Por onde andas

Por onde andas? Um Convite para a presença do Divino

E chamou o Senhor D-us a Adão, e disse-lhe: Onde estás? (Gênesis 3:9)

“וַיִּקְרָא יְהוָה אֱלֹהִים אֶל־הָאָדָם וַיֹּאמֶר לוֹ אַיֶּכָּה

Quando D-us chamou Adão no Jardim do Éden, perguntando “Onde estás?”, Ele não estava simplesmente fazendo uma pergunta sobre localização. Muitos de nós talvez nos perguntemos: “Por que D-us, que sabe de todas as coisas, perguntaria onde Adão estava?” Mas essa pergunta, profunda e cheia de significado, vai além da geografia. É uma questão de relacionamento e presença, uma que ressoa ao longo da Bíblia e ecoa em nossas vidas até hoje. A pergunta de D-us para Adão—Ayeka – אַיֶּכָּה? ou “Onde estás?”—revela Seu desejo de caminhar em comunhão conosco, de estar em um relacionamento de confiança e companheirismo.

Esse tema de “andar com D-us” é uma narrativa fundamental em toda a Bíblia, abordando uma vida marcada pela proximidade espiritual, obediência e confiança. Desde o Jardim do Éden até as jornadas dos profetas, andar com D-us é um modo de viver, um convite para alinhar nossos passos com o Divino e compartilhar de Sua presença.

Um Convite para Caminhar Juntos, em Gênesis, encontramos o primeiro exemplo de D-us caminhando entre a humanidade no Jardim do Éden. Após Adão e Eva comerem do fruto da Árvore do Conhecimento, eles se escondem ao ouvir “o som do Senhor D-us que passeava no jardim” (Gênesis 3:8). D-us então chama: “Onde estás?” Mas esta não é uma pergunta comum referente a localização geográfica. Em hebraico, duas palavras podem ser usadas para “onde”: eifo, que é um pedido direto de localização, e ayeka, uma questão mais íntima sobre presença e estado de ser. A escolha de D-us pelo termo ayeka implica um anseio por proximidade relacional, como se Ele estivesse perguntando: “Por que você está se escondendo de Mim? Por que você não está mais ao Meu lado? Esse é a hora de andarmos juntos”.

Esse momento profundo revela o desejo de D-us por comunhão. O Jardim foi criado para que D-us e a humanidade pudessem caminhar juntos. Contudo, por causa do pecado, Adão e Eva se esconderam, criando uma distância de D-us que é sentida profundamente ao fazer a pergunta. O “Onde estás?” de D-us não é uma expressão de ira, mas uma dor divina pelo relacionamento rompido. Ele estava convidando-os a caminhar ao Seu lado, mas, em vez disso, eles escolheram a separação.

Caminhar como Companheirismo Mútuo. A palavra hebraica halach, que significa “caminhar”, pode ser conjugada em diferentes formas, cada uma com significados sutis. Na forma hitpaell’hithalekh—ela sugere uma ação mútua ou reflexiva, indicando que caminhar é algo a ser feito juntos. Quando a Bíblia fala de D-us “caminhando” no jardim, ela está convidando Adão e Eva a uma jornada compartilhada. D-us não estava apenas passeando; Ele estava estendendo um convite para um companheirismo, uma caminhada de presença mútua. Mas a desobediência deles interrompeu essa companhia, deixando D-us sozinho enquanto Adão e Eva se escondiam com vergonha e medo.

O conceito de andar com D-us continua nas histórias de Enoque e Noé. Em Gênesis 5:24, lemos: “Enoque andou com D-us; e já não era, porque D-us o tomou para si.” O relacionamento de Enoque com D-us era tão íntimo que ele foi unido a D-us, transcendendo o reino terreno. Noé, por sua vez, “andou com D-us” (Gênesis 6:9), e sua vida tornou-se um exemplo de companheirismo justo com D-us. Sua fé e confiança em D-us o ajudaram a resistir à corrupção ao seu redor, levando-o a cumprir o comando de D-us para construir a arca. Para Enoque e Noé, andar com D-us era mais do que um ato físico; era uma postura interior de obediência e rendição. Eles nos mostram como uma caminhada fiel com D-us pode transformar nossas vidas, mesmo em um mundo marcado pela ruptura.

