Que o Senhor Reine!

Que o Senhor Reine!

A todo o momento somos desafiados a fazer escolhas, afinal a vida é feita de escolhas seja na esfera pessoal ou coletiva. Enquanto na nossa nação somos guiados por um sistema democrático, na nossa esfera pessoal somos chamados a servir, num sistema teocrático.
A palavra “democracia” tem origem do grego, e vem de “Demokratia”, sua versão em latim era “Democratia”. O termo tem em sua base duas palavras gregas: DEMOS, que significa “povo” e KRATOS “Domínio, poder”, o que nos traz o significado de “poder do povo” ou “governo do povo”. A democracia, de entre muitos outros sistemas de governo, parece ser o menos nocivo ao indivíduo na esfera pessoal, apesar de ter suas limitações.

Em contraste, a palavra Teocracia, com origem também no grego, é a junção do grego “theos” que significa D-us e “kratein” que significa governar, então um governo regido por D-us.

A vontade da maioria do povo tem suas complicações. O próprio Messias divino foi entregue à morte pela vontade da maioria, do mesmo modo que a tentativa de implementar um governo teocrático se mostrou falho através da história. A chamada democracia optou por matar um inocente e soltar um ladrão (Mateus 27:20); o povo, manipulado pelos líderes, gritou: “Solte Barrabás! Condene Jesus!”

Voltando a origem do homem, antes do pecado entrar no mundo, vemos que havia uma harmonia onde o homem decidia o que fazer debaixo do domínio do Senhor. Nessa liberdade de decisão havia também a possibilidade até de desobedecer. Da mesma forma, hoje, no “pós queda”, somos confrontados por escolhas. O Senhor, ao criar o universo e a terra como habitação para o homem, deu-lhe a escolha de servi-lo livremente ou escolher o seu próprio caminho. Devemos notar que toda a terra estava sujeita ao domínio do homem, mas o Senhor tinha separado um jardim e uma árvore que era do domínio Dele somente. Ao fazer isso, Ele estava dizendo: 99.9% é para você desfrutar, viver e ser feliz, mas esse 0.01% é do meu domínio e você precisa respeitá-lo. Essa árvore chamava-se “a árvore do bem e do mal”.

Se voltarmos um pouco mais no relato da criação, vemos que D-us criava algo e declarava: “Isso é bom”. De facto, existem 7 (perfeições) declarações em Gênesis 1, usando a palavra “bom”, (Tov, em hebraico), que também significava “bem”. Declarar o “bem” e o “mal” era uma prerrogativa da autoridade divina. A realidade de como as coisas deviam ser definidas se originava Nele. Ao pôr a árvore do “bem e mal” no meio do jardim Ele dá a escolha ao homem para viver dentro da realidade proposta e criada por Ele, ou criar a sua própria realidade.

A tentação da serpente é: “e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal (Gênesis 3:5), sugerindo que homem teria a capacidade de decidir o que é “bem e mal”; não precisaria de D-us para isso. Ele poderia, de fato pode torcer a realidade e criar a sua própria sem D-us, a prerrogativa passa ser dele. Ao escolher comer dessa árvore há a possibilidade do homem nomear e determinar o que passa a ser o bem e o mal; se comer poderá declarar (como D-us) o certo e o errado. O homem pensou: Por que não ter 100% do domínio, ditar as regras e ser senhor do meu próprio destino? Se posso ter 99.9%, por que não ter o outro 0,01% também? Essa foi a tentação: querer dominar tudo, ter o que não lhe é permitido, passar dos limites, redefinir a realidade seus meus próprios olhos: “Agora eu defino o que é “TOV”, não preciso de D-us para fazer isso por mim”.

Assim como Adão e Eva, somos na esfera pessoal, diariamente confrontados com essa mesma escolha, pós queda. Agora que somos conhecedores do “bem e do mal” podemos render nossas escolhas para fazer o bem “TOV – טֽוֹב” ou o mal “RA – רָע “ .

Enquanto o voto democrático tem suas limitações, manipulações e inúmeras falhas; na esfera pessoal, podemos render nosso poder de decisão aos padrões que D-us estabeleceu para que vivamos uma vida plena e realizada. Na verdade não é difícil escolher o bem e não é impossível aplicá-lo, o Senhor declara:
11 Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é encoberto, e tampouco está longe de ti.
12 Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
13 Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?
14 Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca, e no teu coração, para a cumprires.
15 Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; (Deuteronômio 30:11-15).

Portanto internamente devemos tentar viver uma “teocracia”, onde D-us governa; consequentemente, haverá um impacto no exterior que será transformado pelas nossas boas escolhas.

