frios e chuvosos do inverno (dezembro a fevereiro), quando as ovelhas eram geralmente abrigadas.

Essa pista sazonal, combinada com outras evidências históricas e astronômicas, leva muitos estudiosos a propor que Jesus provavelmente nasceu na primavera. Por exemplo, a Estrela de Belém, mencionada em Mateus 2, foi associada por alguns astrônomos a eventos celestes que ocorreram por volta de 7-6 a.C., reforçando um período fora do inverno, embora outros estudos apontem para 4-3 a.C.

Por que celebrar em 25 de dezembro? A escolha de 25 de dezembro para celebrar o nascimento de Jesus, apesar de sua improbabilidade como data real, carrega significados simbólicos e estratégicos significativos. Ao alinhar o feriado com a Saturnália, Dies Natalis Solis Invicti e outras celebrações do solstício de inverno, os primeiros cristãos enfatizaram Jesus como a “Luz do Mundo”, conquistando as trevas do pecado. Essa associação ressoou com os temas desses festivais preexistentes, tornando a transição para o Cristianismo mais suave para os convertidos.

Além disso, a adoção gradual de 25 de dezembro permitiu que a Igreja unificasse as comunidades cristãs em torno de uma celebração comum. À medida que o Cristianismo se espalhava pelo Império Romano e além, essa data compartilhada ajudava a padronizar práticas e aprofundar o senso de fé coletiva.

Embora o Jesus histórico provavelmente tenha nascido na primavera, celebrar Seu nascimento em 25 de dezembro oferece oportunidades únicas para os cristãos hoje. Essa data, repleta de significados cristãos e culturais, fornece uma plataforma para compartilhar a mensagem do amor de Deus e a história da salvação com um mundo que, de outra forma, poderia não estar ciente de suas raízes espirituais.

Por exemplo, o simbolismo da luz durante o período mais escuro do ano ressoa profundamente com a experiência humana. Enquanto as famílias acendem velas, decoram árvores e trocam presentes, os cristãos podem usar esses momentos para refletir sobre o maior presente de todos — Jesus, o Messias, cuja vinda trouxe esperança e redenção à humanidade.

O Natal é uma estação linda, cheia de oportunidades para refletir sobre o amor de Deus e compartilhar a mensagem do evangelho. Embora o dia 25 de dezembro seja improvável como a data real do nascimento de Jesus, seu significado como um momento para celebrar Sua vinda permanece inalterado. Reconhecer as origens pagãs e o contexto histórico do feriado enriquece nossa compreensão e abre portas para conversas significativas sobre a fé. Ao celebrar esta estação, que ela seja um lembrete da verdadeira Luz que veio ao mundo — não limitada por datas ou tradições, mas brilhando em cada coração que O recebe. Ao entender o passado, podemos abraçar o presente com propósito, aproveitando ao máximo cada oportunidade para compartilhar a esperança e a alegria de Jesus, o Messias.

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Vítima ou Protagonista?

A Armadilha da  vitimização e o Poder da Responsabilidade Pessoal

Em Isaías 46:10, lemos que D-us anuncia o fim desde o princípio: “Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam…” Este versículo nos lembra uma verdade profunda: as lutas e triunfos da vida estão entrelaçados na história humana desde o início, mostrando que nada é verdadeiramente novo sob o sol. A narrativa da Bíblia, começando com Gênesis, revela tanto as forças quanto as fraquezas da humanidade—entre elas, a tendência tão comum de transferir a culpa.

Adão e Eva, quando confrontados com sua desobediência, apontaram dedos. Adão disse: “Foi a mulher que me deste.” Eva respondeu: “A serpente me enganou.” Nenhum dos dois assumiu a responsabilidade por suas ações. Este padrão, infelizmente, foi passado para a próxima geração. Seu filho, Caim, perpetuou esse traço ao se recusar a assumir a responsabilidade por suas próprias falhas quando sua oferta foi rejeitada. Essa tendência de culpar os outros é tão antiga quanto a humanidade e ela continua viva em nossos dias. Em vez de olhar para dentro e buscar soluções, muitos continuam a olhar para fora em busca de culpados. No entanto, a pergunta que molda nossa trajetória não é “Por que eu?”—mas sim “E agora, o que posso fazer?”

Uma das histórias mais marcantes sobre os perigos da mentalidade de vítima é a de Caim e Abel. Em Gênesis, ambos os irmãos oferecem sacrifícios a D-us. Abel oferece o melhor do que tem, com sinceridade e humildade, e sua oferta é aceita. Caim, por outro lado, oferece algo de maneira negligente e sem dedicação, e sua oferta é rejeitada. Em vez de refletir sobre como poderia melhorar, Caim arde de raiva e inveja, sentindo-se injustiçado. D-us fala diretamente com ele, dando-lhe a oportunidade de mudar:

“Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo” (Gênesis 4:7).

Esse foi o momento de escolha de Caim: ele poderia assumir a responsabilidade por suas ações e se esforçar para melhorar, ou poderia deixar o ressentimento consumi-lo. Tragicamente, Caim escolheu a segunda opção. Incapaz de enfrentar suas próprias falhas, ele direcionou sua raiva para Abel, matando seu irmão em um ato de violência sem sentido. A queda de Caim não foi causada pelo sucesso de Abel; foi causada pela recusa de Caim em assumir a responsabilidade. Essa história antiga serve como um alerta claro sobre o poder destrutivo da mentalidade de vítima. Ela nos cega para o crescimento pessoal, alimenta o ressentimento e nos rouba o poder de mudar. 

Esse traço humano, fruto de nossa natureza caída, é frequentemente explorado por políticos para dividir e manipular. Valendo-se de sentimentos de vitimização, fomentam conflitos e perpetuam a ideia de que certos grupos são os únicos responsáveis pelos problemas de outros, enfraquecendo o senso de responsabilidade individual e ameaçando a coesão social. Embora a mentalidade de vítima ofereça conforto momentâneo, a longo prazo, ela paralisa o progresso pessoal e coletivo. Líderes oportunistas utilizam essa mentalidade para consolidar poder, desviando o foco de soluções reais e reforçando ciclos de vitimização que servem apenas aos seus interesses, dificultando a construção de uma sociedade mais justa e unida.

Aqui estão os principais motivos pelos quais a mentalidade de vítima é tão perigosa:

1. Ela Tira o Seu Poder

Quando você culpa os outros por suas dificuldades, entrega seu poder de mudar as circunstâncias. Se tudo é culpa de outra pessoa, o que você pode fazer? Nada. A responsabilidade pessoal devolve seu poder de agir, melhorar e superar.

2. Ela Gera Ressentimento

A mentalidade de vítima vê o sucesso com desconfiança, alimentando a inveja em vez da ambição. Esse ressentimento leva a um ciclo destrutivo em que as pessoas destroem os outros em vez de construir algo por si mesmas.

3. Ela Nega Possibilidades

A história está cheia de exemplos de pessoas que superaram enormes dificuldades para alcançar a grandeza. A mentalidade de vítima nega essas possibilidades, prendendo as pessoas às suas circunstâncias.

4. Ela Divide Comunidades

Sociedades prosperam por meio da cooperação e do progresso coletivo. No entanto, a mentalidade de vítima mina essa harmonia ao colocar grupos em conflito, fomentando divisões e concentrando-se na culpa em vez de buscar soluções. Essa dinâmica se agrava quando a vitimização é instrumentalizada politicamente, transformando diferenças em armas, alimentando ressentimentos e desviando a atenção do que realmente importa: unir esforços para construir um futuro melhor para todos.

Em qualquer comunidades, existem dois tipos de pessoas: construtores e acusadores.

• Construtores assumem a responsabilidade por suas ações e veem os obstáculos como oportunidades. Eles enfrentam desafios de frente e perguntam: “O que posso fazer para melhorar isso?”

• Acusadores enxergam o mundo como injusto e se concentram no que os outros fizeram de errado. Eles veem o sucesso com desconfiança e gastam sua energia destruindo em vez de construir.

A diferença entre esses dois grupos não está nas circunstâncias; está na mentalidade. Temos uma obrigação moral de reconhecer nossa responsabilidade pessoal, o que não significa ignorar os desafios reais. Muitas pessoas enfrentam dificuldades além de seu controle—pobreza, doenças, barreiras sistêmicas. No entanto, a responsabilidade pessoal significa recusar-se a permitir que essas lutas definam você. Você não pode controlar onde começa na vida, mas pode controlar para onde vai. Você não pode evitar completamente o fracasso, mas pode escolher aprender com ele. Você não pode garantir o sucesso, mas pode tomar medidas para torná-lo mais provável. A responsabilidade não é apenas uma virtude pessoal; é uma obrigação moral. Quando indivíduos assumem a responsabilidade por suas ações, não apenas melhoram suas próprias vidas, mas também contribuem para o bem-estar de suas famílias, comunidades e da sociedade como um todo.

A vida não é justa, e as circunstâncias que te envolvem podem não ser as ideais. Mas, como a história de Caim e Abel nos lembra, a escolha de assumir a responsabilidade é sempre sua. Você pode ceder ao ressentimento e à culpa ou pode agir e crescer. A mentalidade de vítima é uma armadilha—ela nos cega para as possibilidades, alimenta o ressentimento e divide comunidades.

A responsabilidade, por outro lado, é um caminho para o crescimento. Ela lhe dá o poder de moldar seu futuro e inspira os outros a fazerem o mesmo. O sucesso não é um pecado; é um farol de esperança. É um lembrete do que é possível quando escolhemos a responsabilidade em vez do ressentimento.

Então, pergunte a si mesmo:

• Você é um construtor ou um acusador?

• Você assumirá a responsabilidade ou permitirá que o “pecado esteja à porta”?

A escolha é sua—e é a decisão mais importante que você tomará.

Adivalter Sfalsin

Confiança que Transforma

Um Chamado à Obediência Motivada pelo Amor

“Sou Teu servo; dá-me entendimento para que eu conheça os Teus testemunhos” (Salmos 119:125).

Este versículo revela uma verdade profunda sobre a fé e a obediência: a tensão entre nosso desejo natural de entender e o chamado divino para confiar. Como seres humanos, ansiamos por respostas, clareza e garantias fundamentadas na lógica. No entanto, a vida de fé frequentemente nos convida a abrir mão dessa necessidade e abraçar uma motivação que transcende o entendimento—uma obediência motivada pelo amor.

Pense nisso: quando D-us pede algo de você, qual é a sua primeira reação? Você busca entender o “porquê” ou escolhe confiar e obedecer? Essa pergunta pode causar desconforto, mas tem como objetivo nos desafiar e inspirar crescimento. O chamado de D-us à obediência não é uma demanda arbitrária de submissão ou fé cega; é um convite para aprofundar sua confiança n’Ele. É um pedido para permitir que o amor e a reverência—não apenas a lógica—moldem sua resposta, mesmo quando Seus mandamentos parecem misteriosos ou difíceis de compreender.

O Salmo 119 nos apresenta três palavras hebraicas profundamente conectadas que revelam a riqueza dos mandamentos Divinos: mandamentos (mitzvot), testemunhos (edot) e estatutos (chukim). Essa perspectiva nos ajuda a enxergar a obediência em sua totalidade multifacetada. A vontade de D-us toca todas as partes de nosso ser: Seus mandamentos apelam à razão, Seus testemunhos à memória e à gratidão, e Seus estatutos à confiança e à fé. Juntos, eles nos lembram que a obediência é tanto racional quanto relacional, exigindo o envolvimento de nossas mentes, corações e almas.