A Promessa de Companheirismo. Em Levítico 26:12, D-us estende outro convite para o companheirismo, dizendo: “E andarei entre vós e serei vosso D-us, e vós sereis o meu povo.” Esta promessa reflete o coração do desejo de D-us por um relacionamento com Seu povo—uma oportunidade renovada para a humanidade “andar” com Ele. A linguagem aqui relembra a caminhada no Éden, sugerindo que, se o povo de Israel seguisse Seus mandamentos, eles poderiam experimentar novamente Sua presença. Rashi, um comentador medieval proeminente, aponta para uma midrash que interpreta esta promessa como D-us dizendo: “Andarei convosco no Jardim.” É uma visão de redenção onde D-us caminha lado a lado com Seu povo, um relacionamento restaurado onde humanidade e D-us podem desfrutar da presença um do outro.

Um Chamado Profético: “Onde Estás?” Ao longo da Bíblia, os profetas chamam Israel a retornar a D-us, ecoando a pergunta divina, “Onde estás?” Em Isaías 52:11-12, o profeta exorta o povo a “saírem do meio das nações,” para andarem com D-us mais uma vez. O profeta Miquéias encapsula o desejo de D-us por Seu povo em Miquéias 6:8, dizendo: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu D-us?” Andar com D-us é um chamado à humildade, justiça e misericórdia. Ele encoraja ao povo que vivam alinhados com Seus valores, caminhando de maneira que crie uma vida de integridade, justiça e compaixão. É um convite profético para retornar ao companheirismo para o qual fomos criados, uma jornada harmoniosa de presença com D-us.

Caminhando Juntos na Nova Aliança. No Novo Testamento, vemos esse chamado ao companheirismo cumprido na pessoa de Yeshua (Jesus). Ele convida Seus seguidores, dizendo: “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês” (João 15:4). Conhecido como “Emanuel,” que significa “D-us conosco,” Ele representa o ápice do desejo de D-us de caminhar intimamente com a humanidade. Saulo ecoa essa promessa em 2 Coríntios 6:16, dizendo: “Habitarei neles e andarei entre eles; serei o seu D-us, e eles serão o meu povo.” Por meio do Messias, o convite de D-us para andar com Ele torna-se acessível a todos.

Andar com D-us é mais do que uma metáfora; é uma jornada transformadora de confiança, obediência e presença. Existem várias formas que podemos implementar em nossas vidas para “andar com D-us”. Priorize momentos de oração e reflexão. Separe um tempo todos os dias para convidar D-us ao seu coração—não apenas para pedir, mas para ouvir e abrir sua alma à Sua presença. Através de uma oração silenciosa e reflexiva, permitimos que D-us fale conosco, transformando o cotidiano em encontros sagrados. Imersão nas Escrituras também é um modo poderoso de convidar D-us a caminhar ao nosso lado. A Palavra de D-us nos guia, conforta e fortalece. Ao nos engajarmos diariamente com a Bíblia, ainda que sejam apenas alguns versículos, convidamos a sabedoria de D-us para nossas vidas, alinhando nossas ações com Seus ensinamentos. Caminhar com D-us significa também incorporar Seu amor, misericórdia e compaixão. Busque ativamente maneiras de demonstrar bondade, perdoar aqueles que o ofenderam e servir aos necessitados. Cada ato de amor e misericórdia nos aproxima de D-us, que é amor em essência, e nos ajuda a harmonizar nosso coração com o dEle. Caminhar humildemente com D-us, como Miquéias exorta, exige deixar o orgulho de lado e render-se à Sua orientação. Reconhecer nossa necessidade por Ele e confiar em Seu caminho, mesmo quando não está claro, nos aproxima de Seu lado. A humildade abre caminho para uma vida onde Ele nos conduz com força e sabedoria. A comunidade e o companheirismo também desempenham papéis essenciais nessa jornada. Andar com D-us não é um caminho solitário. Através da igreja, grupos de estudo ou comunidades de fé, encontramos apoio e experimentamos a presença de D-us mais plenamente. Juntos, incentivamos e fortalecemos uns aos outros, aprendendo e crescendo em Seu companheirismo. Quando erramos ou nos afastamos, podemos sentir vontade de nos esconder, assim como Adão e Eva. Mas a pergunta de D-us, “Onde estás?” não é uma condenação; é um convite para retornar. Buscar o perdão e deixar para trás os erros passados nos aproxima de D-us. O arrependimento nos permite seguir em frente em uma renovada companhia com Ele. Finalmente, cultivar a gratidão nos mantém conscientes da presença de D-us em nossas vidas. Ao tornar um hábito agradecer por pequenas bênçãos ao longo do dia, permanecemos sintonizados com Sua presença, que nos aproxima ainda mais Dele.

