Forca Interior

🗓️ Dia 8 – Força Interior

Semana 2 D8: Disciplina, Limites e Justiça

Tema: Coragem para escolher o certo

A jornada da segunda semana do Omer começa com um novo convite: olhar para dentro e descobrir a força que nos foi dada. A primeira semana nos ensinou a amar; agora somos chamados a agir com disciplina, a escolher o correto — mesmo quando parece mais fácil ceder.

 Vivemos num mundo onde tudo convida ao imediatismo, à reação impulsiva, à satisfação rápida. Mas a verdadeira força não está em fazer o que sentimos na hora. Está em dominar a nós mesmos e agir com sabedoria, mesmo quando o coração treme ou a mente hesita. Talvez hoje você enfrente uma escolha difícil. Talvez precise se posicionar com coragem. Ou talvez precise apenas resistir ao impulso de dizer algo que pode ferir. Seja qual for sua batalha, o desafio de hoje é claro: praticar o autocontrole como ato de força interior.

✨ Foco prático do dia: Resistir ao impulso e escolher o certo

📖 Tanakh (VT): Josué 1:9

“Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu D-us é contigo, por onde quer que andares.”

Quando Josué estava prestes a assumir a liderança de Israel, ele não foi instruído a confiar em si mesmo, mas a ser forte e corajoso por causa da presença constante de D-us. Essa força não é natural — ela vem da confiança em Quem caminha conosco.

📖 Novo Testamento: 2 Timóteo 1:7

“Porque D-us não nos deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.”

Disciplina espiritual começa com a consciência de que não somos guiados pelo medo ou pela fraqueza. Temos dentro de nós o Espírito de poder, que também é o Espírito de autocontrole. Isso significa que temos recursos para resistir e escolher com sabedoria.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, observe suas reações. Existe algum hábito, pensamento ou comportamento que precisa ser contido? Há alguma conversa em que você precisa falar menos — ou com mais paciência? Talvez haja algo que precise ser enfrentado com coragem, sem fugir.

💭 Em que área da minha vida preciso aplicar disciplina com coragem?

💭 O que seria escolher o certo hoje, mesmo que custe um pouco mais?

A disciplina não é frieza. É um gesto de amor — a nós mesmos, ao próximo e a D-us. Quando escolhemos o certo, mesmo com esforço, estamos construindo o caráter que reflete o Reino.

Vamos juntos?

Dia 8 da Contagem do Omer nos chama a buscar força interior para viver com autocontrole, propósito e coragem.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

Adivalter Sfalsin

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Misericórdia Acima da Justiça

🗓️ Dia 6 – Bondade e Amor Incondicional

Semana 1: Misericórdia Acima da Justiça

Você já se sentiu no direito de exigir justiça? Talvez alguém te magoou profundamente. Talvez palavras foram ditas que deixaram marcas. Ou atitudes inesperadas quebraram a confiança. Nesses momentos, o coração clama por reparação. Queremos justiça, sim — mas o céu hoje te convida a algo maior: misericórdia.

✨ Foco prático do dia: Perdoar e ser compassivo.

Perdoar não é esquecer. É decidir que você não será mais refém da dor. É abrir mão de um julgamento legítimo e oferecer ao outro o que D-us te oferece todos os dias: compaixão imerecida.

📖 “Quem é como tu, ó D-us, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da transgressão…? Porque tem prazer na misericórdia.”

Miquéias 7:18

O profeta Miquéias descreve um D-us que não apenas encoraja o perdão, mas tem prazer em perdoar. Isso nos confronta. Será que temos prazer em oferecer misericórdia, ou apenas fazemos isso com esforço e relutância?

📖 “Sede misericordiosos, como também é misericordioso o vosso Pai.”

Lucas 6:36

Jesus não está apenas sugerindo: Ele está nos chamando a imitar o Pai. E se queremos refletir a imagem dEle, a misericórdia não pode ser opcional. É o nosso chamado.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, o desafio é claro e direto:

Escolha perdoar. Escolha ser misericordioso.

