Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 5 “Pobres de espírito” Mateus 5

“Pobres de espírito” – O Sermão da Montanha é um discurso de Jesus encontrado no livro de Mateus nos capítulos 5-7 e em Lucas de forma fragmentada. Nesse discurso Ele aborda vários aspectos para que alcancemos uma vida justa e reta perante D’us, são lições não só de cunho moral mas também de conduta prática orientando aqueles que desejam andar conforme o “Reino de D’us”, onde devemos exibir um conjunto desses valores distintos.
Ao lermos o sermão da montanha, surge uma pergunta: Será que realmente entendemos tudo que está exposto nele? Minha primeira impressão é que não entendemos tudo claramente pela simples razão do texto original ter sido escrito em Hebraico (surpresa para muitos), depois ter sido traduzido para o Grego passando pelo Latin e finalmente chegando ao Português. Qualquer texto traduzido sofre mutações devido as diferenças nas estruturas da construção das línguas e principalmente quando se trata de frases idiomáticas.
Quero evidenciar, entre muitas frases idiomáticas no sermão da montanha essa que se refere aos “Pobres de espírito” em Mateus 5:3 (Versão Almeida Revista e Atualizada)

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;”

Essa frase idiomática, “Pobres de espírito” só pode ser entendida corretamente dentro do seu contexto original. Jesus quando ensinava lançava mão dos ensinamentos da Torá, os livros proféticos e os livros poéticos conhecido pelos judeus como Tanak, erradamente chamado de velho testamento pelos cristãos. Seus ouvintes tinham em mente todo o Tanak, portanto qualquer frase ou palavra proferida invocava a passagem bíblica em suas mentes.

O que significa ser “pobre de espírito”?
Quando Jesus usa este termo ele está fazendo uma alusão a uma série de passagens na Tanak.

Algumas delas;

1- “Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o Senhor; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.” Isaías 66:2

2- “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” Isaías 57:15

3- “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Salmos 51:17

4- “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.” Salmos 34:18.

Vemos que o assunto aqui é o arrependimento, fator indispensável para quem deseja entrar no “reino do céus”. Ser “pobre de espírito” significa alguém que se arrependeu de seus pecados, que se voltou a D’us, que ama sua palavra e que guarda seus mandamentos.
Ele fala de forma poética, maneira típica de ensinar verdades absolutas por ser fácil de memorização. O paralelismo é uma caraterística do hebraico com prosas e poesias, o que temos aqui nas bem-aventuranças é apenas um desenvolvimento pluralista progressivo. Jesus está essencialmente construindo sobre um pensamento e reforçando a mesma idéia com diferentes nuanças nas bem-aventuranças.

O que significa o termo “reino do céus”?
Para o judeu do primeiro século especialmente um rabino o “reino de D’us” se referia ao agora e não algo no futuro.
Vale a pena notar que os judeus usavam o termo “reino dos céus” e não o termo helenístico “reino de D’us”. Eles tinham aversão em usar a palavra “D’us” por respeito aos mandamentos para não tomar o nome de D’us em vão Êxodo 20:7 – parte dos 10 mandamentos. Mas como o texto foi traduzido do hebraico para o grego, que não tem esse cuidado, usar o termo “reino de D’us” não tinha nenhum peso, lembrando que os gregos usavam a palavra “deus” de forma cotidiana, eles tinham um deus para tudo, deus do sol, das lua, das estrelas, das mar, da terra, da fertilidade etc…

Concluindo “reino do céus” é “agora” no momento presente, se refere aquelas pessoas sobre as quais Deus está governando, aos “pobre de espírito” (arrependidos).
Portanto, bem-aventurados (felizes) são aqueles que se arrependem de seus pecados, que se voltam para D’us, amam sua palavra, guardam seus mandamentos porque essas são as pessoas sobre as quais Deus está governando (agora) e que estão demonstrando Seu domínio em suas vidas, (“reino do céus”).

Etimologia:

1- “Bem-aventurados” no grego = Makarios, no hebraico = Asher (abençoado, feliz, felizardo) não existe palavra em Português apropriada para expressar Asher. Alguns exemplos Salmos 114:15
2- Versículos de 3-12 são conhecidos como as beatitudes porque foi traduzido da versão latina conhecida como Vulgata (410 ad) de Jerônimo. Jerônimo traduziu a palavra Makarios do grego para o latin = beatus dando assim origem a palavra em português “beatitudes”.
3- “Reino do céus” no hebraico = malkhut ha-Shammayim

Entendendo as palavras difíceis de Jesus Parte 4 “Olho bom e olho mau” Mateus 6

O Sermão da Montanha é um discurso de Jesus encontrado no livro de Mateus nos capítulos 5-7 e em Lucas de forma fragmentada. Nesse discurso Ele aborda vários aspectos para que alcancemos um vida justa e reta perante D’us, são lições não só de cunho moral mas também de conduta prática orientando aqueles que desejam andar conforme o “Reino de D’us”, onde devemos exibir um conjunto desses valores distintos.
Ao lermos o sermão da montanha, surge uma pergunta: Será que realmente entendemos tudo que está exposto nele? Minha primeira impressão é que não entendemos tudo claramente pela simples razão do texto original ter sido escrito em Hebraico (surpresa para muitos), depois ter sido traduzido para o Grego passando pelo Latin e finalmente chegando ao Português. Qualquer texto traduzido sofre mutações devido as diferenças nas estruturas de construção das línguas e principalmente quando se trata de frases idiomáticas.
Quero evidenciar, entre muitas frases idiomáticas no sermão da montanha, essa que se refere ao “bom e mau olho”, em Mateus 6:22-23 (Versão Almeida Revista e Atualizada)

22 A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; 23 Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!

Essa frase enigmática, “bom e mau olho” só pode ser entendida corretamente dentro do seu contexto original. Jesus quando ensinava lançava mão dos ensinamentos da Torá, os livros proféticos e os livros poéticos conhecido pelos judeus como Tanak, erradamente chamado de velho testamento pelos cristãos. Seus ouvintes tinham mente todo o Tanak portanto qualquer frase ou palavra proferida invocava a passagem bíblica na mente de seus ouvintes. “Bom olho e mau olho” se refere as seguintes passagens:

1- “O que vê com bons olhos será abençoado, porque dá do seu pão ao pobre.” Provérbios 22:9

2- “Não comas o pão daquele que tem o olhar maligno (olho mau), nem cobices as suas iguarias gostosas.” Provérbios 23:6

3- “O que quer enriquecer depressa é homem de olho maligno (olho mau), porém não sabe que a pobreza há de vir sobre ele.” Provérbios 28:22

Nessa passagem vemos claramente que Provérbios se refere a generosidade como “bom olho” e avareza como “mau olho”. Até nos dias de hoje essa frase idiomática milenar é usada em Israel para se referir a uma pessoa generosa.

Se lermos os veículos 21-24 de Mateus em conjunto no seu contexto;

21 Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
22 A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; 23 Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! 24 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

Vemos que o assunto aqui é nossa relação com o dinheiro, bens materiais e com o próximo. Diferentemente de muitas pregações tão comuns hoje em dia centradas na prosperidade material, no ter e no ego do homen, Jesus ensina que quando somos abençoados materialmente temos um dever social de ajudar aos outros, sendo generosos. São valores centrados no coletivo em contraste com o individualismo que reina atualmente. Estudo tirado do livro “Understanding the Difficult Words of Jesus” do Dr. Roy Blizzard.

Autor: Adivalter Sfalsin