A Bênção de D-us: Compreendendo a Distinção entre Bārak e ʾĀšar

Bendito és Tu, Senhor; ensina-me os teus estatutos.** (Salmo 119:12 NASB)

Em hebraico, existem duas palavras que são traduzidas como “bendito”: ʾāšār e bārûk. A primeira, ʾāšār, é utilizada em versículos como o Salmo 1:1 e se aplica aos seres humanos. A segunda, bārûk, aparece no versículo acima e é direcionada a D-us. Embora a diferença entre essas duas palavras não seja clara em português, compreender essa distinção é fundamental para entender seu uso nas escrituras.

Existem dois verbos hebraicos que significam “abençoar”: bārak e ʾāšar. Mas qual é a diferença entre eles? O verbo bārak é utilizado quando D-us abençoa alguém, expressando um ato de generosidade divina que não depende de mérito humano. Por outro lado, o verbo ʾāšar nunca é usado por D-us, pois é associado a um estado de desejo humano. Quando alguém abençoa a D-us, o verbo é sempre bārak, nunca ʾāšar. Uma razão para essa distinção é que ʾāšar está ligado ao desejo humano de alcançar uma condição invejável: “digno de ser invejado é o homem que confia no Senhor”. D-us, por sua natureza, não almeja o que é humano e, portanto, nunca usa ʾāšar para abençoar.

Além disso, a iniciativa de usar bārak sempre vem de D-us, que concede Suas bênçãos independentemente de qualquer ação humana. Já ʾāšar requer uma ação positiva do homem para que se torne “bendito”. Bārak é mais uma bênção, enquanto ʾāšar é uma congratulação. No grego, bārak é traduzido como *eulogētos*, e ʾāšar como *makarios*. 

Para ser considerado “bendito” (ʾāšrê), o homem precisa realizar ações positivas e seguir os caminhos de D-us. Por exemplo, um homem bendito é aquele que confia em D-us sem duvidar, conforme indicado nos seguintes versículos:

– “Provai, e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.” (Salmos 34:8)

– “Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.” (Salmos 40:4)

– “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados.” (Salmos 84:5)

– “O que atenta prudentemente para o assunto achará o bem, e o que confia no Senhor será bem-aventurado.” (Provérbios 16:20)

Outro exemplo de uma pessoa “bendita” é aquela que segue a autoridade das revelações de D-us, seja através de sua Torá, seus mandamentos ou suas palavras, conforme mencionado em versículos como:

– “Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na Torá do Senhor.” (Salmos 119:1)

Ajudar os pobres também é um ato que leva a ser considerado bendito:

– “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre; o SENHOR o livrará no dia do mal.” (Salmo 41:1)

– “O que despreza ao seu próximo peca, mas o que se compadece dos humildes é bem-aventurado.” (Provérbios 14:21)

Por outro lado, o Salmo 1 destaca a ideia de que “bendito é o homem que não faz” certas coisas, como se associar aos ímpios:

– “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.” (Salmos 1:1)

O salmo termina afirmando que os ímpios serão isolados no final, pois não estarão presentes no julgamento e perecerão.

De acordo com Harrison, a tradução para o grego usa *eulogētos* para bārak e *makarios* para ʾāšar. Todas as Bem-aventuranças começam com *makarios*, lembrando-nos de que essas não são dádivas divinas, mas algo que se conquista com esforço humano. Contudo, aqui a ideia central é mostrar nossa gratidão a D-us. Essa é a verdadeira resposta que podemos oferecer: nosso louvor. É crucial lembrar que D-us nunca chama o homem de “bendito” com o termo ʾašrê, pois Suas bênçãos são uma graça imerecida, que não depende de nosso esforço. Em resposta, devolvemos a D-us o que Ele nos oferece, louvando-O com a mesma palavra. Você e eu podemos encontrar felicidade (ʾašrê) por meio de nossos esforços, mas tudo isso depende, no fim das contas, da benevolência de D-us. Por isso, cantamos: “Bendito és Tu.”

Este texto é baseado em um artigo que li do Ph.D. Skip Moen, publicado em 17 de julho de 2024.

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