Devemos escolher:
1- A vida sobre a morte: A vida é um presente de D-us, só Ele pode criar só Ele pode tirar. Gen 9:6, Salmos 36:9 Toda vida humana é muito importante, até mesmo a de um bebê na barriga da mãe. Por isso, tirar de propósito a vida de um bebê que ainda não nasceu é o mesmo que assassinato. “Se alguns homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, porém não havendo outro dano, certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e julgarem os juízes. Mas se houver morte, então darás vida por vida”. (Êxodo 21:22,23)
O Senhor nos propõe:
19 Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, Deuteronômio 30:19
Quem nos deu a autoridade de determinar se um inocente viva ou morra? Essa prerrogativa pertence só ao autor da vida.

2- A honestidade sobre o roubo: Honestidade é falar a verdade, vivendo de maneira íntegra.
O que é verdade? Quando ações e palavras são harmonizadas, andam juntas.
Deus se agrada da honestidade porque ele é o D-us da verdade e odeia a mentira. Deus abençoa quem é honesto. O honesto ganha a confiança de outras pessoas e faz a comunidade prosperar. O salmista escreveu:
Senhor, quem habitará no teu santuário?
Quem poderá morar no teu santo monte?
Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo; que de coração fala a verdade e não usa a língua para difamar; que nenhum mal faz ao seu semelhante e não lança calúnia contra o seu próximo; (Salmos 15:1-3)

3- A fé sobre a dúvida: Fé, ou “emuná” (em Hebraico) tem mais haver com a fidelidade do que crença. Enquanto crença é aderir a um tipo de ensinamento ou filosofia previamente postulada, a fidelidade é ser fiel a uma aliança/contrato estabelecido. Portanto, tenho fé quando aceito essa aliança feita, sou fiel aos seus termos (essa aliança foi feita entre D-us e os homens através de Sua interação com o povo de Israel), e tento viver nesses princípios. A dúvida é corrosiva à nossa fé, e traz caos à vida humana, nunca estando seguro do que é certo ou errado, relativizando os princípios e se reduzindo aos seus desejos e impulsos. Com a relatividade dos princípios tudo que desejo passa a ser o “certo”, o grande ego está no controle, eu domino os 100%! Quem precisa de D-us?

4- D-us e não o estado: O escritor inglês G. K. Chesterton, (1874-1936) disse: “não há problema em não acreditar em Deus; o problema é que quem deixa de acreditar em Deus começa a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência ou sem si mesmo, que é a coisa mais tola de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo.” Aqueles que rejeitam a ideia de D-us e a criação acabam acreditando em qualquer coisa; no vácuo muitos tentam substituir D-us pela imagem do estado, porque o mesmo, às vezes, se propõe como provedor de alimento, organizador do caos humano e promovedor da “felicidade” humana, mas isso é uma farsa. A própria história recente já mostrou que quando o estado tenta calçar as botas de D-us as consequências são terríveis; normalmente, se termina com milhares esmagados pelas botas da intolerância humana. O estado tem sua função estabelecida por D-us para boa governança mas o mesmo nunca poderá substituí-lo e precisa estar sujeito às Leis divinas. Toda vez que se tenta substituir leis divinas por filosofias humanas (humanismo), acaba-se em desastre. O humanismo começou no jardim do Éden, onde o homem tentou ser o centro do universo, e até hoje sofremos suas consequências.

Enfim, ao fazer a suas escolhas, seja no âmbito pessoal ou comunitário, considere O Senhor, em todas as coisas; seus princípios e seus mandamentos. Certamente, as suas escolhas internas vão afetar a sua comunidade e o seu país. Que Ele lhe dê sabedoria para viver uma vida plena sem nunca se esquecer que ele é o autor e consumador da vida e só a Ele devemos nossa lealdade (fé).

Adivalter De Assis

Marta e Maria em seu contexto.

Antes de qualquer interpretação bíblica precisamos entender o seu contexto geográfico, linguístico, cultural e espiritual, só assim estaremos aptos em adaptar a passagem ao nossos dias e consequentemente as nossas vidas.

Primeiramente, é do interesse do leitor notar que o texto que temos em mãos passou por varias transformações que se forem ignoradas poderão resultar numa interpretação equivocada.  Ressalto algumas dessas considerações:

1- Contexto histórico: Antes de Mateus, Marcos e Lucas seus livros a maior parte das histórias originais estavam separadas por tópicos, essa é a conclusão que o linguista e pesquisador Robert L. Lindsey [1917-1995] chegou após anos de dedicação ao estudos dos evangelhos sinópticos. Esse pequeno relato de Marta e Maria fazia parte de um texto bem maior, com ao passar dos anos ficou disperso entre os 3 evangelhos. Lindsey usando técnicas linguisticas e temáticas põe o texto de Marta e Maria dentro do seu context original encontrados em  Lucas 10:38-42, Mateus 6:25-34 = (Lucas 12:22-31) Lucas 12:16-20 e Lucas 16:19:31.

