Olho Bom Olho Mau

Olho Bom, Olho Mau

Entendendo as palavras difíceis de Jesus

Há palavras de Jesus que nos inquietam justamente porque parecem simples demais. Lemos, assentimos, seguimos adiante e só mais tarde percebemos que talvez não as tenhamos entendido de fato. O Sermão da Montanha é repleto desse tipo de afirmação: frases curtas, imagens cotidianas, mas carregadas de um peso moral que atravessa séculos.

Registrado em Mateus capítulos 5 a 7 e preservado de forma fragmentada em Lucas, o Sermão da Montanha não é um conjunto de ideais abstratos, nem um código ético inalcançável. Ele descreve como vive e como vê aquele que caminha sob o Reino de D-us. Trata-se menos de discursos espirituais elevados e mais de uma reeducação do olhar.

Ao lermos esse sermão, uma pergunta inevitável surge: será que ainda compreendemos o significado original das palavras de Jesus? A resposta, com toda honestidade, tende a ser negativa. Não por falta de fé, mas por causa da distância cultural e linguística que nos separa do texto.

O pensamento de Jesus foi concebido em hebraico, expresso em um ambiente judaico saturado das Escrituras, depois traduzido para o grego, passou pelo latim e, por fim, chegou às línguas modernas. Nesse longo percurso, especialmente as frases idiomáticas perderam parte de sua força original. Elas continuam corretas gramaticalmente, mas empobrecidas em significado.

Uma dessas expressões é a famosa declaração de Mateus 6:22–23:

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;

se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso.

Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!”

Lida fora de seu contexto hebraico, essa passagem frequentemente é interpretada como algo místico, psicológico ou simbólico demais, como se Jesus estivesse falando de pensamentos positivos, percepção espiritual interior ou visão da alma. Contudo, nada disso estaria na mente de seus ouvintes originais.

Para um judeu do primeiro século, a expressão “olho bom” e “olho mau” não descrevia visão literal nem introspecção espiritual, mas sim uma postura moral diante da vida, especialmente em relação ao dinheiro, aos bens e ao próximo.

A chave para essa compreensão está no Tanakh, particularmente no livro de Provérbios, texto que os ouvintes de Jesus tinham profundamente internalizado.

“O que vê com bons olhos será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre.”

(Provérbios 22:9)

Aqui, o “bom olho” é claramente associado à generosidade. Ver é agir. O olhar correto produz uma resposta correta.

O contraste aparece de forma igualmente clara:

“Não comas o pão daquele que tem o olhar maligno (olho mau), nem cobices as suas iguarias.”

(Provérbios 23:6)

E ainda:

“O que quer enriquecer depressa é homem de olho maligno (olho mau), mas não sabe que a pobreza há de vir sobre ele.”

(Provérbios 28:22)

O “olho mau” é a avareza, a mesquinhez, o desejo de reter para si mesmo. Não se trata de visão física, mas da disposição do coração. Até hoje, em hebraico moderno, chamar alguém de dono de um bom olho é elogiá-lo como alguém generoso; o olho mau permanece como sinônimo de egoísmo.

Com essa chave em mãos, o ensino de Jesus deixa de ser enigmático.

Observe a estrutura do texto em Mateus 6:

“Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (verso 21)

“A candeia do corpo são os olhos…” (versos 22 e 23)

“Ninguém pode servir a dois senhores… Não podeis servir a D-us e a Mamom.” (verso 24)

A passagem do olho bom e do olho mau está exatamente no centro. Ela não é um pensamento solto, mas a ponte que conecta tudo. Jesus começa falando do tesouro, termina falando de senhores, e no meio revela o critério moral que governa ambos.

O assunto é claro: nossa relação com o dinheiro, com os bens materiais e com o próximo.

A luz que ilumina todo o corpo não é conhecimento, nem espiritualidade abstrata. É a generosidade. As trevas que consomem o interior não são ignorância, mas a avareza disfarçada de prudência, sucesso ou até bênção.

E aqui Jesus oferece um contraste radical com a mentalidade moderna e com muitas pregações contemporâneas centradas na prosperidade individual. Ele não ensina que a bênção material é um fim em si mesma, mas que ela cria um dever social. Ser abençoado é tornar-se responsável.

O Reino de D-us, segundo Jesus, não gira em torno do ter, mas do dar. Não se mede pelo acúmulo, mas pela liberdade em repartir. Não se manifesta pelo discurso, mas pelo olhar treinado para enxergar o outro.

No fim, o olho bom é um diagnóstico espiritual simples e implacável. Ele revela a quem servimos, onde está nosso coração e que tipo de luz realmente habita em nós.

E se a luz que julgamos possuir produz trevas ao nosso redor, então, como o próprio Jesus advertiu, quão grandes são essas trevas.

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Uma questão de perspectiva

Uma questão de perspectiva

Quando abrimos a Bíblia, muitas vezes não percebemos que estamos entrando em um mundo que pensa de maneira muito diferente da nossa. Não se trata apenas de língua ou de costumes antigos, mas de algo mais profundo: uma forma distinta de enxergar a realidade, o ser humano e o próprio D-us. Ao longo das Escrituras, duas grandes civilizações se encontram e, por vezes, entram em tensão. De um lado está a herança grego-romana, tão familiar ao pensamento ocidental. Do outro, a visão hebraica, que molda a própria linguagem da Bíblia.

A tradição grego-romana tende a olhar o mundo a partir da contemplação da forma, da beleza, da harmonia e das qualidades abstratas. O ideal grego busca compreender a realidade por meio de categorias, conceitos e atributos. O pensamento hebraico, em contraste, não começa com ideias, mas com vida. Ele observa o mundo como algo vivido, experimentado e atravessado pela ação. Para o hebreu, a verdade não é apenas algo que se define, mas algo que se pratica.

Essa diferença aparece também na forma como cada cultura encara o estudo. Para os gregos, estudar era acumular conhecimento, ordenar ideias e alcançar compreensão intelectual. Para os hebreus, estudar era um ato de reverência, uma maneira de aprender a viver diante de D-us. O conhecimento não tinha como fim a contemplação, mas a obediência. Aprende-se para viver corretamente.

É nesse ambiente que surgem os escritores do Novo Testamento. Embora escrevam majoritariamente em grego, eles pensam como judeus. Suas categorias mentais são hebraicas. Suas referências são o Tanakh. Eles não estão criando uma nova história desconectada da anterior, mas continuando a mesma narrativa, agora à luz da revelação do Messias. Ignorar isso é como tentar compreender uma peça musical observando apenas as notas finais, sem conhecer o tema que a sustenta desde o início.

Essa tensão entre perspectivas continua a nos influenciar até hoje, especialmente na forma como falamos sobre D-us. Somos frequentemente ensinados a descrevê-lo por meio de atributos. Dizemos que D-us é onipotente, onisciente, eterno, imutável. Dizemos também que Ele é amor, justiça, misericórdia, santidade. Essas descrições não são falsas. O problema surge quando imaginamos que elas esgotam a maneira como D-us se revela.

A teologia sistemática organiza esses atributos com grande precisão, mas ela parte de uma pergunta humana: como podemos definir D-us? A Bíblia, no entanto, parece partir de outra pergunta: como D-us age na história e na vida das pessoas? A diferença é sutil, mas decisiva.

O pensamento grego prefere adjetivos. O hebraico prefere verbos. O grego pergunta como algo é. O hebraico pergunta o que algo faz. Imagine um dia ensolarado. O grego o descreve como belo, luminoso, agradável. O hebreu o descreve como aquilo que aquece a pele, ilumina o caminho e faz a terra produzir. Um olha para a qualidade do sol. O outro para o efeito do sol.

Quando observamos como D-us fala de Si mesmo nas Escrituras, esse padrão se torna evidente. Ele raramente se apresenta com definições abstratas. Ele se apresenta por aquilo que fez e continua fazendo. “Eu sou o Senhor vosso D-us, que vos tirei da terra do Egito.” Não é uma definição filosófica, mas um ato histórico. “Eu mato e faço viver.” “Eu firo e eu saro.” “Eu fiz o mar e a terra seca.” “Eu sou o Senhor que vos santifica.” “Eu agito o mar.” “Eu falo.” “Eu guardo o estrangeiro e sustento o órfão e a viúva.”

D-us não diz apenas quem Ele é. Ele mostra quem Ele é por meio de ações. Mesmo quando atributos aparecem, eles nunca estão desligados da prática. Sua justiça se manifesta em fazer justiça. Sua misericórdia em cuidar. Sua santidade em separar, ordenar e restaurar.

Isso nos leva a uma pergunta inevitável. Como nos relacionamos com um D-us assim? Se D-us fosse apenas um conjunto de atributos perfeitos, nossa relação com Ele seria limitada à admiração distante. Não podemos imitar a onipotência. Não podemos reproduzir a eternidade. Mas se D-us se revela por meio de ações, então Ele nos convida a imitá-lo dentro dos limites da nossa condição humana.

É aqui que muitos tropeçam na palavra santidade. Quando leem “sede santos”, entendem automaticamente perfeição absoluta. Algo inalcançável. Algo que afasta em vez de aproximar. No entanto, no hebraico bíblico, santidade não começa como um adjetivo, mas como um verbo. Qadash significa separar para um propósito. Santidade não é primeiro o que alguém é, mas o que alguém faz com sua vida.

De repente, o chamado muda de tom. D-us não está exigindo que sejamos impecáveis. Ele está nos convidando a alinhar nossa vida com Seu propósito. A nos separar do caos moral para participar da ordem que Ele estabelece no mundo.

É verdade que não podemos repetir os grandes atos cósmicos de D-us. Não podemos libertar um povo inteiro da escravidão nem dividir mares. Mas podemos agir como Ele age dentro do alcance das nossas mãos. Podemos fazer justiça ao órfão e à viúva. Podemos amar o estrangeiro. Podemos dar pão a quem tem fome e dignidade a quem foi esquecido. Podemos viver honestamente, falar a verdade, ser fiéis, rejeitar a violência, cultivar a humildade e guardar a língua do mal.

É exatamente isso que a Escritura afirma quando resume a vontade de D-us de forma tão simples quanto profunda: praticar a justiça, amar a bondade e andar humildemente com o teu D-us. O que D-us faz, Ele nos chama a refletir. O que Ele pratica, Ele nos convida a praticar.

Tiago não inventa nada novo quando diz que a religião pura consiste em cuidar dos órfãos e das viúvas. Ele apenas ecoa a voz antiga da Torá. A fé bíblica nunca foi uma fuga do mundo, mas um compromisso com sua restauração.

Nosso maior desafio, portanto, não é aprender novos conceitos, mas desaprender certas lentes. Precisamos resistir à tentação de impor à Bíblia uma cosmovisão que ela não assume. Quando permitimos que o texto fale a partir de sua própria lógica, descobrimos que D-us não nos chama para uma perfeição abstrata, mas para uma fidelidade concreta. E quando essa fidelidade se torna prática, D-us deixa de ser apenas objeto de crença e passa a ser reconhecido como presença viva atuando por meio das nossas ações.

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Os 13 atributos divinos

O Mesmo D-us: Ontem, Hoje e Sempre

O Mesmo D-us: Ontem, Hoje e Sempre

Se você já pensou que o D-us do Velho Testamento e o D-us do Novo Testamento parecem personagens diferentes, saiba que isso é mais comum do que parece. A leitura fragmentada da Bíblia cria essa impressão, como se no início tivéssemos um D-us severo e no final um D-us gentil. Mas a Bíblia, quando lida com cuidado, revela algo muito diferente. Ela é, antes de tudo, um livro sobre a humanidade: suas falhas, quedas e tentativas de caminhar com o Criador. D-us age o tempo inteiro, desde Gênesis até Apocalipse, mas raramente descreve a Si mesmo diretamente. Ele se revela através de ações. E é justamente por isso que Êxodo 34 é tão extraordinário: pela primeira vez, D-us diz claramente quem Ele é.

Essa revelação acontece após o desastre espiritual do Bezerro de Ouro. Moisés está no Sinai recebendo instruções enquanto o povo fabrica um ídolo brilhante e o apresenta como o deus que os tirou do Egito. A resposta divina não surpreende: D-us declara que destruiria aquela geração. Mas Moisés intercede e o impossível acontece. D-us decide perdoar e, mais do que isso, revela Seus atributos essenciais.

