O hebraico é único entre todos os idiomas, pois suas letras são vivas e repletas de significado. Cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico não apenas representa um som, mas também carrega um significado espiritual profundo e um valor numérico específico, conhecido como gematria. Essa característica transforma a Bíblia Hebraica em uma espécie de código sagrado, repleto de camadas de significado que se revelam àqueles que se dedicam a estudá-la com diligência e reverência.
O alfabeto hebraico começa com a letra א (Alef) e termina com a letra ת (Tav), formando um ciclo que simboliza a totalidade e a perfeição divina. Cada letra é como uma janela para o mistério da criação, refletindo conceitos espirituais e cósmicos que vão além do simples entendimento humano. Por exemplo, a letra א (Alef), a primeira do alfabeto, representa a unidade de Deus, o início de todas as coisas e a conexão entre o céu e a terra. Já a letra ת (Tav), a última, simboliza a conclusão, o selo divino e a realização dos propósitos de Deus.
Estudar o hebraico é como mergulhar em uma fonte de água viva, onde cada palavra e letra revela camadas de significado que enriquecem nossa compreensão espiritual. A língua hebraica não é apenas um meio de comunicação, mas uma ferramenta para se conectar com o divino e explorar os mistérios da criação. Por exemplo, a palavra “verdade” em hebraico, אמת (Emet), é composta por três letras: א (Alef), מ (Mem) e ת (Tav). Essas letras não são escolhidas ao acaso: Alef é a primeira letra do alfabeto, Mem é a letra do meio e Tav é a última. Juntas, elas simbolizam que a verdade abrange tudo, do início ao fim, e está presente em todos os aspectos da existência.
Além disso, a palavra Emet (אמת) é frequentemente associada à estabilidade e à confiabilidade, pois suas letras têm bases firmes e equilibradas na escrita hebraica. Curiosamente, quando a última letra, Tav, é removida, a palavra se torna מת (Met), que significa “morte”. Isso sugere que, sem a verdade, a vida perde seu significado e propósito.
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Figura 1
Quando contamos as letras do Alef (א) até o meio do alfabeto hebraico, chegamos ao Mem (מ), que é a 13ª letra. Da mesma forma, quando contamos as letras a partir do fim, do Tav (ת), até o meio do alfabeto, o Mem também ocupa a 13ª posição, considerando as letras “sofits” ou finais. Essa simetria não é mera coincidência, mas reflete a profundidade e o equilíbrio intrínsecos ao alfabeto hebraico, que muitas vezes carrega significados espirituais e simbólicos.
A própria construção da palavra “verdade” em hebraico, Emet (אמת), reflete sua essência. Na gematria (sistema de atribuição de valores numéricos às letras hebraicas), o Alef vale 1, o Mem vale 40, e o Tav vale 400. Juntos, esses valores somam 441, mas o mais interessante é a proporção que eles representam: o Alef (1) simboliza o início, o Mem (40) representa o meio, e o Tav (400) indica o fim. Essa estrutura sugere que a verdade é completa, abrangendo todos os aspectos da existência, desde o princípio até o fim. A verdade é constante, equilibrada e se fortalece à medida que é afirmada.
Além disso, ao observar a escrita da palavra Emet (אמת), notamos que cada uma de suas letras tem dois pontos de contato com a linha de escrita. Isso sugere que a verdade está firmemente ancorada em algo sólido e estável, como se estivesse enraizada em uma base inabalável. Essa característica gráfica reforça a ideia de que a verdade é confiável e duradoura, ao contrário da mentira, que é instável e passageira. Veja a figura 1 para uma ilustração detalhada.

Figura 2
Por outro lado, a palavra “mentira” em hebraico é Sheker (שקר), composta por três letras: Shin (ש), Kof (ק) e Resh (ר). Na gematria, o Shin vale 300, o Kof vale 100, e o Resh vale 200. Esses valores refletem uma desproporção: a mentira começa com grandes promessas (300), mas rapidamente se torna instável (100) e tenta se equilibrar (200) entre os extremos. Essa instabilidade numérica simboliza a natureza enganosa e inconsistente da mentira.
Outro aspecto fascinante da palavra Sheker é sua estrutura gráfica. Diferente de Emet, as letras de Sheker têm apenas um ponto de contato com a linha de escrita, como se estivessem “apoiadas em uma perna só”. Isso ilustra a fragilidade da mentira, que não tem uma base sólida para se sustentar. Como diz o ditado popular, “a mentira tem perna curta”, ou seja, mais cedo ou mais tarde, ela é descoberta e desmorona. Essa analogia visual reforça a ideia de que a mentira é incapaz de se manter firme por muito tempo, enquanto a verdade permanece inabalável.
Essas observações sobre as palavras Emet e Sheker não são apenas curiosidades linguísticas, mas lições profundas sobre a natureza da verdade e da mentira. A verdade é completa, equilibrada e estável, enquanto a mentira é desproporcional, instável e frágil. Diante desses contrastes, somos convidados a refletir sobre nossas escolhas: optar pela verdade é escolher algo que permanece, enquanto a mentira, por mais sedutora que pareça, está fadada ao fracasso.
Sabendo dessas verdades, qual será a tua escolha? A verdade, que é firme e duradoura, ou a mentira, que é passageira e enganosa? A decisão é tua, mas lembra-te: a verdade sempre prevalece.
Autor: Adivalter Sfalsin
Belo texto! Deus continue o Abençoando!
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Muito interessante! Sem contar o valor “pictórico” que também pode ser discutido.
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