Lucas 10:38-42

38 E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;

39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

40 Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.

41 E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa (preocupada) e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;

42 E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

Mateus 6:25-34

25 Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos (preocupado) quanto à vossa vida (alma), pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida (alma) mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?

26 Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

27 E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados (preocupação), acrescentar um côvado à sua estatura?

28 E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;

29 E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.

30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?

31 Não andeis, pois, inquietos (preocupados), dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?

32 Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;

33 Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

34 Não vos inquieteis (preocupados), pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Lucas 12:16-20 e  Lucas 16:19-31

2- Contexto Cultural: Os rabinos do primeiro século viajavam de cidade em cidade ensinando a Lei de Moises (Torá e os livros proféticos), essas viagens poderiam durar alguns dias ou até meses. Jesus, um rabino típico do primeiro século ensinava de povoado em povoado e se hospedava na casas dos seus seguidores/discípulos contando com a bondade e hospitalidade dos mesmos, a lei de Moises proibia o recebimento de dinheiro ou pagamento pelo ensino da escrituras (Torá e os profetas). Os ensinamentos eram esporádicos e propositalmente relacionados com atividades do dia a dia dos seus ouvintes. 

3- Método de ensino: A forma mais usada e eficaz de ensino no primeiro século era o uso de parabolas em pares, razão desse uso se acha na Torá, Deuteronômio 19:15 “Uma só testemunha contra alguém não se levantará por qualquer iniqüidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o fato.” Se tornou pratica de ensinar alguma ideia divina com uso de 2 parabolas para enfatizar a ideia. Assim como no caso de José do Egito, ele teve 2 sonhos paralelos para confirma a sua veracidade. 

4- Problemas na tradução: Consideremos que os sinópticos originais foram escritos em Hebraico e não Grego, como comumente aceito pela maioria. Existem evidencias irrefutáveis que comprovam o caso.Vou explorar esse tema em outra postagem.

5- Visão Grego/Romana vs Visão Hebraica. Na nossa cultura altamente influenciada pela lógica e visão grego/romana temos a tendencia de ler o texto bíblico com nossos óculos culturais grego/romano. A visão grego/romana sustenta a ideia do dualismo, onde tudo que é espiritual é bom e tudo que é material é mau. Se escolho A, automaticamente excluo B.

Se quiser saber mais, leio meu artigo https://raizeshebraicas.com/2013/10/12/mente-hebraica-x-grego-romana-integra/  

Considerando esses aspectos essenciais para uma interpretação saudável, vamos lá: 

V 38 E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;  

Apesar de o texto em Lucas não mencionar o local preciso, sabemos que isso ocorreu em Betânia de acordo com João 12:1. 

Ao viajar de povoado a povoado Jesus fazia paradas para repousar durante a noite que normalmente durava alguns dias. As viagens no oriente medio eram cheias de perigos, assaltantes, feras do campo e também era muito cansativa. As temperaturas poderiam chegar aos 45-50 graus durante o verão e abaixo de zero no inverno, o que adicionava ao desconforto de uma viajem a pé. 

V 39 E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

Aqui existe uma omissão ou má tradução que muda nosso entendimento da passagem, a palavra “a qual” deveriam ser traduzida por “também”, que quer dizer que tanto Marta como Maria estavam sentadas aos pés de Jesus para aprender.

“Sentar-se aos pés” é simplesmente uma expressão que quer dizer “aprender do mestre” Paulo em atos 22:3 usa essa expressão para identificar seu mestre “Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de Deus, como todos vós hoje sois.”

Isso é uma reminiscência do ditado judaico no m. ʻAbot 1: 4: “Que a tua casa seja uma casa de reunião para os Sábios (rabinos/metres) e sente-se no meio do pó dos seus pés e beba as suas palavras com sede”.

V-40: Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. 

Maria está se esquivando de suas responsabilidades de ajudar a irmã? Na cultura de Jesus, deveres domésticos eram considerado parte da responsabilidade somente das mulheres. Aprender a Torá (escrituras) era desaprovado. Tenho certeza de que os discípulos de Jesus esperariam que Ele ficasse do lado de Marta aqui e dissesse algo como: “Maria, sua irmã tem muito para fazer. Por que você não se levanta e a ajuda? Seria ótimo”. Mas ele surpreende todos com sua resposta.