Confiar Sem Todas as Respostas – A cultura moderna frequentemente nos ensina a exigir explicações e confiar em nosso próprio raciocínio antes de agir. Mas a obediência bíblica desafia essa abordagem, invertendo o paradigma. Pense em Noé: D-us ordenou que ele construísse uma arca em preparação para um dilúvio—um evento que, na época, parecia completamente improvável. Ainda assim, Noé obedeceu “tudo o que D-us lhe havia ordenado” (Gênesis 6:22). Sua obediência não era fruto de compreender o plano, mas de confiar no Planejador. Agora, pense em Pedro em Lucas 5:4–7. Após uma noite inteira de pesca sem sucesso, Jesus lhe pediu que lançasse as redes mais uma vez. A lógica e a experiência diziam a Pedro que isso era inútil. Ainda assim, ele de forma contra intuitiva respondeu: “Por causa da Tua palavra, lançarei as redes.” O resultado? Uma pesca milagrosa e abundante, além de todas as expectativas.

Essas histórias não falam de obediência cega, mas de uma fé ancorada no caráter comprovado de D-us. O chamado para obedecer sem todas as respostas nos desafia a focar menos no “porquê” e mais no “Quem”. Elas nos ensinam que confiar em D-us não requer entender tudo—requer confiar n’Ele com tudo.

A vida nem sempre é preto no branco, na sua maioria é cinza. Decisões éticas podem se tornar nebulosas e emocionalmente desafiadoras. Por exemplo, considere este cenário moralmente complexo: durante a Segunda Guerra Mundial, se soldados nazistas batessem à sua porta e perguntassem se você estava escondendo judeus—e você estivesse—o que seria obedecer a D-us? Dizer a verdade e possivelmente condenar vidas inocentes, ou mentir para protegê-las? A realidade infeliz de viver em um mundo caído é que a obediência nem sempre é simples. Questões sobre verdade, justiça e amor podem se enredar de maneiras que desafiam respostas fáceis. Devo dizer a verdade se isso colocará alguém em perigo? Devo perdoar quando tudo em mim clama por justiça? Em momentos como esses, Salmos 119:125 oferece uma âncora. O salmista não busca entendimento para questionar a autoridade de D-us, mas para discernir como obedecê-Lo corretamente. Este é o coração de um servo: não dúvida, mas um desejo por clareza. A palavra hebraica para “entendimento” aqui é bîn, que significa discernimento—a habilidade de distinguir entre opções e determinar o curso de ação mais sábio. O salmista também busca conhecimento (yādaʿ), que é a aplicação prática da sabedoria em relacionamentos e decisões do dia a dia. Na sua própria vida, onde você precisa desse tipo de discernimento? Quais situações desafiam sua compreensão sobre o que significa obedecer? Seja navegando por dilemas éticos, perdoando alguém que te feriu profundamente, ou entrando em um futuro incerto, esses momentos testam não apenas nossa fé, mas nossa disposição de confiar na orientação Divina.

A verdadeira obediência não é transacional—é relacional. Não se trata de seguir regras por medo de punição, mas de responder ao amor Divino com amor em retorno. O exemplo supremo disso é Yeshua (Jesus) no Jardim do Getsêmani. Ao enfrentar a realidade excruciante da cruz, Ele orou: “Meu Pai, se possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como Eu quero, mas sim como Tu queres” (Mateus 26:39). Sua obediência não foi meramente um dever; foi um ato de amor profundo—pelo Pai e por nós. Esse tipo de obediência tem um custo. Pode custar seu conforto, sua certeza ou até mesmo seu orgulho. Mas também oferece algo inestimável: uma intimidade mais profunda com D-us. Quando obedecemos motivados pelo amor, nos aproximamos mais do coração d’Ele. Começamos a ver que Seus mandamentos não são fardos, mas bênçãos, projetados para nos levar à plenitude da vida.

Onde D-us está te chamando a confiar e obedecer, mesmo quando isso não faz sentido? Talvez Ele esteja pedindo que você dê um passo de fé em uma nova direção, que perdoe alguém que te feriu, ou que abandone o desejo de controle. Seja qual for o chamado, não se trata de submissão cega, mas de alinhar seu coração com o d’Ele. O caminho da obediência motivada pelo amor não é fácil, mas é transformador. Noé, Pedro e Yeshua (Jesus) enfrentaram momentos em que a obediência exigiu que renunciassem à compreensão e confiassem inteiramente na sabedoria Divina. Sua confiança levou a resultados muito maiores do que poderiam imaginar: salvação, abundância e redenção.

Você dará o próximo passo em fé—não porque entende tudo, mas porque confia plenamente n’Aquele que te chama? O coração de um servo não pulsa com a necessidade de saber tudo, mas com o desejo de amar e honrar o Mestre. Que esse seja o ritmo da sua vida.

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Silêncio Divino

Propósito na Dor e Redenção na Vida

O silêncio Divino é uma experiência profundamente desafiadora para quem busca viver pela fé. Ele nos coloca diante de nossas fragilidades, desconstrói expectativas humanas e nos força a encontrar significado em meio ao caos. As histórias bíblicas nos mostram como esse silêncio pode, paradoxalmente, estar repleto de propósito. As trajetórias de personagens como José e Abraão ilustram que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, há uma providência divina que transcende a compreensão humana.

A vida de José é emblemática nesse sentido. Vendido como escravo pelos próprios irmãos, ele enfrentou traição, prisão injusta e anos de adversidade. Durante cerca de 13 anos, parecia que O Senhor estava ausente. José tinha apenas 17 anos quando foi vendido como escravo e passou mais de uma década enfrentando dificuldades antes de ser exaltado aos 30 anos como governador do Egito. Durante esse período, não houve visões, vozes ou sinais de que algo mudaria. Contudo, no auge de sua história, José foi exaltado à posição de segundo no comando do Egito. Ele se tornou o instrumento divino para salvar uma nação e sua própria família de uma fome devastadora.

O silêncio Divino também é evidente na história de Abraão. A Bíblia sugere um intervalo de cerca de 13 anos entre Gênesis 16 e 17, durante os quais D-us permaneceu em silêncio. Abraão, já avançado em idade, vivia a tensão entre a promessa divina de que seria pai de uma grande nação e a realidade de sua esterilidade. Esses 13 anos de espera foram uma prova de fé e paciência, moldando Abraão para que ele pudesse cumprir seu papel no plano divino.

Quando José reencontra seus irmãos e revela sua identidade, ele diz: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas O Senhor o transformou em bem” (Gênesis 50:20). Essa declaração é profunda porque reconhece a dualidade da maldade humana e da soberania divina. O sofrimento que José enfrentou não foi ignorado ou minimizado, mas foi redimido por D-us para um propósito maior.

Essas narrativas oferecem lições importantes: a dor e as dificuldades não são sinais da ausência de D-us, mas oportunidades para Ele agir de maneira surpreendente. Em nossa caminhada, muitas vezes questionamos o propósito de experiências difíceis. Dores, perdas e injustiças parecem contradizer a ideia de um D-us amoroso e justo. Mas a história de José mostra que D-us pode usar até mesmo as piores intenções humanas para trazer algo bom, moldando circunstâncias aparentemente irreparáveis em momentos de redenção.

A reflexão do livro de Eclesiastes (Kohelet) reforça essa visão ao declarar: “Futilidade absoluta! Tudo é fútil!” (Eclesiastes 1:2). À primeira vista, essa afirmação soa como um pessimismo extremo. No entanto, ela nos convida a olhar para a vida com realismo. É um apelo para abandonarmos ilusões e enxergarmos a existência em sua complexidade: imperfeita, imprevisível e, muitas vezes, dolorosa. Essa honestidade brutal não é para nos desanimar, mas para nos despertar. O que parece sem sentido à primeira vista pode ser redimido quando compreendemos o propósito maior de D-us.

Assim como José, somos chamados a olhar além das aparências e encontrar significado, mesmo em meio ao sofrimento. Ele não apenas suportou as adversidades, mas escolheu perdoar e confiar na soberania de D-us. Essa escolha é um ato de fé e resiliência. Ele poderia ter se amargurado ou buscado vingança, mas optou por enxergar sua vida como parte de um plano divino maior. Essa perspectiva é desafiadora, mas também libertadora. Nos momentos mais sombrios, ela nos lembra que O Senhor está presente, operando em silêncio para transformar o mal em bem.

Na sociedade contemporânea, essa lição é mais relevante do que nunca. Vivemos em um mundo obcecado por narrativas perfeitas e felicidades instantâneas. As redes sociais projetam vidas idealizadas, criando uma pressão irreal de sucesso e plenitude. Essa busca incessante por felicidade e perfeição frequentemente nos desconecta da realidade, tornando as dificuldades ainda mais difíceis de enfrentar. É nesse contexto que a mensagem de Kohelet e a história de José nos desafiam a abraçar a verdade da vida – com suas dores, contradições e belezas – sem filtros ou ilusões.

A grande questão é: como reagimos ao sofrimento e às adversidades? Enquanto a cultura moderna nos incentiva a fugir do desconforto, a fé nos convida a enfrentá-lo com propósito. O silêncio Divino, longe de ser uma ausência, é uma oportunidade para crescermos em resiliência e confiança. Abraão, José e tantos outros personagens bíblicos nos mostram que os momentos de silêncio são frequentemente prelúdios de grandes reviravoltas.

Kohelet reconhece a aparente futilidade da vida, mas aponta para algo maior: o agir de D-us em meio ao caos. Essa realidade pode ser desconfortável, mas também é cheia de esperança. Mesmo quando tudo parece absurdo, é nesse contexto que D-us opera, trazendo propósito ao que antes parecia sem sentido.

A história de José, em particular, nos convida a refletir sobre nossa própria jornada. Como podemos buscar redenção em meio à dor? Como podemos ser agentes de transformação, mesmo enfrentando injustiças e desafios? A resposta está na confiança em D-us e na disposição de agir com propósito. Não somos chamados a viver uma vida perfeita, mas a buscar significado e redenção em cada experiência.

A lição final é clara: tire os óculos rosados, aceite a realidade da vida e confie que O Senhor está moldando um propósito maior. Mesmo nos momentos de silêncio, Ele está presente, trabalhando para redimir nossas tragédias e transformar nossas dores em vitórias. Assim como José, somos chamados a perseverar, perdoar e acreditar que, em todas as coisas, O Senhor está agindo para o bem daqueles que o amam.

A vida é complexa, imperfeita e cheia de desafios, mas também é o cenário onde O Senhor opera milagres e redenções. Quando abraçamos essa realidade, encontramos coragem, propósito e esperança para continuar. Afinal, o silêncio Divino não é o fim da história – é o prelúdio para algo extraordinário.

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Imagem e Semelhança

O reflexo da glória: Explorando Tzelem e Demut

No capítulo de abertura de Gênesis, encontramos uma declaração profunda e fundamental: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.” As palavras hebraicas צֶלֶם (tzelem) e דְּמוּת (demut), traduzidas como “imagem” e “semelhança”, são a chave para entender a essência do que significa ser humano. Esses termos, ricos em significado, oferecem uma visão poderosa sobre o papel único da humanidade na criação e sua conexão íntima com o divino. Mas o que realmente significam essas palavras, e como moldam nossa compreensão de quem somos e de nossa missão?

