Teologia da Substituição

Teologia da Substituição

Uma Narrativa Incompleta e Perigosa

A chamada “Teologia da Substituição” ensina que a Igreja substituiu Israel nas promessas e propósitos de D‑us. Em sua forma mais simples, essa doutrina declara que o povo judeu, ao rejeitar Jesus como Messias, foi rejeitado por D‑us, sendo a Igreja agora o “novo Israel”, herdeira das alianças, das bênçãos e da missão salvífica. Essa visão não é apenas teologicamente frágil, ela é historicamente danosa e espiritualmente empobrecedora. Ela se sustenta em cinco pilares principais: 

  1. D‑us rejeitou o povo judeu como instrumento dos Seus propósitos por terem rejeitado o Messias; 
  2. As alianças feitas com os patriarcas foram anuladas; 
  3. A Igreja assumiu o lugar de Israel como povo da aliança; 
  4. Todas as promessas feitas a Israel agora pertencem à Igreja; e 
  5. O moderno Estado de Israel não tem qualquer relevância especial nos planos divinos.

Essa teologia moldou séculos de doutrina cristã, influenciou decisões políticas e alimentou um antissemitismo teológico sutil, mas devastador. Basta abrir a Bíblia para perceber algo revelador: a divisão entre “Velho” e “Novo” Testamento. Essa separação, embora aparentemente neutra, carrega uma carga cultural que posiciona o Antigo como ultrapassado e o Novo como superior. Muitos absorvem inconscientemente a ideia de que o Antigo Testamento é uma sombra descartável, e que Israel perdeu sua relevância. Mas essa separação entre os testamentos não foi feita desde o início. Nos primeiros tempos da igreja, a única “Bíblia” usada era o que hoje chamamos de Antigo Testamento. A distinção entre “Antigo” e “Novo” começou a surgir por volta do século II, especialmente como reação a um homem chamado Marcião, que tentou rejeitar completamente o Antigo Testamento e excluir o D‑us de Israel da fé cristã. A Igreja, em resposta, começou a organizar melhor os escritos apostólicos e adotou os termos “Antigo” e “Novo Testamento”. Contudo, a forma como essa separação foi estabelecida acabou reforçando um viés antissemita. O “Antigo” passou a ser visto como judaico, imperfeito, enquanto o “Novo” foi exaltado como espiritual, cristão, superior. Essa dicotomia falsa criou uma teologia em que o Novo cancela o Antigo, quando, na verdade, eles estão profundamente conectados. O Novo cumpre o que o Antigo prometeu. Essa leitura promove um orgulho espiritual que distancia o cristão de suas raízes bíblicas e deturpa o caráter do próprio D‑us.

Essa herança de descontinuidade entre os testamentos teve efeitos práticos desastrosos. Durante séculos, o cristianismo institucional contribuiu para perseguições contra os judeus, acusando-os de “deicidas” e negando sua continuidade como povo da aliança. Esse tipo de teologia influenciou desde sermões medievais até políticas públicas, e até hoje afeta a forma como o povo judeu é visto no contexto cristão. Em vez de enxergar Israel como raiz viva da fé, muitos ainda o tratam como escombro do passado.

Boa parte dessa distorção vem da influência da filosofia grega sobre a teologia cristã. A tradição helenística, presente nos escritos dos chamados “pais da igreja”, Clemente de Alexandria, Justino Mártir, Basílio e Agostinho, reinterpretou a Bíblia com categorias filosóficas. D‑us passou a ser visto como uma “Primeira Causa”, um “Ser Perfeito”, inatingível, com atributos abstratos e impessoais. Em contraste, a Bíblia apresenta um D‑us pessoal, envolvido na história, que escolhe uma família, a de Abraão, e com ela estabelece um relacionamento íntimo, com promessas específicas, mandamentos concretos e presença real. Essa escolha foi o início de uma missão redentora universal, mas que passa pelo particular. Como Ele disse a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3).