Talvez alguém te feriu esta semana — com palavras, com frieza, com ausência. Talvez foi algo que aconteceu há anos. Ou talvez o que você precisa hoje é pedir perdão, reconhecendo onde falhou.

A misericórdia verdadeira não espera o outro merecer. Ela age primeiro. Ela interrompe o ciclo da dor com graça. Isso não significa ignorar o erro, mas sim libertar o próprio coração da prisão da mágoa.

💭 Posso hoje escolher misericórdia acima da justiça?

💭 Sou capaz de oferecer ao outro o que tanto recebo de D-us?

Você pode descobrir que, ao liberar perdão, não está libertando o outro — está libertando a si mesmo.

Vamos juntos?

Dia 6 da Contagem do Omer nos desafia a elevar a misericórdia acima da justiça. Porque o D-us que servimos não nos tratou segundo nossos méritos, mas segundo o seu amor.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

Adivalter Sfalsin

O Coração do Dízimo: Gratidão, Generosidade e Justiça

Dízimo e Prioridades em Deuteronômio 26:11-12: Uma Reflexão sobre os Mandamentos de D-us.


Deuteronômio 26:11-12 aborda um princípio essencial de gratidão, generosidade e cuidado comunitário. Nesses versículos, D-us ordena ao Seu povo que compartilhe as bênçãos que receberam com os outros, especialmente com os necessitados. O ato de dizimar não é apenas um dever religioso; é um reflexo da justiça de D-us e do Seu cuidado com os vulneráveis na sociedade. Vamos analisar os principais componentes dessas instruções e suas implicações para os dias de hoje.

O versículo 11 começa com um chamado à alegria: “E te alegrarás por todo o bem que o Senhor, teu D-us, te deu, a ti e à tua casa, tu, o levita e o estrangeiro que está no meio de ti.” O coração do dízimo é a gratidão. Ele nos lembra que tudo o que possuímos vem, em última análise, de D-us. Ao reconhecer isso, somos chamados não apenas a ser gratos, mas a compartilhar essas bênçãos com os outros, garantindo que ninguém seja excluído da alegria da comunidade.

O versículo 12 foca no dízimo do terceiro ano, frequentemente chamado de “Ano do Dízimo”. Nesse ano específico, os israelitas eram instruídos a reunir o aumento (um décimo da sua renda) e distribuí-lo a quatro grupos principais: os levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas. Essas eram pessoas que não possuíam herança própria (como os levitas) ou que eram particularmente vulneráveis (estrangeiros, órfãos e viúvas). O objetivo era garantir que tivessem o suficiente para comer e viver bem em suas cidades.

As Três Prioridades do Dízimo
O contexto mais amplo do dízimo bíblico revela três prioridades principais para a distribuição do dízimo:

  1. Aos Pobres e Vulneráveis – O foco principal está em cuidar dos membros da comunidade que estão em necessidade. Isso inclui os pobres, os órfãos e as viúvas. Esses indivíduos muitas vezes não têm meios de sustento, e é responsabilidade dos fiéis garantir que suas necessidades sejam atendidas.
  2. Aos Levitas – Os levitas, como servos de tempo integral do Senhor, não possuíam terras nem produziam sua própria renda. Eles dependiam dos dízimos para seu sustento. No contexto moderno, isso corresponde ao apoio àqueles que dedicam suas vidas ao serviço espiritual e à liderança na comunidade.
  3. Ao Depósito Comum (O Templo) – O templo era o centro de adoração e sacrifícios do povo. Os dízimos eram dados para manter a logística do templo, garantindo que ele pudesse funcionar e fornecer um lugar de adoração para a nação. Hoje, isso pode ser entendido como o apoio às necessidades físicas de um local de culto ou reunião da comunidade, como a manutenção de edifícios ou programas.