A palavra tzelem carrega a ideia de representação, algo que reflete ou aponta para uma realidade maior. Nos contextos antigos, tzelem era frequentemente usada para descrever estátuas ou ídolos—representações físicas que simbolizavam a presença ou autoridade de uma divindade. Porém, quando aplicada à humanidade, tzelem transcende esse simbolismo externo para transmitir uma verdade mais profunda: os seres humanos não são meros adornos na criação, mas reflexos vivos da presença e autoridade de D-us. Veja, por exemplo, Gênesis 5:3, onde o filho de Adão, Sete, é descrito como sendo “à sua imagem e semelhança” (tzelem). Assim como Sete herdou características—físicas, emocionais e pessoais—de Adão, a humanidade reflete D-us. No entanto, essa semelhança não se refere à aparência física, pois D-us é espírito (João 4:24). Em vez disso, fala de qualidades compartilhadas, como criatividade, raciocínio, capacidade moral e relacional. Em outras partes das Escrituras, tzelem aparece em contextos mais concretos. Por exemplo, Números 33:52 fala sobre destruir imagens esculpidas (tzelem), referindo-se a ídolos que representavam D-uses pagãos. Essa contraposição é significativa: enquanto os ídolos são objetos inanimados e estáticos, a humanidade, como tzelem de D-us, é um reflexo vivo e dinâmico de Sua presença, encarregada de incorporar Sua autoridade e cuidado sobre a criação. Até mesmo o Salmo 39:6 enriquece o conceito, comparando a vida humana a uma sombra (tzelem). Sombras são passageiras, mas reais, e apontam para uma fonte. De forma semelhante, nossa existência—por mais breve que seja—reflete a realidade eterna da natureza e do propósito de D-us.

Compreendendo Demut – “Semelhança” Se tzelem enfatiza a representação externa, demut foca na similaridade interna. Destaca as qualidades espirituais, morais e intelectuais que a humanidade compartilha com o criador. Enquanto tzelem aponta para o papel humano como representante divino na terra, demut revela a essência do que significa ser humano: a capacidade de refletir a natureza de D-us em amor, raciocínio, criatividade e escolhas éticas. Essa ideia é reiterada em Gênesis 5:1, que nos lembra que a humanidade foi criada “à semelhança de D-us” (demut). Mais uma vez, essa semelhança não é física, mas reflete nossa habilidade de amar, raciocinar e tomar decisões morais. Essa capacidade compartilhada nos diferencia do restante da criação, dotando-nos de um papel e responsabilidade únicos.

Isaías 40:18 usa demut para perguntar: “A quem, pois, comparareis a D-us? Ou com que imagem (demut) O confrontareis?” Aqui, demut sublinha a incomparabilidade de D-us. Embora compartilhemos certos atributos com Ele, Sua natureza permanece infinitamente maior do que podemos compreender. Um uso marcante de demut aparece na visão de Ezequiel sobre o trono de D-us (Ezequiel 1:26–28). O profeta descreve “a semelhança (demut) de um homem” sobre o trono—simbolizando a glória de D-us em uma forma que a humanidade pode perceber. Isso demonstra que demut implica semelhança sem equivalência, assim como a humanidade reflete D-us sem ser idêntica a Ele.

A Harmonia entre Tzelem e Demut. Quando Gênesis 1:26 combina tzelem e demut, apresenta uma visão holística do propósito humano. Juntos, esses termos revelam que somos tanto reflexos da presença de D-us quanto portadores de Suas características. Tzelem enfatiza nosso papel como representantes de D-us na terra, enquanto demut destaca as qualidades espirituais e morais que nos capacitam a cumprir esse papel. Para ilustrar, pense em uma moeda: a imagem gravada na moeda (tzelem) representa a autoridade de quem a emitiu, enquanto o valor da moeda (demut) reflete a essência e o significado atribuídos a essa autoridade. Da mesma forma, carregamos o selo de D-us externamente por meio de nossa função na criação e internamente pelas qualidades que nos tornam humanos.

O que isso implica para nossa vida? O fato de sermos criados à imagem (tzelem) e semelhança (demut) de D-us traz implicações profundas para nossas vidas:

1. Um Chamado ao Cuidado

A humanidade foi encarregada de dominar a terra (Gênesis 1:26–28). Essa responsabilidade não se trata de exploração, mas de cuidado—zelar pela criação como representantes de D-us, refletindo Seu amor, sabedoria e cuidado.

2. A Base dos Relacionamentos

Ser à imagem de D-us significa ser relacional, assim como D-us existe em relacionamento eterno na Trindade. Nossa capacidade de nos conectar—com D-us, com os outros e com o mundo—reflete Sua natureza relacional.

3. Uma Responsabilidade Moral

Como portadores da semelhança de D-us, somos chamados a refletir Sua santidade e justiça. Levítico 19:2 declara: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso D-us, sou santo.” Viver em alinhamento com o caráter de D-us é tanto um privilégio quanto uma responsabilidade moral.

O Novo Testamento amplifica essa verdade ao apontar para Jesus Cristo como o cumprimento perfeito da imagem de D-us. 2 Coríntios 4:4 afirma: “A luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de D-us.” Da mesma forma, Hebreus 1:3 descreve o Filho como “o resplendor da glória de D-us e a expressão exata do Seu ser.” Em Cristo, vemos o exemplo supremo do que significa ser à imagem e semelhança de D-us. As palavras tzelem e demut nos lembram de que a humanidade não é um acidente da criação, mas um reflexo deliberado do Criador. Somos testemunhos vivos e transmissores da glória de D-us, encarregados não apenas de representá-Lo externamente, mas de incorporar Seu caráter internamente.

Vivendo o Reflexo Divino. Enquanto vivemos nosso dia a dia, devemos considerar a beleza e o peso desse chamado. Cada ação que tomamos e cada decisão que fazemos reflete a imagem e semelhança de D-us. Para muitas pessoas que talvez nunca abram uma Bíblia, a única “Bíblia” que elas conhecerão será observar como vivemos nossas vidas. Essa realidade eleva nosso chamado, apresentando um desafio e um privilégio: sermos verdadeiros representantes do Reino de D-us na terra. Carregar o tzelem e demut de D-us não é apenas um privilégio—é uma responsabilidade de viver de forma que honre Àquele cuja imagem carregamos. Que nossas vidas sejam reflexos dignos desse selo divino, trazendo glória ao Criador em tudo que fazemos e iluminando o caminho para que outros também vejam e se aproximem de D-us.

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Ferramentas Divinas

As Promessas de D-us Versus as Falsificações do Adversário

A história de Jacó na Bíblia não é apenas um relato histórico; é uma reflexão profunda sobre a natureza das promessas Divinas e as ferramentas que Ele dá ao Seu povo para trazer Sua presença ao mundo. Fundamentadas na aliança com Abraão, as promessas feitas a Jacó vão além de bênçãos pessoais—são instrumentos para cumprir o propósito divino, moldar a história e abençoar todas as nações. No entanto, em um contraste marcante, o adversário oferece uma versão falsa dessas bênçãos, seduzindo a humanidade a buscar objetivos vazios que carecem da essência dos dons de D-us: Sua presença e fidelidade.

As Promessas Divinas a Jacó

Em Gênesis, D-us se encontra com Jacó e lhe faz uma série de promessas que formam a base de sua identidade e missão. Essas promessas, muitas vezes vistas apenas como bênçãos, são melhor compreendidas como ferramentas confiadas a Jacó para um propósito maior. Primeiramente, Jacó recebe a promessa da terra de Canaã, uma herança física que simboliza estabilidade e provisão. Essa terra não é apenas um lugar para habitar, mas um espaço para o reino de D-us criar raízes, dessa terra que vem o nosso messias—um lembrete tangível da fidelidade Divina. Além disso, Jacó recebe a promessa de prosperidade, refletindo as bênçãos materiais, que capacitam Seu povo a administrar recursos para a glória d’Ele. Mais intimamente, Jacó recebe a promessa de descendentes tão numerosos quanto o pó da terra. Essa promessa fala da alegria da família e da continuidade da aliança Divina através das gerações. É por meio desses descendentes que as bênçãos dos céus se espalharão, impactando todas as nações e cumprindo a promessa de que a linhagem de Jacó seria uma fonte de bênçãos para o mundo inteiro. No entanto, no coração dessas promessas está algo ainda mais profundo: a presença Divina inabalável. “Eu estou com você”, D-us assegura a Jacó, “e o guardarei onde quer que você vá” (Gênesis 28:15). Essa promessa de companhia é a base de tudo, lembrando Jacó de que a fidelidade Dele sustenta todos os aspectos de sua vida. Mais tarde, D-us renova essa aliança com Jacó, reafirmando Seu compromisso e demonstrando que Suas promessas não são passageiras, mas duradouras.

As Falsificações do Adversário

Enquanto D-us oferece essas promessas como ferramentas para cumprir Seus propósitos, o adversário apresenta versões distorcidas que seduzem a humanidade para buscas egoístas. As ofertas do adversário imitam a estrutura das bênçãos Divinas, mas são desprovidas de essência do mesmo, deixando apenas vazio e destruição. Uma das distorções mais gritantes é a substituição da família e descendência pela mercantilização do sexo. No mundo de hoje, o sexo é amplamente acessível, promovido como fonte de gratificação pessoal, e não como um ato de amor e compromisso dentro do vínculo sagrado da família. O adversário atrai as pessoas para relacionamentos casuais, pornografia e promiscuidade, prometendo liberdade e prazer, mas entregando vazio, relacionamentos quebrados e degradação moral da sociedade. Aquilo que D-us projetou como um alicerce para construir famílias e sociedades inteiras continuando Sua aliança foi reduzido a uma transação momentânea. A facilidade com que o sexo é acessado hoje, por meio de plataformas digitais e permissividade cultural, corroeu seu propósito mais profundo. Em vez de fomentar intimidade, confiança e legado, tornou-se uma ferramenta de exploração e desconexão. Essa decadência moral não apenas fragmentou indivíduos e famílias, mas também enfraqueceu o tecido social como um todo. Da mesma forma, o adversário distorce a prosperidade. Em vez de encorajar o bom uso dos recursos e a generosidade, ele tenta as pessoas a usar a riqueza apenas para a gratificação pessoal. O dinheiro se torna um ídolo, acumulado ou gasto de forma egoísta, em vez de ser um recurso para abençoar outros e avançar o reino de D-us. Até mesmo a promessa de influência e propósito é deturpada. D-us chama Seu povo para ser uma bênção a todas as nações, usando sua influência para trazer Sua presença ao mundo. Em contraste, o adversário oferece poder como um meio de ganho pessoal, levando ao orgulho, à corrupção e, finalmente, à autodestruição.

O Que Falta nas Falsificações?

A diferença essencial entre as promessas Divinas e as falsificações do adversário é clara: a presença e a fidelidade de D-us estão completamente ausentes nas últimas. A presença de D-us é o núcleo de Suas promessas a Jacó. Não são a terra, os descendentes ou a prosperidade que definem a bênção de Jacó, mas a garantia de Sua presença, guiando-o e protegendo-o. Sem a presença Divina, as ofertas do adversário, por mais atraentes que possam parecer, são vazias. Além disso, a aliança representa Sua fidelidade imutável. Enquanto o adversário promete prazer passageiro, riqueza ou poder, o Senhor oferece um relacionamento enraizado na lealdade e na restauração. Sua aliança com Jacó, renovada e reafirmada, é um testemunho de Seu compromisso duradouro com Seu povo—uma fidelidade que nenhuma falsificação pode replicar.

Escolhendo a Verdadeira Bênção

A história de Jacó nos lembra que as promessas do Senhor não se tratam apenas de receber bênçãos, mas de ser equipado para trazer Sua presença ao mundo. A terra, os descendentes e a prosperidade confiados a Jacó não eram apenas para seu benefício pessoal—eram ferramentas para cumprir uma missão Divina. Em contraste, as ofertas do adversário, embora sedutoras, são distrações que nos afastam do propósito Divino. Elas se concentram na gratificação imediata, cortando-nos da alegria e realização mais profundas encontradas na presença de D-us. O resultado é frustração e um vazio abismal. À medida que navegamos em nossas próprias vidas, devemos perguntar: Estamos escolhendo as promessas Divinas, usando-as como ferramentas para cumprir Sua missão, ou estamos caindo nas falsificações do adversário, buscando ganhos vazios à custa de nosso relacionamento com Ele?