A Teologia da Substituição ignora que a aliança com Abraão foi unilateral. Em Gênesis 15, D‑us ordena a Abraão que prepare animais para um pacto, um ritual comum na antiguidade em que duas partes passavam entre os corpos partidos, assumindo obrigações mútuas. Mas, nesse caso, Abraão é colocado para dormir: 

“E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão…” (Gênesis 15:12).

Ele não passa entre os animais. Apenas D‑us o faz, representado por um fogo. Isso significa que Ele mesmo arcaria com as consequências do pacto, mesmo sabendo que o homem falharia. Mais tarde, Ele reafirma: 

“Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência… por aliança perpétua” (Gênesis 17:7). 

A palavra hebraica para “perpétua” é olam (עוֹלָם), que significa eternidade, continuidade, tempo indefinido. O Novo Testamento usa o termo grego aiōn (αἰών), como em Hebreus 13:8: 

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente”. 

Se D‑us pode romper uma aliança que chamou de eterna, como confiar que manterá Sua promessa de vida eterna para conosco?

Outro erro grave da teologia substitucionista é tratar Israel como uma sombra que perdeu sua função após Cristo. O teólogo Robert Reymond, por exemplo, escreveu que todas as promessas feitas à terra de Israel devem ser vistas como sombras, e que os cristãos são os verdadeiros herdeiros dessas promessas. Isso apaga a raiz da fé cristã. Paulo advertiu: “Não te glories contra os ramos, e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti” (Romanos 11:18). E reforça: “Porventura rejeitou D‑us o seu povo? De modo nenhum” (v.1). “O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado” (v.25). A eleição de Israel está em suspensão parcial, com propósito. A rejeição não é total, nem definitiva. É fundamental reconhecer que, se o evangelho chegou até os gentios, isso se deu por meio de uma minoria fiel do povo judeu. Foram judeus que escreveram o Novo Testamento, que pregaram em Jerusalém e além, que sofreram perseguições e espalharam a mensagem do Messias. Negar a centralidade de Israel é ignorar a própria origem da fé cristã.

A teologia da substituição promove uma narrativa truncada: D‑us criou o mundo, o homem pecou, então enviou Jesus para salvar. Mas essa versão ignora a centralidade de Israel. A perspectiva hebraica vê a Bíblia como uma história contínua, com início, meio e fim. D‑us escolheu um povo para abençoar todas as nações, fez alianças com Noé, Abraão, e Israel, renovando-as ao longo da história. O Messias, descendente de Abraão e Davi, veio para cumprir essas promessas. Yeshua disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas, não vim para revogar, mas para cumprir” (Mateus 5:17). Ele não veio substituir, mas revelar a plenitude daquilo que já estava em andamento.

Ao contrário do D‑us abstrato dos filósofos, o D‑us de Israel: 

1- Liberta (Êxodo 20:2) 

2- Habita entre o povo (Êxodo 29:46)

3- Santifica (Levítico 11:45)

4- Sustenta órfãos e viúvas (Salmo 146:9)

5- E continua chamando Israel de “meu povo” (Romanos 11:1). 

Ele caminha com Seu povo, não os abandona.

Paulo, após seu encontro com Yeshua, jamais abandonou sua identidade judaica. Ele guardava o sábado (Atos 13:14), circuncidou Timóteo (Atos 16:3), e sua Bíblia era o Tanakh. Sua teologia não substitui Israel, mas inclui os gentios no plano divino. “Vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa…” (Efésios 2:12). Agora, por meio de Yeshua, fomos enxertados, não como substitutos, mas como participantes. Reconhecer o papel contínuo de Israel na história da redenção não é apenas uma questão teológica, mas uma postura de humildade espiritual. É aceitar que fomos enxertados numa história que começou muito antes de nós, e que ainda está em andamento. É também um antídoto contra o orgulho religioso que, ao longo da história, gerou divisão, perseguição e cegueira espiritual.