É fundamental compreender que o ensinamento sobre o dízimo vai além da simples doação de 10% da renda. Essa porcentagem é apenas o ponto de partida que D-us estabelece para Seu povo. O verdadeiro objetivo do dízimo é nos formar como indivíduos generosos e compassivos em todos os aspectos da vida. D-us não deseja que cumpramos uma obrigação, mas que cultivemos um estilo de vida de generosidade que ultrapasse valores fixos.

D-us entende que, por natureza, temos a tendência de nos concentrar na acumulação de riquezas materiais, acreditando que isso nos proporcionará felicidade. Contudo, a mensagem bíblica desafia esse instinto. Ao compartilhar com os outros—especialmente com os pobres, os vulneráveis e aqueles que servem à comunidade—alinhamos nossos corações à vontade de D-us e encontramos a verdadeira alegria de uma vida abençoada. Infelizmente, muitos líderes religiosos manipulam essa fraqueza humana, distorcendo o mandamento de D-us ao ensinar que felicidade se encontra na posse de bens materiais, e que ser abençoado significa possuir o melhor que o mundo pode oferecer. Essa interpretação é uma corrupção dos princípios bíblicos.

Não devemos esquecer que quanto mais D-us abençoa uma pessoa, maior é a responsabilidade de ser generosa; a obrigação social de quem recebe mais é significativamente maior do que a de quem tem menos. Essa verdade muitas vezes passa despercebida por aqueles que veem os bens materiais apenas como um meio de satisfação pessoal, guiados por seus próprios egos e desejos.

D-us nos lembra que a verdadeira felicidade e realização não vêm da acumulação, mas do ato de compartilhar o que temos. Ao ordenar o dízimo e direcioná-lo aos necessitados, D-us está formando Seu povo para resistir ao materialismo e adotar uma postura de altruísmo.

Esse princípio é ecoado nos ensinamentos de Jesus no Novo Testamento. Como afirma o Evangelho de Mateus:
“O Rei dirá aos justos: ‘Venham, vocês que são abençoados por meu Pai, e recebam o Reino que lhes foi preparado desde o princípio. Eu estava com fome, sede, era estrangeiro, estava nu, doente e preso, e vocês cuidaram de mim.’ Os justos perguntarão: ‘Quando fizemos isso?’ O Rei responderá: ‘Sempre que fizeram isso a um dos menores destes, vocês o fizeram a mim.'”

Esse ensinamento enfatiza que o verdadeiro serviço a D-us se reflete em como tratamos os mais vulneráveis entre nós. Quando damos aos necessitados, estamos dando ao próprio D-us.

Em muitas comunidades modernas, essas prioridades mudaram. Muitas vezes, o foco está primeiro na manutenção das operações, seguido do pagamento de despesas administrativas ou de liderança. Somente se sobrar dinheiro é que ele pode ser usado para os pobres ou necessitados. Isso é o oposto do modelo bíblico.

Como mencionado na reflexão sobre esses versículos, muitas pessoas hoje encontram dificuldade em receber ajuda de sua comunidade. Muitas vezes são rejeitadas ou ignoradas ao buscar assistência. Isso está longe do coração do que D-us pretendia para Seu povo. Os pobres e vulneráveis deveriam ser uma prioridade, e não uma reflexão tardia.

Deuteronômio 26:13 nos dá um lembrete sério: aqueles que receberam muito são responsáveis pelo que fazem com isso. O dízimo é descrito como uma “porção sagrada” que pertence a D-us. Não distribuí-lo de acordo com Seus mandamentos não apenas negligencia os necessitados, mas também reflete uma falha em honrar as bênçãos de D-us.

A mensagem aqui é simples: quando falhamos em cuidar dos vulneráveis em nossa comunidade, estamos agindo de forma hipócrita. Proclamamos gratidão pelas bênçãos de D-us, mas falhamos em estender essa bênção aos outros. A verdadeira gratidão se manifesta em ação – compartilhando com os menos afortunados.