Esta jornada de andar com D-us é feita de escolhas diárias, de pequenos passos rumo a uma vida em sintonia com Sua presença. Hoje, D-us ainda pergunta: “Onde estás?” É uma pergunta de amor, um convite divino para sair do esconderijo e caminhar com Ele em uma jornada compartilhada de propósito, paz e amizade. Imagine a paz, o propósito e a força que vêm de viver em harmonia com Aquele que o criou. Imagine a alegria de saber que cada passo que você dá é guiado por um amor que nunca o abandona, uma presença que perdura. A mão de D-us está estendida, esperando que você a segure. Andar com Ele não é reservado para os justos ou perfeitos; é para cada um de nós, em todas as nossas imperfeições. 

Dê esse primeiro passo hoje, abrace a jornada e permita que Ele caminhe ao seu lado em cada passo do caminho.

Adivalter Sfalsin

O que o Senhor espera de ti? Parte 2

Moisés e Miqueias oferecem resumos do que D-us pede de Seu povo, mas seus resumos parecem radicalmente diferentes. Moisés, em Deuteronômio 10:12, condensa todos os mandamentos em uma declaração concisa: “Agora, Israel, o que o Senhor teu D-us pede de ti senão que temas o Senhor teu D-us, que andes em todos os Seus caminhos, que O ames e sirvas ao Senhor teu D-us de todo o teu coração e de toda a tua alma.” Séculos depois, o profeta Miqueias oferece um resumo semelhante, mas com um foco drasticamente diferente. Em Miqueias 6:8, ele diz: “Ele te mostrou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor requer de ti? Que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu D-us.”

Pode-se questionar se Miqueias estava alheio à declaração de Moisés, mas isso é altamente improvável. Como profeta, Miqueias certamente conhecia Moisés, o maior dos profetas. De fato, a linguagem de Miqueias parece ecoar a de Moisés. A formulação em Deuteronômio 10:12, “O que o Senhor teu D-us pede de ti?”, é notavelmente semelhante à formulação de Miqueias em Miqueias 6:8, “O que o Senhor requer de ti?”

Isso sugere que Miqueias não estava ignorando as palavras de Moisés, mas sim divergindo conscientemente delas. No entanto, isso levanta uma questão importante: Miqueias está contradizendo Moisés, ou existe uma conexão mais profunda entre suas mensagens?

Para resolver essa aparente contradição, precisamos analisar mais de perto as discrepâncias entre as mensagens de Moisés e Miqueias. A primeira diferença está na ênfase. O resumo de Moisés foca fortemente no relacionamento entre o homem e D-us, destacando a importância de temer a D-us, amá-Lo e servi-Lo de todo o coração e alma (Deuteronômio 10:12-13). Miqueias, por outro lado, desloca o foco para a justiça social, clamando por justiça, misericórdia e humildade diante de D-us (Miqueias 6:8).

Mas as diferenças vão além do conteúdo de suas listas. Seus públicos também diferem. Moisés se dirige a “Israel”, o povo escolhido, enquanto Miqueias fala ao “homem”, ou à humanidade em geral. Essa distinção é sutil, mas significativa. Moisés fala aos israelitas como um grupo específico com um pacto único com D-us, enquanto Miqueias amplia o escopo para incluir as obrigações universais dos seres humanos.

Outra diferença está nos verbos usados para descrever as expectativas de D-us. Moisés usa a palavra “pede” (shoel em hebraico), implicando um pedido (Deuteronômio 10:12). Miqueias usa a palavra “requer” (doresh em hebraico), que é mais forte e implica uma exigência (Miqueias 6:8). Isso sugere que Miqueias não está apenas repetindo a mensagem de Moisés, mas sim construindo sobre ela ao abordar uma dimensão diferente da expectativa divina.