O que guia suas decisões hoje—devoção e propósito, ou gratificação momentânea? A resposta revela mais do que suas prioridades; ela reflete o estado de seu relacionamento com D-us. Você buscará Sua presença e abraçará Suas promessas duradouras, ou se contentará com as ofertas vazias do adversário? A escolha é sua—e moldará não apenas sua vida, mas também seu legado eterno.

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Do Pó ao Pó

A Fragilidade Humana

Em Gênesis 2:7, encontramos uma das verdades mais profundas e humilhantes sobre a existência humana: “Então o SENHOR D-us formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida, e o homem se tornou um ser vivente.” O uso deliberado da palavra עָפָר (ʿāfār) em hebraico—não é incidental. O pó é frágil, impermanente e facilmente disperso pelo vento. Ao escolher esta palavra, o texto bíblico destaca a fragilidade inerente da humanidade, nossa dependência de D-us e a humildade de nossas origens. Mas há outra camada de significado neste versículo. O nome Adão—o primeiro homem/humanidade—deriva da palavra hebraica אֲדָמָה (adamah), que significa “terra” ou “solo”. Essa dualidade é rica em simbolismo teológico. Enquanto “pó” enfatiza a fragilidade, “terra” sugere potencial, estabilidade e conexão com a criação. Juntos, esses termos criam uma imagem da humanidade como humilde e significativa ao mesmo tempo, frágil, mas dotada de um propósito divino e grande potencial.

O contraste deliberado entre e terra revela muito sobre a natureza humana. O pó, sendo a menor e mais insignificante parte da terra, transmite fragilidade e transitoriedade. Ele é facilmente levado pelo vento, carecendo de forma e permanência por si só. Essa escolha de imagem é intencional, servindo como um lembrete de que, sem o sopro de vida de D-us, somos apenas partículas dispersas. Ao mesmo tempo, a conexão com a adamah—a terra—nos ancora na ordem criada. A terra é fértil, capaz de produzir vida quando devidamente cultivada. Assim como a terra tem o potencial de dar frutos, a humanidade também tem a capacidade de crescer e cumprir seu propósito quando está conectada ao Criador. A interação entre essas duas imagens nos desafia a manter ambas as verdades em equilíbrio. Somos frágeis e dependentes de D-us, mas também somos escolhidos e moldados por Ele, com um papel único em Sua criação.

Apesar da ênfase bíblica em nossa fragilidade, a humanidade frequentemente se inclina para a arrogância. Muitos colocam sua confiança em realizações, riqueza ou status social, como se essas coisas pudessem garantir permanência. No entanto, as Escrituras nos lembram repetidamente da tolice de tal orgulho. O salmista escreve em Salmos 103:14: “Pois ele conhece a nossa estrutura e lembra-se de que somos pó.” D-us não se impressiona com nossos títulos, posses ou conquistas. Para Ele, nossa verdadeira natureza é clara—somos tão frágeis quanto o pó do qual fomos formados. Nosso poder, por maior que pareça, é efêmero e insignificante diante da eternidade. Essa fragilidade é reforçada em Gênesis 3:19, onde D-us declara: “Pois você é pó e ao pó voltará.” Este versículo não apenas destaca nossa mortalidade, mas também confronta a arrogância daqueles que confiam em sua própria força. Não importa o quanto realizemos em vida, não podemos escapar de nosso destino compartilhado. A morte reduz toda a humanidade—ricos e pobres, poderosos e fracos—ao mesmo pó.

Enquanto o pó nos lembra de nossa fragilidade, a conexão com a adamah—a terra—oferece um vislumbre de esperança. A terra, embora humilde, é a fonte de vida. É onde as sementes são plantadas e o crescimento começa. Assim como a terra depende da chuva e do cultivo para dar frutos, a humanidade depende de D-us para cumprir seu propósito. Essa conexão também revela uma profunda verdade teológica: fomos feitos para ser mordomos da criação. Mais tarde, em Gênesis 2:15, lemos que Adão foi colocado no Jardim do Éden para “cultivá-lo e guardá-lo”. O papel da humanidade, portanto, não é dominar a criação com arrogância, mas cuidar dela com humildade, reconhecendo que nós mesmos fazemos parte dela. Ainda assim, mesmo neste papel, somos lembrados de nossas limitações. Assim como a terra não pode produzir vida sozinha, nós também não podemos. Assim como o solo precisa de luz solar, água e nutrientes para florescer, precisamos da orientação e sustento de D-us para cumprir nosso propósito. Sem Seu sopro—o toque divino que nos anima—permanecemos pó sem vida.

O uso deliberado do pó em Gênesis 2:7 não é apenas poético, mas profundamente instrutivo. É um chamado à humildade, nos instando a reconhecer nossa fragilidade e dependência de D-us. A arrogância não tem lugar na vida de quem entende suas origens. As Escrituras nos lembram constantemente que nosso valor não vem de nossas conquistas, mas do fato de que somos moldados pelo próprio Criador. A humildade começa com o reconhecimento de que, como o pó, somos pequenos e transitórios. Mas não para por aí. A humildade também nos convida a abraçar a verdade de que, apesar de nossa fragilidade, somos amados e escolhidos por D-us. Essa dupla perspectiva nos liberta da busca fútil pelo orgulho mundano e nos permite viver com gratidão e propósito. A verdadeira humildade também nos chama a tratar os outros com dignidade e respeito. A conexão entre Adão e a terra não é exclusiva de uma pessoa, mas universal. Toda a humanidade compartilha a mesma origem e destino: “Todos vêm do pó, e ao pó todos voltarão” (Eclesiastes 3:20). Reconhecer essa verdade nos obriga a ver os outros não como competidores, mas como iguais, todos feitos à imagem de D-us. Por fim, a humildade aponta para a esperança. Embora o pó simbolize fragilidade e mortalidade, ele também aponta para a ressurreição. Em Isaías 26:19, recebemos uma visão de esperança: “Os teus mortos viverão; os seus corpos ressuscitarão. Despertem e cantem de alegria, vocês que habitam no pó!” Mesmo do pó da morte, D-us promete renovação. Esta é a expressão máxima de Seu poder e amor—trazer vida do nada.

O Novo Testamento expande esses temas de fragilidade e esperança, oferecendo uma compreensão mais profunda de nossa redenção. Em 1 Coríntios 15:47-49, Paulo contrasta o homem terreno e o homem celestial: “O primeiro homem, formado do pó da terra, era terreno; o segundo homem, vindo do céu, é celestial. Assim como tivemos a imagem do homem terreno, teremos também a imagem do homem celestial.” Aqui, Saulo nos aponta para a esperança encontrada no Messias Yeshua (Jesus). Embora sejamos do pó, não estamos presos a ele. Por meio do Messias, somos transformados e recebemos a promessa de uma herança celestial. Em 2 Coríntios 4:7, Saulo reflete: “Mas temos este tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de D-us, e não de nós.” A imagem de vasos de barro frágil ecoa o pó de nossa criação, enfatizando nossa dependência do poder de D-us. Contudo, dentro dessa fragilidade, carregamos o tesouro do evangelho—a promessa de vida eterna e restauração por meio do Messias.

Ao refletirmos sobre a imagem deliberada do pó e da terra, devemos nos perguntar: Estamos vivendo como se nossas vidas dependessem de nossa própria força, ou estamos fundamentados na verdade de nossa dependência de D-us? Quando tudo for retirado, e estivermos diante do Criador, o que restará de nossas vidas? Seremos dispersos como o pó ao vento ou encontraremos nossa esperança e propósito no único que nos moldou da terra e nos redimiu por meio de Seu Filho?

Adivalter Sfalsin

O Silêncio Divino: Refletindo Sobre Nossas Orações

Por Que D-us Não Responde nossas Orações: Barreiras a Serem Quebradas para uma Conexão Mais Profunda

Muitos de nós passamos por momentos em que nossas orações parecem não ser respondidas, o que nos leva a questionar se D-us realmente está ouvindo ou se algo está bloqueando nossa comunicação. A Bíblia sugere que atitudes e ações específicas podem criar barreiras que nos impedem de experimentar o poder completo da oração. Ao explorar esses possíveis obstáculos, podemos entender melhor como abrir o caminho para um relacionamento mais profundo e uma vida de oração mais rica.

No centro de uma oração eficaz está a fé. Hebreus 11:6 nos lembra que “sem fé é impossível agradar a D-us.” A verdadeira fé vai além de uma resposta emocional; é um compromisso profundo em confiar em Sua existência e no poder para agir em nossas vidas. Essa crença não é apenas um exercício intelectual ou fruto de pensamento positivo; é uma confiança firme, baseada nas promessas divinas e nas experiências históricas de Seu povo, especialmente em Sua aliança com Israel. A experiência dos israelitas, como vista em Deuteronômio 1:45, ilustra que abrigar dúvidas ou descrenças pode criar uma barreira, impedindo D-us de responder às orações. Portanto, aproximar-se do Altíssimo exige uma crença firme em Suas promessas e uma confiança inabalável em Sua disposição de ouvir e responder. Em hebraico, o conceito de fé é capturado principalmente pela palavra אֱמוּנָה (emunah), que transmite muito mais do que uma simples crença. Em vez de significar apenas um consentimento mental, emunah incorpora confiança, firmeza e lealdade comprometida. Esta palavra tem sua raiz em אָמַן (aman), que significa “apoiar” ou “tornar firme,” enfatizando um sentido de confiabilidade, estabilidade e fidelidade. A fé, nesse sentido, não é passiva, mas envolve confiança ativa, lealdade e dedicação. O pensamento hebraico visualiza a fé como uma fundação firme ou um caminho seguro, algo que se pode “caminhar” ou “se apoiar”. Essa perspectiva ressalta que a fé não é apenas intelectual, mas também relacional e prática. Emunah exige participação ativa; é demonstrada por meio de nossas ações, escolhas e compromisso de viver alinhado aos caminhos de D-us. Assim, a verdadeira fé molda nossas vidas, enraizando-nos em uma confiança que é confiável e orientadora, aproximando-nos do Criador.

O pecado também pode se tornar um obstáculo. Isaías 59:1-2 explica que o pecado nos separa do Senhor, obscurecendo nossa linha de comunicação. Quando escolhemos conscientemente ações que contradizem Seus ensinamentos, nossas orações podem se tornar abafadas. Salmos 66:18 reforça essa verdade: “Se eu tivesse guardado iniquidade no meu coração, o Senhor não teria me ouvido.” Através do arrependimento genuíno e de um afastamento sincero do pecado, limpamos o caminho. O arrependimento não é simplesmente um pedido de desculpas; é um compromisso sincero de mudança. Ao abandonar o pecado, removemos obstáculos que podem comprometer nossa conexão espiritual, permitindo que nossas orações sejam ouvidas. Um espírito de obediência é igualmente essencial. D-us valoriza a obediência, e quando desconsideramos Sua orientação, corremos o risco de bloquear nossa comunicação. Provérbios 1:24-28 destaca que, quando ignoramos os chamados de D-us, Ele pode não responder aos nossos clamores em tempos de necessidade. A obediência não é apenas uma demonstração de respeito, mas uma maneira de nos abrirmos à Sua sabedoria. Tiago 1:22 nos aconselha a sermos “praticantes da palavra, e não apenas ouvintes.” Quando alinhamos nossas ações com Sua vontade, convidamos as respostas divinas às nossas orações, fortalecendo nosso vínculo espiritual.