O texto diz: “SENHOR, SENHOR, D-us compassivo, misericordioso e paciente, cheio de graça e verdade; que guarda a misericórdia por milhares de gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, mas não inocenta o culpado.” Ali está o coração de D-us, o mesmo coração percebido mais tarde nas palavras e ações de Jesus. A tradição judaica identifica nessa passagem os Treze Atributos de Misericórdia, que funcionam como o mapa interno do caráter divino. A seguir, eles aparecem listados com o hebraico original ao lado:

1. ADONAI, ADONAI (יהוה יהוה – misericordioso antes e depois do pecado)

D-us é misericordioso antes que a pessoa peque, mesmo sabendo das tendências interiores que ela carrega, e continua misericordioso depois que a pessoa cai, oferecendo oportunidade de retorno e restauração.

2. EL (אל – Todo-Poderoso)

A força absoluta que governa a natureza e a humanidade com justiça verdadeira, julgando cada pessoa de acordo com a realidade do seu coração e das suas escolhas.

3. Rachum (רחום – compassivo)

O D-us que se inclina ao sofrimento humano, especialmente o dos fracos, pobres e oprimidos. Ele não é indiferente às dores humanas, mas age para aliviar, resgatar e proteger.

4. VeChanun (וְחַנּוּן – gracioso)

O D-us que oferece graça mesmo a quem não merece, estendendo consolo, ajuda e presença aos que falharam, aos que não têm méritos e aos que estão quebrados.

5. Erech Appayim (אֶרֶךְ אַפַּיִם – paciente, lento para a ira)

D-us concede tempo para arrependimento e transformação. Ele não reage impulsivamente, mas espera, instrui, chama e oferece novas chances.

6. Rav Chesed (רַב חֶסֶד – abundante em bondade)

D-us oferece mais bondade do que pedimos e mais do que merecemos. Sua generosidade excede expectativas e ultrapassa nossos limites.

7. VeEmet (וֶאֱמֶת – verdadeiro e fiel)

D-us mantém Sua palavra e Sua aliança. Ele não promete o que não cumpre. Sua fidelidade atravessa circunstâncias e gerações.

8. Notzer Chesed Laalafim (נֹצֵר חֶסֶד לָאֲלָפִים – preserva bondade por milhares)

D-us lembra os atos dos justos e derrama bênçãos sobre seus descendentes, mesmo quando estes não são tão virtuosos. Sua memória da bondade humana é longa e profunda.

9. Nosei Avon (נֹשֵׂא עָוֹן – perdoa iniquidade consciente)

Iniquidade é o pecado cometido com intenção deliberada. D-us perdoa até o erro premeditado quando há arrependimento sincero.

10. Nosei Pesha (נֹשֵׂא פֶשַׁע – perdoa transgressão rebelde)

Pesha é a transgressão praticada em rebelião consciente. Mesmo nesse caso, D-us abre caminho para retorno e perdão quando a pessoa decide voltar.

11. Nosei Chata’ah (נֹשֵׂא חַטָּאָה – perdoa pecado involuntário)

Chéṭ é o erro cometido sem intenção. D-us leva em conta a fragilidade humana, o desconhecimento e a limitação, oferecendo perdão e restauração.

12. Venakeh (וְנַקֵּה – purifica)

D-us limpa e purifica aqueles que se arrependem de verdade. Ele remove a mancha, restaura a alma e reconstrói o que foi destruído. Mas não purifica quem se recusa a buscar arrependimento, pois justiça e misericórdia caminham juntas.

Aquele que purifica, limpando o pecador arrependido, mas sem ignorar a justiça.

São 12 Atributos de Misericórdia

Perdão, paciência, bondade, graça.

A essência dominante do caráter de D-us é misericordiosa. Ele é, em Sua maior parte, bondade, perdão, restauração e paciência. O VT inteiro confirma isso em cada página: alianças renovadas, profetas enviados, segundas chances constantes. Jesus não introduz misericórdia. Ele encarna a misericórdia antiga.

1 Atributo de Justiça

Sem arrependimento, não há purificação.

A justiça divina não anula a misericórdia, mas também não é anulada por ela. D-us não suprime a liberdade humana. Ele perdoa quem aceita o perdão. Ele purifica quem deseja ser purificado. Jesus ecoa esse princípio quando anuncia repetidamente: arrependam-se. É o mesmo fundamento espiritual, apenas mais visível.

3 Tipos de Pecado Perdoado

Premeditado, rebelde e inadvertido.

Essa tríade mostra o alcance da misericórdia divina. D-us não perdoa apenas o erro acidental. Ele alcança inclusive pecados intencionais e rebeldes. Pedro negou Jesus com plena consciência. Ainda assim, foi restaurado. Os perseguidores do Messias cometeram um ato coletivo de rebeldia e ignorância. Ainda assim, Jesus ora: Pai, perdoa-lhes. O VT ensina isso. O NT evidencia isso.

Quando lemos essa lista com atenção, a imagem de D-us que emerge não é a de um ser impaciente ou cruel, mas de um D-us profundamente comprometido com misericórdia, bondade, paciência e restauração. A justiça está presente, mas sempre acompanhada de graça. Esse é o D-us que se revela no Sinai, e é esse mesmo D-us que aparece em Jesus.

Jesus não introduz um novo D-us no cenário bíblico. Ele revela em carne o D-us antigo, o D-us de sempre. Quando toca um leproso, vemos Rachum. Quando perdoa Pedro antes e depois da negação, vemos ADONAI repetido duas vezes. Quando é paciente com os discípulos que não compreendem Suas parábolas, vemos Erech Appayim. Quando multiplica alimento para uma multidão sem que ninguém tenha pedido, vemos Rav Chesed. Quando diz que veio cumprir e não abolir a Torá, vemos VeEmet. Quando na cruz oferece perdão ao ladrão arrependido, vemos Nosei Avon, Nosei Pesha e Nosei Chata’ah atuando simultaneamente. E quando ressuscita, abrindo caminho para nossa purificação, vemos Venakeh em sua forma mais profunda.

João, ao dizer que Jesus era cheio de graça e verdade, está ecoando diretamente Êxodo 34. Um judeu do primeiro século reconheceria imediatamente o paralelo. João não está inventando teologia; está dizendo que aquele que caminhou com eles era a encarnação dos atributos revelados a Moisés. Não existe contradição entre o D-us do Velho e o D-us do Novo Testamento. Existe, sim, uma continuidade perfeita.

Essa compreensão nos desafia a revisar nosso próprio reflexo. Se D-us é paciente, por que somos tão impacientes? Se Ele preserva bondade por milhares de gerações, por que às vezes não conseguimos preservar por um único dia? Se Ele perdoa iniquidade, transgressão e pecado, por que tantas vezes não toleramos nem pequenos erros alheios? Talvez a dificuldade não esteja em entender o caráter de D-us, mas em aceitar que Ele não é como nós. Ele é infinitamente mais misericordioso do que supomos.

Os Treze Atributos mostram claramente que D-us não se cansa de seres humanos quebrados. Ele age, perdoa, recomeça, restaura e se revela. Jesus não inaugura um novo tipo de divindade; Ele manifesta o D-us que sempre esteve presente. O mesmo que caminhou no Éden, que falou no Sinai, que inspirou os profetas e que entrou na história humana através de Jesus. O D-us do início é o D-us do fim. O mesmo ontem, hoje e sempre.

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Saiba Mais:

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Dimensões Eternas

Dimensões Eternas

As Dimensões Perdidas da Moralidade

A moralidade moderna tornou-se uma cuidadosa curadora de duas virtudes muito estimadas, a bondade e a justiça. Se você ouvir como as pessoas discutem hoje sobre aquilo que é certo ou errado, especialmente no ocidente secular, perceberá que raramente escapam dessas duas perguntas. Isso causa dano a alguém, e isso é justo? Essas perguntas não são triviais, e o psicólogo moral Jonathan Haidt (1) mostrou o quanto moldam nossos instintos éticos. Mas logo você começa a se perguntar se apenas duas virtudes conseguem sustentar todo o peso da existência humana. É como tentar pintar um por do sol usando apenas duas cores e, ainda assim, convencer-se de que as cores ausentes nunca foram realmente necessárias.

Algo dentro de nós sabe que isso não é verdade. Intuímos que a moralidade é mais rica, mais profunda, mais complexa do que o par harmonia e justiça consegue expressar. A Bíblia certamente pensa assim. Para ela, o ser humano não é apenas um corpo que sente dor nem apenas uma mente que calcula equidade. Somos também alma e espírito, criaturas que habitam significado e mistério, desejo e fidelidade. Quando as Escrituras falam sobre o que é bom, elas usam um vocabulário muito mais profundo do que a linguagem enxuta da ética moderna.

Às vezes ajuda olhar para as próprias palavras hebraicas, porque elas revelam dimensões da vida moral que nossa cultura quase nunca considera.

Existe חֶסֶד (hesed, bondade amorosa), a generosidade ativa que vai muito além da simples justiça, como em Levítico 19:18, Miquéias 6:8.

Existe רַחֲמִים (rahamim, compaixão ou misericórdia), a sensibilidade que sente a dor do outro tão profundamente que se torna impossível virar o rosto. Salmo 103:13, Isaías 49:15.

Existe צֶדֶק (tzedek, retidão ou justiça divina), a insistência de que o mundo deve refletir não apenas o que os humanos consideram conveniente, mas o que D-us chama de justo, como em Deuteronômio 16:20, Provérbios 21:3.

Existe מִשְׁפָּט (mishpat, julgamento justo), a aplicação concreta da justiça no cotidiano e nos tribunais. Levítico 19:15, Deuteronômio 10:18.

Existe אֱמוּנָה (emunah, fidelidade ou lealdade), frequentemente traduzida como fé, mas muito mais próxima de firmeza de coração, a qualidade que sustenta relacionamentos de aliança, entre pessoas ou com o próprio D-us. Deuteronômio 7:9, Habacuque 2:4, Êxodo 17:12.

E sobre todas essas virtudes está קְדֻשָּׁה (kedushah, santidade), a percepção de que a vida carrega a presença do Criador, algo que permeia todo o livro de Levítico. Levítico 19:2, Êxodo 19:6, Isaías 6:3.

Quando você percebe essas dimensões, entende que a moral bíblica não tenta apenas minimizar o sofrimento nem maximizar a justiça. Ela tenta formar um certo tipo de pessoa, alguém cujo mundo interior é moldado por amor, compaixão, justiça, fidelidade e reverência. Ela fala ao corpo, mas também à alma e ao espírito. Reconhece que o ser humano não é uma criatura plana, que reage apenas ao dano e à justiça, mas um ser profundamente complexo, que anseia por sentido, pertencimento e presença sagrada.

Jonathan Haidt (1) observa que sociedades pré-modernas e religiosas preservam essas fundações morais adicionais. Elas valorizam fidelidade, respeito, santidade, compaixão e responsabilidade. Entendem que nenhuma comunidade sobrevive apenas com bondade e justiça. 

Sem fidelidade, os relacionamentos se quebram. 

Sem reverência, a vida perde profundidade. 

Sem santidade, o mundo torna-se raso. 

Como já comentou o rabino Jonathan Sacks, quando uma sociedade abandona sua percepção do sagrado, sua moralidade se reduz a preferências pessoais. O que parece justo para mim substitui aquilo que é correto diante de D-us.

É aqui que a visão bíblica mais profunda se torna um farol em meio à confusão contemporânea. A Escritura apresenta a moralidade através de três grandes vozes que moldam a condição humana. Uma nos chama a honrar o que é sagrado, outra nos chama a buscar a justiça, outra a buscar a sabedoria. Essas vozes não competem entre si, elas se completam. Formam uma ecologia moral que alcança todas as partes do nosso ser. Quando ouvimos apenas uma ou duas dessas vozes, nosso mundo interior encolhe.

C. S. Lewis alertava que o homem moderno vive como se o mundo tivesse sido esvaziado de encanto. Analisamos tudo, mas reverenciamos quase nada. Medimos dano e justiça, mas esquecemos da gratidão, da humildade, da fidelidade e da santa admiração. Temos medo de parecer antiquados ao usar palavras como retidão ou santidade, então as sussurramos ou as escondemos. Mas algo em nós permanece inquieto. O desejo pelo transcendente não desaparece quando substituímos a linguagem do sagrado pela linguagem da psicologia. Ele se intensifica.