As diferenças de linguagem e ênfase entre Moisés e Miqueias sugerem que eles estão abordando diferentes aspectos da mesma verdade fundamental. Moisés fala sobre o que D-us pede especificamente ao povo hebreu, enquanto Miqueias aborda o que D-us exige de toda a humanidade. Um israelita é tanto uma pessoa quanto um membro de um povo escolhido, e cada identidade traz obrigações diferentes. O resumo de Moisés foca no que D-us pede dos israelitas como um povo de aliança, enquanto Miqueias fala sobre o que D-us exige de todas as pessoas como seres humanos.

A mensagem de Miqueias pode ser entendida como um comentário sobre a de Moisés. Quando Moisés conclui seu resumo dizendo que os mandamentos de D-us são “para o teu próprio bem” (Deuteronômio 10:13), Miqueias retoma essa ideia e elabora sobre o que esse “bem” (tov em hebraico) envolve. De acordo com Miqueias, o bem que D-us deseja vai além das obrigações rituais dos israelitas. Envolve viver uma vida de justiça, misericórdia e humildade – qualidades que definem nossas obrigações morais como seres humanos.

Para compreender completamente a conexão entre Moisés e Miqueias, precisamos olhar para o contexto mais amplo de Miqueias 6. Neste capítulo, D-us apresenta uma queixa contra Israel, convocando as montanhas e colinas para testemunhar Seu caso contra eles (Miqueias 6:1-2). D-us questiona por que Seu povo se cansou Dele, apesar de todo o bem que Ele fez por eles. Ele os lembra da libertação do Egito e da orientação de líderes como Moisés, Arão e Miriam (Miqueias 6:3-4). Curiosamente, Ele também menciona como frustrou as tentativas de Balaque e Balaão de amaldiçoar Israel (Miqueias 6:5).

Essa referência a Balaão pode parecer estranha, mas na verdade contém a chave para entender a mensagem de Miqueias. Balaão, um profeta não israelita, foi contratado para amaldiçoar Israel, mas acabou abençoando-os. Uma de suas bênçãos inclui as famosas palavras: “Quão formosas são as tuas tendas, ó Jacó, as tuas moradas, ó Israel” (Números 24:5). Miqueias parece estar fazendo alusão a essa bênção quando usa a frase “o que é bom” (mah tov em hebraico) em Miqueias 6:8. A referência à tentativa fracassada de Balaão de amaldiçoar Israel ressalta a ideia de que o favor de D-us não pode ser comprado com ofertas ou sacrifícios – um tema que Miqueias enfatiza quando rejeita a ideia de apaziguar D-us com sacrifícios extravagantes, como rios de óleo ou o sacrifício do primogênito (Miqueias 6:6-7).

Miqueias rejeita a noção de que ofertas extravagantes podem demonstrar a devoção a D-us. Em vez disso, ele redireciona o foco para o básico: justiça, bondade e humildade. Estes não são atos extraordinários de devoção, mas sim virtudes fundamentais que refletem a integridade de uma pessoa como ser humano. Em Miqueias 6:8, o profeta enfatiza que D-us não está buscando demonstrações excessivas de religiosidade, mas sim as qualidades que formam o alicerce da vida moral e ética.

Assim, a mensagem de Miqueias complementa a de Moisés. Enquanto Moisés delineia as obrigações religiosas de Israel como um povo de aliança, Miqueias nos lembra que D-us também exige decência humana básica de todas as pessoas. Ambos os profetas falam de diferentes aspectos da expectativa divina, mas juntos, eles formam um quadro completo do que significa viver uma vida que agrada a D-us.

Voltando à menção estranha de Balaão em Miqueias 6:5, vemos que essa referência é central para o argumento de Miqueias. A história de Balaão serve como um lembrete de que o favor de D-us não pode ser manipulado por meio de sacrifícios ou ofertas. Em vez disso, o verdadeiro desejo de D-us é que Seu povo viva com justiça, demonstre misericórdia e ande humildemente com Ele. Dessa forma, Miqueias reforça a mensagem central da Torá: ser uma boa pessoa significa viver uma vida que reflete os valores fundamentais de justiça, bondade e humildade.

As lições de Moisés e Miqueias ressoam profundamente em nossas vidas diárias. Moisés nos lembra de nossas responsabilidades pactuais – nossa necessidade de reverenciar, amar e servir a D-us com todo o nosso coração e alma. Isso nos ensina a importância de alinhar nossas vidas com os princípios divinos e cultivar uma conexão espiritual profunda. No entanto, Miqueias nos desafia a lembrar que a verdadeira bondade também está em como tratamos os outros. Justiça, bondade e humildade não são apenas ideais religiosos, mas formas práticas e cotidianas de viver com significado.

