Livre-arbítrio ou Determinismo?

Todo final de ano traz consigo um certo clima de renovação: alguns fazem promessas, traçam metas ousadas e apostam em rituais que, de alguma forma, acreditamos que possam influenciar nosso futuro. Vestir branco na virada, participar de uma vigília longa de oração, abrir o champanhe à meia-noite — todos esses são gestos simbólicos que representam o desejo de controlar ou moldar o que virá. Por outro lado, quando olhamos para o ano que passou, é comum nos depararmos com eventos que escaparam completamente ao nosso planejamento. “Foi o destino” ou “foi a vontade de D-us”, dizemos, quando algo dá errado ou foge ao nosso controle.

Mas afinal, somos donos do nosso próprio nariz ou estamos condenados a cumprir um roteiro já escrito? Esse é o cerne do dilema entre livre-arbítrio e determinismo, uma das “pegadinhas” filosóficas mais antigas e que, até hoje, provoca debates acalorados. De um lado, acreditamos em nossa autonomia para escolher caminhos, mas, de outro, não resistimos a lançar olhares de culpa ou de alívio ao destino ou mesmo a uma vontade divina soberana. 

1. A Visão Grega de Livre-Arbítrio e Destino

A civilização grega antiga produziu alguns dos mais brilhantes filósofos de todos os tempos. Em muitas de suas tragédias, por exemplo, vemos personagens tentando escapar de profecias que, ironicamente, se cumprem justamente por conta das ações tomadas para evitá-las. Esse conflito aparece, por exemplo, na famosa história de Édipo, rei de Tebas, cujo destino de matar o pai e casar-se com a própria mãe foi selado por um oráculo. Embora ele tentasse fugir de seu trágico fado, cada passo o conduzia precisamente a esse desfecho.

Já na filosofia, pensadores como Sócrates, Platão e Aristóteles refletiram sobre a possibilidade de o ser humano agir de maneira consciente e racional. Para Platão, o conhecimento do Bem era fundamental para agir corretamente; já Aristóteles, ao tratar da virtude, enfatizava a importância de cultivarmos hábitos positivos por meio de nossas escolhas. Na prática, havia uma tensão evidente entre a ideia do destino (freqüentemente ligado à vontade dos deuses gregos ou às Moiras, entidades que teciam o fio da vida de cada pessoa) e a noção de virtude humana, que pressupõe a possibilidade de escolha moral.

Em síntese, a tradição grega se debateu entre o fatalismo — a crença de que tudo já está determinado por forças além de nosso controle — e a responsabilidade moral, que exige a existência de alguma forma de livre-arbítrio. Para muitos gregos, o homem não era inteiramente livre: deveria submeter-se à ordem cósmica, representada pelos deuses e pela fortuna (Tique). No entanto, a capacidade de raciocinar e de buscar a virtude permitia algum grau de autonomia. Esse contraste ainda ecoa nos tempos modernos, quando, por exemplo, atribuímos sucesso ou fracasso a uma “força maior”, mesmo acreditando na importância de fazermos boas escolhas.

2. A Perspectiva Hebraica Bíblica

Diferentemente das reflexões majoritariamente filosóficas dos gregos, a abordagem hebraica bíblica parte da concepção de que D-us é soberano e governa o mundo de acordo com Sua vontade. A Bíblia Hebraica (ou Antigo Testamento), porém, não deixa de reconhecer a autonomia humana. O grande exemplo disso está em Deuteronômio 30:19, quando D-us diz ao povo de Israel: “Coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida”. Esse texto evidencia que o ser humano tem a possibilidade real de escolher, e tal escolha traz consequências para a vida.

Ao mesmo tempo, encontramos passagens que atribuem a D-us o controle absoluto sobre os acontecimentos. Em Isaías 46:9-10, por exemplo, D-us afirma: “Meu propósito se cumprirá, e farei tudo o que me agrada”, indicando que nada escapa ao Seu plano. Há também textos em que D-us “endurece o coração” de determinadas figuras, como o Faraó no livro do Êxodo. Esses casos sugerem um grau de determinismo divino, como se o Divino orquestrasse situações específicas para cumprir Seus desígnios.

A tensão entre a soberania divina e a responsabilidade humana transparece em histórias como a de José, vendido pelos irmãos. Em Gênesis 50:20, José diz: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas D-us o tornou em bem”. Isto é, os irmãos agiram por inveja e crueldade (exercendo, portanto, um livre-arbítrio que se inclinou para o mal), mas D-us transformou essa ação maldosa em algo positivo para salvar muitas vidas. A conclusão que se tira desse episódio é que, mesmo quando o ser humano usa sua liberdade para o mal, D-us pode intervir, fazendo com que Seu plano maior se cumpra. Nesse caso, vemos simultaneamente um ato humano livre e uma ação divina determinista.

Portanto, a tradição hebraica bíblica não resolve a tensão de modo puramente lógico. Em vez disso, apresenta-a como um paradoxo: D-us é completamente soberano, porém o homem é inteiramente responsável por seus atos. Em última análise, o propósito divino prevalece, ainda que cada pessoa seja convocada a fazer escolhas morais, com todas as implicações que isso acarreta.

3. Reflexão Sobre as Duas Abordagens

Quando compararmos a perspectiva grega e a hebraica bíblica, percebemos pontos de convergência e divergência. Ambas reconhecem que existem forças ou princípios que transcendem a vontade humana — seja na forma de deuses, destino ou da soberania de um D-us único. Também reconhecem que o ser humano tem um papel ativo em sua jornada. A diferença principal é que, enquanto os gregos muitas vezes viam a relação entre destino e liberdade como um embate entre o poder dos deuses e a virtude humana, o pensamento hebraico bíblico aponta para uma convivência paradoxal, mas real, entre a soberania de Divina e a responsabilidade humana.

No nosso dia a dia, essa tensão se manifesta com frequência. Por exemplo, ao iniciarmos um novo ano — digamos, 2025 — somos tomados pela sensação de que tudo pode mudar se nos empenharmos: novo emprego, dietas bem-sucedidas, relacionamentos saudáveis. Entretanto, ao olharmos para trás, para um 2024 cheio de dificuldades, às vezes atribuímos os fracassos a um destino implacável ou a uma “vontade superior” que não entendemos. Essa dualidade gera questionamentos: se temos livre-arbítrio, por que oramos para que D-us conceda sucesso? Se o destino é inexorável, por que nos esforçamos?

A resposta, se é que existe, está na natureza desse conflito: o livre-arbítrio nos concede responsabilidade por nossas escolhas; o determinismo (ou a soberania divina) nos lembra de que há elementos fora de nosso controle e que, em última instância, o fluxo dos acontecimentos pode ser conduzido por uma força maior. Dependendo de nossa crença pessoal, podemos enfatizar mais um lado do que o outro. No entanto, a vivência humana é, em geral, marcada por uma oscilação constante entre a confiança no nosso poder de decisão e a humildade de reconhecer a existência de algo maior que nós.

Diante dessas reflexões, podemos perceber que o dilema entre livre-arbítrio e determinismo não tem uma solução puramente lógica. Na tradição grega, convivemos com a ideia de um destino traçado pelos deuses, mas ainda há espaço para a virtude humana. Na perspectiva hebraica bíblica, a soberania de Divina convive com a responsabilidade humana de escolher entre o bem e o mal. Em ambos os casos, há um convite para a ação consciente e uma advertência de que nem tudo está sob nosso controle.

O ponto crucial é que esse paradoxo não precisa ser motivo de angústia sem saída. Ao contrário, ele pode nos estimular a refletir profundamente sobre o valor de cada escolha que fazemos. O que realmente importa é como lidamos com a liberdade que possuímos e como aceitamos — ou não — os reveses que escapam à nossa vontade. Seja qual for a nossa postura, o chamado é para reconhecer que nossas decisões têm impacto moral e espiritual, e que há um poder maior que transcende a nossa compreensão.

Por isso, ao iniciarmos um novo ciclo, podemos tanto fazer planos e nos esforçarmos para cumpri-los quanto reconhecer que fatores externos (ou mesmo a intervenção divina) podem alterar o rumo que traçamos. É nessa dança entre o fazer humano e o mistério divino que a vida acontece. E, como diz uma das passagens mais marcantes das Escrituras hebraicas, nosso desafio é escolher a vida — isto é, optar pelo bem, assumir responsabilidades e buscar o melhor para nós e para os outros.

D-us é soberano mas o homem é responsável pelas suas ações e, quando o livre-arbítrio é usado para o mal e D-us intervém para o bem, chamamos isso de justiça. Pois a soberania Divina se manifesta. Quem não quer que a justiça seja feita?

Adivalter Sfalsin

Caso queira se aprofundar mais, você pode

ler sobre esse tema clicando aqui.

¹² Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. Salmos 90:12

Feliz Ano Novo 2024

Feliz Ano Novo!

Gostaria de estender meus votos de um ano novo verdadeiramente especial, e não como uma mera manta mágica de desejos que se precipita sobre nós sem qualquer conexão com nossas vidas práticas e ações.

Neste ano novo, almejo que:

  1. Os pais estejam mais presentes na vida de seus filhos;
  2. Que os filhos expressem gratidão pelo sacrifício de seus pais;
  3. As pessoas corram menos e dediquem mais tempo ao próximo e aos relacionamentos;
  4. As famílias vivam em equilíbrio e paz interna;
  5. As pessoas sejam valorizadas pelo que são, não pelo que possuem;
  6. Líderes religiosos falem menos sobre amor e pratiquem mais o amor ao próximo;
  7. Que os líderes religiosos ergam menos barreiras e mais vidas, falando menos sobre dinheiro e mais sobre servir ao próximo;
  8. Que as pessoas frequentem menos templos e visitem mais os necessitados ao seu redor;
  9. A saúde das pessoas não seja tratada como comodidade ou politizada, mas sim como um meio de enriquecimento genuíno;
  10. Que nenhum pai ou mãe tenha que chorar a morte prematura de um filho(a);
  11. Que as pessoas compreendam que vidas não são descartáveis, mas sim as posses materiais;
  12. O pequeno agricultor receba um preço justo por seus produtos, enquanto atravessadores parem de acumular fortunas exorbitantes pela exploração dos mesmos;
  13. Que não ocorra outra crise econômica causada pela ganância dos investidores do mercado financeiro;
  14. Que os EUA cessem de invadir países em busca de petróleo, sob o pretexto de disseminar liberdade e democracia;
  15. Que os novos milionários considerem os milhares que não têm nada ao seu redor antes de adquirirem sua primeira Ferrari;
  16. Que haja menos apelo sexual na mídia e mais promoção dos valores familiares;
  17. Que os meios de comunicação expressem a verdade sem partidarismo;
  18. Menos ostentação dos ricos e mais consideração pelos valores humanos;
  19. Que aprendamos a admirar e valorizar pessoas com experiência e sabedoria, não apenas aquelas com títulos acadêmicos, muitas vezes acumuladores de informação, mas carentes de sabedoria;
  20. Que a “comissão dos direitos humanos” lute pelos direitos da vítima, não do delinquente;
  21. Que o conhecimento seja democratizado, não comercializado;
  22. Que consideremos as falhas do próximo da mesma maneira que desejamos ser considerados;
  23. Que escolhamos a vida acima da morte, salvando o inocente e indefeso quando este não tem voz;
  24. Que o Senhor use uma medida maior de Sua graça ao considerar minhas falhas;
  25. Que a pessoa honesta e reta seja honrada, enquanto a desonesta e mentirosa seja envergonhada;
  26. Que tenhamos a capacidade de olhar o mundo ao nosso redor através dos olhos com uma consciência de que há um Deus maior do que nós, e não olhemos o mundo com olhos desprovidos de consciência;
  27. Que as pessoas acreditem que pode haver um mundo melhor, onde minhas decisões, por menores que sejam, tenham um profundo poder de mudar o mundo ao meu redor.

Se nada disso se concretizar, infelizmente, não será um ano novo, mas uma repetição tediosa do ano que acaba de passar, com todas as suas adversidades.

“Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.” – Salmos 90:12

Autor: A. De Assis

Feliz Ano Novo 2023

 

Feliz Ano Novo

Gostaria de desejar a todos um feliz ano novo, mas um verdadeiro ano novo, não como se fosse uma manta mágica de desejos que caísse sobre nós sem qualquer relação com a nossa vida prática e ações.

Gostaria que nesse ano novo:

Os pais fossem mais presentes na vidas dos seus filhos,

As pessoas corressem menos e dessem mais tempo ao seu próximo e aos relacionamentos.

As famílias vivessem em equilíbrio e paz interna.

As pessoas fossem valorizadas pelo que são e não pelo que tem.

Os líderes religiosos falassem menos de amor e amassem mais seu próximo.

Que os lideres religiosos erguessem menos paredes e mais vidas, falassem menos sobre dinheiro e mais sobre servi ao próximo.

Que as pessoas fossem menos aos templos e visitassem mais aos necessitados ao seu redor.

A saúde das pessoas não fossem tratada como comodidade ou politizada e fosse meio de enriquecimento rápido.

Que nenhum pai ou mãe tivesse que chorar a morte prematura de um filho(a).

Que as pessoas aprendessem que vidas não são descartáveis e sim as possessões materiais.

O pequeno agricultor ganhasse um preço justo pelos seus produtos e os atravessadores parassem de ganhar fortunas exorbitantes pela exploração dos mesmos.

Que não haja outra crise econômica causada pela ganância dos investidores do mercado financeiro.

Que os EUA parassem de invadir países atrás do petróleo usando o pretexto que estão espalhando a liberdade e democracia.

Que os novos milionários olhassem para os milhares que não tem nada ao seu redor antes de comprarem sua primeira Ferrari.

Que houvesse menos apelo sexual na mídia e mais promoção dos valores da família.

Que os meios de comunicação falassem a verdade sem partidarismo.

Que houvesse menos ostentação dos ricos e mais consideração aos valores humanos.

Que aprendêssemos admirar e a valorizar as pessoas que tem experiência e sabedoria e não as pessoas com títulos acadêmicos, esses muitas vezes são acumuladores de informação mas desprovidos de qualquer sabedoria.

Que a “comissão dos direitos humanos” lutasse pelos direitos da vítima e não do delinquente.

Que o conhecimento fosse democratizado e não comercializado.

Que considerássemos as falhas do próximo da mesma forma que queremos ser considerados.

Que escolhamos vida acima da morte, salvar o inocente e indefeso quando esse mesmo não tem voz.

Que o Senhor use uma medida maior de sua graça quando considerar minhas falhas.

Que a pessoa honesta e reta seja honrada e a desonesta e mentirosa seria seja envergonhada.

Que tenhamos a capacidade de olhar o mundo ao nosso redor através dos olhos com uma consciência de que há um D-us maior do que nós, e não olhássemos o mundo com os olhos sem a consciência. 

Que as pessoas acreditem que pode haver um mundo melhor, um mundo onde minhas decisões por menor que sejam tem um profundo poder de mudar o mundo ao meu redor.

Se nada disso acontecer, infelizmente não será um ano novo, mas uma repetição tediosa do ano que acaba de passar com todas as suas mazelas.
Autor: A. De Assis

Feliz Ano Novo

Gostaria de desejar a todos um feliz ano novo, mas um verdadeiro ano novo, não como se fosse uma manta mágica de desejos que caísse sobre nós sem qualquer relação com a nossa vida prática.

Gostaria que nesse ano novo:

Os pais fossem mais presentes na vidas dos seus filhos,

As pessoas corressem menos e dessem mais tempo ao seu próximo e aos relacionamentos.

As famílias vivessem em equilíbrio e paz interna.

As pessoas fossem valorizadas pelo que são e não pelo que tem.

Os líderes religiosos falassem menos de amor e amassem mais seu próximo.

Que os lideres religiosos erguessem menos paredes e mais vidas, falassem menos sobre dinheiro e mais sobre o amor.

Que as pessoas fossem menos aos templos e visitassem mais aos necessitados ao seu redor.

A saúde das pessoas não fossem tratada como comodidade e meio de enriquecimento rápido e a saúde não fosse politizada.

Que as pessoas aprendessem que vidas não são descartáveis e sim as possessões materiais.

O pequeno agricultor ganhasse um preço justo pelos seus produtos e os atravessadores parassem de ganhar fortunas exorbitantes pela exploração dos mesmos.

Que nenhum pai ou mãe tivesse que chorar a morte prematura de um filho(a) perdido para a violência urbana.

Que não haja outra crise econômica causada pela ganância dos investidores do mercado financeiro.

Que os EUA parassem de invadir países atrás do petróleo usando o pretexto que estão espalhando a liberdade e democracia.

Que os novos milionários olhassem para os milhares que não tem nada ao seu redor antes de comprarem sua primeira Ferrari.

Que houvesse menos apelo sexual na mídia e mais promoção dos valores da família.

Que os jornais falassem a verdade sem partidarismo.

Que houvesse menos ostentação dos ricos e mais consideração aos valores humanos.

Que aprendêssemos admirar e a valorizar as pessoas que tem experiência na vida e (sabedoria) e não as pessoas com títulos acadêmicos, muitas vezes acumuladores de informação mas desprovidos de qualquer sabedoria.

Que a “comissão dos direitos humanos” lutasse pelos direitos da vítima também e não do delinquente. 

Que o conhecimento fosse democratizado e não comercializado.

Que consideremos as falhas do próximo da mesmo forma que queremos ser considerados.

Que escolhamos vida acima da morte, salvar o inocente e indefeso quando esse mesmo não tem voz.  

Que D-us use uma medida maior de sua graça quando considerar minhas falhas.

Que as pessoas acreditem que pode haver um mundo melhor, um mundo onde minhas decisões por menor que sejam tem um profundo poder de mudar o mundo ao meu redor,

Se nada disso acontecer infelizmente não será um ano novo, mas uma repetição tediosa do ano que acaba de passar com todas as suas mazelas.

Autor: A. De Assis

Feliz Ano Novo

Gostaria de desejar a todos um feliz ano novo, mas um verdadeiro ano novo, não como se fosse uma manta mágica de desejos que caísse sobre nós sem qualquer relação com a nossa vida prática.

Gostaria que nesse ano novo:

Os pais fossem mais presentes na vidas dos seus filhos,

As pessoas corressem menos e dessem mais tempo ao seu próximo e aos relacionamentos.

As famílias vivessem em equilíbrio e paz interna.

As pessoas fossem valorizadas pelo que são e não pelo que tem.

Os líderes religiosos falassem menos de amor e amassem mais seu próximo.

Que os pastores erguessem menos paredes e mais vidas, falassem menos sobre o dizimo e mais sobre o amor.

Que as pessoas fossem menos a igreja e visitassem mais aos necessitados ao seu redor.

A saúde das pessoas não fossem tratada como comodidade e meio de enriquecimento rápido.

Que as pessoas aprendessem que vidas não são descartáveis e sim as possessões materiais.

O pequeno agricultor ganhasse um preço justo pelos seus produtos e os atravessadores parassem de ganhar fortunas exorbitantes pela exploração dos mesmos.

Que nenhum pai ou mãe tivesse que chorar a morte prematura de um filho(a) perdido para a violência urbana.

Que não haja outra crise econômica causada pela ganância dos investidores do mercado financeiro.

Que os EUA parassem de invadir países atrás do petróleo usando o pretexto que estão espalhando a liberdade e democracia.

Que os novos milionários olhassem para os milhares que não tem nada ao seu redor antes de comprarem sua primeira Ferrari.

Que houvesse menos apelo sexual na mídia e mais promoção dos valores da família.

Que os jornais falassem a verdade sem partidarismo.

Que houvesse menos ostentação dos ricos e mais consideração aos valores humanos.

Que a “comissão dos direitos humanos” lutasse pelos direitos da vítima também.

Que o conhecimento fosse democratizado

Que D-us use uma medida maior de sua graça quando considerar minhas falhas.

Que as pessoas acreditem que pode haver um mundo melhor, um mundo onde minhas decisões por menor que sejam tem um profundo poder de mudar o mundo ao meu redor,

Se nada disso acontecer infelizmente não será um ano novo, mas uma repetição tediosa do ano que acaba de passar com todas as suas mazelas.

Autor: Adivalter Sfalsin

DIA 1 DE JANEIRO PARA O JUDAÍSMO.

O QUE SIGNIFICA O DIA 1 DE JANEIRO PARA O JUDAÍSMO?

A origem do 1º de janeiro como começo do ano remonta a 46 a.C., quando o imperador romano Júlio César estabeleceu essa data como o marco inaugural do calendário. A escolha está ligada ao deus romano Jano (Janus), associado a portões e passagens, que possuía duas faces: uma voltada para o passado e outra para o futuro. César considerou que o mês em homenagem a Jano, “Ianuarius” (janeiro), seria uma “porta” apropriada para o início de um novo ano. Para celebrar, ele ordenou um violento confronto contra as forças revolucionárias judaicas na Galileia, em 1º de janeiro. Segundo relatos, o sangue correu pelas ruas.

Com a expansão do cristianismo, muitas festividades pagãs foram incorporadas ao novo calendário ou abolidas. No início da Idade Média, grande parte da Europa cristã passou a considerar o 25 de março (Dia da Anunciação, segundo a tradição católica) como o começo de um novo ano. Porém, quando Guilherme, o Conquistador (também conhecido como “Guilherme da Normandia”), foi coroado rei da Inglaterra em 25 de dezembro de 1066, ele decretou o retorno do início do ano para 1º de janeiro, à moda dos pagãos romanos. O objetivo era alinhar as celebrações do nascimento de Jesus (25 de dezembro) com sua própria coroação, bem como a da circuncisão de Jesus (1º de janeiro) para abrir o ano. Mais tarde, essa mudança foi rejeitada, e a Inglaterra voltou a comemorar o Ano Novo em 25 de março, seguindo o restante do mundo cristão.

Em 1582, o Papa Gregório XIII (Ugo Boncompagni, 1502-1585) reformou o calendário juliano, dando origem ao calendário gregoriano. O cálculo juliano de 365,25 dias (com um dia bissexto a cada quatro anos) continha uma pequena imprecisão (o ano solar real tem cerca de 365,2422 dias), o que fazia o calendário juliano acumular cerca de um dia de atraso a cada século. Para corrigir isso — e restaurar o equinócio vernal à data que ele ocorria no Concílio de Niceia (325 d.C.) — o Papa Gregório XIII adiantou o calendário em dez dias.

O 1º de janeiro, no entanto, também foi palco de episódios de perseguição contra os judeus. Em 1577, o próprio Papa Gregório XIII determinou, sob pena de morte, que todos os judeus romanos fossem obrigados a ouvir sermões de conversão após as orações das sextas-feiras. Em 1578, decretou que os judeus pagassem uma “taxa de apoio” para a manutenção de uma “Casa de Conversão”, destinada a convertê-los ao cristianismo. Em 1581, ordenou que suas tropas confiscassem toda a literatura sagrada da comunidade judaica de Roma, resultando em milhares de mortes.

Durante a Idade Média e o período pós-medieval, o dia 1º de janeiro — considerado pela cristandade como o dia da circuncisão de Jesus — foi marcado, em diversas regiões, por atos anti-judaicos, como a queima de sinagogas, livros judaicos, torturas públicas e homicídios.

Em Israel, o termo para as comemorações de Ano Novo na noite de 31 de dezembro é “Sylvester (Silvestre)”. Esse nome vem de São Silvestre, um papa que governou durante o Concílio de Niceia (325 d.C.) e que convenceu o imperador Constantino a proibir judeus de viver em Jerusalém, além de apoiar legislações agressivamente antijudaicas. Cada “santo” no catolicismo tem um dia especial de comemoração, e 31 de dezembro é o dia de São Silvestre — o que faz coincidir a virada do ano com a celebração desse papa.

Por esses e outros motivos, grande parte da comunidade judaica em Israel não vê 1º de janeiro como uma data de festa, mas como um momento que lembra a perseguição histórica contra o povo judeu. Ao mesmo tempo, muitos celebram o fato de o povo judeu hoje viver em Jerusalém, resistindo a todas as tentativas de expulsão ao longo dos séculos.

Ainda assim, para bilhões de pessoas que seguem o calendário gregoriano, 1º de janeiro é um dia de comemorações, festas e celebrações. Que seja um período de luz e paz para todos!

Feliz Ano Novo para quem segue o calendário gregoriano!

Adivalter Sfalsin