Halloween

HALLOWEEN e suas origens

Por que estudar o Halloween, uma festa aparentemente americana e distante da nossa realidade?

Apesar de muitos no Brasil ainda a considerarem apenas uma curiosidade estrangeira, essa celebração tem ganhado espaço em nosso cotidiano — nas escolas, nas aulas de inglês, na televisão e até em festas de clubes.

Mas o que realmente está por trás dessa data e de onde vem todo o seu simbolismo?

O que é o Halloween? Celebrado na noite de 31 de outubro, o Halloween é marcado por fantasias, fogueiras e a famosa brincadeira “doce ou travessura”. Crianças se vestem de monstros, bruxas e fantasmas, batendo de porta em porta em busca de doces. Hoje, porém, o Halloween é muito mais que uma diversão infantil: tornou-se uma das datas mais lucrativas do comércio americano.

Estima-se que 60% das fantasias vendidas sejam para adultos e que uma em cada quatro pessoas entre 18 e 40 anos vista algum tipo de fantasia. Para os que se declaram psíquicos, bruxos, clarividentes e visionários, este é o dia mais agitado do ano. As editoras que publicam livros sobre astrologia e ocultismo registram grande aumento nas vendas. Em cidades como Salém, Massachusetts, sede da bruxaria norte-americana, celebra-se o Festival da Assombração, que movimenta o turismo e estende a temporada de verão.

As origens e o simbolismo: A palavra Halloween vem da expressão inglesa All Hallows’ Eve, que significa “véspera do Dia de Todos os Santos”. Hallow quer dizer “santo” e e’en é a forma abreviada de evening, “noite”. Literalmente, “Noite de Todos os Santos”.

Mas o significado vai além da tradução. O 31 de outubro era uma das datas mais importantes do calendário celta, conhecida como Samhain, o festival que marcava o início do inverno e o fim das colheitas.

Era um dos quatro grandes festivais do ano celta, chamados de “dias de meio trimestre”:

1. 2 de fevereiro – Dia da Marmota (Imbolc): dedicado à deusa pagã Brígida, símbolo da cura.

2. 1º de maio – Beltane: tempo de plantar, quando os druidas realizavam ritos mágicos para favorecer o crescimento das plantações.

3. Agosto – Lughnasadh: festa da colheita em honra ao deus-sol Lugh.

4. 31 de outubro – Samhain: marcava o início do inverno, o tempo de morte e renascimento da terra.

Durante o Samhain, os druidas acreditavam que o mundo dos vivos e o dos mortos se cruzavam. O “Senhor da Morte”, Samhain, voltaria com os espíritos que haviam morrido naquele ano para tentar possuir os vivos. Por isso, apagavam-se as luzes das casas, acendiam-se grandes fogueiras nos montes e vestiam-se roupas de peles para afastar os espíritos.

As fogueiras eram vistas como meios de adivinhar o futuro através da fumaça e das formas do fogo.

Com o passar dos séculos, a Igreja Católica tentou cristianizar a data. O Dia de Todos os Santos, antes celebrado em maio, foi transferido para 1º de novembro pelo Papa Gregório III no século IX. Assim, o antigo Samhain foi sobreposto pelo All Hallows’ Eve.

Posteriormente, o Papa Gregório IV tornou universal a data e, logo depois, instituiu-se o Dia de Finados (2 de novembro), reforçando o sincretismo entre o culto aos mortos pagão e o culto cristão aos santos e fiéis falecidos.

A estratégia era clara: adaptar os rituais pagãos para dentro da estrutura cristã — algo que também ocorreu no Brasil com os santos católicos e os deuses africanos durante o período da escravidão.

Elementos e símbolos do Halloween:

1. Os Druidas

Sacerdotes das tribos celtas da antiga França, Inglaterra e Irlanda, os druidas eram os intérpretes dos deuses e realizavam rituais em florestas e cavernas. Adoravam múltiplas divindades e realizavam sacrifícios — inclusive humanos — buscando prever o futuro. Consideravam sagrados a lua, o carvalho, o gato e a meia-noite.

Foram perseguidos e quase exterminados pelos romanos, mas continuaram ativos na Irlanda até o século IV.

2. Bruxas e fantasmas

Os antigos druidas acreditavam que, na noite de 31 de outubro, bruxas, fadas e espíritos saíam para atormentar os vivos. Essa crença atravessou os séculos e permanece viva na cultura popular, refletida nas fantasias e histórias de terror.

3. Lua cheia, gatos e morcegos

A lua cheia era vista como o momento ideal para rituais. O gato, tido como animal sagrado, era visto como reencarnação de espíritos humanos ou “espírito familiar” das bruxas.

O morcego, por ser noturno e silencioso, foi associado à feitiçaria e ao demônio, especialmente durante a Idade Média.

4. Cabeças de abóbora (Jack-o’-Lanterns)

A tradição vem da lenda irlandesa de Jack, um homem condenado a vagar eternamente com uma brasa dentro de um nabo oco. Ao chegar aos EUA, o nabo foi substituído pela abóbora, mais abundante e fácil de esculpir. O rosto assustador simbolizava uma alma condenada e tornou-se o principal ícone do Halloween.