Além disso, nossas ações em relação aos outros, especialmente aqueles em necessidade, têm um impacto profundo em nossa vida espiritual. Provérbios 21:13 diz: “Quem fecha os ouvidos ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido.” A compaixão e a generosidade são expressões fundamentais de nossa fé, lembrando-nos de que o nosso tratamento para com os outros reflete diretamente nosso relacionamento espiritual. Quando abrimos nossos corações e mãos para aqueles ao nosso redor, cultivamos um espírito de bondade que é honrado, o que aprofunda nossa vida espiritual e fortalece nossa conexão na oração. Nossos relacionamentos, especialmente dentro do casamento, influenciam nossa vida espiritual. A qualidade de nosso relacionamento conjugal pode refletir e afetar nossa relação com o divino. Em 1 Pedro 3:7, os maridos são instruídos a honrar suas esposas para que suas orações não sejam impedidas. Esse princípio se aplica a todos os relacionamentos, lembrando-nos de que o amor e o respeito estão no cerne de uma vida espiritual saudável. Efésios 5:25-28 enfatiza a importância do amor altruísta, ressaltando que um casamento respeitoso reflete o amor divino e fortalece o vínculo espiritual. Ao cultivar harmonia e compaixão em nossos relacionamentos, criamos uma atmosfera onde nossas orações têm mais ressonância.

A autenticidade e as motivações são componentes vitais para uma oração eficaz. D-us valoriza sinceridade e humildade, rejeitando demonstrações vazias de fé. Isaías 1:15 revela a resposta divina à adoração insincera: “Quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos.” A hipocrisia, onde as ações não condizem com as crenças, enfraquece nossa conexão espiritual. Jesus aborda isso em Mateus 6:5, lembrando-nos de que a verdadeira oração não é sobre exibição pública, mas sobre honestidade de coração. Da mesma forma, nossas motivações na oração devem refletir um desejo genuíno de alinhamento com a vontade de D-us, e não a busca por ganhos pessoais. Tiago 4:3 adverte: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.” Quando nossas intenções são egoístas, perdemos o verdadeiro propósito da comunhão com o Altíssimo. 1 João 5:14 nos assegura que, ao orarmos conforme Sua vontade, podemos nos aproximar com confiança. Um coração focado em glorificar a D-us e servir aos outros traz profundidade às nossas orações, fortalecendo nossa espiritualidade e conexão com o sagrado.

Além de evitar essas barreiras, a Bíblia enfatiza que uma vida de retidão amplifica o poder da oração. Tiago 5:16 escreve: “A oração do justo é poderosa e eficaz,” destacando que uma vida reta fortalece nossas orações. Embora sejamos considerados justos por meio de Cristo, Tiago aponta para uma justiça prática — um compromisso diário de viver segundo os padrões de D-us. O profeta Elias exemplificou isso quando suas orações sinceras foram respondidas com fogo divino, mostrando o impacto de uma vida dedicada. Viver uma vida justa, livre de compromissos e alinhada com os valores espirituais, permite que nossas orações tenham peso e influência. Salmos 34:15 afirma: “Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor.” Ao nos comprometermos com uma vida reta, criamos uma linha de comunicação ininterrupta com o divino, onde nossas orações podem trazer mudanças reais.

Ao abordar essas barreiras, abrimos o caminho para uma vida de oração mais eficaz e gratificante. A retidão prática é mais do que crença; é um compromisso de se alinhar com a vontade divina, promovendo uma conexão ininterrupta. Quando eliminamos a descrença, o pecado persistente, a desobediência, o descaso, a desonra, a hipocrisia e as motivações egoístas, cultivamos um coração sincero que convida a presença de D-us. Uma vida de fé autêntica, arrependimento diário e desejo de viver de acordo com os padrões divinos traz poder transformador às nossas orações.

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Por onde andas

Por onde andas? Um Convite para a presença do Divino

E chamou o Senhor D-us a Adão, e disse-lhe: Onde estás? (Gênesis 3:9)

“וַיִּקְרָא יְהוָה אֱלֹהִים אֶל־הָאָדָם וַיֹּאמֶר לוֹ אַיֶּכָּה

Quando D-us chamou Adão no Jardim do Éden, perguntando “Onde estás?”, Ele não estava simplesmente fazendo uma pergunta sobre localização. Muitos de nós talvez nos perguntemos: “Por que D-us, que sabe de todas as coisas, perguntaria onde Adão estava?” Mas essa pergunta, profunda e cheia de significado, vai além da geografia. É uma questão de relacionamento e presença, uma que ressoa ao longo da Bíblia e ecoa em nossas vidas até hoje. A pergunta de D-us para Adão—Ayeka – אַיֶּכָּה? ou “Onde estás?”—revela Seu desejo de caminhar em comunhão conosco, de estar em um relacionamento de confiança e companheirismo.

Esse tema de “andar com D-us” é uma narrativa fundamental em toda a Bíblia, abordando uma vida marcada pela proximidade espiritual, obediência e confiança. Desde o Jardim do Éden até as jornadas dos profetas, andar com D-us é um modo de viver, um convite para alinhar nossos passos com o Divino e compartilhar de Sua presença.

Um Convite para Caminhar Juntos, em Gênesis, encontramos o primeiro exemplo de D-us caminhando entre a humanidade no Jardim do Éden. Após Adão e Eva comerem do fruto da Árvore do Conhecimento, eles se escondem ao ouvir “o som do Senhor D-us que passeava no jardim” (Gênesis 3:8). D-us então chama: “Onde estás?” Mas esta não é uma pergunta comum referente a localização geográfica. Em hebraico, duas palavras podem ser usadas para “onde”: eifo, que é um pedido direto de localização, e ayeka, uma questão mais íntima sobre presença e estado de ser. A escolha de D-us pelo termo ayeka implica um anseio por proximidade relacional, como se Ele estivesse perguntando: “Por que você está se escondendo de Mim? Por que você não está mais ao Meu lado? Esse é a hora de andarmos juntos”.

Esse momento profundo revela o desejo de D-us por comunhão. O Jardim foi criado para que D-us e a humanidade pudessem caminhar juntos. Contudo, por causa do pecado, Adão e Eva se esconderam, criando uma distância de D-us que é sentida profundamente ao fazer a pergunta. O “Onde estás?” de D-us não é uma expressão de ira, mas uma dor divina pelo relacionamento rompido. Ele estava convidando-os a caminhar ao Seu lado, mas, em vez disso, eles escolheram a separação.

Caminhar como Companheirismo Mútuo. A palavra hebraica halach, que significa “caminhar”, pode ser conjugada em diferentes formas, cada uma com significados sutis. Na forma hitpaell’hithalekh—ela sugere uma ação mútua ou reflexiva, indicando que caminhar é algo a ser feito juntos. Quando a Bíblia fala de D-us “caminhando” no jardim, ela está convidando Adão e Eva a uma jornada compartilhada. D-us não estava apenas passeando; Ele estava estendendo um convite para um companheirismo, uma caminhada de presença mútua. Mas a desobediência deles interrompeu essa companhia, deixando D-us sozinho enquanto Adão e Eva se escondiam com vergonha e medo.

O conceito de andar com D-us continua nas histórias de Enoque e Noé. Em Gênesis 5:24, lemos: “Enoque andou com D-us; e já não era, porque D-us o tomou para si.” O relacionamento de Enoque com D-us era tão íntimo que ele foi unido a D-us, transcendendo o reino terreno. Noé, por sua vez, “andou com D-us” (Gênesis 6:9), e sua vida tornou-se um exemplo de companheirismo justo com D-us. Sua fé e confiança em D-us o ajudaram a resistir à corrupção ao seu redor, levando-o a cumprir o comando de D-us para construir a arca. Para Enoque e Noé, andar com D-us era mais do que um ato físico; era uma postura interior de obediência e rendição. Eles nos mostram como uma caminhada fiel com D-us pode transformar nossas vidas, mesmo em um mundo marcado pela ruptura.

A Promessa de Companheirismo. Em Levítico 26:12, D-us estende outro convite para o companheirismo, dizendo: “E andarei entre vós e serei vosso D-us, e vós sereis o meu povo.” Esta promessa reflete o coração do desejo de D-us por um relacionamento com Seu povo—uma oportunidade renovada para a humanidade “andar” com Ele. A linguagem aqui relembra a caminhada no Éden, sugerindo que, se o povo de Israel seguisse Seus mandamentos, eles poderiam experimentar novamente Sua presença. Rashi, um comentador medieval proeminente, aponta para uma midrash que interpreta esta promessa como D-us dizendo: “Andarei convosco no Jardim.” É uma visão de redenção onde D-us caminha lado a lado com Seu povo, um relacionamento restaurado onde humanidade e D-us podem desfrutar da presença um do outro.

Um Chamado Profético: “Onde Estás?” Ao longo da Bíblia, os profetas chamam Israel a retornar a D-us, ecoando a pergunta divina, “Onde estás?” Em Isaías 52:11-12, o profeta exorta o povo a “saírem do meio das nações,” para andarem com D-us mais uma vez. O profeta Miquéias encapsula o desejo de D-us por Seu povo em Miquéias 6:8, dizendo: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu D-us?” Andar com D-us é um chamado à humildade, justiça e misericórdia. Ele encoraja ao povo que vivam alinhados com Seus valores, caminhando de maneira que crie uma vida de integridade, justiça e compaixão. É um convite profético para retornar ao companheirismo para o qual fomos criados, uma jornada harmoniosa de presença com D-us.

Caminhando Juntos na Nova Aliança. No Novo Testamento, vemos esse chamado ao companheirismo cumprido na pessoa de Yeshua (Jesus). Ele convida Seus seguidores, dizendo: “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês” (João 15:4). Conhecido como “Emanuel,” que significa “D-us conosco,” Ele representa o ápice do desejo de D-us de caminhar intimamente com a humanidade. Saulo ecoa essa promessa em 2 Coríntios 6:16, dizendo: “Habitarei neles e andarei entre eles; serei o seu D-us, e eles serão o meu povo.” Por meio do Messias, o convite de D-us para andar com Ele torna-se acessível a todos.

Andar com D-us é mais do que uma metáfora; é uma jornada transformadora de confiança, obediência e presença. Existem várias formas que podemos implementar em nossas vidas para “andar com D-us”. Priorize momentos de oração e reflexão. Separe um tempo todos os dias para convidar D-us ao seu coração—não apenas para pedir, mas para ouvir e abrir sua alma à Sua presença. Através de uma oração silenciosa e reflexiva, permitimos que D-us fale conosco, transformando o cotidiano em encontros sagrados. Imersão nas Escrituras também é um modo poderoso de convidar D-us a caminhar ao nosso lado. A Palavra de D-us nos guia, conforta e fortalece. Ao nos engajarmos diariamente com a Bíblia, ainda que sejam apenas alguns versículos, convidamos a sabedoria de D-us para nossas vidas, alinhando nossas ações com Seus ensinamentos. Caminhar com D-us significa também incorporar Seu amor, misericórdia e compaixão. Busque ativamente maneiras de demonstrar bondade, perdoar aqueles que o ofenderam e servir aos necessitados. Cada ato de amor e misericórdia nos aproxima de D-us, que é amor em essência, e nos ajuda a harmonizar nosso coração com o dEle. Caminhar humildemente com D-us, como Miquéias exorta, exige deixar o orgulho de lado e render-se à Sua orientação. Reconhecer nossa necessidade por Ele e confiar em Seu caminho, mesmo quando não está claro, nos aproxima de Seu lado. A humildade abre caminho para uma vida onde Ele nos conduz com força e sabedoria. A comunidade e o companheirismo também desempenham papéis essenciais nessa jornada. Andar com D-us não é um caminho solitário. Através da igreja, grupos de estudo ou comunidades de fé, encontramos apoio e experimentamos a presença de D-us mais plenamente. Juntos, incentivamos e fortalecemos uns aos outros, aprendendo e crescendo em Seu companheirismo. Quando erramos ou nos afastamos, podemos sentir vontade de nos esconder, assim como Adão e Eva. Mas a pergunta de D-us, “Onde estás?” não é uma condenação; é um convite para retornar. Buscar o perdão e deixar para trás os erros passados nos aproxima de D-us. O arrependimento nos permite seguir em frente em uma renovada companhia com Ele. Finalmente, cultivar a gratidão nos mantém conscientes da presença de D-us em nossas vidas. Ao tornar um hábito agradecer por pequenas bênçãos ao longo do dia, permanecemos sintonizados com Sua presença, que nos aproxima ainda mais Dele.