Isso nos ensina que nossas vidas espirituais não podem ser separadas de nossas ações éticas. Ser uma boa pessoa não é medido apenas por rituais religiosos ou grandes gestos, mas pelos pequenos e consistentes atos de integridade e compaixão que refletem a bondade de D-us no mundo. Seja defendendo a justiça, mostrando bondade a um estranho ou praticando humildade em nossos relacionamentos, cumprimos o desejo de D-us de sermos seres humanos melhores. Esse equilíbrio – entre servir a D-us e servir aos outros – é o que, em última análise, nos torna completos, tanto como pessoas de fé quanto como cidadãos do mundo. 

Esse texto é baseado num estudo do Rabbi David Fohrman, onde ele discute as diferenças entre os 2 textos de  Deuteronômio 10 e Miqueias 6. Adaptado e traduzido por:

Adivalter Sfalsin

Leia também; 

O que o Senhor espera de ti? Parte 1

HALLOWEEN – Suas origens.

HALLOWEEN – Dia das bruxas e Dia de Finados.

INTRODUÇÃO: Qual é a necessidade de estudar o Halloween, uma festa americana e de alguns países europeus? Apesar de não ser muito conhecida pela maioria das pessoas no Brasil, essa festividade está ganhando espaço em nossa cultura por meio de escolas primárias, escolas de inglês, TV, clubes, etc.

O QUE SÃO AS FESTAS DE HALLOWEEN? O Halloween ocorre nas noites próximas ao dia 31 de outubro e é geralmente celebrado com festas a fantasia, fogueiras e com crianças fantasiadas de monstros, fantasmas, bruxas, etc., indo de casa em casa pedindo doces (a brincadeira “trick or treat”, “travessuras ou doces”). Atualmente, o Halloween é um dia importante para os lojistas americanos. É uma noite em que “pessoas comuns se transformam em exibicionistas extravagantes”. Em média 60% de todas as fantasias são vendidas para adultos. Em 31 de outubro, 1 em cada 4 pessoas com idades entre 18 e 40 anos se fantasiam. Para aqueles que se consideram psíquicos, bruxos, clarividentes e visionários, este é o dia mais movimentado do ano. As editoras que publicam livros que vão desde astrologia até bruxaria registram um aumento significativo nas vendas. Salém, no estado de Massachusetts, considerada a sede da bruxaria norte-americana, celebra o “Festival da Assombração” durante essa época, expandindo assim a temporada de verão.

SIMBOLISMO E SUAS ORIGENS: Definição: “Halloween” é uma palavra do inglês antigo que significa “santo”, e “e’en”, e também significa “noite”, portanto, o significado é “Noite Santa” ou “All Hallows Eve”, “Noite de Todos os Santos”.

A palavra Halloween ou Hallowe’en (“Noite dos Santos”) é de origem celta; um termo equivalente a “All Hallows Eve” no inglês antigo da palavra halloween vem da forma escocesa de All Hallows’ Eve (a noite anterior ao Dia de Todos os Santos) “even” é o termo escocês para “véspera” ou “noite”, e é contraído para e’en ou een;(Todos) Hallow(s) E(v)en tornou-se Hallowe’en.