5. “Travessuras ou doces” (Trick or Treat)

Na cultura celta, acreditava-se que deixar comida na porta apaziguava os espíritos. Com o tempo, mendigos pediam comida em troca de orações pelos mortos — origem da tradição moderna de pedir doces.

Há também registros de homens que conduziam procissões pedindo oferendas aos agricultores, ameaçando amaldiçoar as colheitas — uma forma primitiva de chantagem espiritual.

6. Máscaras e fantasias

As máscaras eram usadas para confundir ou afastar os espíritos malignos. Em diversas culturas, também serviam para comunicação com o mundo espiritual ou proteção contra desastres. Em tempos modernos, tornaram-se parte da diversão, mas sua origem era ritualística.

7. Fogueiras

A palavra inglesa bonfire vem de bone fire (“fogo de ossos”). Os druidas queimavam animais e até pessoas em sacrifícios, acreditando que a fumaça revelava presságios.

Mais tarde, durante a Inquisição e a Reforma, fogueiras foram usadas para torturar e executar pessoas acusadas de bruxaria.

8. As cores laranja e preta

O laranja representa o fogo e a colheita; o preto, a escuridão e a morte. Essas cores simbolizam a passagem entre a vida e a morte. Nas antigas missas pelos mortos, usavam-se velas alaranjadas e panos pretos sobre os caixões.

9. Feitiçaria e perseguição

Ao longo dos séculos, milhares foram torturados e mortos sob acusações de feitiçaria. A Inquisição Católica, a Reforma Protestante e os julgamentos de Salém (1692) são lembrados como períodos de histeria coletiva.

Mulheres idosas, parteiras, moças bonitas ou pessoas com deficiências foram injustamente condenadas.

Na Alemanha e França, cidades inteiras ficaram sem mulheres após execuções em massa. Estima-se que mais de 30 mil pessoas foram mortas entre os séculos XV e XVII.

O Halloween hoje: O Halloween carrega aspectos negativos além de sua herança pagã e da ênfase em trevas, medo e morte. Em alguns lugares, a celebração é marcada por vandalismo e práticas de mau gosto.

Nos Estados Unidos, as orações públicas foram banidas das escolas, mas o Halloween continua sendo celebrado abertamente. Há registros de abrigos que suspendem a adoção de gatos pretos nesse período, temendo uso em rituais.

No Brasil e em outros países, cresce o número de pessoas que se autodenominam bruxos e praticam rituais ocultos. Seria tudo apenas uma brincadeira? Ou ainda existe influência espiritual por trás de símbolos aparentemente inofensivos?

O que a Bíblia ensina: A Bíblia é clara em relação às práticas ocultas. Diversos textos — Deuteronômio 18:9-14, Isaías 8:19, Levítico 19 e 20, Gálatas 5:19-21, Romanos 12:2, Efésios 6:12, Apocalipse 21:8; 22:15 — condenam a feitiçaria, a consulta aos mortos e toda prática espiritual contrária à vontade de Deus.

O apóstolo Paulo lembra que “nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os poderes das trevas deste mundo” (Ef 6:12).

Existe algo de errado em participar de uma festa aparentemente inocente, com crianças pedindo doces e pessoas fantasiadas?

O Halloween pode parecer apenas uma diversão, mas carrega séculos de simbolismo espiritual ligado à morte, à feitiçaria e ao culto aos mortos. Cabe a cada um discernir o que celebra e o que alimenta em sua cultura e em seu espírito.

Todo símbolo tem um significado, e todo significado tem um propósito.

Tire suas próprias conclusões.

Adivalter Sfalsin

Bibliografia

BURNS, E. M. Western Civilizations, Their History and Their Culture. W. W. Norton & Co. Inc., New York, 1968.

ANKERBERG, J.; WELDON, J. The Facts on Halloween: What Christians Need to Know. Harvest House, Oregon, 1996.

PHILLIPS, P.; ROBIE, J. H. Halloween and Satanism. Starburst, 1987.

HURT, R. The History of Halloween and the Word of God. Manuscrito não publicado.

MARGADONNA, S. Halloween.

Entre o Temporal e a Eternidade:

Entre o Temporal e a Eternidade: O Significado do “Tempo Profético Perfeito” em Isaías


Como um ser infinito, existindo fora do tempo e do espaço, pode transmitir verdades eternas a seres finitos e temporais? A resposta pode estar no hebraico bíblico, especialmente através de um conceito conhecido como o “tempo profético perfeito”. Esse fenômeno gramatical, único ao hebraico, serve para preencher a lacuna entre verdades eternas e nossas experiências mortais efêmeras. Em Isaías 43:1, encontramos uma poderosa declaração do Senhor: “Não temas, pois eu te redimi; chamei-te pelo teu nome; tu és meu.” Este versículo encapsula a profunda relação entre D-us e Seu povo, oferecendo conforto e segurança em meio ao medo e à incerteza. Uma exploração mais profunda da frase e de sua estrutura verbal “eu te redimi” revela sua importância como um tempo “profético perfeito”, ilustrando como D-us percebe o tempo e a realidade de Suas promessas. Se entendermos esse aspecto da gramática do hebraico bíblico, ganharemos uma visão da natureza atemporal das declarações de D-us e da profundidade de Seu compromisso com Sua criação.