Quando lemos as Escrituras devagar, o horizonte moral volta a se expandir. Percebemos quantas vezes o texto fala de חֶסֶד (hesed, bondade amorosa), uma generosidade que supera a equidade. Vemos a profundidade de רַחֲמִים (rahamim, compaixão), que suaviza o coração diante do sofrimento alheio. Reconhecemos a seriedade de צֶדֶק (tzedek, retidão), que afirma que nossas escolhas nunca são neutras. Sentimos o peso de מִשְׁפָּט (mishpat, julgamento justo), que protege o vulnerável. Experimentamos a firmeza de אֱמוּנָה (emunah, fidelidade), que sustenta compromissos mesmo quando eles custam caro. E aprendemos a permanecer em silêncio diante de קְדֻשָּׁה (kedushah, santidade), a consciência de que cada vida, cada momento e cada respiração carregam a marca de D-us.

Essa visão está muito distante da simples pergunta, “isso prejudica alguém?”. Ela pergunta, “isso honra o sagrado?”. “Isso reflete a fidelidade da aliança?”. “Isso cultiva a retidão ou a destrói?”. “Isso conduz minha alma à sabedoria ou a afasta dela?”. A moral bíblica não é um sistema para evitar erros, mas a formação paciente de uma pessoa que caminha com D-us.

Os discípulos de Yeshua sentem essa diferença entre a profundidade bíblica e a superficialidade moderna de forma muito clara. Yeshua nunca reduziu a moralidade aos limites do dano ou da justiça. Sua compaixão era mais profunda do que a prevenção do sofrimento. Sua justiça era mais rica do que a equidade. Ele acolhia o excluído não porque isso parecia equilibrado, mas porque Seu coração transbordava de חֶסֶד (hesed, bondade amorosa). Ele confrontava a hipocrisia não porque era injusta, mas porque violava צֶדֶק (tzedek, retidão). Ele curava com רַחֲמִים (rahamim, compaixão), ensinava com sabedoria, vivia com a fidelidade de אֱמוּנָה (emunah, lealdade) para com o Pai e caminhava constantemente na luz de קְדֻשָּׁה (kedushah, santidade).

Imitá-Lo é reencontrar a plenitude da vida moral. É lembrar que o espírito também precisa ser moldado, tanto quanto o corpo e a alma. Que a moralidade não pergunta apenas como evitar o mal, mas como tornar-se santo. Não apenas como ser justo, mas como ser fiel. Não apenas como evitar crueldade, mas como cultivar compaixão. Não apenas como equilibrar direitos, mas como honrar obrigações sagradas. É uma visão mais exigente, e também muito mais bela.

Se a ética moderna parece pequena, é porque perdeu seus pilares mais altos. Ela esqueceu קְדֻשָּׁה (kedushah, santidade) e אֱמוּנָה (emunah, fidelidade), e sem elas todo o edifício treme. Mas a Escritura não as esqueceu, nem os sábios de Israel, nem os discípulos de Yeshua que continuam ouvindo essas vozes mais profundas. Quando abrimos nossos ouvidos a esse vocabulário moral ampliado, algo dentro de nós se expande. Lembramos quem somos, criaturas feitas à imagem de D-us, chamadas não apenas a evitar o mal, mas a refletir a Sua santidade.

Talvez essa seja a tarefa dos crentes hoje, não atacar a moralidade moderna, mas ampliá-la suavemente, reintroduzindo ao nosso mundo a música mais rica de חֶסֶד (hesed), רַחֲמִים (rahamim), צֶדֶק (tzedek), מִשְׁפָּט (mishpat), אֱמוּנָה (emunah) e קְדֻשָּׁה (kedushah). Se permitirmos que essas palavras moldem nosso corpo, alma e espírito, talvez o mundo moral achatado volte a se erguer em três dimensões, amplo e vivo. E quem sabe descubramos que essa antiga arquitetura moral ainda está de pé, silenciosa e firme, esperando que entremos outra vez, não como estranhos, mas como filhos que voltam para casa.

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(1) Jonathan Haidt, The Righteous Mind: Why Good People Are Divided by Politics and Religion (London, Allen Lane, 2012).

O Templo Interior

O Templo Interior

“O sacerdote santifica a criação, o profeta santifica a história e o sábio santifica a vida cotidiana.”Rabbi Jonathan Sacks, livro: A Grande Parceria

Há momentos em que nossa fé se parece estar em uma encruzilhada entre três vozes interiores, cada uma puxando-nos para um caminho diferente. Uma sussurra sobre ordem e disciplina sagrada, outra clama por justiça e verdade, e a terceira convida ao silêncio e à compreensão. Juntas, formam a sinfonia humana, corpo, alma e espírito, todos ansiando por se harmonizar com a música do Céu.

Costumamos imaginar a santidade como um dom reservado a sacerdotes e estudiosos, a profetas que proclamam do alto das montanhas ou a sábios e intelectuais que caminham por templos antigos. No entanto, o mistério da fé é que essas três dimensões, a sacerdotal, a profética e a da sabedoria, não habitam apenas nas Escrituras, mas também nos recantos mais profundos do nosso ser. O sacerdote manifesta o sagrado através do corpo, no compasso e na estrutura da criação. O profeta se levanta na alma, onde a consciência desperta e o anseio por justiça ganha voz. O espírito, por sua vez, acolhe a sabedoria, buscando discernir o mistério que une o céu e a terra.

Rabbi Sacks escreveu que o sacerdote santifica a criação. Essa afirmação contém, por si só, toda uma teologia do corpo. Nunca fomos destinados a vagar pelo mundo como espíritos presos à carne, nem a tratar o material como inferior ao espiritual. O corpo humano, com seus limites e ritmos, ensina reverência. O descanso, como o sábado, não é um ritual imposto do alto, mas um chamado inscrito em nossa própria estrutura, para parar, descansar e lembrar que a vida não é uma engrenagem sem fim de produção, lucro acima de tudo. Até mesmo a respiração, alternando entre inspirar e expirar, é uma liturgia de dependência.

A parte sacerdotal em nós compreende a santidade dos limites. Quando honramos a criação, quando cuidamos da saúde, quando respeitamos a santidade da comida, do descanso e das relações, agimos como guardiões da ordem divina. A tragédia da vida moderna não é sermos físicos demais, mas termos esquecido o significado sagrado do físico. Usamos o corpo sem admiração, consumimos o mundo sem gratidão e corremos pelos dias como se o tempo fosse inimigo, e não um presente. Mas a santidade começa com a consciência, com o reconhecimento de que cada movimento do corpo, cada palavra pronunciada, cada respiração, é uma oportunidade de encontrar D-us no comum.

Se a voz sacerdotal fala por meio da ordem, a voz profética irrompe quando essa ordem se acomoda. Onde o corpo pede ritmo, a alma exige oxigénio. O profeta dentro de nós desperta quando vemos algo errado e não conseguimos permanecer em silêncio. É a voz que se recusa a transformar o culto em espetáculo, que insiste que nossas orações devem se derramar em compaixão, nossos rituais em justiça. A tarefa do profeta é santificar a história, lembrar ao mundo que o tempo não corre em vão, mas avança com propósito, e que cada gesto humano é visto por D-us.

O profeta é a consciência que interrompe o conforto. É incômodo, às vezes indesejado, mas absolutamente necessário. Cada geração precisa dessa voz, e cada coração também. Sabe aquele sentimento que temos quando vemos a injustiça sendo feita, quando os poderosos oprimem os vulneráveis, quando o inocente é condenado? Esse sentimento é o profeta dentro de nós. É a centelha que se recusa a aceitar o mal como normalidade, o clamor silencioso que exige retidão mesmo quando o mundo prefere o silêncio.

Há momentos em que precisamos dizer a verdade a nós mesmos, quando devemos nomear os ídolos que erguemos com orgulho ou medo, e lembrar que santidade não é apenas pureza, mas também justiça. D-us não nos chama a afastar-nos do mundo, mas a redimi-lo com o poder do amor, estendendo Sua compaixão às partes mais feridas da criação. Ignorar o profeta interior é permitir que a fé se transforme em mera aparência.

No entanto, se ouvíssemos apenas o profeta, nossos corações jamais encontrariam descanso. O fogo da indignação, sem direção, pode queimar em vez de aquecer. É então que a terceira voz se manifesta, suave, mas constante: a voz da sabedoria. O espírito ouve quando o corpo e a alma se cansam. Ele não grita nem ordena, apenas pergunta, reflete e interpreta. A sabedoria, como lembrou Rabbi Sacks, santifica o cotidiano. É a arte de enxergar sentido onde outros veem monotonia, de encontrar propósito até mesmo na dor.

A sabedoria não responde a todas as perguntas. Ela sabe viver dentro do silêncio, confiando que o entendimento virá quando o coração estiver pronto. Nas Escrituras, sabedoria não é apresentada como intelecto, mas como uma forma de caminhar, agir com justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com o teu D-us. Ser sábio é reconciliar-se com os limites do conhecimento sem abandonar a busca pela verdade.

O espírito aprende o que o corpo e a alma não podem ensinar sozinhos. Compreende que a santidade não é uma emoção a ser perseguida, nem um sistema a ser imposto, mas um relacionamento a ser vivido. Ela nasce quando reverência e retidão se encontram na reflexão, quando a ordem do sacerdote e a paixão do profeta encontram harmonia na compreensão.

Viver como seres humanos completos é permitir que essas três vozes conversem dentro de nós. O corpo sem a alma torna-se mecânico, a alma sem o espírito torna-se caótica, o espírito sem o corpo torna-se distante e frio. D-us nos formou não como fragmentos, mas como unidade, carne animada pelo sopro, consciência iluminada pela sabedoria. A plenitude da vida em Yeshua não está em negar nossa humanidade, mas em santificá-la.

Uma das verdades mais belas tanto da fé judaica quanto da cristã é que a santidade já não está confinada a templos de pedra. O mundo sacerdotal moveu-se do santuário para a cozinha, a oficina, a rua. A palavra profética ecoa não apenas através de visionários, mas também através de pessoas comuns que se recusam a desviar o olhar do sofrimento. E a voz da sabedoria fala por meio de quem se detém o bastante para escutar. O que antes era privilégio de poucos tornou-se o chamado de todos.

Nesse sentido, a visão de Rabbi Sacks é ao mesmo tempo antiga e revolucionária. Ele mostrou que o sacerdote, o profeta e o sábio não são profissões, mas dimensões do ser, não títulos a serem reivindicados, mas vozes a serem cultivadas. Seu livro A Grande Parceria convida o leitor a redescobrir o casamento entre fé e razão, lembrando que a ciência explica o mundo que existe, mas a religião revela o mundo que deveria existir. E a ponte entre os dois, como ele tão bem disse, é a sabedoria.

C. S. Lewis observou que o ser humano moderno perdeu o senso de eternidade. Olha para o temporário e o chama de real, esquece que o invisível é o que mais dura. Assim também a fé se fragmenta: o corpo sem alma, a alma sem espírito, quando D-us nos convida à unidade entre todos eles.

Estar plenamente vivo em Yeshua é tornar-se um ponto de encontro entre o Céu e a Terra. O corpo aprende reverência por meio da disciplina, a alma aprende coragem por meio da consciência, e o espírito aprende paz por meio da reflexão. Em cada um desses aspectos, santificamos algo diferente, criação, história e pensamento, e todos convergem em um mesmo propósito, tornar a presença de D-us visível em um mundo que esqueceu o Seu rosto.

Quando nos ajoelhamos para orar, santificamos o espaço. Quando servimos com compaixão, santificamos o tempo. Quando meditamos na verdade, santificamos a mente. Esses não são atos separados, mas faces de um mesmo chamado, o de transformar cada gesto de fé em um lugar habitado pelo Divino. Talvez esse seja o segredo da santidade, não a separação entre o sagrado e o secular, mas a sua reconciliação.

Se aprendermos a ouvir essas três vozes dentro de nós, a disciplina silenciosa do corpo, o clamor inquieto da alma e a percepção contemplativa do espírito, começaremos a viver não como seres divididos, mas inteiros. O mundo não precisa de mais brilho nem de poder, precisa de plenitude espiritual, aquela que transforma a fé em luz, e a luz em amor.

Pois, no fim, ser humano é tornar-se eco da voz d’Aquele que falou, e o mundo existiu, que chamou profetas do pó e que ainda hoje sussurra sabedoria aos corações dispostos a escutar. E quando essas três vozes, corpo, alma e espírito, voltarem a se unir em adoração e em verdade, talvez então o mundo desperte, e lembre que ser santo é simplesmente deixar que o Divino volte a habitar em nós.