A Teologia da Substituição apresenta um D‑us incoerente, que quebra alianças eternas. A aliança com Israel é unilateral, perpétua e irrevogável. Nós, gentios, fomos enxertados na oliveira cultivada, mas a raiz continua sendo Israel. Ignorar isso é não apenas ingratidão espiritual, mas um erro exegético. Como Paulo advertiu: “Não quero, irmãos, que ignoreis este segredo… para que não presumais de vós mesmos” (Romanos 11:25). Que sejamos humildes e gratos à fidelidade de D‑us, que jamais rejeitou Seu povo, e jamais quebrará Sua palavra.

Adivalter Sfalsin

Teologia da substituição Parte 2

Teologia da substituição Parte 2

Como discutido na postagem anterior: Teologia da substituição Parte 1 – https://raizeshebraicas.com/2022/01/29/teologia-da-substituicao-parte-1/
     A teologia da substituição erra em vários pontos, primeiro por apresentar uma narrativa incompleta, depois por deturpar o caráter de D-us. A aliança feita com Abraão foi unilateral, imutável e irrevogável.
Como eram feitas as alianças na antiguidade?
     Numa era onde não existia escrita, nem papel, desenvolveu-se rituais para firmar pactos e alianças de paz, casamento, compra e venda de propriedades etc… Como acreditava-se em vários “deuses” que eram os sustentadores da ordem natural do universo e tinham o poder sobre a morte e vida tudo era feito em nome desses “deuses”. Se duas partes A e B tinham interesse em fazer um pacto ambos traziam alguns dos melhores animais do seu rebanho, os partiam ao meio e arrumavam de forma que as duas metades fizessem um corredor. Então o pactuante A passava ao meio das carcassas e recitava a parte de sua obrigação no contrato, depois o pactuante B fazia a mesma coisa, ao terminar cada um oferecia suas carcassas num altar ao seu deus.
     Esse ritual significava que se tanto parte A ou B não cumprisse sua parte do contrato ele estaria dando a autoridade a outra parte de cortá-lo ao meio como foi feito com os animais.
Tendo dito isso, vamos ver como aconteceu o pacto entre D-us e Abraão:
Gen 15:
1- D-us instrui Abraão o que deve fazer.
v9 E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho.
v10 E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu

2- A parte de D-us no contrato.
V13 Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos.
V14 Mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza.

3- A parte de Abraão no contrato, estranhamente ele é posto para dormir por D-us e não recita sua parte da aliança.
v12 E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele.

Indicando que esse pacto seria unilateral, D-us cumpriria sua parte da aliança mas Abraão seria incapaz de cumprir, sabendo disso o pôs para dormir.
Encontramos mais detalhes dessa aliança em Gen 17:7 E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti.

A palavra chave aqui é “perpétua” em hebraico Olam (עוֹלָם), com significado em português: posteridade, para sempre, sempre, eterno, eternamente, perpétuo, existência contínua, perpétua, futuro indefinido ou interminável, eternidade. No grego, aiōn (αἰών): para sempre, uma era ininterrupta, perpetuidade do tempo e eternidade. Exemplo Hebreus 13:8 “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente (αἰών).”

Portanto a aliança feita com Abraão é definitivamente imutável, irrevogável e eterna independente das tendencias e influencias eclesiásticas, método de interpretação humano e triunfalismo gentílico. Lembrando que Paulo nos adverte em Rom 11:25
“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.”

Sim, a maior parte dos judeus rejeitaram o messias mas a aliança eterna e unilateral de D-us continua sendo valida. O evangelho só chegou a nós porque uma minoria dos judeus como os discípulos e os apóstolos foram fiéis ao Senhor e passaram a mensagem para frente chegando até nós, os gentios.

Paulo ainda nos alerta:
Rom 11:
v1 – Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum;
v2 – Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu.
v11 – Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação (ciúmes).

E finalmente a exortação mais pungente:

Rom 11:18
“Não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.”

