Misericórdia Acima da Justiça

🗓️ Dia 6 – Bondade e Amor Incondicional

Semana 1: Misericórdia Acima da Justiça

Você já se sentiu no direito de exigir justiça? Talvez alguém te magoou profundamente. Talvez palavras foram ditas que deixaram marcas. Ou atitudes inesperadas quebraram a confiança. Nesses momentos, o coração clama por reparação. Queremos justiça, sim — mas o céu hoje te convida a algo maior: misericórdia.

✨ Foco prático do dia: Perdoar e ser compassivo.

Perdoar não é esquecer. É decidir que você não será mais refém da dor. É abrir mão de um julgamento legítimo e oferecer ao outro o que D-us te oferece todos os dias: compaixão imerecida.

📖 “Quem é como tu, ó D-us, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da transgressão…? Porque tem prazer na misericórdia.”

Miquéias 7:18

O profeta Miquéias descreve um D-us que não apenas encoraja o perdão, mas tem prazer em perdoar. Isso nos confronta. Será que temos prazer em oferecer misericórdia, ou apenas fazemos isso com esforço e relutância?

📖 “Sede misericordiosos, como também é misericordioso o vosso Pai.”

Lucas 6:36

Jesus não está apenas sugerindo: Ele está nos chamando a imitar o Pai. E se queremos refletir a imagem dEle, a misericórdia não pode ser opcional. É o nosso chamado.

🌿 Reflexão para aplicar hoje:

Hoje, o desafio é claro e direto:

Escolha perdoar. Escolha ser misericordioso.

Talvez alguém te feriu esta semana — com palavras, com frieza, com ausência. Talvez foi algo que aconteceu há anos. Ou talvez o que você precisa hoje é pedir perdão, reconhecendo onde falhou.

A misericórdia verdadeira não espera o outro merecer. Ela age primeiro. Ela interrompe o ciclo da dor com graça. Isso não significa ignorar o erro, mas sim libertar o próprio coração da prisão da mágoa.

💭 Posso hoje escolher misericórdia acima da justiça?

💭 Sou capaz de oferecer ao outro o que tanto recebo de D-us?

Você pode descobrir que, ao liberar perdão, não está libertando o outro — está libertando a si mesmo.

Vamos juntos?

Dia 6 da Contagem do Omer nos desafia a elevar a misericórdia acima da justiça. Porque o D-us que servimos não nos tratou segundo nossos méritos, mas segundo o seu amor.

Amanhã, ao pôr do sol, seguimos com mais um passo dessa jornada de transformação.

Adivalter Sfalsin

O Terceiro Dia

O Terceiro Dia

Entre a Cruz e o Pôr do Sol

Se você é como eu, provavelmente já se deparou com a seguinte pergunta: como Jesus pode ter ressuscitado ao “terceiro dia” se Ele morreu numa sexta-feira e ressuscitou no domingo? Seriam mesmo três dias e três noites, como Ele afirmou em Mateus 12:40? Esse tema tem gerado debates fervorosos entre cristãos ao longo dos séculos, e a verdade é que a Bíblia não entrega tudo mastigado. Antes de tudo, quero deixar claro: não pretendo oferecer uma resposta definitiva a essa controvérsia. Meu objetivo aqui é apresentar diferentes interpretações teológicas, analisar o contexto bíblico e histórico e, no fim, convidar você a refletir e decidir por si mesmo qual explicação faz mais sentido a luz da bíblia. Este artigo foi escrito para quem gosta de mergulhar fundo nas Escrituras, não apenas buscando respostas, mas também novas perguntas. Porque às vezes, a beleza da fé está justamente na busca.