Adivalter Sfalsin

Between the heaven and earth

Between Heaven and Earth

Bringing Eternity Down to Earth

There is an ancient tension that still hums quietly in the human soul, a contrast not between good and evil, but between two ways of seeing the same world. The Greeks taught us to look upward, to escape the prison of flesh and ascend toward the stars. The Hebrews, however, taught us to look around, to sanctify the ground beneath our feet. Both saw the same sunrise, both felt the same wonder, yet their eyes were fixed on very different horizons.

The Greek mind adored transcendence. For it, matter was shadow and spirit was light. The philosopher’s task was to climb the ladder of abstraction, to leave behind the weight of dust and bone until at last he might touch the eternal. Salvation, in this vision, is escape, liberation from matter, from limitation, from the slow ticking of time. Plato imagined the soul as an exile, homesick for heaven. The mystic dreamed of dissolving into divine radiance. The lower longed for the higher.

But the Hebrew mind, the mind of Abraham, Moses, and the prophets, saw a story running in the opposite direction. Here, the higher longs for the lower. G-d does not sit aloof in the heavens waiting for humanity to climb up. He descends. He enters. He walks in the garden in the cool of the day. He speaks from a burning bush. He dwells in a tent of animal skins in the wilderness. The Bible is not the tale of man’s search for G-d, but of G-d’s search for man.

That difference changes everything. Judaism never made a religion of escape. The Hebrew heart never despised bread or wine, marriage or laughter. Its holiness was not in fleeing the world but in transforming it. Every law, every meal, every field left open for the poor, every sunrise greeted with blessing, these were not distractions from heaven but moments when heaven stooped down to kiss the earth.

Rabbi Joseph Soloveitchik once wrote of such a person, what he called the Halakhic Man. Yet perhaps we might call him The Man of the Kingdom: a believer who builds rather than escapes, who sanctifies the ordinary instead of running from it. Soloveitchik described an old man sitting by the Baltic Sea one dawn, watching the sun rise over the water, filled with beauty and melancholy, thinking about the brevity of life. But his conclusion was not despair. The world, precisely because it fades, is holy. The Man of the Kingdom does not flee mortality; he fills it with meaning.

King Hezekiah once cried, “For the grave cannot praise You, death cannot celebrate You: they that go down into the pit cannot hope for Your truth. The living, the living, he shall praise You, as I do this day” (Isaiah 38:18–19). And David sang, “I shall not die, but live, and declare the works of the Lord” (Psalm 118:17). To them, life itself was the temple. To breathe was to serve. To act justly, to love mercy, to walk humbly, these were the instruments of worship. Death, far from being a doorway to holiness, was the interruption of it.

This sounds almost scandalous to ears trained by centuries of Greek philosophy. To many, holiness begins only when the veil of the physical is lifted. Yet to the Hebrew prophet, the veil itself was sacred. “Weave it,” the Lord commanded. “Colour it blue, hang it in the Tabernacle.” The material world was not the enemy of the divine; it was the medium through which the divine expressed itself.

The Greek mind seeks eternity by abandoning the temporal; the Hebrew mind finds eternity by redeeming it. The philosopher gazes upward and asks, “How may I rise above this world?” The sage of Israel bends down to tie his sandal and whispers, “How may I serve G-d here?”

That is why the Hebrew faith builds, plants, and legislates. It does not hide in monasteries but walks among fields, families, and marketplaces. The Torah is not a metaphysical treatise but a manual for life: how to trade fairly, how to treat the stranger, how to celebrate harvests, how to rest. Heaven’s “Torah study” is not about distant mysteries; it is about the ordinary. The commandments are not theories but blueprints for holiness in the real world.

For the Greek, religion is an ascent, the ladder of contemplation leading upward toward pure form. For the Hebrew, it is a descent, the ladder of revelation reaching downward into clay. The Greek finds the holy in withdrawal; the Hebrew finds it in engagement. One dreams of escape; the other of embodiment.

Perhaps this is why Yeshua’s prayer sounded so both familiar and revolutionary: “Thy Kingdom come, Thy will be done on earth as it is in heaven.” It was the Hebrew vision confirmed, heaven not as a far-off realm, but as something meant to break into the world of bread and wine, tears and laughter, the faces of the poor and the mercy of those who feed them.

The Man of the Kingdom stands between heaven and earth, neither a mystic lost in ecstasy nor a skeptic chained to the visible. He is a craftsman of divine order. He builds with commandments instead of bricks, yet his goal is the same as any builder’s: to create a dwelling for G-d among men.

He knows the value of small obedience. The Greek philosopher builds theories; the Hebrew disciple bakes bread. One chases abstraction; the other blesses the loaf. The Man of the Kingdom understands that eternity does not begin beyond the stars but in the ordinary moment faithfully lived. He takes the world as it is, messy, fragile, beautiful, and turns it into an altar.

He might even smile, a little wryly, at the irony of the situation. For while the philosopher dreams of escaping matter, the carpenter from Nazareth took up wood and nails and brought salvation through them. The Greek builds temples of thought; the Hebrew Messiah built a Kingdom with calloused hands.

And so the Man of the Kingdom says, “Better one hour of Torah and obedience to the commandments it holds, lived out in this world, than the whole span of life in the world to come.” For eternity does not wait somewhere beyond the stars; it begins where mercy is given, where justice is done, where the sunrise is met not with escape, but with purpose.

The Greek climbs upward, chasing light. The Hebrew kneels down, lighting candles. Perhaps the truest faith does both: it looks up with wonder, and then looks around with responsibility. It dreams of heaven, but it builds a home where heaven and earth can meet.

Maybe that is what Yeshua meant when He broke the bread and said, “This is My body.” He was not asking us to abandon the world, but to recognise that the eternal had already entered it. The infinite took on flesh, and suddenly every meal, every act of mercy, every choice for truth became a meeting place of heaven and earth.

The Greeks wanted to climb to the stars. The Hebrews wanted to make the stars shine on their tables. And the Man of the Kingdom, perhaps he has learned to do both. He looks upward in awe, then downward in love, and in doing so discovers that the distance between heaven and earth was never as great as it seemed.

Adivalter Sfalsin

Entre o ceu e a terra

Entre o Céu e a Terra

Trazendo a Eternidade à Terra

Existe uma antiga tensão que ainda ressoa silenciosamente na alma humana, um contraste não entre o bem e o mal, mas entre duas maneiras de enxergar o mesmo mundo. Os gregos nos ensinaram a olhar para cima, a fugir da prisão da carne e subir em direção às estrelas. Os hebreus, porém, nos ensinaram a olhar ao redor, a santificar o chão sob os nossos pés. Ambos viram o mesmo nascer do sol, ambos sentiram o mesmo encanto, mas seus olhos estavam fixos em horizontes muito diferentes.

A mente grega adorava a transcendência. Para ela, a matéria era sombra e o espírito era luz. A tarefa do filósofo era subir a escada da abstração, deixando para trás o peso do pó e dos ossos, até finalmente tocar o eterno. A salvação, nessa visão, é fuga: libertação da matéria, da limitação, do tempo que corre lentamente. Platão imaginava a alma como um exilado, com saudade do céu. O místico sonhava em se dissolver na radiância divina. O que está embaixo ansiava pelo que está acima.

Mas a mente hebraica, a mente de Abraão, Moisés e dos profetas, contou uma história que segue na direção oposta. Aqui, o que está acima anseia pelo que está abaixo. D-us não permanece distante nos céus, esperando que a humanidade suba até Ele. Ele desce. Ele entra. Ele caminha no jardim à brisa do dia. Ele fala de uma sarça em chamas. Ele habita em uma tenda de peles no deserto. A Bíblia não é a história da busca do homem por D-us, mas da busca de D-us pelo homem.

Essa diferença muda tudo. O judaísmo nunca fez da fé uma religião de fuga. O coração hebraico nunca desprezou o pão nem o vinho, o casamento nem o riso. Sua santidade não está em abandonar o mundo, mas em transformá-lo. Cada lei, cada refeição, cada campo deixado para o pobre, cada amanhecer recebido com bênção, todos são momentos em que o céu se inclina para beijar a terra.

O rabino Joseph Soloveitchik escreveu sobre esse tipo de pessoa, a quem chamou de Homem Haláchico. Talvez devêssemos chamá-lo de Homem do Reino: um crente que constrói em vez de escapar, que santifica o comum em vez de rejeitá-lo. Soloveitchik descreve um homem já avançado em idade sentado à beira do Mar Báltico, ao amanhecer, observando o sol nascer sobre as águas, tomado por beleza e melancolia, refletindo sobre a brevidade da vida. Mas sua conclusão não foi o desespero. O mundo, justamente por ser passageiro, é sagrado. O Homem do Reino não foge da mortalidade; ele a preenche de sentido.

O rei Ezequias exclamou: “Pois a sepultura não pode louvar-Te, nem a morte celebrar-Te; os que descem à cova não esperam pela Tua verdade. Os vivos, os vivos, esses Te louvarão, como eu faço hoje” (Isaías 38:18–19). E Davi cantou: “Não morrerei, mas viverei, e contarei as obras do Senhor” (Salmos 118:17). Para eles, a própria vida era o templo. Respirar era servir. Praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente, esses eram os instrumentos do culto. A morte, longe de ser uma porta para a santidade, era a interrupção dela.

Isso pode soar quase escandaloso aos nossos ouvidos treinados por séculos de filosofia grega. Para muitos, a santidade começa apenas quando o véu da matéria é removido. Mas, para o profeta hebreu, o próprio véu era sagrado. “Tecê-loás”, ordenou o Senhor. “Colori-loás de azul e pendurá-lo no Tabernáculo.” O mundo material não era inimigo do divino; era o meio pelo qual o divino se expressava.

A mente grega busca a eternidade abandonando o temporal; a mente hebraica encontra a eternidade redimindo-o. O filósofo olha para o alto e pergunta: “Como posso elevar-me acima deste mundo?” O sábio de Israel se inclina, amarra a sandália e murmura: “Como posso servir a D-us aqui?”

Por isso a fé hebraica constrói, planta e legisla. Ela não se esconde em mosteiros, mas caminha entre campos, famílias e mercados. A Torá não é um tratado metafísico, mas um manual de vida: ensina como negociar com justiça, como tratar o estrangeiro, como celebrar as colheitas, como descansar. O “estudo da Torá” no céu não trata de mistérios distantes, mas do cotidiano. Os mandamentos não são teorias, mas planos para tornar o mundo santo.

Para o grego, a religião é uma ascensão, a escada da contemplação que sobe rumo à forma pura. Para o hebreu, é uma descida, a escada da revelação que toca o barro. O grego encontra o sagrado no afastamento; o hebreu o encontra no envolvimento. Um sonha em fugir; o outro em encarnar.

Talvez por isso a oração de Yeshua (Jesus) tenha soado tão familiar e, ao mesmo tempo, tão revolucionária: “Venha o Teu Reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.” Era a visão hebraica confirmada, o céu não como um reino distante, mas como algo que deve invadir o mundo do pão e do vinho, das lágrimas e do riso, dos pobres e da misericórdia de quem os alimenta.

O Homem do Reino vive entre o céu e a terra, não é um místico perdido em êxtase, nem um cético preso ao visível. Ele é um artesão da ordem divina. Constrói com mandamentos em vez de tijolos, mas o seu objetivo é o mesmo de qualquer construtor: criar uma morada para D-us entre os homens.

Ele entende o valor da obediência nas pequenas coisas. O filósofo grego ergue teorias; o discípulo hebreu amassa o pão. Um persegue abstrações; o outro abençoa o que está sobre a mesa. O Homem do Reino sabe que a eternidade não começa além das estrelas, mas no instante comum vivido com fidelidade. Ele toma o mundo como ele é, imperfeito, frágil, belo e o transforma em altar.

Talvez até sorria, com certa ironia, diante do paradoxo. Enquanto o filósofo sonha em escapar da matéria, o carpinteiro de Nazaré tomou madeira e pregos e, por meio deles, trouxe a salvação. O grego constrói templos de pensamento; o Messias hebreu edificou um Reino com as próprias mãos calejadas.

E assim o Homem do Reino diz: “Melhor uma hora estudando a Torá e de obediência aos mandamentos nela contidos, vivida neste mundo, do que toda uma vida no mundo vindouro.” Porque a eternidade não espera em algum céu distante; ela começa aqui, onde a misericórdia é praticada, onde a justiça é cumprida, onde o nascer do sol é recebido não como fuga, mas como chamado.

O grego sobe, perseguindo a luz. O hebreu se ajoelha, acendendo velas. Talvez a fé mais verdadeira faça as duas coisas: olha para cima com admiração e depois ao redor com responsabilidade. Sonha com o céu, mas constrói uma casa onde o céu e a terra possam se encontrar.

Talvez seja isso que Yeshua quis dizer ao partir o pão e declarar: “Isto é o Meu corpo.” Ele não nos convidava a abandonar o mundo, mas a perceber que o eterno já havia entrado nele. O infinito se fez carne, e de repente cada refeição, cada ato de misericórdia, cada escolha pela verdade se tornou um ponto de encontro entre o céu e a terra.

Os gregos queriam escalar as estrelas. Os hebreus queriam fazê-las brilhar sobre suas mesas. E o Homem do Reino, talvez, aprendeu a fazer as duas coisas. Olha para o alto com reverência, depois para baixo com amor, e assim descobre que a distância entre o céu e a terra nunca foi tão grande quanto parecia.

Pois, quando se ajoelha para acender sua vela, percebe algo que o filósofo jamais compreenderia: a mesma chama refletida em seus olhos é a luz que um dia disse “Haja luz”. E ela ainda queima, silenciosa, fiel, no coração de todo aquele que ousa trazer a eternidade à terra.

Adivalter Sfalsin

Aliança que Transforma

Dia 41 – Aliança que Transforma

📅 Semana 6 – Conexão, Relacionamentos e Aliança

Tema: Relações que moldam o caráter

Nem todo relacionamento molda, mas toda aliança verdadeira transforma. Em um mundo de conexões descartáveis e compromissos frágeis, falar em “aliança” parece antiquado, quase fora de lugar. Mas para D‑us, aliança não é uma opção cultural, é a base da relação dEle conosco desde o princípio. Alianças não são apenas promessas feitas em momentos de emoção, mas compromissos selados com perseverança, verdade e entrega. E elas não apenas conectam pessoas, elas moldam identidades. Vivemos cercados de muitos laços, mas quantos deles realmente nos desafiam a crescer, a amadurecer, a nos tornarmos versões mais elevadas de nós mesmos? A aliança exige mais do que convivência, exige intencionalidade. Exige esforço. Exige um “sim” renovado diariamente, mesmo nos dias difíceis. E quando cultivada com fé, paciência e graça, ela gera frutos eternos. A Contagem do Omer hoje nos convida a olhar com reverência e responsabilidade para os vínculos que temos nutrido. Que tipo de pessoa me torno dentro dos meus relacionamentos mais profundos? Estou sendo transformado à imagem de D‑us ou apenas repetindo padrões quebrados? Quem caminha comigo está sendo abençoado pela minha presença ou apenas tolerando minha ausência emocional?

✨ Foco prático do dia:

Escolha hoje honrar uma aliança da sua vida. Pode ser o casamento, uma amizade antiga, seu compromisso com a fé ou sua responsabilidade num ministério. Valorize o que D‑us tem selado com você.

📖 Tanakh – Malaquias 2:10

“Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo D‑us? Por que seremos desleais uns para com os outros, profanando a aliança de nossos pais?”

Esse versículo é um lembrete poderoso de que trair uma aliança humana é também uma afronta ao próprio Criador. A fidelidade nos relacionamentos não é apenas uma virtude social, mas uma expressão espiritual profunda. Se fomos criados por um D‑us de aliança, como podemos viver rompendo os vínculos que Ele nos chamou a preservar?

📖 Novo Testamento – 2 Timóteus 2:13

“Se formos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar-se a Si mesmo.”

Jesus (Yeshua) nos mostrou que fidelidade não depende da resposta do outro, mas do caráter de quem ama. D‑us permanece fiel mesmo quando somos inconstantes. E é justamente essa fidelidade que nos salva, nos transforma e nos ensina a ser fiéis também. Alianças humanas são frágeis, mas quando colocadas nas mãos dEle, elas se tornam pontes para o céu.

Reflexão para aplicar hoje:

💭 Tenho sido fiel às alianças que D‑us me confiou?

💭 Estou cultivando vínculos que edificam e transformam?

💭 Minha vida relacional expressa a aliança que tenho com D‑us?

💭 Quem anda comigo tem crescido por estar ao meu lado?

Aliança não é apenas dizer “sim” no começo, mas reafirmar esse “sim” nos dias difíceis. É escolher amar mesmo quando o outro falha. É permanecer firme quando tudo em volta grita “desista”. É ser reflexo da fidelidade de D‑us no mundo real.

Vamos juntos?

O Dia 41 da Contagem do Omer nos lembra que a espiritualidade verdadeira se revela nos vínculos que cultivamos. Uma aliança bem cuidada tem o poder de transformar não só relacionamentos, mas corações. Honre hoje o que D‑us ligou. Alimente com presença o que Ele te confiou.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos para mais um passo nessa caminhada de crescimento interior.

Com fé n’Ele,

Adivalter Sfalsin

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A Beleza da Paciência

🗓️ Dia 21 – A Beleza da Paciência

Semana 3 D21: Beleza, Harmonia e Compaixão

Tema: Esperar com fé

Vivemos em um tempo onde tudo parece acontecer no ritmo da velocidade. A fila tem que andar, a resposta precisa vir na hora, a conquista tem que ser imediata. Mas o Reino de D‑us segue outro compasso. Ele ensina que há beleza na espera, que há maturidade na paciência e que a fé se fortalece quando aprendemos a confiar mesmo sem ver.

A paciência não é passividade. É uma forma ativa de confiar. É o exercício da alma que escolhe esperar com esperança, sabendo que D‑us está agindo — ainda que em silêncio. Hoje, a Contagem do Omer nos convida a fazer uma pausa interna, a silenciar a ansiedade e a confiar que há um tempo certo para todas as coisas.

✨ Foco prático do dia: Aceitar com serenidade o tempo de D‑us

📖 Tanakh (VT): Lamentações 3:26

“Bom é ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor.”

Escrito em meio ao lamento de Jerusalém destruída, esse versículo nos ensina que, mesmo nas maiores dores, existe espaço para esperar. O profeta não ignora o sofrimento, mas encontra consolo na certeza de que D‑us ainda é bom. Aguardar em silêncio é reconhecer que o agir divino não depende da nossa pressa. É entregar o controle sem perder a esperança.

📖 Novo Testamento: Tiago 5:8

“Sede vós também pacientes e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.” 

Tiago nos lembra que a paciência é também um exercício de preparação. É manter o coração firme, mesmo quando as circunstâncias parecem paradas. A promessa não falha. A demora não é ausência de D‑us, mas parte do processo. Assim como o agricultor espera o fruto amadurecer, devemos esperar com confiança, sabendo que o tempo de D‑us sempre chega.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, respire fundo e pergunte-se:

💭 Em que área da minha vida estou sendo impaciente?

💭 O que D‑us pode estar me ensinando nesse tempo de espera?

💭 Posso transformar minha ansiedade em oração e minha pressa em confiança?

Lembre-se: esperar com fé é uma forma de adoração. É declarar com o coração que D‑us é digno da nossa confiança mesmo quando não vemos o fim do caminho. É nessa espera que nossa alma se fortalece e se embeleza aos olhos do Criador.

Vamos juntos?

Dia 21 da Contagem do Omer nos mostra que a paciência é um testemunho silencioso, mas poderoso. O mundo é apressado, mas o Reino floresce no tempo certo. Esperar com fé é semear confiança, e D‑us honra quem aprende a esperar n’Ele. Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

🎉 Parabéns a todos que chegaram até aqui e têm caminhado fielmente nesta jornada de crescimento espiritual e aperfeiçoamento do caráter! Foram 21 dias intensos — três semanas de reflexão, desafios e transformação interior na Contagem do Omer. Sua perseverança é uma conquista verdadeira e digna de celebração. Estamos a cada passo mais próximos do nosso objetivo: nos tornarmos pessoas mais conscientes, sensíveis à voz de D‑us e moldadas segundo Seu coração. Que você se sinta encorajado a continuar firme. Ainda há muito terreno sagrado a ser percorrido, e cada pequeno avanço conta. Um dia de cada vez, um passo mais perto da plenitude.

Com fé n’Ele,

Adivalter Sfalsin

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Vencendo-se a Si Mesmo

🗓️ Dia 12 – Vencendo-se a Si Mesmo

Semana 2 D12: Disciplina, Limites e Justiça

Tema: Autodisciplina em áreas pequenas

Você já percebeu como, muitas vezes, as maiores batalhas não são contra os outros — mas contra nós mesmos? Não contra inimigos externos, mas contra os impulsos, hábitos, vontades e emoções que moram dentro da gente? Hoje, a jornada da Contagem do Omer nos leva a uma lição essencial e prática: vencer-se a si mesmo é o verdadeiro sinal de força espiritual. Parece simples, mas não é. Negar a si mesmo em algo pequeno, como não responder com irritação, deixar de fazer um comentário desnecessário, ou até mesmo resistir a uma vontade egoísta, exige mais coragem do que escalar uma montanha. A autodisciplina não é algo que se impõe de fora para dentro. Ela nasce de uma consciência de que fomos chamados a governar nossas vontades, não sermos governados por elas. Esse é o desafio de hoje: antes de conquistar o mundo, conquiste a si mesmo.

✨ Foco prático do dia: Negue-se em algo pequeno, e observe a força que é necessário para tal.

📖 Tanakh (VT): Provérbios 16:32

“Melhor é o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade.”

A sabedoria de Salomão nos ensina que o verdadeiro herói não é o guerreiro que vence exércitos, mas aquele que vence a si mesmo. Dominar o ego é mais nobre do que dominar territórios. Por quê? Porque controlar impulsos, controlar a raiva, resistir à autosabotagem, exige uma força interior que nenhum poder externo fazê-lo. E o resultado é paz, com os outros e consigo mesmo.

📖 Novo Testamento: 1 Coríntios 9:27

“Esmurro o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, tendo pregado a outros, eu mesmo não venha a ser reprovado.”

O apóstolo Paulo não está falando aqui de punição física literal, mas de disciplina espiritual. Ele compara a vida cristã a uma corrida onde o corpo (ou seja, os desejos carnais e impulsos) precisa ser mantido em sujeição. Autocontrole é essencial para viver com propósito e consistência. E isso começa nas pequenas decisões do dia a dia.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, pratique um pequeno “não” para si mesmo. Pode ser no que você come, no que você fala, no tempo que passa em distrações, ou até na forma como reage a alguém. Não é para se castigar, é para fortalecer a sua alma.

💭 Em que área da minha vida eu preciso de mais disciplina pessoal?

💭 Quais hábitos pequenos estão me afastando de quem D-us me chamou para ser?

Lembre-se: o autocontrole não é um fim em si mesmo. É uma ferramenta de liberdade. Quando você governa suas vontades, está construindo um caminho de integridade e abrindo espaço para que o Espírito de D-us atue com mais liberdade dentro de você.

Vamos juntos?

Dia 12 da Contagem do Omer nos desafia a praticar a disciplina mais difícil de todas: a de vencer a si mesmo. Uma alma fortalecida começa com pequenas vitórias diárias.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

Adivalter Sfalsin

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Dizer não com Amor

🗓️ Dia 9 – Dizer Não com Amor

Semana 2: Disciplina, Limites e Justiça

Tema: Estabelecer limites saudáveis

Quantas vezes você disse “sim” apenas para evitar conflito? Ou cedeu quando sabia que precisava se posicionar? Dizer “não” pode parecer duro mas, na verdade, é uma forma essencial de amar.

Nesta segunda semana da Contagem do Omer, dedicada à disciplina e aos limites, aprendemos que amor sem fronteiras se torna permissividade. E permissividade não edifica, não protege e, muitas vezes, não cura. Dizer “não” com amor é um dos atos mais difíceis e mais transformadores da vida espiritual.

Jesus não disse “sim” a tudo. Ele sabia o momento de calar, de corrigir, de afastar-se e de não ceder à pressão. Limites saudáveis protegem tanto quem os impõe quanto quem os recebe. São muros que guardam o coração e indicam onde o amor termina e o abuso começa.

✨ Foco prático do dia: Dizer “não” com firmeza e carinho

📖 Tanakh (VT): Provérbios 25:28

“Como cidade derrubada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio.”

Uma cidade sem muros está exposta a todo tipo de invasão. Assim também é a alma sem limites. A ausência de domínio próprio nos deixa vulneráveis emocionalmente, espiritualmente e até fisicamente. Ter autocontrole é manter a dignidade e a direção.

📖 Novo Testamento: Mateus 5:37

“Seja o vosso sim, sim; e o vosso não, não; o que passar disso vem do maligno.”

Jesus ensina que a integridade começa na clareza. Um “não” dito com amor é mais poderoso e libertador do que mil “sims” ditos por obrigação ou medo.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, reflita: há algo a que você precisa dizer “não”?

Talvez um convite, uma atitude que se repete, uma expectativa injusta, ou até um pensamento recorrente que te afasta da paz. Dizer “não” com firmeza e gentileza é parte do cuidado com sua alma e também com os outros.

💭 Tenho colocado limites claros nos meus relacionamentos e responsabilidades?

💭 Meu “não” expressa respeito por mim e pelo outro, ou vem carregado de culpa e ressentimento?

Estabelecer limites não é sinal de frieza, mas de maturidade. É saber que o amor verdadeiro também diz: “aqui não”, “assim não”, “isso não me edifica” e, quando necessário, “eu não posso carregar isso por você.”

Vamos juntos?

Dia 9 da Contagem do Omer nos convida a cultivar a disciplina de dizer “não” com coragem e compaixão com limite que cura e protege.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

Adivalter Sfalsin

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Misericórdia Acima da Justiça

🗓️ Dia 6 – Bondade e Amor Incondicional

Semana 1: Misericórdia Acima da Justiça

Você já se sentiu no direito de exigir justiça? Talvez alguém te magoou profundamente. Talvez palavras foram ditas que deixaram marcas. Ou atitudes inesperadas quebraram a confiança. Nesses momentos, o coração clama por reparação. Queremos justiça, sim — mas o céu hoje te convida a algo maior: misericórdia.

✨ Foco prático do dia: Perdoar e ser compassivo.

Perdoar não é esquecer. É decidir que você não será mais refém da dor. É abrir mão de um julgamento legítimo e oferecer ao outro o que D-us te oferece todos os dias: compaixão imerecida.

📖 “Quem é como tu, ó D-us, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da transgressão…? Porque tem prazer na misericórdia.”

Miquéias 7:18

O profeta Miquéias descreve um D-us que não apenas encoraja o perdão, mas tem prazer em perdoar. Isso nos confronta. Será que temos prazer em oferecer misericórdia, ou apenas fazemos isso com esforço e relutância?

📖 “Sede misericordiosos, como também é misericordioso o vosso Pai.”

Lucas 6:36

Jesus não está apenas sugerindo: Ele está nos chamando a imitar o Pai. E se queremos refletir a imagem dEle, a misericórdia não pode ser opcional. É o nosso chamado.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, o desafio é claro e direto:

Escolha perdoar. Escolha ser misericordioso.

Talvez alguém te feriu esta semana — com palavras, com frieza, com ausência. Talvez foi algo que aconteceu há anos. Ou talvez o que você precisa hoje é pedir perdão, reconhecendo onde falhou.

A misericórdia verdadeira não espera o outro merecer. Ela age primeiro. Ela interrompe o ciclo da dor com graça. Isso não significa ignorar o erro, mas sim libertar o próprio coração da prisão da mágoa.

💭 Posso hoje escolher misericórdia acima da justiça?

💭 Sou capaz de oferecer ao outro o que tanto recebo de D-us?

Você pode descobrir que, ao liberar perdão, não está libertando o outro — está libertando a si mesmo.

Vamos juntos?

Dia 6 da Contagem do Omer nos desafia a elevar a misericórdia acima da justiça. Porque o D-us que servimos não nos tratou segundo nossos méritos, mas segundo o seu amor.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

Adivalter Sfalsin

Por onde andas

Por onde andas? Um Convite para a presença do Divino

E chamou o Senhor D-us a Adão, e disse-lhe: Onde estás? (Gênesis 3:9)

“וַיִּקְרָא יְהוָה אֱלֹהִים אֶל־הָאָדָם וַיֹּאמֶר לוֹ אַיֶּכָּה

Quando D-us chamou Adão no Jardim do Éden, perguntando “Onde estás?”, Ele não estava simplesmente fazendo uma pergunta sobre localização. Muitos de nós talvez nos perguntemos: “Por que D-us, que sabe de todas as coisas, perguntaria onde Adão estava?” Mas essa pergunta, profunda e cheia de significado, vai além da geografia. É uma questão de relacionamento e presença, uma que ressoa ao longo da Bíblia e ecoa em nossas vidas até hoje. A pergunta de D-us para Adão—Ayeka – אַיֶּכָּה? ou “Onde estás?”—revela Seu desejo de caminhar em comunhão conosco, de estar em um relacionamento de confiança e companheirismo.

Esse tema de “andar com D-us” é uma narrativa fundamental em toda a Bíblia, abordando uma vida marcada pela proximidade espiritual, obediência e confiança. Desde o Jardim do Éden até as jornadas dos profetas, andar com D-us é um modo de viver, um convite para alinhar nossos passos com o Divino e compartilhar de Sua presença.

Um Convite para Caminhar Juntos, em Gênesis, encontramos o primeiro exemplo de D-us caminhando entre a humanidade no Jardim do Éden. Após Adão e Eva comerem do fruto da Árvore do Conhecimento, eles se escondem ao ouvir “o som do Senhor D-us que passeava no jardim” (Gênesis 3:8). D-us então chama: “Onde estás?” Mas esta não é uma pergunta comum referente a localização geográfica. Em hebraico, duas palavras podem ser usadas para “onde”: eifo, que é um pedido direto de localização, e ayeka, uma questão mais íntima sobre presença e estado de ser. A escolha de D-us pelo termo ayeka implica um anseio por proximidade relacional, como se Ele estivesse perguntando: “Por que você está se escondendo de Mim? Por que você não está mais ao Meu lado? Esse é a hora de andarmos juntos”.

Esse momento profundo revela o desejo de D-us por comunhão. O Jardim foi criado para que D-us e a humanidade pudessem caminhar juntos. Contudo, por causa do pecado, Adão e Eva se esconderam, criando uma distância de D-us que é sentida profundamente ao fazer a pergunta. O “Onde estás?” de D-us não é uma expressão de ira, mas uma dor divina pelo relacionamento rompido. Ele estava convidando-os a caminhar ao Seu lado, mas, em vez disso, eles escolheram a separação.

Caminhar como Companheirismo Mútuo. A palavra hebraica halach, que significa “caminhar”, pode ser conjugada em diferentes formas, cada uma com significados sutis. Na forma hitpaell’hithalekh—ela sugere uma ação mútua ou reflexiva, indicando que caminhar é algo a ser feito juntos. Quando a Bíblia fala de D-us “caminhando” no jardim, ela está convidando Adão e Eva a uma jornada compartilhada. D-us não estava apenas passeando; Ele estava estendendo um convite para um companheirismo, uma caminhada de presença mútua. Mas a desobediência deles interrompeu essa companhia, deixando D-us sozinho enquanto Adão e Eva se escondiam com vergonha e medo.

O conceito de andar com D-us continua nas histórias de Enoque e Noé. Em Gênesis 5:24, lemos: “Enoque andou com D-us; e já não era, porque D-us o tomou para si.” O relacionamento de Enoque com D-us era tão íntimo que ele foi unido a D-us, transcendendo o reino terreno. Noé, por sua vez, “andou com D-us” (Gênesis 6:9), e sua vida tornou-se um exemplo de companheirismo justo com D-us. Sua fé e confiança em D-us o ajudaram a resistir à corrupção ao seu redor, levando-o a cumprir o comando de D-us para construir a arca. Para Enoque e Noé, andar com D-us era mais do que um ato físico; era uma postura interior de obediência e rendição. Eles nos mostram como uma caminhada fiel com D-us pode transformar nossas vidas, mesmo em um mundo marcado pela ruptura.

A Promessa de Companheirismo. Em Levítico 26:12, D-us estende outro convite para o companheirismo, dizendo: “E andarei entre vós e serei vosso D-us, e vós sereis o meu povo.” Esta promessa reflete o coração do desejo de D-us por um relacionamento com Seu povo—uma oportunidade renovada para a humanidade “andar” com Ele. A linguagem aqui relembra a caminhada no Éden, sugerindo que, se o povo de Israel seguisse Seus mandamentos, eles poderiam experimentar novamente Sua presença. Rashi, um comentador medieval proeminente, aponta para uma midrash que interpreta esta promessa como D-us dizendo: “Andarei convosco no Jardim.” É uma visão de redenção onde D-us caminha lado a lado com Seu povo, um relacionamento restaurado onde humanidade e D-us podem desfrutar da presença um do outro.

Um Chamado Profético: “Onde Estás?” Ao longo da Bíblia, os profetas chamam Israel a retornar a D-us, ecoando a pergunta divina, “Onde estás?” Em Isaías 52:11-12, o profeta exorta o povo a “saírem do meio das nações,” para andarem com D-us mais uma vez. O profeta Miquéias encapsula o desejo de D-us por Seu povo em Miquéias 6:8, dizendo: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu D-us?” Andar com D-us é um chamado à humildade, justiça e misericórdia. Ele encoraja ao povo que vivam alinhados com Seus valores, caminhando de maneira que crie uma vida de integridade, justiça e compaixão. É um convite profético para retornar ao companheirismo para o qual fomos criados, uma jornada harmoniosa de presença com D-us.

Caminhando Juntos na Nova Aliança. No Novo Testamento, vemos esse chamado ao companheirismo cumprido na pessoa de Yeshua (Jesus). Ele convida Seus seguidores, dizendo: “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês” (João 15:4). Conhecido como “Emanuel,” que significa “D-us conosco,” Ele representa o ápice do desejo de D-us de caminhar intimamente com a humanidade. Saulo ecoa essa promessa em 2 Coríntios 6:16, dizendo: “Habitarei neles e andarei entre eles; serei o seu D-us, e eles serão o meu povo.” Por meio do Messias, o convite de D-us para andar com Ele torna-se acessível a todos.

Andar com D-us é mais do que uma metáfora; é uma jornada transformadora de confiança, obediência e presença. Existem várias formas que podemos implementar em nossas vidas para “andar com D-us”. Priorize momentos de oração e reflexão. Separe um tempo todos os dias para convidar D-us ao seu coração—não apenas para pedir, mas para ouvir e abrir sua alma à Sua presença. Através de uma oração silenciosa e reflexiva, permitimos que D-us fale conosco, transformando o cotidiano em encontros sagrados. Imersão nas Escrituras também é um modo poderoso de convidar D-us a caminhar ao nosso lado. A Palavra de D-us nos guia, conforta e fortalece. Ao nos engajarmos diariamente com a Bíblia, ainda que sejam apenas alguns versículos, convidamos a sabedoria de D-us para nossas vidas, alinhando nossas ações com Seus ensinamentos. Caminhar com D-us significa também incorporar Seu amor, misericórdia e compaixão. Busque ativamente maneiras de demonstrar bondade, perdoar aqueles que o ofenderam e servir aos necessitados. Cada ato de amor e misericórdia nos aproxima de D-us, que é amor em essência, e nos ajuda a harmonizar nosso coração com o dEle. Caminhar humildemente com D-us, como Miquéias exorta, exige deixar o orgulho de lado e render-se à Sua orientação. Reconhecer nossa necessidade por Ele e confiar em Seu caminho, mesmo quando não está claro, nos aproxima de Seu lado. A humildade abre caminho para uma vida onde Ele nos conduz com força e sabedoria. A comunidade e o companheirismo também desempenham papéis essenciais nessa jornada. Andar com D-us não é um caminho solitário. Através da igreja, grupos de estudo ou comunidades de fé, encontramos apoio e experimentamos a presença de D-us mais plenamente. Juntos, incentivamos e fortalecemos uns aos outros, aprendendo e crescendo em Seu companheirismo. Quando erramos ou nos afastamos, podemos sentir vontade de nos esconder, assim como Adão e Eva. Mas a pergunta de D-us, “Onde estás?” não é uma condenação; é um convite para retornar. Buscar o perdão e deixar para trás os erros passados nos aproxima de D-us. O arrependimento nos permite seguir em frente em uma renovada companhia com Ele. Finalmente, cultivar a gratidão nos mantém conscientes da presença de D-us em nossas vidas. Ao tornar um hábito agradecer por pequenas bênçãos ao longo do dia, permanecemos sintonizados com Sua presença, que nos aproxima ainda mais Dele.

Esta jornada de andar com D-us é feita de escolhas diárias, de pequenos passos rumo a uma vida em sintonia com Sua presença. Hoje, D-us ainda pergunta: “Onde estás?” É uma pergunta de amor, um convite divino para sair do esconderijo e caminhar com Ele em uma jornada compartilhada de propósito, paz e amizade. Imagine a paz, o propósito e a força que vêm de viver em harmonia com Aquele que o criou. Imagine a alegria de saber que cada passo que você dá é guiado por um amor que nunca o abandona, uma presença que perdura. A mão de D-us está estendida, esperando que você a segure. Andar com Ele não é reservado para os justos ou perfeitos; é para cada um de nós, em todas as nossas imperfeições. 

Dê esse primeiro passo hoje, abrace a jornada e permita que Ele caminhe ao seu lado em cada passo do caminho.

Adivalter Sfalsin

O que o Senhor espera de ti? Parte 2

Moisés e Miqueias oferecem resumos do que D-us pede de Seu povo, mas seus resumos parecem radicalmente diferentes. Moisés, em Deuteronômio 10:12, condensa todos os mandamentos em uma declaração concisa: “Agora, Israel, o que o Senhor teu D-us pede de ti senão que temas o Senhor teu D-us, que andes em todos os Seus caminhos, que O ames e sirvas ao Senhor teu D-us de todo o teu coração e de toda a tua alma.” Séculos depois, o profeta Miqueias oferece um resumo semelhante, mas com um foco drasticamente diferente. Em Miqueias 6:8, ele diz: “Ele te mostrou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor requer de ti? Que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu D-us.”

Pode-se questionar se Miqueias estava alheio à declaração de Moisés, mas isso é altamente improvável. Como profeta, Miqueias certamente conhecia Moisés, o maior dos profetas. De fato, a linguagem de Miqueias parece ecoar a de Moisés. A formulação em Deuteronômio 10:12, “O que o Senhor teu D-us pede de ti?”, é notavelmente semelhante à formulação de Miqueias em Miqueias 6:8, “O que o Senhor requer de ti?”

Isso sugere que Miqueias não estava ignorando as palavras de Moisés, mas sim divergindo conscientemente delas. No entanto, isso levanta uma questão importante: Miqueias está contradizendo Moisés, ou existe uma conexão mais profunda entre suas mensagens?

Para resolver essa aparente contradição, precisamos analisar mais de perto as discrepâncias entre as mensagens de Moisés e Miqueias. A primeira diferença está na ênfase. O resumo de Moisés foca fortemente no relacionamento entre o homem e D-us, destacando a importância de temer a D-us, amá-Lo e servi-Lo de todo o coração e alma (Deuteronômio 10:12-13). Miqueias, por outro lado, desloca o foco para a justiça social, clamando por justiça, misericórdia e humildade diante de D-us (Miqueias 6:8).

Mas as diferenças vão além do conteúdo de suas listas. Seus públicos também diferem. Moisés se dirige a “Israel”, o povo escolhido, enquanto Miqueias fala ao “homem”, ou à humanidade em geral. Essa distinção é sutil, mas significativa. Moisés fala aos israelitas como um grupo específico com um pacto único com D-us, enquanto Miqueias amplia o escopo para incluir as obrigações universais dos seres humanos.

Outra diferença está nos verbos usados para descrever as expectativas de D-us. Moisés usa a palavra “pede” (shoel em hebraico), implicando um pedido (Deuteronômio 10:12). Miqueias usa a palavra “requer” (doresh em hebraico), que é mais forte e implica uma exigência (Miqueias 6:8). Isso sugere que Miqueias não está apenas repetindo a mensagem de Moisés, mas sim construindo sobre ela ao abordar uma dimensão diferente da expectativa divina.

As diferenças de linguagem e ênfase entre Moisés e Miqueias sugerem que eles estão abordando diferentes aspectos da mesma verdade fundamental. Moisés fala sobre o que D-us pede especificamente ao povo hebreu, enquanto Miqueias aborda o que D-us exige de toda a humanidade. Um israelita é tanto uma pessoa quanto um membro de um povo escolhido, e cada identidade traz obrigações diferentes. O resumo de Moisés foca no que D-us pede dos israelitas como um povo de aliança, enquanto Miqueias fala sobre o que D-us exige de todas as pessoas como seres humanos.

A mensagem de Miqueias pode ser entendida como um comentário sobre a de Moisés. Quando Moisés conclui seu resumo dizendo que os mandamentos de D-us são “para o teu próprio bem” (Deuteronômio 10:13), Miqueias retoma essa ideia e elabora sobre o que esse “bem” (tov em hebraico) envolve. De acordo com Miqueias, o bem que D-us deseja vai além das obrigações rituais dos israelitas. Envolve viver uma vida de justiça, misericórdia e humildade – qualidades que definem nossas obrigações morais como seres humanos.

Para compreender completamente a conexão entre Moisés e Miqueias, precisamos olhar para o contexto mais amplo de Miqueias 6. Neste capítulo, D-us apresenta uma queixa contra Israel, convocando as montanhas e colinas para testemunhar Seu caso contra eles (Miqueias 6:1-2). D-us questiona por que Seu povo se cansou Dele, apesar de todo o bem que Ele fez por eles. Ele os lembra da libertação do Egito e da orientação de líderes como Moisés, Arão e Miriam (Miqueias 6:3-4). Curiosamente, Ele também menciona como frustrou as tentativas de Balaque e Balaão de amaldiçoar Israel (Miqueias 6:5).

Essa referência a Balaão pode parecer estranha, mas na verdade contém a chave para entender a mensagem de Miqueias. Balaão, um profeta não israelita, foi contratado para amaldiçoar Israel, mas acabou abençoando-os. Uma de suas bênçãos inclui as famosas palavras: “Quão formosas são as tuas tendas, ó Jacó, as tuas moradas, ó Israel” (Números 24:5). Miqueias parece estar fazendo alusão a essa bênção quando usa a frase “o que é bom” (mah tov em hebraico) em Miqueias 6:8. A referência à tentativa fracassada de Balaão de amaldiçoar Israel ressalta a ideia de que o favor de D-us não pode ser comprado com ofertas ou sacrifícios – um tema que Miqueias enfatiza quando rejeita a ideia de apaziguar D-us com sacrifícios extravagantes, como rios de óleo ou o sacrifício do primogênito (Miqueias 6:6-7).

Miqueias rejeita a noção de que ofertas extravagantes podem demonstrar a devoção a D-us. Em vez disso, ele redireciona o foco para o básico: justiça, bondade e humildade. Estes não são atos extraordinários de devoção, mas sim virtudes fundamentais que refletem a integridade de uma pessoa como ser humano. Em Miqueias 6:8, o profeta enfatiza que D-us não está buscando demonstrações excessivas de religiosidade, mas sim as qualidades que formam o alicerce da vida moral e ética.

Assim, a mensagem de Miqueias complementa a de Moisés. Enquanto Moisés delineia as obrigações religiosas de Israel como um povo de aliança, Miqueias nos lembra que D-us também exige decência humana básica de todas as pessoas. Ambos os profetas falam de diferentes aspectos da expectativa divina, mas juntos, eles formam um quadro completo do que significa viver uma vida que agrada a D-us.

Voltando à menção estranha de Balaão em Miqueias 6:5, vemos que essa referência é central para o argumento de Miqueias. A história de Balaão serve como um lembrete de que o favor de D-us não pode ser manipulado por meio de sacrifícios ou ofertas. Em vez disso, o verdadeiro desejo de D-us é que Seu povo viva com justiça, demonstre misericórdia e ande humildemente com Ele. Dessa forma, Miqueias reforça a mensagem central da Torá: ser uma boa pessoa significa viver uma vida que reflete os valores fundamentais de justiça, bondade e humildade.

As lições de Moisés e Miqueias ressoam profundamente em nossas vidas diárias. Moisés nos lembra de nossas responsabilidades pactuais – nossa necessidade de reverenciar, amar e servir a D-us com todo o nosso coração e alma. Isso nos ensina a importância de alinhar nossas vidas com os princípios divinos e cultivar uma conexão espiritual profunda. No entanto, Miqueias nos desafia a lembrar que a verdadeira bondade também está em como tratamos os outros. Justiça, bondade e humildade não são apenas ideais religiosos, mas formas práticas e cotidianas de viver com significado.

Isso nos ensina que nossas vidas espirituais não podem ser separadas de nossas ações éticas. Ser uma boa pessoa não é medido apenas por rituais religiosos ou grandes gestos, mas pelos pequenos e consistentes atos de integridade e compaixão que refletem a bondade de D-us no mundo. Seja defendendo a justiça, mostrando bondade a um estranho ou praticando humildade em nossos relacionamentos, cumprimos o desejo de D-us de sermos seres humanos melhores. Esse equilíbrio – entre servir a D-us e servir aos outros – é o que, em última análise, nos torna completos, tanto como pessoas de fé quanto como cidadãos do mundo. 

Esse texto é baseado num estudo do Rabbi David Fohrman, onde ele discute as diferenças entre os 2 textos de  Deuteronômio 10 e Miqueias 6. Adaptado e traduzido por:

Adivalter Sfalsin

Leia também; 

O que o Senhor espera de ti? Parte 1

HALLOWEEN – Suas origens.

HALLOWEEN – Dia das bruxas e Dia de Finados.

INTRODUÇÃO: Qual é a necessidade de estudar o Halloween, uma festa americana e de alguns países europeus? Apesar de não ser muito conhecida pela maioria das pessoas no Brasil, essa festividade está ganhando espaço em nossa cultura por meio de escolas primárias, escolas de inglês, TV, clubes, etc.

O QUE SÃO AS FESTAS DE HALLOWEEN? O Halloween ocorre nas noites próximas ao dia 31 de outubro e é geralmente celebrado com festas a fantasia, fogueiras e com crianças fantasiadas de monstros, fantasmas, bruxas, etc., indo de casa em casa pedindo doces (a brincadeira “trick or treat”, “travessuras ou doces”). Atualmente, o Halloween é um dia importante para os lojistas americanos. É uma noite em que “pessoas comuns se transformam em exibicionistas extravagantes”. Em média 60% de todas as fantasias são vendidas para adultos. Em 31 de outubro, 1 em cada 4 pessoas com idades entre 18 e 40 anos se fantasiam. Para aqueles que se consideram psíquicos, bruxos, clarividentes e visionários, este é o dia mais movimentado do ano. As editoras que publicam livros que vão desde astrologia até bruxaria registram um aumento significativo nas vendas. Salém, no estado de Massachusetts, considerada a sede da bruxaria norte-americana, celebra o “Festival da Assombração” durante essa época, expandindo assim a temporada de verão.

SIMBOLISMO E SUAS ORIGENS: Definição: “Halloween” é uma palavra do inglês antigo que significa “santo”, e “e’en”, e também significa “noite”, portanto, o significado é “Noite Santa” ou “All Hallows Eve”, “Noite de Todos os Santos”.

A palavra Halloween ou Hallowe’en (“Noite dos Santos”) é de origem celta; um termo equivalente a “All Hallows Eve” no inglês antigo da palavra halloween vem da forma escocesa de All Hallows’ Eve (a noite anterior ao Dia de Todos os Santos) “even” é o termo escocês para “véspera” ou “noite”, e é contraído para e’en ou een;(Todos) Hallow(s) E(v)en tornou-se Hallowe’en.