 O dia 31 de outubro não é uma escolha aleatória. No calendário celta, esse é um dos quatro principais dias de descanso das bruxas, os quatro dias do “meio trimestre”. O primeiro, 2 de fevereiro, conhecido como Dia da Marmota, homenageava Brigit, a deusa pagã da cura. O segundo, um feriado de maio chamado Beltane, era o momento de plantar entre os bruxos. Neste dia, os druidas realizavam rituais mágicos para incentivar o crescimento das plantações. O terceiro, uma festa de colheita em agosto, era comemorada em homenagem ao deus sol, a divindade brilhante, Lugh. Esses três primeiros dias marcavam a passagem das estações, o tempo de plantar e o tempo de colher, bem como o tempo da morte e ressurreição da terra. O último, Samhain, marcava a entrada do inverno. Nesse momento, os druidas realizavam rituais em que um caldeirão simbolizava a abundância da deusa. Dizia-se que era um “estado intermediário”, uma temporada sagrada de superstição e conjurações de espíritos. SAMHAIN (palavra de origem celta para designar “O Senhor da Morte”). Para os druidas, 31 de outubro era a noite em que Samhain retornaria com os espíritos que morreram naquele ano para possuir os corpos dos vivos. Assim, nesse dia, eles faziam uma comemoração apagando todas as luzes da casa, acendendo enormes tochas e vestindo roupas feitas de peles de animais para afastar os espíritos. Eles precisavam ser apaziguados ou agradados; caso contrário, os vivos seriam enganados. Grandes fogueiras eram acesas no topo das colinas para afugentar os espíritos malignos e aplacar os poderes sobrenaturais que controlavam os processos da natureza. Com a imigração de aproximadamente 4,5 milhões de irlandeses para os Estados Unidos entre os anos de 1820 e 1930, eles introduziram o costume das festas de Halloween. No final do século passado, esse costume se tornou popular. Era uma oportunidade de infligir danos às propriedades e permitir a prática de atos diabólicos que não eram tolerados em outras épocas do ano. A Igreja Católica originalmente celebrava o “Dia de Todos os Santos” no mês de maio, e não em 1 de novembro, como é feito atualmente. O Papa Gregório III, em 835, tentando apaziguar a situação nos territórios pagãos recém-conquistados no noroeste da Europa, permitiu que eles combinassem o antigo ritual do “Dia de Samhain” ou “Vigília de Samhain” (no Brasil, a Igreja Católica usou o mesmo método com os deuses africanos e os santos da igreja durante a escravidão). O Panteão de Roma (Pantheon em grego, Pan = muitos, Theum = templo, templo de muitos deuses), um templo construído para adoração de uma multiplicidade de deuses, foi transformado em igreja em 14 de maio de 609 pelo então Papa Bonifácio IV. Os cristãos celebravam ali o dia dos santos falecidos no dia seguinte ao que os pagãos celebravam o dia do seu Senhor dos Mortos. No entanto, a palavra final nessa mudança de datas foi dada pelo Papa Gregório IV, que introduziu a festa de “todos os santos” no calendário romano, tornando assim universal a data de 1 de novembro, transferindo-a de 31 de outubro para 1 de novembro. Pouco mais de um século após a introdução do Dia de “Todos os Santos”, a Igreja Católica determinou que seria melhor comemorar o “Dia dos Mortos” imediatamente após o “Dia de Todos os Santos”, tornando assim o dia 2 de novembro o conhecido “Dia de Finados”, que significa homenagem às almas dos mortos. Isso é uma clara evidência do sincretismo religioso

Elementos da Festa das Bruxas:

  • 1- DRUIDAS: Estes eram membros de um culto sacerdotal entre os celtas na antiga França, Bélgica, Espanha, norte da Itália, Inglaterra e Irlanda, que adoravam deuses semelhantes aos dos gregos e romanos, porém com nomes diferentes. Pouco se sabe sobre eles, pois os sacerdotes transmitiam seus ensinamentos apenas oralmente, jurando segredo e fazendo outros jurarem o mesmo. Algumas práticas, no entanto, são conhecidas. Eles habitavam florestas e cavernas e diziam ser capazes de dar instruções, fazer justiça e prever o futuro através do voo de pássaros, do fogo, do fígado e de outras entranhas de animais sacrificados. Os druidas também realizavam sacrifícios humanos e tinham como sagrados a lua, a meia-noite, o gato, o carvalho, entre outros. Os druidas foram dizimados pelos romanos na França e Inglaterra antes do final do primeiro século, mas continuaram ativos na Irlanda até o quarto século.

2. BRUXAS E FANTASMAS

Os antigos druidas acreditavam que, na noite de 31 de outubro, bruxas, fantasmas, espíritos, fadas e duendes saíam para prejudicar as pessoas.

3. LUA CHEIA, GATOS E MORCEGOS

Acreditava-se que a lua cheia marcava a época para a prática de certos rituais ocultos. Além disso, a crença de que as bruxas podiam transferir seus espíritos para gatos estava difundida, acreditando-se que toda bruxa tinha um gato. O gato era considerado como “um espírito familiar” e, por superstição, muitos gatos eram mortos quando havia suspeita de que estivessem ligados a bruxas. Os druidas também tinham os gatos como animais sagrados, acreditando que eles eram seres humanos transformados em gatos como punição por algum tipo de perversidade. Portanto, eram vistos como seres humanos encarnados, espíritos malévolos ou “espíritos familiares” das bruxas.

