Vazio ou Plenitude?

Vazio e Plenitude?

No Silêncio das Estrelas, a Voz do Criador

Numa recente viagem de férias, tive o privilégio de sair ao ar livre numa noite de céu limpo e levantar meus olhos para o alto. Longe do barulho da cidade e do brilho intenso das luzes artificiais, os céus se abriram diante de mim de uma maneira rara. O firmamento era como uma tela resplandecente, incontáveis estrelas espalhadas como fagulhas suspensas no espaço. Uma névoa suave se estendia pelo horizonte, tênue mas inconfundível: a Via Láctea, nossa galáxia, erguia-se no silêncio da noite. O ar estava fresco, a terra repousava em quietude, e acima de mim reinava um silêncio mais profundo do que qualquer palavra poderia expressar. Permanecei ali por muito tempo, deixando meus olhos se ajustarem, permitindo que a imensidão me envolvesse. Havia beleza, sim, mas também algo inquietante. Um lembrete de como somos pequenos, passageiros e frágeis. Naquelas estrelas havia distâncias impossíveis de medir, mistérios que escapavam à minha compreensão, uma história que se estendia muito além da imaginação humana. E, no entanto, em toda aquela imensidão, naquele silêncio imenso, não senti vazio, mas presença.

A astronomia moderna nos mostra que o universo não é estático. As galáxias se afastam umas das outras, o espaço se estende como um tecido sem fim, e o cosmo continua a expandir-se rumo a um horizonte desconhecido. O que vemos ao olhar para o céu não são apenas estrelas como são agora, mas como eram há milhares ou até milhões de anos, quando a sua luz começou a viajar até chegar a nós. Cada noite estrelada é, portanto, uma janela para o passado, um vislumbre de uma história escrita em luz. Ainda assim, apesar de todo o conhecimento que a ciência nos oferece, há algo de estranhamente silencioso em tudo isso. O espaço não é preenchido por sons, mas por quietude. Entre as estrelas existe um vácuo quase perfeito, um vazio tão absoluto que desafia nossa experiência. Quanto mais aprendemos sobre o cosmo, mais avassalador se torna o seu silêncio. Não é de admirar que o salmista tenha escrito: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem para que dele te lembres? E o filho do homem, para que o visites?” (Salmo 8:3–4). Diante dos céus, ele sentiu o que muitos de nós ainda sentimos hoje: a tensão entre a grandeza do universo e a pequenez da vida humana.

Vazio ou Plenitude? Alguns diriam que o silêncio do universo é prova de vazio. Para eles, o céu noturno é indiferente, uma vastidão fria de matéria e energia, sem voz e sem sentido. No entanto, a tradição bíblica oferece outra leitura. O silêncio, nas Escrituras, não é sempre ausência. Muitas vezes, ele é justamente o meio pelo qual a presença de D-us se revela. Quando Elias fugiu para o deserto em busca da voz do Senhor, não a encontrou no vento impetuoso, nem no terremoto, nem no fogo. Mas, depois de tudo, veio um “sussurro suave” (1 Reis 19:11–12). No silêncio após o tumulto, na quietude além do ruído, o profeta encontrou a voz do Eterno. Assim também com o cosmo. O silêncio das estrelas não é vazio, mas plenitude. Plenitude de sentido, de assombro, de uma presença que nenhuma palavra pode conter. Os céus não falam em linguagem de som, mas proclamam mesmo assim. Como declara o Salmo 19:1: “Os céus proclamam a glória de D-us, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.”

O Infinito e o Finito? Há aqui outro paradoxo. Por um lado, as estrelas nos lembram da nossa insignificância. Somos pó sobre um grão de pó, vidas passageiras em um universo com bilhões de anos. Nossas histórias, nossas lutas, até nossas maiores conquistas parecem frágeis diante de galáxias que giram em silêncio. Por outro lado, a Escritura afirma que o mesmo D-us que chama cada estrela pelo nome também conhece o nosso. Isaías 40:26 declara com ternura: “Levantai os olhos e olhai para as alturas: quem criou tudo isso? Aquele que faz sair o exército de estrelas uma a uma, e as chama pelo nome; por causa da grandeza do seu poder e da sua força, nenhuma delas faltará.” Se nenhuma estrela é esquecida, quanto mais nós não seremos lembrados? O Criador que ordena as galáxias inclina-se para ouvir a oração humana. O mesmo que sustenta a ordem cósmica se importa com os detalhes da nossa vida. Os céus podem nos fazer sentir pequenos, mas também nos fazem sentir vistos.

O Silêncio como Convite. Naquela noite de férias, debaixo da Via Láctea, passei a enxergar o silêncio de outro modo. Silêncio não é apenas ausência de som, é o espaço onde algo mais profundo pode ser ouvido. No silêncio das estrelas, comecei a perceber um sussurro de significado, um chamado à humildade, um convite ao assombro. Talvez por isso o silêncio seja tão associado à adoração. Habacuque 2:20 proclama: “O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.” A vastidão do cosmo nos cala não porque nos anula, mas porque nos aponta para alguém maior do que nós mesmos. No silêncio, o coração começa a escutar. E, ao escutar, descobrimos que o Criador não está ausente, mas intensamente presente. O vazio torna-se plenitude, a distância torna-se intimidade, o silêncio torna-se voz.

É fácil, no corre-corre da vida, esquecer as estrelas. A maioria de nós vive sob céus escondidos pelo brilho das cidades, noites cortadas pelo ruído do trânsito e pela luminosidade das telas. No entanto, as estrelas continuam lá, quer as vejamos ou não, proclamando a glória daquele que as colocou em seus lugares. Olhar para o céu é lembrar do nosso lugar na história da criação. Não somos o centro, mas não estamos esquecidos. Somos pequenos, mas amados. As estrelas falam de um universo vasto demais para nossa mente, e ainda assim moldado por mãos que cuidam até do pardal que cai ao chão. O próprio Jesus apontou para os céus como sinal do cuidado divino. Em Mateus 6:26, ele disse: “Olhai as aves do céu, que não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?” Se as aves e as estrelas estão guardadas em sua providência, nós também estamos.

A Voz no Silêncio. Naquela noite de viagem, tirei uma fotografia, a mesma que compartilho agora, um registro simples do céu estrelado com o brilho tênue da Via Láctea. A imagem é bela, mas não passa de uma sombra da realidade que presenciei. Nenhuma lente captura a imensidão, nenhuma foto traduz o silêncio, nenhum quadro revela a presença que preenche os céus.

E, ainda assim, a fotografia me lembra daquele instante de reverência, daquele momento em que o vazio se transformou em presença, e o silêncio se fez voz. Na vastidão do universo, fui atraído para aquele que o criou, o mesmo que fala não por meio do barulho, mas da quietude, o mesmo que sustenta galáxias e também corações humanos.

“Aquietai-vos, e sabei que eu sou D-us.” (Salmo 46:10).

No silêncio das estrelas, o Criador fala. A questão é se estaremos dispostos a silenciar o bastante para ouvir.

