Primeira Fake News

Você já se perguntou qual foi a primeira fake news da história? Muito antes das redes sociais, dos algoritmos e dos deepfakes, uma mentira cuidadosamente arquitetada mudou o rumo da história — e não só da história bíblica, mas de toda a existência humana. Não, não estamos falando de uma fofoca qualquer. Estamos falando daquilo que aconteceu no Jardim do Éden, um episódio que continua ecoando até os dias de hoje. A história é conhecida, mas talvez nunca tenhamos parado para olhá-la sob essa lente: a serpente, Eva, o fruto proibido e… a mentira. Sim, aquela mentira sutil, disfarçada de verdade, foi o estopim de uma mudança de paradigma. E se olharmos bem, perceberemos que as fake news de hoje nada mais são do que ecos desse primeiro engano. Vamos mergulhar nessa história?

O Berço da Mentira – Gênesis 3 nos apresenta um diálogo aparentemente inocente, mas profundamente estratégico. A serpente, descrita como “mais astuta que todos os animais do campo”, se aproxima de Eva com uma pergunta aparentemente inofensiva: “É assim que D-us disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” (Gênesis 3:1). Essa pergunta já carrega veneno. A intenção não era informar, mas plantar dúvida. E Eva, ao tentar responder com fidelidade, mostra que sabia o que D-us havia dito: “Do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse D-us: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.” (v.3). A ordem era clara. A consequência, também. Mas então vem o golpe fatal da serpente: “Certamente não morrereis.” (v.4). Pronto. A primeira fake news está lançada. Uma afirmação falsa, que contradiz diretamente a verdade dita por D-us. Mas a serpente não para por aí. Ela vai além, oferecendo uma “explicação alternativa”: “Porque D-us sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como D-us, sabendo o bem e o mal.” (v.5). Perceba a genialidade — e a malícia — dessa mentira. A serpente não apenas nega a consequência, ela cria uma narrativa sedutora: D-us estaria escondendo algo bom. Eva não estaria desobedecendo, mas buscando libertação, autonomia, conhecimento.

A Desconstrução da Verdade – Até aquele momento, D-us era a fonte absoluta da verdade, o único que definia o que era bem e o que era mal. Eva, ao dar ouvidos à serpente, faz mais do que comer um fruto proibido — ela decide que quer ser como D-us. Decide que a prerrogativa de definir o bem e o mal não deveria estar apenas nas mãos do Criador, mas também nas dela.

Essa é a raiz de toda fake news: a rejeição de uma autoridade confiável e a construção de uma “verdade” própria, a famosa “narrativa”, ou frase “vamos criar uma narrativa”, conveniente, emocionalmente atraente. Eva viu que o fruto era bom para comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento. O desejo venceu a verdade. A mentira teve sabor de empoderamento. O resultado? Uma separação imediata entre humanidade e D-us, vergonha, culpa, e o início de uma jornada marcada por dor, confusão e morte. Pode parecer distante, mas essa história é mais atual do que nunca. Estamos vivendo em uma era onde a verdade é constantemente relativizada. O que importa, muitas vezes, não é o que é verdadeiro, mas o que “parece bom”, “soa certo” ou “agrada aos meus olhos”. Assim como Eva, muitas pessoas escolhem acreditar em narrativas sedutoras, mesmo que estejam em conflito com fatos, evidências ou princípios morais. As fake news de hoje prometem libertação, empoderamento, revelações ocultas. Nos dizem que “os especialistas estão mentindo”, que “os governantes escondem a verdade”, que “cada um tem sua própria verdade”. O que parece ser apenas uma opinião alternativa, muitas vezes é uma estratégia para nos afastar da verdade — da Verdade com “V” maiúsculo. E quais são as consequências?

Quando a sociedade começa a construir seus valores sobre mentiras, o que acontece? Confusão moral. Crises institucionais. Polarização. Desconfiança generalizada. Poder sendo usurpado. A fake news não é apenas um problema informacional — ela é um problema espiritual, moral e existencial. Assim como Eva, hoje muitos querem ser “como D-us” — decidir por si mesmos o que é certo ou errado, o que é vida ou morte, o que é homem ou mulher, o que é verdade ou ilusão. E como na história do Éden, a mentira parece doce, mas cobra um preço amargo.

Nações inteiras estão se afastando de princípios sólidos e objetivos, trocando-os por relativismos perigosos. A verdade é rebaixada a opinião. A mentira, se compartilhada o suficiente, vira “consenso”. E, como no Éden, isso gera consequências irreversíveis: famílias desfeitas, corrupção generalizada, identidade fragmentada e morte.

O Que Podemos Fazer? – Talvez a grande pergunta não seja apenas “qual foi a primeira fake news?”, mas como podemos reagir à mentira hoje? A resposta começa com humildade. Reconhecer que há uma verdade que não nasce de nós mesmos, mas de D-us, ele é o princípio absoluto. Que não temos todas as respostas, e que precisamos de uma fonte confiável de sabedoria. Voltar à Palavra. Resgatar a confiança no que D-us disse. Rejeitar as serpentes que ainda hoje sussurram: “Certamente não morrereis.” Também precisamos cultivar discernimento. Ensinar nossas famílias, igrejas e comunidades a questionar as narrativas dominantes. A buscar evidências, comparar com a verdade bíblica, e não ceder ao que apenas parece bom. Por fim, precisamos recuperar a coragem. Coragem para nadar contra a maré, para defender a verdade mesmo quando ela é impopular. Coragem para dizer: “Não, eu não vou comer desse fruto. Eu creio no que D-us disse.”

A Verdade Ainda Importa. A primeira fake news da humanidade nos ensina que mentiras podem parecer belas, mas seus frutos são amargos. Eva acreditou que estava ganhando liberdade, mas perdeu o paraíso. Hoje, muitas vozes nos convidam a fazer o mesmo — a trocar a verdade eterna por verdades temporárias e sedutoras. Mas a boa notícia é que D-us não nos deixou presos à mentira. Em Jesus, a Verdade se fez carne, João 14:6, Eu sou o caminho, e a VERDADE, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Ele nos chama de volta ao jardim, de volta à confiança, de volta à vida. A escolha está diante de nós: a serpente continua falando, mas a voz de D-us também.

Quem você vai ouvir?

Adivalter Sfalsin

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