O conceito de tempos verbais em hebraico difere significativamente do português. Enquanto usamos seis tempos primários—presente do indicativo, pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito—o hebraico apresenta um sistema mais intrincado que permite expressões únicas de tempo. O sistema verbal hebraico pode ser categorizado em dois aspectos principais: perfeito e imperfeito. O aspecto perfeito refere-se, em geral, a ações completadas, enquanto o imperfeito descreve ações em andamento ou incompletas.

O “tempo profético perfeito” introduz uma camada adicional a esse entendimento. Esse fenômeno permite que eventos futuros sejam articulados como se já tivessem sido completados, refletindo uma certeza e uma segurança divina que transcendem as limitações temporais. Em Isaías 43:1, a frase “eu te redimi” utiliza esse tempo “profético perfeito”. Embora pareça estar no passado, transmite uma ação futura que D-us expressa com absoluta certeza. Esse uso enfatiza que a redenção não é apenas uma esperança distante, mas uma realidade assegurada por D-us. Essa compreensão nos convida a refletir sobre a natureza das promessas de D-us. Quando D-us declara: “Eu te redimi”, Ele afirma uma realidade presente fundamentada em Sua perspectiva eterna, reformulando nossa compreensão do tempo e reforçando que as promessas de D-us transcendem nossas experiências mortais.

Para ilustrar esse conceito, considere Isaías 9:6, que afirma: “Porque um menino nos nasceu.” Aqui, o verbo “nasceu” é articulado no tempo perfeito, sugerindo um evento futuro descrito com tal certeza que parece imediato. Essa escolha linguística demonstra como D-us comunica Suas promessas, apresentando-as como inevitáveis e reais, mesmo antes de ocorrerem. Nesse contexto, o “tempo profético perfeito” tranquiliza o povo de Israel, assegurando que, apesar de suas lutas e medos, a promessa de um Messias é certa. O tempo perfeito em “nasceu” sublinha a certeza da profecia, indicando que, na visão de D-us, a realidade futura do nascimento do Messias é tão concreta quanto os eventos passados.

A importância dessa perspectiva é profunda. Quando Isaías pronunciou essas palavras, cerca de 700 anos antes da vida do Messias, ele se dirigia a uma nação em tumulto, enfrentando opressão e incerteza. Ao enquadrar a chegada do Messias de uma maneira que afirma sua certeza, D-us oferece esperança e uma visão para um futuro melhor. O “tempo profético perfeito” enfatiza que, da perspectiva de D-us, o futuro já está entrelaçado com o presente, infundindo esperança e confiança em Suas promessas. Outro exemplo do “tempo profético perfeito” pode ser encontrado em Isaías 53, que fala do servo sofredor. Em versos como Isaías 53:5, “Mas Ele foi ferido por nossas transgressões”, a linguagem transmite uma certeza em relação ao sofrimento e à obra redentora do Messias. Embora esses eventos ainda não tivessem ocorrido no momento da proclamação de Isaías, eles são apresentados de uma forma que destaca sua certeza, evidenciando a soberania de D-us sobre a história.

O “tempo profético perfeito” também é evidente nas promessas de D-us ao longo das Escrituras Hebraicas. Por exemplo, em Gênesis 12:2-3, D-us promete a Abraão que ele será uma grande nação e que todas as famílias da terra serão abençoadas através dele. Embora essas promessas tenham sido feitas muito antes de sua realização, elas transmitem o compromisso de D-us em trazê-las à realidade. Isso reforça a ideia de que o tempo de D-us muitas vezes difere do nosso, mas Suas promessas permanecem firmes.

Examinar o “tempo profético perfeito” revela que esse recurso linguístico não é apenas uma curiosidade gramatical; ele serve como uma estrutura teológica que informa nossa compreensão da natureza de D-us e Sua relação com a humanidade. A capacidade de transmitir eventos futuros com tal certeza desafia nossa percepção do tempo e nos encoraja a confiar no caráter de D-us. Esse conceito de tempo é enriquecido pela compreensão de D-us como um ser eterno que existe fora de nossas limitações temporais. Enquanto nós experimentamos o tempo de maneira linear, D-us vê toda a história simultaneamente. Essa perspectiva permite que Ele faça promessas com total confiança, conhecendo os resultados antes que eles se desenrolem.

Em Isaías 43:1, D-us assegura a Israel que, apesar de suas lutas, a redenção deles é certa. Esta declaração eleva e fortalece a fé deles, permitindo que vejam além das circunstâncias imediatas para a maior realidade do plano de D-us. O “tempo profético perfeito” enfatiza que, da perspectiva de D-us, o futuro já está entrelaçado com o presente.

Concluindo, a afirmação “Eu te redimi” em Isaías 43:1 serve como um profundo lembrete da relação íntima de D-us com Seu povo e de Seu compromisso inabalável com sua redenção. Ao empregar o “tempo profético perfeito”, D-us transmite uma mensagem atemporal que assegura, aos que creem Nele, a sua redenção como uma realidade presente enraizada na promessa divina. Essa compreensão não apenas aprofunda nossa apreciação do texto bíblico, mas também transforma nossa visão sobre nossas vidas e nossa relação com o Senhor. Abraçar essa verdade nos convida a viver na certeza de nossa identidade eterna como o povo redimido de D-us, promovendo uma fé transformadora que permeia todos os aspectos de nossas vidas. O “tempo profético perfeito” serve como um lembrete de que, enquanto navegamos pelos desafios de nossa existência finita, podemos nos apegar às promessas de D-us, confiantes de que Ele está fazendo todas as coisas para o nosso bem e Sua glória. Em última análise, essa compreensão nos convida a uma relação mais profunda com D-us, encorajando-nos a confiar em Sua natureza eterna e em Sua fidelidade ao longo da história.

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Sem trilha sonora

A Vida Não Tem Trilha Sonora

Momentos que Definem Nossa Jornada

Você já desejou que a vida tivesse uma trilha sonora? Imagine se, como nos filmes, nossas vidas fossem acompanhadas por uma música que sinalizasse nossos momentos climáticos — os momentos que mais importam. Violinos tocariam durante encontros românticos, tambores anunciariam desafios à frente, e melodias suaves de piano marcariam momentos de reflexão tranquila. Se a vida tivesse esse tipo de trilha sonora, talvez reconhecêssemos os momentos mais significativos enquanto eles acontecem, em vez de perceber sua importância apenas depois.

Alguém que admiro certa vez compartilhou este pensamento: “O problema da vida é que ela não vem com uma trilha sonora.” Ao contrário de um filme, onde a música guia nossas emoções e ajuda a entender os momentos-chave, a vida real não tem esse luxo. Nós navegamos por nossos dias sem saber se uma simples conversa, uma pequena decisão ou um evento aparentemente insignificante será um ponto de virada em nossa história.

Vejamos, por exemplo, a história de José na bíblia. Se você perguntasse a ele quando jovem, ele poderia pensar que sua vida se resumisse os sonhos que teve, o favor de seu pai ou seu papel dentro da família. No entanto, esses não foram os momentos que, em última análise, definiram seu legado. O momento decisivo de José ocorreu em uma terra estrangeira, muito tempo depois de ter sido traído por seus irmãos e vendido como escravo. Anos de dificuldades, falsas acusações e prisão o levaram a um ponto crucial onde ele interpretou os sonhos do faraó e ascendeu ao poder no Egito.

Naquele momento, ele teve uma escolha: usar sua nova autoridade para ganho pessoal ou salvar inúmeras vidas. Sem qualquer pista musical, José escolheu a compaixão, a sabedoria e o perdão. Ele não apenas armazenou grãos para os anos de fome, mas também mais tarde reconciliou-se com seus irmãos distantes. Não houve trilha sonora triunfante para destacar sua resiliência, nem música crescendo para sinalizar a importância de suas decisões. No entanto, esses momentos de força silenciosa e graça tornaram-se a base de sua história e a salvação de sua família.

Da mesma forma, pense na rainha Ester, que enfrentou um momento decisivo em sua vida sem qualquer sinal musical para guiá-la. Ester era uma jovem judia que se tornou rainha da Pérsia, e poderia ter vivido sua vida em conforto e anonimato no palácio. No entanto, quando seu povo estava ameaçado de destruição, ela foi chamada a fazer uma escolha: arriscar sua própria vida para falar com o rei e tentar salvar sua nação, ou permanecer em silêncio e preservar sua segurança pessoal. Com uma simples decisão de se apresentar diante do rei, Ester mudou o destino de milhares de vidas.

Naquele momento, não havia tambores rufando para destacar sua coragem, nem violinos tocando para enfatizar a importância de seu ato. Ela estava sozinha, com apenas sua fé e determinação, enfrentando um risco imenso. Mas foi essa decisão, feita no silêncio, que trouxe salvação para seu povo e transformou Ester em uma figura de heroísmo e fé para todas as gerações.

Se a vida tivesse uma trilha sonora, talvez houvesse música dramática tocando quando José se encontrava diante do faraó, ou quando Ester decidiu entrar na presença do rei sem ser convidada. Mas na vida real, muitas vezes há silêncio, e só percebemos depois o quão cruciais foram esses momentos. Isso é verdade para muitos de nós. Vivemos nossas rotinas, sem saber que pequenos atos de sabedoria, paciência ou coragem podem ser aqueles que nos definem.

Nos filmes, a música nos guia, nos diz quando prestar atenção, quando nos prepararmos para um clímax e quando deixar nossos corações se emocionarem. A vida, no entanto, exige um tipo diferente de percepção. Devemos ouvir atentamente e estar abertos à possibilidade de que cada momento, cada interação, tem o potencial de mudar nossas vidas. Se pudéssemos ver nossas vidas como uma série de cenas conectadas, talvez reconhecêssemos aqueles momentos em que demos um passo à frente, mostramos fé ou agimos com integridade, mesmo quando parecia que ninguém estava prestando atenção.

O desafio, então, é viver como se tivéssemos uma trilha sonora — uma que não podemos ouvir, mas que ainda assim podemos sentir. Procurar os momentos que parecem ordinários, mas carregam o peso da eternidade. Prestar atenção, estar presente e agir com intenção. Porque às vezes, as partes mais significativas de nossas vidas não vêm com uma trilha musical — elas acontecem silenciosamente, mas seus ecos são sentidos por gerações.

Como dizia o profeta Zacarias: “Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas? Pois esses se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel; esses são os sete olhos do Senhor, que percorrem por toda a terra.” (Zacarias 4:10). Esta mensagem é um lembrete de que até mesmo pequenos começos são significativos e não devem ser subestimados. Quando D-us encorajou o povo a não se desanimar com o modesto início da reconstrução do templo, Ele estava ensinando que cada passo, por menor que seja, faz parte de um plano maior.

Em nossas vidas, aprender diariamente com o Senhor nos ajuda a ver o valor dos pequenos começos. Mesmo quando nossas ações parecem insignificantes, D-us está nos guiando, construindo algo maior do que podemos enxergar no momento. Assim como a paciência de José na prisão e a coragem de Ester ao arriscar sua vida diante do rei resultaram em grandes desfechos, nossos pequenos atos de fé, integridade e coragem não passam despercebidos; eles são como tijolos de uma construção, parte de um plano divino.

Ao confiar em D-us, encontramos força para enxergar além das limitações do presente, acreditando que cada ato, por mais simples que seja, faz parte de um propósito maior. Embora a vida não tenha uma trilha sonora que nos guie por cada passo, podemos aprender a viver no ritmo divino, encontrando harmonia ao seguir a vontade de D-us, especialmente nos momentos decisivos. Quando nos aproximamos Dele, permitimos que Suas mãos conduzam nossa jornada, transformando-a em uma bela sinfonia de fé, esperança e redenção

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Duas Árvores, Dois Destinos

Da Árvore da Morte à Árvore da vida: A Reversão Divina

O conceito de árvores desempenha um papel significativo na história bíblica, simbolizando tanto a queda quanto a redenção da humanidade. Do Jardim do Éden à cruz no Calvário, as árvores representam momentos decisivos onde escolhas foram feitas, levando a consequências que ecoam ao longo do tempo. Esta reflexão explora o profundo simbolismo e os paralelos entre essas duas “árvores” centrais — a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e a Árvore da Cruz — mostrando como D-us usou os próprios elementos do pecado e da morte para trazer salvação e vida.

No Jardim do Éden, D-us colocou a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. A queda da humanidade começou quando Adão e Eva desobedeceram a D-us ao comerem do seu fruto. Talvez não era o fruto em si que era inerentemente errado, mas o ato de desobediência que levou à morte espiritual e à separação de D-us. Este evento marcou a entrada do pecado no mundo — uma “transgressão” que desde então tem sido a raiz de todo pecado, frequentemente referida como “a grande transgressão”. Através dessa primeira árvore, a humanidade foi introduzida ao conhecimento do bem e do mal, mas ao custo de sua comunhão com D-us e o início de seu exílio do Paraíso.

Milhares de anos depois, outra árvore aparece no palco da humanidade — a Cruz. Essa não era uma árvore viva e florescente, mas um pedaço de madeira morto, transformado em um instrumento de tortura e execução. No entanto, tornou-se o símbolo supremo da redenção. Através dessa “árvore morta”, D-us trouxe vida. Assim como o pecado de Adão através da primeira árvore trouxe morte a todos, a obediência do Messias através da segunda árvore traz vida a todos que acreditam.

O apóstolo Paulo enfatiza esse contraste: por meio da desobediência de um homem, o pecado e a morte se espalharam para todos, mas pela obediência de outro, a justificação e a vida se tornaram disponíveis para todos. O Messias desfaz o que foi feito no Éden. Todos nós fomos ligados àquela árvore do pecado no Éden, herdando sua maldição, mas ao nos unirmos à árvore da Cruz, a maldição começa a ser desfeita. Esta é a reversão cósmica da queda — o Éden desfeito.

Em um belo ato de simetria, o Messias escolheu participar de um “cálice”, simbolizando fruto esmagado, durante a última ceia. Em contraste com Adão, que comeu o fruto que trouxe a morte, o messias bebeu o cálice do fruto esmagado do sofrimento, escolhendo voluntariamente suportar a cruz. Este ato desfez a desobediência do Éden, oferecendo um caminho para a redenção e a vida eterna.

Um aspecto profundo da crucificação é como o Messias tomou sobre Si a maldição destinada à humanidade. A Torá declara: “Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro” (Deuteronômio 21:23), uma lei que apontava para a vergonha e a maldição associadas a tal morte. O apóstolo Paulo, refletindo sobre isso, escreveu: “Messias nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, porque está escrito: ‘maldito todo aquele que for pendurado num madeiro'” (Gálatas 3:13). Ao ir voluntariamente para a cruz, o Messias tomou sobre Si a maldição que era nossa, quebrando o poder do pecado e oferecendo um novo começo.

A serpente, que levou a humanidade ao pecado no Éden, também aparece de forma simbólica durante a jornada dos israelitas no deserto. D-us instruiu Moisés a fazer uma serpente de bronze e levantá-la em um poste. Aqueles que olhassem para ela seriam curados das mordidas de serpente. Aqui, o objeto que representava a morte tornou-se uma fonte de cura. Isso prefigura a crucificação do Messias, onde Ele foi levantado, e por Suas feridas, a humanidade é curada.

Na tradição hebraica, a oferta pelo pecado ou transgressão é chamada “chatat”, que também significa “pecado ou transgressão”. Este duplo significado destaca uma verdade profunda: aquilo que é chamado pecado torna-se o próprio meio para tirar o pecado. O mesmo jogo de palavras aplica-se à oferta pela culpa, “asham”, que significa tanto “culpa” quanto “a oferta pela culpa”. De forma semelhante, o Messias tornou-se “pecado” e “culpa” em nosso lugar, embora Ele fosse sem pecado, para tirar nossos pecados e culpas. (*A1)

As conexões entre a queda no Éden e a redenção na cruz são profundas e numerosas:

  • Desobediência no Éden vs. Obediência no Calvário: No Éden, Adão e Eva escolheram a desobediência ao comerem o fruto. Na véspera de Sua crucificação, o Messias escolheu a obediência ao beber o cálice do sofrimento, mesmo podendo ter evitado.
  • A Nudez do Éden vs. A Nudez na Cruz: Adão e Eva, ao perceberem seu pecado, sentiram vergonha e buscaram cobrir sua nudez. O Messias, embora inocente, foi despido na cruz, carregando a vergonha da humanidade. Nesse ato, Ele ofereceu uma cobertura para nossos pecados. Embora esse aspecto de nudez seja pouco mencionado devido às sensibilidades culturais, é importante lembrar que a crucificação era projetada para ser uma forma de execução extremamente humilhante, expondo o condenado à vergonha pública e infligindo o máximo de sofrimento possível, desencorajando outros a desobedecer à autoridade de Roma.
  • A Árvore do Conhecimento vs. A Árvore da Cruz: A primeira árvore trouxe o conhecimento do bem e do mal, levando à morte espiritual. A cruz, como uma “árvore”, tornou-se o lugar onde o bem supremo (o amor e o sacrifício de D-us) triunfou sobre o mal supremo (o pecado e a morte).
  • A Decepção da Serpente vs. O Papel da Serpente na Redenção: A serpente enganou Adão e Eva, levando-os à árvore. Na história da redenção, a “serpente” (representando o pecado e forças malignas) teve um papel em trazer o Messias à cruz. No entanto, D-us foi soberano sobre tudo, usando o que era destinado para o mal para trazer o maior bem.

A Reversão Cósmica: A história da redenção é uma reversão cósmica da queda. No Éden, D-us colocou a humanidade em um jardim de vida, cercado por árvores que proporcionavam sustento. Após a queda, a humanidade foi amaldiçoada, e a morte reinou. Quando o Messias foi crucificado, Ele foi colocado em uma árvore morta, cercado por outras 2 cruzes, simbolizando a morte. Mas esse ato reverteu a maldição da morte, transformando a “árvore da morte” em uma “árvore da vida” para todos que creem.

  • Da Glória à Coroa de Espinhos: No Éden, a humanidade foi coroada com glória e honra. Na cruz, o Messias foi coroado com espinhos, um símbolo da maldição. Ele assumiu a maldição para restaurar a glória que foi perdida.
  • Do Jardim da Vida ao Jardim da Morte: D-us colocou o homem no Jardim do Éden, um lugar de vida. A humanidade então colocou D-us em um “túmulo no jardim”, um lugar de morte. No entanto, através de Sua ressurreição, aquele túmulo tornou-se a porta para a vida eterna.
  • Da Árvore Viva à Árvore Morta: A queda veio por meio de uma árvore viva, exuberante e cheia de vida. A redenção veio através de uma árvore morta, seca e sem vida, a cruz. Mas assim como D-us pode trazer vida da morte, a cruz tornou-se uma nova Árvore da vida, oferecendo salvação eterna a todos que a abraçam.

Por fim, a história do plano redentor de D-us está cheia de simbolismo, mostrando como Ele pode pegar o que foi destinado para o mal e transformá-lo em bem. A cruz, mais do que qualquer outro símbolo, encarna essa verdade. Ela representa a intersecção do bem e do mal — mal no sentido de que foi o local da execução injusta do Messias, e bem no sentido de que foi o ato supremo de amor, levando à salvação. Através da cruz, D-us transformou a Árvore da Morte em uma nova Árvore da vida, restaurando o que foi perdido no Éden e oferecendo à humanidade um caminho de volta ao paraíso.

A cruz não é apenas um evento; é um poder contínuo para transformar vidas. Como Paulo declarou: “Fui crucificado com o Messias; já não sou eu quem vive, mas o Messias vive em mim.” Quanto mais nos alinhamos com essa árvore, mais seu poder traz vida e liberdade do pecado. A Cruz, em essência, é uma árvore de vida, trazendo restauração, perdão e a promessa de um novo começo. No Éden, a humanidade foi exilada do Paraíso, mas através da Cruz, somos convidados de volta. As bênçãos do Paraíso — plenitude, paz e comunhão eterna com D-us — estão novamente disponíveis, não apenas em um sentido espiritual, mas eventualmente na restauração de toda a criação. A árvore que outrora marcou a separação da humanidade de D-us tornou-se agora o portal para a reunião, levando não apenas a um jardim de vida na Terra, mas ao Paraíso eterno no Céu.

Assim, a cruz é mais que um símbolo; é a revelação máxima do amor e do poder de D-us para fazer novas todas as coisas. É uma árvore que transforma luto em alegria, culpa em inocência e morte em vida. É um convite para que todos venham e partilhem de seu poder de cura, perdão e transformação. Não há tristeza, pecado ou escuridão que o poder dessa árvore não possa superar. O Messias nos chama a ir à Cruz, a experimentar Seu amor e o milagre de sermos feitos novos, redimidos e trazidos de volta aos braços de D-us.

Adivalter Sfalsin

Leia também https://raizeshebraicas.com/2024/10/06/pecadinho-ou-pecadao/

(*A1) Referências bíblicas de alguns tipos de pecado:

Chatat (Oferta pelo Pecado)

  • Levítico 4:1-35 – Este capítulo fornece instruções abrangentes sobre a oferta pelo pecado, exigida quando alguém comete um pecado não intencional. Inclui vários cenários, desde os pecados do sumo sacerdote até os de toda a comunidade, líderes ou membros individuais.
  • Levítico 5:1-13 – Detalhes adicionais são fornecidos sobre situações que requerem uma oferta pelo pecado, como deixar de testemunhar ou tocar em algo impuro.
  • Números 15:22-29 – Esses versículos descrevem ofertas pelo pecado para pecados não intencionais cometidos por indivíduos ou por toda a comunidade.

Asham (Oferta pela Culpa)

  • Levítico 5:14-19 – Instruções sobre a oferta pela culpa para ofensas que envolvem o uso indevido de coisas sagradas e para atos de engano contra D-us ou outros.
  • Levítico 6:1-7 – Diretrizes para ofertas pela culpa quando alguém prejudicou outra pessoa, como por meio de roubo ou engano.
  • Levítico 7:1-7 – Mais detalhes sobre a oferta pela culpa e seus procedimentos sacrificiais.

Messias como Oferta pelo Pecado e pela Culpa

  • Isaías 53:5-6, 10 – A profecia sobre o Servo Sofredor afirma que Ele foi “transpassado por nossas transgressões” e “moído por nossas iniquidades”. O versículo 10 menciona explicitamente que Sua vida foi feita como uma “oferta pela culpa” (asham).
  • 2 Coríntios 5:21 – “Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de D-us.” Este versículo reflete a ideia de que o Messias assumiu o pecado, cumprindo o papel da oferta pelo pecado.
  • Hebreus 9:26-28 – Descreve como o sacrifício do Messias foi uma oferta única, removendo o pecado por meio de Seu auto-sacrifício.

Pecadinho ou Pecadão?

Explorando as 5 Palavras Mais Comuns para Pecado na Bíblia Hebraica

Se você passou muitos anos em uma igreja protestante, como eu, provavelmente já ouviu a frase: “Não existe pecadinho ou pecadão, todos são iguais.” No entanto, ao mergulharmos no texto hebraico do Antigo Testamento (Tanakh), vemos que a realidade é mais complexa. A língua hebraica utiliza diversas palavras para descrever diferentes formas de pecado, cada uma com seu significado específico e suas implicações. Cada termo carrega nuances que nos ajudam a entender melhor como o pecado é visto nas Escrituras e os diferentes tipos de impacto que ele pode ter. Convido você a explorar comigo as cinco palavras hebraicas mais utilizadas para descrever o pecado no Tanakh e a compreender mais profundamente a maneira como ele é retratado na Bíblia.

1. רָע (Ra) – Mal, Maldade

A palavra mais utilizada para descrever o pecado no Tanakh é Ra, aparecendo mais de 600 vezes. Este termo amplo refere-se ao mal em geral, englobando tanto a maldade moral quanto o impacto destrutivo das ações pecaminosas. Ra não se limita apenas ao pecado individual; ele também reflete a corrupção do coração e da sociedade como um todo. Em muitos casos, Ra é usado para descrever o mal absoluto e a inclinação humana para ações que se afastam da bondade de D-us.

O uso de Ra é particularmente notável em Gênesis 6:5, onde descreve a maldade generalizada da humanidade antes do Dilúvio: “O Senhor viu que a maldade (Ra) do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração.” Aqui, o termo mostra a corrupção profunda que contaminou todas as esferas da vida humana. O impacto do mal descrito por Ra não é apenas espiritual, mas também físico e social, levando à destruição e ao juízo divino.

Este termo nos lembra que o pecado, em sua forma mais abrangente, é uma força destrutiva que afeta não apenas o indivíduo, mas toda a criação. O mal corrompe as relações humanas, destrói a justiça e a retidão, e desvia as pessoas do propósito divino para suas vidas.

2. חֵטְא (Chet) – Errar o Alvo

A segunda palavra mais comum para descrever pecado no Tanakh é Chet, que aparece cerca de 297 vezes. Chet carrega a ideia de “errar o alvo”, como quando um arqueiro erra seu tiro. Este conceito de pecado enfatiza a falha em alcançar o padrão moral que D-us estabeleceu. Chet abrange tanto pecados cometidos de forma não intencional quanto aqueles que resultam de fraqueza ou ignorância. Embora a intenção por trás do pecado seja relevante, o ato de errar o alvo é, em si, suficiente para desviar a pessoa do caminho de retidão.

Um exemplo de Chet aparece em Levítico 4:2, que descreve o pecado não intencional: “Quando uma pessoa pecar sem intenção, fazendo qualquer das coisas que o Senhor proíbe.” Mesmo que o pecado tenha sido cometido de forma acidental, ele ainda exige arrependimento e expiação. Chet nos ensina que não basta simplesmente evitar pecados intencionais; também devemos estar atentos aos nossos erros e falhas cotidianas, buscando continuamente corrigir nossos caminhos.

Na vida prática, Chet pode se manifestar em momentos em que agimos sem plena consciência das consequências de nossas ações. Embora esses pecados possam parecer menos graves, eles ainda distorcem nosso relacionamento com D-us e com os outros. O importante é reconhecer quando erramos o alvo e nos esforçar para realinhar nossas vidas com os propósitos divinos.

3. עָוֹן (Avon) – Iniquidade, Culpa

Avon, com cerca de 233 ocorrências, refere-se à iniquidade e à culpa resultante de ações deliberadas. Este termo carrega uma gravidade maior que Chet, pois implica intencionalidade. Avon é frequentemente usado para descrever uma corrupção moral profunda, na qual a pessoa sabe que está errada, mas persiste em seu comportamento. O pecado de Avon não apenas resulta em culpa pessoal, mas também pode afetar gerações futuras, pois a iniquidade dos pais pode ser transmitida aos filhos, conforme ensinado em Êxodo 20:5.

Em Isaías 53:5, Avon é usado para descrever a culpa que o Messias levaria sobre si: “Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniquidades (Avon).” Aqui, vemos o peso de Avon como algo que exige uma solução divina, pois o ser humano, em sua falha moral, não consegue se libertar sozinho dessa culpa. A transgressão é profunda, e o arrependimento e o perdão de D-us são necessários para restaurar a alma.

Diferente de Chet, que pode ser uma falha não intencional, Avon é um pecado consciente, e suas consequências são mais graves. As escolhas morais que fazemos têm um impacto duradouro, tanto sobre nós quanto sobre os outros, e o pecado deliberado nos afasta de D-us de uma maneira que exige um esforço profundo de arrependimento.

4. רֶשַׁע (Resha) – Maldade, Injustiça

Com cerca de 263 ocorrências, Resha é uma palavra hebraica que descreve um nível elevado de maldade e injustiça. Resha muitas vezes se refere a ações que envolvem violência, opressão ou injustiça social. Enquanto Avon é mais focado na iniquidade pessoal e na culpa, Resha enfatiza o impacto social e coletivo do pecado, especialmente quando se trata de tratar os outros de forma injusta.

Em Provérbios 15:9, lemos: “O Senhor detesta o caminho do ímpio (Resha), mas ama quem busca a justiça.” Resha revela que o pecado não é apenas uma questão pessoal entre o indivíduo e D-us, mas também envolve a maneira como tratamos os outros. Injustiças sociais, opressão dos vulneráveis e a prática de maldade contra o próximo são todos aspectos de Resha. Este termo ressalta que D-us se importa profundamente com a justiça e a equidade na sociedade.

5. עָוֶל (Avel) – Injustiça, Transgressão

Finalmente, temos Avel, que aparece cerca de 53 vezes e está intimamente relacionado a Resha, embora com um foco maior na injustiça legal e social. Avel é muitas vezes usado para descrever situações em que líderes ou juízes pervertem a justiça, cometendo transgressões que prejudicam os inocentes ou favorecem os poderosos. O conceito de Avel nos lembra que o pecado não é apenas uma questão individual, mas pode se manifestar no sistema judicial e nas estruturas sociais.

Levítico 19:15 adverte: “Não cometam injustiça (Avel) no julgamento; nem favoreçam os pobres nem procurem agradar os grandes, mas julguem o próximo com justiça.” Avel destaca que D-us exige justiça e imparcialidade em todas as esferas da vida, e que a corrupção do sistema judicial é um pecado grave aos Seus olhos.

Este estudo das cinco palavras hebraicas mais comuns para pecado no Tanakh revela que o pecado não é uma questão simples de “certo ou errado.” Cada termo traz uma nova dimensão à nossa compreensão do pecado e suas consequências. Ra fala da maldade geral que destrói a bondade; Chet nos lembra de nossas falhas e de como podemos errar o alvo de D-us; Avon mostra a profundidade da culpa moral; Resha destaca a maldade e injustiça sociais; e Avel alerta para as consequências devastadoras da corrupção no sistema judicial.

Essas palavras nos ajudam a perceber que nem todo pecado é igual, e suas consequências variam. O pecado pode ter impactos profundos não apenas em nosso relacionamento com D-us, mas também em nossa vida comunitária e social. Ao compreender essas diferenças, podemos nos empenhar para viver de forma justa e reta, buscando sempre a retidão e o arrependimento quando falharmos.

Adivalter Sfalsin