O sistema de dízimos não se trata de limitar a generosidade a um valor ou porcentagem fixa. É um ponto de partida, uma ferramenta para moldar nosso caráter em pessoas generosas e compassivas. Somos chamados a ser generosos não apenas no contexto do dízimo, mas em todas as nossas interações e encontros. Seja em nossas comunidades, locais de trabalho ou vidas pessoais, o princípio permanece o mesmo: para sermos verdadeiramente abençoados e viver uma vida plena, devemos aprender a dar aos outros.

Deuteronômio 26:11-12 nos desafia a repensar as prioridades de doação e generosidade dentro de nossas comunidades de fé. Os mandamentos de D-us são claros: os pobres, os vulneráveis e aqueles que O servem devem ser cuidados em primeiro lugar. Ao fazer isso, honramos as bênçãos que recebemos e criamos uma comunidade onde ninguém fica desamparado.

Ao refletirmos sobre esses versículos, devemos examinar nossas próprias vidas e as práticas de nossas comunidades. Estamos realmente vivendo o mandamento de cuidar dos pobres e vulneráveis entre nós? Estamos usando os recursos de D-us de maneira que reflita Seu coração de justiça e compaixão? E estamos permitindo que as instruções de D-us sobre o dízimo nos transformem em pessoas generosas, além dos 10%? Estas são as perguntas que todo crente e comunidade deve fazer ao buscar viver fielmente os mandamentos de D-us.

Adivalter Sfalsin

Homem justo, rei justo.

Homem justo, rei justo.

Salmos 1 e 2

Desde a minha infância fui ensinado a recitar e memorizar o Salmos 1, certamente uma das preciosidades que me foi ensinada e tem servido como bússola desde então. Mesmo tendo-o lido numa tradução que apresenta seus desafios devido a diferença das construções gramaticais, fui muito beneficiado com seu ensinamento. Portanto tenho grande apreciação pelo mesmo. Mas me restou a pergunta: E se eu o tivesse lido no original, quais teriam sido os benefícios? Fiz esse exercício e quão grande foi o meu deleite! Neste artigo eu partilho a resposta à aquela pergunta.

Nas línguas ocidentais usamos parágrafos, pontuação e sintaxe para ordenar e expressar nossas ideias. No hebraico antigo a “gramatica” era ordenada com posição de ideias, organizada em pequenos blocos que se tornava muito mais fácil memorizar, devido a sua estrutura lógica. Outro ponto diferencial relevante é nós que codificamos ideas e compilamos em livros com índice e páginas, enquanto o hebraico antigo era escrito em pele de animais guardados em forma de rolos. Esse processo era custoso e lento. Poucos tinham acesso aos rolos.

Como não havia abundância desse material pronto para ser escrito, parágrafos e espaço entre as linhas seria uma perda de recursos. Portanto as palavras eram escritas em seguida, sem nenhuma pontuação. Foi daí que surgiu a necessidade de dividir o texto em ideias, em vez de seguir uma estrutura gramatical complexa. O texto dividido em blocos e contraste de ideias ajuda a absorvê-lo melhor. Surge, assim, o acróstico inteligente em forma quiástica. Quiástica vem de quiasmo, que consiste em uma estrutura onde o primeiro elemento corresponde ao último elemento da poesia; o segundo, corresponde ao penúltimo; o terceiro corresponde ao antepenúltimo, etc.. até chegar ao centro onde não há mais correspondência e a mensagem central da poesia é encontrada.

Abaixo o texto apresentado na sua forma original de forma Quiástica:

Quiasmo
O Texto apresentado na sua forma original no quiasmo:
Como os salmos eram dividido por ideias, não em sintaxe, ao lermos o salmos 1 e 2 concluímos que eles, na verdade são temáticos. O salmos 2 é a continuação do salmos 1, expandindo o tema da retidão pessoal até a esfera pública.

Vejamos como funciona:
Salmos 1 – âmbito pessoal.Salmos 1

Portanto, a ideia principal é: D. “as suas folhas não cairão” Salmos 1:3c .
Idea central: serão sustentados.
Por que? Os justos ou retos serão sustentados porque meditam e consideram a lei do Senhor de dia e de noite, em contraste com os ímpios que são como a moinha, formosa e pomposa, mas qualquer vento das tempestades da vida os espalham e destroem. Salmos 1 tenta ditar para o homem comum como viver sua vida e repelir o mal em seu meio.

