Onde está, ó morte, a tua vitória?

Onde Está, ó Morte, a Tua Vitória?

Você já se perguntou o que realmente mudou no mundo depois da cruz? Não só no plano espiritual, mas na forma como entendemos D-us, nós mesmos e o sentido da existência? A cruz não foi apenas o fim da vida de um homem justo. Foi o ponto de interseção entre o céu e a terra, entre o divino e o humano, entre o pecado e a graça. E a ressurreição? Ela não foi simplesmente um milagre. Foi uma revolução silenciosa que reescreveu o destino de toda a criação.

No centro da fé não está apenas um conjunto de doutrinas ou valores morais, mas uma Pessoa: Jesus. E no centro da missão de Jesus está a cruz e o túmulo vazio. É esse mistério, de morte e vida, de entrega e vitória, que carrega a esperança mais profunda que podemos ter: a certeza de que D-us não nos abandonou. Que Ele desceu até o fundo do nosso abismo… para nos levantar.

Quando olhamos para a cruz com os olhos naturais, o que vemos? Um homem derrotado, nu, ensanguentado, zombado por todos. Um fracasso público. Um final vergonhoso. Mas a fé nos convida a olhar além da aparência. Porque o que salvou o mundo não foi a força dos pregos, mas a profundidade do amor. A coroa de espinhos, por exemplo, não foi só um instrumento de dor física. Foi um símbolo cortante. Aquela coroa fere o orgulho, não a pele. Ela expõe a vaidade humana de querer controlar, aparecer, dominar. O Rei dos reis se deixou coroar com zombaria — para que entendêssemos que o verdadeiro poder não grita, mas ama em silêncio. Ali na cruz, Jesus se recusa a provar que é D-us com sinais visíveis. Ele não desce da cruz. Não se defende. Não revida. Porque a maior força que existe não é a resistência… é o amor que permanece mesmo quando não é correspondido. Esse amor que escolhe perdoar enquanto sangra. Esse amor que transforma a dor em ponte. E o abismo em caminho. A cruz é o altar onde o ego é colocado para morrer. E a ressurreição, o nascimento da nova identidade: filhos amados, libertos da culpa, restaurados pela graça.

Uma passagem do Tanakh (VT): Isaías 53 — o Servo Sofredor Muito antes do Gólgota, o profeta Isaías já via, com olhos do espírito, o que o mundo um dia testemunharia. Em Isaías 53, lemos:

“Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou sobre si as nossas dores… Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” (Isaías 53:4-5)

Esse capítulo é um dos textos mais impressionantes do Tanakh. Ele não descreve um rei glorioso à maneira dos homens, mas um servo rejeitado, desprezado, alguém diante de quem as pessoas escondem o rosto. Mas é exatamente esse que carrega nossas dores. É ele que paga o preço. Isso revela algo fundamental sobre o coração de D-us: Ele não está distante do nosso sofrimento. Ele entra nele. Ele se aproxima dos quebrados, dos cansados, dos pecadores. E faz isso não com palavras, mas com presença. A cruz é o ponto onde a profecia se cumpre — e onde a compaixão de D-us se revela em sua forma mais profunda.

Em João 19, Apocalipse 1 e 1 Coríntios 15 a crucificação é descrita como um clímax sagrado. Jesus, depois de tudo consumado, declara: “Está consumado” (João 19:30). Não é uma frase de derrota. É o grito da missão cumprida, o preço foi pago. A justiça foi satisfeita, o amor foi pleno, o caminho foi aberto. O véu se rasga, o céu já não suporta a separação. Mas o que confirma essa vitória não é apenas a morte — é a ressurreição. Em Apocalipse 1:17-18, o Cristo já glorificado diz:

“Não temas; Eu sou o Primeiro e o Último. Sou Aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do inferno.”

Jesus ressuscitou, e com isso, a morte foi desarmada, já não tem domínio sobre nós. O poder do inferno foi vencido não com espada, mas com amor vulnerável. Um amor que desce até o pó, até a tumba, e volta com as chaves nas mãos.

E é Paulo quem nos desafia a compreender a gravidade dessa verdade. Em sua carta aos coríntios, ele diz com clareza desconcertante:

“E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” (1 Coríntios 15:17)

Veja bem: Paulo não diz que a fé fica “enfraquecida” ou “menos inspiradora” sem a ressurreição. Ele diz que ela é vã. Ou seja, inútil. Vazia. Um engano. Por quê? Porque sem a ressurreição, Jesus seria apenas mais um mártir — um exemplo bonito de amor, sim, mas sem poder para nos salvar. O túmulo vazio é a prova de que o sacrifício foi aceito. É o selo de que o perdão é real. É a evidência de que a morte perdeu a autoridade. É por isso que Paulo, no mesmo capítulo, exclama com alegria:

“Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó inferno, o teu aguilhão?” (1 Coríntios 15:54-55)

A ressurreição é a resposta de D-us a todas as perguntas humanas mais profundas: “Será que existe redenção?” “Será que há um novo começo?” “Será que a vida vence a morte?” A resposta está em Jesus vivo.

A ressurreição é uma resposta definitiva. A primeira ressurreição, mencionada em Apocalipse 20, é o despertar espiritual daqueles que morrem para si mesmos e vivem com Cristo. É o novo nascimento. A transformação de dentro para fora. Essa ressurreição já começa agora, no coração daquele que crê. Não é apenas a promessa de um futuro glorioso — é uma realidade presente. O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em nós (Romanos 8:11). Isso significa que temos acesso à vida eterna aqui e agora. Uma vida que vence o medo, que transforma o sofrimento, que cura as feridas invisíveis. A cruz foi a oferta. A ressurreição foi a aceitação. E agora, nada pode nos separar do amor de D-us que está em Cristo Jesus.

Então… e você? O que ainda está tentando sustentar com suas próprias forças? O que ainda está tentando esconder de D-us? A cruz nos mostra que não há vergonha grande demais, nem queda profunda demais, que D-us não possa alcançar. E a ressurreição nos lembra que sempre há recomeço. A fé não é melhor para ser aceito — é crer que fomos aceitos, para então sermos transformados. Olhe para a cruz. Veja um amor que não recua diante da dor. Veja um D-us que escolhe você. E depois, olhe para o túmulo vazio. Veja a esperança. Veja a promessa. Veja a vitória. Você pode viver de novo. Pode amar de novo. Pode confiar de novo. Pode perdoar o teu aquele que te ofendeu porque Ele te perdoou. 

A ponte está pronta – No ponto mais escuro da história, brilhou a luz mais forte do amor. Cristo morreu com os braços abertos — e isso diz tudo. É um convite eterno: “Vem, assim mesmo como está. Vem, mesmo estando quebrado.” A ressurreição de Jesus é a garantia de que a dor não tem a última palavra. Nem o pecado. Nem a morte. Nem a ofensa. A última palavra é de D-us. E ela é: “Vida”.

Essa é a nossa esperança. Não baseada em esforço humano, mas no sangue ofertado, no amor derramado, e no túmulo vazio. A cruz é a ponte. A ressurreição é o caminho aberto. E a pergunta que fica para você hoje é: você vai atravessar?

Adivalter Sfalsin

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Amar como Escolha, não Emoção

🗓️ Dia 7 – Amar como Escolha, não Emoção

Semana 1: Bondade e Amor Incondicional

🧭 Tema: Bondade constante, mesmo sem vontade

Você já teve um dia em que simplesmente não sentia vontade de amar? Seja por cansaço, frustração, ou mesmo decepção… tem momentos em que o coração não acompanha a nossa fé. E tudo bem. Isso só mostra que somos humanos. Mas é exatamente nesses dias que somos mais chamados a viver um amor que vai além dos sentimentos — um amor que é escolha.

Amar, biblicamente, não é uma emoção passageira ou uma resposta natural à simpatia. É um mandamento. É uma prática diária, consciente, que reflete a própria natureza de D-us. Amar é acordar e decidir, mesmo sem “vontade”, fazer o bem, estender a mão, agir com gentileza, e sim — até perdoar.

✨ Foco prático do dia: Bondade constante, mesmo sem vontade

📖 Tanakh (VT): Deuteronômio 10:12

“Que é que o Senhor teu D-us requer de ti…? Que ames o Senhor… e andes em todos os seus caminhos.”

📖 Novo Testamento: João 15:12

“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”

Jesus, nosso maior exemplo, não nos convida a amar apenas os que nos fazem bem. Ele nos chama a amar “assim como” Ele nos amou: com entrega, constância e sem depender da resposta do outro. Ele escolheu amar até o fim — mesmo sendo rejeitado, traído e incompreendido.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, escolha amar — mesmo que você não sinta vontade.

Escolha dar um bom dia gentil. Escolha escutar sem interromper. Escolha não responder com raiva. Escolha servir alguém cansado. Escolha orar por alguém que não entende você. Amor é escolha — repetida tantas vezes até se tornar um reflexo do próprio Cristo em nós.

💭 Em que momento do dia eu preciso me lembrar que amar é decisão, não emoção?

💭 Com quem estou sendo chamado hoje a praticar esse amor constante, mesmo que o coração hesite?

Não se trata de ser perfeito, mas de estar em movimento. O amor, quando praticado com fidelidade, transforma não apenas quem recebe, mas principalmente quem o oferece.

Vamos juntos?

Dia 7 da Contagem do Omer nos desafia a transformar o amor em decisão — até que ele se torne nosso modo natural de viver.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

🎉 Parabéns a todos que chegaram até aqui e acompanharam essa jornada de crescimento espiritual e melhoramento de caráter!

Foram 7 dias desafiadores da primeira semana — começando com o esforço de tirar um tempo para ler e refletir, mas principalmente tentando colocar em prática essas lições que nos elevam como pessoas e como filhos de D-us.

Você perseverou, e isso é uma vitória real.

Estamos um pouquinho mais próximos do nosso alvo, dia após dia.

Encorajo você a continuar. Ainda temos muito a crescer… e cada novo passo conta.

Com fé,

Adivalter Sfalsin

Junte-se ao nosso grupo da Contagem do Omer — uma caminhada de 49 dias, da Páscoa até Shavuot (Pentecostes), onde a cada dia damos um passo em direção a um caráter mais forte, uma fé mais viva e uma vida mais alinhada com os propósitos de Deus.

Se quiser receber essas reflexões diretamente no seu celular, entre no grupo abaixo. Você receberá 1 notificação por dia, sempre no fim do dia, com uma reflexão curta, profunda e prática, baseada na sabedoria bíblica.

📆 São todos os dias por 7 semanas, cada uma focada em um valor espiritual essencial para quem deseja crescer e amadurecer na fé.

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Misericórdia Acima da Justiça

🗓️ Dia 6 – Bondade e Amor Incondicional

Semana 1: Misericórdia Acima da Justiça

Você já se sentiu no direito de exigir justiça? Talvez alguém te magoou profundamente. Talvez palavras foram ditas que deixaram marcas. Ou atitudes inesperadas quebraram a confiança. Nesses momentos, o coração clama por reparação. Queremos justiça, sim — mas o céu hoje te convida a algo maior: misericórdia.

✨ Foco prático do dia: Perdoar e ser compassivo.

Perdoar não é esquecer. É decidir que você não será mais refém da dor. É abrir mão de um julgamento legítimo e oferecer ao outro o que D-us te oferece todos os dias: compaixão imerecida.

📖 “Quem é como tu, ó D-us, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da transgressão…? Porque tem prazer na misericórdia.”

Miquéias 7:18

O profeta Miquéias descreve um D-us que não apenas encoraja o perdão, mas tem prazer em perdoar. Isso nos confronta. Será que temos prazer em oferecer misericórdia, ou apenas fazemos isso com esforço e relutância?

📖 “Sede misericordiosos, como também é misericordioso o vosso Pai.”

Lucas 6:36

Jesus não está apenas sugerindo: Ele está nos chamando a imitar o Pai. E se queremos refletir a imagem dEle, a misericórdia não pode ser opcional. É o nosso chamado.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, o desafio é claro e direto:

Escolha perdoar. Escolha ser misericordioso.

Talvez alguém te feriu esta semana — com palavras, com frieza, com ausência. Talvez foi algo que aconteceu há anos. Ou talvez o que você precisa hoje é pedir perdão, reconhecendo onde falhou.

A misericórdia verdadeira não espera o outro merecer. Ela age primeiro. Ela interrompe o ciclo da dor com graça. Isso não significa ignorar o erro, mas sim libertar o próprio coração da prisão da mágoa.

💭 Posso hoje escolher misericórdia acima da justiça?

💭 Sou capaz de oferecer ao outro o que tanto recebo de D-us?

Você pode descobrir que, ao liberar perdão, não está libertando o outro — está libertando a si mesmo.

Vamos juntos?