Esta jornada de andar com D-us é feita de escolhas diárias, de pequenos passos rumo a uma vida em sintonia com Sua presença. Hoje, D-us ainda pergunta: “Onde estás?” É uma pergunta de amor, um convite divino para sair do esconderijo e caminhar com Ele em uma jornada compartilhada de propósito, paz e amizade. Imagine a paz, o propósito e a força que vêm de viver em harmonia com Aquele que o criou. Imagine a alegria de saber que cada passo que você dá é guiado por um amor que nunca o abandona, uma presença que perdura. A mão de D-us está estendida, esperando que você a segure. Andar com Ele não é reservado para os justos ou perfeitos; é para cada um de nós, em todas as nossas imperfeições. 

Dê esse primeiro passo hoje, abrace a jornada e permita que Ele caminhe ao seu lado em cada passo do caminho.

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Halloween

HALLOWEEN e suas origens

Por que estudar o Halloween, uma festa aparentemente americana e distante da nossa realidade?

Apesar de muitos no Brasil ainda a considerarem apenas uma curiosidade estrangeira, essa celebração tem ganhado espaço em nosso cotidiano — nas escolas, nas aulas de inglês, na televisão e até em festas de clubes.

Mas o que realmente está por trás dessa data e de onde vem todo o seu simbolismo?

O que é o Halloween? Celebrado na noite de 31 de outubro, o Halloween é marcado por fantasias, fogueiras e a famosa brincadeira “doce ou travessura”. Crianças se vestem de monstros, bruxas e fantasmas, batendo de porta em porta em busca de doces. Hoje, porém, o Halloween é muito mais que uma diversão infantil: tornou-se uma das datas mais lucrativas do comércio americano.

Estima-se que 60% das fantasias vendidas sejam para adultos e que uma em cada quatro pessoas entre 18 e 40 anos vista algum tipo de fantasia. Para os que se declaram psíquicos, bruxos, clarividentes e visionários, este é o dia mais agitado do ano. As editoras que publicam livros sobre astrologia e ocultismo registram grande aumento nas vendas. Em cidades como Salém, Massachusetts, sede da bruxaria norte-americana, celebra-se o Festival da Assombração, que movimenta o turismo e estende a temporada de verão.

As origens e o simbolismo: A palavra Halloween vem da expressão inglesa All Hallows’ Eve, que significa “véspera do Dia de Todos os Santos”. Hallow quer dizer “santo” e e’en é a forma abreviada de evening, “noite”. Literalmente, “Noite de Todos os Santos”.

Mas o significado vai além da tradução. O 31 de outubro era uma das datas mais importantes do calendário celta, conhecida como Samhain, o festival que marcava o início do inverno e o fim das colheitas.

Era um dos quatro grandes festivais do ano celta, chamados de “dias de meio trimestre”:

1. 2 de fevereiro – Dia da Marmota (Imbolc): dedicado à deusa pagã Brígida, símbolo da cura.

2. 1º de maio – Beltane: tempo de plantar, quando os druidas realizavam ritos mágicos para favorecer o crescimento das plantações.

3. Agosto – Lughnasadh: festa da colheita em honra ao deus-sol Lugh.

4. 31 de outubro – Samhain: marcava o início do inverno, o tempo de morte e renascimento da terra.

Durante o Samhain, os druidas acreditavam que o mundo dos vivos e o dos mortos se cruzavam. O “Senhor da Morte”, Samhain, voltaria com os espíritos que haviam morrido naquele ano para tentar possuir os vivos. Por isso, apagavam-se as luzes das casas, acendiam-se grandes fogueiras nos montes e vestiam-se roupas de peles para afastar os espíritos.

As fogueiras eram vistas como meios de adivinhar o futuro através da fumaça e das formas do fogo.

Com o passar dos séculos, a Igreja Católica tentou cristianizar a data. O Dia de Todos os Santos, antes celebrado em maio, foi transferido para 1º de novembro pelo Papa Gregório III no século IX. Assim, o antigo Samhain foi sobreposto pelo All Hallows’ Eve.

Posteriormente, o Papa Gregório IV tornou universal a data e, logo depois, instituiu-se o Dia de Finados (2 de novembro), reforçando o sincretismo entre o culto aos mortos pagão e o culto cristão aos santos e fiéis falecidos.

A estratégia era clara: adaptar os rituais pagãos para dentro da estrutura cristã — algo que também ocorreu no Brasil com os santos católicos e os deuses africanos durante o período da escravidão.

Elementos e símbolos do Halloween:

1. Os Druidas

Sacerdotes das tribos celtas da antiga França, Inglaterra e Irlanda, os druidas eram os intérpretes dos deuses e realizavam rituais em florestas e cavernas. Adoravam múltiplas divindades e realizavam sacrifícios — inclusive humanos — buscando prever o futuro. Consideravam sagrados a lua, o carvalho, o gato e a meia-noite.

Foram perseguidos e quase exterminados pelos romanos, mas continuaram ativos na Irlanda até o século IV.

2. Bruxas e fantasmas

Os antigos druidas acreditavam que, na noite de 31 de outubro, bruxas, fadas e espíritos saíam para atormentar os vivos. Essa crença atravessou os séculos e permanece viva na cultura popular, refletida nas fantasias e histórias de terror.

3. Lua cheia, gatos e morcegos

A lua cheia era vista como o momento ideal para rituais. O gato, tido como animal sagrado, era visto como reencarnação de espíritos humanos ou “espírito familiar” das bruxas.

O morcego, por ser noturno e silencioso, foi associado à feitiçaria e ao demônio, especialmente durante a Idade Média.

4. Cabeças de abóbora (Jack-o’-Lanterns)

A tradição vem da lenda irlandesa de Jack, um homem condenado a vagar eternamente com uma brasa dentro de um nabo oco. Ao chegar aos EUA, o nabo foi substituído pela abóbora, mais abundante e fácil de esculpir. O rosto assustador simbolizava uma alma condenada e tornou-se o principal ícone do Halloween.

5. “Travessuras ou doces” (Trick or Treat)

Na cultura celta, acreditava-se que deixar comida na porta apaziguava os espíritos. Com o tempo, mendigos pediam comida em troca de orações pelos mortos — origem da tradição moderna de pedir doces.

Há também registros de homens que conduziam procissões pedindo oferendas aos agricultores, ameaçando amaldiçoar as colheitas — uma forma primitiva de chantagem espiritual.

6. Máscaras e fantasias

As máscaras eram usadas para confundir ou afastar os espíritos malignos. Em diversas culturas, também serviam para comunicação com o mundo espiritual ou proteção contra desastres. Em tempos modernos, tornaram-se parte da diversão, mas sua origem era ritualística.

7. Fogueiras

A palavra inglesa bonfire vem de bone fire (“fogo de ossos”). Os druidas queimavam animais e até pessoas em sacrifícios, acreditando que a fumaça revelava presságios.

Mais tarde, durante a Inquisição e a Reforma, fogueiras foram usadas para torturar e executar pessoas acusadas de bruxaria.

8. As cores laranja e preta

O laranja representa o fogo e a colheita; o preto, a escuridão e a morte. Essas cores simbolizam a passagem entre a vida e a morte. Nas antigas missas pelos mortos, usavam-se velas alaranjadas e panos pretos sobre os caixões.

9. Feitiçaria e perseguição

Ao longo dos séculos, milhares foram torturados e mortos sob acusações de feitiçaria. A Inquisição Católica, a Reforma Protestante e os julgamentos de Salém (1692) são lembrados como períodos de histeria coletiva.

Mulheres idosas, parteiras, moças bonitas ou pessoas com deficiências foram injustamente condenadas.

Na Alemanha e França, cidades inteiras ficaram sem mulheres após execuções em massa. Estima-se que mais de 30 mil pessoas foram mortas entre os séculos XV e XVII.

O Halloween hoje: O Halloween carrega aspectos negativos além de sua herança pagã e da ênfase em trevas, medo e morte. Em alguns lugares, a celebração é marcada por vandalismo e práticas de mau gosto.

Nos Estados Unidos, as orações públicas foram banidas das escolas, mas o Halloween continua sendo celebrado abertamente. Há registros de abrigos que suspendem a adoção de gatos pretos nesse período, temendo uso em rituais.

No Brasil e em outros países, cresce o número de pessoas que se autodenominam bruxos e praticam rituais ocultos. Seria tudo apenas uma brincadeira? Ou ainda existe influência espiritual por trás de símbolos aparentemente inofensivos?

O que a Bíblia ensina: A Bíblia é clara em relação às práticas ocultas. Diversos textos — Deuteronômio 18:9-14, Isaías 8:19, Levítico 19 e 20, Gálatas 5:19-21, Romanos 12:2, Efésios 6:12, Apocalipse 21:8; 22:15 — condenam a feitiçaria, a consulta aos mortos e toda prática espiritual contrária à vontade de Deus.

O apóstolo Paulo lembra que “nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os poderes das trevas deste mundo” (Ef 6:12).

Existe algo de errado em participar de uma festa aparentemente inocente, com crianças pedindo doces e pessoas fantasiadas?

O Halloween pode parecer apenas uma diversão, mas carrega séculos de simbolismo espiritual ligado à morte, à feitiçaria e ao culto aos mortos. Cabe a cada um discernir o que celebra e o que alimenta em sua cultura e em seu espírito.

Todo símbolo tem um significado, e todo significado tem um propósito.

Tire suas próprias conclusões.

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Bibliografia

BURNS, E. M. Western Civilizations, Their History and Their Culture. W. W. Norton & Co. Inc., New York, 1968.

ANKERBERG, J.; WELDON, J. The Facts on Halloween: What Christians Need to Know. Harvest House, Oregon, 1996.

PHILLIPS, P.; ROBIE, J. H. Halloween and Satanism. Starburst, 1987.

HURT, R. The History of Halloween and the Word of God. Manuscrito não publicado.

MARGADONNA, S. Halloween.

Entre o Temporal e a Eternidade:

Entre o Temporal e a Eternidade: O Significado do “Tempo Profético Perfeito” em Isaías


Como um ser infinito, existindo fora do tempo e do espaço, pode transmitir verdades eternas a seres finitos e temporais? A resposta pode estar no hebraico bíblico, especialmente através de um conceito conhecido como o “tempo profético perfeito”. Esse fenômeno gramatical, único ao hebraico, serve para preencher a lacuna entre verdades eternas e nossas experiências mortais efêmeras. Em Isaías 43:1, encontramos uma poderosa declaração do Senhor: “Não temas, pois eu te redimi; chamei-te pelo teu nome; tu és meu.” Este versículo encapsula a profunda relação entre D-us e Seu povo, oferecendo conforto e segurança em meio ao medo e à incerteza. Uma exploração mais profunda da frase e de sua estrutura verbal “eu te redimi” revela sua importância como um tempo “profético perfeito”, ilustrando como D-us percebe o tempo e a realidade de Suas promessas. Se entendermos esse aspecto da gramática do hebraico bíblico, ganharemos uma visão da natureza atemporal das declarações de D-us e da profundidade de Seu compromisso com Sua criação.