O morcego, devido à sua habilidade de caçar presas no escuro e aos seus hábitos noturnos, adquiriu a reputação de possuir forças ocultas e ser considerado demoníaco. Além disso, devido às suas características de pássaro, que no ocultismo é símbolo da alma, surgiu a crença, no período medieval, de que demônios se transformavam em morcegos.

4. CABEÇAS DE ABÓBORA (“JACK-O-LANTERNS”)

A lanterna feita com uma abóbora recortada em forma de “careta” originou-se da lenda de um homem notório chamado Jack, a quem foi negada a entrada no céu devido à sua maldade e no inferno por pregar peças no diabo. Condenado a perambular pela terra como espírito até o dia do juízo final, Jack colocou uma brasa brilhante em um grande nabo oco para iluminar seu caminho durante a noite. Esse talismã, representado hoje por uma abóbora, simboliza uma alma condenada.

5. “TRAVESSURAS OU DOCES” – “TRICK OR TREAT”

Na cultura celta, havia a crença de que, para apaziguar espíritos malignos, era necessário deixar comida para eles. Com o tempo, essa prática se transformou, e os mendigos passaram a pedir comida em troca de orações pelos membros falecidos da família daqueles que ofereciam esmolas. Nesse contexto, na Irlanda, havia a tradição em que um homem liderava uma procissão para angariar oferendas dos agricultores, a fim de evitar que suas colheitas fossem amaldiçoadas por demônios. Essa prática evoluiu para o costume atual do “travessuras ou doces”, conhecido como “Trick or Treat”.

6. AS MÁSCARAS E FANTASIAS

As máscaras têm sido um meio supersticioso de afastar espíritos malignos, alterar a personalidade do usuário e estabelecer comunicação com o mundo dos espíritos. Acreditava-se que vestir máscaras podia enganar e assustar os espíritos malignos. Em outras culturas, as pessoas também utilizaram máscaras para assustar demônios que acreditavam ser responsáveis por desastres como epidemias e secas. Grupos envolvidos em magia negra e bruxaria também usam máscaras para estabelecer uma conexão com o mundo dos espíritos.

7. AS FOGUEIRAS

A palavra inglesa para fogueira é “Bonfire”. Embora possa parecer que significa “fogo bom,” na verdade deriva de “Bone” (osso) + “Fire” (fogo). Nas celebrações da “Vigília de Samhain” em 31 de outubro, os druidas acreditavam poder obter visões do futuro, tanto boas como ruins, através do fogo. Nessas ocasiões, os druidas construíam grandes fogueiras com cestos de diferentes formatos e queimavam prisioneiros de guerra, criminosos e animais vivos. Observando a posição dos corpos em chamas, eles alegavam poder prever o futuro.

8. AS CORES LARANJA E PRETA

As cores usadas no Halloween, o laranja e o preto, também têm sua origem no oculto. Estas cores estavam associadas a missas comemorativas em honra dos mortos, celebradas em novembro. As velas de cera de abelha tinham uma tonalidade alaranjada, e os esquifes eram cobertos com tecidos pretos.

9. FEITIÇARIA NO PASSADO

Não só os católicos cometeram as atrocidades da Santa Inquisição, mas também os seguidores de Lutero, durante a selvagem perseguição aos anabatistas, e os calvinistas em sua feroz intolerância, promoveram barbaridades e injustiças sob o pretexto de estarem em “Guerra Santa”. Acreditava-se que mulheres com poderes de feitiçaria podiam lançar aos seus vizinhos todo tipo de malefícios, como a morte do gado, perda das colheitas, morte dos filhos, etc. Segundo a tradição, o poder mais pernicioso dessas bruxas era fazer com que seus maridos fechassem os olhos para a má conduta de suas esposas e fazer com que as chamadas feiticeiras gerassem filhos idiotas ou aleijados. A caracterização das bruxas frequentemente as descrevia como velhas megeras desdentadas com hábitos excêntricos e propensas a fofocas, além de possuírem uma língua venenosa.