Dia 6 da Contagem do Omer nos desafia a elevar a misericórdia acima da justiça. Porque o D-us que servimos não nos tratou segundo nossos méritos, mas segundo o seu amor.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

Adivalter Sfalsin

O Terceiro Dia

O Terceiro Dia

Entre a Cruz e o Pôr do Sol

Se você é como eu, provavelmente já se deparou com a seguinte pergunta: como Jesus pode ter ressuscitado ao “terceiro dia” se Ele morreu numa sexta-feira e ressuscitou no domingo? Seriam mesmo três dias e três noites, como Ele afirmou em Mateus 12:40? Esse tema tem gerado debates fervorosos entre cristãos ao longo dos séculos, e a verdade é que a Bíblia não entrega tudo mastigado. Antes de tudo, quero deixar claro: não pretendo oferecer uma resposta definitiva a essa controvérsia. Meu objetivo aqui é apresentar diferentes interpretações teológicas, analisar o contexto bíblico e histórico e, no fim, convidar você a refletir e decidir por si mesmo qual explicação faz mais sentido a luz da bíblia. Este artigo foi escrito para quem gosta de mergulhar fundo nas Escrituras, não apenas buscando respostas, mas também novas perguntas. Porque às vezes, a beleza da fé está justamente na busca.

A cronologia da Paixão: hora a hora

Jesus foi crucificado pela manhã, por volta das 9h (Marcos 15:25), durante o sacrifício matutino do Templo. Esse sacrifício, realizado diariamente às 9h, simbolizava o compromisso contínuo do povo com D-us. Jesus sendo pendurado na cruz nesse mesmo horário já é, por si só, profundamente simbólico. Ao meio-dia, houve uma escuridão sobre toda a terra (Mateus 27:45) — uma espécie de eclipse sobrenatural que durou até às 15h, momento em que Jesus entregou o espírito (Mateus 27:50). Esse horário da morte de Jesus também coincide com o sacrifício vespertino do Templo, tradicionalmente feito às 15h. Assim, Ele morre como Cordeiro Pascal, cumprindo tanto o simbolismo da Páscoa quanto o dos sacrifícios diários. Logo após Sua morte, o corpo de Jesus foi retirado da cruz e colocado no sepulcro antes do pôr do sol (por volta das 18h), pois o sábado estava prestes a começar e os judeus não podiam realizar esse tipo de atividade durante o sábado, quebrando um dos Dez Mandamentos (Lucas 23:54). Na contagem judaica, o dia começa ao anoitecer, e não à meia-noite como no nosso calendário moderno.

Entre muitas perspectiva do dia em ele foi crucificado, duas delas tem mais aderência.

Entendendo o “terceiro dia” na cultura judaica

Para compreender o que significa “terceiro dia” na Bíblia, precisamos adotar a lente da cultura judaica do primeiro século. Para eles, qualquer parte de um dia já era considerada um dia inteiro. Assim:

• Sexta-feira (mesmo que apenas algumas horas): 1º dia

• Sábado inteiro: 2º dia

• Domingo (iniciando ao pôr do sol de sábado): 3º dia

Portanto, a afirmação de que Jesus ressuscitou ao terceiro dia faz sentido dentro dessa contagem. Essa visão afirma: Jesus ressuscitou exatamente ao pôr do sol do sábado, no início do domingo judaico, o que é totalmente coerente com os relatos de que as mulheres encontraram o túmulo já vazio ao amanhecer, nosso sábado ao entardecer. E pense comigo: que simbolismo poderoso! Um novo dia começa quando a luz do sol se despede e dá lugar à noite. Assim como em Gênesis: “E foi a tarde e a manhã, o primeiro dia.” A mudança de dia à meia-noite, como adotamos hoje, é uma invenção humana e não reflete nenhuma alteração real na criação. É quase poético pensar que, no momento exato em que o sol desaparece no horizonte e o mundo entra na escuridão da noite, Jesus, a Luz do Mundo, volta à vida. A transição entre luz e trevas nunca foi tão significativa.

As duas principais interpretações sobre os “três dias e três noites”

1. Contagem inclusiva judaica

Alguns acreditam, conforme essa contagem, que Jesus morreu na sexta-feira e ressuscitou no domingo, e que isso já cumpre a promessa do “terceiro dia” com base na contagem inclusiva usada pelos judeus do primeiro século. Nessa contagem, qualquer parte de um dia já vale como um dia completo:

• Sexta-feira: 1º dia

• Sábado: 2º dia

• Domingo (desde o pôr do sol do sábado): 3º dia

Além disso, há registros bíblicos de que essa forma de contar era comum, como no caso de Ester 4:16–5:1, onde ela pede jejum de “três dias e três noites”, mas vai ao rei no terceiro dia. Essa visão também costuma incluir uma interpretação idiomática da expressão “três dias e três noites”. Alguns estudiosos explicam que, no hebraico da época, esse tipo de expressão era uma maneira de indicar um período significativo de tempo, e não necessariamente um ciclo completo de 72 horas. Ainda assim, essa leitura, embora legítima culturalmente, pode parecer relativizar as palavras exatas de Jesus em Mateus 12:40.

2. A teoria da quarta-feira da crucificação

Essa é a proposta e aderida por muitos assim como o Pastor Joaquim Teixeira, estudioso do hebraico e do grego bíblico. Segundo essa visão, Jesus foi crucificado na quarta-feira, não na sexta, o que permitiria uma contagem literal de “três dias e três noites”. De acordo com essa cronologia, Jesus teria jantado com os discípulos na noite de terça-feira (início do 14 do mês de Nissan), e sido preso, julgado, crucificado e sepultado ainda na quarta-feira, antes do pôr do sol. A quinta-feira (15 de Nissan) teria sido um sábado cerimonial — o primeiro dia dos Pães Asmos. A sexta-feira teria sido o único dia útil entre os dois sábados (o cerimonial e o semanal), quando as mulheres compraram e prepararam os aromas. O sábado seguinte foi o sábado semanal, e ao cair da noite, no início do domingo (18 de Nissan),  Jesus ressuscitou.

Assim se cumpre literalmente:

• Noite 1: Quarta à noite

• Dia 1: Quinta – sábado cerimonial

• Noite 2: Quinta à noite

• Dia 2: Sexta

• Noite 3: Sexta à noite

• Dia 3: Sábado

Jesus então ressuscita ao fim do sábado, antes do amanhecer do domingo, como em Mateus 28:1 — “no fim dos sábados”. Essa teoria permite encaixar todos os textos literalmente, sem necessidade de adaptações simbólicas.

A importância do simbolismo na ressurreição – Independentemente da teoria que mais te convença, é impossível ignorar a beleza simbólica da narrativa. Jesus morreu no momento do sacrifício da tarde, foi sepultado ao entardecer e ressuscitou — segundo creio — ao pôr do sol do sábado, na transição entre o descanso do shabat e o início do domingo judaico. Essa transição marca algo cósmico: a velha criação termina, e uma nova criação começa. O domingo se torna o “Dia do Senhor”, não por decreto humano, mas porque foi o dia em que a Vida venceu a morte.

Conclusão: fé, mistério e liberdade – A ressurreição de Jesus não é apenas um evento cronológico. É o centro da fé cristã. E embora seja fascinante explorar os detalhes — o horário exato, a contagem precisa — o que realmente importa é que Ele ressuscitou. Tenho a tendência de crer na visão da ressurreição ao pôr do sol do sábado, por sua coerência simbólica e alinhamento com o ritmo da criação. Mas, como disse no início, não estou aqui para impor uma conclusão. Talvez você se identifique com outra leitura. Talvez ache tudo isso muito técnico. Ou talvez, como eu, sinta que quanto mais mergulhamos nesse mistério, mais percebemos a profundidade do plano divino.

E você? Qual dessas visões mais ressoa com sua fé, sua leitura bíblica, sua forma de enxergar o tempo e os símbolos que D-us usa para falar conosco? Independentemente da resposta, que possamos todos viver com a certeza de que, ao terceiro dia — seja ele contado como for — a pedra foi removida, a Vida triunfou e vivemos na esperança que com Ele ressuscitaremos para entrar no mundo por vir.  

Amém por isso.

Adivalter Sfalsin

Linha do Tempo da Paixão de Cristo, para sua referência bíblica.

1- Teoria Tradicional da Sexta-feira (Contagem Inclusiva Judaica)

🗓 Quinta-feira (14 de Nisã – Tarde e Noite)

• 18:00 – Preparação para a Páscoa

📖 Lucas 22:7-13 – Jesus orienta os discípulos para prepararem a ceia pascal.

• 19:00 – Lava-pés

📖 João 13:2-5, 12-15 – Jesus lava os pés dos discípulos, ensinando humildade e serviço.

• 20:00 – Última Ceia (Celebração da Páscoa)

📖 Mateus 26:26-29 – Jesus institui a Ceia como memorial da Nova Aliança.

• 21:00 – Oração no Getsêmani

📖 Mateus 26:36-38 – Jesus sente profunda angústia e ora com os discípulos.

• 22:00 – Agonia e suor de sangue

📖 Lucas 22:43-44; Mateus 26:39 – Jesus é fortalecido por anjos.

• 23:00 – Traição de Judas

📖 Mateus 26:47-50 – Jesus é traído com um beijo.

🌙 Sexta-feira (15 de Nisã – Madrugada e Manhã)

• 00:00 – Prisão no Getsêmani

📖 Lucas 22:52-53

• 01:00 – Diante de Anás

📖 João 18:13-23

• 02:00 – Julgamento diante de Caifás e líderes religiosos

📖 João 18:24; Mateus 26:59-66; Marcos 14:55-64

• 03:00 – Pedro nega Jesus três vezes

📖 Mateus 26:69-75; Marcos 14:66-72

• 04:00 – Condenação pelo Sinédrio

📖 Lucas 22:66-71; Mateus 27:1-2

• 05:00 – Diante de Pilatos

📖 João 18:28-38; Lucas 23:1-4

• 06:00 – Audiência com Herodes Antipas

📖 Lucas 23:6-12; Isaías 53:7

• 07:00 – Zombarias e coroa de espinhos

📖 Lucas 23:13-16; João 19:1-3

• 08:00 – Pilatos tenta libertá-lo, mas o povo exige a cruz

📖 João 19:4-16; Mateus 27:24-26

🔨 Crucificação e Morte

• 09:00 – Crucificação no Calvário

📖 João 19:17; Lucas 23:26-31; Mateus 27:31-33 – Simão Cireneu ajuda a carregar a cruz.

📖 Marcos 15:25 – “Era a hora terceira quando o crucificaram.”

• 11:00 – A cruz é erguida; soldados dividem as vestes

📖 João 19:23-24; Marcos 15:24-32; Lucas 23:34-38

• 12:00 – Trevas sobre toda a terra

📖 Mateus 27:45; Marcos 15:33; Lucas 23:44

• 13:00 – Jesus fala com Maria e João; mulheres observam

📖 João 19:26-27; Marcos 15:40-41

• 14:00–15:00 – Morte de Jesus (Hora Nona)

📖 João 19:30; Lucas 23:46; Marcos 15:37

• 15:00–16:00 – Jesus é traspassado pela lança

📖 João 19:31-34

⚰ Sepultamento

• 16:00–17:00 – Corpo retirado da cruz por José de Arimateia

📖 Lucas 23:50-52; Marcos 15:42-46; Isaías 53:9-12

• 17:00–18:00 – Sepultamento antes do pôr do sol

📖 João 19:38-42; Mateus 27:60; Lucas 23:55-56

🗓 Sábado (16 de Nisã – Shabat)

• Jesus permanece no túmulo. Guardas são colocados.

📖 Mateus 27:62-66

🌅 Domingo ao Amanhecer ou sábado anoitecer (17 de Nisã)

• Mulheres encontram o túmulo vazio; Jesus já ressuscitou.

📖 Mateus 28:1-6; Marcos 16:1-6; Lucas 24:1-3; João 20:1

2 –  Teoria da Quarta-feira (Cumprimento Literal de 3 dias e 3 noites)

🗓 Terça-feira à Noite (início do 14 de Nisã)

• Última Ceia com os discípulos

• Getsêmani, prisão e julgamentos iniciais

📖 Mateus 26:17-50; João 13–18

🗓 Quarta-feira (14 de Nisã)

• Crucificação às 9h da manhã

📖 Marcos 15:25; João 19:17-18

• Trevas ao meio-dia; morte às 15h

📖 Mateus 27:45-50; Lucas 23:44-46

• Sepultamento antes do pôr do sol

📖 Mateus 27:57-61; João 19:38-42

➡️ Noite 1: Quarta à noite

➡️ Dia 1: Quinta-feira – Sábado Cerimonial (Pães Asmos)

📖 Levítico 23:6-7; João 19:31

🗓 Quinta-feira à Noite → Sexta-feira

➡️ Noite 2: Quinta à noite

➡️ Dia 2: Sexta-feira – Dia útil

📖 Marcos 16:1; Lucas 23:56 – Mulheres compram especiarias.

🗓 Sexta-feira à Noite → Sábado

➡️ Noite 3: Sexta à noite

➡️ Dia 3: Sábado – Sábado semanal

📖 Lucas 23:56b – As mulheres descansam segundo o mandamento.

🌅 Sábado ao Pôr do Sol (início do domingo judaico)

• Ressurreição de Jesus ao fim do sábado, antes do amanhecer

📖 Mateus 28:1 – “No fim dos sábados, ao começar a raiar o primeiro dia da semana…”

Generosidade Invisível

🗓️ Dia 5 – Generosidade Invisível

Semana 1: Bondade e Amor Incondicional

Você já se perguntou por que é tão difícil fazer o bem em segredo? Por que sentimos vontade de contar aos outros quando ajudamos alguém, ou quando fazemos algo bom? Talvez porque lá no fundo todos desejamos ser reconhecidos, valorizados — e isso é natural. Mas hoje, o convite é outro. É mais silencioso. É mais profundo.