A cronologia da Paixão: hora a hora

Jesus foi crucificado pela manhã, por volta das 9h (Marcos 15:25), durante o sacrifício matutino do Templo. Esse sacrifício, realizado diariamente às 9h, simbolizava o compromisso contínuo do povo com D-us. Jesus sendo pendurado na cruz nesse mesmo horário já é, por si só, profundamente simbólico. Ao meio-dia, houve uma escuridão sobre toda a terra (Mateus 27:45) — uma espécie de eclipse sobrenatural que durou até às 15h, momento em que Jesus entregou o espírito (Mateus 27:50). Esse horário da morte de Jesus também coincide com o sacrifício vespertino do Templo, tradicionalmente feito às 15h. Assim, Ele morre como Cordeiro Pascal, cumprindo tanto o simbolismo da Páscoa quanto o dos sacrifícios diários. Logo após Sua morte, o corpo de Jesus foi retirado da cruz e colocado no sepulcro antes do pôr do sol (por volta das 18h), pois o sábado estava prestes a começar e os judeus não podiam realizar esse tipo de atividade durante o sábado, quebrando um dos Dez Mandamentos (Lucas 23:54). Na contagem judaica, o dia começa ao anoitecer, e não à meia-noite como no nosso calendário moderno.

Entre muitas perspectiva do dia em ele foi crucificado, duas delas tem mais aderência.

Entendendo o “terceiro dia” na cultura judaica

Para compreender o que significa “terceiro dia” na Bíblia, precisamos adotar a lente da cultura judaica do primeiro século. Para eles, qualquer parte de um dia já era considerada um dia inteiro. Assim:

• Sexta-feira (mesmo que apenas algumas horas): 1º dia

• Sábado inteiro: 2º dia

• Domingo (iniciando ao pôr do sol de sábado): 3º dia

Portanto, a afirmação de que Jesus ressuscitou ao terceiro dia faz sentido dentro dessa contagem. Essa visão afirma: Jesus ressuscitou exatamente ao pôr do sol do sábado, no início do domingo judaico, o que é totalmente coerente com os relatos de que as mulheres encontraram o túmulo já vazio ao amanhecer, nosso sábado ao entardecer. E pense comigo: que simbolismo poderoso! Um novo dia começa quando a luz do sol se despede e dá lugar à noite. Assim como em Gênesis: “E foi a tarde e a manhã, o primeiro dia.” A mudança de dia à meia-noite, como adotamos hoje, é uma invenção humana e não reflete nenhuma alteração real na criação. É quase poético pensar que, no momento exato em que o sol desaparece no horizonte e o mundo entra na escuridão da noite, Jesus, a Luz do Mundo, volta à vida. A transição entre luz e trevas nunca foi tão significativa.

As duas principais interpretações sobre os “três dias e três noites”

1. Contagem inclusiva judaica

Alguns acreditam, conforme essa contagem, que Jesus morreu na sexta-feira e ressuscitou no domingo, e que isso já cumpre a promessa do “terceiro dia” com base na contagem inclusiva usada pelos judeus do primeiro século. Nessa contagem, qualquer parte de um dia já vale como um dia completo:

• Sexta-feira: 1º dia

• Sábado: 2º dia

• Domingo (desde o pôr do sol do sábado): 3º dia

Além disso, há registros bíblicos de que essa forma de contar era comum, como no caso de Ester 4:16–5:1, onde ela pede jejum de “três dias e três noites”, mas vai ao rei no terceiro dia. Essa visão também costuma incluir uma interpretação idiomática da expressão “três dias e três noites”. Alguns estudiosos explicam que, no hebraico da época, esse tipo de expressão era uma maneira de indicar um período significativo de tempo, e não necessariamente um ciclo completo de 72 horas. Ainda assim, essa leitura, embora legítima culturalmente, pode parecer relativizar as palavras exatas de Jesus em Mateus 12:40.

2. A teoria da quarta-feira da crucificação

Essa é a proposta e aderida por muitos assim como o Pastor Joaquim Teixeira, estudioso do hebraico e do grego bíblico. Segundo essa visão, Jesus foi crucificado na quarta-feira, não na sexta, o que permitiria uma contagem literal de “três dias e três noites”. De acordo com essa cronologia, Jesus teria jantado com os discípulos na noite de terça-feira (início do 14 do mês de Nissan), e sido preso, julgado, crucificado e sepultado ainda na quarta-feira, antes do pôr do sol. A quinta-feira (15 de Nissan) teria sido um sábado cerimonial — o primeiro dia dos Pães Asmos. A sexta-feira teria sido o único dia útil entre os dois sábados (o cerimonial e o semanal), quando as mulheres compraram e prepararam os aromas. O sábado seguinte foi o sábado semanal, e ao cair da noite, no início do domingo (18 de Nissan),  Jesus ressuscitou.

