Teologia da Substituição

Teologia da Substituição

Uma Narrativa Incompleta e Perigosa

A chamada “Teologia da Substituição” ensina que a Igreja substituiu Israel nas promessas e propósitos de D‑us. Em sua forma mais simples, essa doutrina declara que o povo judeu, ao rejeitar Jesus como Messias, foi rejeitado por D‑us, sendo a Igreja agora o “novo Israel”, herdeira das alianças, das bênçãos e da missão salvífica. Essa visão não é apenas teologicamente frágil, ela é historicamente danosa e espiritualmente empobrecedora. Ela se sustenta em cinco pilares principais: 

  1. D‑us rejeitou o povo judeu como instrumento dos Seus propósitos por terem rejeitado o Messias; 
  2. As alianças feitas com os patriarcas foram anuladas; 
  3. A Igreja assumiu o lugar de Israel como povo da aliança; 
  4. Todas as promessas feitas a Israel agora pertencem à Igreja; e 
  5. O moderno Estado de Israel não tem qualquer relevância especial nos planos divinos.

Essa teologia moldou séculos de doutrina cristã, influenciou decisões políticas e alimentou um antissemitismo teológico sutil, mas devastador. Basta abrir a Bíblia para perceber algo revelador: a divisão entre “Velho” e “Novo” Testamento. Essa separação, embora aparentemente neutra, carrega uma carga cultural que posiciona o Antigo como ultrapassado e o Novo como superior. Muitos absorvem inconscientemente a ideia de que o Antigo Testamento é uma sombra descartável, e que Israel perdeu sua relevância. Mas essa separação entre os testamentos não foi feita desde o início. Nos primeiros tempos da igreja, a única “Bíblia” usada era o que hoje chamamos de Antigo Testamento. A distinção entre “Antigo” e “Novo” começou a surgir por volta do século II, especialmente como reação a um homem chamado Marcião, que tentou rejeitar completamente o Antigo Testamento e excluir o D‑us de Israel da fé cristã. A Igreja, em resposta, começou a organizar melhor os escritos apostólicos e adotou os termos “Antigo” e “Novo Testamento”. Contudo, a forma como essa separação foi estabelecida acabou reforçando um viés antissemita. O “Antigo” passou a ser visto como judaico, imperfeito, enquanto o “Novo” foi exaltado como espiritual, cristão, superior. Essa dicotomia falsa criou uma teologia em que o Novo cancela o Antigo, quando, na verdade, eles estão profundamente conectados. O Novo cumpre o que o Antigo prometeu. Essa leitura promove um orgulho espiritual que distancia o cristão de suas raízes bíblicas e deturpa o caráter do próprio D‑us.

Essa herança de descontinuidade entre os testamentos teve efeitos práticos desastrosos. Durante séculos, o cristianismo institucional contribuiu para perseguições contra os judeus, acusando-os de “deicidas” e negando sua continuidade como povo da aliança. Esse tipo de teologia influenciou desde sermões medievais até políticas públicas, e até hoje afeta a forma como o povo judeu é visto no contexto cristão. Em vez de enxergar Israel como raiz viva da fé, muitos ainda o tratam como escombro do passado.

Boa parte dessa distorção vem da influência da filosofia grega sobre a teologia cristã. A tradição helenística, presente nos escritos dos chamados “pais da igreja”, Clemente de Alexandria, Justino Mártir, Basílio e Agostinho, reinterpretou a Bíblia com categorias filosóficas. D‑us passou a ser visto como uma “Primeira Causa”, um “Ser Perfeito”, inatingível, com atributos abstratos e impessoais. Em contraste, a Bíblia apresenta um D‑us pessoal, envolvido na história, que escolhe uma família, a de Abraão, e com ela estabelece um relacionamento íntimo, com promessas específicas, mandamentos concretos e presença real. Essa escolha foi o início de uma missão redentora universal, mas que passa pelo particular. Como Ele disse a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3).

A Teologia da Substituição ignora que a aliança com Abraão foi unilateral. Em Gênesis 15, D‑us ordena a Abraão que prepare animais para um pacto, um ritual comum na antiguidade em que duas partes passavam entre os corpos partidos, assumindo obrigações mútuas. Mas, nesse caso, Abraão é colocado para dormir: 

“E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão…” (Gênesis 15:12).

Ele não passa entre os animais. Apenas D‑us o faz, representado por um fogo. Isso significa que Ele mesmo arcaria com as consequências do pacto, mesmo sabendo que o homem falharia. Mais tarde, Ele reafirma: 

“Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência… por aliança perpétua” (Gênesis 17:7). 

A palavra hebraica para “perpétua” é olam (עוֹלָם), que significa eternidade, continuidade, tempo indefinido. O Novo Testamento usa o termo grego aiōn (αἰών), como em Hebreus 13:8: 

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente”. 

Se D‑us pode romper uma aliança que chamou de eterna, como confiar que manterá Sua promessa de vida eterna para conosco?

Outro erro grave da teologia substitucionista é tratar Israel como uma sombra que perdeu sua função após Cristo. O teólogo Robert Reymond, por exemplo, escreveu que todas as promessas feitas à terra de Israel devem ser vistas como sombras, e que os cristãos são os verdadeiros herdeiros dessas promessas. Isso apaga a raiz da fé cristã. Paulo advertiu: “Não te glories contra os ramos, e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti” (Romanos 11:18). E reforça: “Porventura rejeitou D‑us o seu povo? De modo nenhum” (v.1). “O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado” (v.25). A eleição de Israel está em suspensão parcial, com propósito. A rejeição não é total, nem definitiva. É fundamental reconhecer que, se o evangelho chegou até os gentios, isso se deu por meio de uma minoria fiel do povo judeu. Foram judeus que escreveram o Novo Testamento, que pregaram em Jerusalém e além, que sofreram perseguições e espalharam a mensagem do Messias. Negar a centralidade de Israel é ignorar a própria origem da fé cristã.

A teologia da substituição promove uma narrativa truncada: D‑us criou o mundo, o homem pecou, então enviou Jesus para salvar. Mas essa versão ignora a centralidade de Israel. A perspectiva hebraica vê a Bíblia como uma história contínua, com início, meio e fim. D‑us escolheu um povo para abençoar todas as nações, fez alianças com Noé, Abraão, e Israel, renovando-as ao longo da história. O Messias, descendente de Abraão e Davi, veio para cumprir essas promessas. Yeshua disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas, não vim para revogar, mas para cumprir” (Mateus 5:17). Ele não veio substituir, mas revelar a plenitude daquilo que já estava em andamento.

Ao contrário do D‑us abstrato dos filósofos, o D‑us de Israel: 

1- Liberta (Êxodo 20:2) 

2- Habita entre o povo (Êxodo 29:46)

3- Santifica (Levítico 11:45)

4- Sustenta órfãos e viúvas (Salmo 146:9)

5- E continua chamando Israel de “meu povo” (Romanos 11:1). 

Ele caminha com Seu povo, não os abandona.

Paulo, após seu encontro com Yeshua, jamais abandonou sua identidade judaica. Ele guardava o sábado (Atos 13:14), circuncidou Timóteo (Atos 16:3), e sua Bíblia era o Tanakh. Sua teologia não substitui Israel, mas inclui os gentios no plano divino. “Vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa…” (Efésios 2:12). Agora, por meio de Yeshua, fomos enxertados, não como substitutos, mas como participantes. Reconhecer o papel contínuo de Israel na história da redenção não é apenas uma questão teológica, mas uma postura de humildade espiritual. É aceitar que fomos enxertados numa história que começou muito antes de nós, e que ainda está em andamento. É também um antídoto contra o orgulho religioso que, ao longo da história, gerou divisão, perseguição e cegueira espiritual.

A Teologia da Substituição apresenta um D‑us incoerente, que quebra alianças eternas. A aliança com Israel é unilateral, perpétua e irrevogável. Nós, gentios, fomos enxertados na oliveira cultivada, mas a raiz continua sendo Israel. Ignorar isso é não apenas ingratidão espiritual, mas um erro exegético. Como Paulo advertiu: “Não quero, irmãos, que ignoreis este segredo… para que não presumais de vós mesmos” (Romanos 11:25). Que sejamos humildes e gratos à fidelidade de D‑us, que jamais rejeitou Seu povo, e jamais quebrará Sua palavra.

Adivalter Sfalsin

Letra vs Espírito

A Letra vs O Espírito

A Letra Mata, Mas o Espírito Vivifica

Descomplicando o Profundo Chamado da Torá em Yeshua

Você já deve ter ouvido, ou até mesmo dito, a frase, “Eu vivo pelo espírito da lei, não pela letra da lei.” Ela soa espiritual, moderna, até libertadora. Mas será que entendemos mesmo o que isso significa? Quando Paulo escreveu em 2 Coríntios 3,6 que “a letra mata, mas o espírito vivifica”, será que estava rejeitando a Torá? Estaria nos chamando a abandonar os mandamentos objetivos em favor de uma espiritualidade fluida e subjetiva? Ou será que ele apontava para algo mais profundo, mais exigente, mais transformador? Vamos olhar de novo, com calma, às Escrituras, com uma mente aberta e um coração sincero.

Antes de mais nada, precisamos entender os termos. Quando Paulo fala de “letra”, ele se refere à obediência externa, mecânica, sem envolvimento do coração, feita como quem cumpre protocolo religioso para marcar presença. Já o “espírito” da lei diz respeito à intenção de D‑us por trás do mandamento, ao propósito moral, relacional, educativo e santificador da instrução. Não se trata de Torá contra Espírito, mas de legalismo sem vida versus obediência cheia de vida. Paulo não anula a Torá, ele denuncia o uso frio e desalmado da lei.

Esse contraste aparece com força em Levítico 19, quando D‑us declara, “Sede santos, porque Eu sou santo” (Lv 19,2). Esse chamado não foi dirigido apenas aos sacerdotes, mas a todo o povo, que teve de estar presente para escutá-lo. Isso nos mostra que a santidade não é uma categoria espiritual exclusiva para “os de cima”, nem tampouco um rótulo místico reservado a uns poucos escolhidos. A santidade, segundo a Torá, é prática e cotidiana. Ela se manifesta na honestidade nos negócios, no respeito aos pais, no cuidado com os pobres, na imparcialidade nos julgamentos, na pureza sexual, no tratamento digno aos estrangeiros. Santidade não é só o que acontece no sábado na sinagoga ou no domingo na igreja. É como se trata o outro na fila do mercado, no trânsito, na internet.

E é aí que entra o espírito da lei, porque D‑us não deseja apenas um povo que siga ordens, mas um povo que reflita Seu caráter. A Torá não existe para criar um povo treinado em regras, mas para formar corações sensíveis à justiça, à compaixão, à verdade. Por isso, Levítico 19,18 traz uma das declarações mais poderosas de toda a Escritura, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Yeshua, ao ser questionado sobre o maior mandamento, disse que este, junto com o amor a D‑us, resume toda a Torá e os Profetas (Mt 22,36–40). O amor, portanto, não anula os mandamentos. Ele os explica. Ele os justifica. Ele os sustenta. Não roubar, não mentir, não adulterar, não oprimir, tudo isso é amor colocado em prática.

Mas a história não para aí. O rabino medieval Nachmânides, comentando esse mesmo capítulo de Levítico, escreveu uma frase que continua ressoando com força, “É possível ser repulsivo com a permissão da Torá.” O que ele quer dizer com isso? Ele está dizendo que uma pessoa pode seguir as instruções mais literais da Torá e ainda assim ser um ser humano desprezível. Como isso é possível? Porque a Torá só pode estabelecer limites para coisas como integridade, justiça, bondade, respeito e fala saudável. Ela não tem a capacidade de legislar o caráter. É por isso que os comentaristas, ao longo dos séculos, se dedicaram a definir o que significa ser respeitoso, honesto, justo. Mesmo assim, algumas pessoas sempre encontram brechas legais para continuar sendo moralmente reprováveis.

Isso não se limita ao passado. Podemos ver essa distorção até hoje, inclusive entre os que se dizem seguidores de Yeshua. Embora as Escrituras apostólicas enfatizem fortemente os ensinamentos éticos e a importância de um caráter transformado, ainda há quem se autodeclare discípulo e, ao mesmo tempo, procure formas de contornar essas exigências. A letra, quando usada como escudo para proteger o ego, mata. O espírito, quando nos leva à verdade em amor, vivifica.

Jeremias profetizou uma nova aliança, dizendo, “Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração” (Jr 31,33). Yeshua inaugurou essa aliança, e Paulo entendeu que ela não aboliu a Torá, mas a internalizou. O que era gravado em pedra agora é escrito no coração. O verdadeiro discípulo não é aquele que decora versículos, mas aquele cujo caráter foi reescrito pelo dedo de D‑us. É isso que Paulo afirma ao dizer que somos “ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito”.

No Sermão do Monte, Yeshua revela como esse espírito da lei se manifesta de forma prática. Ele mostra que o mandamento de não matar não se limita ao ato, mas inclui não alimentar ódio. Que não adulterar inclui não desejar com o olhar. Que o direito de exigir justiça deve ceder lugar ao perdão e à confiança em D‑us. Yeshua não baixou o padrão, Ele elevou. Ele não anulou a Torá, Ele a completou, mostrando seu pleno significado. Viver pelo espírito é mais difícil que seguir a letra, porque exige o coração inteiro.

A letra mata porque pode ser usada como instrumento de condenação, controle e autopromoção. Pode ser manipulada por corações frios e vaidosos. Mas o espírito vivifica, porque é o Espírito Santo quem o inspira. Ele transforma mandamentos em gestos de amor. Ele converte regras em caminhos de proximidade com o Criador. A Torá, nas mãos do Espírito, deixa de ser um conjunto de deveres e se torna um mapa de vida abundante.

Pedro, em sua carta, ecoa Levítico quando diz, “Sede santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1,15). Isso não significa isolamento religioso ou perfeccionismo espiritual. Significa honestidade mesmo quando ninguém está vendo. Significa tratar o entregador com a mesma honra que o líder espiritual. Significa viver de forma coerente com aquilo que se crê. A santidade não se limita ao templo ou ao ritual. Ela floresce nos pequenos atos do dia a dia.

Num tempo em que o mundo clama por autenticidade, os discípulos de Yeshua são chamados a viver com profundidade. Chega de debates vazios sobre o que “pode ou não pode”. A pergunta correta é, “Isso reflete o caráter de D‑us? Isso promove justiça, misericórdia, verdade?” Viver pela letra é o ponto de partida, não a linha de chegada. Fomos chamados a mais, a viver pelo espírito, com corações inclinados, olhos atentos, mãos prontas para servir.

Se este artigo tocou algo em você, ótimo. Se te incomodou um pouco, talvez melhor ainda. Às vezes, o Espírito Santo usa o incômodo para nos lembrar que a letra, sozinha, não basta. Precisamos dEle. Precisamos do Espírito que nos transforma de dentro para fora, que nos ensina a amar como D‑us ama. E você, está pronto para viver além da letra?

Adivalter Sfalsin

Do Impensável à Norma

Do Impensável à Norma

A Janela de Overton e a Mente Coletiva: Como o Impensável Se Torna Norma

Você já refletiu sobre como certas ideias que, até pouco tempo atrás, seriam consideradas absurdas, hoje são celebradas e até exigidas como normas de comportamento? Como valores que por séculos sustentaram o tecido moral da sociedade passaram a ser ridicularizados e excluídos do espaço público? Esse processo não é fruto do acaso. Ele tem nome, método e estratégia. Chama-se Janela de Overton. O conceito foi desenvolvido por Joseph P. Overton e descreve o intervalo de ideias consideradas aceitáveis em uma sociedade em dado momento. Tudo que está dentro da janela pode ser debatido e promovido publicamente. O que está fora é impensável, tabu, proibido. No entanto, esta janela não é fixa. Ela pode ser deslocada gradualmente, até que aquilo que antes era inaceitável se torne obrigatório, e o que antes era norma seja banido como retrógrado ou ofensivo. A Janela de Overton é uma ferramenta da chamada engenharia social, que utiliza meios culturais e simbólicos para moldar o pensamento coletivo. Ao contrário da opressão direta, como a censura explícita ou a repressão estatal, essa estratégia atua de forma quase invisível. Ela transforma a cultura de dentro para fora, utilizando a linguagem da liberdade, do progresso e da tolerância como instrumento de reprogramação moral.

Curiosamente, a Bíblia já alertava sobre mecanismos semelhantes muito antes do surgimento do conceito moderno. No livro do profeta Isaías, há uma denúncia clara da inversão dos valores promovida por uma sociedade em decadência espiritual: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridão luz, e da luz escuridão” (Isaías 5:20). O funcionamento da Janela de Overton segue uma progressão em cinco etapas. A primeira consiste em tornar o impensável em algo meramente pensável. A ideia absurda é introduzida por meio de piadas, memes, filmes ou sátiras. O objetivo não é convencer, mas plantar a semente. O cérebro humano registra a proposta como possibilidade, mesmo que envolta em humor. A segunda etapa transforma o pensável em discutível. O que era tabu começa a ser debatido em meios acadêmicos, programas de televisão, redes sociais. A argumentação usada costuma ser neutra, com frases como “vamos ouvir todos os lados”. Assim, a resistência inicial vai sendo desgastada. Na terceira etapa, o discutível torna-se aceitável. A pressão social começa a operar. Quem se opõe à nova ideia passa a ser estigmatizado como preconceituoso, intolerante ou retrógrado. Em nome da inclusão, instala-se o silenciamento. O profeta Amós viveu um tempo assim, em que a sinceridade era motivo de ódio: “Eles aborrecem na porta o que repreende, e abominam o que fala com sinceridade” (Amós 5:10). A quarta etapa transforma o aceitável em norma. A ideia antes marginal passa a ocupar o centro. É ensinada nas escolas, promovida pelas leis e exaltada pela mídia. A discordância é sufocada, não necessariamente por um governo autoritário, mas pelo próprio ambiente social. A cultura do cancelamento é um exemplo moderno dessa dinâmica. A última etapa é a mais perigosa. Ela torna o antigo impensável. Os valores que sustentaram a civilização passam a ser ridicularizados, os livros que os defendem são descartados, e as pessoas que os vivem são marginalizadas. O profeta Jeremias lamenta esse estado de endurecimento moral: “Acaso se envergonham de cometer abominação? Não. Nem sequer sabem o que é envergonhar-se” (Jeremias 6:15).

Esse padrão de dominação cultural já era conhecido no mundo bíblico. O livro de Daniel relata o caso dos jovens hebreus levados à Babilônia. Lá, receberam novos nomes, nova educação, nova dieta. A intenção era apagar sua identidade e substituir sua cosmovisão. “O rei designou-lhes uma porção diária das iguarias do rei e do vinho que ele bebia, e que fossem educados por três anos, para que ao fim deles pudessem estar diante do rei” (Daniel 1:5). Era uma reeducação sutil, mas total. No livro de Gênesis, observa-se o mesmo padrão de distorção por meio do diálogo: “É assim que D‑us disse…? Certamente não morrereis” (Gênesis 3:1–4). O inimigo não nega diretamente a verdade. Ele a relativiza. Ele propõe uma nova leitura. Ele planta dúvida, até que o erro pareça aceitável.

A Bíblia nos convida a resistir a esse tipo de manipulação. A resistência não virá por força política ou por nostalgia moralista. Ela precisa começar com a transformação pessoal e a renovação da mente. O apóstolo Paulo exorta os cristãos de Roma: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:2). Também somos instruídos a guardar o coração e os sentidos contra a influência cultural contaminada: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23). A proteção espiritual não é passiva. Ela exige vigilância, decisão e coragem.

Acima de tudo, é preciso falar. Denunciar em amor. Educar. Corrigir. Mesmo que isso custe o conforto, a popularidade ou a aceitação. Isaías clama: “Clama em alta voz, não te detenhas; levanta a tua voz como a trombeta, e anuncia ao meu povo a sua transgressão” (Isaías 58:1). O silêncio cúmplice de hoje pode se tornar a prisão ideológica de amanhã. Por fim, a orientação das Escrituras é clara: quando a cultura se desvia dos caminhos do Altíssimo, o povo de D‑us deve se separar do sistema dominante. No livro do Apocalipse, há um chamado urgente: “Sai dela, povo meu, para que não sejais participantes dos seus pecados” (Apocalipse 18:4).

A Janela de Overton é uma descrição moderna de um problema antigo. Um povo pode ser transformado por completo sem que um único tiro seja disparado. Basta que aceite calado o deslocamento lento e contínuo da verdade. Basta que se cale diante da mentira disfarçada de liberdade. O apóstolo Pedro alertou os crentes a respeito disso: “Sede sóbrios, vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pedro 5:8). Estar desperto e vigilante é mais que uma virtude. É uma necessidade vital.

Se existe uma chance de preservar a verdade, ela começa no que você decide ouvir, repetir ou silenciar. Começa na sua mente. E no que você permite que entre nela. Se uma sociedade inteira pode ser transformada pelo que aceita ouvir sem questionar, será que também não poderia ser restaurada pelo que ousa proclamar em alta voz?

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Domínio injusto

Domínio injusto

Entre o Cetro e o Martelo: Quando o Juiz Se Torna Hamã

Num tribunal ideal, a balança da justiça deve ser equilibrada, o juiz, imparcial, e a lei, um alicerce que não se curva ao gosto do momento nem ao humor do poderoso. Mas o que acontece quando o juiz abandona a lei e se torna o próprio padrão do que é certo ou errado? Quando a toga se transforma em capa de tirania e o tribunal vira trono pessoal? A história de Hamã, Ester e Mardoqueu nos fornece uma janela poderosa para explorar esse tema, revelando não apenas uma conspiração genocida, mas um retrato sombrio do que acontece quando o poder corrompe o julgamento e desfigura o humano.

A narrativa se desenrola no coração do império persa, onde o luxo e o autoritarismo convivem em harmonia aparente. Após a queda da rainha Vasti, por sua recusa em obedecer cegamente, Ester, uma jovem judia, é escolhida para ocupar seu lugar, escondendo sua identidade étnica. Seu primo, Mardoqueu, um homem íntegro, recusa-se a se curvar diante de Hamã, o novo alto oficial do rei. Esse gesto de integridade desperta a ira de Hamã, que, inflamado por orgulho, vê na resistência de um único homem a necessidade de destruir um povo inteiro. É o retrato de como o ego ferido pode se tornar motor de tragédias coletivas.

Hamã encarna aquilo que acontece quando um juiz abandona o ideal de justiça e se vê como origem e fim da moral. Seu comportamento reflete a antiga tentação do poder absoluto: não apenas exercer autoridade, mas ser adorado. O poder absoluto, dizia Lord Acton, tende a corromper absolutamente. E quando um juiz, ou qualquer autoridade, se deslumbra com o próprio reflexo, a justiça perde sua função pública e se torna instrumento privado de vingança, vaidade ou ideologia. O Estado de Direito dá lugar ao Estado de Exceção, e todo o dissenso é tratado como ameaça existencial.

O caso de Hamã não é apenas um exemplo de tirania, mas também um alerta sobre um fenômeno mais sutil e profundo: a banalidade do mal. Como definiu Hannah Arendt ao analisar o julgamento de Adolf Eichmann, o mal pode se manifestar de forma rotineira, sem paixão ou fúria, mas com uma assustadora normalidade burocrática. Hamã não age como um monstro mitológico, mas como um alto funcionário eficiente. Ele escreve cartas, carimba decretos, convoca escribas. Seus atos são executados por outros, em nome da ordem, da tradição e da estabilidade. O horror se esconde por trás da formalidade, da etiqueta, da linguagem jurídica. Não é o grito que assusta, é o silêncio protocolar.

Nesse processo, o primeiro passo do mal institucionalizado é a desumanização. Os judeus deixam de ser pessoas e se tornam “um povo disperso e rebelde”. A linguagem é cuidadosamente escolhida para apagar rostos, histórias e afetos. Eles passam a ser tratados como problema administrativo, obstáculo ao progresso, ameaça à ordem. Quando o ser humano é reduzido a um rótulo, a uma estatística ou categoria impessoal, o passo seguinte, sua eliminação, se torna apenas mais uma assinatura entre outras.

No centro dessa tempestade, Ester aparece como figura-chave. Diferente de Hamã, ela não se sente dona do destino de ninguém, mas sim responsável pelo seu próprio povo. Ela é o modelo da consciência desperta: alguém que compreende o poder que tem, mas escolhe usá-lo com temor, inteligência e compaixão. Ester jejua, ora, pensa, espera o momento certo, age com sabedoria. Ela não é apenas uma rainha, é uma intercessora, um canal entre o palácio e o povo, entre a injustiça iminente e a esperança silenciosa. Ester entende que omissão diante do mal é cumplicidade. Sua coragem reside não na força, mas no risco: arriscar o próprio privilégio para defender os vulneráveis.

Quando ela finalmente expõe Hamã, a narrativa revela uma virada profunda. Hamã, que havia construído uma forca para seu inimigo, é enforcado nela. É o símbolo da justiça divina, que não opera segundo as estratégias humanas, mas por princípios imutáveis. O juiz que havia se colocado acima da lei termina esmagado por ela. A justiça, nesse momento, se revela como um fio invisível que, embora pareça ausente, sempre aguarda o tempo certo para se manifestar.

Mas a história não é apenas sobre Hamã. Ela é um espelho. Em todas as gerações surgem novos “juízes”, não apenas nos tribunais, mas em qualquer espaço onde alguém se arrogue o direito de ditar a verdade sem prestar contas. São autoridades que perdem o senso de serviço público e passam a agir como se o poder fosse fim em si mesmo. A Constituição vira biombo. A toga, armadura. A caneta, arma. E o tribunal, extensão do ego. Esses juízes não escutam mais o povo, apenas ecoam suas próprias certezas. Já não protegem a verdade, a dobram até que ela se encaixe em seus desígnios.

Eles criam suas “forcas jurídicas” com sentenças seletivas, abusos interpretativos e perseguições disfarçadas de legalidade. Perigam não pelo grito, mas pela sutileza. Sabem citar artigos, adornam suas falas com erudição, usam o verniz da legalidade para encobrir decisões profundamente injustas. Mas por trás da retórica está a velha sede de domínio. Um império pode ser destruído com mais facilidade por um juiz corrupto do que por um exército inimigo.

Purim, a festa que celebra a salvação do povo judeu, é mais do que um alívio histórico, é um grito contra o esquecimento. Ela lembra que o mal não vencerá, mesmo que os decretos sejam selados, mesmo que os tribunais estejam capturados. Purim celebra o fato de que existe um Juiz acima de todos, que vê além dos processos manipulados, das sentenças injustas, dos pactos silenciosos. Um Rei que não se vende, que não se engana, que julga com verdade.

Hamã acreditava que era intocável, que podia dobrar a história à sua vontade. Mas a justiça não se dobra para sempre. Ela apenas se inclina para ganhar impulso. E quando volta, atinge com precisão aqueles que ousaram brincar com seu nome. A pergunta final, portanto, não é apenas sobre Hamã, mas sobre nós. Em um mundo cheio de tronos vazios e juízes cegos, como nos posicionamos? Vamos nos calar como Vasti, nos esconder como Ester, ou nos levantar como Mardoqueu?

Adivalter Sfalsin

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Primeira Fake News

Você já se perguntou qual foi a primeira fake news da história? Muito antes das redes sociais, dos algoritmos e dos deepfakes, uma mentira cuidadosamente arquitetada mudou o rumo da história — e não só da história bíblica, mas de toda a existência humana. Não, não estamos falando de uma fofoca qualquer. Estamos falando daquilo que aconteceu no Jardim do Éden, um episódio que continua ecoando até os dias de hoje. A história é conhecida, mas talvez nunca tenhamos parado para olhá-la sob essa lente: a serpente, Eva, o fruto proibido e… a mentira. Sim, aquela mentira sutil, disfarçada de verdade, foi o estopim de uma mudança de paradigma. E se olharmos bem, perceberemos que as fake news de hoje nada mais são do que ecos desse primeiro engano. Vamos mergulhar nessa história?

O Berço da Mentira – Gênesis 3 nos apresenta um diálogo aparentemente inocente, mas profundamente estratégico. A serpente, descrita como “mais astuta que todos os animais do campo”, se aproxima de Eva com uma pergunta aparentemente inofensiva: “É assim que D-us disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” (Gênesis 3:1). Essa pergunta já carrega veneno. A intenção não era informar, mas plantar dúvida. E Eva, ao tentar responder com fidelidade, mostra que sabia o que D-us havia dito: “Do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse D-us: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.” (v.3). A ordem era clara. A consequência, também. Mas então vem o golpe fatal da serpente: “Certamente não morrereis.” (v.4). Pronto. A primeira fake news está lançada. Uma afirmação falsa, que contradiz diretamente a verdade dita por D-us. Mas a serpente não para por aí. Ela vai além, oferecendo uma “explicação alternativa”: “Porque D-us sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como D-us, sabendo o bem e o mal.” (v.5). Perceba a genialidade — e a malícia — dessa mentira. A serpente não apenas nega a consequência, ela cria uma narrativa sedutora: D-us estaria escondendo algo bom. Eva não estaria desobedecendo, mas buscando libertação, autonomia, conhecimento.

A Desconstrução da Verdade – Até aquele momento, D-us era a fonte absoluta da verdade, o único que definia o que era bem e o que era mal. Eva, ao dar ouvidos à serpente, faz mais do que comer um fruto proibido — ela decide que quer ser como D-us. Decide que a prerrogativa de definir o bem e o mal não deveria estar apenas nas mãos do Criador, mas também nas dela.

Essa é a raiz de toda fake news: a rejeição de uma autoridade confiável e a construção de uma “verdade” própria, a famosa “narrativa”, ou frase “vamos criar uma narrativa”, conveniente, emocionalmente atraente. Eva viu que o fruto era bom para comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento. O desejo venceu a verdade. A mentira teve sabor de empoderamento. O resultado? Uma separação imediata entre humanidade e D-us, vergonha, culpa, e o início de uma jornada marcada por dor, confusão e morte. Pode parecer distante, mas essa história é mais atual do que nunca. Estamos vivendo em uma era onde a verdade é constantemente relativizada. O que importa, muitas vezes, não é o que é verdadeiro, mas o que “parece bom”, “soa certo” ou “agrada aos meus olhos”. Assim como Eva, muitas pessoas escolhem acreditar em narrativas sedutoras, mesmo que estejam em conflito com fatos, evidências ou princípios morais. As fake news de hoje prometem libertação, empoderamento, revelações ocultas. Nos dizem que “os especialistas estão mentindo”, que “os governantes escondem a verdade”, que “cada um tem sua própria verdade”. O que parece ser apenas uma opinião alternativa, muitas vezes é uma estratégia para nos afastar da verdade — da Verdade com “V” maiúsculo. E quais são as consequências?

Quando a sociedade começa a construir seus valores sobre mentiras, o que acontece? Confusão moral. Crises institucionais. Polarização. Desconfiança generalizada. Poder sendo usurpado. A fake news não é apenas um problema informacional — ela é um problema espiritual, moral e existencial. Assim como Eva, hoje muitos querem ser “como D-us” — decidir por si mesmos o que é certo ou errado, o que é vida ou morte, o que é homem ou mulher, o que é verdade ou ilusão. E como na história do Éden, a mentira parece doce, mas cobra um preço amargo.

Nações inteiras estão se afastando de princípios sólidos e objetivos, trocando-os por relativismos perigosos. A verdade é rebaixada a opinião. A mentira, se compartilhada o suficiente, vira “consenso”. E, como no Éden, isso gera consequências irreversíveis: famílias desfeitas, corrupção generalizada, identidade fragmentada e morte.

O Que Podemos Fazer? – Talvez a grande pergunta não seja apenas “qual foi a primeira fake news?”, mas como podemos reagir à mentira hoje? A resposta começa com humildade. Reconhecer que há uma verdade que não nasce de nós mesmos, mas de D-us, ele é o princípio absoluto. Que não temos todas as respostas, e que precisamos de uma fonte confiável de sabedoria. Voltar à Palavra. Resgatar a confiança no que D-us disse. Rejeitar as serpentes que ainda hoje sussurram: “Certamente não morrereis.” Também precisamos cultivar discernimento. Ensinar nossas famílias, igrejas e comunidades a questionar as narrativas dominantes. A buscar evidências, comparar com a verdade bíblica, e não ceder ao que apenas parece bom. Por fim, precisamos recuperar a coragem. Coragem para nadar contra a maré, para defender a verdade mesmo quando ela é impopular. Coragem para dizer: “Não, eu não vou comer desse fruto. Eu creio no que D-us disse.”

A Verdade Ainda Importa. A primeira fake news da humanidade nos ensina que mentiras podem parecer belas, mas seus frutos são amargos. Eva acreditou que estava ganhando liberdade, mas perdeu o paraíso. Hoje, muitas vozes nos convidam a fazer o mesmo — a trocar a verdade eterna por verdades temporárias e sedutoras. Mas a boa notícia é que D-us não nos deixou presos à mentira. Em Jesus, a Verdade se fez carne, João 14:6, Eu sou o caminho, e a VERDADE, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Ele nos chama de volta ao jardim, de volta à confiança, de volta à vida. A escolha está diante de nós: a serpente continua falando, mas a voz de D-us também.

Quem você vai ouvir?

Adivalter Sfalsin

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Consequencia Fatal

Consequência Fatal

Existe um padrão para a destruição, seja na vida de uma pessoa ou na trajetória de uma nação?

A história sugere que sim. Seja ao observar um individual se afastando da verdade ou um império inteiro desmoronando sob o próprio peso, os sinais geralmente são os mesmos: uma erosão lenta dos valores, uma troca da virtude pelo vício, da responsabilidade pelo direito, da verdade pela conveniência.

As civilizações não colapsam da noite para o dia. As pessoas também não. Mas existe um ciclo, previsível, sóbrio e assustadoramente familiar, que se repete ao longo do tempo. De opressão, para liberdade e prosperidade, e então, quase inevitavelmente, de volta à escravidão.

Essa sequência recorrente é conhecida como o “Ciclo de Tytler” ou “Consequência Fatal”, atribuído ao historiador escocês Alexander Fraser Tytler. Ele descreve a ascensão das nações começando na escravidão, passando pela fél, depois coragem, liberdade, abundância, e então declinando lentamente por meio da complacência, apatia, dependência, e finalmente retornando à escravidão.

No centro desse progresso fatal encontra-se um inimigo silencioso: a decadência moral. Embora má gestão econômica, corrupção política ou invasões estrangeiras possam parecer as causas imediatas da queda de uma nação, essas crises geralmente são sintomas de uma enfermidade mais profunda—o colapso dos valores morais e espirituais. A história fornece evidências assustadoras de que, quando uma sociedade abandona seus fundamentos éticos, o relógio começa a contar regressivamente rumo à sua destruição inevitável.

A Liberdade Precisa de uma Base Moral – A liberdade não se sustenta sozinha. Ela não se renova automaticamente a cada geração. Precisa ser protegida, cultivada e, acima de tudo, fundamentada na virtude. John Adams, um dos fundadores dos Estados Unidos, expressou essa verdade com clareza:

“Nossa Constituição foi feita apenas para um povo moral e religioso. Ela é totalmente inadequada para o governo de qualquer outro.”

Quando uma sociedade já não sabe, ou não se importa mais, com o que é certo ou errado, a liberdade se torna uma casca oca. As leis continuam existindo, os tribunais funcionam, as eleições acontecem, mas o espírito de justiça e responsabilidade desaparece. Esse tipo de desintegração moral pode acontecer silenciosamente. Uma sociedade pode manter sua imagem externa de sofisticação, democracia ou progresso tecnológico, mesmo enquanto sua bússola interna gira sem controle. As pessoas passam a celebrar o egoísmo como sucesso, tratam a verdade como algo flexível e redefinem o vício como liberdade. Com o tempo, o “cimento moral” que une a comunidade enfraquece e tudo começa a ruir.

Da Prosperidade à Apatia: A Ladeira Escorregadia – É uma ironia trágica que a prosperidade, algo que tantas nações almejam, frequentemente se torne o começo de sua decadência. A história ensina que a geração que conquista a liberdade por meio do sacrifício geralmente cria filhos no conforto. E esses filhos, que nunca conheceram a escravidão ou a luta, tornam-se vulneráveis à apatia. Esquecem o preço da liberdade. Presumem que a abundância é normal. E lentamente, os valores que construíram a nação começam a desaparecer. A Roma Antiga é o exemplo clássico. Sua República inicial era marcada por serviço público, disciplina e virtude. Mas séculos de expansão trouxeram luxo, corrupção e decadência. Os romanos passaram a valorizar mais o entretenimento do que a ética, mais o conforto do que o caráter. O famoso “pão e circo” substituiu o engajamento cívico. Quando os inimigos atacaram, Roma já havia apodrecido por dentro.

As sociedades modernas não estão imunes. Na verdade, com nossa capacidade de distração infinita e de redefinir a moralidade à vontade, o perigo pode ser ainda maior. Assumimos que a liberdade é permanente, mas esquecemos que liberdade sem responsabilidade sempre termina em ruína.

Juízes Corruptos: O Alarme do Colapso – Um dos sinais mais evidentes de que uma nação entrou em sua fase terminal é a corrupção do sistema judiciário. Quando aqueles encarregados de promover a justiça começam a servir à política, aos interesses pessoais ou à ideologia em vez da verdade, uma linha profunda e perigosa foi cruzada. Abordo esse tema no meu artigo anterior “Justiça ou Poder?”, https://raizeshebraicas.com/2025/03/22/justica-ou-poder/  o sistema de justiça deve ser a coluna moral de qualquer sociedade. Quando os juízes deixam de ser imparciais, quando as leis são distorcidas para favorecer os poderosos e silenciar os justos, os tribunais se transformam em armas, e não em escudos. Isso não é apenas um problema de governança, é um sinal de podridão moral. A Bíblia está repleta de alertas sobre esse problema. No antigo Israel, o juízo de D-us frequentemente vinha quando a justiça era pervertida. O profeta Amós declarou:

“Eles vendem o justo por prata, e o necessitado por um par de sandálias… pisam a cabeça dos pobres.” (Amós 2:6–7)

E novamente em Amós 5:7:

“Vocês transformam o juízo em alosna (amargura) e lançam por terra a justiça.”

Quando os tribunais já não temem a Deus, quando juízes são influenciados por subornos, ameaças ou agendas políticas, o sistema judiciário se torna um palco para a injustiça. E quando a justiça morre, os dias da nação estão contados.

Isaías também clamou:

“Seus líderes são rebeldes, companheiros de ladrões; todos amam subornos e correm atrás de presentes. Não defendem a causa do órfão…” (Isaías 1:23)

Essas não eram apenas queixas sociais, eram alarmes espirituais. Juízes corruptos não eram falhas pontuais no sistema; eram sinais de que a destruição estava próxima. Mesmo hoje, quando o judiciário se torna politizado, quando os tribunais protegem elites e punem os que dizem a verdade, quando os veredictos servem à ideologia em vez das provas, uma sociedade não está longe da tirania. Porque quando a justiça morre, a confiança morre e sem confiança, a nação começa a se desintegrar.

A Queda Moral Torna-se a Queda Nacional. A decadência moral não é um problema exclusivo da elite, ela se infiltra na vida cotidiana. Quando a verdade se torna relativa, quando as famílias desmoronam, quando as crianças crescem sem senso de certo e errado, e quando o prazer substitui o propósito, uma nação perde sua resiliência. Pode continuar funcionando por um tempo, mas sua alma já se foi. O cinismo toma conta. As pessoas deixam de se importar. Deixam de votar. Deixam de defender o que é certo. E aos poucos, tornam-se dependentes—do governo, de mentiras, da ilusão de paz.

E então, num piscar de olhos, a nação já não é mais livre.

O Retorno à Escravidão – A escravidão nem sempre chega com tanques ou correntes. Às vezes, ela vem discretamente por meio do colapso econômico, de leis autoritárias ou da desintegração social. A forma externa da liberdade pode até permanecer, mas o povo já não vive mais como livre. Eles se tornaram escravos do conforto, do medo, dos próprios sistemas em que acreditavam estar seguros. Quando percebem o que perderam, já é tarde demais. Os tribunais não defendem mais a justiça. Os líderes já não temem a D-us. E o povo já não se lembra do que é ser livre. Essa é a consequência fatal a fase final do ciclo.

Existe Caminho de Volta? Sim, mas apenas por meio de um renovo moral. As nações não caem da noite para o dia, e também não se restauram da noite para o dia. Mas o caminho da restauração começa quando o povo redescobre a verdade. Quando as famílias voltam a ensinar valores. Quando as comunidades se recusam a normalizar a mentira. Quando os líderes tremem diante da justiça. Quando os juízes se lembram de que seu papel é sagrado. O profeta Miquéias disse com clareza:

“Ele te mostrou, ó homem, o que é bom. E o que o Senhor exige de ti? Que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu D-us.” (Miquéias 6:8)

Se quisermos evitar o retorno à escravidão, precisamos praticar a justiça—começando agora. O futuro de uma nação não depende de suas armas nem de sua riqueza, mas de sua sabedoria e de sua disposição de fazer o que é certo.

Porque uma vez que a justiça se vai, a liberdade não tarda a desaparecer.

Adivalter Sfalsin

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Justiça ou Poder

Justiça ou Poder?

Quando os Juízes Falham: Corrupção, Colapso e o Preço do Poder

O que acontece quando os juízes — aqueles que deveriam defender a verdade, proteger os fracos e fazer justiça — se tornam justamente a fonte da corrupção? Um segredinho cá entre nós: nada de bom. Se você acha que os escândalos de hoje envolvendo juízes, interferência política ou acordos feitos nos bastidores são uma novidade… pode esquecer. A história tem um jeitinho especial de se repetir — só mudam os nomes e os cortes de cabelo. Vamos dar uma olhada no passado, mais precisamente na antiga Israel, onde um sistema judiciário corrompido não só gerou revolta popular, mas desencadeou uma verdadeira reformulação no sistema de governo.

Antes dos reis, antes das coroas e dos tronos enfeitados de ouro, Israel era governada por juízes. Mas não daqueles de toga preta e martelinho, não. Eram líderes militares, guias espirituais e bússolas morais — tudo junto e misturado. O período dos Juízes (mais ou menos entre 1200 e 1020 a.C.) era como tentar organizar doze gatos numa sala: cada tribo por si, tentando sobreviver, brigando de vez em quando, se unindo só quando o bicho pegava.

De tempos em tempos, D-us levantava juízes — tipo Gideão, Débora, Sansão — para salvar o povo. Eles não eram reis, e o cargo não passava de pai pra filho. Eram chamados por D-us, não escolhidos por linhagem. Esse sistema tribal, descentralizado, era até que justo… até começar a desandar.

Samuel foi o último — e talvez o maior — dos juízes. Profeta, sacerdote e líder, ele promoveu um avivamento espiritual e conduziu Israel por tempos difíceis, especialmente com os insuportáveis filisteus. As pessoas o respeitavam porque ele vivia o que pregava. Mas o tempo passou. Os cabelos ficaram brancos. Ele envelheceu. E aí começou o problema. Em vez de deixar que D-us escolhesse o próximo juiz, como sempre foi, tentou dar um “jeitinho” e colocou seus filhos — Joel e Abias — como juízes. Parece um gesto de pai amoroso, né? Mas isso quebrou com toda a tradição… e pra piorar, os caras eram tudo menos justos.

“Eles se deixaram levar pela ganância, aceitavam suborno e pervertiam a justiça.”

— 1 Samuel 8:3

Não era só incompetência, era má-fé mesmo. E o povo percebeu. Não ficaram só reclamando pelos cantos — exigiram mudança. Cansados de juízes corruptos, os israelitas pediram um rei. Mas não qualquer rei — queriam um “como as outras nações” (1 Sm 8:5). Em outras palavras: “Queremos alguém poderoso, imponente e com um exército de respeito.” Samuel ficou de coração partido. Ele entendeu que não era só uma troca política; era o povo rejeitando o próprio governo de D-us. Mas D-us disse pra ele aceitar o pedido — mas não sem antes alertar:

“Vocês querem um rei? Beleza. Mas ele vai levar seus filhos pra guerra, suas filhas pra trabalhar, vai taxar suas terras… e vocês vão se arrepender.” — (paráfrase de 1 Samuel 8:10–18)

Mesmo assim, o povo insistiu. Então Samuel ungiu Saul. E pronto: o sistema tribal liderado por juízes foi trocado por uma monarquia — centralizada, reluzente e, claro, humana demais. Outro segredinho cá entre nós: Isso não resolveu a corrupção. Só a elevou de nível a uma esfera maior.

Vamos ampliar o olhar. – O que rolou em Israel não foi caso isolado. A história tá cheia de exemplos de quando quem detém o poder — especialmente juízes — se corrompe, tudo começa a desmoronar:

• Em Atenas (404 a.C.), os Trinta Tiranos abusaram do poder e foram derrubados por uma rebelião em menos de um ano.

• Na Roma antiga, o governador Caio Verres ( c. 120 a.C.–43 a.C.) saqueou a Sicília tão descaradamente que fez Marco Túlio Cícero largar a poesia pra processá-lo. (Tá, talvez ele nunca tenha sido poeta mesmo.)

• Na China antiga, a dinastia Qin ruiu por causa de ministros corruptos como Zhao Gao, que usava a lei como arma de opressão.

• Até no Egito, no fim do Reino do Meio, a corrupção dos oficiais levou o país a ser dominado por estrangeiros.

O padrão é claro: corrupção judicial leva ao colapso do sistema e tomada de poder por outro povo. Sempre! 

Vamos ser sinceros: os filhos de Samuel não mereciam o cargo — herdaram. Talvez não tenhamos juízes por herança (ainda bem), mas vemos indicações feitas com base em interesses, alianças ou ideologias, não em mérito ou integridade. Quando juízes ou autoridades ganham poder sem prestar contas — e ainda misturam política com justiça — a balança pesa sempre pro lado de quem já tem poder. E quando isso acontece, o castelo de cartas cai. Como diz o ditado: “Poder absoluto corrompe absolutamente.” Os filhos de Samuel achavam que podiam fazer vista grossa pra justiça em troca de propina. O povo se revoltou — de forma pacífica, tudo bem — mas a solução (uma monarquia) não foi exatamente um avanço. Na prática, só trocou um problema por outro: mais controle, mais impostos, mais opressão — exatamente como D-us tinha avisado.

Então, o que podemos tirar disso tudo?

1. Liderança sem prestação de contas destrói tudo. Juízes em Berseba ou políticos em Brasília, o efeito é o mesmo.

2. Nenhum sistema é melhor do que o caráter de quem o opera. Pode ter a melhor constituição do mundo — se quem aplica for corrupto, não adianta nada.

3. Pessoas trocam liberdade por segurança quando estão com medo. Os israelitas abriram mão da autonomia tribal por um rei. A gente faz igual quando o medo nos empurra a aceitar “salvadores da pátria”.

4. O modelo de D-us sempre prioriza justiça, humildade e liderança servidora. Samuel foi um bom juiz porque temia a D-us, não porque tinha poder. Seus filhos não tinham esse temor — e isso fez toda a diferença.

Eclesiastes já dizia: “Não há nada de novo debaixo do sol.” E é verdade. Os rostos mudam, os prédios ficam altos, a tecnologia avança… mas o coração humano? Continua sujeito à corrupção, sedento por poder. 

 “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo as entranhas; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações.” Jeremias 17:9-10

Então, da próxima vez que você ouvir falar de um escândalo envolvendo juiz, autoridade ou líder, não fique só balançando a cabeça. Pergunte: qual sistema permitiu isso? Quem os fiscaliza? E o que a gente está disposto a tolerar em troca de uma falsa sensação de segurança?

Porque aqui está cerne da questão: juízes corruptos não são só sinal de um sistema podre. São reflexo de um povo que parou de cobrar integridade, talvez porque também não seja integro. E quando isso acontece, a história mostra o que vem depois:

Tudo desmorona… e surge um novo sistema que até pode parecer melhor — mas raramente é.

A gente não está só assistindo tudo isso. Seja votando, educando filhos, sendo líder ou apenas decidindo o que vamos tolerar — cada um de nós molda o sistema.

Você está promovendo verdade, justiça, humildade e temor a D-us? Ou está só esperando que outra pessoal faça o teu papel? A história de Samuel não é só história antiga. É um espelho.

E aí? O que você vai fazer quando for sua vez de defender a justiça?

Adivalter Sfalsin

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O que é Louvor?

Redefinindo a Adoração: É Mais do Que Apenas Cantar 

Quando você ouve a palavra adoração, o que vem à sua mente? Para a maioria das pessoas, é aquele momento na igreja quando a banda toca, as mãos se levantam e as vozes enchem o ambiente. A adoração, em muitos círculos cristãos modernos, tornou-se sinônimo de cantar. E embora a música seja uma forma linda e bíblica de adorar, na verdade é apenas uma faceta de algo muito maior. Mas e se adoração fosse mais do que apenas um momento no culto? E se fosse algo que influencia toda a nossa vida? Então, deixe-me desafiá-lo hoje: E se a adoração for mais do que uma canção? E se a verdadeira adoração não for apenas sobre música?

 Vamos fazer uma jornada pela Escritura para redescobrir o que a adoração realmente significa e como podemos aplicá-la no nosso dia a dia.

Adoração é Prostração (Shachah) Uma das palavras hebraicas mais comuns para adoração é shachah (שָׁחָה), que significa curvar-se, prostrar-se. Isso não é apenas um leve gesto de respeito — é um ato completo, com o rosto no chão, uma entrega total ao Senhor. Pegue Abraão, por exemplo. Em Gênesis 22:5, ele diz aos seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o menino vamos ali. Iremos adorar (shachah) e depois voltaremos.” Agora, Abraão estava indo para um show? Não. Ele estava indo entregar seu filho em obediência a D-us. Adoração aqui não era uma canção — era uma postura de humildade e submissão. Era confiança e era custoso. Provavelmente na tensão do momento ele não cantou nada. Quantas vezes limitamos nossa adoração a apenas levantar as mãos e cantar algumas músicas? E se D-us estivesse nos chamando a algo mais profundo? Então, adoração não é apenas expressão externa; às vezes, é cair de rosto no chão diante de D-us e dizer: “Não a minha vontade, mas a Tua seja feita.”

Adoração é Serviço (Avad) A palavra hebraica avad (עָבַד) é frequentemente traduzida como adoração, mas também significa servir ou trabalhar. Em Êxodo 3:12, D-us diz a Moisés: “Quando você tiver tirado o povo do Egito, vocês adorarão (avad) a D-us neste monte.” Ele queria dizer que Moisés lideraria Israel em uma sessão de louvor? Não. D-us estava chamando-os para servi-Lo — para dedicar suas vidas à obediência, para trabalhar como Seu povo, para serem separados. Adoração não é apenas cantar por 20 minutos no domingo. É como vivemos os outros dias da semana. Está na nossa ética de trabalho, no nosso serviço aos outros e na nossa fidelidade a D-us nas pequenas coisas. E você? Como você tem servido a D-us? Então, da próxima vez que alguém lhe perguntar, “Você adorou hoje?” não pense apenas em cantar. Pergunte-se, “Eu servi a D-us hoje? Eu O obedeci? Fiz o meu trabalho com excelência para a glória dEle?”

Adoração é Temor e Reverência (Yare’) Agora, essa pode te surpreender. Yare’ (יָרֵא) significa temor, reverência e admiração. Em Deuteronômio 6:13, diz: “Temam (yare’) o Senhor, o seu D-us, e só a Ele sirvam.” Espera… temor? Sim. Mas não o tipo de medo que faz você se esconder debaixo da cama. Isso é reverência santa — aquela admiração profunda ao estar diante de algo magnífico, poderoso, esmagador, que nos tira o fôlego. Pense na reação de Isaías ao ver o trono de D-us (Isaías 6:5): “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros…” Isso é adoração. Quantas vezes nos aproximamos de D-us com um coração indiferente, sem perceber a magnitude da Sua presença? A verdadeira adoração vem quando vemos D-us como Ele realmente é — e quando essa realidade nos transforma da melhor maneira possível.

Adoração é Louvor Alegre (Halal) Claro, não podemos esquecer o lado alegre da adoração! A palavra halal (הָלַל) significa exaltar, celebrar, brilhar. Essa é a raiz de “Aleluia” (Louvai ao Senhor! Halal-Ya!). Salmo 150:1 diz: “Louvem (halal) ao Senhor em seu santuário.” Essa é a adoração barulhenta, extravagante e sem vergonha!

Se adoração também envolve louvor, então o que significa louvar? A palavra louvor vem do latim laudare, que significa exaltar, elogiar, engrandecer. No hebraico, uma das palavras principais para louvor é halal, que tem a ideia de uma celebração intensa, quase extravagante da grandeza de D-us. Já percebeu como muitos Salmos são cheios de convites para louvar ao Senhor de forma vibrante e intensa? Esse é o coração de halal. O louvor nos lembra de quem D-us é e nos convida a exaltá-Lo com todas as nossas forças! Adoração é Entrega e Relacionamento A palavra adoração vem do latim adorare, que significa “render culto, venerar”. Sua raiz tem relação com orare (falar, orar), indicando que a verdadeira adoração envolve um relacionamento profundo com D-us. No hebraico, shachah transmite essa ideia de entrega e reverência, enquanto avad nos lembra que serviço e adoração são inseparáveis. Quando adoramos a D-us, estamos reconhecendo Seu valor supremo e nos entregando totalmente a Ele. A Verdadeira Adoração Exige Tudo de Nós Agora que vimos que adoração vai além da música, como isso muda a sua vida? Se adoração é prostração, você tem se curvado diante de D-us? Se adoração é serviço, como você tem servido ao Reino? Se adoração é temor, você realmente reverencia D-us em sua vida? Se adoração é louvor, você O exalta com todo o seu coração? A adoração verdadeira exige tudo de nós. Não se trata apenas de cantar uma música bonita, mas de viver uma vida rendida ao Senhor. D-us não busca apenas nossa voz, Ele quer o nosso coração, nosso tempo, nosso trabalho, nossa entrega. Vamos parar de limitar a adoração apenas ao louvor e começar a viver vidas que honram verdadeiramente a D-us em todos os aspectos. Agora, vá e adore a D-us com tudo o que você tem!

Adivalter Sfalsin

Uma Vírgula, duas Teologias

Uma Vírgula, duas Teologias

O Poder de uma Vírgula: Como um Pequeno Sinal Mudou a Teologia

Se você já brigou com um professor de gramática sobre a necessidade de uma vírgula, prepare-se para algo ainda mais sério: uma pequena vírgula em Lucas 23:43 deu origem a duas teologias totalmente diferentes! Isso mesmo. Um simples detalhe de pontuação dividiu estudiosos, igrejas e até mesmo algumas amizades ao longo da história.

Vamos explorar esse mistério linguístico e ver como algo tão pequeno pode gerar implicações gigantescas.

O Texto em Grego era sem Vírgulas, sem Espaços, sem Problemas? Antes de apontarmos dedos para os tradutores modernos, precisamos entender como eram os manuscritos originais. O livro de Lucas possivelmente escrito originalmente em hebraico, mas esse é uma assunto para outro artigo,  e depois traduzido para o grego em grego koiné, esses primeiros manuscritos (chamados unciais) tinham algumas particularidades curiosas:

  • Tudo em letras maiúsculas (como se os escritores estivessem SEMPRE GRITANDO!);
  • Sem espaços entre as palavras (o que faz a leitura parecer um jogo de quebra-cabeça);
  • Sem pontuação (então, nada de vírgulas para organizar as ideias).

Os manuscritos mais antigos, como o Códice Sinaítico e o Códice Vaticano, seguem esse padrão. A ideia era que o leitor, com base no contexto, soubesse onde terminava uma frase e começava outra. Agora imagine a responsabilidade do tradutor: uma simples escolha de vírgula pode mudar tudo.  Alem disso, os manuscritos originais não tinham divisão de capítulos e versículos! Eles foram adicionados muito tempo depois:

Capítulos: Criados pelo bispo Stephen Langton em 1227 d.C.  e os Versículos: Introduzidos por Robert Estienneem 1551 d.C. Isso demonstra que, por muitos séculos, os leitores da Bíblia liam os textos como um fluxo contínuo, sem as divisões que usamos hoje.

Lucas 23:43: A Polêmica da Vírgula

Jesus está na cruz, cercado por dois ladrões. Um deles, arrependido, pede: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino.” E Jesus responde:

“Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso.”

Mas peraí… essa vírgula estava mesmo aí no original? Não. Como não havia pontuação, os tradutores tiveram que decidir onde colocar a vírgula.

Primeira opção: Vírgula antes de “hoje”

“Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso.” Significado: O ladrão estaria com Jesus no paraíso naquele mesmo dia. Isso sugere que, ao morrer, a alma do ladrão foi imediatamente para a presença de D-us. Defendida por: Igrejas católicas, ortodoxas e grande parte das igrejas protestantes tradicionais.

Segunda Opção: Vírgula depois de “hoje”

“Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso.” Significado: Jesus estava dizendo a promessa naquele dia, mas o cumprimento aconteceria no futuro (por exemplo, na ressurreição). Defendida por: Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia e outros grupos que acreditam que os mortos “dormem” até a ressurreição.

Existem argumentos Bíblicos de Ambos os Lados

A favor da vírgula antes de “hoje” (entrada imediata no paraíso)

  1. Padrão da expressão de Jesus
    • Sempre que Jesus diz “Em verdade te digo”, Ele nunca adiciona “hoje” depois.
  2. Significado de “paraíso”
  1. 2 Coríntios 12:4 fala do “paraíso” como um lugar celeste.
  2. Apocalipse 2:7 fala do “paraíso de D-us”, sugerindo um destino imediato para os justos.
  3. Conforto imediato ao ladrão
  4. Jesus está consolando o ladrão na cruz. A promessa de algo imediato faz mais sentido no contexto.

A favor da vírgula depois de “hoje” (promessa futura)

  1. Os mortos “dormem” até a ressurreição
    • Eclesiastes 9:5: “Os mortos nada sabem.”
    • 1 Tessalonicenses 4:16-17: “Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.”
  2. Jesus não subiu ao céu no mesmo dia
  1. Em João 20:17, após a ressurreição, Jesus diz a Maria Madalena: “Ainda não subi para meu Pai.”
  2. Se Jesus não foi ao céu no dia da crucificação, como o ladrão poderia ter ido?
  3. O grego não tinha pontuação
  4. Como não havia vírgulas no texto original, a escolha da posição da vírgula é subjetiva.

Se você não pensava que uma vírgula poderia causar tanto debate, bem-vindo ao mundo da teologia! Esse caso mostra que a interpretação da Bíblia não é apenas uma questão de ler o texto, mas de entender o contexto e as escolhas dos tradutores. Essa discussão também nos ensina a sermos humildes no estudo das Escrituras. Não importa qual posição você defenda, o mais importante é estar disposto a aprender e a examinar a Palavra com coração aberto.

E então, você é do grupo “Vírgula Antes” ou “VírgulaDepois”? Independente da escolha, o que realmente importa é que a mensagem central continua a mesma: Jesus oferece redenção e a esperança da vida eterna para todos que O buscam com fé, seja hoje o no mundo por vir.

Agora, só tome cuidado ao escrever sua próxima mensagem. Afinal, uma vírgula pode mudar tudo! 😄

Adivalter Sfalsin

Tudo por uma pérola?

Tudo por uma pérola?

O Tesouro Escondido e a Pérola preciosa

Não há nada como a emoção de descobrir algo valioso—como encontrar uma nota de R$50 em um bolso de uma calça ou encontrar o último pedaço da sua pizza favorita quando achava que tinha acabado. Mas e se o tesouro que você encontrasse valesse tudo o que você possui? Esse é exatamente o ponto que Jesus destaca nas Parábolas do Tesouro Escondido e da Pérola preciosa (Mateus 13:44-46). Essas parábolas podem ser curtas, mas têm um impacto espiritual poderoso, desafiando-nos a repensar nossas prioridades e compromisso com o Reino dos Céus.

O Tesouro Escondido (Mateus 13:44) – Imagine que você está caminhando por um campo, distraído, quando—Bingo!—tropeça em um baú cheio de ouro. Em Israel no primeiro século, era comum enterrar objetos valiosos, já que não havia bancos disponíveis em cada esquina, muitas pessoas enterravam dinheiro, joias e bens preciosos para evitar que fossem roubados ou tomados por invasores. Fontes históricas, como Flávio Josefo e os Manuscritos do Mar Morto, confirmam que essa era uma medida de segurança amplamente adotada. Então, esse homem, percebendo o valor do que encontrou, enterra o tesouro novamente, vai e vende tudo o que tem e compra o campo legalmente. Perceba um detalhe: ele faz isso com alegria! Ele não lamenta o que perdeu—ele está radiante porque sabe que encontrou o melhor negócio da sua vida. 

A Pérola preciosa (Mateus 13:45-46) – Agora, conheça nosso segundo personagem—um comerciante que ganha a vida procurando pérolas preciosas. Diferentemente do primeiro homem, que encontra o tesouro por acaso, este está ativamente buscando algo valioso. Então, um dia, ele encontra a pérola—tão magnífica, tão rara, tão valiosa que ele vende tudo o que tem para comprá-la. Diferente da primeira parábola, a alegria não é mencionada explicitamente, mas sejamos honestos—ele deve estar extasiado com sua nova aquisição, tanto que vende tudo para adquiri-la. As pérolas eram símbolos de riqueza e status, sendo extremamente raras e caras. Comerciantes passavam anos viajando para encontrar as melhores pérolas. Assim, quando Jesus falou sobre um mercador que vende tudo para obter uma única pérola preciosa, seus ouvintes sabiam que era um sacrifício radical. 

Essas parábolas, portanto, não são histórias exageradas—elas refletem escolhas reais e decisivas que as pessoas daquela época poderiam enfrentar. A primeira lição essencial dessas parábolas é que o Reino dos Céus tem um valor absoluto e incomparável

  1. O Dilema entre Valor e Custo – Os estudiosos adoram debater: essas parábolas falam sobre o supremo valor do Reino ou sobre o custo do discipulado? Resposta: ambos! O Reino dos Céus é tão valioso que qualquer sacrifício exigido não apenas se justifica mas é um grande negócio. Yeshua nunca esconde o preço, mas Ele deixa claro: o que você ganha supera infinitamente o que você “perde” (Mateus 6:19-21).  “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destruem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus (…). Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.”

2. Compromisso e Sacrifício Radicais – As parábolas também deixam evidente que o Reino tem um custo. Em ambas as parábolas, os homens vendem tudo—sem meias-medidas, sem “vou guardar um pouco para garantir”. Yeshua reforça isso em Mateus 6:33: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” e Lucas 12:31: “Buscai antes o Reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Até mesmo Seus discípulos entenderam essa mensagem—Pedro diz em Mateus 19:27: “Olha, nós deixamos tudo para Te seguir!”. E Jesus não diz que ele está exagerando; em vez disso, assegura-lhe que tais sacrifícios trazem recompensas eternas (Mateus 19:28-30).

3. Trocando o Temporário pelo Eterno – Para um judeu do primeiro século, a ideia de sacrificar tudo pela sabedoria divina não era novidade. A literatura rabínica está cheia de histórias sobre sábios que renunciaram ao conforto material para estudar a Torá. Um relato famoso envolve o Rabino Johanan, se disse ter trocado o que foi criado em seis dias (o mundo) pelo que foi dado em quarenta dias (a Torá). Parece familiar? O princípio é o mesmo: trocar coisas menores pelo tesouro supremo.

4. O Reino dos Céus: Não Para Espectadores Casuais – Essas parábolas nos confrontam com uma verdade desconfortável: o chamado de Jesus para o Reino não é um convite casual—é um compromisso total. Não existe “vou seguir Yeshua enquanto for conveniente”. Ele é claro sobre o custo (Lucas 14:26-33), mas também sobre a recompensa (Mateus 6:19-21). Se hesitamos em abrir mão de nossos confortos, posses ou até mesmo de nossos próprios planos, precisamos nos perguntar: realmente entendemos o valor do que nos é oferecido?

Pensamento Grego vs. Pensamento Hebraico 

A ideia de sacrificar tudo por sabedoria não era estranha para os judeus do primeiro século, mas era muito diferente da visão da filosofia grega que influenciava e permeava a cultura hebraica de todos os lados. Enquanto os seguidores de Jesus estavam dispostos a renunciar tudo por um chamado divino, os filósofos peripatéticos (seguidores de Aristóteles) buscavam o conhecimento como uma jornada intelectual e racional, sem uma exigência de entrega total.

Os gregos buscavam a sabedoria pelo conhecimento racional, muitas vezes rejeitando a riqueza para focar na virtude e na razão. Jesus, porém, apresentou um chamado muito mais radical—não apenas intelectual, mas um chamado de entrega total a Deus. A filosofia grega valorizava o equilíbrio, mas Jesus exige compromisso total e inegociável.

É fácil concordar e dizer: “Sim, faz sentido!”, mas viver isso é outra história. O que te impede de se entregar completamente? Conforto? Segurança? Medo de perder algo? Talvez você esteja se agarrando a uma carreira, um sonho, um relacionamento ou simplesmente à ilusão de controle. Essas parábolas nos desafiam a refletir: estamos tratando o Reino como o maior tesouro de todos ou apenas como mais um item na lista de afazeres? As parábolas do Tesouro Escondido e da Pérola preciosa não são apenas histórias bonitas—elas exigem uma resposta. Seja encontrando o Reino por acaso ou buscando-o intencionalmente, o chamado é o mesmo: reconhecer seu valor e mergulhar de cabeça. O convite de Yeshua não é uma perda, mas uma troca—nossos tesouros passageiros pelo dEle, o eterno. E quando realmente entendemos isso, descobrimos que, como o homem do campo, podemos abrir mão de tudo com alegria.

Então, qual é o seu tesouro e você está disposto a trocá-lo por algo sublime e infinitamente maior?

Adivalter Sfalsin

Semente de mostarda

Pequenos Começos, Grandes Impactos

Você já se sentiu pequeno? Insignificante? Como se sua fé fosse apenas um grão minúsculo diante de uma montanha de desafios? Pois saiba que você não está sozinho. Até os discípulos tiveram aqueles momentos de “Senhor, estamos perdidos!” Antes de Jesus contar a Parábola da Semente de Mostarda, Ele compartilhou outras parábolas sobre o Reino—sementes caindo em diferentes solos, o joio crescendo com o trigo e uma lâmpada que deve brilhar no alto. Cada uma dessas histórias nos mostra como D-us tem uma forma única de estabelecer Seu Reino. 

E então, Jesus nos apresenta essa pequena, porém poderosa, parábola sobre a semente de mostarda—uma história tão curta e simples que é fácil ignorá-la. Mas não se engane. O impacto dessa parábola é como uma bomba. Prepare-se, pois vamos descobrir o que essa parábola significava naquela época e por que ainda é tão relevante hoje.

Vamos ao contexto. Jesus está na Galiléia, falando para uma multidão (como de costume), e decide descrever o Reino de D-us usando uma semente de mostarda:

“O Reino dos Céus é como um grão de mostarda, que um homem pegou e plantou em seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, torna-se a maior das hortaliças e se transforma em uma árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer ninhos em seus ramos.”
(Mateus 13:31–32, cf. Marcos 4:30–32, Lucas 13:18–19)

Agora, se estivéssemos na plateia de Jesus, essa comparação nos surpreenderia—talvez até nos fizesse rir. Por quê? Porque as sementes de mostarda são minúsculas (cerca de 1-2 milímetros) e as plantas de mostarda… bem, parecem ervas daninhas. Elas não eram os majestosos cedros do Líbano ou as oliveiras imponentes que geralmente simbolizavam poder e grandeza. Não, Jesus escolheu a resistente e persistente mostarda, uma planta que se espalha rapidamente, invade os campos e é difícil de conter.

Se Jesus tivesse um consultor de marketing, ele provavelmente sugeriria algo como: “Senhor, que tal comparar o Reino a um carvalho imponente?” Mas Jesus escolheu a semente de mostarda de propósito—para desafiar as expectativas das pessoas.

Então, qual era a mensagem real de Jesus? Aqui estão três pontos-chave:

  1. O Reino começa pequeno – Ninguém esperava que o movimento do Messias começasse com um grupo de pescadores, cobradores de impostos e pecadores. Mas D-us ama pequenos começos. Ele não precisa de grandes exércitos, status social ou influência política para estabelecer Seu Reino. Ele começa com pessoas comuns, como você e eu.
  2. O crescimento é inevitável – A planta de mostarda pode começar pequena, mas uma vez que cria raízes, boa sorte em tentar pará-la! O Reino de D-us é assim. Uma vez plantado em nossos corações, em nossas famílias e em nossas comunidades, ele cresce—às vezes de forma discreta, às vezes de maneira disruptiva, mas sempre com poder. O Reino de D-us é imparável.
  3. Ele oferece refúgio – Jesus diz que a planta cresce tanto que as aves fazem ninhos em seus ramos. Isso não é apenas uma imagem poética—é uma referência profética a Ezequiel 17:22-24 e Daniel 4:10-12, onde árvores simbolizam grandes reinos que oferecem abrigo às nações. O Reino de D-us não é exclusivo—ele é um lugar de acolhimento para todos que buscam a D-us.

Agora que entendemos a metáfora, como podemos aplicá-la à nossa vida cotidiana?

  • Você se sente pequeno? Talvez suas orações pareçam fracas. Talvez seus esforços para compartilhar sua fé pareçam insignificantes. Fique firme! A semente de mostarda nos lembra que o tamanho não define o impacto—D-us sim.
  • Você está impaciente com o tempo de D-us? O crescimento leva tempo. Ninguém planta uma semente e acorda no dia seguinte com uma árvore gigante. Em um mundo de gratificação instantânea, precisamos lembrar que D-us opera no tempo d’Ele.
  • Você está abrindo espaço para os outros? Assim como a árvore oferece abrigo aos pássaros, o Reino de D-us deve ser um lugar de acolhimento, graça e inclusão. Estamos criando um ambiente onde outros podem crescer na fé? Note que devemos a incluir todos que buscam o Senhor com sinceridade,  mas não aceitar todos os comportamentos que vão diretamente contra os mandamentos divinos. 

Aqui está a grande questão: Confiamos no processo de D-us? Os discípulos provavelmente olharam ao redor e pensaram: “É só isso?” Mas hoje, bilhões seguem Yeshua. Talvez sua própria fé pareça fraca. Talvez você se sinta uma semente minúscula em um mundo gigantesco de problemas. Mas e se os maiores milagres de D-us começassem quando abraçamos nossa pequenez e confiamos em Sua grandeza? Você já entregou sua ideia de sucesso ao plano de D-us? Ou ainda está frustrado porque as coisas não estão crescendo rápido o suficiente?

Fé, como uma semente de mostarda, significa acreditar que D-us está agindo, mesmo quando ainda não podemos ver os resultados. 1 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem. Hebreus 11:1

Sejamos sinceros: nem sempre a vida parece impressionante. Às vezes, a fé parece fraca, as orações parecem sem efeito e o progresso parece lento. Mas adivinhe? É assim que o Reino de D-us funciona!

  • Não se trata de começos grandiosos—mas de transformações duradouras.
  • Não se trata de resultados rápidos—mas de crescimento contínuo e inabalável.
  • Não se trata da nossa força—mas do poder de D-us operando através de nossa fidelidade.

Então, se hoje você se sente pequeno, invisível ou incerto—ótimo! Você está exatamente onde D-us gosta de começar Suas maiores obras. Plante a semente. Confie no processo. E veja D-us fazer o impossível.

Você não precisa forçar o Reino de D-us a crescer—ele crescerá. Sua missão? Permanecer firme. Continuar acreditando. Continuar semeando. Porque um dia, você olhará para trás e verá que a pequena semente de fé que plantou se tornou algo muito maior do que você imaginava.

E talvez, só talvez, você perceba que se tornou um abrigo para outros também.

Adivalter Sfalsin

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O Poder da Estrutura no Salmo 23

O Salmo 23 é um dos textos mais conhecidos e amados da Bíblia, frequentemente recitado para trazer conforto, orientação e a certeza da presença de Deus. Nas últimas semanas, analisamos esse Salmo verso por verso, concluindo com o versículo 6, que destaca a segurança na misericórdia do Senhor ao longo da vida. No entanto, sua profundidade vai além da beleza poética e teológica—sua estrutura literária revela um significado ainda mais profundo. Hoje, exploraremos como a estrutura quiástica do Salmo 23 amplia nossa compreensão da sua mensagem de confiança e provisão divina.

Diferentemente do português, onde a poesia muitas vezes busca harmonizar palavras, a poesia hebraica organiza ideias em padrões simétricos. Essa abordagem cria um centro de destaque dentro do texto, conduzindo o leitor à mensagem essencial. Infelizmente, a tradução para outros idiomas pode obscurecer essa estrutura, mas em sua forma original, o Salmo 23 segue um arranjo quiástico que revela sua intenção central.

O quiasmo é um recurso literário no qual os elementos de um texto são organizados de forma espelhada: o primeiro elemento corresponde ao último, o segundo ao penúltimo, e assim sucessivamente. Esse padrão continua até chegar ao centro, onde está a ideia mais importante. Compreender essa estrutura restaura a profundidade do texto bíblico, permitindo-nos apreciar não apenas sua beleza, mas também sua riqueza teológica e filosófica. A estrutura quiástica (também chamada de quiasmo) era amplamente utilizada na literatura hebraica antiga, incluindo os Salmos, Provérbios e livros proféticos. O termo “quiasmo” vem da letra grega χ (chi), que lembra um “X”, simbolizando a disposição espelhada das ideias. Essa técnica reforça temas centrais, cria equilíbrio e facilita a memorização, tornando-se uma ferramenta essencial na tradição oral e escrita da Bíblia.

Esse padrão era amplamente utilizado na poesia e narrativa hebraica para: 1- Facilitar a memorização nas tradições orais. 2- Destacar temas centrais, posicionando-os no meio da passagem. 3 – Criar simetria e equilíbrio dentro do texto. 4- Evidenciar contrastes e paralelos entre diferentes ideias. Muitos trechos bíblicos, incluindo Gênesis, Isaías e os Evangelhos, utilizam o quiasmo para enfatizar mensagens centrais. No Salmo 23, essa estrutura é particularmente significativa, pois reforça a progressão de provisão → perigo → segurança divina.

Por que é Importante Reconhecer Estruturas Quiásticas?

Identificar estruturas quiásticas nos textos bíblicos enriquece a leitura e compreensão das Escrituras de diversas maneiras:

1️⃣ Destacar a Mensagem Central – No Salmo 23, o ponto central (“Porque Tu estás comigo”) evidencia que a presença de Deus é a maior fonte de segurança e conforto, sendo o eixo que sustenta toda a composição do Salmo.

2️⃣ Valorizar a Beleza Literária – A disposição simétrica das ideias realça a maestria da poesia hebraica, revelando uma estrutura intencional que traz equilíbrio e profundidade ao texto.

3️⃣ Aprofundar a Compreensão Teológica – O Salmo 23 apresenta uma progressão clara (paz → perigo → segurança divina → paz eterna), refletindo a constância e fidelidade de Deus ao longo da jornada da fé.

Principais Reflexões Sobre Essa Estrutura:

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O Salmo 23 descreve uma jornada de fé, ilustrando o cuidado de Deus em cada fase da vida:

1️⃣ Deus Provê e Guia (Versículos 1-3)

• Como um pastor, Deus garante que seu povo não tenha falta de nada, conduzindo-o a provisão, paz e justiça.

2️⃣ Deus Protege nos Momentos de Trevas (Versículo 4a)

• Mesmo nos momentos mais difíceis (“vale da sombra da morte”), a presença de Deus elimina o medo.

3️⃣ Deus Dá Vitória Sobre os Inimigos (Versículo 5)

• A imagem de uma mesa preparada diante dos inimigos significa que as bênçãos de Deus não podem ser impedidas por oposição.

4️⃣ A Bondade de Deus é Eterna (Versículo 6)

• O Salmo termina com a promessa de bondade contínua, misericórdia e comunhão eterna com Deus.

Ao reconhecer padrões bíblicos como o quiasmo, ganhamos uma compreensão mais rica das Escrituras, apreciando não apenas a mensagem, mas também a beleza da composição. O Salmo 23 não é apenas uma declaração de fé, mas uma obra-prima cuidadosamente estruturada, que aponta para a orientação e proteção constante de Deus. Se abraçarmos essa compreensão, o Salmo 23 se torna mais do que uma passagem de conforto—ele se transforma em um testemunho da fidelidade de Deus, uma promessa estruturada de que, não importa onde estejamos na jornada, nunca estaremos sozinhos: “Porque Tu estás comigo”.

Adivalter Sfalsin

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Perseguid pela bondade divina Salmos 23:6

Perseguido pela Bondade

Você Está Deixando D-us Te Alcançar?

O Salmo 23 é um dos textos mais conhecidos e recitados das Escrituras. Frequentemente, ele é visto como um salmo de conforto, um convite para descansar na presença do Bom Pastor. Mas e se, ao invés de apenas um salmo de consolo, ele fosse também um desafio para aqueles que decidem seguir verdadeiramente ao Senhor?

O versículo 6 nos traz uma declaração poderosa de Davi: “Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.” Em hebraico, esta passagem diz:

אךטובוחסדירדפוניכלימיחיי; ושבתיבביתיהוהלארךימים.

אךטובוחסד (wāḥéseḏ – misericórdia) ירדפוני (yirdəp̄ūnī – perseguirão) כלימיחיי; ושבתי (wəšāḇtî – habitarei/voltarei) בביתיהוהלארךימים.

Agora, vamos nos aprofundar no significado e no desafio desse versículo para a nossa caminhada com D-us. A palavra hebraica traduzida como “seguir” é “yirdəp̄ūnī” (ירדפוני), que significa “perseguir”, um termo muitas vezes associado a inimigos que caçam suas vítimas. Davi foi perseguido por muitos inimigos: Saul (1 Samuel 18–26), os filisteus (1 Samuel 21:10-15; 1 Samuel 27), os amalequitas (1 Samuel 30) e pelo seu próprio filho Absalão (2 Samuel 15–18). No entanto, aqui, Davi nos apresenta um conceito que dá uma reviravolta nessa palavra: não são inimigos que o perseguem, mas sim a bondade e a misericórdia de D-us.

A palavra hebraica וָחֶסֶד (wāḥéseḏ), traduzida como “e misericórdia”, tem um significado profundo. Ḥéseḏ significa “amor fiel”, “graça”, “lealdade”. Esse termo é frequentemente usado para descrever a fidelidade de D-us à aliança com Israel. Ao contrário de algumas presunções teológicas modernas, a graça não é um conceito exclusivo do Novo Testamento; todos já conheciam a graça de D-us, desde Noé e passando pela libertação do Egito. No judaísmo antigo, ḥéseḏ não era apenas um sentimento, mas um compromisso ativo. D-us não apenas ama, mas permanece fiel ao seu povo. Na antiga Israel, a hospitalidade era um sinal de honra e aliança. Quando Davi fala sobre “habitar na casa do Senhor”, ele não está apenas se referindo ao templo físico, mas à presença ininterrupta de D-us. Nos tempos bíblicos, receber um convidado em casa significava provê-lo de proteção e sustento; era uma relação de compromisso. Da mesma forma, D-us não nos chama apenas para visitá-Lo ocasionalmente, mas para habitar em Sua presença, vivendo em intimidade com Ele diariamente. 

Na antiguidade, quando o templo (casa de D-us) ainda existia, não se entrava nele de qualquer maneira. Havia um rigoroso protocolo de purificação, incluindo o pedido de perdão pelos pecados e um banho no Mikvá (uma espécie de piscina com água corrente) feito totalmente nu antes de ser admitido no templo e na presença do Senhor. Da mesma forma, não podemos entrar na presença de D-us de qualquer jeito. Devemos confessar nossos pecados ocultos e, assim como no Mikvá, nos despir de nossa capa exterior, expondo ao Senhor quem realmente somos, nossas limitações, falhas, sentimentos, medos e verdadeiras intenções. Somente então estaremos preparados para andar em Sua presença.

A expressão hebraica וְשַׁבְתִּי (wəšāḇtî), traduzida como “e habitarei” ou “voltarei”, carrega um significado especial. Pode significar “habitar” ou “retornar”. Algumas traduções optam por “voltarei” para enfatizar um compromisso renovado com D-us. Davi deseja permanecer na presença do Senhor, mas a palavra também sugere um retorno contínuo ao templo, simbolizando um relacionamento profundo e constante com D-us. Essa palavra está intrinsecamente ligada ao conceito de Teshuvá (retornar), que significa arrependimento, ou voltar ao ponto inicial. Errou? Volte ao seu ponto inicial, passe pelo processo de se despir de si mesmo e confessar o seu pecado. Retome sua relação com D-us. Não importa quantas vezes você erre; o que importa é quanto tempo você passa na presença do Senhor.

O Salmo 23:6 não é apenas uma promessa de consolo; é um desafio. Se a bondade e a misericórdia de D-us estão te perseguindo, por que você ainda vive como se estivesse fugindo? Aperte o passo, mas desta vez não para escapar, e sim para correr em direção ao nosso Bom Pastor. Ele já preparou a mesa, já estendeu Seu convite e já enviou Suas bênçãos para te seguir. Agora, cabe a você permitir-se ser encontrado e escolher habitar em Sua presença.

Você permitirá ser alcançado?

Adivalter Sfalsin

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Honra na Adversidade

O Salmo 23 é uma das passagens mais amadas da Bíblia. Davi, o pastor que se tornou rei, descreve poeticamente o cuidado divino de uma maneira profundamente relacional—usando a imagem de um pastor cuidando de seu rebanho. O salmo começa com D-us suprindo todas as necessidades, guiando Seu povo a pastos verdejantes e águas tranquilas, restaurando suas almas e conduzindo-os pelo caminho certo. Então, entramos no “vale da sombra da morte”—um lugar escuro e assustador—onde Davi nos lembra que não caminhamos sozinhos.

De repente, chegamos ao versículo 5: “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos.” Espere—o quê? Um banquete? Bem na frente dos inimigos? Esse é um detalhe inesperado. Imagine estar cercado de perigos e, ainda assim, D-us prepara a mesa, arruma os talheres e te convida para comer como um convidado de honra. O que isso significa e como se aplica às nossas vidas hoje?

O Contexto Cultural e Histórico do Salmo 23

Para entender o peso desse versículo, precisamos calçar as sandálias de um israelita da antiguidade e compreender o mundo antigo. A hospitalidade não era apenas um gesto gentil; era um dever sagrado. O anfitrião era responsável pelo bem-estar de seu convidado, mesmo que isso significasse risco pessoal. Se você fosse convidado para a casa de alguém, estava sob sua proteção. Mesmo que houvesse inimigos do lado de fora, enquanto você estivesse à mesa do anfitrião, eles não poderiam te tocar. Era assim que a hospitalidade funcionava no Antigo Oriente Próximo. Davi, que escreveu esse salmo, conhecia bem a sensação de ter inimigos. Seja o rei Saul perseguindo-o ou nações rivais, como os filisteus, buscando sua destruição, Davi sabia o que era estar cercado. Ainda assim, ele pinta um quadro divino preparando uma mesa—um sinal de abundância, honra e segurança—mesmo com a oposição por perto.

A Mesa do Pastor

Antes de deixar as ovelhas pastarem, os pastores inspecionavam a terra, removendo perigos como plantas venenosas e predadores como cobras. A “mesa” nesse contexto representa a terra preparada para o pasto, destacando o papel divino em abrir caminho para Seu povo em situações perigosas. D-us não apenas nos guia para a batalha; Ele nos alimenta e sustenta mesmo quando o inimigo está por perto. No mundo antigo, compartilhar uma refeição tinha um significado profundo. Em alguns casos, inimigos se reconciliavam ao comer juntos—selando tratados de paz à mesa. Mais frequentemente, reis realizavam banquetes suntuosos para celebrar vitórias, às vezes diante dos inimigos derrotados. A mesa divina na presença dos nossos inimigos não é apenas sobre sobrevivência—é sobre triunfo. É uma declaração de que estamos sob Seu favor divino, não importa quem se levante contra nós. D-us não apenas nos faz passar pelos desafios—Ele nos abençoa no meio deles.

O Que Isso Significa Para Nós Hoje?

O que significa, então, “D-us preparar uma mesa para você na presença dos seus inimigos?”

  1. Paz no Caos – A vida é cheia de batalhas—algumas externas, como pessoas difíceis ou circunstâncias injustas, e outras internas, como ansiedade e medo. D-us nem sempre remove os inimigos imediatamente, mas Ele nos provê no meio da tempestade. Enquanto o mundo espera que entremos em pânico, D-us nos convida a sentar, comer e confiar Nele.
  2. Ele nos Honra – O mundo pode não reconhecer seu valor, mas D-us reconhece. Estar à mesa dEle é um sinal de favor divino. Não se trata de arrogância, mas de entender sua identidade em Cristo. Você não é uma vítima—você é filho do Rei.
  3. A Vitória é Certa – A presença de inimigos não significa derrota. Na verdade, sua presença torna o banquete ainda mais poderoso. Ele não apenas provê para você em segredo—Mas faz isso abertamente, demonstrando Sua fidelidade ao mundo que observa.

O versículo continua: “Unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda.” Essa imagem remete aos pastores, que aplicavam óleo nas ovelhas para protegê-las de insetos, curar feridas e prevenir machucados. Da mesma forma, a unção divina simboliza Seu cuidado, cura e provisão em nossas vidas. “O meu cálice transborda”, a palavra hebraica רְוָיָה (revayah), que significa “beber profundamente” ou “estar saturado”, aponta para uma satisfação em nível da alma, encontrada somente em Deus. A frase כּוֹסִי רְוָיָה (Kosi revayah)—”minha taça transborda”—nos lembra que as bênçãos de Deus são abundantes, excedendo nossas necessidades e transbordando para todas as áreas da vida. Essa taça transbordante é uma metáfora da graça infinita de Deus, assegurando-nos que Seu cuidado não deixa espaço para falta ou medo. Vamos beber profundamente de Sua provisão, permitindo que Sua alegria e paz nos encham e transbordem para os outros.

Você Vai Sentar-se à Mesa?

Aqui está o desafio: Ele preparou a mesa, mas você vai sentar-se? É fácil ficar preso aos nossos medos, focando tanto nos inimigos que perdemos o banquete. Imagine alguém preparando uma refeição incrível e você se recusar a comer porque está preocupado com quem está olhando. Seria ridículo, não é? Mas fazemos isso o tempo todo! Em vez de confiar na provisão divina, deixamos o medo nos impedir de desfrutar do que Ele nos deu.

Você confia que D-us é seu protetor? Você acredita que Ele está te abençoando mesmo no meio da oposição? O verso 5 não diz: “Você remove meus inimigos antes de preparar a mesa.” Não, a mesa é preparada enquanto eles ainda estão lá. Isso significa que suas circunstâncias não precisam ser perfeitas para você experimentar a abundância divino.

Conclusão: Confie no Bom Pastor

Confie no bom pastor, o verso 5 é uma declaração ousada da provisão, proteção e vitória divina. Ele não está apenas te ajudando a passar pela vida, mas está te abençoando abundantemente no processo. Mesmo cercado por problemas, Ele te convida para a mesa—para descansar, ser alimentado e confiar em Sua bondade. Então, da próxima vez que se sentir sobrecarregado pelos desafios, lembre-se deste versículo. Imagine D-us preparando uma mesa para você, enchendo seu cálice até transbordar e te ungindo com Seu amor. Seus inimigos podem observar, mas não podem te tocar. O Bom Pastor cuida de você.

Agora, você vai se sentar e comer, ou vai continuar em pé, paralisado pelo medo? O banquete está pronto—puxe uma cadeira e sente-se.

Adivalter Sfalsin

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Além do Vale

O Salmo 23 apresenta uma visão rica e confortante do Senhor como o Pastor, destacando Seu cuidado, provisão e orientação. Esta exploração mergulha nas camadas profundas do Salmo 23, explorando suas raízes hebraicas, contexto cultural e histórico, e sua relevância duradoura em nossas lutas contemporâneas.

Vamos revisar os versículos 1 a 3 do Salmo 23. No versículo de abertura, o salmista declara: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Essa afirmação enfatiza a fidelidade divina em atender às nossas necessidades, especialmente durante os tempos difíceis. Tudo pode faltar, o que nunca nos faltará será a Sua presença. O versículo 2 continua: “Ele me faz repousar em pastos verdejantes; leva-me para junto das águas de descanso.” Aqui, a imagem dos “pastos verdejantes” não se refere apenas a campos luxuriantes, mas à provisão divina constante e suficiente, mesmo em paisagens áridas. As “águas de descanso” simbolizam repouso e paz, conduzindo-nos a um estado de confiança e renovação. O versículo 3 expande o cuidado do Senhor, destacando Sua restauração e orientação: “Ele restaura a minha alma; guia-me pelos caminhos da justiça por amor do seu nome.” A restauração divina é profunda, abrangendo nosso ser físico, emocional e espiritual, trazendo-nos de volta à harmonia com Seu propósito. Os “caminhos da justiça” representam Sua integridade e verdade. Tudo isso acontece “por amor do seu nome”, apontando para o objetivo final de glorificar Seu caráter santo e fiel.

Agora, vamos mergulhar mais fundo no versículo 4, com descobertas do texto hebraico:

1. “Vale da sombra da morte” (גיא צלמות – gei tzalmavet): Literalmente como “vale da sombra da morte”, mas “צלמות” (tzalmavet) também pode significar escuridão profunda ou grande angústia. O “vale” representa metaforicamente um lugar de profunda e escura dificuldade ou perigo. As crenças do Antigo Oriente Médio: O conceito de caminhar por um vale escuro é simbólico dos momentos mais desafiadores da vida. Essa literatura também refletia temas de escuridão e luz, perigo e libertação, que ressoam neste salmo. Observe que esta não é uma visão dualista filosófica grega do bem versus o mal, mas uma realidade da vida que todos enfrentamos, bons momentos e desafios na vida.

2. “Não temerei mal algum” (לא אירא רע – lo ira ra): O verbo hebraico אירא (ira) significa “temerei”. O uso de לא (lo), que significa “não”, junto com רע (ra), que significa “mal” ou “dano”, enfatiza uma forte declaração de confiança e coragem diante do perigo.

3. “Pois tu estás comigo” (כי אתה עמדי – ki atah imadi): A preposição כי (ki) significa “porque”, indicando a razão da confiança do salmista. אתה (atah) significa “tu” (referindo-se a D-us), e עמדי (imadi) significa “comigo”, enfatizando a presença divina como um fato pessoal e reconfortante. Observe que a única razão para não temer é a presença divina. Sua presença faz toda a diferença, não há garantia de que não haverá vales em nossas vidas, a garantia é Sua presença.

4. “Teu cajado e tua vara” (שבטך ומשענתך – shevetekha u’mishantekha): A vara (שבט – shevet) e o cajado (משענת – mishenet) são ferramentas usadas pelos pastores para guiar e proteger suas ovelhas. A vara é usada principalmente para proteção, não para punição como muitos podem acreditar. Ela é tipicamente um instrumento mais curto, mais grosso e possivelmente mais rígido em comparação com o cajado. Pode ser usada para afastar predadores ou ameaças às ovelhas, garantindo sua segurança. O cajado, que é frequentemente mais longo e possui um gancho ou curva em uma extremidade, é usado para guiar e apoiar as ovelhas. Ajuda na gestão do rebanho, especialmente na direção das ovelhas por caminhos seguros ou no resgate delas de lugares difíceis.

5. “Eles me confortam” (המה ינחמוני – hemah yenachamuni): ינחמוני (yenachamuni) da raiz נחם (nacham) significa “eles me confortam”. Isso sugere segurança e uma sensação de segurança proporcionada pelas ferramentas divinas (metaforicamente, Seu poder e orientação). Dessa palavra deriva o nome de Noé, que significa “descansar” ou “ser confortado”. O nome é apropriadamente dado com uma esperança ou declaração profética anexada a ele, como explicado em Gênesis 5:29: “E chamou o seu nome Noé, dizendo: ‘Este nos confortará do nosso trabalho e do sofrimento de nossas mãos, proveniente da terra que o Senhor amaldiçoou.’”

A imagem do pastor está profundamente enraizada no psiquê do Antigo Oriente Médio, refletindo o papel de um líder tanto como protetor quanto guia. Esta dualidade é crucial para entender como as audiências antigas perceberiam a mensagem do Salmo 23, com as ferramentas do pastor—vara e cajado—não apenas proporcionando conforto, mas também comandando autoridade e oferecendo direção.

Hoje, nossos desafios podem não ser físicos, ainda assim, são incrivelmente assustadores. Dificuldades financeiras, crises de saúde, tensões relacionais e inquietações sociais são os vales invisíveis que navegamos. Nestes tempos desafiadores, o Salmo 23:4 ressoa com uma verdade atemporal: nunca estamos sós. O mesmo D-us que guiou pastores antigos através de vales tangíveis e metafóricos continua a ser nosso guia e protetor firme. Nos “vales” metafóricos da vida moderna, o Salmo 23 oferece a garantia da companhia inabalável divina. Este trecho nos estimula a confiar não apenas em nosso próprio entendimento, mas na sólida promessa de orientação e proteção divina. Ele nos chama a fomentar um espírito comunitário, fortalecido pela fé, onde os medos são aliviados pela afirmação coletiva da onipresença divina. Refletir sobre esta escritura nos ensina que nossos momentos mais difíceis são oportunidades para nos conectarmos profundamente com a presença de nosso Pastor. A vara e o cajado simbolizam mais do que meras ferramentas pastorais; são instrumentos de Sua proteção e orientação inabaláveis—recursos que proporcionam conforto e nos capacitam a atravessar a escuridão com coragem. Somos chamados a nos apegar firmemente aos ensinamentos do Salmo 23, absorvendo sua sabedoria histórica e aplicando suas verdades em nossas vidas. Cercados pela presença reconfortante de nosso Pastor, não há espaço para o medo. Cada desafio que enfrentamos é uma oportunidade para uma conexão espiritual mais profunda com o Divino. Embarque nesta aventura!

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Pastor guiando as ovelhas

Andando nos Caminhos da Justiça

O Salmo 23 é um dos trechos mais amados das Escrituras, pintando uma bela imagem de D-us como nosso Pastor. O versículo 3 destaca-se como um testemunho do poder restaurador de D-us, de Sua orientação e de Seu propósito em nossas vidas: “Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do Seu nome.” Para compreender plenamente a profundidade desse versículo, precisamos observar sua conexão com os versículos anteriores, explorar a riqueza da linguagem hebraica e descobrir as lições atemporais que ele oferece para nossas vidas hoje.

Em reflexões anteriores sobre o Salmo 23:1, (link abaixo) exploramos como o salmo começa com uma declaração poderosa: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.” Para aqueles que perderam os artigos anteriores, analisamos como esse versículo afirma a suficiência de D-us como a fonte última de provisão. Ele como nosso Pastor, que não nos falta em tempos difíceis, nos sustentando fielmente.

O versículo 2 (link abaixo) continua: “Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente às águas tranquilas.” À primeira vista, “verdes pastos” pode trazer à mente imagens de campos exuberantes e verdejantes, mas o entendimento hebraico antigo oferece uma perspectiva diferente. Nas paisagens secas e áridas de Israel, “verdes pastos” referem-se a pequenos tufos de grama que surgiam após o orvalho ou a chuva. Os pastores conduziam suas ovelhas a essas áreas esparsas, mas vitais, para o sustento. Essa imagem destaca nossa dependência de D-us para prover em meio aos desertos da vida. Sua provisão pode não ser abundante, mas é sempre suficiente.

Com esse pano de fundo, o versículo 3 amplia o tema do cuidado de D-us, revelando como Ele nos restaura e direciona nossos passos.

“Refrigera a minha alma”

A frase “Yeshovev nafshi” (ישובב נפשי) é profunda em seu significado. O verbo yeshovev, significa “retornar” ou “restaurar”. Ele evoca uma imagem de algo sendo trazido de volta ao seu estado original, um senso de renovação e reavivamento. Nesse contexto, a restauração Divina abrange todas as dimensões do nosso ser: física, emocional e espiritual. Não se trata apenas de refrescar uma alma cansada, mas de nos realinhar com Seu propósito—como um pastor que recupera uma ovelha perdida. Essa ideia de restauração está profundamente ligada ao conceito bíblico de teshuvah (תשובה), ou arrependimento. Quando nos desviamos, o trabalho restaurador Dele nos traz de volta ao Seu rebanho, curando nossas feridas e colocando-nos no caminho certo novamente. Assim como o cuidado de um pastor renova a força de suas ovelhas, a restauração Divina nos capacita a andar fielmente com Ele.

“Guia-me pelas veredas da justiça”

A frase “Yancheni b’ma’aglei tzedek” (ינחני במעגלי צדק) revela a intencionalidade da orientação. O verbo yancheni(“Ele me guia”) significa “guiar” ou “direcionar”. Na forma Hifil, enfatiza o aspecto da causatividade: Ele ativamente nos faz andar por esses caminhos. A palavra ma’aglei (מעגלי), traduzida como “veredas”,  denota círculos ou ciclos. Essa imagem evoca as trilhas bem percorridas que os pastores criam enquanto conduzem seus rebanhos. Essas veredas não são apenas literais; representam o ritmo e a consistência dos caminhos Divino. Assim como as trilhas de um pastor levam de volta a lugares seguros, os caminhos Divinos oferecem estabilidade, confiabilidade e um senso de ser continuamente conduzido de volta à Sua verdade e provisão.

O termo tzedek (צדק), traduzido como “justiça”, carrega um significado profundo no pensamento hebraico. Enraizado na raiz tri-consonantal צ-ד-ק (tzadi-dalet-kuf), ele incorpora justiça, equidade, integridade moral e retidão segundo os padrões Divinos. Esses caminhos de justiça não são arbitrários; eles estão perfeitamente alinhados com a justiça e a verdade divina. Andar por essas veredas significa viver em harmonia com a Sua vontade, refletir Seu caráter em nossas ações e abraçar uma vida de integridade e equidade.

“Por amor do Seu nome”

A frase “Lema’an sh’mo” (למען שמו) une o versículo com um propósito divino. A preposição lema’an (“para que” ou “pelo amor de”) destaca que a restauração e orientação Divina que servem a um objetivo maior. Embora Seu cuidado nos abençoe, seu último propósito é exaltar o Seu nome—Sua reputação, caráter e glória. No pensamento hebraico, um nome (שם, shem) representa a essência e a identidade de uma pessoa. Suas ações refletem Sua natureza imutável como um Pastor fiel, justo e amoroso. Ao nos restaurar e nos guiar, Ele demonstra ao mundo que é Santo, Digno de confiança e bom.

Uma Lição para Hoje

O Salmo 23:3 é um lembrete atemporal do cuidado Dele aquele que o seguem. Em um mundo cheio de ruído, pecados, decadência moral e distrações, este versículo nos chama a depender Dele para uma restauração. A verdadeira renovação não é algo que alcançamos por conta própria ou por determinação pessoal, mas sim o trabalho Dele em nós, reorientando nossas vidas para o Seu propósito. As “veredas da justiça” nos desafiam a confiar em Sua orientação, mesmo quando a jornada parece incerta. Assim como os pastores antigos conduziam suas ovelhas por trilhas bem percorridas, Seus caminhos são coerentes e verdadeiros. Andar por esses caminhos requer humildade e rendição, ele traz paz, justiça e propósito. Finalmente, viver “por amor do Seu nome” eleva nossas vidas a um chamado mais alto, que significa refletir o caráter Dele em todos os aspectos de nossas vidas diárias. Seja demonstrando bondade em situações difíceis, defendendo a justiça ou simplesmente sendo uma fonte de encorajamento para aqueles ao nosso redor, Ele é honrado quando incorporamos Seu amor e justiça de maneiras práticas e tangíveis. Em um mundo egoísta, desesperado por justiça, amor e esperança, somos chamados a incorporar Seu caráter e testemunhar Sua fidelidade.

Que este versículo o inspire a confiar Nele para restauração, a seguir Sua orientação e a viver uma vida que honra Seu santo nome.

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Pastos Verdejantes?

Pastos Verdejantes?

“Ele me faz repousar em pastos verdes; Ele me guia junto às águas tranquilas.” (Salmos 23:2)

Você já imaginou campos verdejantes e riachos brilhantes ao ler essas palavras? Se você é como a maioria, provavelmente visualiza colinas cobertas por uma vegetação exuberante — perfeitas, serenas, abundantes. É uma imagem confortante, frequentemente reforçada por inúmeros sermões e representações artísticas. Mas será que realmente entendemos este salmo em seu contexto original? Será que foi isso que Davi quis dizer ao escrever essas palavras atemporais? Vamos nos aprofundar e explorar o significado de D-us como nosso pastor e como essa verdade pode desafiar e transformar a maneira como vivemos.

Na época de Davi, ser pastor não era a cena idílica que muitas vezes imaginamos. Longe das paisagens férteis que concebemos, o pastoreio acontecia principalmente no deserto de forma desafiadora, ou midbar em hebraico. Este não era o terreno cultivável ou exuberante que associamos ao termo “pastos verdes”, mas sim um terreno árido e acidentado. As encostas do deserto, onde os pastores guiavam seus rebanhos, eram secas, rochosas e com vegetação escassa. Esse ambiente era inóspito para a agricultura, e os pastores vagavam pelas colinas desoladas com seus rebanhos, lidando com recursos limitados em condições adversas. Os “pastos verdes” mencionados não eram vastos campos de grama abundante. Em vez disso, referiam-se a pequenos tufos de capim que cresciam esparsamente no deserto. Esses tufos surgiam devido à baixa precipitação pluvial anual da região, à umidade das brisas mediterrâneas noturnas e à condensação que se acumulava perto das rochas durante a noite. Na manhã fresca, esses tufos ficavam verdes e forneciam sustento para as ovelhas. No entanto, ao meio-dia, sob o calor escaldante do sol do deserto, grande parte dessa grama secava e murchava, deixando novamente o cenário árido.

A tarefa do pastor nesse ambiente requeria planejamento e um conhecimento profundo do terreno, essenciais para o sucesso do rebanho. Esse exercício diário de caminhar com as ovelhas criava trilhas de pastagem nas encostas — algumas delas datando dos tempos de Abraão —, que mostram como os pastores maximizavam os escassos recursos disponíveis. O pastor guiava o rebanho cuidadosamente em círculos ao redor das colinas, levando-o às áreas onde esses pequenos tufos cresciam. Era um processo lento e deliberado, garantindo que as ovelhas tivessem alimento suficiente para o momento, mas nunca em excesso.

Quando lemos “Ele me faz repousar em pastos verdes”, nossa mente ocidental frequentemente imagina abundância e permanência. Mas a realidade descrita por Davi era bem diferente. Esse contexto muda drasticamente nossa perspectiva. Em vez de imaginar uma vida de provisão abundante e sem esforço, vemos uma imagem de confiança, dependência e orientação diária. Os “pastos verdes” do Salmo não se referem a ter tudo de uma vez, mas a receber o suficiente para o momento presente.

Este entendimento desafia nossa visão sobre a provisão de D-us em nossas vidas. A cultura frequentemente valoriza o excesso e a segurança — ter o suficiente não apenas para hoje, mas para muitos anos à frente. Associamos sucesso a abundância e conforto e, às vezes, esperamos o mesmo de nosso relacionamento com D-us. Mas o deserto ensina uma lição diferente: a dependência do Pastor para a provisão diária.

O papel do pastor no deserto não era levar as ovelhas a um lugar onde pudessem se fartar e se acomodar. Em vez disso, as ovelhas seguiam o pastor passo a passo, confiando que ele as guiaria ao suficiente. A vida com D-us reflete essa relação. Ele não nos promete uma vida de abundância infinita, mas nos chama a confiar n’Ele para aquilo de que precisamos hoje. Como o maior Rabino de todos os tempos disse: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.” (Mateus 6:34). Quantas vezes caímos nessa armadilha, nos preocupando com o futuro em vez de confiar em D-us para o presente? A imagem dos pastos verdes nos desafia a viver pela fé, concentrando-nos no hoje e confiando que D-us proverá o amanhã.

Essa lição é ao mesmo tempo humilhante e libertadora. Ela nos lembra que a vida com D-us não é de autossuficiência ou acumular recursos, mas de confiar no Pastor para nos guiar, mesmo em estações áridas e difíceis. A imagem apresentada pelo salmista nos convida a abandonar a ansiedade e abraçar uma fé que depende de D-us momento a momento. Essa perspectiva pode transformar a maneira como enfrentamos os desafios da vida. Estamos esperando que D-us nos coloque em uma situação de conforto e abundância sem fim? Ou estamos dispostos a segui-Lo pelo deserto, confiando que Ele proverá o suficiente para o dia de hoje — mesmo que isso não se pareça com abundância aos nossos olhos?

O Salmo 23 é mais do que um poema reconfortante; é um chamado à fé e à confiança. Quando entendemos o contexto original de “pastos verdes”, vemos que este salmo trata da dependência diária de D-us, e não de luxo ou facilidade. A imagem do deserto nos lembra que a vida com D-us envolve caminhar passo a passo, confiando n’Ele em cada momento, aprendendo a depender de Sua provisão em vez de nossos próprios planos.

Da próxima vez que você ler, “Ele me faz repousar em pastos verdes”, lembre-se: não se trata de abundância, mas de provisão para cada momento presente. Que todos nós possamos aprender a seguir nosso Pastor com confiança, confiando que Ele nos conduzirá exatamente ao que precisamos, passo a passo, dia após dia.

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Nada me Faltará

O Que Salmo 23 Realmente Promete?

Quando criança, ouvir o Salmo 23 preenchia meu coração de esperança. “O Senhor é meu pastor, nada me faltará” era uma frase que eu repetia com a convicção de que meu futuro seria pleno e próspero. Imaginava uma vida adulta onde todas as necessidades seriam atendidas, sem espaço para falta ou sofrimento. No entanto, crescer em uma família humilde foi um choque para essa crença infantil. Eu via amigos com brinquedos caros, roupas novas e as oportunidades que pareciam fora do meu alcance. “O que estava errado?” eu me perguntava. Será que haviam me ensinado errado? Será que não era digno das bênçãos de D-us? A busca por essas respostas me levou a refletir profundamente sobre a verdadeira mensagem desse Salmo. Vamos explorar juntos o que “nada me faltará” realmente significa, baseando-nos na sabedoria do texto original em hebraico. Você, assim como eu, sabe muito bem que muitas coisas faltam, e às vezes em grande medida. Então, por que o Salmo afirma: “nada me faltará”? Seria uma Promessa Mal Interpretada? 

Em muitos contextos religiosos modernos, especialmente nos movimentos carismáticos e de prosperidade material, Salmos 23:1 é frequentemente usado para afirmar que quem crê em D-us jamais enfrentará falta. Essas interpretações sugerem que, ao seguirmos a D-us com fé, Ele proverá saúde, riquezas e conforto material.

Essa visão, embora popular, pode ser perigosa. Ela coloca um peso desnecessário sobre os ombros do crente, sugerindo que a falta de bênçãos materiais indica falta de fé ou uma vida espiritual inadequada. Mas será que foi isso que Davi quis dizer ao escrever este Salmo?

O Texto Original em Hebraico – No hebraico, o versículo é escrito assim:

יְהוָהרֹעִילֹאאֶחְסָר

YHWH (Adonai) – “O Senhor”

Ro’i – “é meu pastor”

Lo – “não”

Echsar – “estarei em falta”

Ao observarmos cada palavra, fica evidente que a palavra “nada” não aparece no texto original. O que Davi realmente está dizendo é que ele não estará em falta, no sentido de que D-us suprirá suas necessidades mais essenciais. Não se trata de uma promessa de abundância material ou ausência de dificuldades, mas de confiança na provisão divina.

Para entender melhor, precisamos nos colocar no lugar de Davi. Antes de ser rei, ele era pastor. Ele cuidava das ovelhas, guiando-as para pastos verdes, protegendo-as de predadores e garantindo que não passassem fome ou sede. Ao chamar D-us de “meu pastor”, Davi estava reconhecendo sua total dependência d’Ele, assim como uma ovelha depende de seu pastor para sobreviver. Isso não significa que a ovelha nunca enfrentará desafios – haverá terrenos difíceis e dias de escassez –, mas significa que ela pode confiar que o pastor estará presente, guiando-a e protegendo-a.

Muitas vezes, quando pensamos em “faltar”, imaginamos necessidades materiais: dinheiro, comida, roupas ou saúde. No entanto, o Salmo 23 também fala às necessidades mais profundas do coração humano, aquelas que não podem ser supridas por coisas. Quantos de nós já enfrentamos momentos de solidão, quando parecia que ninguém estava por perto para nos ouvir? Ou o desprezo de pessoas que julgávamos importantes? Quem nunca lidou com a depressão, sentindo-se perdido e sem direção? Ou com a rejeição, que dói mais do que a falta de qualquer bem material? E que dizer da inimizade, quando enfrentamos conflitos que parecem impossíveis de resolver? Davi, ao escrever o Salmo 23, sabia que essas necessidades emocionais e espirituais são tão reais quanto as materiais. E ele nos lembra que o Senhor é o pastor que supre todas essas carências. Ele está conosco na solidão, oferecendo companhia. Ele nos acolhe quando somos rejeitados. Ele traz paz em meio à inimizade e renova nossas forças quando estamos deprimidos. É a presença d’Ele que nos sustenta, não importa a necessidade.

O Salmo 23 menciona um dos momentos mais sombrios que um ser humano pode enfrentar: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo.” Aqui, Davi reafirma que a presença de D-us é suficiente para dissipar o medo, mesmo diante das circunstâncias mais aterrorizantes. Note que Davi não diz que D-us removerá o vale ou as dificuldades. O segredo para não temer o mal está, exclusivamente, na presença do Senhor. Ele não fala de riquezas, de livramento instantâneo ou de conforto material; fala de D-us caminhando ao lado dele. Esse versículo é uma lembrança poderosa de que o que nos dá força não é a ausência de problemas, mas a certeza de que D-us está conosco.

Então, o que significa “nada me faltará”? Significa que D-us suprirá o que é mais essencial: Sua própria presença. Ele nos dará força, sabedoria e paz para enfrentar as dificuldades. Ele nos levará a “pastos verdejantes” e “águas tranquilas”, que representam momentos de descanso e renovo em meio às lutas. Não significa que nunca sentiremos solidão, rejeição ou tristeza, mas que, mesmo nesses momentos, D-us estará conosco, suprindo o que mais importa: Sua presença transformadora.

O Salmo 23 nos convida a redefinir o que significa “faltar” e “abundância”. Não se trata de possuir todas as coisas materiais, mas de confiar que D-us está presente em todas as circunstâncias, suprindo o que realmente importa – tanto as necessidades visíveis quanto aquelas que só o nosso coração conhece. Ao revisitar esse Salmo com um entendimento mais profundo, percebo que ele não é uma promessa de riqueza, mas uma promessa de relacionamento. Ele nos convida a descansar na certeza de que D-us não nos abandonará, mesmo quando enfrentamos dificuldades, sejam elas financeiras, emocionais ou espirituais.

Se você, como eu, já se perguntou por que algo parecia estar faltando, lembre-se: o mais importante é a presença do Pastor. D-us não promete uma vida sem desafios, mas promete estar ao nosso lado, guiando-nos, fortalecendo-nos e nos dando paz. Isso, mais do que qualquer coisa material, é o que significa não faltar nada. Enquanto enfrentamos os “vales” da vida, lembre-se: o Pastor nunca falta. Na solidão, Ele é a companhia. Na rejeição, Ele é o acolhimento. Na tristeza, Ele é a alegria renovada. E, com Ele ao nosso lado, não precisamos temer. Essa é a verdadeira essência de “Nada me faltará”.

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Se você gostou desta reflexão sobre o Salmo 23, recomendo que leia também o artigo “Lança o Teu Cuidado Sobre o Senhor – Salmos 55:22”. Ele oferece uma visão encorajadora sobre como entregar nossas preocupações a Deus e confiar plenamente n’Ele. Vale a pena conferir!

Livre-arbítrio ou Determinismo?

Todo final de ano traz consigo um certo clima de renovação: alguns fazem promessas, traçam metas ousadas e apostam em rituais que, de alguma forma, acreditamos que possam influenciar nosso futuro. Vestir branco na virada, participar de uma vigília longa de oração, abrir o champanhe à meia-noite — todos esses são gestos simbólicos que representam o desejo de controlar ou moldar o que virá. Por outro lado, quando olhamos para o ano que passou, é comum nos depararmos com eventos que escaparam completamente ao nosso planejamento. “Foi o destino” ou “foi a vontade de D-us”, dizemos, quando algo dá errado ou foge ao nosso controle.

Mas afinal, somos donos do nosso próprio nariz ou estamos condenados a cumprir um roteiro já escrito? Esse é o cerne do dilema entre livre-arbítrio e determinismo, uma das “pegadinhas” filosóficas mais antigas e que, até hoje, provoca debates acalorados. De um lado, acreditamos em nossa autonomia para escolher caminhos, mas, de outro, não resistimos a lançar olhares de culpa ou de alívio ao destino ou mesmo a uma vontade divina soberana. 

1. A Visão Grega de Livre-Arbítrio e Destino

A civilização grega antiga produziu alguns dos mais brilhantes filósofos de todos os tempos. Em muitas de suas tragédias, por exemplo, vemos personagens tentando escapar de profecias que, ironicamente, se cumprem justamente por conta das ações tomadas para evitá-las. Esse conflito aparece, por exemplo, na famosa história de Édipo, rei de Tebas, cujo destino de matar o pai e casar-se com a própria mãe foi selado por um oráculo. Embora ele tentasse fugir de seu trágico fado, cada passo o conduzia precisamente a esse desfecho.

Já na filosofia, pensadores como Sócrates, Platão e Aristóteles refletiram sobre a possibilidade de o ser humano agir de maneira consciente e racional. Para Platão, o conhecimento do Bem era fundamental para agir corretamente; já Aristóteles, ao tratar da virtude, enfatizava a importância de cultivarmos hábitos positivos por meio de nossas escolhas. Na prática, havia uma tensão evidente entre a ideia do destino (freqüentemente ligado à vontade dos deuses gregos ou às Moiras, entidades que teciam o fio da vida de cada pessoa) e a noção de virtude humana, que pressupõe a possibilidade de escolha moral.

Em síntese, a tradição grega se debateu entre o fatalismo — a crença de que tudo já está determinado por forças além de nosso controle — e a responsabilidade moral, que exige a existência de alguma forma de livre-arbítrio. Para muitos gregos, o homem não era inteiramente livre: deveria submeter-se à ordem cósmica, representada pelos deuses e pela fortuna (Tique). No entanto, a capacidade de raciocinar e de buscar a virtude permitia algum grau de autonomia. Esse contraste ainda ecoa nos tempos modernos, quando, por exemplo, atribuímos sucesso ou fracasso a uma “força maior”, mesmo acreditando na importância de fazermos boas escolhas.

2. A Perspectiva Hebraica Bíblica

Diferentemente das reflexões majoritariamente filosóficas dos gregos, a abordagem hebraica bíblica parte da concepção de que D-us é soberano e governa o mundo de acordo com Sua vontade. A Bíblia Hebraica (ou Antigo Testamento), porém, não deixa de reconhecer a autonomia humana. O grande exemplo disso está em Deuteronômio 30:19, quando D-us diz ao povo de Israel: “Coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida”. Esse texto evidencia que o ser humano tem a possibilidade real de escolher, e tal escolha traz consequências para a vida.

Ao mesmo tempo, encontramos passagens que atribuem a D-us o controle absoluto sobre os acontecimentos. Em Isaías 46:9-10, por exemplo, D-us afirma: “Meu propósito se cumprirá, e farei tudo o que me agrada”, indicando que nada escapa ao Seu plano. Há também textos em que D-us “endurece o coração” de determinadas figuras, como o Faraó no livro do Êxodo. Esses casos sugerem um grau de determinismo divino, como se o Divino orquestrasse situações específicas para cumprir Seus desígnios.

A tensão entre a soberania divina e a responsabilidade humana transparece em histórias como a de José, vendido pelos irmãos. Em Gênesis 50:20, José diz: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas D-us o tornou em bem”. Isto é, os irmãos agiram por inveja e crueldade (exercendo, portanto, um livre-arbítrio que se inclinou para o mal), mas D-us transformou essa ação maldosa em algo positivo para salvar muitas vidas. A conclusão que se tira desse episódio é que, mesmo quando o ser humano usa sua liberdade para o mal, D-us pode intervir, fazendo com que Seu plano maior se cumpra. Nesse caso, vemos simultaneamente um ato humano livre e uma ação divina determinista.

Portanto, a tradição hebraica bíblica não resolve a tensão de modo puramente lógico. Em vez disso, apresenta-a como um paradoxo: D-us é completamente soberano, porém o homem é inteiramente responsável por seus atos. Em última análise, o propósito divino prevalece, ainda que cada pessoa seja convocada a fazer escolhas morais, com todas as implicações que isso acarreta.

3. Reflexão Sobre as Duas Abordagens

Quando compararmos a perspectiva grega e a hebraica bíblica, percebemos pontos de convergência e divergência. Ambas reconhecem que existem forças ou princípios que transcendem a vontade humana — seja na forma de deuses, destino ou da soberania de um D-us único. Também reconhecem que o ser humano tem um papel ativo em sua jornada. A diferença principal é que, enquanto os gregos muitas vezes viam a relação entre destino e liberdade como um embate entre o poder dos deuses e a virtude humana, o pensamento hebraico bíblico aponta para uma convivência paradoxal, mas real, entre a soberania de Divina e a responsabilidade humana.

No nosso dia a dia, essa tensão se manifesta com frequência. Por exemplo, ao iniciarmos um novo ano — digamos, 2025 — somos tomados pela sensação de que tudo pode mudar se nos empenharmos: novo emprego, dietas bem-sucedidas, relacionamentos saudáveis. Entretanto, ao olharmos para trás, para um 2024 cheio de dificuldades, às vezes atribuímos os fracassos a um destino implacável ou a uma “vontade superior” que não entendemos. Essa dualidade gera questionamentos: se temos livre-arbítrio, por que oramos para que D-us conceda sucesso? Se o destino é inexorável, por que nos esforçamos?

A resposta, se é que existe, está na natureza desse conflito: o livre-arbítrio nos concede responsabilidade por nossas escolhas; o determinismo (ou a soberania divina) nos lembra de que há elementos fora de nosso controle e que, em última instância, o fluxo dos acontecimentos pode ser conduzido por uma força maior. Dependendo de nossa crença pessoal, podemos enfatizar mais um lado do que o outro. No entanto, a vivência humana é, em geral, marcada por uma oscilação constante entre a confiança no nosso poder de decisão e a humildade de reconhecer a existência de algo maior que nós.

Diante dessas reflexões, podemos perceber que o dilema entre livre-arbítrio e determinismo não tem uma solução puramente lógica. Na tradição grega, convivemos com a ideia de um destino traçado pelos deuses, mas ainda há espaço para a virtude humana. Na perspectiva hebraica bíblica, a soberania de Divina convive com a responsabilidade humana de escolher entre o bem e o mal. Em ambos os casos, há um convite para a ação consciente e uma advertência de que nem tudo está sob nosso controle.

O ponto crucial é que esse paradoxo não precisa ser motivo de angústia sem saída. Ao contrário, ele pode nos estimular a refletir profundamente sobre o valor de cada escolha que fazemos. O que realmente importa é como lidamos com a liberdade que possuímos e como aceitamos — ou não — os reveses que escapam à nossa vontade. Seja qual for a nossa postura, o chamado é para reconhecer que nossas decisões têm impacto moral e espiritual, e que há um poder maior que transcende a nossa compreensão.

Por isso, ao iniciarmos um novo ciclo, podemos tanto fazer planos e nos esforçarmos para cumpri-los quanto reconhecer que fatores externos (ou mesmo a intervenção divina) podem alterar o rumo que traçamos. É nessa dança entre o fazer humano e o mistério divino que a vida acontece. E, como diz uma das passagens mais marcantes das Escrituras hebraicas, nosso desafio é escolher a vida — isto é, optar pelo bem, assumir responsabilidades e buscar o melhor para nós e para os outros.

D-us é soberano mas o homem é responsável pelas suas ações e, quando o livre-arbítrio é usado para o mal e D-us intervém para o bem, chamamos isso de justiça. Pois a soberania Divina se manifesta. Quem não quer que a justiça seja feita?

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Hanukkah e Jesus

Uma Festa de Dedicação e Fé

Você sabia que Jesus (Yeshua) participou de um festival que comemora um dos momentos mais importantes da história judaica? Esse festival é chamado de Hanukkah, ou Festa da Dedicação, e é mencionado brevemente no Evangelho de João. Vamos explorar a história, a conexão com Jesus (Yeshua) e as lições atemporais que essa celebração traz para nós hoje.

O Contexto Histórico de Hanukkah, ou a Festa da Dedicação, tem suas raízes nos eventos do século II a.C. Ela celebra a rededicação do Templo de Jerusalém após sua profanação pelo rei selêucida Antíoco Epifânio IV. Antíoco transformou o Templo judeu em um santuário para deuses gregos, sacrificando porcos no altar e proibindo práticas judaicas como a circuncisão, a observância do sábado e o estudo da Torá. Em resposta, um pequeno grupo de guerreiros judeus, liderados pelos Macabeus, iniciou uma revolta corajosa. Contra todas as probabilidades, eles derrotaram o exército grego muito maior, retomaram o Templo e o purificaram. Essa vitória não foi apenas militar, mas também ideológica. Os Macabeus resistiram aos ideais gregos de perfeição física, simbolizados pelos atletas nus nas Olimpíadas, e ao desprezo grego pelas práticas religiosas judaicas. Hanukkah comemora essa vitória pela alma e identidade do povo judeu.

No Novo Testamento, vemos Jesus presente durante esse festival. Em João 10:22-23, lemos:“Celebrava-se em Jerusalém a Festa da Dedicação. Era inverno, e Jesus (Yeshua) estava no templo, no Pórtico de Salomão.” Essa menção breve carrega um significado profundo, conectando Jesus à rica herança judaica de fé, resistência e rededicação.

Uma Jornada de Fé. Embora o Evangelho não descreva se Jesus (Yeshua) participou de rituais específicos, Sua presença em Jerusalém durante Hanukkah é reveladora. Por que Ele faria uma jornada de 4 a 6 dias de Nazaré até Jerusalém se esse evento não tivesse grande importância? Viajar naquela época não era fácil nem barato:

1. A Distância: De Nazaré a Jerusalém são cerca de 113 a 129 quilômetros pelas rotas antigas, o que exigia 4 a 6 dias de caminhada.

2. O Custo: Viajantes levavam provisões básicas, mas comida extra ou hospedagem em estalagens custavam caro. Uma noite em uma hospedaria simples podia custar alguns denários, o equivalente ao salário diário de um trabalhador.

3. Os Riscos:

• Ladrões frequentemente atacavam viajantes em áreas remotas, como ilustrado na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37).

• Animais Selvagens, como lobos, eram um perigo, especialmente à noite.

• Soldados Romanos e Cobradores de Impostos podiam assediar os viajantes por subornos ou impor taxas adicionais.

Diante desses desafios, a presença de Jesus (Yeshua) no Templo durante Hanukkah sublinha sua importância. Seria altamente improvável que Ele fizesse tal jornada sem se envolver com os temas de dedicação, resistência e rededicação que a festa celebra.

Por Que Muitos Cristãos Não Sabem Disso? Muitos cristãos desconhecem a importância de Hanukkah ou a conexão de Jesus (Yeshua) com essa celebração porque ela é mencionada apenas brevemente no Evangelho de João. Além disso, a identidade judia de Jesus muitas vezes é minimizada em contextos religiosos. Mas compreender Sua participação em Hanukkah enriquece nossa perspectiva sobre Sua vida e ministério. Isso nos mostra um Salvador que não apenas compreendia a importância da história judaica, mas também vivia dentro de seus ritmos e valores.

Ontem e Hoje. Hanukkah não é apenas sobre uma vitória militar—é uma celebração de resiliência espiritual. A batalha dos Macabeus foi tanto contra a ideologia grega quanto contra os soldados gregos. Os gregos celebravam a perfeição física, exemplificada nas Olimpíadas, onde atletas competiam nus para exibir seus corpos. Eles viam práticas judaicas, como a circuncisão, como uma “desecração” do corpo humano.

Os gregos foram além, proibindo pilares fundamentais da vida judaica:

• A observância do sábado, que marcava o tempo como sagrado.

• A celebração do início dos meses e festivais, as luas novas.

• O estudo e a preservação da Torá, que sustentavam a identidade judaica.

Alguns judeus abraçaram a cultura grega sem questionar, enquanto outros sucumbiram à pressão. Os Macabeus resistiram, não apenas contra inimigos externos, mas também contra judeus que haviam abandonado sua fé. A guerra pelo Templo era, na verdade, uma guerra pela alma e identidade do povo judeu. Essa mensagem ressoa profundamente nos dias de hoje. Assim como os gregos tentaram substituir os valores judaicos pelos seus, a cultura moderna muitas vezes pressiona os cristãos a abandonar as verdades bíblicas. Pense nos desafios que enfrentamos:

• Sustentar o casamento bíblico é rotulado como intolerante.

• Defender a unicidade dos papéis masculinos e femininos é considerado preconceituoso.

• Defender valores familiares e morais é descartado como ultrapassado.

Até mesmo alguns cristãos adotam essas visões liberais, assim como alguns judeus da era dos Macabeus abraçaram o helenismo. Mas Hanukkah nos lembra que permanecer firme na fé vale o custo.

Um Chamado à Verdade e Identidade. A batalha de Hanukkah não foi apenas sobre recuperar um edifício; foi sobre recuperar a identidade e a verdade. Os Macabeus recusaram-se a se curvar à cultura dominante, e sua vitória preservou a fé judaica para as gerações futuras. Como cristãos, enfrentamos batalhas semelhantes. A pressão cultural para nos conformarmos a novas definições de moralidade, identidade e verdade é imensa. Mas, assim como os Macabeus recusaram-se a comprometer sua fé, somos chamados a defender as verdades bíblicas com coragem e convicção.

Um Convite à Dedicação. Hanukkah não é apenas um feriado judaico—é um lembrete poderoso da importância de permanecer firme na fé. Para Jesus (Yeshua), essa festa era um momento para lembrar a dedicação do Templo e a fidelidade daqueles que vieram antes Dele. Para nós, é um chamado para rededicar nossas vidas à verdade de D-us, não importa o custo. Em um mundo que muitas vezes celebra a perfeição física e o relativismo moral, Hanukkah nos convida a valorizar o eterno acima do temporal. Ele nos lembra que as batalhas pela fé, identidade e verdade não são novas—e que a vitória vem para aqueles que permanecem firmes.

Ao acendermos nossas próprias “lâmpadas simbólicas”, que possamos lembrar a perseverança dos Macabeus, a fidelidade de Yeshua e o chamado eterno para sermos uma luz na escuridão.

Adivalter Sfalsin