✨ Foco prático do dia: Dar em segredo.

A bondade que transforma o mundo não é aquela que busca aplausos. É aquela que nasce do amor e permanece invisível aos olhos humanos — mas não aos olhos de D-us.

📖 “Ao Senhor empresta o que se compadece do pobre, e ele lhe pagará o seu benefício.”

Provérbios 19:17

A sabedoria do Tanakh (Velho Testamento) nos ensina algo poderoso: quando ajudamos alguém necessitado, estamos, na verdade, emprestando ao próprio D-us. E Ele não deixa nenhum gesto desses sem recompensa. Só isso já deveria nos fazer repensar cada moeda, cada minuto, cada palavra de encorajamento que damos.

📖 “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita… e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”

Mateus 6:3-4

Yeshua (Jesus) vai além. Ele nos desafia a praticar a generosidade de maneira radicalmente discreta. O foco não está em parecer bom, mas em ser bom diante de um Pai que vê o que ninguém mais vê.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, o desafio é simples e poderoso:

Faça algo bom sem contar a ninguém.

Não poste, não comente, não use como exemplo em conversa. Apenas faça. Pode ser doar algo, encorajar alguém, pagar um lanche, orar por um desconhecido, deixar um bilhete anônimo — o que importa é que seja entre você e D-us.

Esse tipo de bondade cria raízes profundas na alma. Ela não se alimenta de elogios, mas da certeza de que estamos cooperando com o Reino. Ao escolher o anonimato, você declara que sua identidade está em Cristo, e não nas curtidas ou aprovações humanas.

💭 Será que consigo fazer o bem sem buscar reconhecimento?

💭 Será que acredito que D-us vê e recompensa no oculto?

Essa é uma prática que molda o coração. Quando damos em segredo, D-us nos enche de uma alegria que não depende de aplausos. E isso — ah, isso — é liberdade.

Vamos juntos?

Dia 5 da Contagem do Omer nos desafia a cultivar uma bondade silenciosa, uma generosidade que ninguém vê, mas que muda tudo.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo nessa jornada de transformação.

Adivalter Sfalsin

Amar o de fora

🗓️ Dia 4 – Amar o de fora

Semana 1: Bondade e Amor Incondicional

Você já se sentiu fora do lugar? Em um ambiente novo, cercado por pessoas que não te conhecem, talvez até falando uma língua diferente da sua? A sensação de ser “o estranho” pode ser desconfortável — e muitas vezes solitária.

Agora imagine que você tem o poder de transformar esse sentimento em acolhimento. Imagine ser o abraço de D-us para alguém que ainda não sabe onde pertence.

✨ Foco prático do dia: Praticar hospitalidade e inclusão.

Hoje, o desafio é simples e poderoso: acolha alguém diferente de você. Um vizinho, um colega de trabalho, alguém novo na sua comunidade ou que pensa diferente. Estenda a mão, o sorriso, o ouvido — o coração.

📖 “O estrangeiro que peregrinar convosco será como o natural entre vós… pois fostes estrangeiros na terra do Egito.”

Levítico 19:34

Esse mandamento não é só uma lembrança da história do povo de Israel. É um chamado eterno à empatia. D-us nos convida a lembrar de onde viemos — das nossas dores, das nossas incertezas — para que sejamos misericordiosos com quem passa por caminhos parecidos.

O Novo Testamento ecoa esse espírito com uma observação surpreendente:

📖 “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.”

Hebreus 13:2

Quantas oportunidades perdemos por não abrir a porta, a agenda, ou simplesmente o olhar? Quem sabe quantos “anjos” passaram por nós e foram ignorados?

Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, pare e pergunte: Quem ao meu redor precisa se sentir incluído?

Pode ser alguém solitário, alguém novo, alguém invisível no seu dia a dia. O Reino de D-us cresce quando abrimos espaço para quem está de fora. E, muitas vezes, é no acolher o outro que descobrimos mais sobre nós mesmos.

Você está disposto a amar o estranho hoje?

Isso não significa concordar com tudo ou pensar igual. Significa reconhecer a dignidade de cada ser humano como imagem do Criador. Significa abrir a tenda, como fazia Abraão, para que outros também encontrem descanso e direção.

🙏 Plano de ação para o dia:

• Cumprimente alguém que você normalmente não notaria.

• Convide alguém “de fora” para um café, uma conversar ou participar de algo.

• Faça uma oração por grupos marginalizados ou estrangeiros em sua cidade.

• Reflita: em que áreas da sua vida você pode ser mais inclusivo?

D-us ama o estrangeiro. Ama o que chegou por último. Ama o que ainda não entendeu tudo, mas quer pertencer. E Ele te convida a fazer o mesmo.

Vamos juntos? Dia 4 da contagem do Omer nos desafia a abrir o coração.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo nessa jornada de transformação.

Adivalter Sfalsin

S1 D3 Amor que Liberta

🗓️ Dia 3 – Ouvir com o Coração

Semana 1: Bondade e Amor Incondicional

Você já foi realmente ouvido por alguém? Não só ouvido com os ouvidos, mas com o coração — com empatia, sem pressa, sem julgamento. Esse tipo de escuta é raro. E por isso mesmo, é tão poderoso.

Hoje, no terceiro dia da nossa jornada espiritual, somos convidados a praticar a empatia ativa — a bondade de simplesmente ouvir com o coração.

📖 “Abre a tua boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados.”

Provérbios 31:8

Esse versículo nos convida a sermos voz para quem não tem voz. Mas como fazer isso se antes não ouvirmos o clamor dos corações ao nosso redor? Ouvir é o primeiro passo para agir com justiça e compaixão.

O apóstolo Tiago reforça esse princípio com sabedoria prática:

📖 “Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar.”

Tiago 1:19

✨ Foco prático do dia: Ouça alguém hoje. Apenas ouça, com atenção e coração aberto.

Deixe de lado o celular, os julgamentos e até os conselhos. Dê à outra pessoa o presente da sua escuta plena. Muitas vezes, o maior ato de bondade é simplesmente estar presente.

🌿 Harmonia dentro do Chesed (Bondade, graça)

Bondade não é ausência de limites, e também não é apatia. É encontrar harmonia entre “graça sobre graça” e o discernimento dos limites. D-us nos chama a agir com amor, mas também com sabedoria.

Será que podemos mesmo fazer a diferença no mundo ao nosso redor? Sim — mas precisamos lembrar: os resultados não dependem de nós, e sim de D-us.

Como diz um antigo ensinamento judaico (originado do Pirkei Avot 2:21):

🗣️ “Não é para você completar a tarefa, mas não está livre para desistir da mesma.”

Jesus nos ensinou a orar:

📖 “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.”

Mateus 6:10

Cada ato de bondade — por menor que pareça — é uma maneira de trazer o Reino de D-us à terra. Não é sobre mudar o mundo todo, mas sobre reluzir nas trevas onde quer que estejamos.

📖 “Porque nós somos cooperadores de D-us; vós sois lavoura de D-us e edifício de D-us.”

1 Coríntios 3:9

✨ Plano de Ação para hoje:

• Faça algo que revele D-us ao mundo.

• Mencione o nome de D-us em 3 conversas.

• Ore pela saúde de alguém.

• Cumprimente todos com um sorriso.

• Escute alguém com atenção e empatia.

🙏 Não desista! Não importa o que a vida te ofereça hoje — peça misericórdia. Mesmo em meio ao caos, há graça. Mesmo no silêncio, D-us está ouvindo. E Ele te chama para ouvir também.

Vamos juntos? O terceiro passo da jornada é ouvir com o coração.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos para o próximo degrau.

Adivalter Sfalsin

S1 D2 Amor que Liberta

🗓️ Dia 2 – Amor que Liberta

Semana 1: Bondade, Amor Incondicional

Você já se sentiu amado mesmo quando sabia que não tinha feito por merecer? Ou já ofereceu bondade a alguém que, aos olhos humanos, não “merecia”? Essa é a essência do amor que liberta — o amor que brota do coração de D-us e nos desafia a ir além do que é justo ou conveniente.

✨ Foco prático do dia: Praticar bondade mesmo sem mérito aparente.

No Tanakh (Pentateuco), vemos uma imagem poderosa do amor de D-us pelo povo hebreu. Não foi pelo número, pela força ou mérito. Foi puro amor:

📖 “Não vos amou o Senhor nem vos escolheu por serdes mais numerosos do que os outros povos… mas porque o Senhor vos amava.”

Deuteronômio 7:7-8

Esse amor que escolhe, apesar de, é o mesmo que encontramos em Yeshua (Jesus). O apóstolo Paulo expressa essa verdade com clareza:

📖 “Mas D-us prova o seu amor para conosco, em que o messias morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.”

Romanos 5:8

Não merecíamos. Não éramos gratos. E mesmo assim, fomos amados com um amor radical. Isso é Chesed — bondade além da lógica, além da retribuição.

Mas atenção: bondade sem limites também pode ferir.

Dar tudo o tempo todo, sem discernimento, pode sufocar tanto quem dá quanto quem recebe. Um filho que recebe tudo o que quer, sem restrição, corre risco de se perder. Da mesma forma, a bondade divina também tem limites e convites.

Abraão, nosso pai na fé, tinha uma tenda aberta em todas as direções — um símbolo de hospitalidade irrestrita. Mas ainda assim, havia um limite físico: era preciso entrar na tenda para usufruir da bondade. Ver de longe não era suficiente.

🪞 Reflexão para aplicar hoje:

Talvez hoje você tenha a chance de abençoar alguém que te magoou. Ou alguém que você sente que “não merece”. Vai deixar passar? Lembre-se: você também foi amado assim. Mas também lembre-se: dar com sabedoria é parte do amor.

D-us quer derramar bênçãos sobre nós — mas também quer que estejamos dispostos a nos aproximar. Ele não força a entrada. Ele convida.

📖 “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a D-us, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.”

Tiago 1:5

Hoje, à medida que seguimos nessa jornada de 49 dias, pergunte a si mesmo:

1. Como posso imitar a D-us no meu dia a dia?

2. Que responsabilidade eu tenho para com o meu próximo?

3. O que D-us requer de mim?

💬 Que seu amor seja verdadeiro, firme e cheio de graça.

Que você saiba quando dar… e quando guiar.

Vamos juntos? O segundo passo dessa jornada está em suas mãos.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com a próxima reflexão.

Adivalter Sfalsin

Bondade, Amor Incondicional

🗓️ Dia 1 – Bondade Criadora

Semana 1 D1: Amor Incondicional

Você já se deu conta de quanta bondade invisível te cerca todos os dias? O ar que você respira, a luz do sol, a chance de recomeçar. Tudo isso são sinais da graça de D-us — sinais que muitas vezes passam despercebidos na correria da vida. Mas hoje, no primeiro dia da Contagem do Omer, somos convidados a parar e perceber.

O tema de hoje é Bondade Criadora. Estamos falando daquela bondade que não exige retorno, que simplesmente transborda porque sim. É assim que D-us age — Ele dá sem esperar nada em troca. Ele criou o mundo por pura generosidade, movido pelo desejo de compartilhar Sua bondade.

📖 “O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras.”

Salmos 145:9

Esse versículo nos lembra que a bondade de D-us é universal. Ela alcança todos — inclusive aqueles que nem sequer a reconhecem. E o mais lindo? Ela continua fluindo, dia após dia, como uma nascente que nunca seca.

No Novo Testamento, o apóstolo João escreve:

📖 “E da sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça.”

João 1:16

Essa “graça sobre graça” é a abundância do amor de D-us derramada sobre nós — não porque merecemos, mas porque Ele é assim: generoso por natureza.

✨ Foco prático do dia: Dar sem esperar nada em troca.

Simples assim. Que tal começar esse desafio de 49 dias fazendo um gesto de bondade por alguém, sem esperar aplauso, reconhecimento ou retribuição? Um elogio sincero, uma mensagem de encorajamento, um ato de ajuda silenciosa — são sementes de amor que tocam mais do que você imagina.

🪞 Reflexão para aplicar hoje:

Pense por um momento: qual foi a última vez que você deu algo — tempo, atenção, escuta, carinho — sem calcular retorno? Você consegue lembrar de alguém que foi canal da bondade de D-us pra você? Agora, imagine poder ser essa pessoa para outro hoje.

D-us nos chama a sermos espelhos da Sua natureza. Ele nos criou com essa capacidade: de fazer o bem só pelo bem. Às vezes, a gente acha que precisa de grandes gestos pra impactar o mundo, mas a verdade é que a transformação começa no pequeno. No simples. No invisível.

E se hoje for o primeiro degrau de uma escada rumo a um coração mais generoso?

E se, ao longo desses 49 dias, D-us quiser formar em você uma versão mais parecida com Ele?

💬 Pergunta para o dia:

Qual é um pequeno ato de bondade que você pode praticar hoje, sem esperar nada em troca?

Que sua jornada comece com graça. Que sua vida transborde amor criador.

Vamos juntos? O primeiro dia da contagem já começou. 

Amanhã após o por do sol vou publicar a reflexão do dia 2.

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Contando o Omer

Vamos Contar o Omer juntos? 

Uma Jornada de 49 Dias que Pode Mudar Tudo

Você já parou para pensar no que poderia acontecer se você se comprometesse, por apenas 49 dias, a crescer um pouco mais a cada dia — como pessoa, como ser espiritual, como filho(a) de D-us?

Pois é exatamente esse o convite da Contagem do Omer: uma jornada de autotransformação e reconexão com o Divino, que começa na segunda noite da Páscoa (Pessach) e vai até a festa de Shavuot — o dia em que celebramos a entrega dos Dez Mandamentos e a revelação da Palavra.

📅 No calendário bíblico, hoje é 14 de Nissan. Ao pôr do sol, começará o 15 de Nissan — a Páscoa bíblica — e, tradicionalmente, ao final desse dia, inicia-se a Contagem do Omer: um período de 49 dias entre a saída do povo hebreu do Egito e a entrega da Torá no Monte Sinai.

Nesse período, a tradição judaica convida o povo a se preparar espiritualmente para receber a Palavra do Senhor. E Jesus, em seu contexto judaico, muito provavelmente manteve essa tradição. Nos Evangelhos e no Novo Testamento, vemos ecos disso quando Ele instrui seus discípulos a permanecerem em Jerusalém até o envio do Espírito Santo — um paralelo direto com o recebimento dos Dez Mandamentos no Sinai:

“E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, pois, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.”

(Lucas 24:49)

“Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas…”

(Atos 1:8)

Isso nos mostra que o Pentecostes (Shavuot) relatado no novo testamento é o dia 50 dessa mesma contagem — não por acaso, mas por propósito divino.

✨ E você já se perguntou quem foram os primeiros “pentecostais” da história? Não foram os discípulos no cenáculo nem as igrejas formadas com esse nome — mas foram os hebreus no deserto, reunidos diante do Monte Sinai, ouvindo trovões, vendo relâmpagos e recebendo a Palavra diretamente do céu. Eles foram os primeiros a celebrar esse evento tão significativo: a entrega da Lei, que moldaria a identidade de um povo e revelaria a vontade de D-us.

Talvez você nunca tenha feito isso antes. Talvez você nem saiba por onde começar. Mas aqui vai uma verdade: D-us se revela a quem está disposto a caminhar. E essa caminhada acontece dia após dia, escolha após escolha, pensamento após pensamento.

Durante esses 49 dias, a contagem do Omer nos convida a trabalhar nosso interior por meio de sete virtudes espirituais, uma para cada semana — cada uma revelando uma faceta do caráter de D-us e um aspecto do nosso ser que precisa ser refinado:

✨ As Sete Semanas Espirituais:

1. Bondade – Aprender a amar com generosidade, sem esperar retorno.

2. Disciplina/Autocontrole – Estabelecer limites saudáveis e fortalecer nossa vontade.

3. Beleza/Compaixão – Encontrar equilíbrio entre justiça e misericórdia.

4. Persistência/Vitória – Desenvolver firmeza, fé constante e resistência espiritual.

5. Humildade/Gratidão – Reconhecer que a força vem de D-us e aprender a ceder.

6. Conexão/Vínculo – Fortalecer nossos relacionamentos e nossa aliança com D-us.

7. Realeza/Nobreza Interior – Assumir responsabilidade e liderar com dignidade e serviço.

Mas isso não é só teoria — é prática. É olhar para dentro com coragem. É perguntar:

• Quem estou me tornando?

• Que hábitos me aproximam ou me afastam de D-us?

• Como posso amar melhor? Falar com mais sabedoria? Ter mais paciência?

• O que está me impedindo de ser plenamente aquilo que D-us sonhou para mim?

A Contagem do Omer é como uma escada. Ela não exige perfeição, mas movimento. Um degrau por dia. Uma vitória por vez.

E se, ao final desses 49 dias, você estivesse mais leve, mais sábio(a), mais cheio(a) da presença de D-us?

E se essa contagem, feita com fé e intenção, fosse o que faltava para destravar coisas na sua vida que há tempos você vem orando?

🎯 O desafio está lançado:

Durante os próximos dias, vamos contar juntos.

Mas mais do que contar dias, vamos fazer com que cada dia conte.

É sobre a jornada interior que só você pode trilhar.

Aceita esse convite? Nos próximos 49 dias vou publicar um pequeno artigo abordando cada aspecto das 7 semanas, fique atento as notificações.

Então se prepare, porque essa jornada não é apenas sobre números.

É sobre seu coração, sua alma — e o que D-us quer revelar em você antes que o fogo desça novamente no dia 50.

Vamos? Vem comigo.

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Shavuot ou Pentecostes

Shavuot ou Pentecostes?

🔥 Shavuot e Pentecostes: A Mesma Festa, Duas Perspectivas, Uma Revelação

Você sabia que Pentecostes é a mesma festa chamada Shavuot na Bíblia?

Pentecostes, do grego Πεντηκοστή (Pentekostē), significa “cinquenta”, e marca o quinquagésimo dia após a Páscoa. No judaísmo bíblico, é o Shavuot — também conhecida como a Festa das Semanas — quando se celebra tanto a colheita dos primeiros frutos quanto a revelação dos Dez Mandamentos no Monte Sinai.

📆 Quando se celebra?

Nessa ano (2025), Shavuot começa ao pôr do sol de domingo, 1º de junho, e termina ao anoitecer de terça-feira, 3 de junho.

É uma das três festas bíblicas de peregrinação (juntamente com Pessach, (páscoa) e Sucot (tabernáculos) e, surpreendentemente, muitas pessoas nem sabem que ela comemora a revelação dos Dez Mandamentos à humanidade. Já parou para pensar que não temos nenhuma festa no calendário cristão tradicional que celebre esse momento? Essa festa já existe na Bíblia — talvez só não tenhamos percebido sua importância.

🧭 O que é a Contagem do Omer?

A Contagem do Omer é o período de 49 dias entre Pessach (Páscoa) e Shavuot (Pentecostes), conforme descrito em Levítico 23:15-16:

“Contareis para vós, desde o dia seguinte ao sábado… sete semanas completas. Contareis cinquenta dias…”

Originalmente uma prática agrícola ligada à colheita de cevada e trigo, a contagem do Omer foi compreendida espiritualmente como uma jornada de transformação interior, conectando a libertação do Egito à revelação da Torá no Sinai. Cada dia é contado com uma bênção, e muitos usam esse tempo para refletir sobre virtudes como bondade, justiça, humildade, e disciplina. O Monte Sinai: Nosso Ponto de Encontro – No 50º dia após a saída do Egito, D’us se revelou ao povo hebreu no Monte Sinai com fogo, trovões, som de trombetas e uma voz audível. Foi o nascimento espiritual de Israel como nação, conforme Isaías 49:6, chamada para ser “luz para as nações”. A tradição rabínica afirma que a voz de D’us se dividiu em 70 línguas, representando todos os povos — mostrando que Sua mensagem era universal desde o início.

Pentecostes: O Espírito Sobre Todos, sua revelação a todos os povos. Agora compare com Atos 2:1–3: “E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar. E de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso… e foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo.”

Jesus havia dito: “Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.” – Lucas 24:49, cumprido fim da contagem do Omer.

Assim como no Sinai o fogo desceu sobre o monte, agora ele desce sobre os discípulos, na sua maioria esmagadora judeus. A festa é a mesma: Shavuot, só que traduzida como Pentecostes. No Sinai, D’us deu os mandamentos ao povo hebreu. Em Atos 2, Ele derramou o Espírito Santo para capacitá-los a levar esses mandamentos às nações. “porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor de Jerusalém.” Miquéias 4:1-2 e Isaías 2:2-3.

Três mil pessoas creram naquele dia — assim como no Sinai, quando três mil morreram por causa do bezerro de ouro (Êxodo 32:28). Aqui vemos a graça restaurando o que a desobediência havia quebrado.

🌾 Primícias do Espírito e da Ressurreição – Shavuot também é a festa das primícias — a entrega dos primeiros frutos a D’us. No evangelho, vemos isso refletido quando, após a ressurreição de Jesus, “muitos santos ressuscitaram” (Mateus 27:52) — as primícias dos que dormem. Assim, o Pentecostes não é o rompimento com o antigo, mas a continuidade e ampliação da revelação divina. A Torá dada no Sinai não é substituída, mas complementada pela ação do Espírito, que escreve a Lei nos corações.

🧩 Uma Conexão Profunda – Essa ligação entre judaísmo e cristianismo nem sempre é reconhecida, mas é essencial. Shavuot e Pentecostes são duas janelas para o mesmo céu:

• No Sinai, D’us forma um povo.

• Em Jerusalém, Ele envia esse povo ao mundo.

• No Sinai, os mandamentos.

• Em Pentecostes, o Espírito que capacita a vivê-los.

• No Êxodo, uma libertação física.

• Em Atos, uma libertação espiritual.

As divergências nas datas das festas nos convidam à introspecção. Será que não estamos perdendo algo ao nos desconectarmos das raízes bíblicas?

Enquanto muitos comemoram festas como o Natal, com raízes questionáveis, pouco se fala sobre Shavuot — o dia da entrega dos Mandamentos ou o derramamento do Espírito Santo. Celebrar essas datas nos reconecta à história da fé e nos ajuda a ver que o cristianismo não surgiu isolado, mas é fruto da revelação progressiva de D’us ao longo do tempo onde os gentios são agora enxertados nas promessas dadas aos patriarcas.

🤔 Por que não celebramos isso? – Celebramos o Natal, cuja origem é discutível, mas negligenciamos a entrega dos Dez Mandamentos e a descida do Espírito Santo — dois dos maiores marcos da fé. Talvez este seja um chamado para voltar às raízes e celebrar o que realmente carrega peso eterno.

🌍 Um Convite à Unidade – A conexão entre Shavuot e Pentecostes mostra que a revelação divina não é fragmentada, mas progressiva e inclusiva. Ela não rejeita o que veio antes — ela constrói sobre isso, abrindo caminho para que todos os povos possam conhecer o D’us de Israel.

“Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um, e derrubou a parede de separação que estava no meio… para criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz.” – Efésios 2:14-15

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Primeira Fake News

Você já se perguntou qual foi a primeira fake news da história? Muito antes das redes sociais, dos algoritmos e dos deepfakes, uma mentira cuidadosamente arquitetada mudou o rumo da história — e não só da história bíblica, mas de toda a existência humana. Não, não estamos falando de uma fofoca qualquer. Estamos falando daquilo que aconteceu no Jardim do Éden, um episódio que continua ecoando até os dias de hoje. A história é conhecida, mas talvez nunca tenhamos parado para olhá-la sob essa lente: a serpente, Eva, o fruto proibido e… a mentira. Sim, aquela mentira sutil, disfarçada de verdade, foi o estopim de uma mudança de paradigma. E se olharmos bem, perceberemos que as fake news de hoje nada mais são do que ecos desse primeiro engano. Vamos mergulhar nessa história?

O Berço da Mentira – Gênesis 3 nos apresenta um diálogo aparentemente inocente, mas profundamente estratégico. A serpente, descrita como “mais astuta que todos os animais do campo”, se aproxima de Eva com uma pergunta aparentemente inofensiva: “É assim que D-us disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” (Gênesis 3:1). Essa pergunta já carrega veneno. A intenção não era informar, mas plantar dúvida. E Eva, ao tentar responder com fidelidade, mostra que sabia o que D-us havia dito: “Do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse D-us: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.” (v.3). A ordem era clara. A consequência, também. Mas então vem o golpe fatal da serpente: “Certamente não morrereis.” (v.4). Pronto. A primeira fake news está lançada. Uma afirmação falsa, que contradiz diretamente a verdade dita por D-us. Mas a serpente não para por aí. Ela vai além, oferecendo uma “explicação alternativa”: “Porque D-us sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como D-us, sabendo o bem e o mal.” (v.5). Perceba a genialidade — e a malícia — dessa mentira. A serpente não apenas nega a consequência, ela cria uma narrativa sedutora: D-us estaria escondendo algo bom. Eva não estaria desobedecendo, mas buscando libertação, autonomia, conhecimento.

A Desconstrução da Verdade – Até aquele momento, D-us era a fonte absoluta da verdade, o único que definia o que era bem e o que era mal. Eva, ao dar ouvidos à serpente, faz mais do que comer um fruto proibido — ela decide que quer ser como D-us. Decide que a prerrogativa de definir o bem e o mal não deveria estar apenas nas mãos do Criador, mas também nas dela.

Essa é a raiz de toda fake news: a rejeição de uma autoridade confiável e a construção de uma “verdade” própria, a famosa “narrativa”, ou frase “vamos criar uma narrativa”, conveniente, emocionalmente atraente. Eva viu que o fruto era bom para comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento. O desejo venceu a verdade. A mentira teve sabor de empoderamento. O resultado? Uma separação imediata entre humanidade e D-us, vergonha, culpa, e o início de uma jornada marcada por dor, confusão e morte. Pode parecer distante, mas essa história é mais atual do que nunca. Estamos vivendo em uma era onde a verdade é constantemente relativizada. O que importa, muitas vezes, não é o que é verdadeiro, mas o que “parece bom”, “soa certo” ou “agrada aos meus olhos”. Assim como Eva, muitas pessoas escolhem acreditar em narrativas sedutoras, mesmo que estejam em conflito com fatos, evidências ou princípios morais. As fake news de hoje prometem libertação, empoderamento, revelações ocultas. Nos dizem que “os especialistas estão mentindo”, que “os governantes escondem a verdade”, que “cada um tem sua própria verdade”. O que parece ser apenas uma opinião alternativa, muitas vezes é uma estratégia para nos afastar da verdade — da Verdade com “V” maiúsculo. E quais são as consequências?

Quando a sociedade começa a construir seus valores sobre mentiras, o que acontece? Confusão moral. Crises institucionais. Polarização. Desconfiança generalizada. Poder sendo usurpado. A fake news não é apenas um problema informacional — ela é um problema espiritual, moral e existencial. Assim como Eva, hoje muitos querem ser “como D-us” — decidir por si mesmos o que é certo ou errado, o que é vida ou morte, o que é homem ou mulher, o que é verdade ou ilusão. E como na história do Éden, a mentira parece doce, mas cobra um preço amargo.

Nações inteiras estão se afastando de princípios sólidos e objetivos, trocando-os por relativismos perigosos. A verdade é rebaixada a opinião. A mentira, se compartilhada o suficiente, vira “consenso”. E, como no Éden, isso gera consequências irreversíveis: famílias desfeitas, corrupção generalizada, identidade fragmentada e morte.

O Que Podemos Fazer? – Talvez a grande pergunta não seja apenas “qual foi a primeira fake news?”, mas como podemos reagir à mentira hoje? A resposta começa com humildade. Reconhecer que há uma verdade que não nasce de nós mesmos, mas de D-us, ele é o princípio absoluto. Que não temos todas as respostas, e que precisamos de uma fonte confiável de sabedoria. Voltar à Palavra. Resgatar a confiança no que D-us disse. Rejeitar as serpentes que ainda hoje sussurram: “Certamente não morrereis.” Também precisamos cultivar discernimento. Ensinar nossas famílias, igrejas e comunidades a questionar as narrativas dominantes. A buscar evidências, comparar com a verdade bíblica, e não ceder ao que apenas parece bom. Por fim, precisamos recuperar a coragem. Coragem para nadar contra a maré, para defender a verdade mesmo quando ela é impopular. Coragem para dizer: “Não, eu não vou comer desse fruto. Eu creio no que D-us disse.”

A Verdade Ainda Importa. A primeira fake news da humanidade nos ensina que mentiras podem parecer belas, mas seus frutos são amargos. Eva acreditou que estava ganhando liberdade, mas perdeu o paraíso. Hoje, muitas vozes nos convidam a fazer o mesmo — a trocar a verdade eterna por verdades temporárias e sedutoras. Mas a boa notícia é que D-us não nos deixou presos à mentira. Em Jesus, a Verdade se fez carne, João 14:6, Eu sou o caminho, e a VERDADE, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Ele nos chama de volta ao jardim, de volta à confiança, de volta à vida. A escolha está diante de nós: a serpente continua falando, mas a voz de D-us também.

Quem você vai ouvir?

Adivalter Sfalsin

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Consequencia Fatal

Consequência Fatal

Existe um padrão para a destruição, seja na vida de uma pessoa ou na trajetória de uma nação?

A história sugere que sim. Seja ao observar um individual se afastando da verdade ou um império inteiro desmoronando sob o próprio peso, os sinais geralmente são os mesmos: uma erosão lenta dos valores, uma troca da virtude pelo vício, da responsabilidade pelo direito, da verdade pela conveniência.

As civilizações não colapsam da noite para o dia. As pessoas também não. Mas existe um ciclo, previsível, sóbrio e assustadoramente familiar, que se repete ao longo do tempo. De opressão, para liberdade e prosperidade, e então, quase inevitavelmente, de volta à escravidão.

Essa sequência recorrente é conhecida como o “Ciclo de Tytler” ou “Consequência Fatal”, atribuído ao historiador escocês Alexander Fraser Tytler. Ele descreve a ascensão das nações começando na escravidão, passando pela fél, depois coragem, liberdade, abundância, e então declinando lentamente por meio da complacência, apatia, dependência, e finalmente retornando à escravidão.

No centro desse progresso fatal encontra-se um inimigo silencioso: a decadência moral. Embora má gestão econômica, corrupção política ou invasões estrangeiras possam parecer as causas imediatas da queda de uma nação, essas crises geralmente são sintomas de uma enfermidade mais profunda—o colapso dos valores morais e espirituais. A história fornece evidências assustadoras de que, quando uma sociedade abandona seus fundamentos éticos, o relógio começa a contar regressivamente rumo à sua destruição inevitável.

A Liberdade Precisa de uma Base Moral – A liberdade não se sustenta sozinha. Ela não se renova automaticamente a cada geração. Precisa ser protegida, cultivada e, acima de tudo, fundamentada na virtude. John Adams, um dos fundadores dos Estados Unidos, expressou essa verdade com clareza:

“Nossa Constituição foi feita apenas para um povo moral e religioso. Ela é totalmente inadequada para o governo de qualquer outro.”

Quando uma sociedade já não sabe, ou não se importa mais, com o que é certo ou errado, a liberdade se torna uma casca oca. As leis continuam existindo, os tribunais funcionam, as eleições acontecem, mas o espírito de justiça e responsabilidade desaparece. Esse tipo de desintegração moral pode acontecer silenciosamente. Uma sociedade pode manter sua imagem externa de sofisticação, democracia ou progresso tecnológico, mesmo enquanto sua bússola interna gira sem controle. As pessoas passam a celebrar o egoísmo como sucesso, tratam a verdade como algo flexível e redefinem o vício como liberdade. Com o tempo, o “cimento moral” que une a comunidade enfraquece e tudo começa a ruir.

Da Prosperidade à Apatia: A Ladeira Escorregadia – É uma ironia trágica que a prosperidade, algo que tantas nações almejam, frequentemente se torne o começo de sua decadência. A história ensina que a geração que conquista a liberdade por meio do sacrifício geralmente cria filhos no conforto. E esses filhos, que nunca conheceram a escravidão ou a luta, tornam-se vulneráveis à apatia. Esquecem o preço da liberdade. Presumem que a abundância é normal. E lentamente, os valores que construíram a nação começam a desaparecer. A Roma Antiga é o exemplo clássico. Sua República inicial era marcada por serviço público, disciplina e virtude. Mas séculos de expansão trouxeram luxo, corrupção e decadência. Os romanos passaram a valorizar mais o entretenimento do que a ética, mais o conforto do que o caráter. O famoso “pão e circo” substituiu o engajamento cívico. Quando os inimigos atacaram, Roma já havia apodrecido por dentro.

As sociedades modernas não estão imunes. Na verdade, com nossa capacidade de distração infinita e de redefinir a moralidade à vontade, o perigo pode ser ainda maior. Assumimos que a liberdade é permanente, mas esquecemos que liberdade sem responsabilidade sempre termina em ruína.

Juízes Corruptos: O Alarme do Colapso – Um dos sinais mais evidentes de que uma nação entrou em sua fase terminal é a corrupção do sistema judiciário. Quando aqueles encarregados de promover a justiça começam a servir à política, aos interesses pessoais ou à ideologia em vez da verdade, uma linha profunda e perigosa foi cruzada. Abordo esse tema no meu artigo anterior “Justiça ou Poder?”, https://raizeshebraicas.com/2025/03/22/justica-ou-poder/  o sistema de justiça deve ser a coluna moral de qualquer sociedade. Quando os juízes deixam de ser imparciais, quando as leis são distorcidas para favorecer os poderosos e silenciar os justos, os tribunais se transformam em armas, e não em escudos. Isso não é apenas um problema de governança, é um sinal de podridão moral. A Bíblia está repleta de alertas sobre esse problema. No antigo Israel, o juízo de D-us frequentemente vinha quando a justiça era pervertida. O profeta Amós declarou:

“Eles vendem o justo por prata, e o necessitado por um par de sandálias… pisam a cabeça dos pobres.” (Amós 2:6–7)

E novamente em Amós 5:7:

“Vocês transformam o juízo em alosna (amargura) e lançam por terra a justiça.”

Quando os tribunais já não temem a Deus, quando juízes são influenciados por subornos, ameaças ou agendas políticas, o sistema judiciário se torna um palco para a injustiça. E quando a justiça morre, os dias da nação estão contados.

Isaías também clamou:

“Seus líderes são rebeldes, companheiros de ladrões; todos amam subornos e correm atrás de presentes. Não defendem a causa do órfão…” (Isaías 1:23)

Essas não eram apenas queixas sociais, eram alarmes espirituais. Juízes corruptos não eram falhas pontuais no sistema; eram sinais de que a destruição estava próxima. Mesmo hoje, quando o judiciário se torna politizado, quando os tribunais protegem elites e punem os que dizem a verdade, quando os veredictos servem à ideologia em vez das provas, uma sociedade não está longe da tirania. Porque quando a justiça morre, a confiança morre e sem confiança, a nação começa a se desintegrar.

A Queda Moral Torna-se a Queda Nacional. A decadência moral não é um problema exclusivo da elite, ela se infiltra na vida cotidiana. Quando a verdade se torna relativa, quando as famílias desmoronam, quando as crianças crescem sem senso de certo e errado, e quando o prazer substitui o propósito, uma nação perde sua resiliência. Pode continuar funcionando por um tempo, mas sua alma já se foi. O cinismo toma conta. As pessoas deixam de se importar. Deixam de votar. Deixam de defender o que é certo. E aos poucos, tornam-se dependentes—do governo, de mentiras, da ilusão de paz.

E então, num piscar de olhos, a nação já não é mais livre.

O Retorno à Escravidão – A escravidão nem sempre chega com tanques ou correntes. Às vezes, ela vem discretamente por meio do colapso econômico, de leis autoritárias ou da desintegração social. A forma externa da liberdade pode até permanecer, mas o povo já não vive mais como livre. Eles se tornaram escravos do conforto, do medo, dos próprios sistemas em que acreditavam estar seguros. Quando percebem o que perderam, já é tarde demais. Os tribunais não defendem mais a justiça. Os líderes já não temem a D-us. E o povo já não se lembra do que é ser livre. Essa é a consequência fatal a fase final do ciclo.

Existe Caminho de Volta? Sim, mas apenas por meio de um renovo moral. As nações não caem da noite para o dia, e também não se restauram da noite para o dia. Mas o caminho da restauração começa quando o povo redescobre a verdade. Quando as famílias voltam a ensinar valores. Quando as comunidades se recusam a normalizar a mentira. Quando os líderes tremem diante da justiça. Quando os juízes se lembram de que seu papel é sagrado. O profeta Miquéias disse com clareza:

“Ele te mostrou, ó homem, o que é bom. E o que o Senhor exige de ti? Que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu D-us.” (Miquéias 6:8)

Se quisermos evitar o retorno à escravidão, precisamos praticar a justiça—começando agora. O futuro de uma nação não depende de suas armas nem de sua riqueza, mas de sua sabedoria e de sua disposição de fazer o que é certo.

Porque uma vez que a justiça se vai, a liberdade não tarda a desaparecer.

Adivalter Sfalsin

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Justiça ou Poder

Justiça ou Poder?

Quando os Juízes Falham: Corrupção, Colapso e o Preço do Poder

O que acontece quando os juízes — aqueles que deveriam defender a verdade, proteger os fracos e fazer justiça — se tornam justamente a fonte da corrupção? Um segredinho cá entre nós: nada de bom. Se você acha que os escândalos de hoje envolvendo juízes, interferência política ou acordos feitos nos bastidores são uma novidade… pode esquecer. A história tem um jeitinho especial de se repetir — só mudam os nomes e os cortes de cabelo. Vamos dar uma olhada no passado, mais precisamente na antiga Israel, onde um sistema judiciário corrompido não só gerou revolta popular, mas desencadeou uma verdadeira reformulação no sistema de governo.

Antes dos reis, antes das coroas e dos tronos enfeitados de ouro, Israel era governada por juízes. Mas não daqueles de toga preta e martelinho, não. Eram líderes militares, guias espirituais e bússolas morais — tudo junto e misturado. O período dos Juízes (mais ou menos entre 1200 e 1020 a.C.) era como tentar organizar doze gatos numa sala: cada tribo por si, tentando sobreviver, brigando de vez em quando, se unindo só quando o bicho pegava.

De tempos em tempos, D-us levantava juízes — tipo Gideão, Débora, Sansão — para salvar o povo. Eles não eram reis, e o cargo não passava de pai pra filho. Eram chamados por D-us, não escolhidos por linhagem. Esse sistema tribal, descentralizado, era até que justo… até começar a desandar.