Assim se cumpre literalmente:

• Noite 1: Quarta à noite

• Dia 1: Quinta – sábado cerimonial

• Noite 2: Quinta à noite

• Dia 2: Sexta

• Noite 3: Sexta à noite

• Dia 3: Sábado

Jesus então ressuscita ao fim do sábado, antes do amanhecer do domingo, como em Mateus 28:1 — “no fim dos sábados”. Essa teoria permite encaixar todos os textos literalmente, sem necessidade de adaptações simbólicas.

A importância do simbolismo na ressurreição – Independentemente da teoria que mais te convença, é impossível ignorar a beleza simbólica da narrativa. Jesus morreu no momento do sacrifício da tarde, foi sepultado ao entardecer e ressuscitou — segundo creio — ao pôr do sol do sábado, na transição entre o descanso do shabat e o início do domingo judaico. Essa transição marca algo cósmico: a velha criação termina, e uma nova criação começa. O domingo se torna o “Dia do Senhor”, não por decreto humano, mas porque foi o dia em que a Vida venceu a morte.

Conclusão: fé, mistério e liberdade – A ressurreição de Jesus não é apenas um evento cronológico. É o centro da fé cristã. E embora seja fascinante explorar os detalhes — o horário exato, a contagem precisa — o que realmente importa é que Ele ressuscitou. Tenho a tendência de crer na visão da ressurreição ao pôr do sol do sábado, por sua coerência simbólica e alinhamento com o ritmo da criação. Mas, como disse no início, não estou aqui para impor uma conclusão. Talvez você se identifique com outra leitura. Talvez ache tudo isso muito técnico. Ou talvez, como eu, sinta que quanto mais mergulhamos nesse mistério, mais percebemos a profundidade do plano divino.

E você? Qual dessas visões mais ressoa com sua fé, sua leitura bíblica, sua forma de enxergar o tempo e os símbolos que D-us usa para falar conosco? Independentemente da resposta, que possamos todos viver com a certeza de que, ao terceiro dia — seja ele contado como for — a pedra foi removida, a Vida triunfou e vivemos na esperança que com Ele ressuscitaremos para entrar no mundo por vir.  

Amém por isso.

Adivalter Sfalsin

Linha do Tempo da Paixão de Cristo, para sua referência bíblica.

1- Teoria Tradicional da Sexta-feira (Contagem Inclusiva Judaica)

🗓 Quinta-feira (14 de Nisã – Tarde e Noite)

• 18:00 – Preparação para a Páscoa

📖 Lucas 22:7-13 – Jesus orienta os discípulos para prepararem a ceia pascal.

• 19:00 – Lava-pés

📖 João 13:2-5, 12-15 – Jesus lava os pés dos discípulos, ensinando humildade e serviço.

• 20:00 – Última Ceia (Celebração da Páscoa)

📖 Mateus 26:26-29 – Jesus institui a Ceia como memorial da Nova Aliança.

• 21:00 – Oração no Getsêmani

📖 Mateus 26:36-38 – Jesus sente profunda angústia e ora com os discípulos.

• 22:00 – Agonia e suor de sangue

📖 Lucas 22:43-44; Mateus 26:39 – Jesus é fortalecido por anjos.

• 23:00 – Traição de Judas

📖 Mateus 26:47-50 – Jesus é traído com um beijo.

🌙 Sexta-feira (15 de Nisã – Madrugada e Manhã)

• 00:00 – Prisão no Getsêmani

📖 Lucas 22:52-53

• 01:00 – Diante de Anás

📖 João 18:13-23

• 02:00 – Julgamento diante de Caifás e líderes religiosos

📖 João 18:24; Mateus 26:59-66; Marcos 14:55-64

• 03:00 – Pedro nega Jesus três vezes

📖 Mateus 26:69-75; Marcos 14:66-72

• 04:00 – Condenação pelo Sinédrio

📖 Lucas 22:66-71; Mateus 27:1-2

• 05:00 – Diante de Pilatos

📖 João 18:28-38; Lucas 23:1-4

• 06:00 – Audiência com Herodes Antipas

📖 Lucas 23:6-12; Isaías 53:7

• 07:00 – Zombarias e coroa de espinhos

📖 Lucas 23:13-16; João 19:1-3

• 08:00 – Pilatos tenta libertá-lo, mas o povo exige a cruz

📖 João 19:4-16; Mateus 27:24-26

🔨 Crucificação e Morte

• 09:00 – Crucificação no Calvário

📖 João 19:17; Lucas 23:26-31; Mateus 27:31-33 – Simão Cireneu ajuda a carregar a cruz.

📖 Marcos 15:25 – “Era a hora terceira quando o crucificaram.”

• 11:00 – A cruz é erguida; soldados dividem as vestes

📖 João 19:23-24; Marcos 15:24-32; Lucas 23:34-38

• 12:00 – Trevas sobre toda a terra

📖 Mateus 27:45; Marcos 15:33; Lucas 23:44

• 13:00 – Jesus fala com Maria e João; mulheres observam

📖 João 19:26-27; Marcos 15:40-41

• 14:00–15:00 – Morte de Jesus (Hora Nona)

📖 João 19:30; Lucas 23:46; Marcos 15:37

• 15:00–16:00 – Jesus é traspassado pela lança

📖 João 19:31-34

⚰ Sepultamento

• 16:00–17:00 – Corpo retirado da cruz por José de Arimateia

📖 Lucas 23:50-52; Marcos 15:42-46; Isaías 53:9-12

• 17:00–18:00 – Sepultamento antes do pôr do sol

📖 João 19:38-42; Mateus 27:60; Lucas 23:55-56

🗓 Sábado (16 de Nisã – Shabat)

• Jesus permanece no túmulo. Guardas são colocados.

📖 Mateus 27:62-66

🌅 Domingo ao Amanhecer ou sábado anoitecer (17 de Nisã)

• Mulheres encontram o túmulo vazio; Jesus já ressuscitou.

📖 Mateus 28:1-6; Marcos 16:1-6; Lucas 24:1-3; João 20:1

2 –  Teoria da Quarta-feira (Cumprimento Literal de 3 dias e 3 noites)

🗓 Terça-feira à Noite (início do 14 de Nisã)

• Última Ceia com os discípulos

• Getsêmani, prisão e julgamentos iniciais

📖 Mateus 26:17-50; João 13–18

🗓 Quarta-feira (14 de Nisã)

• Crucificação às 9h da manhã

📖 Marcos 15:25; João 19:17-18

• Trevas ao meio-dia; morte às 15h

📖 Mateus 27:45-50; Lucas 23:44-46

• Sepultamento antes do pôr do sol

📖 Mateus 27:57-61; João 19:38-42

➡️ Noite 1: Quarta à noite

➡️ Dia 1: Quinta-feira – Sábado Cerimonial (Pães Asmos)

📖 Levítico 23:6-7; João 19:31

🗓 Quinta-feira à Noite → Sexta-feira

➡️ Noite 2: Quinta à noite

➡️ Dia 2: Sexta-feira – Dia útil

📖 Marcos 16:1; Lucas 23:56 – Mulheres compram especiarias.

🗓 Sexta-feira à Noite → Sábado

➡️ Noite 3: Sexta à noite

➡️ Dia 3: Sábado – Sábado semanal

📖 Lucas 23:56b – As mulheres descansam segundo o mandamento.

🌅 Sábado ao Pôr do Sol (início do domingo judaico)

• Ressurreição de Jesus ao fim do sábado, antes do amanhecer

📖 Mateus 28:1 – “No fim dos sábados, ao começar a raiar o primeiro dia da semana…”