A. Sfalsin

Entre o Temporal e a Eternidade:

Entre o Temporal e a Eternidade: O Significado do “Tempo Profético Perfeito” em Isaías


Como um ser infinito, existindo fora do tempo e do espaço, pode transmitir verdades eternas a seres finitos e temporais? A resposta pode estar no hebraico bíblico, especialmente através de um conceito conhecido como o “tempo profético perfeito”. Esse fenômeno gramatical, único ao hebraico, serve para preencher a lacuna entre verdades eternas e nossas experiências mortais efêmeras. Em Isaías 43:1, encontramos uma poderosa declaração do Senhor: “Não temas, pois eu te redimi; chamei-te pelo teu nome; tu és meu.” Este versículo encapsula a profunda relação entre D-us e Seu povo, oferecendo conforto e segurança em meio ao medo e à incerteza. Uma exploração mais profunda da frase e de sua estrutura verbal “eu te redimi” revela sua importância como um tempo “profético perfeito”, ilustrando como D-us percebe o tempo e a realidade de Suas promessas. Se entendermos esse aspecto da gramática do hebraico bíblico, ganharemos uma visão da natureza atemporal das declarações de D-us e da profundidade de Seu compromisso com Sua criação.

O conceito de tempos verbais em hebraico difere significativamente do português. Enquanto usamos seis tempos primários—presente do indicativo, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito—o hebraico apresenta um sistema mais intrincado que permite expressões únicas de tempo. O sistema verbal hebraico pode ser categorizado em dois aspectos principais: perfeito e imperfeito. O aspecto perfeito refere-se, em geral, a ações completadas, enquanto o imperfeito descreve ações em andamento ou incompletas.

O “tempo profético perfeito” introduz uma camada adicional a esse entendimento. Esse fenômeno permite que eventos futuros sejam articulados como se já tivessem sido completados, refletindo uma certeza e uma segurança divina que transcendem as limitações temporais. Em Isaías 43:1, a frase “eu te redimi” utiliza esse tempo “profético perfeito”. Embora pareça estar no passado, transmite uma ação futura que D-us expressa com absoluta certeza. Esse uso enfatiza que a redenção não é apenas uma esperança distante, mas uma realidade assegurada por D-us. Essa compreensão nos convida a refletir sobre a natureza das promessas de D-us. Quando D-us declara: “Eu te redimi”, Ele afirma uma realidade presente fundamentada em Sua perspectiva eterna, reformulando nossa compreensão do tempo e reforçando que as promessas de D-us transcendem nossas experiências mortais.

Para ilustrar esse conceito, considere Isaías 9:6, que afirma: “Porque um menino nos nasceu.” Aqui, o verbo “nasceu” é articulado no tempo perfeito, sugerindo um evento futuro descrito com tal certeza que parece imediato. Essa escolha linguística demonstra como D-us comunica Suas promessas, apresentando-as como inevitáveis e reais, mesmo antes de ocorrerem. Nesse contexto, o “tempo profético perfeito” tranquiliza o povo de Israel, assegurando que, apesar de suas lutas e medos, a promessa de um Messias é certa. O tempo perfeito em “nasceu” sublinha a certeza da profecia, indicando que, na visão de D-us, a realidade futura do nascimento do Messias é tão concreta quanto os eventos passados.

A importância dessa perspectiva é profunda. Quando Isaías pronunciou essas palavras, cerca de 700 anos antes da vida do Messias, ele se dirigia a uma nação em tumulto, enfrentando opressão e incerteza. Ao enquadrar a chegada do Messias de uma maneira que afirma sua certeza, D-us oferece esperança e uma visão para um futuro melhor. O “tempo profético perfeito” enfatiza que, da perspectiva de D-us, o futuro já está entrelaçado com o presente, infundindo esperança e confiança em Suas promessas. Outro exemplo do “tempo profético perfeito” pode ser encontrado em Isaías 53, que fala do servo sofredor. Em versos como Isaías 53:5, “Mas Ele foi ferido por nossas transgressões”, a linguagem transmite uma certeza em relação ao sofrimento e à obra redentora do Messias. Embora esses eventos ainda não tivessem ocorrido no momento da proclamação de Isaías, eles são apresentados de uma forma que destaca sua certeza, evidenciando a soberania de D-us sobre a história.

O “tempo profético perfeito” também é evidente nas promessas de D-us ao longo das Escrituras Hebraicas. Por exemplo, em Gênesis 12:2-3, D-us promete a Abraão que ele será uma grande nação e que todas as famílias da terra serão abençoadas através dele. Embora essas promessas tenham sido feitas muito antes de sua realização, elas transmitem o compromisso de D-us em trazê-las à realidade. Isso reforça a ideia de que o tempo de D-us muitas vezes difere do nosso, mas Suas promessas permanecem firmes.

Examinar o “tempo profético perfeito” revela que esse recurso linguístico não é apenas uma curiosidade gramatical; ele serve como uma estrutura teológica que informa nossa compreensão da natureza de D-us e Sua relação com a humanidade. A capacidade de transmitir eventos futuros com tal certeza desafia nossa percepção do tempo e nos encoraja a confiar no caráter de D-us. Esse conceito de tempo é enriquecido pela compreensão de D-us como um ser eterno que existe fora de nossas limitações temporais. Enquanto nós experimentamos o tempo de maneira linear, D-us vê toda a história simultaneamente. Essa perspectiva permite que Ele faça promessas com total confiança, conhecendo os resultados antes que eles se desenrolem.

Em Isaías 43:1, D-us assegura a Israel que, apesar de suas lutas, a redenção deles é certa. Esta declaração eleva e fortalece a fé deles, permitindo que vejam além das circunstâncias imediatas para a maior realidade do plano de D-us. O “tempo profético perfeito” enfatiza que, da perspectiva de D-us, o futuro já está entrelaçado com o presente.

Concluindo, a afirmação “Eu te redimi” em Isaías 43:1 serve como um profundo lembrete da relação íntima de D-us com Seu povo e de Seu compromisso inabalável com sua redenção. Ao empregar o “tempo profético perfeito”, D-us transmite uma mensagem atemporal que assegura, aos que creem Nele, a sua redenção como uma realidade presente enraizada na promessa divina. Essa compreensão não apenas aprofunda nossa apreciação do texto bíblico, mas também transforma nossa visão sobre nossas vidas e nossa relação com o Senhor. Abraçar essa verdade nos convida a viver na certeza de nossa identidade eterna como o povo redimido de D-us, promovendo uma fé transformadora que permeia todos os aspectos de nossas vidas. O “tempo profético perfeito” serve como um lembrete de que, enquanto navegamos pelos desafios de nossa existência finita, podemos nos apegar às promessas de D-us, confiantes de que Ele está fazendo todas as coisas para o nosso bem e Sua glória. Em última análise, essa compreensão nos convida a uma relação mais profunda com D-us, encorajando-nos a confiar em Sua natureza eterna e em Sua fidelidade ao longo da história.

Adivalter Sfalsin

O Coração do Dízimo: Gratidão, Generosidade e Justiça

Dízimo e Prioridades em Deuteronômio 26:11-12: Uma Reflexão sobre os Mandamentos de D-us.


Deuteronômio 26:11-12 aborda um princípio essencial de gratidão, generosidade e cuidado comunitário. Nesses versículos, D-us ordena ao Seu povo que compartilhe as bênçãos que receberam com os outros, especialmente com os necessitados. O ato de dizimar não é apenas um dever religioso; é um reflexo da justiça de D-us e do Seu cuidado com os vulneráveis na sociedade. Vamos analisar os principais componentes dessas instruções e suas implicações para os dias de hoje.

O versículo 11 começa com um chamado à alegria: “E te alegrarás por todo o bem que o Senhor, teu D-us, te deu, a ti e à tua casa, tu, o levita e o estrangeiro que está no meio de ti.” O coração do dízimo é a gratidão. Ele nos lembra que tudo o que possuímos vem, em última análise, de D-us. Ao reconhecer isso, somos chamados não apenas a ser gratos, mas a compartilhar essas bênçãos com os outros, garantindo que ninguém seja excluído da alegria da comunidade.

O versículo 12 foca no dízimo do terceiro ano, frequentemente chamado de “Ano do Dízimo”. Nesse ano específico, os israelitas eram instruídos a reunir o aumento (um décimo da sua renda) e distribuí-lo a quatro grupos principais: os levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas. Essas eram pessoas que não possuíam herança própria (como os levitas) ou que eram particularmente vulneráveis (estrangeiros, órfãos e viúvas). O objetivo era garantir que tivessem o suficiente para comer e viver bem em suas cidades.

As Três Prioridades do Dízimo
O contexto mais amplo do dízimo bíblico revela três prioridades principais para a distribuição do dízimo:

  1. Aos Pobres e Vulneráveis – O foco principal está em cuidar dos membros da comunidade que estão em necessidade. Isso inclui os pobres, os órfãos e as viúvas. Esses indivíduos muitas vezes não têm meios de sustento, e é responsabilidade dos fiéis garantir que suas necessidades sejam atendidas.
  2. Aos Levitas – Os levitas, como servos de tempo integral do Senhor, não possuíam terras nem produziam sua própria renda. Eles dependiam dos dízimos para seu sustento. No contexto moderno, isso corresponde ao apoio àqueles que dedicam suas vidas ao serviço espiritual e à liderança na comunidade.
  3. Ao Depósito Comum (O Templo) – O templo era o centro de adoração e sacrifícios do povo. Os dízimos eram dados para manter a logística do templo, garantindo que ele pudesse funcionar e fornecer um lugar de adoração para a nação. Hoje, isso pode ser entendido como o apoio às necessidades físicas de um local de culto ou reunião da comunidade, como a manutenção de edifícios ou programas.

É fundamental compreender que o ensinamento sobre o dízimo vai além da simples doação de 10% da renda. Essa porcentagem é apenas o ponto de partida que D-us estabelece para Seu povo. O verdadeiro objetivo do dízimo é nos formar como indivíduos generosos e compassivos em todos os aspectos da vida. D-us não deseja que cumpramos uma obrigação, mas que cultivemos um estilo de vida de generosidade que ultrapasse valores fixos.

D-us entende que, por natureza, temos a tendência de nos concentrar na acumulação de riquezas materiais, acreditando que isso nos proporcionará felicidade. Contudo, a mensagem bíblica desafia esse instinto. Ao compartilhar com os outros—especialmente com os pobres, os vulneráveis e aqueles que servem à comunidade—alinhamos nossos corações à vontade de D-us e encontramos a verdadeira alegria de uma vida abençoada. Infelizmente, muitos líderes religiosos manipulam essa fraqueza humana, distorcendo o mandamento de D-us ao ensinar que felicidade se encontra na posse de bens materiais, e que ser abençoado significa possuir o melhor que o mundo pode oferecer. Essa interpretação é uma corrupção dos princípios bíblicos.

Não devemos esquecer que quanto mais D-us abençoa uma pessoa, maior é a responsabilidade de ser generosa; a obrigação social de quem recebe mais é significativamente maior do que a de quem tem menos. Essa verdade muitas vezes passa despercebida por aqueles que veem os bens materiais apenas como um meio de satisfação pessoal, guiados por seus próprios egos e desejos.

D-us nos lembra que a verdadeira felicidade e realização não vêm da acumulação, mas do ato de compartilhar o que temos. Ao ordenar o dízimo e direcioná-lo aos necessitados, D-us está formando Seu povo para resistir ao materialismo e adotar uma postura de altruísmo.

Esse princípio é ecoado nos ensinamentos de Jesus no Novo Testamento. Como afirma o Evangelho de Mateus:
“O Rei dirá aos justos: ‘Venham, vocês que são abençoados por meu Pai, e recebam o Reino que lhes foi preparado desde o princípio. Eu estava com fome, sede, era estrangeiro, estava nu, doente e preso, e vocês cuidaram de mim.’ Os justos perguntarão: ‘Quando fizemos isso?’ O Rei responderá: ‘Sempre que fizeram isso a um dos menores destes, vocês o fizeram a mim.'”

Esse ensinamento enfatiza que o verdadeiro serviço a D-us se reflete em como tratamos os mais vulneráveis entre nós. Quando damos aos necessitados, estamos dando ao próprio D-us.

Em muitas comunidades modernas, essas prioridades mudaram. Muitas vezes, o foco está primeiro na manutenção das operações, seguido do pagamento de despesas administrativas ou de liderança. Somente se sobrar dinheiro é que ele pode ser usado para os pobres ou necessitados. Isso é o oposto do modelo bíblico.

Como mencionado na reflexão sobre esses versículos, muitas pessoas hoje encontram dificuldade em receber ajuda de sua comunidade. Muitas vezes são rejeitadas ou ignoradas ao buscar assistência. Isso está longe do coração do que D-us pretendia para Seu povo. Os pobres e vulneráveis deveriam ser uma prioridade, e não uma reflexão tardia.

Deuteronômio 26:13 nos dá um lembrete sério: aqueles que receberam muito são responsáveis pelo que fazem com isso. O dízimo é descrito como uma “porção sagrada” que pertence a D-us. Não distribuí-lo de acordo com Seus mandamentos não apenas negligencia os necessitados, mas também reflete uma falha em honrar as bênçãos de D-us.

A mensagem aqui é simples: quando falhamos em cuidar dos vulneráveis em nossa comunidade, estamos agindo de forma hipócrita. Proclamamos gratidão pelas bênçãos de D-us, mas falhamos em estender essa bênção aos outros. A verdadeira gratidão se manifesta em ação – compartilhando com os menos afortunados.

O sistema de dízimos não se trata de limitar a generosidade a um valor ou porcentagem fixa. É um ponto de partida, uma ferramenta para moldar nosso caráter em pessoas generosas e compassivas. Somos chamados a ser generosos não apenas no contexto do dízimo, mas em todas as nossas interações e encontros. Seja em nossas comunidades, locais de trabalho ou vidas pessoais, o princípio permanece o mesmo: para sermos verdadeiramente abençoados e viver uma vida plena, devemos aprender a dar aos outros.

Deuteronômio 26:11-12 nos desafia a repensar as prioridades de doação e generosidade dentro de nossas comunidades de fé. Os mandamentos de D-us são claros: os pobres, os vulneráveis e aqueles que O servem devem ser cuidados em primeiro lugar. Ao fazer isso, honramos as bênçãos que recebemos e criamos uma comunidade onde ninguém fica desamparado.

Ao refletirmos sobre esses versículos, devemos examinar nossas próprias vidas e as práticas de nossas comunidades. Estamos realmente vivendo o mandamento de cuidar dos pobres e vulneráveis entre nós? Estamos usando os recursos de D-us de maneira que reflita Seu coração de justiça e compaixão? E estamos permitindo que as instruções de D-us sobre o dízimo nos transformem em pessoas generosas, além dos 10%? Estas são as perguntas que todo crente e comunidade deve fazer ao buscar viver fielmente os mandamentos de D-us.

Adivalter Sfalsin

Você é Livre de Verdade?

Você é Livre de Verdade?

A liberdade é um conceito amplamente discutido e interpretado ao longo dos séculos, especialmente em contextos religiosos, filosóficos e sociais. A narrativa bíblica da libertação dos hebreus no Egito é um dos textos mais antigos que aborda a questão do livre-arbítrio, propondo reflexões profundas sobre o que significa, de fato, ser livre. Em Êxodo 8:1, o Senhor ordena a Moisés: “Vai a Faraó e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Deixa ir o meu povo, para que me sirva.” Esse versículo, aparentemente simples, levanta questões complexas sobre a natureza da liberdade. Afinal, se D-us deseja que o povo saia do Egito para servi-Lo, onde está o livre-arbítrio?

A narrativa sugere que, embora os hebreus fossem libertos da servidão a Faraó, eles seriam, de certa forma, chamados para servir a outro Senhor, D-us. À primeira vista, isso pode parecer contraditório à ideia de liberdade plena. No entanto, a essência da questão reside no tipo de serviço e nas consequências que esse serviço traz. O povo tinha uma escolha: continuar servindo a Faraó, o símbolo do cativeiro e da opressão, ou seguir Moisés ao deserto, onde serviriam ao Senhor. O que está em jogo não é a ausência de servitude, mas sim a escolha de a quem servir. Como nos revela essa narrativa, a verdadeira liberdade não se encontra na rejeição de toda autoridade, mas na escolha do tipo de autoridade a qual nos submetemos.

A liberdade, aqui, não é a ausência de servidão, mas a capacidade de escolher a quem servir. E, nesse contexto, não servir a ninguém não é uma opção, não existe campo neutro. O indivíduo pode servir a Faraó, representando os seus próprios desejos, pecados, inclinações e limitações, ou pode servir a D-us, que oferece uma relação transformadora, mas ao mesmo tempo também desafiadora.

O Egito, nessa narrativa, funciona como uma metáfora para a escravidão espiritual. Embora o cativeiro seja opressor, ele é familiar e oferece uma falsa sensação de segurança. O deserto, por outro lado, representa a liberdade de um mestre tirano, mas uma liberdade ao mestre amoroso é cheia de incertezas, porque não conhecemos o futuro que Ele reservou. Ir para o deserto é optar pelo desconhecido, pelo risco, pela fé no que está por vir. No entanto, essa jornada também implica em um compromisso: servir a D-us, que nos chama para uma relação de entrega e dedicação.

A palavra hebraica utilizada no versículo, “ʿāḇaḏ” (עָבַד), significa trabalhar ou servir voluntariamente. Isso sugere que o serviço ao Senhor não é uma escravidão forçada, mas um convite a uma relação voluntária e transformadora. A ideia de servir, no contexto bíblico, é muito mais próxima de uma entrega consciente e dedicada, semelhante à dos levitas, que dedicavam suas vidas ao serviço de D-us.

Portanto, a narrativa propõe que a escolha é simples: servir a Faraó, ou seja, continuar preso aos próprios desejos e limitações, ou servir a D-us, o que implica em uma liberdade que transcende o plano terreno e que se constrói sobre a fé. A liberdade de escolha existe, mas a natureza humana implica que, de uma forma ou de outra, estaremos sempre sob alguma autoridade, seja a dos nossos desejos ou a de algo maior que nós mesmos.

Há, entretanto, uma grande diferença entre os dois tipos de serviço. Faraó, que aqui representa os pecados e as limitações humanas, oferece uma servidão que escraviza e aprisiona. D-us, por outro lado, quando aceita a nossa entrega, nos adota como filhos. O apóstolo Paulo, em sua carta aos Efésios, capítulo 1, versículo 5, diz: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.” Essa adoção não pode ser revogada, um aspecto interessante da prática romana, que Paulo utiliza como analogia. Enquanto um pai poderia desertar um filho de sangue, a adoção era irrevogável. Uma vez filho, sempre filho.

Portanto, a liberdade verdadeira está em escolher o Senhor que nos oferece uma relação de amor e compromisso eterno. Mesmo que a liberdade plena, no sentido de não servir a ninguém, seja impossível, a escolha de a quem servir define nossa condição espiritual e nossa vida. Servir a D-us é entrar em uma relação de adoção, onde o Senhor nos chama de filhos e nos garante uma liberdade que, ainda que dentro de uma servitude voluntária, é uma liberdade plena de propósito e significado. A verdadeira liberdade é estar livre de todo desejo que nos aprisiona. 

Adivalter Sfalsin

A Última Gota D'água

A Última Gota D’água

A Última Gota D'água

A Última Gota D’água: Quando o Ponto de Ruptura Transforma Vidas

A expressão “última gota d’água” deriva de uma metáfora que representa um recipiente gradualmente preenchido até transbordar com a última gota. Esse recipiente simboliza a paciência, a tolerância ou a capacidade de suportar uma situação incômoda ou estressante. A imagem de um copo ou jarro que transborda ao receber uma última gota refere-se metaforicamente ao ponto em que dificuldades acumuladas atingem um ponto crítico. A “última gota d’água” é o catalisador que provoca uma reação significativa, representando o fator final, aparentemente pequeno, que desencadeia uma mudança profunda devido ao acúmulo prévio de tensões.

Significado e Implicações

A expressão é usada para descrever o momento em que uma pessoa ou situação chega ao seu limite de paciência ou capacidade de tolerância. A última gota, embora possa parecer insignificante por si só, causa um transbordamento ou colapso devido à acumulação de todas as pequenas gotas anteriores. Esse momento pode desencadear uma série de eventos que levam a mudanças positivas ou negativas, possuindo um grande poder de reconstruir ou destruir completamente, dependendo das ações subsequentes.

Para alguns, a última gota representa a coragem necessária para sair de uma situação tóxica e buscar uma vida mais autêntica e satisfatória. Para outros, pode resultar em uma queda ainda mais profunda na desesperança e resignação.

Exemplos Bíblicos

A Bíblia está repleta de exemplos que ilustram o conceito da “última gota d’água”. Um exemplo marcante é a história de Moisés liderando o povo de Israel através do deserto após a fuga da escravidão no Egito. Após inúmeras provações e desafios, a última gota ocorreu quando Moisés desceu do Monte Sinai com as tábuas da lei de Deus e encontrou o povo adorando um bezerro de ouro. Em Êxodo 32:19-20, está escrito:

“E aconteceu que, chegando ele ao arraial e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se o furor de Moisés, e arremessou as tábuas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte, e tomou o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo, moendo-o até que se tornou em pó; e o espargiu sobre as águas e deu-o a beber aos filhos de Israel.”

Esse incidente desencadeou uma série de eventos que eventualmente levaram à revelação do caráter benigno de Deus, oferecendo uma segunda chance ao povo ao escrever outras tábuas com os Dez Mandamentos.