Samuel foi o último — e talvez o maior — dos juízes. Profeta, sacerdote e líder, ele promoveu um avivamento espiritual e conduziu Israel por tempos difíceis, especialmente com os insuportáveis filisteus. As pessoas o respeitavam porque ele vivia o que pregava. Mas o tempo passou. Os cabelos ficaram brancos. Ele envelheceu. E aí começou o problema. Em vez de deixar que D-us escolhesse o próximo juiz, como sempre foi, tentou dar um “jeitinho” e colocou seus filhos — Joel e Abias — como juízes. Parece um gesto de pai amoroso, né? Mas isso quebrou com toda a tradição… e pra piorar, os caras eram tudo menos justos.

“Eles se deixaram levar pela ganância, aceitavam suborno e pervertiam a justiça.”

— 1 Samuel 8:3

Não era só incompetência, era má-fé mesmo. E o povo percebeu. Não ficaram só reclamando pelos cantos — exigiram mudança. Cansados de juízes corruptos, os israelitas pediram um rei. Mas não qualquer rei — queriam um “como as outras nações” (1 Sm 8:5). Em outras palavras: “Queremos alguém poderoso, imponente e com um exército de respeito.” Samuel ficou de coração partido. Ele entendeu que não era só uma troca política; era o povo rejeitando o próprio governo de D-us. Mas D-us disse pra ele aceitar o pedido — mas não sem antes alertar:

“Vocês querem um rei? Beleza. Mas ele vai levar seus filhos pra guerra, suas filhas pra trabalhar, vai taxar suas terras… e vocês vão se arrepender.” — (paráfrase de 1 Samuel 8:10–18)

Mesmo assim, o povo insistiu. Então Samuel ungiu Saul. E pronto: o sistema tribal liderado por juízes foi trocado por uma monarquia — centralizada, reluzente e, claro, humana demais. Outro segredinho cá entre nós: Isso não resolveu a corrupção. Só a elevou de nível a uma esfera maior.

Vamos ampliar o olhar. – O que rolou em Israel não foi caso isolado. A história tá cheia de exemplos de quando quem detém o poder — especialmente juízes — se corrompe, tudo começa a desmoronar:

• Em Atenas (404 a.C.), os Trinta Tiranos abusaram do poder e foram derrubados por uma rebelião em menos de um ano.

• Na Roma antiga, o governador Caio Verres ( c. 120 a.C.–43 a.C.) saqueou a Sicília tão descaradamente que fez Marco Túlio Cícero largar a poesia pra processá-lo. (Tá, talvez ele nunca tenha sido poeta mesmo.)

• Na China antiga, a dinastia Qin ruiu por causa de ministros corruptos como Zhao Gao, que usava a lei como arma de opressão.

• Até no Egito, no fim do Reino do Meio, a corrupção dos oficiais levou o país a ser dominado por estrangeiros.

O padrão é claro: corrupção judicial leva ao colapso do sistema e tomada de poder por outro povo. Sempre! 

Vamos ser sinceros: os filhos de Samuel não mereciam o cargo — herdaram. Talvez não tenhamos juízes por herança (ainda bem), mas vemos indicações feitas com base em interesses, alianças ou ideologias, não em mérito ou integridade. Quando juízes ou autoridades ganham poder sem prestar contas — e ainda misturam política com justiça — a balança pesa sempre pro lado de quem já tem poder. E quando isso acontece, o castelo de cartas cai. Como diz o ditado: “Poder absoluto corrompe absolutamente.” Os filhos de Samuel achavam que podiam fazer vista grossa pra justiça em troca de propina. O povo se revoltou — de forma pacífica, tudo bem — mas a solução (uma monarquia) não foi exatamente um avanço. Na prática, só trocou um problema por outro: mais controle, mais impostos, mais opressão — exatamente como D-us tinha avisado.

Então, o que podemos tirar disso tudo?

1. Liderança sem prestação de contas destrói tudo. Juízes em Berseba ou políticos em Brasília, o efeito é o mesmo.

2. Nenhum sistema é melhor do que o caráter de quem o opera. Pode ter a melhor constituição do mundo — se quem aplica for corrupto, não adianta nada.

3. Pessoas trocam liberdade por segurança quando estão com medo. Os israelitas abriram mão da autonomia tribal por um rei. A gente faz igual quando o medo nos empurra a aceitar “salvadores da pátria”.

4. O modelo de D-us sempre prioriza justiça, humildade e liderança servidora. Samuel foi um bom juiz porque temia a D-us, não porque tinha poder. Seus filhos não tinham esse temor — e isso fez toda a diferença.

Eclesiastes já dizia: “Não há nada de novo debaixo do sol.” E é verdade. Os rostos mudam, os prédios ficam altos, a tecnologia avança… mas o coração humano? Continua sujeito à corrupção, sedento por poder. 

 “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e provo as entranhas; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações.” Jeremias 17:9-10

Então, da próxima vez que você ouvir falar de um escândalo envolvendo juiz, autoridade ou líder, não fique só balançando a cabeça. Pergunte: qual sistema permitiu isso? Quem os fiscaliza? E o que a gente está disposto a tolerar em troca de uma falsa sensação de segurança?

Porque aqui está cerne da questão: juízes corruptos não são só sinal de um sistema podre. São reflexo de um povo que parou de cobrar integridade, talvez porque também não seja integro. E quando isso acontece, a história mostra o que vem depois:

Tudo desmorona… e surge um novo sistema que até pode parecer melhor — mas raramente é.

A gente não está só assistindo tudo isso. Seja votando, educando filhos, sendo líder ou apenas decidindo o que vamos tolerar — cada um de nós molda o sistema.

Você está promovendo verdade, justiça, humildade e temor a D-us? Ou está só esperando que outra pessoal faça o teu papel? A história de Samuel não é só história antiga. É um espelho.

E aí? O que você vai fazer quando for sua vez de defender a justiça?

Adivalter Sfalsin

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O que é Louvor?

Redefinindo a Adoração: É Mais do Que Apenas Cantar 

Quando você ouve a palavra adoração, o que vem à sua mente? Para a maioria das pessoas, é aquele momento na igreja quando a banda toca, as mãos se levantam e as vozes enchem o ambiente. A adoração, em muitos círculos cristãos modernos, tornou-se sinônimo de cantar. E embora a música seja uma forma linda e bíblica de adorar, na verdade é apenas uma faceta de algo muito maior. Mas e se adoração fosse mais do que apenas um momento no culto? E se fosse algo que influencia toda a nossa vida? Então, deixe-me desafiá-lo hoje: E se a adoração for mais do que uma canção? E se a verdadeira adoração não for apenas sobre música?

 Vamos fazer uma jornada pela Escritura para redescobrir o que a adoração realmente significa e como podemos aplicá-la no nosso dia a dia.

Adoração é Prostração (Shachah) Uma das palavras hebraicas mais comuns para adoração é shachah (שָׁחָה), que significa curvar-se, prostrar-se. Isso não é apenas um leve gesto de respeito — é um ato completo, com o rosto no chão, uma entrega total ao Senhor. Pegue Abraão, por exemplo. Em Gênesis 22:5, ele diz aos seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o menino vamos ali. Iremos adorar (shachah) e depois voltaremos.” Agora, Abraão estava indo para um show? Não. Ele estava indo entregar seu filho em obediência a D-us. Adoração aqui não era uma canção — era uma postura de humildade e submissão. Era confiança e era custoso. Provavelmente na tensão do momento ele não cantou nada. Quantas vezes limitamos nossa adoração a apenas levantar as mãos e cantar algumas músicas? E se D-us estivesse nos chamando a algo mais profundo? Então, adoração não é apenas expressão externa; às vezes, é cair de rosto no chão diante de D-us e dizer: “Não a minha vontade, mas a Tua seja feita.”

Adoração é Serviço (Avad) A palavra hebraica avad (עָבַד) é frequentemente traduzida como adoração, mas também significa servir ou trabalhar. Em Êxodo 3:12, D-us diz a Moisés: “Quando você tiver tirado o povo do Egito, vocês adorarão (avad) a D-us neste monte.” Ele queria dizer que Moisés lideraria Israel em uma sessão de louvor? Não. D-us estava chamando-os para servi-Lo — para dedicar suas vidas à obediência, para trabalhar como Seu povo, para serem separados. Adoração não é apenas cantar por 20 minutos no domingo. É como vivemos os outros dias da semana. Está na nossa ética de trabalho, no nosso serviço aos outros e na nossa fidelidade a D-us nas pequenas coisas. E você? Como você tem servido a D-us? Então, da próxima vez que alguém lhe perguntar, “Você adorou hoje?” não pense apenas em cantar. Pergunte-se, “Eu servi a D-us hoje? Eu O obedeci? Fiz o meu trabalho com excelência para a glória dEle?”

Adoração é Temor e Reverência (Yare’) Agora, essa pode te surpreender. Yare’ (יָרֵא) significa temor, reverência e admiração. Em Deuteronômio 6:13, diz: “Temam (yare’) o Senhor, o seu D-us, e só a Ele sirvam.” Espera… temor? Sim. Mas não o tipo de medo que faz você se esconder debaixo da cama. Isso é reverência santa — aquela admiração profunda ao estar diante de algo magnífico, poderoso, esmagador, que nos tira o fôlego. Pense na reação de Isaías ao ver o trono de D-us (Isaías 6:5): “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros…” Isso é adoração. Quantas vezes nos aproximamos de D-us com um coração indiferente, sem perceber a magnitude da Sua presença? A verdadeira adoração vem quando vemos D-us como Ele realmente é — e quando essa realidade nos transforma da melhor maneira possível.

Adoração é Louvor Alegre (Halal) Claro, não podemos esquecer o lado alegre da adoração! A palavra halal (הָלַל) significa exaltar, celebrar, brilhar. Essa é a raiz de “Aleluia” (Louvai ao Senhor! Halal-Ya!). Salmo 150:1 diz: “Louvem (halal) ao Senhor em seu santuário.” Essa é a adoração barulhenta, extravagante e sem vergonha!

Se adoração também envolve louvor, então o que significa louvar? A palavra louvor vem do latim laudare, que significa exaltar, elogiar, engrandecer. No hebraico, uma das palavras principais para louvor é halal, que tem a ideia de uma celebração intensa, quase extravagante da grandeza de D-us. Já percebeu como muitos Salmos são cheios de convites para louvar ao Senhor de forma vibrante e intensa? Esse é o coração de halal. O louvor nos lembra de quem D-us é e nos convida a exaltá-Lo com todas as nossas forças! Adoração é Entrega e Relacionamento A palavra adoração vem do latim adorare, que significa “render culto, venerar”. Sua raiz tem relação com orare (falar, orar), indicando que a verdadeira adoração envolve um relacionamento profundo com D-us. No hebraico, shachah transmite essa ideia de entrega e reverência, enquanto avad nos lembra que serviço e adoração são inseparáveis. Quando adoramos a D-us, estamos reconhecendo Seu valor supremo e nos entregando totalmente a Ele. A Verdadeira Adoração Exige Tudo de Nós Agora que vimos que adoração vai além da música, como isso muda a sua vida? Se adoração é prostração, você tem se curvado diante de D-us? Se adoração é serviço, como você tem servido ao Reino? Se adoração é temor, você realmente reverencia D-us em sua vida? Se adoração é louvor, você O exalta com todo o seu coração? A adoração verdadeira exige tudo de nós. Não se trata apenas de cantar uma música bonita, mas de viver uma vida rendida ao Senhor. D-us não busca apenas nossa voz, Ele quer o nosso coração, nosso tempo, nosso trabalho, nossa entrega. Vamos parar de limitar a adoração apenas ao louvor e começar a viver vidas que honram verdadeiramente a D-us em todos os aspectos. Agora, vá e adore a D-us com tudo o que você tem!

Adivalter Sfalsin

Uma Vírgula, duas Teologias

Uma Vírgula, duas Teologias

O Poder de uma Vírgula: Como um Pequeno Sinal Mudou a Teologia

Se você já brigou com um professor de gramática sobre a necessidade de uma vírgula, prepare-se para algo ainda mais sério: uma pequena vírgula em Lucas 23:43 deu origem a duas teologias totalmente diferentes! Isso mesmo. Um simples detalhe de pontuação dividiu estudiosos, igrejas e até mesmo algumas amizades ao longo da história.

Vamos explorar esse mistério linguístico e ver como algo tão pequeno pode gerar implicações gigantescas.

O Texto em Grego era sem Vírgulas, sem Espaços, sem Problemas? Antes de apontarmos dedos para os tradutores modernos, precisamos entender como eram os manuscritos originais. O livro de Lucas possivelmente escrito originalmente em hebraico, mas esse é uma assunto para outro artigo,  e depois traduzido para o grego em grego koiné, esses primeiros manuscritos (chamados unciais) tinham algumas particularidades curiosas:

  • Tudo em letras maiúsculas (como se os escritores estivessem SEMPRE GRITANDO!);
  • Sem espaços entre as palavras (o que faz a leitura parecer um jogo de quebra-cabeça);
  • Sem pontuação (então, nada de vírgulas para organizar as ideias).

Os manuscritos mais antigos, como o Códice Sinaítico e o Códice Vaticano, seguem esse padrão. A ideia era que o leitor, com base no contexto, soubesse onde terminava uma frase e começava outra. Agora imagine a responsabilidade do tradutor: uma simples escolha de vírgula pode mudar tudo.  Alem disso, os manuscritos originais não tinham divisão de capítulos e versículos! Eles foram adicionados muito tempo depois:

Capítulos: Criados pelo bispo Stephen Langton em 1227 d.C.  e os Versículos: Introduzidos por Robert Estienneem 1551 d.C. Isso demonstra que, por muitos séculos, os leitores da Bíblia liam os textos como um fluxo contínuo, sem as divisões que usamos hoje.

Lucas 23:43: A Polêmica da Vírgula

Jesus está na cruz, cercado por dois ladrões. Um deles, arrependido, pede: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino.” E Jesus responde:

“Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso.”

Mas peraí… essa vírgula estava mesmo aí no original? Não. Como não havia pontuação, os tradutores tiveram que decidir onde colocar a vírgula.

Primeira opção: Vírgula antes de “hoje”

“Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso.” Significado: O ladrão estaria com Jesus no paraíso naquele mesmo dia. Isso sugere que, ao morrer, a alma do ladrão foi imediatamente para a presença de D-us. Defendida por: Igrejas católicas, ortodoxas e grande parte das igrejas protestantes tradicionais.

Segunda Opção: Vírgula depois de “hoje”

“Em verdade te digo hoje, estarás comigo no paraíso.” Significado: Jesus estava dizendo a promessa naquele dia, mas o cumprimento aconteceria no futuro (por exemplo, na ressurreição). Defendida por: Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia e outros grupos que acreditam que os mortos “dormem” até a ressurreição.

Existem argumentos Bíblicos de Ambos os Lados

A favor da vírgula antes de “hoje” (entrada imediata no paraíso)

  1. Padrão da expressão de Jesus
    • Sempre que Jesus diz “Em verdade te digo”, Ele nunca adiciona “hoje” depois.
  2. Significado de “paraíso”
  1. 2 Coríntios 12:4 fala do “paraíso” como um lugar celeste.
  2. Apocalipse 2:7 fala do “paraíso de D-us”, sugerindo um destino imediato para os justos.
  3. Conforto imediato ao ladrão
  4. Jesus está consolando o ladrão na cruz. A promessa de algo imediato faz mais sentido no contexto.

A favor da vírgula depois de “hoje” (promessa futura)

  1. Os mortos “dormem” até a ressurreição
    • Eclesiastes 9:5: “Os mortos nada sabem.”
    • 1 Tessalonicenses 4:16-17: “Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.”
  2. Jesus não subiu ao céu no mesmo dia
  1. Em João 20:17, após a ressurreição, Jesus diz a Maria Madalena: “Ainda não subi para meu Pai.”
  2. Se Jesus não foi ao céu no dia da crucificação, como o ladrão poderia ter ido?
  3. O grego não tinha pontuação
  4. Como não havia vírgulas no texto original, a escolha da posição da vírgula é subjetiva.

Se você não pensava que uma vírgula poderia causar tanto debate, bem-vindo ao mundo da teologia! Esse caso mostra que a interpretação da Bíblia não é apenas uma questão de ler o texto, mas de entender o contexto e as escolhas dos tradutores. Essa discussão também nos ensina a sermos humildes no estudo das Escrituras. Não importa qual posição você defenda, o mais importante é estar disposto a aprender e a examinar a Palavra com coração aberto.

E então, você é do grupo “Vírgula Antes” ou “VírgulaDepois”? Independente da escolha, o que realmente importa é que a mensagem central continua a mesma: Jesus oferece redenção e a esperança da vida eterna para todos que O buscam com fé, seja hoje o no mundo por vir.

Agora, só tome cuidado ao escrever sua próxima mensagem. Afinal, uma vírgula pode mudar tudo! 😄

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Tudo por uma pérola?

Tudo por uma pérola?

O Tesouro Escondido e a Pérola preciosa

Não há nada como a emoção de descobrir algo valioso—como encontrar uma nota de R$50 em um bolso de uma calça ou encontrar o último pedaço da sua pizza favorita quando achava que tinha acabado. Mas e se o tesouro que você encontrasse valesse tudo o que você possui? Esse é exatamente o ponto que Jesus destaca nas Parábolas do Tesouro Escondido e da Pérola preciosa (Mateus 13:44-46). Essas parábolas podem ser curtas, mas têm um impacto espiritual poderoso, desafiando-nos a repensar nossas prioridades e compromisso com o Reino dos Céus.

O Tesouro Escondido (Mateus 13:44) – Imagine que você está caminhando por um campo, distraído, quando—Bingo!—tropeça em um baú cheio de ouro. Em Israel no primeiro século, era comum enterrar objetos valiosos, já que não havia bancos disponíveis em cada esquina, muitas pessoas enterravam dinheiro, joias e bens preciosos para evitar que fossem roubados ou tomados por invasores. Fontes históricas, como Flávio Josefo e os Manuscritos do Mar Morto, confirmam que essa era uma medida de segurança amplamente adotada. Então, esse homem, percebendo o valor do que encontrou, enterra o tesouro novamente, vai e vende tudo o que tem e compra o campo legalmente. Perceba um detalhe: ele faz isso com alegria! Ele não lamenta o que perdeu—ele está radiante porque sabe que encontrou o melhor negócio da sua vida. 

A Pérola preciosa (Mateus 13:45-46) – Agora, conheça nosso segundo personagem—um comerciante que ganha a vida procurando pérolas preciosas. Diferentemente do primeiro homem, que encontra o tesouro por acaso, este está ativamente buscando algo valioso. Então, um dia, ele encontra a pérola—tão magnífica, tão rara, tão valiosa que ele vende tudo o que tem para comprá-la. Diferente da primeira parábola, a alegria não é mencionada explicitamente, mas sejamos honestos—ele deve estar extasiado com sua nova aquisição, tanto que vende tudo para adquiri-la. As pérolas eram símbolos de riqueza e status, sendo extremamente raras e caras. Comerciantes passavam anos viajando para encontrar as melhores pérolas. Assim, quando Jesus falou sobre um mercador que vende tudo para obter uma única pérola preciosa, seus ouvintes sabiam que era um sacrifício radical. 

Essas parábolas, portanto, não são histórias exageradas—elas refletem escolhas reais e decisivas que as pessoas daquela época poderiam enfrentar. A primeira lição essencial dessas parábolas é que o Reino dos Céus tem um valor absoluto e incomparável

  1. O Dilema entre Valor e Custo – Os estudiosos adoram debater: essas parábolas falam sobre o supremo valor do Reino ou sobre o custo do discipulado? Resposta: ambos! O Reino dos Céus é tão valioso que qualquer sacrifício exigido não apenas se justifica mas é um grande negócio. Yeshua nunca esconde o preço, mas Ele deixa claro: o que você ganha supera infinitamente o que você “perde” (Mateus 6:19-21).  “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destruem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus (…). Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.”

2. Compromisso e Sacrifício Radicais – As parábolas também deixam evidente que o Reino tem um custo. Em ambas as parábolas, os homens vendem tudo—sem meias-medidas, sem “vou guardar um pouco para garantir”. Yeshua reforça isso em Mateus 6:33: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” e Lucas 12:31: “Buscai antes o Reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Até mesmo Seus discípulos entenderam essa mensagem—Pedro diz em Mateus 19:27: “Olha, nós deixamos tudo para Te seguir!”. E Jesus não diz que ele está exagerando; em vez disso, assegura-lhe que tais sacrifícios trazem recompensas eternas (Mateus 19:28-30).

3. Trocando o Temporário pelo Eterno – Para um judeu do primeiro século, a ideia de sacrificar tudo pela sabedoria divina não era novidade. A literatura rabínica está cheia de histórias sobre sábios que renunciaram ao conforto material para estudar a Torá. Um relato famoso envolve o Rabino Johanan, se disse ter trocado o que foi criado em seis dias (o mundo) pelo que foi dado em quarenta dias (a Torá). Parece familiar? O princípio é o mesmo: trocar coisas menores pelo tesouro supremo.

4. O Reino dos Céus: Não Para Espectadores Casuais – Essas parábolas nos confrontam com uma verdade desconfortável: o chamado de Jesus para o Reino não é um convite casual—é um compromisso total. Não existe “vou seguir Yeshua enquanto for conveniente”. Ele é claro sobre o custo (Lucas 14:26-33), mas também sobre a recompensa (Mateus 6:19-21). Se hesitamos em abrir mão de nossos confortos, posses ou até mesmo de nossos próprios planos, precisamos nos perguntar: realmente entendemos o valor do que nos é oferecido?

Pensamento Grego vs. Pensamento Hebraico 

A ideia de sacrificar tudo por sabedoria não era estranha para os judeus do primeiro século, mas era muito diferente da visão da filosofia grega que influenciava e permeava a cultura hebraica de todos os lados. Enquanto os seguidores de Jesus estavam dispostos a renunciar tudo por um chamado divino, os filósofos peripatéticos (seguidores de Aristóteles) buscavam o conhecimento como uma jornada intelectual e racional, sem uma exigência de entrega total.

Os gregos buscavam a sabedoria pelo conhecimento racional, muitas vezes rejeitando a riqueza para focar na virtude e na razão. Jesus, porém, apresentou um chamado muito mais radical—não apenas intelectual, mas um chamado de entrega total a Deus. A filosofia grega valorizava o equilíbrio, mas Jesus exige compromisso total e inegociável.

É fácil concordar e dizer: “Sim, faz sentido!”, mas viver isso é outra história. O que te impede de se entregar completamente? Conforto? Segurança? Medo de perder algo? Talvez você esteja se agarrando a uma carreira, um sonho, um relacionamento ou simplesmente à ilusão de controle. Essas parábolas nos desafiam a refletir: estamos tratando o Reino como o maior tesouro de todos ou apenas como mais um item na lista de afazeres? As parábolas do Tesouro Escondido e da Pérola preciosa não são apenas histórias bonitas—elas exigem uma resposta. Seja encontrando o Reino por acaso ou buscando-o intencionalmente, o chamado é o mesmo: reconhecer seu valor e mergulhar de cabeça. O convite de Yeshua não é uma perda, mas uma troca—nossos tesouros passageiros pelo dEle, o eterno. E quando realmente entendemos isso, descobrimos que, como o homem do campo, podemos abrir mão de tudo com alegria.

Então, qual é o seu tesouro e você está disposto a trocá-lo por algo sublime e infinitamente maior?

Adivalter Sfalsin

Semente de mostarda

Pequenos Começos, Grandes Impactos

Você já se sentiu pequeno? Insignificante? Como se sua fé fosse apenas um grão minúsculo diante de uma montanha de desafios? Pois saiba que você não está sozinho. Até os discípulos tiveram aqueles momentos de “Senhor, estamos perdidos!” Antes de Jesus contar a Parábola da Semente de Mostarda, Ele compartilhou outras parábolas sobre o Reino—sementes caindo em diferentes solos, o joio crescendo com o trigo e uma lâmpada que deve brilhar no alto. Cada uma dessas histórias nos mostra como D-us tem uma forma única de estabelecer Seu Reino. 

E então, Jesus nos apresenta essa pequena, porém poderosa, parábola sobre a semente de mostarda—uma história tão curta e simples que é fácil ignorá-la. Mas não se engane. O impacto dessa parábola é como uma bomba. Prepare-se, pois vamos descobrir o que essa parábola significava naquela época e por que ainda é tão relevante hoje.

Vamos ao contexto. Jesus está na Galiléia, falando para uma multidão (como de costume), e decide descrever o Reino de D-us usando uma semente de mostarda:

“O Reino dos Céus é como um grão de mostarda, que um homem pegou e plantou em seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, torna-se a maior das hortaliças e se transforma em uma árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer ninhos em seus ramos.”
(Mateus 13:31–32, cf. Marcos 4:30–32, Lucas 13:18–19)

Agora, se estivéssemos na plateia de Jesus, essa comparação nos surpreenderia—talvez até nos fizesse rir. Por quê? Porque as sementes de mostarda são minúsculas (cerca de 1-2 milímetros) e as plantas de mostarda… bem, parecem ervas daninhas. Elas não eram os majestosos cedros do Líbano ou as oliveiras imponentes que geralmente simbolizavam poder e grandeza. Não, Jesus escolheu a resistente e persistente mostarda, uma planta que se espalha rapidamente, invade os campos e é difícil de conter.

Se Jesus tivesse um consultor de marketing, ele provavelmente sugeriria algo como: “Senhor, que tal comparar o Reino a um carvalho imponente?” Mas Jesus escolheu a semente de mostarda de propósito—para desafiar as expectativas das pessoas.

Então, qual era a mensagem real de Jesus? Aqui estão três pontos-chave:

  1. O Reino começa pequeno – Ninguém esperava que o movimento do Messias começasse com um grupo de pescadores, cobradores de impostos e pecadores. Mas D-us ama pequenos começos. Ele não precisa de grandes exércitos, status social ou influência política para estabelecer Seu Reino. Ele começa com pessoas comuns, como você e eu.
  2. O crescimento é inevitável – A planta de mostarda pode começar pequena, mas uma vez que cria raízes, boa sorte em tentar pará-la! O Reino de D-us é assim. Uma vez plantado em nossos corações, em nossas famílias e em nossas comunidades, ele cresce—às vezes de forma discreta, às vezes de maneira disruptiva, mas sempre com poder. O Reino de D-us é imparável.
  3. Ele oferece refúgio – Jesus diz que a planta cresce tanto que as aves fazem ninhos em seus ramos. Isso não é apenas uma imagem poética—é uma referência profética a Ezequiel 17:22-24 e Daniel 4:10-12, onde árvores simbolizam grandes reinos que oferecem abrigo às nações. O Reino de D-us não é exclusivo—ele é um lugar de acolhimento para todos que buscam a D-us.

Agora que entendemos a metáfora, como podemos aplicá-la à nossa vida cotidiana?

  • Você se sente pequeno? Talvez suas orações pareçam fracas. Talvez seus esforços para compartilhar sua fé pareçam insignificantes. Fique firme! A semente de mostarda nos lembra que o tamanho não define o impacto—D-us sim.
  • Você está impaciente com o tempo de D-us? O crescimento leva tempo. Ninguém planta uma semente e acorda no dia seguinte com uma árvore gigante. Em um mundo de gratificação instantânea, precisamos lembrar que D-us opera no tempo d’Ele.
  • Você está abrindo espaço para os outros? Assim como a árvore oferece abrigo aos pássaros, o Reino de D-us deve ser um lugar de acolhimento, graça e inclusão. Estamos criando um ambiente onde outros podem crescer na fé? Note que devemos a incluir todos que buscam o Senhor com sinceridade,  mas não aceitar todos os comportamentos que vão diretamente contra os mandamentos divinos. 

Aqui está a grande questão: Confiamos no processo de D-us? Os discípulos provavelmente olharam ao redor e pensaram: “É só isso?” Mas hoje, bilhões seguem Yeshua. Talvez sua própria fé pareça fraca. Talvez você se sinta uma semente minúscula em um mundo gigantesco de problemas. Mas e se os maiores milagres de D-us começassem quando abraçamos nossa pequenez e confiamos em Sua grandeza? Você já entregou sua ideia de sucesso ao plano de D-us? Ou ainda está frustrado porque as coisas não estão crescendo rápido o suficiente?

Fé, como uma semente de mostarda, significa acreditar que D-us está agindo, mesmo quando ainda não podemos ver os resultados. 1 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem. Hebreus 11:1

Sejamos sinceros: nem sempre a vida parece impressionante. Às vezes, a fé parece fraca, as orações parecem sem efeito e o progresso parece lento. Mas adivinhe? É assim que o Reino de D-us funciona!

  • Não se trata de começos grandiosos—mas de transformações duradouras.
  • Não se trata de resultados rápidos—mas de crescimento contínuo e inabalável.
  • Não se trata da nossa força—mas do poder de D-us operando através de nossa fidelidade.

Então, se hoje você se sente pequeno, invisível ou incerto—ótimo! Você está exatamente onde D-us gosta de começar Suas maiores obras. Plante a semente. Confie no processo. E veja D-us fazer o impossível.

Você não precisa forçar o Reino de D-us a crescer—ele crescerá. Sua missão? Permanecer firme. Continuar acreditando. Continuar semeando. Porque um dia, você olhará para trás e verá que a pequena semente de fé que plantou se tornou algo muito maior do que você imaginava.

E talvez, só talvez, você perceba que se tornou um abrigo para outros também.

Adivalter Sfalsin

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O Poder da Estrutura no Salmo 23

O Salmo 23 é um dos textos mais conhecidos e amados da Bíblia, frequentemente recitado para trazer conforto, orientação e a certeza da presença de Deus. Nas últimas semanas, analisamos esse Salmo verso por verso, concluindo com o versículo 6, que destaca a segurança na misericórdia do Senhor ao longo da vida. No entanto, sua profundidade vai além da beleza poética e teológica—sua estrutura literária revela um significado ainda mais profundo. Hoje, exploraremos como a estrutura quiástica do Salmo 23 amplia nossa compreensão da sua mensagem de confiança e provisão divina.

Diferentemente do português, onde a poesia muitas vezes busca harmonizar palavras, a poesia hebraica organiza ideias em padrões simétricos. Essa abordagem cria um centro de destaque dentro do texto, conduzindo o leitor à mensagem essencial. Infelizmente, a tradução para outros idiomas pode obscurecer essa estrutura, mas em sua forma original, o Salmo 23 segue um arranjo quiástico que revela sua intenção central.

O quiasmo é um recurso literário no qual os elementos de um texto são organizados de forma espelhada: o primeiro elemento corresponde ao último, o segundo ao penúltimo, e assim sucessivamente. Esse padrão continua até chegar ao centro, onde está a ideia mais importante. Compreender essa estrutura restaura a profundidade do texto bíblico, permitindo-nos apreciar não apenas sua beleza, mas também sua riqueza teológica e filosófica. A estrutura quiástica (também chamada de quiasmo) era amplamente utilizada na literatura hebraica antiga, incluindo os Salmos, Provérbios e livros proféticos. O termo “quiasmo” vem da letra grega χ (chi), que lembra um “X”, simbolizando a disposição espelhada das ideias. Essa técnica reforça temas centrais, cria equilíbrio e facilita a memorização, tornando-se uma ferramenta essencial na tradição oral e escrita da Bíblia.

Esse padrão era amplamente utilizado na poesia e narrativa hebraica para: 1- Facilitar a memorização nas tradições orais. 2- Destacar temas centrais, posicionando-os no meio da passagem. 3 – Criar simetria e equilíbrio dentro do texto. 4- Evidenciar contrastes e paralelos entre diferentes ideias. Muitos trechos bíblicos, incluindo Gênesis, Isaías e os Evangelhos, utilizam o quiasmo para enfatizar mensagens centrais. No Salmo 23, essa estrutura é particularmente significativa, pois reforça a progressão de provisão → perigo → segurança divina.

Por que é Importante Reconhecer Estruturas Quiásticas?

Identificar estruturas quiásticas nos textos bíblicos enriquece a leitura e compreensão das Escrituras de diversas maneiras:

1️⃣ Destacar a Mensagem Central – No Salmo 23, o ponto central (“Porque Tu estás comigo”) evidencia que a presença de Deus é a maior fonte de segurança e conforto, sendo o eixo que sustenta toda a composição do Salmo.

2️⃣ Valorizar a Beleza Literária – A disposição simétrica das ideias realça a maestria da poesia hebraica, revelando uma estrutura intencional que traz equilíbrio e profundidade ao texto.

3️⃣ Aprofundar a Compreensão Teológica – O Salmo 23 apresenta uma progressão clara (paz → perigo → segurança divina → paz eterna), refletindo a constância e fidelidade de Deus ao longo da jornada da fé.

Principais Reflexões Sobre Essa Estrutura:

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O Salmo 23 descreve uma jornada de fé, ilustrando o cuidado de Deus em cada fase da vida:

1️⃣ Deus Provê e Guia (Versículos 1-3)

• Como um pastor, Deus garante que seu povo não tenha falta de nada, conduzindo-o a provisão, paz e justiça.

2️⃣ Deus Protege nos Momentos de Trevas (Versículo 4a)

• Mesmo nos momentos mais difíceis (“vale da sombra da morte”), a presença de Deus elimina o medo.

3️⃣ Deus Dá Vitória Sobre os Inimigos (Versículo 5)

• A imagem de uma mesa preparada diante dos inimigos significa que as bênçãos de Deus não podem ser impedidas por oposição.

4️⃣ A Bondade de Deus é Eterna (Versículo 6)

• O Salmo termina com a promessa de bondade contínua, misericórdia e comunhão eterna com Deus.

Ao reconhecer padrões bíblicos como o quiasmo, ganhamos uma compreensão mais rica das Escrituras, apreciando não apenas a mensagem, mas também a beleza da composição. O Salmo 23 não é apenas uma declaração de fé, mas uma obra-prima cuidadosamente estruturada, que aponta para a orientação e proteção constante de Deus. Se abraçarmos essa compreensão, o Salmo 23 se torna mais do que uma passagem de conforto—ele se transforma em um testemunho da fidelidade de Deus, uma promessa estruturada de que, não importa onde estejamos na jornada, nunca estaremos sozinhos: “Porque Tu estás comigo”.

Adivalter Sfalsin

Quer mergulhar ainda mais nas riquezas do Salmo 23? Descubra o significado profundo de cada verso e como ele pode transformar sua vida!

Perseguid pela bondade divina Salmos 23:6

Perseguido pela Bondade

Você Está Deixando D-us Te Alcançar?

O Salmo 23 é um dos textos mais conhecidos e recitados das Escrituras. Frequentemente, ele é visto como um salmo de conforto, um convite para descansar na presença do Bom Pastor. Mas e se, ao invés de apenas um salmo de consolo, ele fosse também um desafio para aqueles que decidem seguir verdadeiramente ao Senhor?

O versículo 6 nos traz uma declaração poderosa de Davi: “Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.” Em hebraico, esta passagem diz:

אךטובוחסדירדפוניכלימיחיי; ושבתיבביתיהוהלארךימים.

אךטובוחסד (wāḥéseḏ – misericórdia) ירדפוני (yirdəp̄ūnī – perseguirão) כלימיחיי; ושבתי (wəšāḇtî – habitarei/voltarei) בביתיהוהלארךימים.

Agora, vamos nos aprofundar no significado e no desafio desse versículo para a nossa caminhada com D-us. A palavra hebraica traduzida como “seguir” é “yirdəp̄ūnī” (ירדפוני), que significa “perseguir”, um termo muitas vezes associado a inimigos que caçam suas vítimas. Davi foi perseguido por muitos inimigos: Saul (1 Samuel 18–26), os filisteus (1 Samuel 21:10-15; 1 Samuel 27), os amalequitas (1 Samuel 30) e pelo seu próprio filho Absalão (2 Samuel 15–18). No entanto, aqui, Davi nos apresenta um conceito que dá uma reviravolta nessa palavra: não são inimigos que o perseguem, mas sim a bondade e a misericórdia de D-us.

A palavra hebraica וָחֶסֶד (wāḥéseḏ), traduzida como “e misericórdia”, tem um significado profundo. Ḥéseḏ significa “amor fiel”, “graça”, “lealdade”. Esse termo é frequentemente usado para descrever a fidelidade de D-us à aliança com Israel. Ao contrário de algumas presunções teológicas modernas, a graça não é um conceito exclusivo do Novo Testamento; todos já conheciam a graça de D-us, desde Noé e passando pela libertação do Egito. No judaísmo antigo, ḥéseḏ não era apenas um sentimento, mas um compromisso ativo. D-us não apenas ama, mas permanece fiel ao seu povo. Na antiga Israel, a hospitalidade era um sinal de honra e aliança. Quando Davi fala sobre “habitar na casa do Senhor”, ele não está apenas se referindo ao templo físico, mas à presença ininterrupta de D-us. Nos tempos bíblicos, receber um convidado em casa significava provê-lo de proteção e sustento; era uma relação de compromisso. Da mesma forma, D-us não nos chama apenas para visitá-Lo ocasionalmente, mas para habitar em Sua presença, vivendo em intimidade com Ele diariamente. 

Na antiguidade, quando o templo (casa de D-us) ainda existia, não se entrava nele de qualquer maneira. Havia um rigoroso protocolo de purificação, incluindo o pedido de perdão pelos pecados e um banho no Mikvá (uma espécie de piscina com água corrente) feito totalmente nu antes de ser admitido no templo e na presença do Senhor. Da mesma forma, não podemos entrar na presença de D-us de qualquer jeito. Devemos confessar nossos pecados ocultos e, assim como no Mikvá, nos despir de nossa capa exterior, expondo ao Senhor quem realmente somos, nossas limitações, falhas, sentimentos, medos e verdadeiras intenções. Somente então estaremos preparados para andar em Sua presença.

A expressão hebraica וְשַׁבְתִּי (wəšāḇtî), traduzida como “e habitarei” ou “voltarei”, carrega um significado especial. Pode significar “habitar” ou “retornar”. Algumas traduções optam por “voltarei” para enfatizar um compromisso renovado com D-us. Davi deseja permanecer na presença do Senhor, mas a palavra também sugere um retorno contínuo ao templo, simbolizando um relacionamento profundo e constante com D-us. Essa palavra está intrinsecamente ligada ao conceito de Teshuvá (retornar), que significa arrependimento, ou voltar ao ponto inicial. Errou? Volte ao seu ponto inicial, passe pelo processo de se despir de si mesmo e confessar o seu pecado. Retome sua relação com D-us. Não importa quantas vezes você erre; o que importa é quanto tempo você passa na presença do Senhor.

O Salmo 23:6 não é apenas uma promessa de consolo; é um desafio. Se a bondade e a misericórdia de D-us estão te perseguindo, por que você ainda vive como se estivesse fugindo? Aperte o passo, mas desta vez não para escapar, e sim para correr em direção ao nosso Bom Pastor. Ele já preparou a mesa, já estendeu Seu convite e já enviou Suas bênçãos para te seguir. Agora, cabe a você permitir-se ser encontrado e escolher habitar em Sua presença.

Você permitirá ser alcançado?

Adivalter Sfalsin

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