 O dia 31 de outubro não é uma escolha aleatória. No calendário celta, esse é um dos quatro principais dias de descanso das bruxas, os quatro dias do “meio trimestre”. O primeiro, 2 de fevereiro, conhecido como Dia da Marmota, homenageava Brigit, a deusa pagã da cura. O segundo, um feriado de maio chamado Beltane, era o momento de plantar entre os bruxos. Neste dia, os druidas realizavam rituais mágicos para incentivar o crescimento das plantações. O terceiro, uma festa de colheita em agosto, era comemorada em homenagem ao deus sol, a divindade brilhante, Lugh. Esses três primeiros dias marcavam a passagem das estações, o tempo de plantar e o tempo de colher, bem como o tempo da morte e ressurreição da terra. O último, Samhain, marcava a entrada do inverno. Nesse momento, os druidas realizavam rituais em que um caldeirão simbolizava a abundância da deusa. Dizia-se que era um “estado intermediário”, uma temporada sagrada de superstição e conjurações de espíritos. SAMHAIN (palavra de origem celta para designar “O Senhor da Morte”). Para os druidas, 31 de outubro era a noite em que Samhain retornaria com os espíritos que morreram naquele ano para possuir os corpos dos vivos. Assim, nesse dia, eles faziam uma comemoração apagando todas as luzes da casa, acendendo enormes tochas e vestindo roupas feitas de peles de animais para afastar os espíritos. Eles precisavam ser apaziguados ou agradados; caso contrário, os vivos seriam enganados. Grandes fogueiras eram acesas no topo das colinas para afugentar os espíritos malignos e aplacar os poderes sobrenaturais que controlavam os processos da natureza. Com a imigração de aproximadamente 4,5 milhões de irlandeses para os Estados Unidos entre os anos de 1820 e 1930, eles introduziram o costume das festas de Halloween. No final do século passado, esse costume se tornou popular. Era uma oportunidade de infligir danos às propriedades e permitir a prática de atos diabólicos que não eram tolerados em outras épocas do ano. A Igreja Católica originalmente celebrava o “Dia de Todos os Santos” no mês de maio, e não em 1 de novembro, como é feito atualmente. O Papa Gregório III, em 835, tentando apaziguar a situação nos territórios pagãos recém-conquistados no noroeste da Europa, permitiu que eles combinassem o antigo ritual do “Dia de Samhain” ou “Vigília de Samhain” (no Brasil, a Igreja Católica usou o mesmo método com os deuses africanos e os santos da igreja durante a escravidão). O Panteão de Roma (Pantheon em grego, Pan = muitos, Theum = templo, templo de muitos deuses), um templo construído para adoração de uma multiplicidade de deuses, foi transformado em igreja em 14 de maio de 609 pelo então Papa Bonifácio IV. Os cristãos celebravam ali o dia dos santos falecidos no dia seguinte ao que os pagãos celebravam o dia do seu Senhor dos Mortos. No entanto, a palavra final nessa mudança de datas foi dada pelo Papa Gregório IV, que introduziu a festa de “todos os santos” no calendário romano, tornando assim universal a data de 1 de novembro, transferindo-a de 31 de outubro para 1 de novembro. Pouco mais de um século após a introdução do Dia de “Todos os Santos”, a Igreja Católica determinou que seria melhor comemorar o “Dia dos Mortos” imediatamente após o “Dia de Todos os Santos”, tornando assim o dia 2 de novembro o conhecido “Dia de Finados”, que significa homenagem às almas dos mortos. Isso é uma clara evidência do sincretismo religioso

Elementos da Festa das Bruxas:

  • 1- DRUIDAS: Estes eram membros de um culto sacerdotal entre os celtas na antiga França, Bélgica, Espanha, norte da Itália, Inglaterra e Irlanda, que adoravam deuses semelhantes aos dos gregos e romanos, porém com nomes diferentes. Pouco se sabe sobre eles, pois os sacerdotes transmitiam seus ensinamentos apenas oralmente, jurando segredo e fazendo outros jurarem o mesmo. Algumas práticas, no entanto, são conhecidas. Eles habitavam florestas e cavernas e diziam ser capazes de dar instruções, fazer justiça e prever o futuro através do voo de pássaros, do fogo, do fígado e de outras entranhas de animais sacrificados. Os druidas também realizavam sacrifícios humanos e tinham como sagrados a lua, a meia-noite, o gato, o carvalho, entre outros. Os druidas foram dizimados pelos romanos na França e Inglaterra antes do final do primeiro século, mas continuaram ativos na Irlanda até o quarto século.

2. BRUXAS E FANTASMAS

Os antigos druidas acreditavam que, na noite de 31 de outubro, bruxas, fantasmas, espíritos, fadas e duendes saíam para prejudicar as pessoas.

3. LUA CHEIA, GATOS E MORCEGOS

Acreditava-se que a lua cheia marcava a época para a prática de certos rituais ocultos. Além disso, a crença de que as bruxas podiam transferir seus espíritos para gatos estava difundida, acreditando-se que toda bruxa tinha um gato. O gato era considerado como “um espírito familiar” e, por superstição, muitos gatos eram mortos quando havia suspeita de que estivessem ligados a bruxas. Os druidas também tinham os gatos como animais sagrados, acreditando que eles eram seres humanos transformados em gatos como punição por algum tipo de perversidade. Portanto, eram vistos como seres humanos encarnados, espíritos malévolos ou “espíritos familiares” das bruxas.

O morcego, devido à sua habilidade de caçar presas no escuro e aos seus hábitos noturnos, adquiriu a reputação de possuir forças ocultas e ser considerado demoníaco. Além disso, devido às suas características de pássaro, que no ocultismo é símbolo da alma, surgiu a crença, no período medieval, de que demônios se transformavam em morcegos.

4. CABEÇAS DE ABÓBORA (“JACK-O-LANTERNS”)

A lanterna feita com uma abóbora recortada em forma de “careta” originou-se da lenda de um homem notório chamado Jack, a quem foi negada a entrada no céu devido à sua maldade e no inferno por pregar peças no diabo. Condenado a perambular pela terra como espírito até o dia do juízo final, Jack colocou uma brasa brilhante em um grande nabo oco para iluminar seu caminho durante a noite. Esse talismã, representado hoje por uma abóbora, simboliza uma alma condenada.

5. “TRAVESSURAS OU DOCES” – “TRICK OR TREAT”

Na cultura celta, havia a crença de que, para apaziguar espíritos malignos, era necessário deixar comida para eles. Com o tempo, essa prática se transformou, e os mendigos passaram a pedir comida em troca de orações pelos membros falecidos da família daqueles que ofereciam esmolas. Nesse contexto, na Irlanda, havia a tradição em que um homem liderava uma procissão para angariar oferendas dos agricultores, a fim de evitar que suas colheitas fossem amaldiçoadas por demônios. Essa prática evoluiu para o costume atual do “travessuras ou doces”, conhecido como “Trick or Treat”.

6. AS MÁSCARAS E FANTASIAS

As máscaras têm sido um meio supersticioso de afastar espíritos malignos, alterar a personalidade do usuário e estabelecer comunicação com o mundo dos espíritos. Acreditava-se que vestir máscaras podia enganar e assustar os espíritos malignos. Em outras culturas, as pessoas também utilizaram máscaras para assustar demônios que acreditavam ser responsáveis por desastres como epidemias e secas. Grupos envolvidos em magia negra e bruxaria também usam máscaras para estabelecer uma conexão com o mundo dos espíritos.

7. AS FOGUEIRAS

A palavra inglesa para fogueira é “Bonfire”. Embora possa parecer que significa “fogo bom,” na verdade deriva de “Bone” (osso) + “Fire” (fogo). Nas celebrações da “Vigília de Samhain” em 31 de outubro, os druidas acreditavam poder obter visões do futuro, tanto boas como ruins, através do fogo. Nessas ocasiões, os druidas construíam grandes fogueiras com cestos de diferentes formatos e queimavam prisioneiros de guerra, criminosos e animais vivos. Observando a posição dos corpos em chamas, eles alegavam poder prever o futuro.

8. AS CORES LARANJA E PRETA

As cores usadas no Halloween, o laranja e o preto, também têm sua origem no oculto. Estas cores estavam associadas a missas comemorativas em honra dos mortos, celebradas em novembro. As velas de cera de abelha tinham uma tonalidade alaranjada, e os esquifes eram cobertos com tecidos pretos.

9. FEITIÇARIA NO PASSADO

Não só os católicos cometeram as atrocidades da Santa Inquisição, mas também os seguidores de Lutero, durante a selvagem perseguição aos anabatistas, e os calvinistas em sua feroz intolerância, promoveram barbaridades e injustiças sob o pretexto de estarem em “Guerra Santa”. Acreditava-se que mulheres com poderes de feitiçaria podiam lançar aos seus vizinhos todo tipo de malefícios, como a morte do gado, perda das colheitas, morte dos filhos, etc. Segundo a tradição, o poder mais pernicioso dessas bruxas era fazer com que seus maridos fechassem os olhos para a má conduta de suas esposas e fazer com que as chamadas feiticeiras gerassem filhos idiotas ou aleijados. A caracterização das bruxas frequentemente as descrevia como velhas megeras desdentadas com hábitos excêntricos e propensas a fofocas, além de possuírem uma língua venenosa.

Em 1692, nos EUA, na cidade de Salem, muitas mulheres foram mortas simplesmente por possuírem algumas dessas características. Tamanha era a barbárie que ter um filho com alguma deficiência já caracterizava a mãe como bruxa ou feiticeira. Na Europa, a figura da feiticeira era a de “uma moça linda e perversa”, e um grande número de adolescentes e jovens mulheres casadas foram mortas na Alemanha e França. As primeiras perseguições ocorreram no século XIII e ressurgiram em 1484 com a Santa Inquisição. O papa Inocêncio II recomendava que seus inquisidores torturassem até obter provas de que elas eram bruxas.

Durante a Revolução Protestante, essa caça assumiu proporções absurdas. Lutero aconselhava que se matassem feiticeiras com menos consideração e misericórdia do que se tinha com criminosos comuns. Sob o comando de Calvino, em 1545, 34 mulheres foram queimadas ou esquartejadas vivas sob acusação de serem ou praticarem feitiçaria. Mulheres, moças e até crianças eram torturadas com agulhas enfiadas sob suas unhas, tinham os pés queimados em fogueiras ou as pernas esmagadas sob grandes pesos “até que a medula jorrasse dos ossos”. Tudo isso era feito para obrigá-las a confessar “orgias repelentes com os demônios”. O ápice dessa histeria ocorreu no final do século XVI, quando o número de vítimas pode ter chegado a 30 mil. Durante esse período, em cidades alemãs, mais de 900 mulheres foram mortas em um único ano, chegando ao ponto de não sobrar uma única mulher em algumas cidades. Até pessoas notáveis defendiam a morte de indivíduos sob simples suspeita de feitiçaria.

O QUE A BÍBLIA NOS ENSINA:

O que Deus pensa dessa práticas e seus praticantes:
Deut.18:9-14
“9 Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações.10 Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;11 Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos;12 Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti.13 Perfeito serás, como o Senhor teu Deus.14 Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal coisa”

Isaías 8:19
19 Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos?

Levítico 19:26, 31
26 Não comereis coisa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis31 Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles. Eu sou o Senhor vosso Deus.

Levítico 20:6-8
6 Quando alguém se virar para os adivinhadores e encantadores, para se prostituir com eles, eu porei a minha face contra ele, e o extirparei do meio do seu povo.7 Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus.8 E guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou o Senhor que vos santifica.

Levítico 20:27
27 Quando, pois, algum homem ou mulher em si tiver um espírito de necromancia ou espírito de adivinhação, certamente morrerá; serão apedrejados; o seu sangue será sobre eles.

Romanos 12:2
2 E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus

Gálatas 5:19-21
19 Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia,20 Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,21 Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus

Efésios 6:12
12 Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.

Apocalipse 21:8; 22:15
8 Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos que se prostituem, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.

Apocalipse 22:15
15 Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.

VAMOS REFLETIR

Existe algo de ruim nisso? Quer dizer que essa simples festividade, com pessoas e crianças se fantasiando e pedindo doces, é um remanescente de antigas práticas de magia negra, culto aos mortos e outras coisas sinistras?

TIRE SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES

Nos Estados Unidos, as orações públicas foram proibidas. O princípio do secularismo tirou das escolas a celebração do Natal, mas o Halloween permanece. O abrigo de gatos de Chicago tem uma procura muito grande por gatos pretos durante os festejos de Halloween. Temendo que os gatos estivessem sendo usados em rituais macabros por aqueles que se autodenominam bruxos, a Sociedade Protetora de Animais excluiu a adoção durante essa temporada. 

No Brasil e no mundo, estão aparecendo pessoas se auto intitulando bruxos. Apenas simbolismo? Pense em alguns símbolos e analise-os. Há algum significado? Há alguma importância? Há alguma influência? Devemos acolher tais festividades? Deve um crente participar de tais festividades?

Autor: Adivalter De Assis

BIBLIOGRAFIA: 

BURNS, E. M., Western Civilizations, Their History and Their Culture, W. W. Norton & Co. Inc., New York, 1968.ANKERBERG, J., Weldon, J., The Facts on Halloween: What Christians Need to Know. Harvest House, Oregon, 1996.
PHILLIPS, P., Robie, J., H., Halloween and Satanism. Starburst, 1987.
HURT, R., The History of Halloween and the Word of God, not published (?).
MARGADONNA, S., Halloween Oct. 31: What’s It All About?, not published (?).
PHILLIPS G., Halloween: What It Is From a Christian Perspective, not published, Bay View Church, Alabama: