Hanukkah e Jesus

Uma Festa de Dedicação e Fé

Você sabia que Jesus (Yeshua) participou de um festival que comemora um dos momentos mais importantes da história judaica? Esse festival é chamado de Hanukkah, ou Festa da Dedicação, e é mencionado brevemente no Evangelho de João. Vamos explorar a história, a conexão com Jesus (Yeshua) e as lições atemporais que essa celebração traz para nós hoje.

O Contexto Histórico de Hanukkah, ou a Festa da Dedicação, tem suas raízes nos eventos do século II a.C. Ela celebra a rededicação do Templo de Jerusalém após sua profanação pelo rei selêucida Antíoco Epifânio IV. Antíoco transformou o Templo judeu em um santuário para deuses gregos, sacrificando porcos no altar e proibindo práticas judaicas como a circuncisão, a observância do sábado e o estudo da Torá. Em resposta, um pequeno grupo de guerreiros judeus, liderados pelos Macabeus, iniciou uma revolta corajosa. Contra todas as probabilidades, eles derrotaram o exército grego muito maior, retomaram o Templo e o purificaram. Essa vitória não foi apenas militar, mas também ideológica. Os Macabeus resistiram aos ideais gregos de perfeição física, simbolizados pelos atletas nus nas Olimpíadas, e ao desprezo grego pelas práticas religiosas judaicas. Hanukkah comemora essa vitória pela alma e identidade do povo judeu.

No Novo Testamento, vemos Jesus presente durante esse festival. Em João 10:22-23, lemos:“Celebrava-se em Jerusalém a Festa da Dedicação. Era inverno, e Jesus (Yeshua) estava no templo, no Pórtico de Salomão.” Essa menção breve carrega um significado profundo, conectando Jesus à rica herança judaica de fé, resistência e rededicação.

Uma Jornada de Fé. Embora o Evangelho não descreva se Jesus (Yeshua) participou de rituais específicos, Sua presença em Jerusalém durante Hanukkah é reveladora. Por que Ele faria uma jornada de 4 a 6 dias de Nazaré até Jerusalém se esse evento não tivesse grande importância? Viajar naquela época não era fácil nem barato:

1. A Distância: De Nazaré a Jerusalém são cerca de 113 a 129 quilômetros pelas rotas antigas, o que exigia 4 a 6 dias de caminhada.

2. O Custo: Viajantes levavam provisões básicas, mas comida extra ou hospedagem em estalagens custavam caro. Uma noite em uma hospedaria simples podia custar alguns denários, o equivalente ao salário diário de um trabalhador.

3. Os Riscos:

• Ladrões frequentemente atacavam viajantes em áreas remotas, como ilustrado na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37).

• Animais Selvagens, como lobos, eram um perigo, especialmente à noite.

• Soldados Romanos e Cobradores de Impostos podiam assediar os viajantes por subornos ou impor taxas adicionais.

Diante desses desafios, a presença de Jesus (Yeshua) no Templo durante Hanukkah sublinha sua importância. Seria altamente improvável que Ele fizesse tal jornada sem se envolver com os temas de dedicação, resistência e rededicação que a festa celebra.

Por Que Muitos Cristãos Não Sabem Disso? Muitos cristãos desconhecem a importância de Hanukkah ou a conexão de Jesus (Yeshua) com essa celebração porque ela é mencionada apenas brevemente no Evangelho de João. Além disso, a identidade judia de Jesus muitas vezes é minimizada em contextos religiosos. Mas compreender Sua participação em Hanukkah enriquece nossa perspectiva sobre Sua vida e ministério. Isso nos mostra um Salvador que não apenas compreendia a importância da história judaica, mas também vivia dentro de seus ritmos e valores.

Ontem e Hoje. Hanukkah não é apenas sobre uma vitória militar—é uma celebração de resiliência espiritual. A batalha dos Macabeus foi tanto contra a ideologia grega quanto contra os soldados gregos. Os gregos celebravam a perfeição física, exemplificada nas Olimpíadas, onde atletas competiam nus para exibir seus corpos. Eles viam práticas judaicas, como a circuncisão, como uma “desecração” do corpo humano.

Os gregos foram além, proibindo pilares fundamentais da vida judaica:

• A observância do sábado, que marcava o tempo como sagrado.

• A celebração do início dos meses e festivais, as luas novas.

• O estudo e a preservação da Torá, que sustentavam a identidade judaica.

Alguns judeus abraçaram a cultura grega sem questionar, enquanto outros sucumbiram à pressão. Os Macabeus resistiram, não apenas contra inimigos externos, mas também contra judeus que haviam abandonado sua fé. A guerra pelo Templo era, na verdade, uma guerra pela alma e identidade do povo judeu. Essa mensagem ressoa profundamente nos dias de hoje. Assim como os gregos tentaram substituir os valores judaicos pelos seus, a cultura moderna muitas vezes pressiona os cristãos a abandonar as verdades bíblicas. Pense nos desafios que enfrentamos:

• Sustentar o casamento bíblico é rotulado como intolerante.

• Defender a unicidade dos papéis masculinos e femininos é considerado preconceituoso.

• Defender valores familiares e morais é descartado como ultrapassado.

Até mesmo alguns cristãos adotam essas visões liberais, assim como alguns judeus da era dos Macabeus abraçaram o helenismo. Mas Hanukkah nos lembra que permanecer firme na fé vale o custo.

Um Chamado à Verdade e Identidade. A batalha de Hanukkah não foi apenas sobre recuperar um edifício; foi sobre recuperar a identidade e a verdade. Os Macabeus recusaram-se a se curvar à cultura dominante, e sua vitória preservou a fé judaica para as gerações futuras. Como cristãos, enfrentamos batalhas semelhantes. A pressão cultural para nos conformarmos a novas definições de moralidade, identidade e verdade é imensa. Mas, assim como os Macabeus recusaram-se a comprometer sua fé, somos chamados a defender as verdades bíblicas com coragem e convicção.

Um Convite à Dedicação. Hanukkah não é apenas um feriado judaico—é um lembrete poderoso da importância de permanecer firme na fé. Para Jesus (Yeshua), essa festa era um momento para lembrar a dedicação do Templo e a fidelidade daqueles que vieram antes Dele. Para nós, é um chamado para rededicar nossas vidas à verdade de D-us, não importa o custo. Em um mundo que muitas vezes celebra a perfeição física e o relativismo moral, Hanukkah nos convida a valorizar o eterno acima do temporal. Ele nos lembra que as batalhas pela fé, identidade e verdade não são novas—e que a vitória vem para aqueles que permanecem firmes.

Ao acendermos nossas próprias “lâmpadas simbólicas”, que possamos lembrar a perseverança dos Macabeus, a fidelidade de Yeshua e o chamado eterno para sermos uma luz na escuridão.

Adivalter Sfalsin