Salmos 2 – âmbito público.

Salmos 2

Portanto a ideia principal é:
C. “O Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.” Salmos 2:7 .
Idea central: O Senhor sustenta os Seus. Por que? Os justos serão sustentados porque: “… ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião.” Salmos 2:6.
A escolha do Senhor ao seu “ungido” é baseada na escolha prévia do individuo de seguir seus mandamentos: “Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” Salmos 1:2

Salmos 2 aborda as nações como um todo. Então podemos concluir que minhas escolhas no âmbito pessoal são refletidas na esfera pública. O homem reto que escolheu meditar e andar nos caminhos do Senhor será um bom líder e governante do seu povo. Salmos 2 começa com as pessoas confiando em si mesmas, “coisas vãs”, em suas próprias capacidades, inteligência e altivez, expandido para os governantes. Ele termina com um convite à retidão, uma admoestação a andar nos caminhos do Senhor, ponderar a sua Lei e só assim eles serão abençoados, assim como as nações. Caso contrário, serão destruídos pelas sua próprias escolhas, vãs filosofias e ideologias. O alerta fica para aqueles que querem provar o sustento do Senhor (Salmos 1) durante as vicissitudes da vida e querem provar da benção de uma vida plena, ao cumprir os mandamentos do Senhor, que não são pesados, estão ao nosso alcance, e o Seu cumprimento traz vida. (Deuteronômio 30:11-15). Salmos 2 é na verdade a continuação do Salmos 1 e deveriam ser lidos em paralelo.
O Salmo 2 termina alertando que os governantes que não atentarem às palavras do Senhor, vão acabar sendo destruídos.

Adivalter De Assis

Uma questão de perspectiva.

 

 

Uma questão de perspectiva.

Na Bíblia duas civilizações se colidem em suas perspectivas e narrativas da experiência humana e em relação ao divino. Na narrativa dos gregos/romanos a máxima é a exaltação da expressão da beleza, do encanto, da admiração, o prazer por meios dos cinco sentidos e o dualismo. Em contraste, na narrativa dos hebreus a máxima é experimentar D-us através das experiencias diárias e o holismo.
Outro aspecto importante é entender que os hebreus estudavam para reverenciar ao divino, os gregos estudavam construir e acumular conhecimento. É nesse contexto cultural do primeiro e segundo século que surge os escritores do novo testamento na sua maioria esmagadora eram judeus e alguns gentios convertidos ao judaísmo. Isso quer dizer que eles podem até ter escrito em grego, mas pensavam em hebraico e lançavam não dos escrituras sagradas Tanak (Bíblia judaica) como base para expandir seus escritos e registrar os feitos do Messias.

Sem dúvida essas duas civilizações influenciam nossa cosmovisão, desejo explorar um aspecto que influi nossa perspectiva quando lemos a bíblia. Frequentemente somos ensinados que os atributos de D-us são qualidades atribuídas ao seu caráter divino e é de suma importância para qualquer cristão entendê-los. Normalmente esses atributos são divididos em 2 categorias;
1- Os atributos incomunicáveis de D-us: Onipresença, Onipotência, Onisciência, Soberania, Infinitude, Imutabilidade, Unidade, Eternidade, Asseidade etc…
2- Os atributos comunicáveis de D-us: Amor, Bondade, Misericórdia, Sabedoria, Justiça, Santidade, Veracidade, Liberdade, Paz etc…

Tipicamente com pouca variação esses atributos são ensinados na teologia sistemática cristã. Minha pergunta é: Essa é a maneira que o homem analisa, define, vê e sistematiza D-us, mas como será que D-us se revela ao homem?
É importante notar que há uma grande diferença entre a perspectiva grego/romana e hebraica. O grego está preocupado com a atribuição de valores, beleza e qualidades por isso que esses atributos são todos adjetivos. Ao contrário do grego o hebraico está preocupado com as ações, os verbos, o que se faz.
Por exemplo:
1- O grego define um dia agradável dessa forma: Que dia lindo, esplendido de sol quente!
2 – Já o hebraico, assim: Que dia de sol que sinto e que queima minha pele.