Em 1692, nos EUA, na cidade de Salem, muitas mulheres foram mortas simplesmente por possuírem algumas dessas características. Tamanha era a barbárie que ter um filho com alguma deficiência já caracterizava a mãe como bruxa ou feiticeira. Na Europa, a figura da feiticeira era a de “uma moça linda e perversa”, e um grande número de adolescentes e jovens mulheres casadas foram mortas na Alemanha e França. As primeiras perseguições ocorreram no século XIII e ressurgiram em 1484 com a Santa Inquisição. O papa Inocêncio II recomendava que seus inquisidores torturassem até obter provas de que elas eram bruxas.

Durante a Revolução Protestante, essa caça assumiu proporções absurdas. Lutero aconselhava que se matassem feiticeiras com menos consideração e misericórdia do que se tinha com criminosos comuns. Sob o comando de Calvino, em 1545, 34 mulheres foram queimadas ou esquartejadas vivas sob acusação de serem ou praticarem feitiçaria. Mulheres, moças e até crianças eram torturadas com agulhas enfiadas sob suas unhas, tinham os pés queimados em fogueiras ou as pernas esmagadas sob grandes pesos “até que a medula jorrasse dos ossos”. Tudo isso era feito para obrigá-las a confessar “orgias repelentes com os demônios”. O ápice dessa histeria ocorreu no final do século XVI, quando o número de vítimas pode ter chegado a 30 mil. Durante esse período, em cidades alemãs, mais de 900 mulheres foram mortas em um único ano, chegando ao ponto de não sobrar uma única mulher em algumas cidades. Até pessoas notáveis defendiam a morte de indivíduos sob simples suspeita de feitiçaria.

O QUE A BÍBLIA NOS ENSINA:

O que Deus pensa dessa práticas e seus praticantes:
Deut.18:9-14
“9 Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações.10 Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;11 Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos;12 Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti.13 Perfeito serás, como o Senhor teu Deus.14 Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal coisa”

Isaías 8:19
19 Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos?

Levítico 19:26, 31
26 Não comereis coisa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis31 Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles. Eu sou o Senhor vosso Deus.

Levítico 20:6-8
6 Quando alguém se virar para os adivinhadores e encantadores, para se prostituir com eles, eu porei a minha face contra ele, e o extirparei do meio do seu povo.7 Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus.8 E guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou o Senhor que vos santifica.

Levítico 20:27
27 Quando, pois, algum homem ou mulher em si tiver um espírito de necromancia ou espírito de adivinhação, certamente morrerá; serão apedrejados; o seu sangue será sobre eles.

Romanos 12:2
2 E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus

Gálatas 5:19-21
19 Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia,20 Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,21 Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus

Efésios 6:12
12 Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.

Apocalipse 21:8; 22:15
8 Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.

Apocalipse 22:15
15 Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.

VAMOS REFLETIR

Existe algo de ruim nisso? Quer dizer que essa simples festividade, com pessoas e crianças se fantasiando e pedindo doces, é um remanescente de antigas práticas de magia negra, culto aos mortos e outras coisas sinistras?

TIRE SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES

Nos Estados Unidos, as orações públicas foram proibidas. O princípio do secularismo tirou das escolas a celebração do Natal, mas o Halloween permanece. O abrigo de gatos de Chicago tem uma procura muito grande por gatos pretos durante os festejos de Halloween. Temendo que os gatos estivessem sendo usados em rituais macabros por aqueles que se autodenominam bruxos, a Sociedade Protetora de Animais excluiu a adoção durante essa temporada. 

No Brasil e no mundo, estão aparecendo pessoas se auto intitulando bruxos. Apenas simbolismo? Pense em alguns símbolos e analise-os. Há algum significado? Há alguma importância? Há alguma influência? Devemos acolher tais festividades? Deve um crente participar de tais festividades?

Autor: Adivalter De Assis

BIBLIOGRAFIA: 

BURNS, E. M., Western Civilizations, Their History and Their Culture, W. W. Norton & Co. Inc., New York, 1968.ANKERBERG, J., Weldon, J., The Facts on Halloween: What Christians Need to Know. Harvest House, Oregon, 1996.
PHILLIPS, P., Robie, J., H., Halloween and Satanism. Starburst, 1987.
HURT, R., The History of Halloween and the Word of God, not published (?).
MARGADONNA, S., Halloween Oct. 31: What’s It All About?, not published (?).
PHILLIPS G., Halloween: What It Is From a Christian Perspective, not published, Bay View Church, Alabama: