Intimidade com D‑us

Dia 38 – Intimidade com D‑us

📅 Semana 6 – Conexão, Relacionamentos e Aliança

Tema: Cultivar relacionamento com o Eterno

Há relacionamentos formais, distantes, superficiais e há conexões profundas que transformam a alma. Nem todo relacionamento é íntimo. E com D‑us, não é diferente. Há quem o conheça de ouvir falar, de ler sobre Ele, de escutar sermões ou participar de cultos com frequência. Mas ainda não teve com Ele um encontro pessoal, secreto e transformador.

Intimidade não nasce da distância. Ela não floresce na correria nem na repetição mecânica. Intimidade com D‑us se constrói com tempo, silêncio, vulnerabilidade, escuta e entrega. Ela brota na quietude de um coração que se coloca disponível, mesmo sem palavras. Cresce quando deixamos de tentar impressionar e passamos a simplesmente estar.

Hoje, a Contagem do Omer nos chama a dar um passo além da religiosidade. A proposta é ousada e íntima: cultivar um relacionamento real com o Criador do universo. D‑us não é uma ideia filosófica ou uma força impessoal. Ele é uma Pessoa que deseja ser conhecida. Ele fala, escuta, responde, espera. Ele tem segredos, desejos, sentimentos. Ele se entristece, se alegra, se move por amor.

Ele nos criou para comunhão, não para ritualismo. Para relacionamento, não para formalismo. Não basta fazer coisas para Ele, se não paramos para estar com Ele. Não basta falar dEle, se não sentamos a sós para escutá-lo. A intimidade exige que abramos espaço. Espaço no tempo. Espaço na alma. Espaço no coração.

💭 Intimidade começa onde termina a pressa.

💭 Ela não exige perfeição, apenas verdade.

💭 E quanto mais nos aproximamos dEle, mais conhecemos a nós mesmos.

✨ Foco prático do dia:

Separe hoje um momento exclusivamente seu com D‑us. Desligue o celular, feche a porta, abra o coração. Ore, escreva, leia os Salmos ou apenas fique em silêncio, e permita que Ele fale.

📖 Tanakh – Salmos 25:14

“O segredo do Senhor é para os que o temem, e ele lhes fará saber a sua aliança.”

Esse versículo é uma chave espiritual. O Eterno tem segredos reservados aos que o reverenciam com amor e humildade. Não se trata de medo, mas de uma admiração que gera aproximação. Quem teme a D‑us com sinceridade é convidado à intimidade. Ele revela Sua aliança aos que escolhem estar perto.

📖 Novo Testamento – Tiago 4:8

“Chegai-vos a D‑us, e ele se chegará a vós.”

Tiago nos ensina que a intimidade é uma escolha de ambos os lados. D‑us está pronto para se aproximar, mas espera que demos o primeiro passo. Quando nos voltamos a Ele com sinceridade, Ele responde com presença. Intimidade com D‑us não é para os apressados, mas para os que param tudo para estar com Ele.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

💭 Estou mais preocupado em fazer coisas para D‑us ou em estar com Ele?

💭 Quando foi a última vez que desliguei tudo só para estar a sós com o Criador?

💭 Tenho tratado minha relação com D‑us como prioridade ou como mais um item da agenda?

Hoje, pare tudo. Vá ao lugar secreto, o espaço onde só vocês dois se encontram. D‑us está te esperando, não para cobrar, mas para se revelar. Intimidade não se força, se permite. E quando você decide buscar, Ele decide se mostrar.

Vamos juntos?

O Dia 38 da Contagem do Omer nos desafia a não apenas crer em D‑us, mas conhecê-lo. E mais: desfrutar da amizade dEle. Intimidade não é luxo espiritual, é necessidade da alma. E nesse lugar secreto, tudo muda. Porque onde há presença, há transformação.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

Com fé n’Ele,

Adivalter Sfalsin

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Teologia da Substituição

Teologia da Substituição

Uma Narrativa Incompleta e Perigosa

A chamada “Teologia da Substituição” ensina que a Igreja substituiu Israel nas promessas e propósitos de D‑us. Em sua forma mais simples, essa doutrina declara que o povo judeu, ao rejeitar Jesus como Messias, foi rejeitado por D‑us, sendo a Igreja agora o “novo Israel”, herdeira das alianças, das bênçãos e da missão salvífica. Essa visão não é apenas teologicamente frágil, ela é historicamente danosa e espiritualmente empobrecedora. Ela se sustenta em cinco pilares principais: 

  1. D‑us rejeitou o povo judeu como instrumento dos Seus propósitos por terem rejeitado o Messias; 
  2. As alianças feitas com os patriarcas foram anuladas; 
  3. A Igreja assumiu o lugar de Israel como povo da aliança; 
  4. Todas as promessas feitas a Israel agora pertencem à Igreja; e 
  5. O moderno Estado de Israel não tem qualquer relevância especial nos planos divinos.

Essa teologia moldou séculos de doutrina cristã, influenciou decisões políticas e alimentou um antissemitismo teológico sutil, mas devastador. Basta abrir a Bíblia para perceber algo revelador: a divisão entre “Velho” e “Novo” Testamento. Essa separação, embora aparentemente neutra, carrega uma carga cultural que posiciona o Antigo como ultrapassado e o Novo como superior. Muitos absorvem inconscientemente a ideia de que o Antigo Testamento é uma sombra descartável, e que Israel perdeu sua relevância. Mas essa separação entre os testamentos não foi feita desde o início. Nos primeiros tempos da igreja, a única “Bíblia” usada era o que hoje chamamos de Antigo Testamento. A distinção entre “Antigo” e “Novo” começou a surgir por volta do século II, especialmente como reação a um homem chamado Marcião, que tentou rejeitar completamente o Antigo Testamento e excluir o D‑us de Israel da fé cristã. A Igreja, em resposta, começou a organizar melhor os escritos apostólicos e adotou os termos “Antigo” e “Novo Testamento”. Contudo, a forma como essa separação foi estabelecida acabou reforçando um viés antissemita. O “Antigo” passou a ser visto como judaico, imperfeito, enquanto o “Novo” foi exaltado como espiritual, cristão, superior. Essa dicotomia falsa criou uma teologia em que o Novo cancela o Antigo, quando, na verdade, eles estão profundamente conectados. O Novo cumpre o que o Antigo prometeu. Essa leitura promove um orgulho espiritual que distancia o cristão de suas raízes bíblicas e deturpa o caráter do próprio D‑us.

Essa herança de descontinuidade entre os testamentos teve efeitos práticos desastrosos. Durante séculos, o cristianismo institucional contribuiu para perseguições contra os judeus, acusando-os de “deicidas” e negando sua continuidade como povo da aliança. Esse tipo de teologia influenciou desde sermões medievais até políticas públicas, e até hoje afeta a forma como o povo judeu é visto no contexto cristão. Em vez de enxergar Israel como raiz viva da fé, muitos ainda o tratam como escombro do passado.

Boa parte dessa distorção vem da influência da filosofia grega sobre a teologia cristã. A tradição helenística, presente nos escritos dos chamados “pais da igreja”, Clemente de Alexandria, Justino Mártir, Basílio e Agostinho, reinterpretou a Bíblia com categorias filosóficas. D‑us passou a ser visto como uma “Primeira Causa”, um “Ser Perfeito”, inatingível, com atributos abstratos e impessoais. Em contraste, a Bíblia apresenta um D‑us pessoal, envolvido na história, que escolhe uma família, a de Abraão, e com ela estabelece um relacionamento íntimo, com promessas específicas, mandamentos concretos e presença real. Essa escolha foi o início de uma missão redentora universal, mas que passa pelo particular. Como Ele disse a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12:3).

A Teologia da Substituição ignora que a aliança com Abraão foi unilateral. Em Gênesis 15, D‑us ordena a Abraão que prepare animais para um pacto, um ritual comum na antiguidade em que duas partes passavam entre os corpos partidos, assumindo obrigações mútuas. Mas, nesse caso, Abraão é colocado para dormir: 

“E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão…” (Gênesis 15:12).

Ele não passa entre os animais. Apenas D‑us o faz, representado por um fogo. Isso significa que Ele mesmo arcaria com as consequências do pacto, mesmo sabendo que o homem falharia. Mais tarde, Ele reafirma: 

“Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência… por aliança perpétua” (Gênesis 17:7). 

A palavra hebraica para “perpétua” é olam (עוֹלָם), que significa eternidade, continuidade, tempo indefinido. O Novo Testamento usa o termo grego aiōn (αἰών), como em Hebreus 13:8: 

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente”. 

Se D‑us pode romper uma aliança que chamou de eterna, como confiar que manterá Sua promessa de vida eterna para conosco?

Outro erro grave da teologia substitucionista é tratar Israel como uma sombra que perdeu sua função após Cristo. O teólogo Robert Reymond, por exemplo, escreveu que todas as promessas feitas à terra de Israel devem ser vistas como sombras, e que os cristãos são os verdadeiros herdeiros dessas promessas. Isso apaga a raiz da fé cristã. Paulo advertiu: “Não te glories contra os ramos, e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti” (Romanos 11:18). E reforça: “Porventura rejeitou D‑us o seu povo? De modo nenhum” (v.1). “O endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado” (v.25). A eleição de Israel está em suspensão parcial, com propósito. A rejeição não é total, nem definitiva. É fundamental reconhecer que, se o evangelho chegou até os gentios, isso se deu por meio de uma minoria fiel do povo judeu. Foram judeus que escreveram o Novo Testamento, que pregaram em Jerusalém e além, que sofreram perseguições e espalharam a mensagem do Messias. Negar a centralidade de Israel é ignorar a própria origem da fé cristã.

A teologia da substituição promove uma narrativa truncada: D‑us criou o mundo, o homem pecou, então enviou Jesus para salvar. Mas essa versão ignora a centralidade de Israel. A perspectiva hebraica vê a Bíblia como uma história contínua, com início, meio e fim. D‑us escolheu um povo para abençoar todas as nações, fez alianças com Noé, Abraão, e Israel, renovando-as ao longo da história. O Messias, descendente de Abraão e Davi, veio para cumprir essas promessas. Yeshua disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas, não vim para revogar, mas para cumprir” (Mateus 5:17). Ele não veio substituir, mas revelar a plenitude daquilo que já estava em andamento.

Ao contrário do D‑us abstrato dos filósofos, o D‑us de Israel: 

1- Liberta (Êxodo 20:2) 

2- Habita entre o povo (Êxodo 29:46)

3- Santifica (Levítico 11:45)

4- Sustenta órfãos e viúvas (Salmo 146:9)

5- E continua chamando Israel de “meu povo” (Romanos 11:1). 

Ele caminha com Seu povo, não os abandona.

Paulo, após seu encontro com Yeshua, jamais abandonou sua identidade judaica. Ele guardava o sábado (Atos 13:14), circuncidou Timóteo (Atos 16:3), e sua Bíblia era o Tanakh. Sua teologia não substitui Israel, mas inclui os gentios no plano divino. “Vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa…” (Efésios 2:12). Agora, por meio de Yeshua, fomos enxertados, não como substitutos, mas como participantes. Reconhecer o papel contínuo de Israel na história da redenção não é apenas uma questão teológica, mas uma postura de humildade espiritual. É aceitar que fomos enxertados numa história que começou muito antes de nós, e que ainda está em andamento. É também um antídoto contra o orgulho religioso que, ao longo da história, gerou divisão, perseguição e cegueira espiritual.

A Teologia da Substituição apresenta um D‑us incoerente, que quebra alianças eternas. A aliança com Israel é unilateral, perpétua e irrevogável. Nós, gentios, fomos enxertados na oliveira cultivada, mas a raiz continua sendo Israel. Ignorar isso é não apenas ingratidão espiritual, mas um erro exegético. Como Paulo advertiu: “Não quero, irmãos, que ignoreis este segredo… para que não presumais de vós mesmos” (Romanos 11:25). Que sejamos humildes e gratos à fidelidade de D‑us, que jamais rejeitou Seu povo, e jamais quebrará Sua palavra.

Adivalter Sfalsin

Unidade na Diversidade

Dia 37 – Unidade na Diversidade

📅  Semana 6 – Conexão, Relacionamentos e Aliança

Tema: Conexão sem uniformidade

Vivemos em um mundo onde a diferença muitas vezes é vista como ameaça, e não como riqueza. Mas a aliança, na visão bíblica, não exige que todos sejam iguais, pensem igual ou ajam da mesma forma. Ela convida à comunhão sem imposição, à convivência sem necessidade de controle. A verdadeira conexão se dá quando escolhemos estar juntos apesar, e por causa, das nossas diferenças.

A Contagem do Omer hoje nos conduz a uma lição poderosa: a unidade não é uniformidade. D‑us não criou todos iguais, e isso não foi erro, foi arte. Cada pessoa carrega um tom, uma forma, um jeito único de refletir a luz do Criador. E quando essas cores se unem, o que se forma é uma imagem mais completa da beleza de D‑us.

💭 Ser diferente não é problema, é propósito.

💭 O desafio está em amar o outro sem precisar moldá-lo à sua imagem.

💭 O convite está em honrar a diversidade como parte essencial da aliança.

✨ Foco prático do dia:

Abrace hoje a diferença de alguém próximo a você. Faça um elogio sincero a uma qualidade que é diferente da sua.

📖 Tanakh – Salmos 133:1

“Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!”

Este salmo curto, porém profundo, nos mostra que há doçura e prazer onde há comunhão. Não se fala aqui de concordância total, mas de convivência harmoniosa. A união dos “irmãos” é agradável aos olhos de D‑us justamente porque acontece entre pessoas distintas que escolhem viver como família espiritual.

📖 Novo Testamento – 1 Coríntios 12:12

“O corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, formam um só corpo.”

Rav Shaul (Paulo) usa a metáfora do corpo para expressar a importância da diversidade na comunidade de fé. Um corpo onde tudo fosse igual não funcionaria. A mão não é o olho, e ainda assim ambas são essenciais. Cada parte tem seu lugar, sua função, sua dignidade. Quando entendemos isso, paramos de competir e começamos a cooperar.

Reflexão para aplicar hoje:

💭 Tenho valorizado quem é diferente de mim ou me fecho em círculos de afinidade?

💭 Em que momento recente fui tentado a rejeitar alguém por pensar ou agir diferente?

💭 Como posso contribuir para um ambiente mais unido, mesmo em meio à diversidade?

A beleza da aliança está em se unir mesmo sem ser igual. A maturidade espiritual aparece quando conseguimos amar não apenas os que nos entendem, mas também os que nos desafiam a crescer. Hoje, pratique o olhar que acolhe. O gesto que conecta. A palavra que une.

Vamos juntos?

O Dia 37 da Contagem do Omer nos desafia a ver D‑us na diversidade e a refletir a unidade dEle por meio da comunhão. Não é sendo iguais que nos tornamos um, mas sendo um mesmo sendo diferentes. E isso é um testemunho poderoso.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

Com fé n’Ele,

Adivalter Sfalsin

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