Enquanto o grego está preocupado com a qualidade do sol, “lindo, esplendido” o hebraico está preocupado com a ação do sol, “sinto, queima”

Mas o que D-us diz a respeito dele mesmo na bíblia? Vamos analisar a perspectiva de D-us ao se revelar ao homem, não esquecendo que essa perspectiva é hebraica.

1- “Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para ser vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus” Números 15:41 , Êxodo 29:46, Levítico 11:45, Levítico 22:33, Verbo = Tirar, Fazer

2- “Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão.” Deuteronômio 32:39 Verbo = Matar, fazer viver

3- “E ele lhes disse: Eu sou hebreu, e temo ao Senhor, o D-us do céu, que fez o mar e a terra seca.” Jonas 1:9 Verbo = Fazer

4- “Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há D-us; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças;” Isaías 45:5

5- “Portanto o santificarás, porquanto oferece o pão do teu Deus; santo será para ti, pois eu, o Senhor que vos santifica, sou santo.” Levítico 21:8 Verbo = “santificar” = Separar para um propósito

6- “Porque eu sou o Senhor teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as suas ondas. O Senhor dos Exércitos é o seu nome.” Isaías 51:15 Verbo = Agitar

7- “E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?” Marcos 12:26 Verbo = Falar

8- “O Senhor guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios.” Salmos 146:9 Verbo = Guarda (cuidar)

Como podemos observar acima D-us se revela em ações e algumas vezes em atributos que levam a ações. Como devemos nos relacionar com esse D-us? Ao atribuímos adjetivos a D-us constrói-se uma distância entre você e Ele, porque não podemos imitar Seus atributos, especialmente a perfeição.
E porque Ele se revela em ações? Eu suspeito que é mais fácil se relacionar ou imitar suas ações do que seus atributos, ao imitá-lo me torno semelhante a Ele e isso me aproxima.

Quando ele diz:
Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus.” Levítico 20:7
Ou
“Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” 1 Pedro 1:16

Muitos de prontidão não conseguem se relacionar com esses versículos, primeiro porque a santidade é sinônimo de perfeição, que não é verdade; segundo, porque é um adjetivo, e adjetivos não são fáceis de imitar.
Na verdade a origem da palavra “santo” no hebraico não é um adjetivo mas sim um verbo קָדַשׁ qâdash = que quer dizer separar-se para um propósito específico, aqui está toda a diferença! Agora posso me relacionar melhor com o criador, Ele está me pedindo para fazer algo, um verbo, essa ação eu posso compartilhar com Ele e me tornar mais “igual” a Ele. Santificação?
Com certeza não posso tirar o povo do Egito nem abrir o mais vermelho, mas posso fazer justiça ao órfão e à viúva, amar ao estrangeiro, dando-lhe pão e roupa. Posso incorporar no meu dia a dia os valores morais ensinados na Torah, que são vitais para uma sociedade equilibrada, posso honrar meu pai e minha mãe, posso ser honesto nos meus negócios, ser fiel a minha esposa(o), praticar a justiça, amar a bondade, ser humilde, não fazer fofoca etc… Isso é o que ele pede de nós, não a perfeição.
Se entendermos isso, nossa familia, comunidade e sociedade se beneficiará muito com a presença de D-us agindo através de nossas ações.

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?”
Miquéias 6:8

O que D-us faz:
“Que faz justiça ao órfão e à viúva, e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa” Deuteronômio 10:18

O que eu posso fazer:
“A religião pura e imaculada para com D-us e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” Tiago 1:27

Nosso desafio é entender essas diferenças, tentar entender o texto dentro do seu contexto histórico e cultural e depois aplicar em nossa vida, não impor ao texto nossa cosmovisão que é fortemente influenciada pela perspectiva grega.