Confissão de Davi: Uma Lição para os Tempos Modernos.

“Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim” (Salmos 51:3).

“Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5).

Nesse salmo, Davi abre o coração e implora ao Senhor por perdão devido ao seu relacionamento ilícito com Bate-Seba.

Ao afirmar que foi “formado em iniquidade”, Davi não está sugerindo que seus pais tiveram uma relação ilícita ao concebê-lo. Em vez disso, ele reconhece que nasceu com traços de intensa paixão em seu caráter. Neste salmo de confissão, ele assume total responsabilidade por seu comportamento, mesmo reconhecendo que algumas características são hereditárias. Davi não tenta se justificar, mas busca unicamente o perdão. Ele declara: “Pequei! Sou culpado, perdoe-me!”.

Que pensamento refrescante e edificante! Esta atitude é sublime e admirável, especialmente quando contrastada com o comportamento moderno de transferir a culpa para os outros. Em muitos aspectos da psicologia contemporânea, os pais são frequentemente usados como bode expiatório para justificar o mau comportamento dos filhos. A sociedade é responsabilizada pelos delinquentes e marginais, aqueles em liderança são responsabilizados pela opressão dos liderados, e sempre alguém é considerado responsável pelas culpas dos malfeitores, nunca eles próprios. Na verdade, quando não assumimos os nossos erros, criamos uma barreira para o auto crescimento, ficamos imaturos, emocionalmente crianças eternas.

Esse contraste também é evidente desde o início da história bíblica. No Jardim do Éden, quando Adão e Eva pecaram ao comer do fruto proibido, ambos tentaram transferir a culpa. Adão culpou Eva e, indiretamente, D-us: “A mulher que me deste por companheira deu-me da árvore, e eu comi” (Gênesis 3:12). Eva, por sua vez, culpou a serpente: “A serpente me enganou, e eu comi” (Gênesis 3:13). Este comportamento de transferência de culpa é diametralmente oposto ao que Davi demonstra em seu salmo de confissão.

Este salmo instrutivo nos ensina sobre o arrependimento sincero, conhecido em hebraico como “Teshuvá”. É muito simples: você errou? Assuma o seu erro, volte ao princípio do seu caráter humano, não procure alguém para culpar e arrependa-se. Isso é o que o Senhor espera de você.

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Davi, em Salmos 51, nos dá um poderoso exemplo de humildade e autoconfissão. Ele não se esconde atrás de justificativas ou culpas transferidas. Ao contrário, ele reconhece sua falibilidade humana e se prostra diante de D-us em busca de perdão. Esse exemplo é vital para todos nós, mostrando que o caminho para a redenção começa com o reconhecimento de nossas próprias falhas e uma genuína busca pelo perdão divino.

Este salmo, portanto, não só é um modelo de confissão pessoal, mas também um guia espiritual que nos orienta sobre a importância da responsabilidade pessoal e do arrependimento sincero. Que possamos aprender com Davi e aplicar esses princípios em nossas vidas, buscando sempre a verdade e a retidão diante de D-us.


Adivalter Sfalsin