Por que Jesus diz coisas tão absurdas? Porque Ele está ensinando. Ele está deixando uma impressão indelével e memorável na mente de Seus discípulos. Seus seguidores foram educados para considerar as responsabilidades de alguém para com a família como preeminentes. Jesus exalta a escolha de Maria mas não repreende Marta pela escolha que fez, afinal todos temos chamados distintos.

V-41 E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;

Em Lucas 10:5-6 Jesus prescreve hospitalidade para discípulos viajantes.  “E em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.”

Parece contraditório que Jesus não recebesse bem a diaconia (diakonia = serviço em Grego) de Marta. Em João 12:2 Marta é exaltada pelo serviço prestado “Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.”

Em João 12:26 Jesus ensina a importância do serviço aos outros e ao Senhor,  “Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará.” 

Toda sua vida se resumia ao serviço aos outros, Ele com frequência se mostrava como um servo. Vemos isso em Lucas 22:27 “Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve.”

Lendo esses textos acima fica difícil de acreditar que Jesus por algum momento diminuiu os esforços de Marta. O serviço de Marta não é avaliado negativamente em nenhum outro texto Lucas. Essa história poderia realmente ser sobre zelo exagerado Martha? 

V-42 E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. 

Jesus responde a Marta: “Maria escolheu Grego – agatha (boa parte)”. Esta palavra não precisa ser traduzida como “melhor ou excelente”. Pode significar simplesmente “bem”. Jesus está dizendo que Maria escolheu o “bem” e não vai tirar Maria de sua atividade para voltar ao povoado para ajudar Marta. Neste momento, Jesus só confirma a validade da escolha de Maria.

Vale a pena notar que era culturalmente reprovável uma mulher “sentar aos pés do rabino” e aprender direto de um rabino. Normalmente o rabino ensinava ao esposo e o mesmo ensinava a mulher. Como Jesus quebrou muitas barreiras culturais, essa oportunidade de aprender diretamente do rabino foi imperdível para Maria que com essa ação quebrou muitas barreiras culturais. 

Para o Judeu do primeiro século o fato de Jesus ter dito “Maria escolheu a boa parte” não exclui o bom trabalho de Marta, não existe tensão na sua afirmação. Visão Hebraica. Entretanto nossa visão Grego/Romana não deixar espaço para a tensão, a mentalidade Grego/Romana eleva a dualidade, exemplo preto ou branco, material ou espiritual etc.. Já a mente Hebraica vive muito bem com o holismo, pode não ser preto ou branco mas sim cinza, não é nem material nem espiritual mas sim um conjunto dos dois e ambos podem ser bons ou ruins dependendo de como se aplica. 

Jesus reconhece o trabalho valioso de Marta e a escolha de Maria, sem excluir ninguém. Esse episódio não foi isolado, provavelmente Jesus ficou por alguns dias na casa de Marta e Maria. Possivelmente Maria teve a oportunidade de servir assim com Marta.

Portanto Jesus afirmou a posição, chamado, missão de Marta assim como também afirmou a posição, chamado e missão de Maria. Reconhecendo que as pessoas são diferentes, tem personalidades diferentes e chamados distintos mas todos são uteis em sua capacidade no reino. Imagine se todos fossem chamados ao ministério de ensinar, ninguém ao ministério de servir? Seria impossível de alcançar algo concreto.

Contexto do Livro:

O Evangelho de Lucas foi escrito pelo Dr. Lucas, um gentio e o único autor bíblico que não é judeu. Embora ele não fosse um apóstolo original, Lucas era um associado próximo do Apóstolo Paulo, então o Evangelho de Lucas e o Livro de Atos que ele também escreveu, sempre foram considerados “apostólicos” pela Igreja; “Apostólico” significa “dos Apóstolos” – o fato de que uma obra foi escrita por um apóstolo ou (como no caso dos Evangelhos de Marcos, Lucas e Atos) por alguém muito próximo tanto no tempo quanto no relacionamento com um apóstolo, autenticado o trabalho e foi importante em sua colocação final como escritura sagrada.

Lucas era um homem erudito – um médico – e ele era um historiador e escritor – então, podemos esperar que a escrita de Lucas seja cheia de significado e se mantenha unida e não simplesmente seja uma cadeia ou coleção de declarações desconexas. O publico de Lucas foram os gregos, incluindo judeus e gentios helenizados, que esperavam e apreciavam esse tipo de pensamento e escrita sistemáticas. Eles não estavam interessados ​​em ler versos isolados ou passagens curtas; seu lema não era “apenas me dê os fatos. Eles gostavam de ler e considerar obras inteiras para ver como as proposições e a história se mantinham juntas e para captar mensagens e temas gerais.