O conceito de tempos verbais em hebraico difere significativamente do português. Enquanto usamos seis tempos primários—presente do indicativo, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito—o hebraico apresenta um sistema mais intrincado que permite expressões únicas de tempo. O sistema verbal hebraico pode ser categorizado em dois aspectos principais: perfeito e imperfeito. O aspecto perfeito refere-se, em geral, a ações completadas, enquanto o imperfeito descreve ações em andamento ou incompletas.

O “tempo profético perfeito” introduz uma camada adicional a esse entendimento. Esse fenômeno permite que eventos futuros sejam articulados como se já tivessem sido completados, refletindo uma certeza e uma segurança divina que transcendem as limitações temporais. Em Isaías 43:1, a frase “eu te redimi” utiliza esse tempo “profético perfeito”. Embora pareça estar no passado, transmite uma ação futura que D-us expressa com absoluta certeza. Esse uso enfatiza que a redenção não é apenas uma esperança distante, mas uma realidade assegurada por D-us. Essa compreensão nos convida a refletir sobre a natureza das promessas de D-us. Quando D-us declara: “Eu te redimi”, Ele afirma uma realidade presente fundamentada em Sua perspectiva eterna, reformulando nossa compreensão do tempo e reforçando que as promessas de D-us transcendem nossas experiências mortais.

Para ilustrar esse conceito, considere Isaías 9:6, que afirma: “Porque um menino nos nasceu.” Aqui, o verbo “nasceu” é articulado no tempo perfeito, sugerindo um evento futuro descrito com tal certeza que parece imediato. Essa escolha linguística demonstra como D-us comunica Suas promessas, apresentando-as como inevitáveis e reais, mesmo antes de ocorrerem. Nesse contexto, o “tempo profético perfeito” tranquiliza o povo de Israel, assegurando que, apesar de suas lutas e medos, a promessa de um Messias é certa. O tempo perfeito em “nasceu” sublinha a certeza da profecia, indicando que, na visão de D-us, a realidade futura do nascimento do Messias é tão concreta quanto os eventos passados.

A importância dessa perspectiva é profunda. Quando Isaías pronunciou essas palavras, cerca de 700 anos antes da vida do Messias, ele se dirigia a uma nação em tumulto, enfrentando opressão e incerteza. Ao enquadrar a chegada do Messias de uma maneira que afirma sua certeza, D-us oferece esperança e uma visão para um futuro melhor. O “tempo profético perfeito” enfatiza que, da perspectiva de D-us, o futuro já está entrelaçado com o presente, infundindo esperança e confiança em Suas promessas. Outro exemplo do “tempo profético perfeito” pode ser encontrado em Isaías 53, que fala do servo sofredor. Em versos como Isaías 53:5, “Mas Ele foi ferido por nossas transgressões”, a linguagem transmite uma certeza em relação ao sofrimento e à obra redentora do Messias. Embora esses eventos ainda não tivessem ocorrido no momento da proclamação de Isaías, eles são apresentados de uma forma que destaca sua certeza, evidenciando a soberania de D-us sobre a história.

O “tempo profético perfeito” também é evidente nas promessas de D-us ao longo das Escrituras Hebraicas. Por exemplo, em Gênesis 12:2-3, D-us promete a Abraão que ele será uma grande nação e que todas as famílias da terra serão abençoadas através dele. Embora essas promessas tenham sido feitas muito antes de sua realização, elas transmitem o compromisso de D-us em trazê-las à realidade. Isso reforça a ideia de que o tempo de D-us muitas vezes difere do nosso, mas Suas promessas permanecem firmes.

Examinar o “tempo profético perfeito” revela que esse recurso linguístico não é apenas uma curiosidade gramatical; ele serve como uma estrutura teológica que informa nossa compreensão da natureza de D-us e Sua relação com a humanidade. A capacidade de transmitir eventos futuros com tal certeza desafia nossa percepção do tempo e nos encoraja a confiar no caráter de D-us. Esse conceito de tempo é enriquecido pela compreensão de D-us como um ser eterno que existe fora de nossas limitações temporais. Enquanto nós experimentamos o tempo de maneira linear, D-us vê toda a história simultaneamente. Essa perspectiva permite que Ele faça promessas com total confiança, conhecendo os resultados antes que eles se desenrolem.

Em Isaías 43:1, D-us assegura a Israel que, apesar de suas lutas, a redenção deles é certa. Esta declaração eleva e fortalece a fé deles, permitindo que vejam além das circunstâncias imediatas para a maior realidade do plano de D-us. O “tempo profético perfeito” enfatiza que, da perspectiva de D-us, o futuro já está entrelaçado com o presente.

Concluindo, a afirmação “Eu te redimi” em Isaías 43:1 serve como um profundo lembrete da relação íntima de D-us com Seu povo e de Seu compromisso inabalável com sua redenção. Ao empregar o “tempo profético perfeito”, D-us transmite uma mensagem atemporal que assegura, aos que creem Nele, a sua redenção como uma realidade presente enraizada na promessa divina. Essa compreensão não apenas aprofunda nossa apreciação do texto bíblico, mas também transforma nossa visão sobre nossas vidas e nossa relação com o Senhor. Abraçar essa verdade nos convida a viver na certeza de nossa identidade eterna como o povo redimido de D-us, promovendo uma fé transformadora que permeia todos os aspectos de nossas vidas. O “tempo profético perfeito” serve como um lembrete de que, enquanto navegamos pelos desafios de nossa existência finita, podemos nos apegar às promessas de D-us, confiantes de que Ele está fazendo todas as coisas para o nosso bem e Sua glória. Em última análise, essa compreensão nos convida a uma relação mais profunda com D-us, encorajando-nos a confiar em Sua natureza eterna e em Sua fidelidade ao longo da história.

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Sem trilha sonora

A Vida Não Tem Trilha Sonora

Momentos que Definem Nossa Jornada

Você já desejou que a vida tivesse uma trilha sonora? Imagine se, como nos filmes, nossas vidas fossem acompanhadas por uma música que sinalizasse nossos momentos climáticos — os momentos que mais importam. Violinos tocariam durante encontros românticos, tambores anunciariam desafios à frente, e melodias suaves de piano marcariam momentos de reflexão tranquila. Se a vida tivesse esse tipo de trilha sonora, talvez reconhecêssemos os momentos mais significativos enquanto eles acontecem, em vez de perceber sua importância apenas depois.

Alguém que admiro certa vez compartilhou este pensamento: “O problema da vida é que ela não vem com uma trilha sonora.” Ao contrário de um filme, onde a música guia nossas emoções e ajuda a entender os momentos-chave, a vida real não tem esse luxo. Nós navegamos por nossos dias sem saber se uma simples conversa, uma pequena decisão ou um evento aparentemente insignificante será um ponto de virada em nossa história.

Vejamos, por exemplo, a história de José na bíblia. Se você perguntasse a ele quando jovem, ele poderia pensar que sua vida se resumisse os sonhos que teve, o favor de seu pai ou seu papel dentro da família. No entanto, esses não foram os momentos que, em última análise, definiram seu legado. O momento decisivo de José ocorreu em uma terra estrangeira, muito tempo depois de ter sido traído por seus irmãos e vendido como escravo. Anos de dificuldades, falsas acusações e prisão o levaram a um ponto crucial onde ele interpretou os sonhos do faraó e ascendeu ao poder no Egito.

Naquele momento, ele teve uma escolha: usar sua nova autoridade para ganho pessoal ou salvar inúmeras vidas. Sem qualquer pista musical, José escolheu a compaixão, a sabedoria e o perdão. Ele não apenas armazenou grãos para os anos de fome, mas também mais tarde reconciliou-se com seus irmãos distantes. Não houve trilha sonora triunfante para destacar sua resiliência, nem música crescendo para sinalizar a importância de suas decisões. No entanto, esses momentos de força silenciosa e graça tornaram-se a base de sua história e a salvação de sua família.

Da mesma forma, pense na rainha Ester, que enfrentou um momento decisivo em sua vida sem qualquer sinal musical para guiá-la. Ester era uma jovem judia que se tornou rainha da Pérsia, e poderia ter vivido sua vida em conforto e anonimato no palácio. No entanto, quando seu povo estava ameaçado de destruição, ela foi chamada a fazer uma escolha: arriscar sua própria vida para falar com o rei e tentar salvar sua nação, ou permanecer em silêncio e preservar sua segurança pessoal. Com uma simples decisão de se apresentar diante do rei, Ester mudou o destino de milhares de vidas.

Naquele momento, não havia tambores rufando para destacar sua coragem, nem violinos tocando para enfatizar a importância de seu ato. Ela estava sozinha, com apenas sua fé e determinação, enfrentando um risco imenso. Mas foi essa decisão, feita no silêncio, que trouxe salvação para seu povo e transformou Ester em uma figura de heroísmo e fé para todas as gerações.

Se a vida tivesse uma trilha sonora, talvez houvesse música dramática tocando quando José se encontrava diante do faraó, ou quando Ester decidiu entrar na presença do rei sem ser convidada. Mas na vida real, muitas vezes há silêncio, e só percebemos depois o quão cruciais foram esses momentos. Isso é verdade para muitos de nós. Vivemos nossas rotinas, sem saber que pequenos atos de sabedoria, paciência ou coragem podem ser aqueles que nos definem.

Nos filmes, a música nos guia, nos diz quando prestar atenção, quando nos prepararmos para um clímax e quando deixar nossos corações se emocionarem. A vida, no entanto, exige um tipo diferente de percepção. Devemos ouvir atentamente e estar abertos à possibilidade de que cada momento, cada interação, tem o potencial de mudar nossas vidas. Se pudéssemos ver nossas vidas como uma série de cenas conectadas, talvez reconhecêssemos aqueles momentos em que demos um passo à frente, mostramos fé ou agimos com integridade, mesmo quando parecia que ninguém estava prestando atenção.

O desafio, então, é viver como se tivéssemos uma trilha sonora — uma que não podemos ouvir, mas que ainda assim podemos sentir. Procurar os momentos que parecem ordinários, mas carregam o peso da eternidade. Prestar atenção, estar presente e agir com intenção. Porque às vezes, as partes mais significativas de nossas vidas não vêm com uma trilha musical — elas acontecem silenciosamente, mas seus ecos são sentidos por gerações.

Como dizia o profeta Zacarias: “Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esses se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel; esses são os sete olhos do Senhor, que percorrem por toda a terra.” (Zacarias 4:10). Esta mensagem é um lembrete de que até mesmo pequenos começos são significativos e não devem ser subestimados. Quando D-us encorajou o povo a não se desanimar com o modesto início da reconstrução do templo, Ele estava ensinando que cada passo, por menor que seja, faz parte de um plano maior.

Em nossas vidas, aprender diariamente com o Senhor nos ajuda a ver o valor dos pequenos começos. Mesmo quando nossas ações parecem insignificantes, D-us está nos guiando, construindo algo maior do que podemos enxergar no momento. Assim como a paciência de José na prisão e a coragem de Ester ao arriscar sua vida diante do rei resultaram em grandes desfechos, nossos pequenos atos de fé, integridade e coragem não passam despercebidos; eles são como tijolos de uma construção, parte de um plano divino.

Ao confiar em D-us, encontramos força para enxergar além das limitações do presente, acreditando que cada ato, por mais simples que seja, faz parte de um propósito maior. Embora a vida não tenha uma trilha sonora que nos guie por cada passo, podemos aprender a viver no ritmo divino, encontrando harmonia ao seguir a vontade de D-us, especialmente nos momentos decisivos. Quando nos aproximamos Dele, permitimos que Suas mãos conduzam nossa jornada, transformando-a em uma bela sinfonia de fé, esperança e redenção

Adivalter Sfalsin

Duas Árvores, Dois Destinos

Da Árvore da Morte à Árvore da vida: A Reversão Divina

O conceito de árvores desempenha um papel significativo na história bíblica, simbolizando tanto a queda quanto a redenção da humanidade. Do Jardim do Éden à cruz no Calvário, as árvores representam momentos decisivos onde escolhas foram feitas, levando a consequências que ecoam ao longo do tempo. Esta reflexão explora o profundo simbolismo e os paralelos entre essas duas “árvores” centrais — a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e a Árvore da Cruz — mostrando como D-us usou os próprios elementos do pecado e da morte para trazer salvação e vida.

No Jardim do Éden, D-us colocou a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. A queda da humanidade começou quando Adão e Eva desobedeceram a D-us ao comerem do seu fruto. Talvez não era o fruto em si que era inerentemente errado, mas o ato de desobediência que levou à morte espiritual e à separação de D-us. Este evento marcou a entrada do pecado no mundo — uma “transgressão” que desde então tem sido a raiz de todo pecado, frequentemente referida como “a grande transgressão”. Através dessa primeira árvore, a humanidade foi introduzida ao conhecimento do bem e do mal, mas ao custo de sua comunhão com D-us e o início de seu exílio do Paraíso.

Milhares de anos depois, outra árvore aparece no palco da humanidade — a Cruz. Essa não era uma árvore viva e florescente, mas um pedaço de madeira morto, transformado em um instrumento de tortura e execução. No entanto, tornou-se o símbolo supremo da redenção. Através dessa “árvore morta”, D-us trouxe vida. Assim como o pecado de Adão através da primeira árvore trouxe morte a todos, a obediência do Messias através da segunda árvore traz vida a todos que acreditam.

O apóstolo Paulo enfatiza esse contraste: por meio da desobediência de um homem, o pecado e a morte se espalharam para todos, mas pela obediência de outro, a justificação e a vida se tornaram disponíveis para todos. O Messias desfaz o que foi feito no Éden. Todos nós fomos ligados àquela árvore do pecado no Éden, herdando sua maldição, mas ao nos unirmos à árvore da Cruz, a maldição começa a ser desfeita. Esta é a reversão cósmica da queda — o Éden desfeito.

Em um belo ato de simetria, o Messias escolheu participar de um “cálice”, simbolizando fruto esmagado, durante a última ceia. Em contraste com Adão, que comeu o fruto que trouxe a morte, o messias bebeu o cálice do fruto esmagado do sofrimento, escolhendo voluntariamente suportar a cruz. Este ato desfez a desobediência do Éden, oferecendo um caminho para a redenção e a vida eterna.

Um aspecto profundo da crucificação é como o Messias tomou sobre Si a maldição destinada à humanidade. A Torá declara: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro” (Deuteronômio 21:23), uma lei que apontava para a vergonha e a maldição associadas a tal morte. O apóstolo Paulo, refletindo sobre isso, escreveu: “Messias nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, porque está escrito: ‘maldito todo aquele que for pendurado num madeiro'” (Gálatas 3:13). Ao ir voluntariamente para a cruz, o Messias tomou sobre Si a maldição que era nossa, quebrando o poder do pecado e oferecendo um novo começo.

A serpente, que levou a humanidade ao pecado no Éden, também aparece de forma simbólica durante a jornada dos israelitas no deserto. D-us instruiu Moisés a fazer uma serpente de bronze e levantá-la em um poste. Aqueles que olhassem para ela seriam curados das mordidas de serpente. Aqui, o objeto que representava a morte tornou-se uma fonte de cura. Isso prefigura a crucificação do Messias, onde Ele foi levantado, e por Suas feridas, a humanidade é curada.

Na tradição hebraica, a oferta pelo pecado ou transgressão é chamada “chatat”, que também significa “pecado ou transgressão”. Este duplo significado destaca uma verdade profunda: aquilo que é chamado pecado torna-se o próprio meio para tirar o pecado. O mesmo jogo de palavras aplica-se à oferta pela culpa, “asham”, que significa tanto “culpa” quanto “a oferta pela culpa”. De forma semelhante, o Messias tornou-se “pecado” e “culpa” em nosso lugar, embora Ele fosse sem pecado, para tirar nossos pecados e culpas. (*A1)

As conexões entre a queda no Éden e a redenção na cruz são profundas e numerosas:

  • Desobediência no Éden vs. Obediência no Calvário: No Éden, Adão e Eva escolheram a desobediência ao comerem o fruto. Na véspera de Sua crucificação, o Messias escolheu a obediência ao beber o cálice do sofrimento, mesmo podendo ter evitado.
  • A Nudez do Éden vs. A Nudez na Cruz: Adão e Eva, ao perceberem seu pecado, sentiram vergonha e buscaram cobrir sua nudez. O Messias, embora inocente, foi despido na cruz, carregando a vergonha da humanidade. Nesse ato, Ele ofereceu uma cobertura para nossos pecados. Embora esse aspecto de nudez seja pouco mencionado devido às sensibilidades culturais, é importante lembrar que a crucificação era projetada para ser uma forma de execução extremamente humilhante, expondo o condenado à vergonha pública e infligindo o máximo de sofrimento possível, desencorajando outros a desobedecer à autoridade de Roma.
  • A Árvore do Conhecimento vs. A Árvore da Cruz: A primeira árvore trouxe o conhecimento do bem e do mal, levando à morte espiritual. A cruz, como uma “árvore”, tornou-se o lugar onde o bem supremo (o amor e o sacrifício de D-us) triunfou sobre o mal supremo (o pecado e a morte).
  • A Decepção da Serpente vs. O Papel da Serpente na Redenção: A serpente enganou Adão e Eva, levando-os à árvore. Na história da redenção, a “serpente” (representando o pecado e forças malignas) teve um papel em trazer o Messias à cruz. No entanto, D-us foi soberano sobre tudo, usando o que era destinado para o mal para trazer o maior bem.

A Reversão Cósmica: A história da redenção é uma reversão cósmica da queda. No Éden, D-us colocou a humanidade em um jardim de vida, cercado por árvores que proporcionavam sustento. Após a queda, a humanidade foi amaldiçoada, e a morte reinou. Quando o Messias foi crucificado, Ele foi colocado em uma árvore morta, cercado por outras 2 cruzes, simbolizando a morte. Mas esse ato reverteu a maldição da morte, transformando a “árvore da morte” em uma “árvore da vida” para todos que creem.

  • Da Glória à Coroa de Espinhos: No Éden, a humanidade foi coroada com glória e honra. Na cruz, o Messias foi coroado com espinhos, um símbolo da maldição. Ele assumiu a maldição para restaurar a glória que foi perdida.
  • Do Jardim da Vida ao Jardim da Morte: D-us colocou o homem no Jardim do Éden, um lugar de vida. A humanidade então colocou D-us em um “túmulo no jardim”, um lugar de morte. No entanto, através de Sua ressurreição, aquele túmulo tornou-se a porta para a vida eterna.
  • Da Árvore Viva à Árvore Morta: A queda veio por meio de uma árvore viva, exuberante e cheia de vida. A redenção veio através de uma árvore morta, seca e sem vida, a cruz. Mas assim como D-us pode trazer vida da morte, a cruz tornou-se uma nova Árvore da vida, oferecendo salvação eterna a todos que a abraçam.

Por fim, a história do plano redentor de D-us está cheia de simbolismo, mostrando como Ele pode pegar o que foi destinado para o mal e transformá-lo em bem. A cruz, mais do que qualquer outro símbolo, encarna essa verdade. Ela representa a intersecção do bem e do mal — mal no sentido de que foi o local da execução injusta do Messias, e bem no sentido de que foi o ato supremo de amor, levando à salvação. Através da cruz, D-us transformou a Árvore da Morte em uma nova Árvore da vida, restaurando o que foi perdido no Éden e oferecendo à humanidade um caminho de volta ao paraíso.

A cruz não é apenas um evento; é um poder contínuo para transformar vidas. Como Paulo declarou: “Fui crucificado com o Messias; já não sou eu quem vive, mas o Messias vive em mim.” Quanto mais nos alinhamos com essa árvore, mais seu poder traz vida e liberdade do pecado. A Cruz, em essência, é uma árvore de vida, trazendo restauração, perdão e a promessa de um novo começo. No Éden, a humanidade foi exilada do Paraíso, mas através da Cruz, somos convidados de volta. As bênçãos do Paraíso — plenitude, paz e comunhão eterna com D-us — estão novamente disponíveis, não apenas em um sentido espiritual, mas eventualmente na restauração de toda a criação. A árvore que outrora marcou a separação da humanidade de D-us tornou-se agora o portal para a reunião, levando não apenas a um jardim de vida na Terra, mas ao Paraíso eterno no Céu.

Assim, a cruz é mais que um símbolo; é a revelação máxima do amor e do poder de D-us para fazer novas todas as coisas. É uma árvore que transforma luto em alegria, culpa em inocência e morte em vida. É um convite para que todos venham e partilhem de seu poder de cura, perdão e transformação. Não há tristeza, pecado ou escuridão que o poder dessa árvore não possa superar. O Messias nos chama a ir à Cruz, a experimentar Seu amor e o milagre de sermos feitos novos, redimidos e trazidos de volta aos braços de D-us.

Adivalter Sfalsin

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(*A1) Referências bíblicas de alguns tipos de pecado:

Chatat (Oferta pelo Pecado)

  • Levítico 4:1-35 – Este capítulo fornece instruções abrangentes sobre a oferta pelo pecado, exigida quando alguém comete um pecado não intencional. Inclui vários cenários, desde os pecados do sumo sacerdote até os de toda a comunidade, líderes ou membros individuais.
  • Levítico 5:1-13 – Detalhes adicionais são fornecidos sobre situações que requerem uma oferta pelo pecado, como deixar de testemunhar ou tocar em algo impuro.
  • Números 15:22-29 – Esses versículos descrevem ofertas pelo pecado para pecados não intencionais cometidos por indivíduos ou por toda a comunidade.

Asham (Oferta pela Culpa)

  • Levítico 5:14-19 – Instruções sobre a oferta pela culpa para ofensas que envolvem o uso indevido de coisas sagradas e para atos de engano contra D-us ou outros.
  • Levítico 6:1-7 – Diretrizes para ofertas pela culpa quando alguém prejudicou outra pessoa, como por meio de roubo ou engano.
  • Levítico 7:1-7 – Mais detalhes sobre a oferta pela culpa e seus procedimentos sacrificiais.

Messias como Oferta pelo Pecado e pela Culpa

  • Isaías 53:5-6, 10 – A profecia sobre o Servo Sofredor afirma que Ele foi “transpassado por nossas transgressões” e “moído por nossas iniquidades”. O versículo 10 menciona explicitamente que Sua vida foi feita como uma “oferta pela culpa” (asham).
  • 2 Coríntios 5:21 – “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de D-us.” Este versículo reflete a ideia de que o Messias assumiu o pecado, cumprindo o papel da oferta pelo pecado.
  • Hebreus 9:26-28 – Descreve como o sacrifício do Messias foi uma oferta única, removendo o pecado por meio de Seu auto-sacrifício.