Finalmente gostaria de lembrar que o apóstolo Paulo (seu nome grego), Saulo (seu nome hebraico) At 13:9 era um rabino e mesmo depois do encontro com o Senhor Jesus no caminho damasco, continuo a guardar o sábado (At 13:14), circuncidou a Timóteo (At 16:3) sua bíblia era o Tanak (velho testamento). Ele manteve sua identidade judaica, observava a Torá e em suas próprias palavras podemos ver que a “teologia da substituição” é uma dicotomia errônea.

A Sfalsin

Teologia da substituição Parte 1

Teologia da substituição Parte 1

     Mas o que realmente é a teologia da substituição? Basicamente é a crença que a igreja substituiu Israel com respeito as promessas e propósitos de D-us. Uma definição mais abrangente pode ser expandida da seguinte forma:
1- Há a possibilidade de judeus individualmente serem salvos aceitando Jesus como Senhor e salvador de suas vidas, mas D-us rejeitou o povo judeu como instrumento dos seus propósitos porque eles como povo rejeitaram ao messias, Jesus.
2- Ao rejeitar a Jesus, o povo judeu transgrediu as alianças que D-us fez com os patriarcas, assim D-us anulou-as.
3- A igreja substituiu Israel como o povo da aliança e propósitos, assim passando a ser o “novo Israel de D-us”
4- As promessas dadas a Israel no passado agora com a “nova aliança” são dadas a igreja.
5- O estado moderno de Israel não tem relevância especial aos acontecimentos recentes. Israel é um país como qualquer outro.

     O impacto da teologia da substituição é sutil, basta abrir a bíblia e olhar no índice onde se divide a bíblia em 2 partes, “velho” e novo testamento. O que a princípio parece inocente ao nossos olhos está carregado de um sentimento antisemita de centenas de anos de má vizinhança entre gentios e judeus. Porque velho e novo testamento? Inconscientemente assumimos que o velho já está ultrapassado portanto o novo testamento é melhor ou até mesmo superior.
     A teologia da substituição tem como raiz o orgulho de pensar que “nós” somos melhores do que “eles”, infelizmente vemos essa teologia aplicada não só em relação aos judeus mas entre as próprias denominações, onde certos grupos empossam a verdade exclusivamente e excluem os que pensam de forma diversa. Sendo assim o problema não está na teologia da substituição, mas sim no coração humano.
     Muitos teólogos que aderiram a essa teologia influenciaram grandes multidões, entre eles destaco Dr Robert Reymond um estimado teólogo dos Estados Unidos, que no seu artigo “Sword and Trowel” (A Espada e a espátula) escreve:
“todas as promessas da terra de D-us para Israel no Antigo Testamento devem ser vistas como sombras, tipologia e profecia, em contraste com a realidade, substância e cumprimento de que o Novo Testamento atesta…” e “nós cristãos, como membros do reino messiânico de Cristo, somos os verdadeiros herdeiros das promessas da terra das escrituras sagradas aqui e agora, e que também se cumprirá no futuro celestial…”
     Provavelmente você já ouviu essa mesma ideia sendo pregada dos púlpitos com diferentes nuances, eu particularmente cresci na igreja ouvindo que “nós éramos o novo Israel de D-us”. O que muitas vezes me deixou inquieto e me fez questionar tal afirmação e caráter de D-us.
     Naturalmente para chegar a essa conclusão tudo vai depender de como você lê a bíblia, sua perspectiva é hebraica ou helenística? Exploro esse tópico com mais detalhes nesse artigo: https://raizeshebraicas.com/2021/05/23/uma-questao-de-perspectiva/
Se você estiver lendo com uma perspectiva helenística provavelmente a narrativa se desenrola desta forma: D-us criou o universo, o homem pecou desobedecendo seu mandamento, então Ele no seu imenso amor ao invés de julgar o homem pelo pecado providencia o redentor Jesus, e todos os que invocarem esse nome será salvo e habitará no céu. Tem algo de errado com essa descrição? No mínimo está incompleta porque ignora a eleição de Israel como povo escolhido para abençoar as nações de todo o mundo.
     Visão hebraica: D-us criou o universo, o homem pecou desobedecendo seu mandamento, então Ele faz várias alianças com o homem através de Noé, Abraão e através dessas alianças Ele abençoa não só a Noé e Abraão mas através de seus descendentes todos os povos gentios são abençoados (Gen 12:2-3) dentro dessa provisão ele manda o redentor da linhagem de Abraão, Jesus; e todos que entrarem nessa aliança (relacionamento) continuará nesse relacionamento com Jesus no mundo por vir. Julgo que essa visão é mais completa e faz jus a bíblia do gênesis ao apocalipse.
     O problema principal da perspectiva helenística é que ignora a história de Israel como povo escolhido para trazer o salvador, Jesus. Ela vê essa história somente como uma sombra do que estava por vir, o messias, e quando o messias foi revelado essa sombra já não tem muita importância, foi cumprida e pode ser descartada. Ela se concentra num D-us universal com atributos abstratos dos filósofos platônicos como: Soberano, perfeito, onipotente, onipresente, primeira causa, fundamento do ser e as vezes até inatingível. Em constraste, D-us se revela ao homen como um D-us particular, pessoal e presente nos conflitos humanos. Esse D-us elege uma família especifica, faz dessa família um povo, se envolve em seus conflitos internos, cuida, interage, está presente todos os dias, se entristece com as más escolhas que fazem e até antecipa seus planos futuros para Abraão Gen 19:23-25 e Moisés Êxodo 32:9-10
     Essa ideia é revelada em toda a bíblia, no “velho” testamento (Tanak):
1- “Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para ser vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus” Números 15:41 , Êxodo 29:46, Levítico 11:45, Levítico 22:33,
2- “Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão.” Deuteronômio 32:39
3- “E ele lhes disse: Eu sou hebreu, e temo ao Senhor, o D-us do céu, que fez o mar e a terra seca.” Jonas 1:9
4- “Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há D-us; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças;” Isaías 45:5
5- “Portanto o santificarás, porquanto oferece o pão do teu Deus; santo será para ti, pois eu, o Senhor que vos santifica, sou santo.” Levítico 21:8
6- “Porque eu sou o Senhor teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as suas ondas. O Senhor dos Exércitos é o seu nome.” Isaías 51:15
7- “O Senhor guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios.” Salmos 146:9
     E no novo testamento:
1- “E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?” Marcos 12:26
2 – Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; Mateus 10:6
3 – Luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel. Lucas 2:32
4 – Bendito o Senhor Deus de Israel, Porque visitou e remiu o seu povo, Lucas 1:68
5 – E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Marcos 12:29
6 – E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. Romanos 11:26
7 – Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Efésios 2:12

     Diferentemente do D-us universal dos filósofos gregos que influenciaram os “pais da igreja” como Clemente de Alexandria (c. 150-200 d.C), Basílio “o Grande” (c. 330-379 d.C.), Justino Mártir (100-165 d.C.) e Agostinho (354-430 d.C), a visão bíblica é de um D-us particular que começa sua missão de resgate através da eleição de uma familia especifica e dá a eles mandamentos específicos para terem uma relacionamento íntimo com ele.
     A teologia da substituição erra em vários pontos, primeiro por apresentar uma narrativa incompleta, depois por deturpar o caráter de D-us. A aliança feita com Abraão foi unilateral, imutável e irrevogável, ao pôr Abraão para dormir durante a consumação da aliança (Gên 15) D-us mostrou que essa aliança seria unilateral, onde Ele manteria sua palavra da parte do contrato porque naturalmente Abraão falharia assim como sua descendência.
Conforme a teologia da substituição, porque Israel não guardou a aliança rejeitando o messias então D-us elegeu um outro povo, os gentios, para ser seu “novo” povo escolhido.
Bom, se D-us faz uma aliança unilateral e depois volta atrás, como poderia estar certo da garantia da vida eterna?

No próximo artigo vamos um pouco mais profundo no assunto.

A Sfalsin