Intercessão e Consequências

Precedente a esse evento, nos versículos de 7 a 14, vemos que, num momento de grande tensão, enquanto Moisés estava no Monte Sinai recebendo os mandamentos de Deus, o povo de Israel se corrompeu, fazendo e adorando um bezerro de ouro. Deus, furioso, ordenou a Moisés que descesse imediatamente. Moisés, amando profundamente seu povo, intercedeu junto a Deus, argumentando que destruir os israelitas faria com que os egípcios pensassem que Deus os havia tirado do Egito apenas para matá-los no deserto. Moisés lembrou a Deus das promessas feitas a Abraão, Isaque e Israel sobre a multiplicação de sua descendência e a posse da terra prometida.

Com suas palavras cheias de fervor e lembrança das antigas promessas, Moisés conseguiu acalmar a ira de Deus, poupando o povo e reafirmando seu compromisso com as promessas feitas aos seus ancestrais. Esse exemplo nos ensina que as consequências da última gota d’água estão diretamente ligadas à nossa decisão no momento da ruptura, com potencial para destruição ou reconstrução.

Reflexões e Oportunidades

A “última gota d’água” nos lembra da importância de prestar atenção aos sinais de alerta em nossas vidas e buscar ajuda quando necessário. É um lembrete poderoso de que, mesmo nos momentos mais sombrios, sempre há esperança de renovação e transformação. Se tivermos a reação correta, aquilo que parece ser um fim pode se transformar numa experiência positiva e revigorante.

Em última análise, a “última gota d’água” é mais do que uma simples metáfora – é um fenômeno universal que encapsula a complexidade da experiência humana. Ao reconhecer e responder a esses momentos de ruptura, podemos encontrar oportunidades para crescimento, cura e renovação em nossas vidas. Como os ortopedistas dizem:

“Quando quebramos um osso ele se cura mais forte do que antes, dependendo de como você o trate. No início, você tem que ser muito cuidadoso com ele. Se você o ignorar, não cuidar dele, não prestar atenção à sua dieta, evitar o fisioterapeuta, então, certamente, não ficará mais forte do que antes. Mas, se você cuidar bem dele, com delicadeza no começo, seguir toda a sua terapia e se esforçar para fortalecê-lo novamente… então sim, ele pode ficar mais forte do que era antes. Quanto mais você usá-lo, mais forte ele fica.”

Assim, a última gota pode ser o início de um novo capítulo, uma nova página em nossas vidas. A escolha é nossa.

Autor: Adivalter Sfalsin

Questões da Vida

Com alguma relutância, compartilho um diálogo profundo que tive com minha filha de 10 anos. Acredito que as lições contidas neste breve diálogo podem ensinar-nos muito sobre as questões mais profundas que enfrentamos. Era dia 25 de março, por volta das 17 horas, quando me encontrava com minha filha numa sala de espera, após 22 horas intensas de vários exames médicos para determinar o tratamento a ser adotado. Ambos estávamos visivelmente cansados, evitando muita conversa na tentativa de poupar a pouca energia restante. Então, surpreendentemente, o silêncio foi quebrado com a seguinte pergunta:

O Diálogo

Minha filha: “Pai, eu acho que não devíamos mais servir ao nosso Deus.”

Eu: Porquê?

Minha filha: “Esse Deus não é bom, Ele faz-nos sofrer. Quando tiraram meu sangue, doeu muito, e Ele não aliviou minha dor quando eu pedi.”

Como responder a uma menina de 10 anos de forma simples para questões tão complexas? Esse era o meu desafio.

Eu: Olha, filha, o mesmo Deus que nos dá o sol também nos dá a chuva. Na vida, temos tristezas e alegrias, dor e prazer, assim como existem pessoas boas e más. O fato de sentires dor não significa que Ele não nos ame. Além disso, a pequena dor que sentiste é para melhorar tua saúde.

Minha filha: “Ah, papai, tive uma boa ideia para dar a Deus.”

Eu: Então, que ideia é essa?

Minha filha: “Sabes que disseste que existem pessoas boas e más? Vou dar a ideia de dividir o mundo em dois, um lado só com pessoas boas e do outro só com pessoas más, assim não haverá tantos problemas.”

Eu: Com um certo riso, respondi: “É, tua ideia é ótima, mas Ele prometeu fazer isso no futuro, separar aqueles que amam o Senhor daqueles que O desprezam.”

Minha filha: “Então, por que Ele não faz isso agora?”

Eu: Sinceramente, não sei, mas com certeza o fará.

Após esse breve diálogo, fiquei pensativo, transportado anos atrás, ao início da minha juventude quando fazia esse tipo de perguntas. Fiquei surpreso ao notar que uma menina de 10 anos já faz perguntas tão profundas e tão comuns a todos nós. Ao tentar desdobrar as questões fundamentais contidas em tais perguntas inocentes, cheguei à conclusão de que, na verdade, ela estava questionando questões relacionadas com o propósito da vida, como: Porque sofremos e qual será nosso destino?

Questões da Vida

Em poucas perguntas, ela tocou nas questões mais profundas da vida, que são:

  1. De onde viemos? Origem.
  2. Porque estamos aqui? Propósito.
  3. Para onde vamos? Destino.
  4. Porque sofremos? Justiça.

Essas questões são as mais básicas da vida e certamente, se ainda não as fizeste, em algum ponto da tua vida as farás.

Perspectivas Filosóficas

Para aqueles que têm uma mente voltada para a ciência, a resposta desta é insatisfatória, porque lida apenas com a questão da origem, deixando de lado as outras três. Ao tentar explicar a origem da humanidade através de acontecimentos aleatórios e teorias questionáveis, deixa de fora as questões mais importantes, como propósito, destino e justiça.

Os famosos filósofos gregos, como Aristóteles, Platão e Heráclito, que tanto influenciaram o pensamento ocidental, tentaram responder a essas questões com uma visão dualista do mundo, onde o mundo é dividido em material versus espiritual, sendo que o material é inferior e o espiritual, superior.

Perspectiva Bíblica

A visão bíblica da vida é muito mais abrangente ao responder essas questões, de forma coerente, ela responde aos anseios mais profundos do ser humano. Do Gênesis ao Apocalipse, a Bíblia responde a essas questões de forma coerente e concisa.

  1. Origem – Ao criar o ser humano “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26), Deus responde à primeira questão – Origem.
  2. Propósito – O sábio Salomão conclui o livro de Eclesiastes destacando que a vida se resume a honrar a Deus em nossos pensamentos e guardar Seus mandamentos, porque um dia estaremos diante do trono divino para prestar contas.
  3. Destino – O último livro da Bíblia, o Apocalipse, discute o que irá acontecer no fim dos tempos. Após o retorno de Jesus, os céus e a terra que conhecemos serão destruídos e um novo céu e uma nova terra serão criados eternamente.
  4. Justiça – A busca pela justiça pressupõe que haja uma ordem moral universal que nos permite fazer tal pergunta; se há uma ordem moral universal, deve necessariamente haver um doador dessa ordem. Na visão bíblica, esse agente é Deus. Quando presenciamos injustiça ou o sofrimento de um inocente, algo dentro de nós grita estridentemente dizendo que algo está errado. Esse algo é o pecado, a desobediência ao Senhor.

Paulo, grande conhecedor do Tanakh (Velho Testamento), declarou: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 6:23).

Este versículo ressalta a mensagem central do texto: a busca pelo propósito da vida e a resposta às questões fundamentais da existência. Enquanto discutimos origem, propósito, destino e justiça, é importante reconhecer que, através da fé em Cristo, Deus oferece não apenas vida eterna, mas vida em abundância. O versículo enfatiza que o propósito de Jesus não é apenas proporcionar vida, mas também proporcioná-la em abundância, contrastando com o propósito do ladrão, que é roubar, matar e destruir.

Assim, a mensagem central do texto é que, apesar das incertezas e dificuldades da vida, encontrar o propósito verdadeiro e a plenitude de vida está em conhecer e seguir a Cristo. É Ele quem oferece não apenas respostas às questões mais profundas da existência, mas também a promessa de vida em abundância, que transcende as limitações deste mundo e nos conduz à verdadeira realização e significado.

Autor: Adivalter Sfalsin

O Poder da Gratidão: Encontrando Contentamento no Presente

Em Provérbios 30:8-9, o escritor ora fervorosamente: “Afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me apenas o pão de cada dia. Senão, tendo demais, te negaria e diria: ‘Quem é o Senhor?’ Ou, tendo menos, eu me tornaria ladrão e desonraria o nome do meu Senhor.”

Esta oração levanta uma questão crucial: Estamos satisfeitos com o nosso pão diário, ou estamos incessantemente perseguindo o vento?

A sociedade atual parece estar obcecada com direitos, ignorando as obrigações. Ela transita de ordens pré-estabelecidas para a desordem total, dos deveres para os direitos do indivíduo, e da obediência a autoridades pré-estabelecidas para a autodeterminação. Em meio a essa mudança cultural, o conceito de gratidão parece escasso. Muitas vezes, sentimo-nos com direito a restituição por injustiças passadas ou exigimos afirmação de nossas identidades auto-percebidas, negligenciando a virtude da gratidão e a própria realidade de quem somos.

O sábio pregador em Provérbios busca equilíbrio em sua oração. Ele não deseja nem riqueza excessiva nem pobreza extrema, reconhecendo os perigos de ambos, que podem afastá-lo do Senhor. Ele entende que um excesso de riquezas pode levar ao esquecimento do Senhor, enquanto a pobreza pode tentar alguém a desonrar o Senhor através da desonestidade.

A busca por equilíbrio é relevante hoje como foi na antiguidade. A gratidão é a pedra angular do contentamento e da alegria, independentemente da abundância material. A ingratidão, por outro lado, gera descontentamento, levando as pessoas a ignorar suas bênçãos e a buscar perpetuamente mais, numa perseguição ao vento.

Fatores psicológicos contribuem para essa predisposição. Os seres humanos se adaptam rapidamente a circunstâncias positivas, levando à desvalorização de bênçãos que antes eram apreciadas. O pensamento comparativo fomenta a ingratidão quando as pessoas percebem os outros como tendo mais do que eles. Uma sociedade que prega somente o direito do indivíduo alimenta ainda mais a ingratidão, enquanto a dissonância cognitiva e o medo da vulnerabilidade de ser grato a alguém inibem expressões de gratidão.

Ao contrário, um coração grato promove uma visão positiva da vida. Provérbios 15:13 afirma de forma apropriada: “Um coração alegre deixa o rosto feliz, mas a tristeza deixa o coração abatido.”

Em Provérbios 30:8-9, o pedido do escritor por “mas dá-me apenas o meu pão diário” implica que aprender a valorizar o que se tem no momento presente, independentemente do que os outros possam ter ou do que se poderia alcançar. Compreender plenamente que a vida se desenrola no “agora”, o único momento verdadeiramente seguro que possuímos. O passado é apenas memória, o futuro é incerto; portanto, só podemos viver e aproveitar o presente. Sou grato por acordar todas as manhãs com saúde e cercado por aqueles que me amam. Quando percebemos que o que temos é apenas o momento presente, que o passado e o futuro são construções da mente, e que nossa perspectiva é moldada pela porção diária de bênçãos que o Senhor nos concede, é quando a verdadeira transformação começa. Quanto aos meus planos e sonhos, eles continuam a existir e devem ser perseguidos? Sim, mas não são o propósito último da vida. Eles podem ser boas motivações para nos manter no caminho certo, mas é na gratidão pelo presente que encontramos a verdadeira plenitude.

É interessante notar que o Senhor requer que demos graças após termos comido. Deuteronômio 8:10 diz: “E comerás e te fartarás, e bendirás ao Senhor teu D-us pela boa terra que te deu.” Embora, através da tradição, tenhamos alterado este mandamento e muitas vezes agradecemos ao Senhor antes de comermos, perdendo o propósito principal da bênção. Nossa inclinação natural é esquecer do Senhor quando tudo está bem, quando estamos saciados, e buscá-lo quando precisamos de algo. Portanto, criar o hábito de agradecer ao Senhor quando estamos saciados nos ensina que mesmo na abundância precisamos agradecê-lo e buscá-lo, reconhecendo que tudo o que temos e somos vem Dele.

Em última análise, praticar gratidão e empatia pode transformar perspectivas, promovendo contentamento e alegria em meio às incertezas da vida. Ao abraçar o conceito de “pão diário”, as pessoas podem cultivar um espírito de gratidão, levando a uma existência mais plena e significativa.

Autor: Adivalter Sfalsin De Assis

Quando o Sofrimento Bate à Sua Porta Parte 1

 

O sofrimento é uma faceta inegável da experiência humana; é o crisol que molda nossas vidas. Como diz o ditado, “Se você não sofreu, não viveu verdadeiramente.” Mas, em meio ao sofrimento, podemos encontrar algum significado?

É importante notar, especialmente se você estiver enfrentando um problema profundo no momento, que estas palavras não têm a intenção de te dar uma solução fácil para o seu sofrimento. Em vez disso, buscam trazer alguma racionalidade ao que muitas vezes parece ilógico. O sofrimento transcende status social, religião, etnia e gênero. É o grande nivelador, nos colocando todos no mesmo patamar é o rolo compressor que nos nivela ao mesmo nível.

Quando a tragédia acontece, experiências únicas se desdobram, desde o afastamento por falta de compreensão até tentativas desajeitadas de conforto, que muitas vezes aumentam inadvertidamente o sofrimento. Além disso, pessoas bem-intencionadas podem oferecer explicações baseadas em conceitos como recompensa e punição, controle divino e lições de vida.

A história bíblica de Jó ilustra essa dinâmica. Seus amigos – Elifaz, Bildade e Zofar – supostos consoladores, ecoam temas comuns de justiça divina e retribuição em suas tentativas de explicar o sofrimento de Jó. No entanto, os desafios de Jó levam a uma profunda exploração do sofrimento, fé e justiça divina.

1. **Recompensa e Punição:** Elifaz, baseando-se em sua experiência pessoal e tradição, sugere que o sofrimento é uma consequência do pecado. Ele aconselha Jó a buscar o perdão de Deus para aliviar seu sofrimento. Bildade e Zofar oferecem argumentos semelhantes, enfatizando a justiça divina e insistindo que o sofrimento de Jó é resultado de seus pecados.

2. **Deus está no Controle:** Elifaz, Bildade e Zofar argumentam implicitamente que Deus governa os assuntos humanos e que o sofrimento pode ser atribuído à justiça divina. Eles sugerem que o sofrimento de Jó não é aleatório, mas uma consequência de suas ações ou pecados, implicando que Deus está ativamente envolvido em sua vida.

3. **Ensinar uma Lição:** Os amigos de Jó sugerem que suas dificuldades são uma forma de disciplina divina, destinada a trazer arrependimento ou crescimento espiritual. No entanto, Deus os repreende por suas tentativas equivocadas de explicar o sofrimento de Jó.

As suposições dos amigos de Jó sobre o sofrimento se mostram equivocadas. Eles simplificam demais as complexidades da experiência humana e não consideram o mistério dos caminhos de Deus. Suas tentativas de explicar o sofrimento apenas aumentam a angústia de Jó.

Sua jornada com Deus será inevitavelmente moldada pelo sofrimento. Algumas das verdades teológicas podem enfrentar desafios profundos quando a adversidade chega. Em momentos assim, certas crenças oferecem pouco consolo, pois seu encontro pessoal com o sofrimento estabelece uma relação direta e íntima com Deus. Embora isso não signifique necessariamente que Ele causou seu sofrimento, apresenta uma oportunidade única para se aproximar Dele e experimentar Seu amor e cuidado em primeira mão.

Durante essa jornada, você pode lidar com sentimentos de abandono ou desapontamento para com Deus. Essas emoções são naturais e podem levá-lo mais perto Dele, mesmo quando sua mente racional luta para compreender. O sofrimento tem o poder de transformar sua perspectiva, permitindo que você veja Deus de maneiras nunca antes imaginadas.

Além disso, dentro do reino da dor e do sofrimento, reside um privilégio profundo e muitas vezes não reconhecido. Ele serve como um forno que revela sua verdadeira essência e forja em você uma resiliência que capacita a ajudar outros que enfrentam desafios na vida. Nesses momentos de angústia sua verdadeira essência é exposta.

Quando confrontados com o sofrimento de alguém, é crucial oferecer cuidado genuíno, compreensão e apoio. Isso inclui ouvir ativamente, empatia e assistência prática. Evite oferecer explicações simplistas ou conselhos não solicitados. Em vez disso, esteja presente e ofereça apoio contínuo. De outra forma podemos cometer o mesmo erro dos amigos de Jó, sermos repreendidos por Deus em nossas tentativas equivocadas de explicar o sofrimento. (Jó 42:7-9). O sofrimento não necessita de explicação mas de empatia. 

Ao lidar com o sofrimento de alguém, é crucial oferecer cuidado genuíno, compreensão e apoio. Isso envolve não apenas empatizar com sua dor, mas também ajudá-los ativamente de maneiras práticas para aliviar seus fardos e proporcionar conforto. Aqui estão algumas maneiras de oferecer assistência significativa àqueles que lutam contra a adversidade:

Ouvir Ativamente e Apoio Emocional: Dedique tempo para ouvir ativamente os sentimentos e preocupações da pessoa sem julgamento ou interrupção. Crie um espaço seguro onde ela possa se expressar livremente, sabendo que suas emoções são válidas e respeitadas. Ofereça palavras de empatia e encorajamento, deixando-os saber que não estão sozinhos em suas lutas.

Assistência Prática: Estenda uma mão amiga oferecendo assistência prática para aliviar alguns dos desafios diários da pessoa. Isso poderia envolver tarefas como: preparar as refeições, Acompanhar em compromissos médicos, Assistência financeira, Oferecer transporte ou ajudar nas tarefas domésticas. Ao aliviar seus fardos de maneira tangível, você mostra que se importa e está disposto a apoiá-los em suas dificuldades.

Fornecimento de Recursos e Informações: Ofereça informações sobre recursos disponíveis e serviços de apoio que possam ser benéficos para o bem-estar da pessoa. Isso poderia incluir recomendar serviços de terapia ou aconselhamento, fornecer informações sobre grupos de apoio ou organizações comunitárias, ou conectá-los com profissionais relevantes que possam oferecer assistência especializada.

Acompanhamento: Acompanhe a pessoa em consultas ou reuniões, oferecendo sua presença e apoio durante momentos difíceis. Sua solidariedade e defesa podem oferecer conforto e segurança durante momentos desafiadores.

Oferecendo Suporte Financeiro: Se possível, forneça assistência financeira para ajudar a aliviar qualquer tensão financeira causada pelo sofrimento da pessoa. Isso poderia envolver oferecer para cobrir despesas como contas médicas, compras de supermercado ou contas de serviços públicos, ou fornecer apoio financeiro de outras maneiras práticas que atendam às suas necessidades específicas.

Respeitando Limites e Autonomia: Respeite a autonomia e os limites da pessoa, reconhecendo que eles podem ter preferências ou limitações em relação ao tipo e extensão da assistência que se sentem confortáveis em receber. Sempre busque o consentimento e a opinião deles antes de oferecer ajuda, e esteja atento às suas preferências e necessidades individuais.

Presença e Apoio Contínuos: Mantenha contato regular com a pessoa, verificando-os periodicamente para oferecer apoio e encorajamento contínuos. Sua presença e apoio contínuos podem oferecer conforto e segurança enquanto eles navegam por suas lutas.

Lembre-se, oferecer ajuda a alguém que está sofrendo não se trata de resolver seus problemas ou fornecer soluções fáceis. Trata-se de ser uma presença compassiva e oferecer assistência prática e apoio nas maneiras mais significativas e úteis para a pessoa. Sua bondade, empatia e disposição para ajudar podem fazer uma diferença significativa em sua jornada rumo à cura e à resiliência.

Em tempos de sofrimento, Jesus oferece palavras de conforto e encorajamento. Em Mateus 11:28-30, ele convida aqueles que estão cansados e sobrecarregados a encontrar descanso nele. Sua promessa de alívio e companheirismo serve como um farol de esperança em meio às provações da vida.

Lembre-se, embora o sofrimento possa testar nossa fé e resiliência, ele também tem o poder de forjar compaixão, força e sabedoria. Abrace a jornada, pois muitas vezes é nas profundezas do sofrimento que descobrimos a verdadeira essência de nossa humanidade.

Autor: A De Assis

Qual o propósito da vida?

Qual o propósito da vida?

É indiscutível que todos nós em algum momento de nossas vidas vamos fazer essa pergunta crucial para entender se a vida vale mesmo a pena. Enquanto a bíblia não responde diretamente a essa pergunta, certamente responde de forma indireta.

Deuteronômio 20:1-8 nos relata um episódio de preparação para a guerra, antes de sair os líderes os oficiais deveriam se dirigir às tropas a véspera da batalha e dizer a quatro tipos de pessoas que voltem para casa e não lutem. Abaixo o texto:

1 Quando saíres à peleja contra teus inimigos, e vires cavalos, e carros, e povo maior em número do que tu, deles não terás temor; pois o SENHOR teu Deus, que te tirou da terra do Egito, está contigo.
2 E será que, quando vos achegardes à peleja, o sacerdote se adiantará, e falará ao povo,
3 E dir-lhe-á: Ouvi, ó Israel, hoje vos achegais à peleja contra os vossos inimigos; não se amoleça o vosso coração: não temais nem tremais, nem vos aterrorizeis diante deles,
4 Pois o Senhor vosso Deus é o que vai convosco, a pelejar contra os vossos inimigos, para salvar-vos.
5 Então os oficiais falarão ao povo, dizendo: Qual é o homem que edificou casa nova e ainda não a consagrou? Vá, e torne-se à sua casa para que porventura não morra na peleja e algum outro a consagre (text no hebraico significa – inaugurar).
6 E qual é o homem que plantou uma vinha e ainda não a desfrutou? Vá, e torne-se à sua casa, para que porventura não morra na peleja e algum outro a desfrute.
7 E qual é o homem que está desposado com alguma mulher e ainda não a recebeu? Vá, e torne-se à sua casa, para que porventura não morra na peleja e algum outro homem a receba.
8 E continuarão os oficiais a falar ao povo, dizendo: Qual é o homem medroso e de coração tímido? Vá, e torne-se à sua casa, para que o coração de seus irmãos não se derreta como o seu coração.

Quem são essas pessoas?
Tipo 1.
Versículo 5: Quem construiu para si uma nova casa mas ainda não viveu nela.
Tipo 2.
Versículo 6: Quem plantou uma vinha e ainda não a desfrutou.
Tipo 3.
Versículo 7: Quem está noivo, prestes a casar-se.
Tipo 4.
Versículo 8: Quem é medroso e de coração tímido.

Ao compararmos os 4 tipos fica bem claro que o último é bem diferente de todos os outros. Ele vai para casa para o bem da comunidade. Ele é o covarde e tem medo, a covardia é contagiosa e porque não queremos que os outros soldados fiquem assustados e sejam contagiados então mandá-lo para casa é melhor para o bem comum. Mas ao observamos os outros três, existe um imperativo privado, o motivo pelo qual eles deveriam ir para casa não tem nada a ver com os interesses da comunidade, tem a ver com os interesses próprios. Então devemos colocá-los na mesma categoria – motivo privado.

A pessoa que construiu uma casa para si e ainda não morou deve ir para casa, por quê? Porque seria uma tragédia se ele morresse na guerra e não tivesse a chance de desfrutá-la. O mesmo aplica-se ao noivo e ao que plantou a vinha, mas todos esses motivos são pessoais. Como podemos justificar ou entender a ideia da comunidade dispensar um soldado da batalha baseado na necessidade individual e particular?

Conforme o relato da passagem o soldado que plantou uma vinha, mas não teve a chance de provar os frutos, devemos deixá-lo ir para casa desfrutar os frutos de sua vinha. Mas por quê?
A justificativa é: “para que ele não morra em batalha” e outra pessoa tome, assuma sua vinha e desfrute do seus frutos.

De alguma forma, se você alcançar um desses objetivos e provar os frutos desse sucesso, poderá sentir que não há problema em morrer depois, portanto a ordenança de enviar o soldado que está prestes a realizar seu sonho para casa. Porque quando você está tão perto de ter alcançado algo tão significativo isso te ajuda a transcender a morte, seria realmente uma tragédia morrer e não ter alcançado seus objetivos tão eminentes.

Para a maioria de nós essa decisão de mandar alguém para casa para desfrutar do seus sonhos e projetos não faz o menor sentido. Se ele morrer, para ele não importa quem vai tomar conta da sua vinha, morar na sua casa ou casar-se com sua noiva. Afinal ele não saberá quem está seu lugar, para o morto isso não tem a menor importância. Mas, a bíblia parece tomar um outro rumo e tem uma ideia diferente da nossa. Me parece que está sutilmente indicando que há algo pior do que a própria morte, afinal todos vamos morrer um dia. Esse “algo pior” é morrer sem alcançar um objetivo final após anos de empenho e dedicação, isso seria uma terrível tragédia. Vemos isso claramente quando um jovem ou criança morre, porque havia tanto para conquistar, tantas alegrias que poderiam ser vividas, tantos relacionamentos que poderiam ser cultivados.
Existe uma dimensão maior do que a morte e transcendente dentro de nós. Para sabermos se vale a pena viver temos que paradoxalmente perguntar: Há algo pelo qual eu estou disposto a morrer? Se a resposta for sim, isso quer dizer que você encontra seu propósito de vida fora de você mesmo, a sua vida é representada por algo que está disposto a morrer, seja o que for; D-us, país, amor, familia, crença vemos que há algo transcendente que é maior do que você mesmo e vem fora de você. Portanto, mesmo que não morra por isso, está vivendo em função disso, tenho algo que me motiva a viver.
Agora quais são os motivos pelo qual deveríamos viver? Esse texto sugere 3 razões convincentes, 3 marcos emblemáticos:

1- Construir uma casa,
2- Plantar uma vinha,
3- Casar-se

Mas de onde o texto obtém essas três ideias? São ideias aleatórias? Qual sua origem? Sugiro voltarmos ao evento da própria criação humana. Logo no início em Genesis 1:27 “ E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

Primeiro D-us, o grande criador, cria o mundo, o universo, e esse universo torna-se a casa para a humanidade. D-us constrói uma casa.
A segunda coisa que Ele faz é plantar um jardim maravilhoso.
Em terceiro lugar, Ele coloca o homem no jardim onde junto com Ele, dessa forma D-us pode relacionar-se com o homem. Ambos no jardim compartilham uma relação pessoal nesse lugar maravilhoso.
Deus fez três coisas, na mesma ordem de Gênesis a Bíblia descreve aqui em Deuteronômio:
1- Constrói uma casa – o próprio universo.
2- Planta um jardim – este maravilhoso.
3- E coloca o ser que Ele ama naquele jardim para se relacionar com ele.

Como somos feitos na imagem e semelhança de D-us fazemos o mesmo sem mesmo notar,
D-us criou coisas porque eram significativas para Ele, nós as fazemos porque são significativas para nós.
Uma vez que você tem uma casa abre-se outras possibilidade, agora você também pode ter um jardim. O jardim é um lugar especial; uma casa é utilitária porque você tem necessidade de um abrigo para lhe protejer do sol e da chuva, mas um jardim é distinto, é maravilhoso, é estético, é lindo, é sua área de lazer.
O jardim também abre outras possibilidades, agora que voce tem a casa e o jardim então você pode dividi-lo com alguém especial, alguém que você ama e quer dar o melhor do fruto do seu trabalho.

D-us fez exatamente isso com o homem quando o convidou para visitar o jardim todos os dias no final da tarde (Gen 3:8) para compartilhar dos frutos maravilhosos do jardim; fazemos o mesmo quando nos casamos queremos compartilhar a generosidade de nossas vidas com um cônjuge, com nossa família.

Quando faço isso alcanço o terceiro marco da vida que me dá razão suprema para viver. Conforme o texto de Deuteronômio 20 parece que cada um desses marcos é o suficiente para dar razão para viver, mas verdadeiramente marcos 1 e 2 são uma progressão ao terceiro e maior marco: relacionamentos.

Essas três coisas são realmente nobres nelas mesmas, por meio das quais nós, seres humanos, encontramos razão para estarmos vivos que é um tipo de mecanismo para “enganar” a morte. Construindo, plantando e acima de tudo, relacionando-se. De todos os relacionamentos que temos o mais significativo é com o nosso Criador que nos completa, foi para isso que Ele nos criou. Ele construiu uma casa – o universo, plantou um jardim – a terra, e nos colocou aqui para termos uma relação direta com ele. É impossível ser um “ser humano” completo sem a presença de D-us, somos 100% humanos quando nos relacionamos com o Divino.

Esse artigo é baseado num video recente que assisti do Rabbi David Fohrman onde ele faz uma exposição desse texto em Deuteronômio.

 

Autor: A Sfalsin